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                  <text>TENDÊNCIAS INOVADORAS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
RUMO À CONSTITUIÇÃO DE LEARNING LIBRARIES

Elisabeth Adriana Dudziak∗

RESUMO

O objetivo deste trabalho é identificar mudanças na trajetória das organizações
bibliotecárias, procurando evidenciar possíveis tendências atuais em direção a
práticas organizacionais ligadas à inovação e ao aprendizado, bem como
evidenciar as circunstâncias necessárias para sua transformação em learning
organization (organização que aprende). Inicialmente apresenta-se o modelo
organizacional tradicional de biblioteca e discute-se a necessidade de repensar tal
modelo. São apresentadas as tendências atuais das organizações bibliotecárias e
suas ligações com a inovação e o aprendizado. Discute-se o conceito de inovação
e seus desdobramentos nas organizações. Sublinha-se a importância do
aprendizado e define-se organização que aprende. Por fim, é discutido o conceito
de learning library (biblioteca que aprende). Adverte-se que não há nenhuma
receita pronta para a criação de organizações que aprendem mas identificam-se
algumas das circunstâncias necessárias, destacando-se a importância do
envolvimento das lideranças, a ampla comunicação, a horizontalidade da
estrutura organizacional e a gestão do conhecimento como bases para a
deflagração e posterior consolidação dos processos de inovação e aprendizagem.

1 INTRODUÇÃO
As megatendências que transformam a sociedade neste início de século
forjaram um cenário onde a informação, o conhecimento e o aprendizado têm se
destacado. O advento da globalização inseriu as organizações em um contexto
competitivo, levando à apropriação do conhecimento como ativo distintivo que
proporciona a inovação, gerando um movimento pró-ativo com relação às
demandas do mercado. Os modelos vêm sofrendo alterações, que se refletem na
ênfase do trabalho em equipe, a cooperação, as parcerias, a flexibilidade e o
estabelecimento de redes de aprendizagem. Como conseqüência, surgem
distintos desafios estratégicos, relacionais e negociais.

�As organizações têm sido submetidas a mudanças externas e internas. Se
antes atuavam local ou regionalmente, hoje se deparam com a realidade do
mercado globalizado. Os modelos tradicionais de gestão são colocados em xeque
e existe, mais do que nunca, a necessidade de superação destes modelos.
A opção pelo estudo das condições de mudança e compreensão da
dinâmica das organizações que são capazes de superar-se em ambientes
turbulentos e gerar contribuições significativas para a economia e a sociedade é o
que norteia o presente trabalho: as organizações flexíveis, qualificantes,
inovadoras, capazes de aprender. Busca-se compreender mais especificamente a
dinâmica que envolve as bibliotecas e seu potencial de transformação.
Quando

as

organizações

mobilizam

conhecimento,

tecnologias

e

competências para criar novas realidades internas e externas, estão na verdade
atuando como organismos complexos inovadores e aprendentes. O conhecimento
torna-se o diferencial competitivo que gera valor e garante a sustentabilidade das
empresas e organizações.
O crescimento do setor de serviços, a automação e o desenvolvimento de
novas tecnologias informacionais e comunicacionais, alteram os processos e
estruturas das organizações e, a globalização, como conseqüência, acirra a
competição

e

aumenta

a

velocidade

das

transformações,

levando

ao

desenvolvimento (CASTELLS, 1996). O cerne da Sociedade do Conhecimento
reside no conhecimento como diferencial competitivo, mais importante que o
capital, as matérias-primas ou o trabalho (DRUCKER, 1999).
À luz da complexidade e observando o contexto dinâmico, evidencia-se um
direcionamento das organizações à capacidade de reação e maior agilidade de
resposta, aproximando organização, clientes e fornecedores. Flexibilidade e
agilidade de resposta implicam em inovação, valorização da comunicação, ênfase
na gestão por processos, trabalho em equipes e autonomia. Isto nos remete ao
conceito de organização que aprende preconizado por Senge (1999), Garvin
(2002), Watkins e Marsirck (1996), a organização qualificante explicitada por
Zarifian (1997), as organizações flexíveis e o trabalho em grupos semi-autônomos
de Salerno (1991), Marx (1998), e as organizações de inovação de Tidd et al

�(2001), cuja tônica é a inovação, a integração relacional, o conhecimento e a
aprendizagem que gera competência, em um ciclo renovador.
Figura 1: Perspectiva de análise das organizações inovadoras

Fonte: elaborado pelo autor

Observa-se na literatura uma convergência de conceitos e práticas em torno de
uma tipologia de organização que parece reunir certas características comuns,
evidenciando um direcionamento à uma gestão baseada na pró-atividade, no
aprendizado e na flexibilidade. Diferentes denominações terminam por construir
um paradigma comum de organização: as organizações capazes de aprender.
Neste contexto, como ficam as Bibliotecas?

2 A BIBLIOTECA COMO ORGANIZAÇÃO

Essencialmente, as bibliotecas universitárias são organizações que
nascem e se desenvolvem no âmbito da comunidade acadêmica e a esta dão
suporte informacional. Esta é a visão tradicional.

“caracteriza-se como uma

organização própria, dependente da universidade [instituição] à qual pertence”
(CARVALHO apud LUZ, 1989,p.27) cujo objetivo é suprir as necessidades de

�informação da comunidade acadêmica, no desenvolvimento das atividades de
ensino, pesquisa e extensão e, para tanto, deve manter coleções organizadas e
atualizadas que satisfaçam as necessidades de seus usuários (LUZ, 1989).
Historicamente apoiadas numa estrutura hierárquico-burocrática, as
bibliotecas enfrentam o desafio de se transformarem em organizações mais
flexíveis e dinâmicas, capazes de inovar e buscar a mudança necessária. Às suas
funções tradicionais devem ser incorporadas novas funções, compatíveis com os
outros paradigmas da informação e novos papéis devem ser assumidos por elas,
o que certamente afetará sua estrutura, sua cultura, bem como sua interação com
os ambientes interno e externo.
De

acordo

com

Fujino

(2000),

vários

autores

têm

demonstrado

preocupação com relação à redefinição dos objetivos da biblioteca no âmbito das
instituições educacionais, uma vez que, de maneira geral, a biblioteca tem
permanecido alheia aos processos, restrita a aspectos administrativos e
operacionais. Ainda segundo Fujino (2000), a abordagem na literatura a respeito
da participação da biblioteca na consecução dos objetivos educacionais, é
superficial, quando é mencionado. Geralmente a biblioteca é considerada apenas
como um serviço administrativo, de apoio ao ensino e à pesquisa. De acordo com
Obata:
Constata-se que as bibliotecas não oferecem serviços de
informação que sejam capazes de transformá-las em instrumentos
indissociáveis do processo educacional. A escola, por sua vez,
tem ignorado a biblioteca no seu projeto pedagógico e educativo,
não considerando que a biblioteca tenha natureza educativa. Este
estranhamento entre as duas instituições é reflexo de uma
situação mais global: a própria dissociação entre biblioteca e
sociedade. Obata (1999,p.94)

A consonância entre as atividades desenvolvidas pela biblioteca e os
programas de ensino, pesquisa e extensão implementados pelas instituições
educacionais forma a base sobre a qual os modelos tradicionais de bibliotecas
têm se desenvolvido. Quando esta consonância existe, é alcançada por meio do
entendimento das estruturas curriculares, bem como a interação com a
comunidade e a integração ao modelo político-educacional almejado pela

�instituição. A clareza com relação aos objetivos e atividades pertinentes à
biblioteca, como serviço de informação que é, dentro de sua comunidade também
são fatores determinantes nessa integração.
Mais do que conceber a biblioteca universitária como repositório de
informações, trata-se de discuti-la e entendê-la como uma organização produtora
de serviço, suas relações com a clientela, para então redefinir sua atuação. O
negócio das unidades de informação é o de disseminar informações precisas e
prestar correta assistência a seus clientes, para que tomem suas decisões,
executem ações que assegurarão seu desenvolvimento. Neste sentido, cresce a
importância da gestão do conhecimento e do papel do gestor como facilitador de
processos, segundo pelo menos duas dimensões: a estratégica e a operacional
(DUDZIAK, 2001).
Não se desconhece, porém, a situação pouco favorável das bibliotecas no
contexto nacional: a pouca tradição, a carência de recursos materiais, o
despreparo no que tange ao ensino e a pesquisa, a escassez de recursos
humanos qualificados, orçamentos limitados e desvinculados do planejamento
educacional da instituição, ausência de planejamento bibliotecário, uma situação
que vem sendo levantada e discutida por diversos autores. Vários estudos têm
sido feitos com vistas a mudar este cenário, bem como algumas iniciativas têm se
efetivado, como o estabelecimento de consórcios, a cooperação entre bibliotecas,
o direcionamento ao usuário, os incentivos governamentais, a educação
continuada, visando o aprimoramento profissional.
Se esta realidade se aplica às empresas, também pode se aplicar às
instituições governamentais. No atual cenário, cresce a importância da inserção e
participação da Universidade no contexto da Ciência e Tecnologia. Discutir seu
papel implica em realizar uma revisão sobre sua atuação em relação à inovação e
ao desenvolvimento. Ao considerarmos a tríplice hélice Universidade – Governo –
Empresas, o componente relacional é muito importante. E, neste sentido, a
comunicação

entre

os

interlocutores

é

essencial,

considerando

suas

características particulares e identidades. O modo como a informação circula,
como o conhecimento é construído e o quanto o aprendizado foi capaz de gerar a
mudança, são os elementos que permitem esse diálogo. Neste ponto novamente

�torna-se essencial destacar o papel dos sistemas de informação (dentre os quais
estão as bibliotecas) e da tecnologia.
Por outro lado, observa-se que uma das maiores mudanças recentes
sentidas na Educação foi a alteração do paradigma de ensino para o paradigma
do aprendizado. Apesar de ainda não totalmente assumido, a mudança de foco
do ensino para o aprendizado tem gerado movimentos inquestionáveis na
dinâmica das instituições e em suas identidades.
Os desafios e escolhas relacionados à Universidade encontram-se
rebatidos nas instituições acadêmicas que a compõe: as faculdades, as escolas,
os institutos, as bibliotecas. Como organizações acadêmicas combinam educação
e prestação de serviços e devem estar alinhadas com o projeto de Universidade
almejado. Se a partir das partes tem-se a síntese do todo, o todo está
necessariamente expresso em cada uma das partes. O desafio está em enxergar
novos espaços geradores de inovação e novas identidades dentro da própria
Universidade.
Diante deste quadro geral, observa-se a biblioteca como organização
potencialmente inovadora, na medida em que parece reunir a gama de elementos
constituintes da inovação: informação, conhecimento, tecnologia, competências.
Neste momento surgem inquietações: as bibliotecas, a exemplo da Universidade
são de fato e em seu íntimo inquietas e inquietadoras1? Até que ponto a
existência de vários elementos potencialmente dinâmicos ligados a ela, as tornam
organizações dinâmicas, produtoras de inovação e geradoras de novas
realidades?
Forjadas

historicamente

pelo

desejo

de

organizar

e

controlar

o

conhecimento, hoje têm como missão prover o acesso democrático a toda e
qualquer informação. Neste sentido, as bibliotecas são instituições culturais
únicas, ambíguas e instigantes que neste momento estão em evidência enquanto
sistemas de informação e gestão de conhecimento.

1

Conferência proferida pelo Prof. Plonski – FEA – USP, 2003.

�Como instituições educacionais, dão suporte às atividades de ensino. Mas,
diante do atual cenário, seria possível conceber uma reorganização, a redefinição
de lógicas capaz de gerar um movimento que influenciasse o todo? Seria viável
criar uma inovação de valor?

2

Se sim, como seriam estas “novas e renovadas”

bibliotecas? Seriam bibliotecas ensinantes...ou melhor dizendo, bibliotecas
aprendentes, centros de aprendizado? Como inseri-las no contexto da criação de
conhecimento? E isso leva à questão essencial: Qual é o papel da biblioteca na
sociedade do conhecimento? Será preciso criar uma nova identidade?
A chave para um novo conceito de biblioteca, mais adequado ao momento
atual e consonante com a competência em informação, é sua transformação de
organização taylorista em uma organização mais flexível, inovadora, qualificante e
aprendente, em uma Learning Library. A partir do referencial teórico em torno das
organizações que aprendem é possível apontar caminhos para a constituição de
bibliotecas que aprendem e, portanto, inovam constantemente.

3 LEARNING ORGANIZATIONS E INOVAÇÃO

As abordagens em torno das organizações que aprendem se iniciaram em
fins da década de 70, enfocando discussões mais conceituais que pragmáticas.
Numerosos autores nos oferecem definições e talvez o mais citado seja Senge,
que define organização que aprende como aquela que continuamente expande
sua capacidade de criar o futuro (SENGE, 1999). Baseando seus estudos em
cinco disciplinas, sugere que os processos de inovação e aprendizagem
organizacional se dão a partir do domínio pessoal (auto-conhecimento), dos
modelos mentais dos membros da organização (idéias enraizadas), das visões
partilhadas (objetivos comuns), da aprendizagem do grupo (o coletivo) e do
pensamento sistêmico (visão relacional). Estes elementos se somam na criação
da cultura da organização e se refletem em sua identidade e forma de atuação.

2

A inovação de valor é a essência da estratégia na economia do conhecimento e consiste em buscar um
valor novo e superior para o cliente, redefinindo o foco, buscando novos arranjos e mercados.

�Dependendo da cultura organizacional vigente, podem surgir barreiras à
transformação de seu modo de atuação. Tais obstáculos se traduzem a partir da
visão dos indivíduos e seus modelos mentais dentro da organização, da
dificuldade em lidar com conflitos, de diferenças surgidas a partir da educação
formal e informal, a hierarquização e a departamentalização, assim como a
estreita ligação entre aprendizado-poder-controle associados ao processo
decisório, à informação e ao conhecimento dentro da organização (SENGE,
1999).
Se a organização está submetida a pressões para que se mantenham as
estruturas e idéias arraigadas, sua transformação e adaptabilidade ao contexto
ficam comprometidas. Uma organização que não é capaz de proporcionar a livre
circulação de informações e o compartilhamento de idéias não está apta a
sobreviver.
O fato é que a criação e os insights são importantes porém, sem uma
estrutura adequada, nada acontece. Tampouco a construção de conhecimento
por si transforma nada, uma vez que este conhecimento necessita ser
compartilhado, difundido, alimentando a memória organizacional que dará suporte
às mudanças políticas, aos procedimentos e à visão necessários à transformação
contínua das organizações (GARVIN, 2002). Desta forma, tornam-se essenciais
as relações de aprendizagem estabelecidas na organização e entre organizações
e instituições, entendendo a real dimensão dos sistemas de processamento de
informação (SANKAR, 2003).
Apesar

das

diferentes

concepções

existentes,

basicamente

as

organizações que aprendem são aquelas que: lembram e aprendem (memória,
ação e re-ação); transformam-se continuamente; admitem o conflito e o erro como
oportunidades de aprendizado; são peritas em criação, aquisição e transferência
de conhecimento; valorizam o aprendizado aplicado na produção ou modificação
de disposições individuais e coletivas de natureza social e/ou política, de
compreensão do trabalho, das atividades e tarefas desenvolvidas pelo grupo;
estão estreitamente ligadas aos processos de inovação; assumem riscos
explorando diferentes formas de criação de produtos e/ou serviços.

�Desta forma, pensar em organização que aprende é pensar em um
processo, em uma capacidade de reagir e agir frente à mudança, buscando essa
mudança (WATKINS E MARSICK, 1996). O processo de aprendizagem
organizacional forma a base da inovação, e a incorporação dos processos de
inovação transformam e são transformados pelo aprendizado, criando o
significado da organização que aprende.
O aprendizado ocorre pela comunicação (enquanto diálogo), o erro como
oportunidade de aprender e a orientação é participativa. O conteúdo da
organização deve ser coerente com seus processos pelo princípio da coresponsabilidade (MARX, 1998; SALERNO, 1991). Neste ponto, cresce a
importância da memória organizacional como fonte de avaliação e aprendizado. A
ênfase na inovação, no aprendizado e na visão do todo inter-relacionado,
aproxima o conceito de organização que aprende do conceito de organização
qualificante definido por Zarifian(1990, 1997) aquela organização que vai além do
esperado na qualidade, cria qualidade de vida e gera novas demandas pela
introdução contínua de produtos e serviços inovadores.
A organização inovadora tem como ênfase a condução rápida e pertinente
da inovação, enfatizando o espírito empreendedor, a aprendizagem pela
transferência sistemática de experiências, estimulando-se as competências como
fontes de valor para a organização. A inovação envolve riscos e aprendizado, não
sendo tarefa fácil. Intimamente ligada ao empreendedorismo, a inovação assume
três níveis distintos: a inovação incremental, a radical e a transformacional. A
inovação incremental é o processo inicial que poderá vir a se tornar
transformacional, o nível mais complexo e elevado da inovação. Segundo Tidd et
al (2001) o processo de inovação envolve uma série de componentes, dentro de
uma trajetória circular auto-renovadora:
-

Visão, liderança e desejo de inovar e aprender pela articulação clara de
idéias

entre

os

membros

do

grupo

de

trabalho

e

o

real

comprometimento das lideranças;
-

Estrutura apropriada: o design da organização deve ser propício à
criatividade, o menos hierarquizada possível;

�-

Indivíduos chave: energizadores e facilitadores da inovação; Efetivo
trabalho em equipes semi-autônomas: uso apropriado de equipes
locais, inter-funcionais e inter-organizacionais para a resolução de
problemas, o que certamente exige investimentos; ênfase no trabalho
cooperativo por projetos;

-

Contínuo e longo desenvolvimento individual: comprometimento a longo
prazo com a educação e o treinamento a fim de criar alto grau de
competência e habilidades de aprendizado efetivo; Comunicação
extensiva: dentro e entre a organização e o ambiente externo;
Participação de toda a organização nas práticas inovadoras; Clima
criativo: abordagem positiva às idéias criativas, apoiadas por sistemas
de recompensa e reconhecimento; Gestão do conhecimento e
competências.

Observa-se

que

a

constituição

das

Learning

Organizations dá-se principalmente a partir de sua capacidade de
transformar-se, remetendo-nos ao que Morgan (1999) chama de fluxo
em transformação, a partir da percepção do quanto a organização é
influenciada pela interdependência sistêmica na construção de sua
identidade.
A sobrevivência e inovação das organizações não é dependente somente
da capacidade de gerir competências e gerar conhecimentos estrategicamente
essenciais; trata-se também de administrar esse conhecimento, de modo a prover
uma vantagem sustentável pelo direcionamento aos processos de aprendizado e
inovação, criando novos conhecimentos (FLEURY e FLEURY, 2000; PRAHALAD,
C.K.e HAMEL, 1990). O potencial de geração de novas idéias e de
conhecimentos torna-se ilimitado quando se aglutinam processos e dinâmicas
relacionais, que proporcionam o aprendizado e a constituição de comunidades de
prática (WENGER, 1998).

�4 LEARNING LIBRARIES: ESTRATÉGIA, PROCESSOS E ESTRUTURA

Para que a organização bibliotecária se atualize e possa fazer frente aos
desafios atuais torna-se necessária sua transformação e a mudança em direção à
abordagem que preconiza a orientação aos clientes e suas atividades. As
atenções são focalizadas nas condições de atividades dos usuários, buscando
colocá-los no centro dos processos, ajudando-os a conseguir seus objetivos.
Desta forma, todas as operações se voltam à satisfação do cliente a partir da
compreensão de suas necessecidades. Neste sentido, a visão é a da estratégia
que cria o design organização e não o contrário, assumindo, como explicitado por
Aranda (2002) a orientação ao cliente e a satisfação de suas expectativas.
O conceito de Learning Library neste cenário volta-se para uma orientação
ao serviço, entendendo que deve haver uma visão holística da organização
bibliotecária. Assim, o layout de operações é híbrido, a entrega é puxada,
tendendo à customização, enquanto alguns processos gerais podem ser prédefinidos. Os investimentos em tecnologia de informação e comunicação
objetivam balancear redução de processos e customização. O grau de contato
com o cliente deve ser alto, considerando-se a importância da entrega de serviço
enquanto um processo que envolve toda a organização. Os membros são
aprendizes, as trocas são extensas, quase se constituindo em comunidades de
prática (WENGER, 1998). Objetiva-se também a alta adaptabilidade e
versatilidade dos membros, voltados para a exploração do ambiente, com vistas a
criar oportunidades de inovação e crescimento.
Neste ponto vislumbra-se uma nova arquitetura cuja base se encontra na
estrutura organizacional mais integrada e horizontalizada, baseada na gestão por
processos e em equipes. Neste modelo a fragmentação e setorização são
sobrepujadas pelas atividades integradoras necessárias à consecução da gestão
do negócio. A ampla comunicação e extensa circulação de informações, assim
como o engajamento das lideranças na visão da inovação estratégica, são os
caminhos para a formação das Learning Libraries (FOWLER, 1998; KATSIRIKOU
e SEFERTZI, 2000; ROWLEY, 1997; SHIN e KIM, 2002). Alguns pontos podem

�ser destacados, a partir da revisão documental (RADNOR e NOKE, 2002;
ROTWELL, 1992; PLONSKI, 2004):
-

Boa comunicação interna e externa; Administração qualificada baseada
em liderança mais do que em chefia; Dirigibilidade, não controle;

-

Busca pela flexibilização em geral, de métodos e de modos de pensar;

-

Participação dos trabalhadores inclusive na definição estratégica;

-

Gestão por processos, enfatizando a entrega ao cliente e integrando
atividades e departamentos;

-

Valorização dos indivíduos-chave, criativos, inovadores, integradores;

-

Visão compartilhada de aprendizado e inovação; Resgate da memória e
da trajetória; Gestão de conhecimento e das competências individuais e
coletivas;

5 CONCLUSÕES

Existe um consenso e uma preocupação em relação às demandas
mercadológicas atuais, principalmente em função do chamado impacto das novas
tecnologias de informação que determinaram novos cenários para as bibliotecas.
A criação de produtos e serviços baseados em suportes tecnológicos tem
demandado muita reflexão na literatura da biblioteconomia.
Há fortes indicativos para a constituição de bibliotecas híbridas, a
convivência entre biblioteca como acesso remoto - bibliotecas digitais e virtuais - e
biblioteca como espaço de aprendizado e encontro - biblioteca presencial, com
adição de valor ao serviço e incorporação de facilidades, como por exemplo o
self-service, a web-reference, chats, funcionamento 24 horas, videoconferências,
suporte aos estudantes, cibercafés em bibliotecas, integração entre livrarias e

�bibliotecas, centros culturais, entre outras iniciativas (KING, 2000; MARTIN, 2002;
FOX, 1997; AKEROYD, 2001)
A real busca por novos modelos organizacionais mais flexíveis e
adaptáveis às demandas atuais ainda é incipiente e é uma longa trajetória. O
planejamento e a implementação de políticas nas bibliotecas sofre forte influência
da comunidade a qual atende, assim como as dificuldades de obtenção de
recursos. Apesar de terem surgidos novos temas como a gestão de competências
e a gestão de conhecimento, apenas engatinhamos neste cenário. O ideário da
Biblioteca, baseado que está no imaginário da sociedade, também dificulta sua
transformação e a de seus profissionais. A cultura organizacional também é fator
que necessita ser explorado e melhor entendido.
A centralização no cliente e nos serviços são os caminhos que têm gerado
a mudança e criado um certo movimento em direção à transformação através do
conhecimento, interação e diálogo com a comunidade, à procura de elementos
que melhorem a qualidade e o oferecimento de serviços realmente desejados,
assim como o aprendizado interno.
Entretanto, mudar a visão para a orientação ao cliente e ao serviço
pressupõem mudanças não só de ordem estrutural, mas de processos e
comportamentos. Muitos são os obstáculos a serem superados em qualquer
processo de transformação. Basicamente, trata-se da superação de antigos e
ineficientes modelos de organização, assim como a criação de uma nova cultura
organizacional.
A transformação das Bibliotecas passa necessariamente pela maior
interação com a comunidade que a cerca, uma vez que existe forte
interdependência. A abertura dos canais de informação e comunicação, de modo
a proporcionar maior participação das equipes nos processos decisórios é fator
chave para seu direcionamento e construção como Learning Library.

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∗

Escola Politécnica da USP Serviço de Bibliotecas Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav.3, n.158
05508-900-São Paulo-SP-Brasil e-mail: elisabeth.dudziak@poli.usp.br

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              <text>O objetivo deste trabalho é identificar mudanças na trajetória das organizações bibliotecárias, procurando evidenciar possíveis tendências atuais em direção a práticas organizacionais ligadas à inovação e ao aprendizado, bem como evidenciar as circunstâncias necessárias para sua transformação em learning organization (organização que aprende). Inicialmente apresenta-se o modelo organizacional tradicional de biblioteca e discute-se a necessidade de repensar tal modelo. São apresentadas as tendências atuais das organizações bibliotecárias e suas ligações com a inovação e o aprendizado. Discute-se o conceito de inovação e seus desdobramentos nas organizações. Sublinha-se a importância do aprendizado e define-se organização que aprende. Por fim, é discutido o conceito de learning library (biblioteca que aprende). Adverte-se que não há nenhuma receita pronta para a criação de organizações que aprendem mas identificam-se algumas das circunstâncias necessárias, destacando-se a importância do envolvimento das lideranças, a ampla comunicação, a horizontalidade da estrutura organizacional e a gestão do conhecimento como bases para a deflagração e posterior consolidação dos processos de inovação e aprendizagem.</text>
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