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                  <text>TRANSFORMAÇÃO DE MODELOS ORGANIZACIONAIS, TECNOLOGIA E
PODER NAS UNIDADES DE INFORMAÇÃO DAS UNIVERSIDADES

Cristina Amélia Carvalho∗
Sueli Goulart∗∗

RESUMO
As mudanças societárias conduziram a uma sociedade assentada em
organizações e estas passaram a ter um papel central na formatação dos
processos de mudança social, na sua velocidade e no seu alcance. Este artigo
discute como a transformação evolutiva dos modelos de gestão, da tecnologia e
dos modus operandi das unidades de informação alteram o arranjo de poder e
deslocam os núcleos de decisão nos cenários das organizações de ensino
universitário. Esta explicação é construída com base na compreensão do
processo de passagem do modelo fordista para o modelo pós-fordista de
produção e na emergência da sociedade da informação. Trata-se do resultado de
investigações anteriores das autoras sobre o tema somadas aos dados
apresentados por outras duas pesquisadoras que lhes antecederam no mesmo
campo de estudo, compondo um quadro em três períodos de tempo seqüenciais.

1 INTRODUÇÃO
Nas organizações, construções sociais formadas em torno do alcance de
objetivos de eficiência e eficácia, dimensões basilares do modelo burocrático, as
mudanças fazem parte do cotidiano das organizações. Assim, as organizações
dependem de sua capacidade de mudar para sobreviver na sociedade
competitiva que ajudaram a criar.
As dimensões cultural, econômica, política e legal, os contextos
institucionais e a tecnologia são elementos capazes, não somente de provocar
mudanças mas, também, de definir os rumos que elas poderão assumir. Isso
reforça a importância, nos estudos das mudanças no âmbito organizacional, de
estabelecer um vínculo de compreensão com o que, em paralelo, ocorre na
sociedade em cada momento.

�Este artigo discute como a transformação evolutiva dos modelos de gestão,
da tecnologia e dos modus operandi das unidades de informação alteram o
arranjo de poder e deslocam os núcleos de decisão nos cenários das
organizações de ensino universitário. Esta explicação é construída com base na
compreensão do processo de passagem do modelo fordista para o modelo pósfordista de produção e na emergência da sociedade da informação.
Para isso, trata do resultado de investigações anteriores das autoras sobre
o tema somado aos dados apresentados por outras duas pesquisadoras que lhes
antecederam no mesmo campo de estudo, compondo um quadro em três
períodos de tempo seqüenciais. Assim, os dados que suportam a análise
interpretativa são oriundos das pesquisas realizadas por Ferreira (1980), na
década de 70, por Mercadante (1990), nos anos 80 e por Carvalho e Goulart
(2003a, 2003b).

2 A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA:
INFORMACIONAL

PÓS-MODERNA, GLOBAL E

O conjunto de elementos que dava suporte ao modelo fordista e à
sociedade moderna começou a dar sinais de enfraquecimento, a partir do final da
década de 60. Estrutura produtiva e tecnológica rígida, base da produção
homogênea, de larga escala exigia mercado consumidor de grandes proporções.
Super especialização dos trabalhadores, padronização das tarefas, separação
entre planejamento e operação, pensar e agir, constituíram instrumentos para que
o modelo de produção estivesse à altura da permanente ampliação dos
mercados.
A emergência de crises financeiras (esgotamento da capacidade de
investimento público), de mercado (esgotamento da capacidade de consumo) e
sociais (conflitos capital-trabalho, aumento do desemprego) colocaram em cheque
o modelo vigente. Vários fenômenos sociais atingem seu apogeu na década de
70 e trazem no bojo as sementes de um novo modelo de produção. Contrapondose à rigidez do modelo fordista, se estabelece o modelo pós-fordista de produção
com base no que Clegg (1990) denomina de consumo pós-moderno que se

�sustenta na diferenciação constante e crescente do consumo. Tal diferenciação
confronta o esquema modernista de consumo de massa e exige flexibilidade dos
processos, dos mercados, dos produtos traçando novos rumos na estruturação da
produção.
A organização do trabalho molda-se às exigências deste tipo de produção
e, assim, impõe a multifuncionalidade dos trabalhadores e a visão integral do
produto, agora não mais dividido em partes atomizadas. O modelo de gestão
organizacional que emerge exige maior participação dos trabalhadores nas
decisões como forma de obter não apenas o comprometimento, mas também o
usufruto de seus estoques de conhecimento. Novos arranjos interorganizacionais
são construídos, baseados em redes e cadeias produtivas, essenciais ao princípio
da segmentação da produção na economia globalizada.
Tais transformações são amplamente favorecidas pelo desenvolvimento
das tecnologias de informação que permitem a distribuição geográfica da
produção e do consumo, consolidando o fenômeno da globalização, cujos
reflexos atingem todos os setores da sociedade.
Subjacente ao novo modelo de produção está o conhecimento que, ao se
tornar mercadoria-chave, desloca o eixo das relações produtivas, antes
vinculados primeiro à terra e depois ao capital, para a tecnologia de geração,
distribuição e uso de informação e conhecimento.
As organizações públicas são, em razão das transformações ocorridas no
contexto, igualmente submetidas a processos de reestruturação nos quais são
fundamentais os redesenhos estruturais que possam acomodar as forças que
emergem das novas interações, as práticas e tecnologias de gestão e novos
aparatos tecnológicos surgidos da sofisticação das demandas por novos serviços.
Em que pese a perenidade institucional das universidades, “associada à
rigidez funcional e organizacional, à relativa impermeabilidade às pressões
externas, enfim à aversão à mudança” (SANTOS, 1997, p. 187), também essas
organizações vem tentando se amoldar às pressões do novo contexto social,
econômico, tecnológico e político.

�3

FORDISMO, PÓS-FORDISMO E SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO:
REFERÊNCIAS ESTRUTURAIS DAS UNIDADES DE INFORMAÇÃO
O Brasil, como os demais países periféricos, apóia seu sistema científico e

tecnológico nas universidades. A produção de conhecimento em ciência e
tecnologia (C&amp;T) gerado nas organizações universitárias depende do acesso à
informação, da qualidade deste acesso e da rapidez na apropriação do novo
conhecimento gerado, para além das fronteiras organizacionais e nacionais.
Dessa forma, os serviços e produtos informacionais oferecidos pelas bibliotecas
universitárias têm caráter central na qualidade acadêmica.
Embora sejam organizações tão antigas quanto as próprias universidades,
as bibliotecas vêem sua relevância ampliada a partir da década de 50,
provavelmente como conseqüência da criação de dois órgãos de vital importância
e influência no redirecionamento da prática bibliotecária: o Conselho Nacional de
Pesquisa, atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, atual Instituto
Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (IBICT). Estes marcos que
tiveram lugar nos anos 50, somados aos investimentos em pesquisa e pósgraduação, à consolidação dos campi universitários e à regulamentação da
profissão de bibliotecário, ocorridos ao longo da década de 60, passaram a exigir
das bibliotecas universitárias novas formas de suas políticas de ação e novas
práticas de gestão.
Referenciadas ao modelo fordista e em seus pressupostos fundamentais
de modernidade, homogeneidade e totalidade, as bibliotecas universitárias
buscaram moldar suas estruturas com o intuito de racionalizar práticas e
processos. Isto é ilustrado nas pesquisas de Ferreira (1980) e Mercadante (1990)
que descrevem as estruturas organizacionais e as principais tendências dos
modelos de gestão nas décadas de 70 e 80.
Ferreira (1980) classifica os modelos estruturais, utilizando como referência
a centralização como principal dimensão de análise. Com uma amostra de 17
bibliotecas

centrais

e

133

setoriais,

a

autora

descreve

modelos

�(des)centralizados, ressaltando (des)vantagens de cada um para a política de
acesso à informação das universidades. O cenário que emerge dos dados
analisados mostra que a maioria das bibliotecas pesquisadas tendia à
centralização ou estava em fase de transição para este modelo. Os principais
argumentos para a referida opção de formatação organizacional dizem respeito à
redução do número de bibliotecas; à reunião das coleções; à integração dos
serviços bibliotecários e dos pesquisadores; aos custos de manutenção e
desenvolvimento dos produtos e serviços, assim como dos processos de gestão e
controle e do desempenho orçamentário-financeiro. Ao final, a autora recomenda
que o processo de centralização das bibliotecas seja concebido como um sistema
e este, por sua vez, como subsistema do sistema universitário. Acrescenta que as
instâncias de decisão e gestão governamental e das universidades identifiquem e
viabilizem os sistemas de bibliotecas como subsistemas nacionais de informação
imprescindíveis ao desenvolvimento do ensino superior e da pesquisa no Brasil.
A pesquisa de Mercadante (1990), realizada na década seguinte, traçou
comparação

entre

modelos

organizacionais

adotados

pelas

bibliotecas

universitárias, identificando as principais variáveis determinantes a fim de orientálas quanto à adequação da estrutura adotada, sugerindo mudanças e adaptações
necessárias. A pesquisa incorpora 78 instituições, entre bibliotecas universitárias.
No estudo, a coordenação sistematizada como referência do modelo
estrutural, é identificada na regulamentação oficial da maioria das instituições,
constituindo-se, no entanto, mais discurso do que prática. A política de informação
das universidades é formulada pelo sistema composto pelo conjunto das
bibliotecas setoriais coordenados pelas bibliotecas centrais que surgem, pela
primeira vez, exercendo funções efetivas de coordenação. O momento histórico
da instituição, a capacidade de cada segmento do sistema, a política de ensino e
pesquisa da instituição e o desenvolvimento das áreas priorizadas pela instituição
são os principais indutores desse modelo.
Em suas conclusões, Mercadante (1990) recomendava a integração das
bibliotecas descentralizadas a estruturas administrativas modernas, sob uma
única coordenação, assegurando o mínimo de participação em programas

�nacionais cooperativos. Para os sistemas já estruturados, sugeriu a adoção de
medidas que assegurassem a delegação de competências ao órgão coordenador
para

definir

políticas

de

informação

em

nível

institucional,

garantir

representatividade junto ao Conselho Universitário e avaliar, periodicamente, as
condições de desempenho do sistema. Recomendava, ainda, a formalização dos
sistemas já constituídos por meio da aprovação institucional de regimentos, a
inclusão de representações de usuários em seu processo de gestão, a
participação na política orçamentário-financeira da universidade, a coordenação
centralizada

dos

serviços

de

aquisição

e

processamento

técnico,

o

estabelecimento de políticas e planos de serviços aos usuários e a integração a
redes e serviços cooperativos.
Em síntese, o contexto caracterizado por Mercadante (1990) remete à
busca de coordenação das ações em estrutura sistêmica, com ênfase na
articulação de recursos complementares e no fortalecimento das relações
interorganizacionais. Nota-se, também, que as recomendações da primeira
pesquisa repercutiram na segunda, sobretudo na concepção organizacional
sistêmica.
O período compreendido entre meados da década de 80 e o início da
década de 90 foi marcado por intensa atividade no conjunto das unidades de
informação das universidades e pelo fortalecimento de suas demandas frente às
administrações das Instituições de Ensino Superior (IES) e das atividades
informacionais em nível nacional. É factível atribuir os avanços do período ao
estabelecimento do I Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias (PNBu),
programa estabelecido no âmbito da Secretaria de Ensino Superior do Ministério
da Educação (SESu/MEC). Suas diretrizes, ações e programas visavam fomentar
o compartilhamento de recursos e experiências por meio da atuação cooperativa
entre as bibliotecas, a realização de estudos e diagnósticos e a capacitação dos
profissionais (BRASIL, 1986).
Disseminados como modelo organizacional adequado e funcional às
universidades, os sistemas de bibliotecas encontram, nas novas tecnologias de
informação e comunicação, suportes e desafios suficientes que dão partida a

�novas configurações. No contexto da sociedade globalizada e informacional,
mudanças radicais vinculadas ao elemento central que a define – o conhecimento
– afetam significativamente as unidades de informação das universidades e
exigem novos modelos.
Tradicionalmente referenciadas ao modelo fordista de produção, as
unidades de informação das universidades passam a ter seus papéis e estruturas
fortemente

questionados

no

modelo

pós-fordista,

cujos

pressupostos

fundamentais são a pós-modernidade, a pluralidade, a especificidade, a
globalização e a virtualidade.
Traduzidos para as unidades de informação, estes pressupostos implicam
alterações na oferta de serviços (atendimento específico a públicos heterogêneos;
múltiplos formatos e suportes; procedimentos auto-explicativos para usuários); no
trabalho

(profissionais

polivalentes,

valorização

de

conhecimentos

complementares, terceirização), e em seu espaço e estrutura (formação de
consórcios e redes; conexão a fontes virtuais de informação; ampliação da noção
de territorialidade).
As transformações estruturais e tecnológicas e a mudança no modus
operandi das organizações alteram também o arranjo de poder e deslocam os
núcleos de decisão nos cenários organizacionais. É o que se discute na seção
seguinte.

4 PODER DETERMINANDO A AÇÃO: O CENÁRIO NAS UNIVERSIDADE E
NAS UNIDADES DE INFORMAÇÃO
As organizações constituem coalizões de interesses díspares, o que
implica entendê-las igualmente como coalizões de objetivos múltiplos. Assim,
aflora, naturalmente, a dinâmica e o poder de construção dos processos de
negociação. Estes visam construir arranjos que reflitam a capacidade de
influência, de persuasão, de poder enfim, dos atores envolvidos, mas têm também
o intuito de dar ordem às divergências e aos conflitos de modo a garantir a
sobrevivência organizacional e o alcance de seus objetivos globais.

�O uso das fontes de poder, tais como a autoridade formal, o controle sobre
recursos escassos, o controle do processo decisório, dos limites, do
conhecimento, da tecnologia, o uso da estrutura organizacional e a habilidade de
lidar com a incerteza modelam a dinâmica da vida organizacional, na medida em
que proporcionam aos membros da organização diversidade de meios para tentar
exercer influência.
Na discussão sobre cada uma das fontes, Morgan (1996) aponta a
autoridade formal como a fonte mais óbvia de poder nas organizações
burocráticas, legitimada em termos dos direitos e obrigações referentes às
posições organizacionais. Entretanto, é no controle dos recursos que a escassez
e a dependência são elementos-chave. Neste ponto, “o poder repousa sobre o
controle daqueles recursos dos quais a organização depende para dar
continuidade às suas operações correntes, ou para criar novas iniciativas”
(MORGAN, 1996, p.167).
A dinâmica e a distribuição do poder nas organizações são decorrentes,
também, de seu caráter situacional e histórico, além dos aspectos relacional e
estrutural, vez que membros com baixo domínio de fontes estruturais de poder
exercem influência mediante sua habilidade de mobilizar recursos, mesmo que
limitados, em situações e ocasiões específicas (PETTIGREW e MACNULTY,
1995). Sob tal ângulo, presume-se que todos os membros ou grupos
organizacionais detêm algum tipo e grau de poder, tornando-os capazes de
interferir no curso das ações organizacionais na medida em que, de fato, lancem
mão de suas habilidades para participar do jogo político que se desenvolve na
organização.
Mintzberg (1983), ao tratar do poder organizacional, enfatiza a atuação de
influenciadores internos e externos e das coalizões que estabelecem. Mediante os
sistemas de influência que utilizam, direção do fluxo de poder e metas
favorecidas, são geradas diferentes configurações capazes de descrever o
comportamento organizacional. Apesar das mais variadas possibilidades de
combinação de poder interno e externo, identificam-se conjuntos básicos de
relações, denominados como tipos genuínos ou naturais. Essas configurações

�identificam as organizações como instrumento, sistema fechado, autocrática,
missionária, meritocrática ou arena política, de acordo com as características das
coalizões e a origem do fluxo de poder.
As universidades representam locus de significativo potencial para a
análise das variáveis poder e tecnologia em função de algumas características
organizacionais, tais como: a amplitude e multiplicidade de seus objetivos e a
decorrente dificuldade de avaliação de resultados, a capacidade reativa e a
diferenciação dos clientes, a obscuridade da tecnologia na tarefa educacional, a
categorização de seus membros e a profissionalização. Esta última tem
implicações sobre a ação organizacional, uma vez que, em geral, os profissionais
requerem autonomia no exercício de suas atividades, enfrentam conflitos de
lealdade entre a organização a que pertencem e a comunidade científica a que se
vinculam e entre rotinas burocráticas e valores profissionais, creditam legitimidade
quase que exclusivamente à avaliação pelos pares e se encontram em ambiente
profissional altamente fragmentado, inerente ao grau de especialização das áreas
do conhecimento (MACHADO-DA-SILVA, 1991). Outra característica singular das
universidades, especialmente as públicas, é a relação ambígua que mantêm com
o ambiente, marcada tanto por graus relativamente altos de independência no que
se refere às atividades que desenvolvem, como por dependência financeira e
funcional.
Assim, no âmbito de estruturas formais burocráticas, ocorrem interações
entre grupos de interesse internos e externos, possibilitando a ocorrência de jogos
de poder com vistas a determinar a ação organizacional. Por isto, o autor
supracitado considera adequados os modelos burocrático e político para a análise
de instituições de ensino superior brasileiras. A concepção das organizações em
termos destes dois modelos permite definir a estrutura organizacional “como
consistindo na dinâmica das relações entre arcabouço estrutural e padrões de
interação” (MACHADO-DA-SILVA, 1991, p. 81).
Admitindo que os diversos grupos de interesse detêm algum tipo e grau de
poder e que o contexto institucional exerce influência significativa sobre o curso
das ações organizacionais, inferimos que mudanças no ambiente institucional

�acarretam alteração no núcleo decisório determinante de suas ações e
estratégias e das relações entre esse e o ambiente. As relações internas e
externas de poder se configuram, então, como elementos decisivos na definição
das ações e dos resultados organizacionais. Desta forma, as configurações de
poder se constituem em um dos fatores determinantes das diferenças na ação e
nos resultados de organizações estruturalmente tão homogêneas frente a um
mesmo contexto institucional, como é o caso das universidades públicas
brasileiras.
A bibliotecas universitária, como componente da organização universitária
é igualmente afetada por quaisquer modificações sobre esta, exigindo reações do
mesmo nível para a superação dos desafios. Como nas demais organizações,
entre as estratégias de superação está a busca pela melhoria de desempenho e
de resultados capazes de justificar e avalizar a demanda por recursos na tentativa
de sobreviver dentro de um determinado padrão de qualidade. Embora estas
unidades sejam tradicionalmente concebidas como investimento, vêm crescendo
as pressões por melhoria de desempenho e adoção de práticas administrativas
racionais em função do volume de recursos necessários para manutenção e
desenvolvimento de suas atividades, do crescente enxugamento no orçamento
público e do impacto da qualidade dos serviços bibliotecários sobre o processo de
avaliação a que as universidades estão submetidas.
Esse contexto, marcado pela passagem do modelo fordista para o modelo
pós-fordista de produção, ao formatar um novo cenário para as universidades e
suas unidades de informação, altera a correlação de forças e novos interesses
assumem predomínio sobre outros que não se ajustam mais ao novo modelo. No
caso das unidades de informação no Brasil, instituições especializadas
apresentam-se como veículos dos procedimentos inovadores. Essas fontes
externas de pressão materializam-se nas instâncias de legislação e normalização
(ministérios e secretarias), nas agências de fomento e financiamento e nas redes
informacionais temáticas especializadas.
Embora as pesquisas realizadas nas décadas de 70 e 80, aqui relatadas,
não tivessem foco nas questões de poder, estudos realizados na presente década

�numa organização universitária (CARVALHO e GOULART, 2003a, 2003b)
recuperaram os elementos que formataram aquelas configurações, ilustrados pela
análise da implantação e desenvolvimento do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal de Alagoas (SIBI/UFAL).

5 A IMPLANTAÇÃO DO SIBI / UFAL: ESTRUTURA, TECNOLOGIA E JOGOS
DE PODER
Correspondendo à situação identificada na pesquisa de Ferreira (1980), a
instalação dos serviços bibliotecários no campus da UFAL inicia-se em 1975, com
a criação da Biblioteca Central. No entanto, até o final da década de 80, esta
unidade não exercia nenhum papel de coordenação, figurando apenas como mais
uma biblioteca (a de maior acervo), das 15 setoriais até então existentes, embora
a UFAL contasse com somente três profissionais bibliotecários em seu quadro
funcional.
Os serviços oferecidos e a tecnologia utilizada são os mais elementares
possíveis, restringindo-se à consulta, empréstimos e manutenção de catálogos
manuais, locais e isolados, embora as bibliotecas universitárias brasileiras já
tivessem iniciado o processo de automação de seus serviços e a formação de
rede de catalogação cooperativa.
No cenário descrito na primeira pesquisa (FERREIRA, 1980), materializado
na situação das bibliotecas da UFAL, inferimos que os detentores do poder eram
os professores que mantinham o controle até sobre as coleções, uma vez que
atribuíam a formação dos acervos à suas próprias doações, definiam regras de
funcionamento

e

alocavam

pessoal

que

julgavam

disponível

na

área

administrativa. Hierarquicamente, o poder se concentrava no Reitor e nas chefias
de departamento. As habilidades requeridas eram, à época, meramente
funcionais.
Em 1985, inicia-se o processo de modernização e melhorias das condições
de funcionamento, com a construção de um novo prédio para a Biblioteca Central,
no âmbito do acordo MEC-BID III. Definido o projeto de construção do prédio, por

�uma consultoria externa, o corpo técnico local é convocado para elaborar a
proposta de implantação de sistema integrado. Aliás, trata-se de período
coincidente

com

o

recém-aprovado

I

Plano

Nacional

de

Bibliotecas

Universitárias/PNBu.
Ao final da década de 80, formaliza-se o SIBI/UFAL, com a aprovação de
seu regimento. O SIBI/UFAL passou a ser composto pela Biblioteca Central
(unidade coordenadora), sete bibliotecas setoriais (vinculadas tecnicamente e
administrativamente) e Órgão Colegiado (representações da comunidade
acadêmica com função de assessoria). Definida como órgão suplementar na
estrutura universitária, a Biblioteca Central vinculou-se diretamente ao Reitor e
organizou-se

em

quatro

divisões:

Administrativa,

Serviços

ao

Usuário,

Desenvolvimento de Coleções e Tratamento Técnico. Integrou-se, como grande
parte das demais bibliotecas universitárias, às mais representativas redes de
cooperação e prestação de serviços informacionais.
Ali, foi perceptível a atuação relevante de grupos e instituições cuja
convergência de interesses, num momento específico, possibilitou a criação de
nova e moderna estrutura para os serviços informacionais na UFAL. Notou-se,
também, a preponderância de elementos institucionais em sua implantação, uma
vez que se adotou estrutura compatível com padrões nacionais, orientou-se por
questões normativas, configurando procedimentos isomórficos em busca de
legitimidade (CARVALHO e GOULART, 2003a, 2003b).
A evolução para o modelo organizacional descrito na pesquisa de
Mercadante (1990) mostra a valorização das habilidades profissionais específicas,
impulsionada pelo fortalecimento da pós-graduação no Brasil, estabelecimento de
políticas nacionais de informação e definitivo reconhecimento da centralidade das
universidades para o desenvolvimento científico e tecnológico do País.
O cenário do período mostra, então, um deslocamento do núcleo de poder,
agora fortemente assentado em bases profissionais. Neste aspecto, destaca-se
que o quadro de bibliotecários na UFAL chega a atingir o total de 17 profissionais,
entre efetivos e temporários, contratados mediante convênios com a Financiadora

�de Estudos e Projetos (FINEP) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Ensino Superior (CAPES). Entre outras ações, no sentido de valorizar e dotar
de poder o sistema formado pelo conjunto das unidades de informação,
estabelece-se, pelo Conselho Universitário, o percentual de 8% do orçamento de
custeio e capital da Universidade para o SIBI/UFAL.
Habilidades técnicas e políticas foram determinantes para o direcionamento
destas ações, que se efetivaram na medida em que interesses internos
(Administração

Central

da

Universidade,

Programas

de

Pós-Graduação,

Dirigentes do SIBI) e externos (CAPES, PNBu) confluíram, entendendo a política
informacional como ação estratégica para melhoria do desempenho acadêmico,
modernizando estrutural e tecnologicamente as unidades de informação.
Tanto quanto as organizações que as abrigam, as unidades de informação
das universidades brasileiras vêm sofrendo os impactos das mudanças em curso,
sejam elas de natureza administrativa ou tecnológica. As primeiras impõem
severas restrições orçamentárias e organizativas, com reflexos importantes sobre
o quadro de pessoal, a infra-estrutura física e o financiamento de serviços e
coleções. As últimas oferecem possibilidades de crescimento e melhoria da oferta
de serviços em função do potencial das novas tecnologias de informação e
comunicação que modificam, sobremaneira, os processos de geração, acesso,
disseminação e uso de informações e conhecimentos, questões basilares no
estabelecimento de funções e objetivos das bibliotecas.
O novo cenário constituído no bojo da sociedade da informação parece
também promover novo deslocamento no núcleo de poder nas organizações
universitárias, especificamente em suas unidades de informação. Pressões
normativas e legais em nível nacional, competitividade internacional, globalização,
são elementos importantes hoje na definição de políticas institucionais de
informação. Assim, agências e redes especializadas adquirem capacidade de
intervenção e controle sobre as ações organizacionais nas unidades de
informação.

�A figura abaixo mostra a transformação evolutiva do modelo societal, das
mudanças organizacionais e tecnológicas e a alteração no arranjo de poder nas
unidades de informação das universidades, situando-as no macro-ambiente e
referenciadas a contextos específicos.

Figura 1 – Mudanças societárias, organizacionais, tecnológicas e
configuração de poder nas unidades de informação
M odelo s societais
S o c ie da de da info rm a ç ã o
P ó s-fo rd ism o
A m b ie n te v irtua l

S o c ie da de ind u st ria l
F o rd is m o
A m b ie n te fís ic o

C ontextos de R e fe rên cia
Lo c a l

N ac iona l

G loba l

E stru tu ras organizacion ais
O rga niz aç ã o
fe c ha da

O rga niz aç ã o
a berta

O rga niz aç ã o
e m rede

O rigen s e fon te s de pode r
Inte rna

Inte rna / e xte rna

E xterna

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Brasil, a sinalização de que a universidade é um dos elementos centrais
na definição do ritmo de desenvolvimento é identificado, mediante a constatação
de que 90% da pesquisa em ciência e tecnologia são realizados no âmbito das
instituições públicas de ensino superior (TRINDADE, 2000). O suporte à produção
científica depende, em grande parte, da capacidade dos sistemas de informação
em garantir acesso e disseminação do conhecimento. Por essa razão, as
unidades de informação das universidades, ao incorporarem novos modelos e
tecnologias, têm papel decisivo no desenvolvimento do País. No entanto,
enquanto partes de organizações complexas retratam, na sua ação, intenções e
interesses dos grupos ou coalizões dominantes. A ação destes atores reflete-se

�nas áreas estratégicas do planejamento, da administração, dos recursos humanos
e da infra-estrutura, fundamentais para a definição do perfil estrutural e
tecnológico que têm essas unidades.
O estágio de evolução das tecnologias de informação e comunicação
permite agilizar a produção e disseminação de conhecimentos, ampliar
significativamente as possibilidades de acesso, tanto quanto a interconexão entre
produtores e usuários de informação. Ao mesmo tempo, permite formas mais
sofisticadas e difusas de controle, sinalizando a possibilidade de predomínio de
pressões e influências externas. O fortalecimento de grupos e coalizões internas,
capacitadas a estabelecer conversação com grupos e coalizões externas e a
apropriar-se

de

conhecimento

e

tecnologia,

representam

elementos

imprescindíveis para a inserção competente do país na sociedade da informação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Superior.
nacional de bibliotecas universitárias : (1o PNBu). Brasília, abr. 1986.

Plano

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transformação: as bibliotecas universitárias sob o signo da sociedade da
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MACHADO-DA-SILVA, Clóvis.
Modelos burocrático e político e estrutura
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Curso de Pós-Graduação em Administração.
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TRINDADE, Hélgio. Saber e poder: os dilemas da universidade brasileira. In:
DOSSIÊ Brasil: dilemas e desafios. São Paulo : USP, 2000. Disponível em
&lt;http://www.usp.br/iea/revista/online/dilemasdesafios&gt;. Acesso em 02 fev. 2003.

∗

Doutora em Ciências Econômicas e Empresariais pela Universidade de Córdoba – Espanha;
Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de
Pernambuco. Av. dos Economistas, s/n – Cidade Universitária 50670-901 - Recife – PE – Brasil e-mail: cris_carvalho@uol.com.br
∗∗
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de
Pernambuco; Bibliotecária da Universidade Federal de Alagoas. Campus A. C. Simões – Tabuleiro
do Martins. 57072-970 – Maceió – AL – Brasil - e-mail: sueligoulart@uol.com.br

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              <text>As mudanças societárias conduziram a uma sociedade assentada em organizações e estas passaram a ter um papel central na formatação dos processos de mudança social, na sua velocidade e no seu alcance. Este artigo discute como a transformação evolutiva dos modelos de gestão, da tecnologia e dos modus operandi das unidades de informação alteram o arranjo de poder e deslocam os núcleos de decisão nos cenários das organizações de ensino universitário. Esta explicação é construída com base na compreensão do processo de passagem do modelo fordista para o modelo pós-fordista de produção e na emergência da sociedade da informação. Trata-se do resultado de investigações anteriores das autoras sobre o tema somadas aos dados apresentados por outras duas pesquisadoras que lhes antecederam no mesmo campo de estudo, compondo um quadro em três períodos de tempo seqüenciais.</text>
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