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                  <text>7.3

CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO E ATITUDES DE LEITURA DOS
ALUNOS DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE LONDRINA

Ana Esmeralda Carelli*
Maria Aparecida E. Madureira*
Vilma A. Gimenes da Cruz*
RESUMO

A leitura é de primordial importância para a formação intelectual do indivíduo e,
considerando a vivência docente, onde através da leitura de textos os alunos têm
demonstrado desinteresse, falta de vontade ou motivação e dificuldades de
compreensão, surgiu a necessidade de desenvolver a presente pesquisa com o
objetivo de caracterizar o comportamento e as atitudes de leitura dos alunos de
Biblioteconomia da UEL. A coleta de dados foi feita com 89 alunos e 24 docentes,
através de questionários distintos. Os resultados obtidos demonstraram que os
alunos não têm comportamentos e atitudes satisfatórias de leitura. Considerando os
resultados, foram apresentadas propostas com o objetivo de remediar e/ou alterar a
realidade encontrada.

1 INTRODUÇÃO

O processo de leitura, em todos os níveis de ensino, tem sido alvo de
preocupação dos professores, educadores e bibliotecários.
A inexistência de bibliotecas escolares; a falta de orientação adequada pelos
professores; o alto custo dos livros e também a falta de uma política educacional
voltada para o livro e a leitura, são fatores que determinam uma crise no processo
de leitura.

*

Docentes do Departamento de Biblioteconomia da Universidade Estadual de Londrina

�7.3

As observações vivenciadas no dia-a-dia deixam uma inquietação, quando
transparece que os alunos não têm interesse, vontade ou motivação mas, muitas
vezes, uma verdadeira repulsa à leitura.
Em decorrência disso é que sentimos a necessidade de desenvolver esta
pesquisa entre os alunos do Curso de Biblioteconomia. Para a realização da mesma
foram aplicados instrumentos junto aos alunos e professores do referido curso.
Os

resultados

obtidos

permitiram

o

conhecimento

da

realidade

e

possibilitaram a caracterização do comportamento e atitudes de leitura dos alunos,
fornecendo subsídios para a proposição de alternativas que modifiquem a situação
encontrada.

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

. Caracterizar atitudes e comportamentos de leitura dos alunos de
Biblioteconomia, através de pesquisa junto aos discentes e docentes.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

a) Levantar dados de identificação dos alunos quanto a: sexo, idade, estado
civil, escolaridade, ocupação;
b) identificar dados referentes à família, no que concerne a ocupação e grau
de instrução dos pais e renda familiar;

�7.3

c) levantar a história de leitura dos alunos;
d) analisar o comportamento de leitura acadêmica dos alunos;
e) verificar as atitudes dos alunos em relação à leitura;
f) levantar dados, junto aos professores do curso, quanto ao comportamento
de leitura dos alunos.

3 MÉTODO

3.1 SUJEITOS

Os sujeitos desta pesquisa constituiram-se de alunos e docentes envolvidos
no Curso de Biblioteconomia, no segundo semestre de 1992.

3.1.1 Alunos

Considerou-se todos os 120 alunos regularmente matriculados no Curso de
Biblioteconomia.
Constituiram-se sujeitos, de fato, 89 alunos, uma vez que por variáveis como
desistência da disciplina e ausência do aluno no dia da aplicação do instrumento,
não foi atingido o número total previsto.

3.1.2 Docentes

�7.3

Todos os docentes do Departamento de Biblioteconomia e os que
ministravam as disciplinas ofertadas por outros departamentos da UEL, para o
Curso, totalizando 31.

3.2 MATERIAL

Foram utilizados para coleta de dados desta pesquisa três instrumentos:
Questionários de Atitudes de Leitura, Caracterização de Leitura e Questionário
do Docente.

3.2.1 Questionário de Atitudes de Leitura

O instrumento utilizado, com adaptações, foi de SILVA e MAHER (1983), uma
vez que o mesmo foi elaborado para alunos de 1o. e 2o. graus e foi utilizado, nesta
pesquisa, para coleta de dados junto a universitários.

3.2.2 Questionário de Caracterização de Leitura

O Questionário de Caracterização de Leitura visava a obtenção de um maior
número de dados dos alunos e para isso foram formuladas questões que permitiram
respostas únicas, múltiplas e de priorização de procedimentos e habilidades da
leitura.

�7.3

O instrumento foi dividido em quatro grandes ítens: Dados de identificação do
aluno; dados sobre a família; hábitos de leitura e comportamento de leitura
acadêmica.

3.2.3 Questionário dos Docentes

Este instrumento foi elaborado com o objetivo de obter dados, junto aos
docentes, relativos ao comportamento de leitura dos alunos.

3.3 PROCEDIMENTOS

Os instrumentos foram pré-testados para a avaliação da sua adequação e
posteriormente aplicados.
Para a tabulação dos dados foi utilizado o Programa Statistical Analysis
System do Núcleo de Processamento de Dados da UEL. Entretanto, para as
questões com alternativas que solicitavam respostas diversificadas, a tabulação foi
feita manualmente.

4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

�7.3

Partindo-se da premissa de que a leitura é de primordial importância para a
formação integral do indivíduo e que, sendo um ato de reflexão, ultrapassa o mero
reconhecimento e decodificação de símbolos gráficos, tem sido evidenciada na
literatura a preocupação e o questionamento de pesquisadores e educadores com
relação à problemática da leitura em nosso País.
A leitura é um ato complexo, que envolve uma série de habilidades para seu
processamento.
RUBANO (1987) lembra bem quando afirma que ler não é uma simples
habilidade mecânica, é um processo que vai muito além do mero conhecimento de
palavras e de estruturação de frases. Para esta autora, o ler envolve uma relação
leitor-texto, onde o importante é como se lida com o conteúdo, de forma a identificar
seu uso e como o leitor posiciona-se diante de suas colocações.
Este posicionamento é compartilhado por MARINI (1986) ao colocar que "ler
é uma ação dinâmica e criativa que se efetua pelo diálogo estabelecido entre o
escritor e o leitor, mediado pelo texto".
É impossível reportar-se à leitura sem situar compreensão, pois não há
efetivamente leitura se não houver compreensão do que foi lido (SANTOS, 1981).
Alguns autores situam a leitura como sinônimo de compreensão, como
argumenta HAYES (1991), já que envolve a reconstrução da mensagem do autor e
a construção do seu próprio significado usando a página impressa.
Para a formação do leitor é necessário que se invista no indivíduo,
proporcionando-lhe
intelectual.

condições

para o seu desenvolvimento e crescimento

�7.3

A formação do leitor se dá basicamente em dois lugares: na escola e em
casa, com a família (NASTRI, 1986). Porém, ROSING (1988) em sua pesquisa
concluiu que a leitura é uma atividade que ocupa posição secundária nas
instituições formadoras de leitor: família e escola.
A leitura deve ser introduzida na vida do indivíduo o mais cedo possível.
Assim sendo, é fundamental o papel da família, principalmente dos pais como
incentivadores desse comportamento.
O conceito do termo atitude ainda provoca divergências, mas existem três
aspectos que são comuns: o cognitivo, o afetivo e o comportamental. Há também
consenso sobre a importância do seu desenvolvimento a partir da infância, como
sugerido por STRICKLER e ELLER (1980), quando colocam como necessário o
desenvolvimento de interesses e atitudes nas crianças durante a escola primária,
constituindo-se um meio primordial de afetar seus hábitos de leitura no decorrer de
suas existências.
STRICKLER e ELLER (1980) afirmam também haver considerável evidência
de que os hábitos de leitura que os estudantes desenvolvem na escola primária irão
fixar os padrões dos hábitos de leitura na idade adulta.
DUFFY e ROHLER apud SHMITH (1991) enfatizam a importância do tipo e
da qualidade das experiências que os alunos têm na escola como determinantes
das atitudes e hábitos que desenvolvem, e ainda, segundo esses autores, é
fundamental para o processo da leitura que os alunos tenham um conceito de leitura
e que devam sentir "que a leitura é uma atividade que vale a pena ser feita. Um
aluno que tem um conceito errôneo ou incompleto de leitura ou que percebeu leitura

�7.3

de maneira negativa é improvável que tenha controle sobre o processo de leitura e a
utilize com algum propósito".
Para a formação do leitor é necessário desenvolver habilidades que
promovam

o comportamento de ler e atitudes positivas frente à leitura. Porém,

existem poucos estudos sobre atitudes com estudantes universitários.
A leitura, a nível de cursos de 3o. grau, tem apresentado deficiências que são
reflexos de toda formação educacional dos alunos. Essas deficiências são
justificadas tanto pela situação em que se encontra o ensino a nível de 1o. e 2o.
graus, o qual não oferece condições para a formação de um bom leitor, como
também pelos fatores sócio-econômicos e familiares de cada indivíduo. Essas
deficiências têm sido comprovadas através de pesquisas realizadas no ensino de
3o. grau.
RUBANO (1987) coloca que o ler criticamente para o aluno de 3o. grau,
denominado de "Ler acadêmico", "não pode significar mera decodificação" (p.35). É
importante que através da leitura o conteúdo escrito se transforme em subsídio para
aprendizagens significativas.
A literatura nacional específica sobre a leitura com alunos de Biblioteconomia
é praticamente inexistente. Pode-se destacar o trabalho de BRANDÃO (1984) com
alunos da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal da Bahia, o qual
revelou que os alunos apresentaram deficiências no hábito e nas habilidades de
leitura. Segundo os resultados, o aumento da leitura acontece mais por influência da
auto-motivação do aluno do que pelo processo de socialização reforçado pela vida
acadêmica ou estímulo da família.

�7.3

KREMER (1991), em pesquisa com alunos de Biblioteconomia da
Universidade Federal de Minas Gerais, analisou os hábitos e preferências de leitura
e constatou que a leitura não se constitui no instrumental mais importante no
processo de aprendizagem.
As pesquisas apresentadas nesta revisão evidenciam a necessidade de se
diagnosticar, avaliar e propor alternativas para diminuir os problemas existentes com
a leitura dos alunos em nosso País.

5 RESULTADOS: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO

5.1 QUESTIONÁRIO DE CARACTERIZAÇÃO DA LEITURA

Conforme descrito na metodologia, foram aplicados 89 instrumentos, sendo
que o maior número de respondentes constituiu-se de alunos do 3o período,
seguidos dos alunos do 1o ano seriado e 7o período.
Os alunos do Curso de Biblioteconomia da UEL são predominantemente do
sexo feminino, solteiros, jovens, situados na faixa etária de 20 a 25 anos.
A formação dos alunos a nível de 1o. e 2o. graus ocorreu
predominantemente em cursos regulares, realizados em escolas públicas. Os
cursos de 2o. grau realizados com maior freqüência foram: Técnico em
Contabilidade, Magistério, Propedêutico, seguidos de Ensino Geral, Colegial e
outros.

�7.3

Pelos resultados constatou-se que 76,4% dos alunos estudam e trabalham,
sendo que 35 desenvolvem atividades relacionadas com o curso. Convém destacar
que do total apresentado acima, 46 alunos trabalham em período integral.
Os estudantes, em geral, são oriundos de famílias cujos pais possuem
apenas o curso primário, tendo, a maioria, profissões como agricultor e do lar, as
quais nem sempre requerem escolaridade.
Considerando-se a renda familiar, pode-se caracterizar as famílias como
pertencentes às classes sócio-econômicas de baixa e média baixa renda.
Com relação à formação do hábito de leitura, os estudantes não receberam
incentivos, ficando evidenciado também que na própria família não existe esse
hábito. Apesar de não terem sido incentivados, na infância liam gibis e literatura
infantil, enquanto que durante estudos dos 1º. e 2º. graus faziam leituras por
indicação do professor.
Mesmo não recebendo incentivos para formação do hábito de leitura e não
existindo o mesmo na família, é interessante ressaltar que os resultados acima
diferem dos encontrados por SILVA (1983) e KREMMER (1991), os quais
responsabilizam a família e a escola como incentivadores do hábito de leitura.
Quanto à freqüência às bibliotecas a maioria respondeu afirmativamente,
enquanto que a minoria indicou não freqüentá-las. Dos que afirmaram freqüentar
bibliotecas, a maior incidência recaiu sobre a Biblioteca Central

da UEL e

Bibliotecas Públicas. Justificando esta freqüência, as finalidades apresentadas
foram: buscar material para trabalhos acadêmicos, ler por lazer, ler jornal e
para utilizar salas de leitura. Os entrevistados que não freqüentam bibliotecas

�7.3

apresentaram justificativas como: falta de tempo, emprestam material de colegas
e emprestam material do professor.
Reportando-se ao comportamento de leitura acadêmica, os alunos têm
preferência por realizá-la em classe, e acreditam que estas leituras alcançam melhor
aproveitamento quando são solicitadas com o objetivo de promover debates,
estudos dirigidos, seminários etc.
Na leitura de textos acadêmicos, a grande maioria indicou sentir dificuldades,
as quais estão relacionadas com: a complexidade de conteúdo, a terminologia
técnica, a falta de pré-requisito para o assunto, a análise de texto, etc. Embora
tenham procedimentos corretos para realizar a leitura, não possuem pré-requisitos
que possibilitem a compreensão dos textos e, em decorrência disto, o professor é o
recurso prioritário para sanar as dificuldades encontradas.
Quando ocorrem essas dificuldades tentam resolvê-las procurando o
professor, consultando dicionários, consultando colegas, enquanto que alguns
lêem ignorando as dificuldades e outros desistem da leitura.
Outras pesquisas como MARINI (1986); SANTOS (1989); SAMPAIO (1982);
PEREIRA (1979) obtiveram este mesmo resultado em relação aos procedimentos
dos alunos para resolverem as dificuldades de leitura. SANTOS (1989) comenta que
o recorrer ao professor é, em princípio, positivo, pois o professor pode dar
explicações mais abrangentes, esclarecendo as dúvidas encontradas nos textos.
Ao realizar a leitura os entrevistados apresentaram que sublinhar partes
importantes do texto, reler as partes mais importantes e discutir o texto
consigo mesmo são os procedimentos com maior número de indicações para a
freqüência sempre. Consultar dicionários, procurar o professor para discutir as

�7.3

dúvidas, fazer resumos, discutir o texto com colegas e fazer esquemas são
procedimentos que se destacaram na freqüência às vezes.
Observa-se, através da prática docente, que, apesar destes procedimentos,
os mesmos não sanam as dificuldades de compreensão encontradas pelos
entrevistados. Isto ocorre, uma vez que estão relacionadas também à falta de
habilidades para a realização de uma boa leitura, existindo dificuldades em: avaliar
a competência do autor a respeito do assunto, sumariar parágrafos com suas
próprias palavras, sugerir futuras aplicações da idéia do autor, reconhecer o
objetivo do autor e seu ponto de vista, transferir informações lidas para outras
situações, encontrar as idéias principais do parágrafo, incorporar novas idéias
às idéias antigas.
Considerando que a leitura é imprescindível para a realização de diversas
atividades acadêmicas, procurou-se identificar junto aos alunos os procedimentos
de busca de informação para a realização de trabalhos escritos. Para isso, quando
necessitam de textos, os entrevistados se preocupam prioritariamente em procurar
material variado, seguidos de: encontrar artigos em português, conhecer o
pensamento de diferentes autores, procurar informações preferentemente em
livros.
Para a busca de informação, os resultados encontrados demonstraram um
comportamento positivo, pelo fato de a preocupação maior dos alunos ser a de
buscar material variado e pela percepção que têm dos procedimentos para a
apresentação de um trabalho escrito.
Estes resultados se contrapõem à realidade vivenciada na docência, quando
algumas vezes são apresentados trabalhos que deixam a desejar tanto pela

�7.3

qualidade como pelo aspecto formal, o que demonstra que os alunos dominam os
procedimentos corretos, porém, apenas na teoria.

5.2 QUESTIONÁRIO DE ATITUDES

Para tabulação dos ítens deste instrumento, atribuiram-se valores que
variavam de 5 a 1. Os valores 5 a 4 foram atribuídos às respostas que
demonstravam atitudes positivas frente a leitura, 3 para a indecisão em relação ao
item e 2 e 1 para respostas que indicavam atitudes negativas.
A apresentação dos resultados das médias por questões e das médias das
questões por categorias foi feita a partir da tabulação dos ítens do questionário.
Sob o ponto de vista da média das questões, constatou-se que 10 ítens
encontram-se no valor 4, significando atitudes positivas; 18 ítens no valor 3,
indicando indecisão e 2 ítens no valor 2, apontando tendências negativas.
Através

desses

resultados

verificou-se

que

a

maioria

dos

alunos

demonstraram indecisão quanto às atitudes de leitura.
Os mesmos resultados foram utilizados agrupando os ítens por categorias:
Leitura/Aprendizagem, Sentimento Afetivo frente à Leitura e Leitura/Lazer. Isso
se fez necessário tendo em vista as diferenças nítidas apresentadas pelos alunos
nos ítens que demonstraram atitudes pessoais e impessoais frente à leitura.
Com relação à Categoria Leitura/Aprendizagem as médias encontradas
representam atitudes positivas,

�7.3

Das dezoito questões que dizem respeito a Categoria Sentimentos Afetivos
frente à Leitura, duas apresentaram índices demonstrando atitudes positivas, duas
evidenciaram atitudes negativas e quatorze revelaram indecisão.
Com referência a Categoria Leitura/Lazer os resultados apresentaram
médias de 3,7 a 3,4, expressando indecisão quanto aos ítens desta categoria.

5.3 QUESTIONÁRIO DE DOCENTES

Os resultados obtidos pelo instrumento, aplicado aos 24 docentes,
evidenciaram que TODOS adotam leitura em suas disciplinas.
Os professores apontaram que a indiferença é uma atitude comum para a
leitura extra-classe e que a leitura em classe é a que os alunos mais gostam,
coincidindo com a preferência já apontada pelos mesmos.
Os professores solicitam leitura para: complementar conteúdo (87,5%);
antecipar conteúdo (54,2%); realizar trabalhos extra-classe (41,7%); auxiliar no
uso de técnicas de ensino (20,8%), não sendo adotada a leitura para substituir o
conteúdo a ser ministrado em sala.
A leitura solicitada pelos professores, para desenvolver atividades em sala de
aula, visa: realizar debates, apresentar seminário, realizar estudo dirigido e
trabalho em grupo. Para a leitura extra-classe foram indicadas as finalidades:
para

o

conhecimento

prévio

dos

assuntos,

elaborar

resumos,

fazer

fichamentos, realizar estudo dirigido e trabalhos em grupo. Estes resultados
coincidiram com os apontados pelos alunos, tanto nas leituras em classe como
extra-classe.

�7.3

Dos docentes entrevistados, 23 afirmaram que os alunos apresentam
dificuldades para a compreensão dos textos dados para leitura, evidenciando as
mais freqüentes: terminologia técnica, estilo do autor, conclusão pessoal do
texto, falta de pré-requisito para o assunto e o significado das palavras.
Estes resultados também foram encontrados em estudos realizados por
SAMPAIO (1982), MARINI (1986) e SANTOS (1989), os quais sugerem a oferta de
cursos para o desenvolvimento de habilidades de leitura dos alunos com deficiência
nestes aspectos.
Quando ocorrem dificuldades para o entendimento da leitura, dez professores
responderam que os alunos tem um único procedimento para saná-las, ou seja,
recorrer ao próprio professor, justificado talvez por ser este o procedimento mais
fácil para o aluno. Entretanto, treze professores responderam que os alunos não
adotam nenhum procedimento e um não respondeu a questão.
Colocando-se a situação dos alunos que não têm iniciativas em sanar as
dificuldades

encontradas

na

leitura,

os

professores

procuram

resolvê-las:

levantando questões a respeito do texto, fazendo análise do texto, ensinando
técnicas de leitura e solicitando fichamento. Com relação a estes procedimentos,
a literatura recomenda que nas universidades seja oportunizado ao professor o
acesso a novas tecnologias para o desenvolvimento das habilidades de leitura de
seus alunos (SAMPAIO, 1982; SANTOS, 1989).
Segundo os professores, as dificuldades encontradas pelos alunos para fazer
uma leitura mais complexa, ou seja, para análise dos textos, são relativas à: avaliar
a competência do autor a respeito do assunto, reconhecer o objetivo do autor
e seu ponto de vista, encontrar as idéias principais de um parágrafo, sumariar

�7.3

parágrafos com suas próprias palavras, apreender e assimilar detalhes
relevantes, transferir as informações lidas para outras situações e incorporar
novas idéias às idéias antigas.
Segundo SANTOS (1989) o bom desempenho acadêmico está relacionado
diretamente com a maturidade de leitura do aluno, o que é evidenciado pelas
habilidades de compreensão, criticidade e criatividade. Esta afirmativa vem ao
encontro dos resultados apresentados pelos professores, quando revelaram que os
alunos possuem deficiências nas habilidades mais complexas de leitura.
Na opinião dos docentes, os alunos também apresentam dificuldades para
realização de trabalhos escritos como: escrever o trabalho na seqüência lógica,
escrever a introdução, analisar trechos do material lido e reescrevê-lo com
suas próprias palavras.

�7.3

6 CONCLUSÃO

Pode-se perceber que os alunos não têm comportamentos e atitudes
satisfatórias de leitura, sentindo-se, portanto, a necessidade de modificar tal
realidade. Esta situação talvez seja o resultado de todo um processo educacional, o
qual não proporciona condições, a nível de 1o. e 2o. graus, para o desenvolvimento
da leitura, refletindo nitidamente essas deficiências no 3o. grau.
Na universidade o aluno tem a oportunidade de reexaminar e reanalisar o seu
comportamento de leitura, face às exigências acadêmicas, porém nem sempre
encontra formas práticas e objetivas de sanar suas dificuldades.
Em função das considerações acima, propõe-se algumas alternativas, com o
objetivo de remediar, e até mesmo desenvolver a maturidade de leitura dos alunos:
a) desenvolver um programa remediativo de leitura junto aos alunos de
Biblioteconomia;
b) oferecer um curso de extensão aos professores, com o objetivo de explorar
técnicas e habilidades para trabalhar a leitura de textos acadêmicos;
c) ofertar uma disciplina especial, para os alunos de Biblioteconomia, sobre
leitura, enfocando: Leitura e atualidade; níveis de leitura; leitura e estudo e
o bibliotecário como mediador da leitura em todos os níveis de ensino;
d) que novos estudos sejam realizados posteriormente, para avaliar o
comportamento de leitura dos alunos de Biblioteconomia, após a
implantação total do Regime Seriado.
Finalmente, sugere-se que estudos similares sejam desenvolvidos com
alunos do 3o. grau, de outras áreas do conhecimento. Isto contribuiria para um

�7.3

diagnóstico da situação da leitura entre universitários, possibilitando a apresentação
de outras propostas para alterar a realidade encontrada.

ABSTRACT

Reading is of fundamental importance in the individual’s intellectual development.
This research at the State University of Londrina (UEL), the aim of which was to
describe Librarianship students’ reading habits and attitudes towards reading, arose
from the observation that many students have low interest and motivation towards
reading, as well as comprehension difficulties. Data was collected from 89 students
and 24 teachers by means of separate questionnaires. Results show that students
do not have satisfactory reading habits or attitudes, and ways of improving the
current situation are suggested.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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da UFMG. R. Esc. Bibliotecon. UFMG, Belo Horizonte, v. 20, n. 1, p. 67-99,
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1986. Cap. 3, p.16-22
6 PEREIRA, Vera Regina A. Alguns fatores envolvidos na compreensão de
leitura. Porto Alegre : PUC, 1979. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia

�7.3

Universidade Católica, 1979.
7 ROSING, T. M. K. Ler na escola : para ensinar literatura no 1o., 2o. e 3o.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Carelli, Ana Esmeralda Carelli; Madureira, Maria Aparecida E.; Cruz, Vilma A. Gimenes</text>
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              <text>A leitura é de primordial importância para a formação intelectual do indivíduo e, considerando a vivência docente, onde através da leitura de textos os alunos têm demonstrado desinteresse, falta de vontade ou motivação e dificuldades de compreensão, surgiu a necessidade de desenvolver a presente pesquisa com o objetivo de caracterizar o comportamento e as atitudes de leitura dos alunos de Biblioteconomia da UEL. A coleta de dados foi feita com 89 alunos e 24 docentes, através de questionários distintos. Os resultados obtidos demonstraram que os lunos não têm comportamentos e atitudes satisfatórias de leitura. Considerando os resultados, foram apresentadas propostas com o objetivo de remediar e/ou alterar a realidade encontrada.</text>
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