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                  <text>8.3

ADMINISTRAÇÃO DO SETOR BRAILLE DA BIBLIOTECA CENTRAL EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA
*

Marília Mesquita Guedes Pereira
Paulo da Silva Chagas*

RESUMO
Discute a importância do Setor Braille da Biblioteca Central da Universidade Federal
da Paraíba como um modelo para uma sociedade em transformação, destacando a
relação deste setor universitário inserida nos programas de extensão das
universidades brasileiras.

1 INTRODUÇÃO
Oportuno e relevante nos parece um dos subtemas deste Evento, que aborda
a “BIBLIOTECA E SUA RELAÇÃO COM O CONTEXTO ACADÊMICO ATRAVÉS
DE PROGRAMAS DE EXTENSÃO”, o qual sugere algumas reflexões, visto que nos
preocupa o desempenho das bibliotecas universitárias brasileiras, visando a
melhoria de qualidade e produtividade dos serviços e produtos de informação para
os portadores de deficiência visual.
Neste texto resumimos aspectos considerados importantes, relativos a
experiência a frente do Setor Braille da Biblioteca Central da Universidade Federal
da Paraíba.
Como se pode observar, através da literatura, nas duas últimas décadas, têm
se intensificado os estudos e pesquisas na área do atendimento às necessidades
especiais dos portadores de deficiências. É do nosso conhecimento que muitas

�8.3

instituições de ensino superior, no Brasil, estão interessadas e trabalhando nessa
área, apesar das dificuldades de toda ordem, particularmente de recursos humanos
e materiais.
Considerando-se as decisões internacionais e nacionais referentes à
igualdade de oportunidades como direito de todos (Conferência Mundial de
Educação para Todos, Jomtiem - Tailândia, 1990; Encontro Internacional para
Discussão das Políticas de Atendimento aos Portadores de Necessidades
Educativas Especiais, Salamanca - Espanha, 1994; I Encontro de Educação
Especial, das Universidades Brasileiras, com base nas ações de Ensino, Pesquisa e
Extensão, Mato Grosso do Sul, 1995; e I Seminário Nacional de Bibliotecas Braille,
João Pessoa, 1995),

o Setor Braille, a partir de 1978, vem desenvolvendo e

consolidando atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão na área do portador de
deficiência visual, impondo ações, no sentido da melhoria de qualidade de vida
desses cidadãos.

2 CARACTERIZAÇÃO DO SETOR BRAILLE

Antes de iniciar a abordagem do tema específico deste trabalho, é
indispensável, sem pretensão de aprofundamentos teóricos, que se conceitue e se
identifique o Setor Braille da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba
como parte dos programas de extensão nas instituições de ensino superior
brasileiras, visto acreditarmos que a universidade brasileira se inclui como uma

*

Bibliotecários da Universidade Federal da Paraíba-UFPB

�8.3

dessas organizações, capaz de realizar análises críticas e propor alternativas para
viabilizar uma sociedade mais justa.
Ressalte-se, primeiramente, para a definição de que consiste o Setor Braille
da Biblioteca Central desta Universidade, subordinado à Seção de Coleções
Especiais da Divisão de Serviços ao Usuário - DSU, o qual tem sido apontado como
um órgão auxiliar e facilitador na integração social do portador de deficiência visual.
De bastante significância devemos considerar o seguinte princípio: “toda
pessoa tem direito à educação, ao ensino e à pesquisa”. O Setor Braille vem se
empenhando nesta luta, pois sempre está revendo o seu papel de mediador no
processo de transformação social, passando, dessa forma, a atuar decisivamente
na superação de preconceitos. É nosso dever como cidadão lutar pela integração do
portador de deficiência visual no contexto social.
É de fundamental importância destacar que o Setor Braille da Biblioteca
Central da UFPB não funciona como instituição fechada em si mesma, que apenas
produz e fornece material ao usuário passivo, e sim como um instrumento vivo e
ativo de informação à comunidade universitária e local. Necessário se faz completar
a responsabilidade do Setor Braille da Biblioteca Central da UFPB com o deficiente
visual que, através da ação e reflexão, assume um papel de agente questionador do
seu “modus vivendi” e da realidade à qual pertence.
Numa primeira instância é possível afirmar que o Setor Braille vem
participando como agente de transformação sócio-cultural-político, tornando-se
visível à comunidade universitária e local dos portadores de deficiência visual.

3 SERVIÇOS OFERECIDOS PELO SETOR BRAILLE

�8.3

O Setor Braille da Biblioteca Central da UFPB deve ser visto como parte da
sociedade na qual está inserido e envolvido na ação de desenvolvimento,
preocupando-se, dessa maneira, com o portador de deficiência visual.
Sob esta orientação, o Setor Braille vem implementando ações para a
melhoria de vida desse segmento social, justificando que a nossa Universidade está
interessada e trabalhando com o intuito de desencadear nessa área, apesar das
dificuldades de toda ordem, ações em prol da igualdade de direitos dos deficientes
visuais, injustiçados na medida em que são segregados e estigmatizados.
Destaque para as atividades oferecidas pelo Setor Braille, a saber:
a) empréstimo do acervo bibliográfico junto à comunidade universitária e local
de deficientes visuais com referência a livros e periódicos. Convém
salientar que o

acervo é um dos melhores do Nordeste, recebendo

doações de instituições nacionais e estrangeiras, tais como: Fundação
Dorina Nowill para o Cego, em São Paulo; Instituto Benjamin Constant, no
Rio de Janeiro; Fundação Hilton Rocha, em Belo Horizonte; Santa Casa de
Misericórdia do Porto e Câmara Municipal de Lisboa, em Portugal,
Fundación Braille del Uruguay, National Library Service for the Blind and
Physically

Handicapped,

em

Washington;

Illinois

Department

of

Rehabilitation Services, em Marion, Illinois;
b) gravação de livros, periódicos e texto das necessidades imediatas do
portador de deficiência visual. Esta ação surgiu como necessidade de
servir como mecanismo alimentador a uma categoria carente das
necessidades e interesses nos aspectos informacional, bibliográfico,

�8.3

cultural e de lazer, visto que o acervo existe e não atende satisfatoriamente
às suas necessidades. É essencial, de toda forma, tomar consciência e
esclarecer que a produção das Imprensas Braille Brasileiras atendem
apenas à demanda do ensino básico (1º e 2º grau);
c) atendimento da clientela cega “in loco”. O trabalho é realizado com os
alunos cegos de graduação desta Universidade, do Instituto dos Cegos da
Paraíba “Adalgisa Cunha”, alunos da Universidade Autônoma e a clientela
cega local, no sentido de orientação das suas tarefas escolares. Utilizamos
a máquina Braille, voluntários, funcionários e ledores a fim de que leiam
para os cegos;
d) atendimento

e/ou

aconselhamento

nas

residências

das

pessoas

deficientes visuais, que não têm condições de acesso ao Campus
Universitário. A eles aplicamos a Biblioterapia, numa tentativa de contribuir
para a melhoria de suas condições psicológicas, educacionais e sociais;
e) produção de livros infanto-juvenis. Este serviço é embrionário e estamos
contando com a boa vontade de uma estagiária, aluna do Curso de
Geografia da UFPB;
f) apresentação da hora do conto com as crianças do Instituto dos Cegos da
Paraíba “Adalgisa Cunha”. O que se vem observando é que esta
apresentação tem sido realizada esporadicamente, uma vez que primeiro
deveremos fazer um trabalho com os professores e funcionários daquele
Instituto, a fim de que haja um trabalho sincronizado. É nossa intenção dar
oportunidade ao autor paraibano de questionar o seu livro com a clientela

�8.3

cega infanto-juvenil, tendo um compromisso com a transformação e a
consciência social;
g) contatos mantidos com a imprensa falada e escrita, no sentido de uma
maior divulgação;
h) contatos através de projetos com instituições fomentadoras, com o objetivo
de encontrar meios alternativos de recursos financeiros;
i) elaboração de cursos de Técnica Braille, cursos de Dicção, Seminários,
Fórum de Debates;
j) elaboração de artigos para serem apresentados em Congressos,
Seminários, em revistas de Educação e jornais locais;
k) produção de livros e anais;
l) implantação, em fase inicial, da automação para o portador de deficiência
visual.

4 CONCLUSÃO

Este texto limitou-se a uma avaliação da ação do Setor Braille da Biblioteca
Central da Universidade Federal da Paraíba como agente de transformação. De
imediato, é possível afirmar que o Setor Braille, para que desempenhe o seu papel
com eficiência, deverá estar ligado à implementação das seguintes características:
capacidade de pesquisa, de liderança, de planejamento, de avaliação externa,
administrativa e auto-avaliação, conforme descrito por SOUZA (1993). Podemos
afirmar que, partindo-se da premissa de se ver o Setor Braille como permanente,
essas capacidades e orientações tendem a ser convenientemente utilizadas,

�8.3

gerando, assim, produtos e serviços, atitudes e ações marcantes e o seu sucesso
estará garantido como agente de transformação.
No que diz respeito à biblioteca universitária inserida nos programas de
extensão, justificamos ser suficiente, para este momento de trabalho, que o nosso
Setor Braille pode e deve entrar socializando o saber de seus profissionais,
oferecendo encaminhamentos para soluções e abrindo perspectivas às vezes
insuspeitadas por quem é condenado a lutar para sobreviver. Deste ir-e-vir fecundo
entre pensamento universitário e saber popular pode surgir um novo tipo de
desenvolvimento adequado à cultura local e ao ecossistema regional. A partir desta
prática, a universidade pública resgatará seu caráter público, será servidora da
sociedade e não apenas daqueles privilegiados que conseguem se inscrever nela. É
aqui que a Universidade deve se abrir e se inserir (BOFF, 1994).
Reportando-se ao pensamento acima referenciado, os profissionais de
Biblioteconomia mais uma vez podem ser chamados a observar que há
possibilidade de levar as pessoas que se expõem à sua influência a uma prática de
serviço à comunidade portadora de deficiência visual.
Finalizando e para a compreensão deste trabalho, se faz necessário
enfatizar que os benefícios já alcançados com a dinâmica do Setor Braille, junto à
comunidade universitária e local de portadores de deficiência visual, foram
apresentados no I Seminário Nacional de Bibliotecas Braille, em outubro de 1995,
levando às seguintes recomendações:
a) ao Ministério de Educação e Desporto que através da FAE e Secretaria de
Educação Especial - SEESP, que elabore uma política de publicação de

�8.3

obras prioritárias em formatos adequados para o estudante de 1º, 2º e 3º
grau (DEFICIENTES..., 1996);
b) à Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e Documentação,
que estimule as escolas a incluir em seus programas de educação de
graduação e pós-graduação os serviços para os portadores de deficiência
visual;
c) à Fundação Biblioteca Nacional, que envide esforços no sentido de
publicar uma relação de livros falados, constantes dos cinco últimos anos
da bibliografia nacional, para distribuição pelas bibliotecas do sistema que
possuam serviços para portadores de deficiência visual;
d) ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas da Fundação Biblioteca
Nacional:
• que colabore com o “Disque Braille”, incentivando o uso da
informática referente à coleta dos acervos dos serviços Braille das
bibliotecas públicas, visando à formação do Catálogo Coletivo
Nacional de Livros em Braille e Livros Falados, destinados aos
portadores de deficiência visual, com atenção especial à produção
própria das bibliotecas;
• que publique o diretório dos serviços de bibliotecas para portadores
de deficiência visual;
e) à Universidade de São Paulo, que possibilite a ampliação de ação do
“Disque Braille” para a formação do Catálogo Coletivo Nacional e que este
catálogo se torne acessível via RENDE;

�8.3

f) à Câmara Brasileira do Livro, que incentive as editoras associadas a
agilizar o processo de autorização de transcrição em Braille ou gravação
em fitas, de obras ou partes delas para utilização do deficiente visual;
g) à Fundação Dorina Nowill para cegos de São Paulo, que mantenha
atualizado o Catálogo de livros reais de cada biblioteca cadastrada, como
também uma divulgação das obras impressas por essa fundação para
cegos;
h) que seja encaminhado através do Setor Braille da Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba, um projeto ao Ministério de Educação e
Desporto - Secretaria de Educação Especial/SEESP, com vistas a
publicação dos Anais, assim como de trabalhos selecionados que deverão
compor a Revista Integração do MEC/SEESP;
i) à Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários - FEBAB - que
estimule a implantação de uma Sub-Comissão Brasileira de Bibliotecas em
Braille com a finalidade de coordenar a comunicação entre os serviços
existentes.

ABSTRACT

This paper discusses the importance of the Braille Section of the Federal University
of Paraiba Central Library as a model for a changing society, highlighting the
relationship between this section and community programmes in Brazilian
universities.

�8.3

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 BOFF, Leonardo. A função da Universidade na construção da soberania nacional
e da cidadania. Cadernos de Extensão Universitária, Rio de Janeiro, v. 1,
n. 1, p. 9-36, 1994.
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1996. p. 6.
3 FERREIRA, Marcos Ribeiro, BOTOMÉ, Sílvio Paulo. Deficiência física e
inserção social : a formação dos recursos humanos. Caxias do Sul :
EDUCS, 1984. 218 p.
4 INSTALAÇÃO de fóruns permanentes de educação especial, em IES brasileiras
(proposta da Comissão Organizadora), Mato Grosso do Sul, 1995. 5 p. (I
Encontro de Educação Especial, das Universidades Brasileiras, com base nas
ações de Ensino, Pesquisa e Extensão).
5 PEREIRA, Marília Mesquita Guedes. A biblioterapia em instituições de
deficientes visuais: estudo de caso. João Pessoa, 1988. 318 p. Dissertação
(Mestrado em Biblioteconomia) - Centro de Ciências Sociais Aplicadas,
Universidade Federal da Paraíba.
6 ______. O biblioterapeuta : educação e treinamento. O Norte, João Pessoa,
17 jan. 1993. Biblioteca. Cad. 3, p. 6.
7 _______. Especialistas reúnem-se para discutir bibliotecas em Braille. Correio
da Paraíba, João Pessoa, 14 out. 1995. p. 2.
8 _______. João Pessoa sediará em outubro I Seminário de Bibliotecas Braille.
Correio da Paraíba, João Pessoa, 9 jul. 1995. p.7.

�8.3

9 _______. As prateleiras do saber: surge um novo tipo de bibliotecário. O Norte,
João Pessoa, 27 jan. 1993. Biblioteca. Cad. 3. p. 2.
10 ______. I Senabraille vai analisar novas tecnologias. O Norte, João Pessoa, 8
out. 1995. p. 6.
11 ______. Proposta para implantação de um programa de biblioterapia para
cegos no Instituto dos Cegos “Adalgisa Cunha”. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 16., 1991,
Salvador. Anais... Salvador, 1991. p.741-763.
12 PEREIRA, Marília Mesquita Guedes. Relatório das recomendações do I
Seminário Nacional de Bibliotecas Braille: I SENABRAILLE. João Pessoa,
1995. 3 p.
13 ______. Texto falado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA
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14 ______. Projeto de automação : Setor Braille da Biblioteca Central da UFPB.
In: SEMINÁRIO SOBRE AUTOMAÇÃO EM BIBLIOTECAS E CENTROS DE
DOCUMENTAÇÃO, 5., 1994, São José dos Campos. Anais... São José
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Campos, 1994. p. 101-109.
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desenvolvimento da leitura no Brasil. São Paulo : Ática, 1991. 128 p.
16 SOUZA, Francisco das Chagas. A biblioteca e o bibliotecário como agentes
de transformação. Florianópolis : Editora da UFSC, 1993. p. 25-48.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>Discute a importância do Setor Braille da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba como um modelo para uma sociedade em transformação, destacando a relação deste setor universitário inserida nos programas de extensão das universidades brasileiras.</text>
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