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                  <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA SOCIEDADE GLOBAL:
REFLEXÕES E PERSPECTIVAS

Maria Eugenia Albino Andrade∗
Ivone Job∗∗

RESUMO
A Biblioteca Universitária, na sociedade contemporânea, assume papel de
destaque ao se discutir a centralidade da informação, num mundo em que os
fluxos informacionais contribuem para configurar novos esquemas de poder e
novos atores econômicos. A Biblioteca se insere neste contexto por sua atuação
demonstrada em produtos e serviços, que devem refletir sua função no
desenvolvimento cientifico e tecnológico e o conhecimento acumulado pela
biblioteconomia. Mas é também inserida nesta realidade ao se conviver com os
produtos informacionais e culturais, com a utilização de tecnologias de informação
e comunicação, e por acompanhar as mudanças de comportamento do seu
usuário visto como consumidor de bens e serviços e não como cidadão, sujeito de
direito e dentre esses, o direito à informação. Discutem-se implicações dessa
mudança na atuação da biblioteca universitária e sobre as possibilidades de um
fazer mais reflexivo do profissional bibliotecário. As possibilidades que são
oferecidas pela atual tecnologia da informação são questionadas com o intuito de
que o profissional reveja seu planejamento e o redirecione para a realidade da
universidade brasileira.
PALAVRAS-CHAVE:

Biblioteca

universitária

e

globalização.

Biblioteca

universitária e sociedade da informação. Bibliotecário. Usuário-cidadão

1

INTRODUÇÃO
Nós, enquanto profissionais bibliotecários e enquanto usuários da

informação, não ficamos imunes à globalização e à sociedade da informação em
nosso ambiente de trabalho. Somos influenciados pelo discurso veiculado pela
mídia, pelo governo, por empresáros e por parcela da academia, num processo
de introjeção de valores que se refletem em nossas crenças e em nosso
comportamento individual e coletivo. Entretanto, faz-se necessário refletir sobre o
mesmo para que possamos nos inserir na sociedade de maneira mais consciente

�e para atuarmos no sentido de construir uma sociedade mais justa e democrática.
Este trabalho de inculcação foi denominado de “gota-a-gota simbólico” por
Bourdier (1998) , e tem sido realizado por varias décadas e de forma constante de
modo que o assimilamos como natural e, portanto, torna-se não passível de
questionamento.
Os bibliotecários e os usuários das bibliotecas universitárias, como sujeitos
históricos, vivenciam este processo. Além disso, este discurso também se reflete
na própria concepção de biblioteca universitária e na realização do seu papel
social que ocorre em sua inserção no ensino superior.
Este trabalho tem por objetivo analisar a biblioteca universitária frente às
modificações sociais, políticas, econômicas e culturais que estamos vivendo e
que se refletem na sua atuação, bem como nos seus usuários e no universo de
informação em que trabalha. Primeiramente, abordaremos a situação atual no
tópico a sociedade global da informação. Em seguida, discutiremos a biblioteca
universitária neste contexto e seus usuários, bem como o profissional bibliotecário
que nela atua. Por último, apresentamos as considerações finais.

2

A SOCIEDADE GLOBAL DA INFORMAÇÃO
Neste tópico abordamos as duas faces mais fortes do momento atual, a

saber: globalização e sociedade da informação.Embora, com nomes distintos,
retratam aspectos da vida atual e os nomes reforçam determinados aspectos. A
globalização se refere mais à dimensão econômica em relação íntima com a
política, que cria condições para realizá-la em todas as esferas da vida social.
A globalização nos tem sido apresentada como uma realidade libertadora
em que há livre fluxo de informações, de mercadorias e de pessoas. Além disso, é
descrita como a possibilidade de acesso amplo a bens e serviços, por todos,
independentemente de sua localização espacial. Entre os bens a que se tem
acesso, inclui -se a informação, que passa, nos discursos, a não se submeter a
barreiras de qualquer ordem, como qualquer outra mercadoria. Em contraposição
a este universo ilimitado de oportunidades, temos a outra face da globalização

�advinda de sua instauração nos diferentes países centrais e periféricos. Para
Santos:
Trata-se de nova fase da história humana. Cada época se
caracteriza pelo aparecimento de um conjunto de novas
possibilidades concretas, que modificam equilíbrios preexistentes
e procuram impor sua lei. Esse conjunto é sistêmico: podemos,
pois, admitir que a globalização constitui um paradigma para a
compreensão
dos
diferentes
aspectos
da
realidade
contemporânea.” (SANTOS, 1994, p.48).

O mesmo autor, em obra posterior, alerta-nos que “ a globalização é, de
certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista.”
(SANTOS, 2002, p.23). Esclarece, ainda, que, para entender esta fase da história,
deve-se levar em consideração dois elementos fundamentais: o estado das
técnicas e o estado da política. Embora estes dois estados nunca tenham sido
separados na história da humanidade, no século XX, graças ao avanço das
ciências e das técnicas, principalmente as da comunicação e computação, as
técnicas da informação e da comunicação passaram a ser líderes, transmitindo a
idéia de uma existência planetária comum a todos. Cabe indagar como se
configura esta técnica no mundo globalizado. Santos afirma que:
A globalização não é apenas a existência desse novo sistema de
técnicas. Ela também é o resultado das ações que asseguram a
emergência de um mercado dito global, responsável pelo
essencial dos processos atualmente eficazes. Os fatores que
contribuem para explicar a arquitetura da globalização atual são: a
unicidade da técnica, a convergência dos momentos, a
cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na
historia, representado pela mais -valia globalizada. Um mercado
global utilizando esse sistema de técnicas avançadas resulta nessa
globalização perversa. Isto poderia ser diferente se o seu uso político
fosse diferente. ( SANTOS, 2002, p. 24).

Desta maneira, a globalização se caracteriza pela difusão instantânea da
notícia. A partir daí, nos é dado a acreditar que o mundo está ao alcance das
nossas mãos a qualquer momento. As distâncias parecem menores devido à
facilidade de acesso às informações bem como devido aos avanços técnicos dos
meios de locomoção.A partir desses pressupostos decorrentes, principalmente,
do uso das TICs, ocorrem mudanças nas noções de tempo e espaço, que passam
a ser vistos como contraídos. O planeta se torna homogêneo por força do

�mercado. É decantada a morte do Estado, suplantado pelo poder das empresas
transnacionais (BAUMAN, 1999; SANTOS, 2002).
Portanto, a globolização é um processo que se estende a todos em bases
materiais e intangíveis, e que se expande com que o acréscimo de outras
características. Há a instalação da competitividade em nível das empresas, dos
países e dos indivíduos, suprimindo a solidariedade e a fraternidade, com a
implantação da ética pragmática e

do individualismo. São exacerbados d

consumo, o narcisismo, o imediatismo, o egoísmo e cresce a difusão de
pensamento e de práticas totalitários. (SANTOS, 2002, p.54; BAUMAN, 1999).
Paralelamente à noção de globalização, observamos a difusão do conceito de
sociedade da informação.
A sociedade da informação, assim como a globalização, tem como base
material para sua concretude, o emprego das tecnologias da informação e da
comunicação - TICs. Também tem como pressuposto básico, a livre circulação de
pessoas, bens e serviços. O mesmo ideário que sustenta a globalização suporta
esta proposta. A sociedade da informação propaga a centralidade da informação
no desenho de uma nova sociedade. A informação é apresentada ora como
mercadoria, ora como bem. Este último é divulgado, principalmente por influência
de órgãos transnacionais, como a UNESCO e seus discursos sobre novas ordens
mundiais.
A preocupação em acompanhar as tendências predominantes, os governos
de diversos países têm lançado programas que visam estender o uso das TICs.
No caso brasileiro, temos o Programa Sociedade da Informação, cuja proposta foi
apresentada no documento denominado Livro Verde.
Um ponto comum a esses programas diz respeito ao fato dos países terem
optado por uma concepção de sociedade da informação que privilegia o técnico e
o econômico, conforme análise de Webster (1997). Essa noção de sociedade de
informação se baseia no estudo do sociológico americano Daniel Bell (1977) e
dos que se dedicaram a divulgar e popularizar suas idéias, tais como Drucker e
Toffler. Bell preconiza que a nova sociedade tem a sua centralidade na
informação e nas atividades a ela relacionadas, que passam a ter maior

�representatividade no produto nacional bruto dos países centrais. Porém, essa
concepção tem se estendido a todas as nações, independemente de serem
centrais ou periféricas. Bell elege a universidade como locus privilegiado da
produção do conhecimento, que se caracteriza por estreita união com o setor
produtivo. O conhecimento deve ser útil à produção de bens pela indústria. A
divulgação e a aceitação deste ponto dizem respeito, de maneira direta, às
bibliotecas universitárias.

3

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E OS DESAFIOS DA ATUALIDADE
Tradicionalmente, as bibliotecas universitárias têm utilizado os avanços

provenientes das tecnologias da informação e da comunicação-TICs, tais como a
rede internet, o correio eletrônico, as bases de dados on-line e em cd, colocando
seu usuário a par das novas TICs e dos seus empregos.
Contudo, é importante ressaltar o trabalho desenvolvido nas bibliotecas
universitárias porque elas estão muito próximas dos produtores do conhecimento,
decorrente da produção cientifica. Além disso, não podemos nos esquecer de que
as bibliotecas universitárias são detentoras de informações imprescindíveis para a
comunidade de pesquisadores e professores São, também, espaços propícios
para a recepção dos novos avanços das tecnologias da informação, para atender
seu público, cada vez mais sedento de

novidades. A biblioteca universitária

desempenha seu papel social ao atender as necessidades informacionais de seus
usuários. Ela atua como instrumento de comunicação ao intermediar a relação
entre a fonte de informação e seu usuário. Cabe-lhe criar mecanismos no sentido
de participar do processo de transferência da informação para que seu público, de
forma consciente e crítica, utilize-se das novas informações, possibilitando-o a
inserção e a efetiva participação no desenvolvimento de conhecimentos,
principalmente, por meio de pesquisas científicas.
Entretanto, atualmente, faz-se necessário refletir sobre a informação não
apenas em termos de produção de conhecimentos científicos, pois a biblioteca
universitária em sua interação com o usuário encontra oprtunidades de atuar de

�forma mais ampla ao considerar que a informação deveria ser usada para o
exercício da cidadania. Na época atual, encontramos muitas fontes que utilizam
cidadão e consumidor como sinônimos, como entes inseparáveis, atribuindo o
caráter de consumidor ao cidadão. Consumidor, cliente, usuário, assim como
povo significam, na linguagem pós-moderna, opinião pública. Consumidor, essa
metáfora tirada do estômago, pouco a pouco se expandiu , ganhando inclusive o
estatuto de categoria sociológica. (ORTIZ, 1996, p. 148). Não se pode negar o
perigo que este modo de olhar

pode trazer ao ambiente em que vivemos e

trabalhamos. O cidadão é cidadão a qualquer momento. Enquanto o consumo
traz a idéia de volátil descartável e passageiro, tomando como base a
comparação com produtos comerciais que encontramos nos shoppings centers.
Esta lógica tem sido empregada em relação à informação em seus múltiplos tipos,
incluindo aí a informação científica e tecnológica. Encontramos, na literatura, a
idéia de que nós usamos a informação como consumidores de bens e serviços,
oferecidos tanto pelo setor privado quanto pelo público, igualmente como
cidadãos. Neste caso a utilizamos para exercer nossos direitos e nossas
responsabilidades. (MOORE, 1999, p.104). Nas bibliotecas universitárias, essa
dupla visão da informação pode ser vista nos produtos disponibilizados aos
usuários. Mas, mais do que isto, o fornecimento cuidadoso de informações pode ir
além de respostas técnicas, contribuindo para o reforço da cidadania. Mesmo
quando a visão é apenas do consumidor, pode-se a partir dela contribuir para que
cidadãos se formem.
O acesso à informação pelos cidadãos traz em si a possibilidade de ele
poder exercer seus direitos fundamentais, tais como, ser tratado como ser
humano, ter liberdade de expressão, de reunião, de proteção jurídica, entre outros
direitos sociais. Mas existe uma grande diferença entre ter direito e poder exercêlo. Se todos têm direito à informação significa que este direito independe do poder
financeiro do usuário, de seu nível de escolaridade, de sua possibilidade ter e de
operar um computador, de sus habilidade em se comunicar em outro idioma e
nem de qualquer outro fator susceptível de limitar seu acesso à informação
desejada. (MOORE, 1999). Em relação ao domínio de outros idiomas, o inglês
tem se imposto no mundo como língua universal. Sua utilização é cobrada ao se

�usar informações, principalmente as disponíveis em bibliotecas universitárias, e
as TICs e o seu uso nos leva a crer que dilui a barreira da nacionalidade, selando
o destino ‘cosmopolita’ dos produto e das corporações. (ORTIZ, 1996, p.155),
Cabe à biblioteca universitária estar ciente desta situação para não reforçar as
diferenças sociais existentes. Senão, ao invés da sociedade de informação atingir
seu objetivo de capacitar todos igualmente ao acesso de bens e serviços,
aprofunda-se o fosso existente entre os que possuem acesso e os que não
possuem, tornando mais pobres, os pobres e mais ricos, os ricos, inclusive em
termos informacionais. Como exemplo, podemos citar o caso dos deficientes
físicos que não têm acesso à maioria das bibliotecas universitárias que ficam em
andares superiores, possuem portas estreitas, sem falar na inexistência de
material em Braille.
Outro problema que se apresenta aos cidadãos é em relação aos códigos,
símbolos, sinais que encontramos em bibliotecas, que constituem linguagem
altamente especializada, como por exemplo, nas bases de dados, nos tutoriais,
nos catálogos, no arquivamento do acervo. Isto tudo necessita do elemento
humano, do serviço de referência para que seja atendido o direito básico à
informação. Considerando a situação sócio-econômica brasileira, deve-se
repensar a gratuidade dos serviços como aspecto básico para que seja garantido
o atendimento ao cidadão. Cabe lembrar que parcela significativa dos estudantes
universitários da rede federal possuem limitações de ordem econômica. Diante
disso, o cuidado em selecionar o acervo e no planejamento de atividades revestese de caráter de importância fundamental para que a biblioteca universitária
participe efetivamente da realização da cidadania de seus usuários. Além disso,
os governos devem repensar seus orçamentos destinados às bibliotecas e aos
serviços de informação ligados ao setor público.
Sabe-se que as modernas tecnologias de informação trouxeram grandes
avanços para os serviços de biblioteca. Mas nos parece que há uma mitificação
do computador, acreditando-se que caso se dissemine o

conhecimento

disponível em rede, resolver-se-iam os problemas sociais. Além dos problemas
apontados acima, que restringem o acesso à informação, pagamos muito caro
pela comercialização dessas tecnologias. Quem mais lucrou com a indústria da

�informação foram, e continuam sendo, os grandes conglomerados transnacionais
que vendem máquinas, softwares, bancos de dados e outros produtos a preços
elevados. Nos países do terceiro mundo, estamos reforçando uma dependência
tecnológica externa, que colabora para a alta concentração de renda aos países
do primeiro mundo. Milton Santos chama a atenção para a unicidade da técnica :
a cibernética, a informática, a eletrônica se comunicam entre si. A técnica da
informação assegura este comércio, apagando o tempo e as ações locais. O que
vale é a simultaneidade das ações, a convergência dos momentos e a
aceleração. (SANTOS, 2002).
Um ponto central na atuação das bibliotecas universitárias diz respeito ao
profissional bibliotecário. A postura que adota é determinante para facilitar a
inclusão do usuário na denominada sociedade da informação. Contudo, o aspecto
mais importante não diz respeito apenas a facilitar o uso das TICs e produtos e
serviços informacionais disponíveis em meio digital, o imprescindível é auxiliá-lo
no acesso à informação e na leitura de seu conteúdo , entendendo-o no contexto
de sua produção e desua utilização. Dessa maneira, a biblioteca universitária
estará considerando seu usuário não apenas como consumidor, mas como
cidadão. Estará contribuindo para que possa exercer seus direitos e deveres de
cidadão de um país, pois a cidadania é local, como nos alerta Santos (2002).
É possível fazer essas colocações, ao se observar que, dentre os tipos de
bibliotecas, a universitária apresenta uma situação ímpar no Brasil. O seu
desenvolvimento se deve muito aos esforços empreendidos pelos profissionais
que nela atuam. Por longo período de tempo, eles têm se articulado para
estabelecer cooperação através de sistemas e redes. Essas bibliotecas se
rganizaram em sistemas e redes de informação não só em âmbito das
universidades, mas, estenderam suas atuações em redes de abrangência
nacional. O que se ampliou com a utilização das tecnologias da informação e da
comunicação. Por outro lado, os bibliotecários desses sistemas e redes se
reunem, regularmente, em eventos promovidos pela categoria. A isso soma-se o
fato de que, em 1978, instalou-se um grupo de trabalho encarregado de promover
estudos periódicos com representantes de bibliotecas universitárias, a fim de que
fosse estruturado um esquema de ação baseado na realidade presente e

�necessidades imediatas e visasse elaborar um projeto destinado à formação de
um Sistema Nacional de Bibliotecas Universitárias. (COMISSÃO, 2004) Em 1987,
em Porto Alegre, RS, criou-se a Comissão Brasileira de Bibliotecas UniversitáriasCBBU, ligada à FEBAB- Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários.
Seu objetivo é:
A CBBU tem como principal meta a elaboração de diagnóstico da
situação das BUs com a finalidade de mapear características e
disponibilidades visando a intensificação de intercâmbio e a
criação de programas cooperativos, propiciando as condições
adequadas ao atendimento das necessidades da comunidade
científica brasileira.( COMISSÃO, 2004).

Contudo, cabe lembrar que os debates devem se estender para além dos
encontros profissionais. Faz-se necessário que sejam considerados ao se
planejar os serviços e produtos e, mais ainda, torna-se imprescindível que seja
incorporado ao cotidiano das bibliotecas universitárias no contato direto de todos
os funcionários envolvidos no atendimento aos usuários.

4

CONCLUSÃO
Podemos afirmar que o cenário da biblioteca universitária brasileira, apesar

das barreiras com depara, se desenha de forma favorável devido, principalmente,
aos esforços dos profissionais bibliotecários. Esperamos que a discussão e a
revisão das bases filosóficas da biblioteca universitária constem das pautas dos
encontros

de

classe,

abrangendo

a

possibilidade

de

se

trabalhar

o

aprofundamento da cidadania dos usuários por meio dos serviços e produtos que
lhes são oferecidos.
Acima de tudo, esta é uma opção política de umprofissional que tem se
mostrado consciente. O objetivo do nosso trabalho é contribuir para ampliar o
debate ao levantarmos pontos merecedores de reflexão pela classe bibliotecária.
Nós podemos e devemos trabalhar para construir uma sociedade onde a
cidadania seja um valor maior. A biblioteca universitária pode e deve participar da
produção de conhecimentos científicos e técnicos que considerem não apenas o

�estágio do campo em que se insere, mas, que contemplem a nossa realidade
nacional.

ABSTRACT
This paper discusses the relevant role of the university library, nowadays, when
the information is the major resource in the information society. The university
library’ services and products should reflect its function in the scientific
development as well the state-of-art of the librarian knowledge. The university
library should regard its user as a consumer and as a citizen in the globalized
world. Thus, the ways that the librarian performs his social role reflects his vision
concerning to the uses of information technology and how it affect the brazilian
society.
Key-words: University library and globalization. University library and information
society. Librarian. User- citizen.

REFERÊNCIAS
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Zahar, 1999.
BELL, Daniel. O advento da sociedade pós-industrial: uma tentativa de
previsão social. São Paulo: Cultrix, 1977.
BOURDIEU, Pierre. Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal. Rio
de Janeiro,Jorge Zahar, 1998.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e terra, 1999.
COMISSÃO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS. Ojetivos.
Disponível em: &lt;(http://www.bczm.ufrn.br/cbbu/obj.htm)&gt;. Acesso em 14 de
julho de 2004.

�CUNHA, Murilo Bastos da. Construindo o futuro: a biblioteca universitária
brasileira em 2010. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, set./dez. 1999.
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consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2002.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico
informacional. São Paulo: Hucitec,1994.
WEBSTER, Frank. Theories of the information society. London:
Routledge,1997.

∗

Doutora em Ciência da Informação pela UFRJ. Professora da Escola de Ciência da Informação
da UFMG - Caixa Postal 1606. 30161-970
Belo Horizonte – MG – Brasil.
eugeniaandrade@eci.ufmg.br
∗∗
Ivone Job. Mestranda em Ciência da Informação na UFMG. Bibliotecária da Escola de Educação
Física da UFRGS. ivonejob@yahoo.com.br

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>A Biblioteca Universitária, na sociedade contemporânea, assume papel de destaque ao se discutir a centralidade da informação, num mundo em que os fluxos informacionais contribuem para configurar novos esquemas de poder e novos atores econômicos. A Biblioteca se insere neste contexto por sua atuação demonstrada em produtos e serviços, que devem refletir sua função no desenvolvimento cientifico e tecnológico e o conhecimento acumulado pela biblioteconomia. Mas é também inserida nesta realidade ao se conviver com os produtos informacionais e culturais, com a utilização de tecnologias de informação e comunicação, e por acompanhar as mudanças de comportamento do seu usuário visto como consumidor de bens e serviços e não como cidadão, sujeito de direito e dentre esses, o direito à informação. Discutem-se implicações dessa mudança na atuação da biblioteca universitária e sobre as possibilidades de um fazer mais reflexivo do profissional bibliotecário. As possibilidades que são oferecidas pela atual tecnologia da informação são questionadas com o intuito de que o profissional reveja seu planejamento e o redirecione para a realidade da universidade brasileira.</text>
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