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A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva na formação e
alimentação do Banco de dados bibliográficos – ATHENA: uma
experiência da Biblioteca do Campus de Marília-UNESP
Maria Célia Pereira1

RESUMO: A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva de dados desempenham
papel preponderante no âmbito dos registros bibliográficos nas bibliotecas atuais. No entanto
esta questão merece ser demonstrada no contexto da UNESP, para que se propõe analisar a
cooperação do Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – ATHENA com a Rede de
catalogação cooperativa brasileira BIBLIODATA. Utiliza-se uma amostra de livros
comprados pela Biblioteca da UNESP de Marília no ano de 2002 e inseridos no Banco
ATHENA através da catalogação cooperativa e da conversão retrospectiva, identificando
percentual de registros encontrados e importados do BIBLIODATA para verificar o índice de
cooperação com esta rede. Os resultados obtidos e analisados revelam que: a) em 28% do
material pesquisado já existia registro igual na base local, sendo preciso apenas incluir um
novo item ; b) 32% foi localizado na UEP01 (catálogo coletivo do Banco ATHENA) ; c) 33%
foi encontrado no BIBLIODATA ; d) 1% na LC (Library of Congress) e o restante dos livros
(6%), as páginas de rosto foram encaminhadas para o Laboratório de Tecnologias
Informacionais (LTI) para pesquisas na OCLC, sendo o material não localizado devolvido
para unidade (Marília) para a catalogação original, finalizando o processo de pesquisa e
inserção de registros na base. Tais aspectos permitem concluir que a maioria do material
pesquisado (65%) foi incluída na base através da catalogação cooperativa, demonstrando a
importância da adoção de formas cooperativas gerando rapidez na alimentação de um Banco
de Dados Bibliográficos.
Palavras-chave: Catalogação cooperativa. Conversão retrospectiva. Banco de
Dados Bibliográficos.
Introdução
Com a introdução dos microcomputadores em larga escala nas bibliotecas,
principalmente nas universitárias, e com os meios de comunicação mais ágeis, criouse a necessidade de informatizar as bibliotecas. Os usuários mais exigentes devido
a informatização de outros setores, também contribuíram para que houvesse uma
percepção por parte dos administradores da necessidade de automação das
bibliotecas.
O primeiro passo seria a automação dos catálogos de registros bibliográficos. Sem a
formação de um catálogo automatizado, o desenvolvimento de os outros serviços de
1

Bibliotecária da Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista – UNESP – Campus de
Marília. Av. Hygino Muzzi Filho, 737 – 17525-900 – Marília – SP E-mail: maceliap@marilia.unesp.br

�2

uma biblioteca, tais como, circulação, empréstimo, aquisição, entre outros, fica
comprometido.
A UNESP, através da Coordenadoria Geral de Bibliotecas - CGB, órgão que viabiliza
o funcionamento sistêmico das bibliotecas, sentiu essa necessidade e iniciou a
automação a partir da formação de um Banco de dados bibliográficos – ATHENA,
de suas 22 bibliotecas com a finalidade de otimizar e maximizar o acesso às suas
coleções.
Em 1997 a automação dos catálogos iniciou-se com a aquisição do software ALEPH,
um sistema desenvolvido pela empresa Ex-libris, com sede em Jerusalém, Israel,
sendo utilizado em 44 países.
Para a formação de uma base de dados de qualidade, a importação de registros de
outras bases, registros prontos ou semi-prontos com a finalidade de formar
rapidamente a base desejada era uma necessidade para colocá-la à disposição dos
seus usuários, e conseqüentemente para outros serviços oferecidos pela biblioteca e
que dependem da automação dos catálogos. Diante destas necessidades, a UNESP
passou a fazer parte do sistema de cooperação de registros da rede BIBLIODATA,
única rede de cooperação brasileira. Em 1998, foi celebrado um contrato com a
OCLC, rede de cooperação norte-americana, para a localização de registros não
localizados na Rede BIBLIODATA.
Este trabalho tem por finalidade destacar a importância da catalogação cooperativa
e da conversão retrospectiva

na formação e alimentação do Banco de dados

bibliográficos da UNESP – ATHENA, bem como, demonstrar a importância de fazer
parte da rede de catalogação cooperativa brasileira, o BIBLIODATA.
Pretende-se também, verificar por meio de uma amostra o percentual de registros
encontrados e importados do BIBLIODATA, isto é, identificar o índice de cooperação
e a quantidade de registros cooperados com esta rede.

�3

Rede BIBLIODATA2
Na década de 40, iniciou-se no Brasil, a evolução de modernas técnicas na área de
Biblioteconomia, especialmente voltada à catalogação. Pensava-se na criação de
um Serviço nacional de catalogação cooperativa. Com esse intuito foi criado o
Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC) que tinha como finalidade ajudar
mutuamente as bibliotecas participantes do país. O SIC cresceu e que em 1970 foi
implantado o Projeto CALCO (Catalogação Legível por Computador), representando
um marco na automação dos registros bibliográficos no Brasil.
Em 1976, a Fundação Getúlio Vargas já incentivava programas que visassem
cooperação bibliotecária para que o controle bibliográfico nacional fosse realizado a
curto prazo facilitando a disseminação de informações em qualquer campo do
conhecimento.
Em 1977, iniciou-se o projeto BIBLIODATA/CALCO com o propósito de ser um
sistema de Utilidade bibliográfica para desenvolver e manter o Catálogo Coletivo da
Rede com o objetivo de definir e criar instrumentos de trabalho, gerando facilidades
e soluções para o compartilhamento de serviços e recursos entre as instituições
participantes.
Nos primeiros anos de funcionamento, a Rede BIBLIODATA/CALCO foi crescendo
lentamente, esperando-se a contribuição de novas bibliotecas participantes, o que
dificultou, de imediato, a sua autonomia financeira.
No período de 1994 a 1996 a Rede passou por processos de reorganização e
registros bibliográficos em CALCO passaram para USMARC em uma atualização
necessária para que os registros fossem compatíveis com diversos softwares de
automação de bibliotecas em âmbito nacional e internacional
Seguindo os processos de reorganização, a FGV passa a utilizar os softwares norteamericanos da VTLS (Vírginia Tech Library System) e representar os seus produtos.
Com o novo sistema em funcionamento, a Rede BIBLIODATA/CALCO passa a
denominar-se de Rede BIBLIODATA. A partir de então, concentraram-se os esforços

2

Extraído do histórico do site da FGV – http://www.bibliodata.fgv.br.

�4

na criação do CD-ROM de Catalogação da Rede e na venda de sistemas VTLS para
bibliotecas brasileiras. A FGV conseguiu vender alguns contratos, mas não houve
um retorno financeiro desejado e como conseqüência, decide cancelar o contrato.
Após essa trajetória, a Rede BIBLIODATA continuou firme no seu trabalho e
atualmente conta com a participação de 60 instituições, dentre elas a UNESP com o
objetivo de melhorar ainda mais o intercâmbio e a cooperação com as outras
bibliotecas, foram tomadas algumas iniciativas importantes, tais como:
-

criação de um website para a Rede;

-

desenvolvimento de cursos à distância para atualização dos profissionais da
Rede;

-

e um novo sistema para gerenciar o Catálogo Coletivo, a Catalogação
cooperativa on-line.

Catalogação Cooperativa
O uso de tecnologias na catalogação não é uma novidade na Biblioteconomia. Em
1846, Charles Coffins Jewett, bibliotecário da Smithsonian Institution nos Estados
Unidos, considerava que a melhor forma de atingir o objetivo proposto pelo criador
da Instituição seria fazer uma grande biblioteca nacional e nela formar um catálogo
coletivo de todas as bibliotecas públicas dos Estados Unidos.
Jewett acreditava que este seria o primeiro passo para a formação de um catálogo
universal. O chefe de Jewett discordou e o bibliotecário foi demitido. As duas ações
(catalogação cooperativa – ação bibliotecária e a estereotipia – desenvolvimento
tecnológico) propostas por Jewett tornariam viável a formação de um catálogo
coletivo nacional (BALBY, 1995, p.29).
Lançando esta idéia, Jewett criou as bases que dão sustentação à existência da
catalogação cooperativa atualmente. O primeiro passo que se deve dar ao catalogar
um material é verificar se ele já foi catalogado por outra biblioteca, se positivo,
aproveita-se esta catalogação, se não totalmente, pelo menos parcialmente, pois
segundo Balby (1995, p.30) “|...| uma biblioteca jamais deveria catalogar novamente
um material que já foi catalogado por outra biblioteca |...|”.

�5

A Library of Congress (LC), no início do século XX ampliou a idéia de Jewett,
produziu jogos de fichas catalográficas por uma outra tecnologia (processo
tipográfico) e vendeu-as por um preço de custo mais dez por cento às bibliotecas
que se interessassem. Com a difusão dessas fichas amplia-se a discussão sobre a
forma de catalogação e a necessidade de padronização para a representação de
dados bibliográficos e catalográficos, nesse momento a adoção e o desenvolvimento
de códigos de catalogação tornam-se uma realidade. No período de 1960-65,
iniciou-se um projeto piloto na LC denominado MARC – Machine Readable
Cataloguing, para a utilização de computadores no processo de catalogação.
Ainda encontramos resistências na padronização da representação descritiva,
mesmo com o uso de computadores, segundo Gusmão (2001, p.35),
A adoção de um formato local independente, ainda é rotina em muitas
bibliotecas, em pleno ano de 2001, não por causa da limitação técnica dos
equipamentos, mas por despreparo e inexperiência dos bibliotecários e
analistas de sistema, responsáveis pela automação.

Nenhuma biblioteca pode fazer tudo sozinha é necessário uma troca de recursos
informacionais para poder desenvolver e atender os serviços a ela solicitados.
Existem também as questões dos recursos financeiros e técnicos que no trabalho
cooperativo são compartilhados com os cooperados com o intuito de atingir os
objetivos comuns até mesmo com a efetivação de consórcios entre bibliotecas
(SANTOS; ALENCAR, 1999, p.114).
Consórcio para Brown (1998, apud SANTOS; ALENCAR, 1999, p.114),
é definido como uma associação de bibliotecas de uma mesma região ou
do mesmo tipo com interesses comuns e desejo de dividir custos. Rede
seria a interligação de bibliotecas independentes que usam ou constroem
uma base de dados comuns.

Com a globalização, a idéia de esforço individual se esgota dando início a idéia de
fazer mais com menos. A catalogação cooperativa como forma de compartilhamento
de recursos é a principal ferramenta para a formação e alimentação de um catálogo
coletivo informatizado.
Para Mercadante (apud SANTOS; ALENCAR, 1994, p.24), “|...| trabalho em rede
significa soma de capacidades para diminuir falhas e fraquezas; significa eliminar
barreiras em função de alvos comuns”.

�6

No trabalho compartilhado é preciso haver uma participação ativa de todos os
elementos que fazem parte das instituições e entre elas. É necessário um
entrosamento social entre os membros da rede, caso contrário ela não atingirá seus
objetivos e não se desenvolverá.
Conforme Santos e Alencar (1999, p.125),
A tendência mundial dos serviços de catalogação cooperativa é atingir o
usuário da forma mais eficiente possível. Com o grande crescimento da
produção do conhecimento, há necessidade sistemática de técnicas
modernas para a obtenção, tratamento e recuperação da informação.

Com a disponibilização dos catálogos on line das bibliotecas via Internet, mais
habilidades e mais responsabilidades são exigidas dos bibliotecários catalogadores,
pois ao definirem os pontos estratégicos de acesso à informação, definirão o grau de
recuperação da informação que estão sendo internalizados numa base de dados.
A catalogação cooperativa não torna o trabalho do bibliotecário catalogador menos
digno. Ao copiar um registro pronto, ao aproveitar um registro de outras bases para
construção de um que se pretende formar, não significa que não seja necessária a
analise no processo de catalogação e adaptações deste registro, que embora
apresente um mesmo formato, precise de adaptações.
Conversão retrospectiva
A grande produção bibliográfica depositada nas bibliotecas e livrarias e a dificuldade
de representação desses documentos na forma de representações descritivas
originais levaram a percepção pelos bibliotecários na década de 80 da necessidade
de um método que permitisse o aproveitamento de registros já existentes conversão retrospectiva
A conversão retrospectiva é um recurso amplamente utilizado pelas bibliotecas de
vários países para incrementar base de dados bibliográficos. Este processo consiste
em transformar dados bibliográficos contidos em uma ficha, ou em qualquer outro
suporte em dados legíveis por máquina.
Para Campbell (1994, apud HUBNER, 2002, p.5),

�7

A conversão retrospectiva busca a incorporação da totalidade dos registros
dos acervos das bibliotecas aos catálogos online, e desta forma eliminar o
problema de ter de conviver com catálogos manuais e automatizados ao
mesmo tempo, situação esta que ainda é encontrada em muitas
bibliotecas.

Metade do acervo do Brasil ainda não se encontra no formato MARC ou em meio
magnético, por este motivo a conversão retrospectiva apresenta-se uma excelente
solução

para

as

bibliotecas,

pois

seus

acervos

seriam

disponibilizados

automaticamente e de uma forma mais rápida (HUBNER, 2002, p.6).
Para Martinelli (1998, apud GATTI; FOGOLIN, 1999, p.34),
O processo de conversão consiste em pesquisar as fichas dos catálogos
das bibliotecas em bases de dados que servem como fonte de registros.
Quando encontrados os registros que se referem ao mesmo documento da
ficha, é feita uma cópia para um arquivo local. Esses registros são
adequados à situação da Universidade, passando por um processo de
edição para inclusão de informações da biblioteca, e importados para o
sistema local.

Na implantação de um projeto de conversão retrospectiva em uma biblioteca,
devemos ficar atentos para os seguintes pontos: - devemos ficar atentos é o formato
padrão, com a finalidade de garantir a transferência dos dados de um sistema para
dados sem perder informações, o formato MARC atende às especificações; - as
fontes de registros bibliográficos são fundamentais no processo de conversão
retrospectiva, pois a fonte escolhida deve oferecer facilidades, tais como: acesso
livre, cópia de registro no formato pela base em formação, etc... Estas fontes são
grandes Bancos de dados (no exterior: World Cat da OCLC e o Catálogo RLIN; no
Brasil: BIBLIODATA.
Aliada a todos estes pontos está a necessidade de verificar as particularidades do
sistema escolhido e as necessidades da biblioteca com relação a descrição
bibliográfica – campos obrigatórios, campos locais específicos, o sistema controla ou
não o catálogo de autoridades, etc... (HUBNER, 2002, p.6-8).
Segundo Balby (1994, p.42),
A coexistência de um catálogo automatizado e um catálogo manual
representando frações do acervo de uma mesma biblioteca, poderá
resultar na perda de acesso a partes significativas do mesmo, pois estudos
sobre o uso de catálogos automatizados mostram que muitas pessoas não

�8

vão além do primeiro catálogo que pesquisam. (CRAWFORD, 1989, apud
BALBY, 1994, p.42).

No caso da UNESP – Universidade Estadual Paulista, o projeto de conversão
retrospectiva foi e está sendo muito vantajoso, pois incorpora de uma forma rápida e
eficiente todos os dados dos catálogos em fichas ou dos catálogos localmente
automatizados ao catálogo online centralizado – Banco de dados bibliográficos –
ATHENA, conforme veremos em seguida.
Formação do Banco de dados ATHENA
A automação das bibliotecas da UNESP iniciou-se em 1994, depois da interligação
das suas unidades em uma rede computacional a partir da Reitoria em São Paulo.
Diante das inovações tecnológicas, agilização dos meios de comunicação e do
avanço das outras instituições, oferecendo novos serviços através dessas novas
tecnologias, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas se preocupou em automatizar sua
Rede de bibliotecas e disponibilizar seu acervo bibliográfico

online, procurando

atender de forma mais eficaz as necessidades dos usuários.
Desde 1993, antes do processo de automação, a UNESP já fazia parte de uma rede
de catalogação cooperativa (BIBLIODATA) com o intuito de tornar disponível o
acervo da Universidade à comunidade em âmbito nacional, além de utilizar do
serviço de catalogação já desenvolvido e de dispor serviços em

rede, com a

produção de fichas e etiquetas para a manutenção dos catálogos das bibliotecas.
Em 1997, a UNESP decidiu comprar o gerenciador de bibliotecas ALEPH, sistema
integrado utilizado por bibliotecas internacionais e nacionais. Já havia um número
significativo de registros da UNESP no BIBLIODATA convertidos do formato CALCO
para o formato USMARC, prontos para serem inseridos em um banco de registros
bibliográficos.
O ALEPH foi adquirido com os módulos principais (OPAC – Online Public Acess
Catalog, Circulação, Empréstimo, Catalogação, Aquisição, Periódicos e DS1Disseminação Seletiva da Informação).
No início da automação em 1999, o módulo de catalogação foi instalado apenas na
CGB - Coordenadoria Geral de Bibliotecas – São Paulo, enquanto o OPAC foi

�9

disponibilizado para toda a rede com os registros da UNESP que foram convertidos
do BIBLIODATA para o Banco de dados bibliográficos da UNESP, o ATHENA. Nesta
fase inicial verificou-se o número de registros da UNESP contidos no BIBLIODATA e
realizou-se a conversão destes registros para o ATHENA.
A formação do ATHENA em sua primeira etapa realizou-se por aproveitamento de
registros bibliográficos do BIBLIODATA, como cooperante desta rede desde 1993.
Num segundo momento os registros não encontrados foram pesquisados nos
catálogos da LC-Library of Congress e da OCLC - Online Computer Library Center .
A catalogação original dos registros que não foram encontrados prontos ou semiprontos nas bases pesquisadas constituiu-se na fase final de formação da base..
Diante do fato de que a maioria das bibliotecas da Rede UNESP, no início do
processo de automação, tinha seus acervos representados em papel e em poucas
estavam automatizados, em MicroIsis, a qualidade dos registros e as poucas
informações, não encorajava um trabalho demorado e meticuloso de conversão, pois
os registros teriam que ser corrigidos e/ou completados. (FERREIRA; MARTINELLI,
1999, p.26)
Essa constatação encaminhou o trabalho para a pesquisa de registro por registro
nas bases e adoção do recurso de conversão retrospectiva, como um atalho. Não se
pode pensar em automação de bibliotecas, conseqüentemente na migração de um
catálogo online sem a utilização do processo de conversão retrospectiva de registros
bibliográficos e da catalogação cooperativa automatizada que, através de um
formato bibliográfico, proporciona o intercâmbio de registros.
É necessário, para um melhor entendimento, fazer uma distinção entre catalogação
original, catalogação cooperativa e conversão retrospectiva. A catalogação original
consiste na representação de itens documentários, criando-se registros a partir da
obra; catalogação cooperativa consiste na captação de registros bibliográficos
prontos em fontes servidoras, como o catálogo coletivo do BIBLIODATA, a partir da
própria

obra;

conversão

retrospectiva

consiste

na

captação

de

registros

bibliográficos prontos em fontes servidoras, a partir de fichas, xerox de páginas de
rosto, listagens geradas por sistemas diversos.

�10

Por falta de recursos humanos e financeiros e com a intenção de acelerar o
processo de conversão de registros bibliográficos, criou-se na UNESP/Marília, o
Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI), onde estagiários, alunos do curso
de Biblioteconomia da Unesp, desenvolvem pesquisas nas bases servidoras
gravando em arquivo os registros correspondentes às obras da Rede. Estes
estagiários tem o suporte de um monitor e supervisão de bibliotecárias do Grupo de
Automação da CGB.
Concomitantemente com a conversão retrospectiva iniciou-se o processo de
catalogação de registros originais. Deu-se preferência à produção científica da
UNESP, por meio das teses defendidas nas unidades universitárias. Algumas
unidades fazem a catalogação original de sua produção científica na própria
unidade, mas a maioria envia as páginas de rosto com os assuntos correspondentes
para que as bibliotecárias da CGB -Marília realizem a catalogação original.
Com a inserção de registros provenientes da catalogação original no Banco de
dados bibliográficos ATHENA, o bibliotecário da UNESP participa de forma mais
ativa disseminando seu trabalho tanto no Brasil como no mundo.
Nessa política de trabalho a CGB investiu muito em treinamento, no controle de
qualidade e no desenvolvimento de critérios que nortearam a conversão. Como era
impossível reunir os bibliotecários das 22 bibliotecas de uma só vez para
treinamentos e reuniões, optou-se pela formação de grupos replicadores,
distribuídos estrategicamente em cidades do interior e que estenderiam sua
influência sobre uma dada região. Esses grupos se reuniam em São Paulo, onde
eram dados os treinamentos e ao voltarem para suas cidades, levavam apostilas e
instruções para repassarem aos outros membros da Rede, mais próximos de sua
cidade (FERREIRA; MARTINELLI, 1999, p.27)
Quanto à questão da qualidade dos registros, através do conhecimento adequado
de normas e formato de catalogação foram ministrados cursos de aperfeiçoamento
(AACR2 e Formato MARC), pois os registros a serem enviados às bases
cooperativas

deveriam

estar

representados

catalográficos aceitos internacionalmente.

adequadamente

nos

padrões

�11

Com a chegada do CD-ROM da Rede BIBLIODATA e com estes treinamentos, as
bibliotecas passaram a pesquisar seus próprios acervos, enviando apenas os
disquetes para a CGB/SP com registros convertidos, para que fossem inseridos na
Base por meio do ALEPH.
Hoje as próprias bibliotecas pesquisam, copiam em disquete e inserem seus
registros ou fazem sua catalogação original diretamente na Base UEP01(Catálogo
Coletivo), em seguida carregam o registro em suas bases locais onde colocam a
informação de coleção, que enviam uma informação sobre a localização do registro
para a Base UEP01, de forma automática.
Quanto ao acervo de periódicos a UNESP que já era representado no CCN
(Catálogo Coletivo Nacional), teve sua conversão para o formato USMARC, através
de um programa, e depois estes registros foram transferidos para o ATHENA.
Metodologia
Para realização deste estudo foram utilizadas as estatísticas de pesquisa e inserção
de registros, no Banco ATHENA, dos livros comprados no ano

de 2002 pela

Biblioteca da UNESP- Campus de Marília.Foram inseridos 614 livros de um total de
1.444 comprados pela biblioteca, desta forma foram analisados os resultados de um
percentual de 43%.
Com base numa planilha de dados estatísticos relativos as bases, as quais, estes
registros cooperaram utilizou-se a seguinte classificação quanto a recuperação dos
registros: Identidade total (IT) quando os dados do registro da base servidora é
igual aos dados contidos no livro que se tem em mãos, o registro é gravado em um
arquivo e será adequado antes de sua importação para a base; Registro
aproveitável (RA) quando o registro tem alguns campos idênticos, mas apresenta
campos diferentes como, por exemplo, edição ou data, ele será um registro
aproveitável, serão aproveitados os campos iguais e os restantes serão alterados,
estes registros serão importados para a base como registro novo, para
posteriormente alimentarem a Rede BIBLIODATA ; e os Registros não localizados
(NL) os que não foram encontrados em nenhuma das bases servidoras.

�12

A pesquisa iniciou-se na Base local (BMA) com o objetivo de verificar se este
registro já existia na base. Em caso positivo realizou-se a inclusão de um novo item
no registro. Em caso negativo a busca passou a ser feita na UEP01-(catálogo
coletivo), que sendo encontrado fez-se uma cópia do registro para a base local,
incluindo o item correspondente. No caso do registro não ser encontrado na UEP01,
a pesquisa é feita no BIBLIODATA (CD e online). Os registros encontrados nesta
base foram gravados em um arquivo, e foram convertidos para UEP01, quando
foram feitas as adequações necessárias, para somente depois serem duplicadas
para a base local e serem inseridos os itens.
Os registros não localizados no BIBLIODATA , foram pesquisados e importados da
LC , os não encontrados nesta base foram encaminhados (xerox das páginas de
rosto) para o Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI) para a realização de
pesquisas e importações da base OCLC, pois a biblioteca de Marilia não possui o
CD desta base. Finalmente os registros não localizados foram devolvidos para a
biblioteca para a realização da catalogação original.
Análise dos resultados
Analisando os resultados verifica-se que foram realizadas 990 pesquisas: 479 na
BMA, 330 na UEP, 157 no BIBLIODATA e 34 na LC, conforme Tabela 1 e Gráfico 1.

Tabela 1: Quantidade de registros pesquisados em janeiro de 2003
ESTATÍSTICA DE PESQUISA
BMA

UEP

BIBLIODATA

LC

479

330

157

34

TOTAL
990

�13

ESTATISTICA DE PESQUISA

157

34
BMA
UEP

479

BIBLIODATA
LC

330

Gráfico 1: Demonstrativo de registros pesquisados em janeiro de 2003

Fazendo uma análise dos resultados da tabela 2 conclui-se que dos 479 registros
trabalhados 317 foram implantados e 162 não foram implantados, sendo 133 que
foram acrescentados itens e 29 não foram localizados para fazer a cooperação.
Tabela 2: Quantidade de registros importados em janeiro de 2003

ESTATÍSTICA DE IMPORTAÇÃO
Total Reg.
Total Reg.

Impl.

IT BMA

IT UEP

RA UEP

IT BIBL

RA BIBL

IT LC

NL

479

317

133

122

34

127

29

5

29

100%

66%

28%

25%

7%

27%

6%

1%

6%

O índice de recuperação nas bases servidoras (UEP, BIBLIODATA e LC) foi de 66%.
Sendo 32 % da UEP (IT UEP + RA UEP), 33% do BIBLIODATA (IT BIBL + RA BIBL)
e 1% da LC. A porcentagem de registros não localizados, mas que ainda vão ser
pesquisados na OCLC, é muito pequena apenas 6%, como pode ser visualizado no
Gráfico 2.

�14

ESTATISTICA DE IMPORTAÇÃO
6%
1%
6%

28%

27%

7%

25%

IT BMA
IT UEP
RA UEP
IT BIBL
RA BIBL
IT LC
NL

Gráfico 2: Demonstrativo de registros importados em janeiro de 2003

A existência de um percentual relativamente alto ( 28%) de registros que já existiam
na base local ( IT BMA ) se deu porque no processo de listagem dos pedidos de
livros para compra, não foi realizada a pesquisa com a finalidade de eliminação dos
livros que a Biblioteca já possuía. Este fato aconteceu devido a pedidos de
professores, pois sentiram a necessidade dos alunos da aquisição de mais
exemplares de uma mesma obra.
O trabalho de pesquisa e importação, resultando na implantação de 317 registros e
itens correspondentes a estes e aos registros já existentes na base local foi
realizado em 15 dias, por um bibliotecário em período integral e um estagiário em
meio período. Assim comprova-se o fato da catalogação cooperativa ser um
processo rápido e extremamente importante, possibilitando a economia de recursos
financeiros e humanos.
Estes resultados comprovam a literatura utilizada e consultada de que tanto a
conversão retrospectiva quanto a catalogação cooperativa são verdadeiramente
importantes na formação e alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos.
Considerações finais
Apesar das resistências por parte de alguns bibliotecários, que não se adaptaram
com a automação das bibliotecas, os resultados obtidos são positivos, pois as metas

�15

e objetivos estabelecidos pela Coordenadoria Geral de Bibliotecas, com a finalidade
de formar e alimentar um Banco de Dados Bibliográficos estão sendo atingidos.
De um modo geral o profissional catalogador já aceitou e agradece a catalogação
realizada por um outro profissional. Atualmente, com algumas exceções, os
bibliotecários reconhecem a importância deste tipo de serviço, investem em
treinamentos e cursos de atualização e especialização. Os problemas mais comuns
que ocorrem em muitas bibliotecas estão relacionados à falta de recursos financeiros
e humanos.
Para os bibliotecários que executam o trabalho de catalogação cooperativa é uma
experiência enriquecedora, pois têm contato com bases de dados nacionais e
estrangeiras e aprendendo a manuseá-las e conseqüentemente contribuindo na
alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos que transcendem barreiras
lingüísticas e geográficas.

Referências
BALBY, C. N.
Conversão retrospectiva: para consolidar a automação e a
cooperação nas bibliotecas brasileiras. In: SEMINÁRIO SOBRE AUTOMAÇÃO EM
BIBLIOTECAS E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO, 5., 1994, São José dos
Campos. Anais... São José dos Campos: UNIVAP, 1994. p.42-48.
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The cooperative cataloguing and the retrospective conversion in the formation
and feeding of the bibliographical database - ATHENA: an experience of the
Library of the Campus of Marília-UNESP

ABSTRACT: The cooperative cataloguing and the retrospective conversion of data play
preponderant part in the ambit of the bibliographical registrations in the current libraries.
However this subject deserves to be demonstrated in the context of UNESP, so that it intends
to analyze the cooperation of the Bibliographical of UNESP database - ATHENA with the
Net of Brazilian cooperative cataloguing BIBLIODATA. It uses a sample of books bought by
the Library of UNESP of Marília in 2002, that were inserted in the database ATHENA
through the cooperative cataloguing and of the retrospective conversion, identifying percentile
of found registrations and imported from BIBLIODATA to verify the cooperation index with
this net. The results obtained and analyzed reveal that: a) in 28% of the researched material
was already in the local base being just needed to include a new item; b) 32% was located in
for UEP01 (collective catalog of the database - ATHENA); c) 33% was found in
BIBLIODATA; d) 1% in LC (Library of Congress) and the remaining of the books (6%), the
title pages were guided for Laboratory of Information Technologies (LTI) for researches on
OCLC, the not found material returned for unit (Marília) for the original cataloguing,
concluding the research process and insert of registrations in the base. Such aspects allow us
to conclude that most of the researched material (65%) was included in the base through the
cooperative cataloguing, demonstrating the importance of the adoption of cooperative ways
providing quickness in the feeding of a Bibliographical database.
Keywords: Cooperative cataloguing. Retrospective conversion. Bibliographical
database.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva na formação e alimentação do Banco de Dados Bibliográficos- ATHENA: uma experiência da Biblioteca do Campus de Marília- UNESP.</text>
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              <text>A catalogação cooperativa e a conversão retrospectiva de dados desempenham papel preponderante no âmbito dos registros bibliográficos nas bibliotecas atuais. No entanto esta questão merece ser demonstrada no contexto da UNESP, para que se propõe analisar a cooperação do Banco de Dados Bibliográficos da UNESP – ATHENA com a Rede de catalogação cooperativa brasileira BIBLIODATA. Utiliza-se uma amostra de livros comprados pela Biblioteca da UNESP de Marília no ano de 2002 e inseridos no Banco ATHENA através da catalogação cooperativa e da conversão retrospectiva, identificando percentual de registros encontrados e importados do BIBLIODATA para verificar o índice de cooperação com esta rede. Os resultados obtidos e analisados revelam que: a) em 28% do material pesquisado já existia registro igual na base local, sendo preciso apenas incluir um novo item ; b) 32% foi localizado na UEP01 (catálogo coletivo do Banco ATHENA) ; c) 33% foi encontrado no BIBLIODATA ; d) 1% na LC (Library of Congress) e o restante dos livros (6%), as páginas de rosto foram encaminhadas para o Laboratório de Tecnologias Informacionais (LTI) para pesquisas na OCLC, sendo o material não localizado devolvido para unidade (Marília) para a catalogação original, finalizando o processo de pesquisa e inserção de registros na base. Tais aspectos permitem concluir que a maioria do material pesquisado (65%) foi incluída na base através da catalogação cooperativa, demonstrando a importância da adoção de formas cooperativas gerando rapidez na alimentação de um Banco de Dados Bibliográficos.</text>
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