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                  <text>ESTILOS DE LIDERANÇAS
NO ÂMBITO DE UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Elaine Cristina Soares Lira∗
Eliane Maria Da Silva Jovanovich∗∗

RESUMO
Verificou-se os estilos de liderança sob ótica dos subordinados no âmbito de uma
biblioteca Universitária. Consistiu em realizar uma reflexão referente ao comportamento
do líder, utilizando-se dos estilos clássicos: autocrático, democrático e “laissez-faire”.
Utilizou-se como instrumento de coleta de dados o questionário para verificar os estilos
de liderança, características e comportamentos de um líder. A diversidade de estilos
existentes variaram de acordo com as situações, levando em consideração a realidade
do dia-a-dia dos grupos de trabalho e as circunstâncias ambientais nas quais se
encontram os líderes. O estilo predominante sob a ótica dos subordinados e na autoavaliação das chefias foi o estilo democrático. No entanto houve apontamentos para os
estilos autocrático e “laissez faire”.

1 INTRODUÇÃO

Tendo em vista a necessidade de acompanhar as mudanças ocorridas no mundo
nos últimos anos é necessário buscar soluções no diferencial competitivo. Deve-se
apostar nos colaboradores, o que deverá ocasionar uma mudança cultural profunda,
pois toda ação humana fundamenta-se em concepções, modelos, percepções, valores,
crenças, entre outros.
É necessário rever as formas de trabalho e os estilos de gestão até então
praticados, pois nenhuma organização existe ou funciona sem os recursos humanos. O
grande desafio dos líderes é conseguir que seus colaboradores aceitem as novas
responsabilidades, e que possam adaptar-se às circunstâncias modificadas, que
estejam preparados para trabalharem em equipe, sendo mais produtivos de maneira
que realizem seu trabalho de forma eficaz.

�Os profissionais bibliotecários precisam estar capacitados a responder
rapidamente as novas necessidades, precisam de competências que permitam uma
gestão eficiente e eficaz, que apresentem resultados de excelência dentro de uma
organização. Devem aprender a liderar e não apenas gerenciar as unidades de
informação. É necessário tomar decisões precisas e em tempo hábil. O estilo com que
os administradores dirigem o comportamento das pessoas condicionam os resultados
do empreendimento.
O líder deve proporcionar aos colaboradores um ambiente favorável à realização
das atividades com intuito de deixar florescer idéias e iniciativas, mas esse é ainda um
recurso utilizado em pequena escala na maioria das organizações. O potencial de cada
colaborador deve ser estimulado e aproveitado na medida em que as idéias vão
surgindo para melhorar o trabalho.
Pode-se dizer que os modelos convencionais de gestão e liderança já não
respondem

adequadamente

ao

ambiente

competitivo

instalado

nas

atuais

organizações. É a nova ordem mundial que impõe outras posturas, para que possamos
acompanhar as constantes transformações.
Para Davis e Newstrom (1992, p.150):
Liderança é o processo de encorajar os outros a trabalharem
entusiasticamente na direção dos objetivos. É o fator humano que
ajuda um grupo identificar para onde ele está indo e assim motivar-se
em direção aos objetivos. Sem liderança, uma organização seria
somente uma confusão entre pessoas e máquinas, do mesmo modo
uma orquestra sem maestro seria somente músicos e instrumentos.

É necessário que o gerenciamento esteja voltado para administração de
pessoas. Para ser um bom líder é preciso conhecer profundamente a área que atua,
comandar, dirigir, orientar e agir a favor da organização. As pessoas, os
acontecimentos não seguem uma ordem previsível. O ser humano tem características
individuais que o faz ser único.

�Sabemos que nem todas as pessoas possuem o dom da liderança e outros no
entanto já nascem tendo o poder e habilidade de convencer as pessoas. Segundo
Gardner (1990, p.17) "liderança é o processo de persuasão, ou de exemplo, através do
qual um indivíduo (ou equipes de liderança) induz um grupo a dedicar-se a objetivos
defendidos pelo líder ou partilhados pelo líder e seus seguidores."
A liderança resulta de um processo de aprendizagem: é necessário um bom
autoconhecimento e é fundamental para o líder uma noção exata de si mesmo,
evitando agir de forma rude com situações que venham a enfrentar, sendo capaz de
assumir responsabilidades pelas decisões que tomar, pois tomar decisões difíceis é
exigência diária da liderança. Os líderes precisam contratar e demitir, lançar novas
estratégias e arriscar. É necessário lidar com polaridades, ou seja, o seu potencial em
relação a outro ponto que surgem todas horas em nossas vidas. Assim temos que
mudar de atitudes, pois nem sempre existem soluções para as polaridades.
Em unidades de informação torna-se difícil resolver certos problemas, pois a
mesma está inserida num contexto maior, ou seja, uma universidade, uma empresa,
entre outras as quais estão quase sempre dependentes, tornando-se frustrante para o
líder exercer sua função, principalmente em empresas públicas. Para Gardner (1990,
p.25):
Em muitas de nossas grandes organizações empresariais,
governamentais e mesmo entre as sem fim lucrativos, ainda tornamos
muito difícil para os líderes potenciais nos escalões mais baixos, exercer
iniciativa. Ainda estamos em meio ao processo de descoberta de quanta
vitalidade e motivação encontram-se enterradas nesses níveis,
esperando para se livrar das amarras.

O líder deverá saber qual a sua postura diante de desafios, deverá incentivar e
motivar sua equipe e usar de bom senso, deve exercer o controle sobre os resultados,
trabalhando em equipe de forma compartilhada. Por isso o importante é gerar o respeito
e não apenas a obediência, fazendo com que as tarefas funcionem pelas equipes sem
gerar descontentamento.
Diante deste cenário, observa-se que as organizações estão sendo obrigadas a
rever

o

relacionamento

humano,

tentando

encontrar

respostas

e

buscando

�continuamente o trabalho em equipe, delegando responsabilidades de forma a manter
um bom relacionamento para que a equipe seja formada de

colaboradores e não

apenas de subordinados.
Neste sentido, esta pesquisa consiste em realizar uma reflexão referente ao
papel do líder e estilos de liderança, utilizando-se dos três estilos clássicos de
liderança: autocrático, democrático e “laissez-faire”. A pesquisa foi realizada na
Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina com as chefias das divisões
da biblioteca sob a ótica dos colaboradores.

2 TEORIZAÇÃO
A ênfase dada as relações humanas trouxe uma nova postura de tratamento e
consideração ao indivíduo, mostrando que a participação dos colaboradores no
processo de decisão faz com que a empresa cresça, o que estimulou muitos estudos
acerca da liderança. Sendo assim, o papel do líder é indispensável, devendo motivar
sua equipe de trabalho. Afinal o entusiasmo e inspiração faz com que todos se unam
em torno dos objetivos da organização.
O líder não pode ser uma pessoa estática, deve encarar os desafios
preponderantes. Ele mesmo deve descobrir uma maneira própria de enfrentar desafios
e situações sabendo combinar bom senso, coerência e dinamismo na escolha da
decisão certa.
Segundo Hersey e Blanchard (1986, p.86), “liderança é a atividade que leva a
influenciar as pessoas para que tenham disposições para lutar por objetivo de grupo”.
Tannenbaum, Wescheler e Massarik (1970, p.42), descrevem a liderança como
“influência interpessoal exercida numa situação, por intermédio do processo de
comunicação, para que seja atingida uma meta ou metas específicas”.

�Para Dubrin (2001, p.80), “liderança é um processo que tem como finalidade
influenciar as atividades do indivíduo ou de um grupo, nos esforços para realização de
um objetivo em determinada situação".
Algumas características e atributos da liderança, originaram-se de algumas
pesquisas nos quais observou-se que os verdadeiros líderes são aqueles que nascem
com certas características que os colocam em predisposição à liderança. A liderança
está sempre personificada numa figura individual ou de um grupo. A figura humana dos
líderes permite definir a liderança como função, papel ou tarefa, que qualquer pessoa
precisa desempenhar. Suas características pessoais são indispensáveis para um bom
desempenho do grupo. Bennis (apud BOYETT; BOYETT 1999, p.19), apresentam
algumas características:
-

Visão orientada: Ter uma clara idéia do que quer fazer – profissional
e pessoalmente – e força para persistir diante de adversidades, até
fracassos

-

Paixão: Possuir uma paixão subjacente pelas promessas da vida,
associada a uma paixão muito especial por uma vocação, uma
profissão, um curso de ação. Amor pelo que faz;

-

Integridade:

Sua

integridade

deriva

do

autoconhecimento,

honestidade e maturidade. Conhecer seus pontos fortes e fracos,
agir de acordo com seus princípios e aprender com a experiência e
aprender a trabalhar com os outros;
- Confiança: Conquistar a confiança das pessoas;
- Curiosidade: Ficar se perguntado sobre tudo e querer aprender o
máximo que puder;
- Ousadia: Estar disposto acorrer riscos, experimentar e tentar
coisas novas.

Há controvérsia entre os que defendem que uma pessoa já nasce com
determinados traços de personalidade para liderar e os que acreditam que a habilidade
de liderança é algo adquirido. Na maioria das vezes, estas pessoas percebem que os

�líderes possuem características pessoais que lhes proporcionam esta habilidade, mas
cientificamente não podemos afirmar que eles já nasceram com estas características.
Hoje sabe-se que algumas qualidades inatas até facilitam o ajustamento profissional do
líder. No entanto, pessoas comuns podem ser treinadas e se tornarem excepcionais
lideranças.
James Kouses, afirma que o líder se torna líder através de um processo que
envolve uma crença, uma finalidade e as disposições de atingí-la, e que de forma
alguma está relacionada a um dom natural: “É claro que os líderes devem ser
energéticos e entusiasmados. Mas o dinamismo de um líder não provém de poderes
especiais. Ele provém de uma forte crença numa finalidade e da disposição para
expressar convicção". (KOUSES, 1991, p.78)
Uma liderança ideal é algo difícil de ser definido, tendo em vista que um estilo
adotado por um líder pode ser extremamente eficaz em determinada situação e, num
outro momento, o mesmo estilo poderá ser totalmente inadequado.
Um líder de personalidade forte pode ser um agente impulsionador para uma
equipe composta de pessoas mais dependentes e que possuem uma tarefa a ser
cumprida num curto espaço de tempo. Por outro lado, este estilo de liderança poderia
causar a desmotivação em pessoas mais maduras, que se realizam ao efetuar suas
atividades com autonomia.
Esta dificuldade em definir um estilo ideal de liderança não nos impede de
analisar e aprender sobre as muitas formas de liderar conforme alguns estilos de
liderança que serão expostos a seguir.
Segundo Fiedler e Chemers (1981, p.43), um dos primeiros e mais famosos
estudos sobre o estilo de liderança foi realizado por Lewin, Lippitt e White (1939), que
formaram grupos de meninos em idade escolar, nos quais os líderes desses grupos
eram adultos, do sexo masculino. O líder foi treinado para comportar-se com os
meninos de seu grupo, de acordo com um dos três estilos de liderança:

�- Democrático: no qual as decisões do grupo eram tomadas por
votação da maioria, e onde a crítica e a punição eram mínimas;
- Autocrático: aqui as decisões eram tomadas pelo líder, sem a
participação dos meninos que eram colocados sob severa disciplina
e supervisão;
- Liberal: cuja participação do líder reduzia-se ao mínimo, permitindo
que as atividades fossem feitas sem supervisão.

Concluiu-se, que os grupos dos líderes democráticos eram mais satisfeitos e
funcionavam de maneira positiva e bem ordenada. No entanto o número e o grau de
atos agressivos eram maiores nos grupos liderados autocraticamente.
Estas três divisões nos fazem refletir que um líder poderá estar inserido em um
ou outro estilo, mas não necessariamente um estilo vai ser efetivo, ele poderá variar
para atender aos anseios de uma empresa que vive num ambiente de intensas
transformações, que é o que acontece com as empresas de hoje.
Tannembaum e Schimidt (apud HERSEY; BLANCHARD, 1986, p.108),
evidenciando a grande diversidade existente de estilos de comportamento de líder,
entre os extremos autocrata x democrata apresentaram, num contínuo que vai de um
extremo ao outro, uma grande amplitude de estilos de liderança, no qual o
comportamento do líder autoritário

é orientado por tarefas e o democrático a

preocupação e com as relações humanas.
Esse contínuo, algumas vezes é ampliado para além do comportamento do líder
democrático a fim de incluir o estilo laissez faire ou liberal, que permitem que os
membros dos grupos façam o que desejam fazer.
A Survey Research Center da Universidade de Michigan abordou o estudo da
liderança identificando grupos de características que pareciam relacionados entre si. Os
estudos definiram dois conceitos:

�-

Orientação para o empregado: os líderes acentuam-se no aspecto
do relacionamento da sua função, acreditam que cada empregado é
importante, aceitando a individualidade e suas necessidades
pessoais;

-

Orientação para produção: enfatiza a produção e os aspectos
técnicos da função; os empregados são vistos como instrumento
pelos quais se atingem os objetivos da organização.

Iniciado em 1945 pelo Bureau of Business Resarch da Ohio State University,
tentaram identificar várias dimensões de comportamento do líder.

-

Estrutura de iniciação: refere-se ao comportamento do líder ao
delinear a relação entre ele e os membros do grupo de trabalho e ao
estabelecer

padrões

definidos

de

organização,

canais

de

comunicação e métodos de ação;
-

Estrutura de consideração: refere-se ao comportamento que
indica amizade, confiança mútua, afeto na relação entre o líder e os
membros de sua equipe.

Blake e Mouton (apud HERSEY; BLANCHARD, 1986, p.112) popularizaram os
conceitos teóricos de liderança dos estudos de Michigan e da Ohio State University que
se concentravam em realização de tarefas e desenvolvimento de relações pessoais em
Grid Gerencial.
No Grid Gerencial, nos quatro quadrantes identificados pelo estudo da equipe de
Ohio são localizados cinco diferentes tipos de liderança baseados em:

-

interesse por produção (tarefa)

-

por pessoas (relações)

�O interesse pela produção está ilustrado no eixo horizontal e por pessoa, no eixo
vertical, que vai de uma escala de 0 a 9. As pessoas se tornam mais importantes para o
líder a medida que sua avaliação sobe no eixo vertical.
O Grid Gerencial tende a ser um modelo de atitudes que mede valores e atitudes
de um gerente, enquanto o esquema da Ohio State University procura incluir conceitos
comportamentais (itens), bem como itens de atitudes.
Há uma diferença significativa entre os dois esquemas. O interesse por alguma
coisa é predisposição ou uma dimensão de atitude. O grid tende a ser um modelo de
atitude que mede predisposições de um administrador, enquanto o trabalho da
Universidade de Ohio tende a ser um modelo comportamental que examina como as
ações do líder são percebidas pelos outros.
A liderança situacional foi reconhecida na área da liderança há algum tempo. A
liderança tem de ser dinâmica, variando conforme a maturidade (de responsabilidades)
dos empregados e a sua experiência.
Hersey e Blanchard (1986, p.186) colocam que a liderança situacional baseia-se
“numa inter-relação entre a quantidade de orientação e direção (comportamento de
tarefa) que o líder oferece, a quantidade de apoio sócio-emocional (comportamento de
relacionamento) dado pelo líder e o nível de prontidão (maturidade) dos colaboradores
no desempenho de uma tarefa, função ou objetivo específico".
Os autores relacionam maturidade dos colaboradores e comportamento do líder.
Com isso, determina qual o estilo mais adequado a ser adotado de acordo com o grau
de maturidade existente.
Para complementar a conceito de liderança situacional Cury (2000, p.174) coloca
que “o ponto chave da teoria da liderança situacional é que a medida que aumenta a
preparação de um membro do grupo, um líder deveria apoiar-se mais no
comportamento de relacionamento e menos no comportamento de tarefa”.

�Cury (2000, p.176) coloca que os administradores que iniciam um ou mais
empreendimentos inovadores mostram algumas semelhanças no estilo de liderança. De
modo geral, tendem a ser orientados para tarefa e carismáticos. Além disso, possuem
características e comportamentos pessoais como: forte necessidade de realização;
elevado entusiasmo e criatividade; estão sempre correndo (sempre com muito serviço);
perspectiva visionária; pouca vontade com a hierarquia e burocracia e interesse muito
mais forte em tratar com clientes.

3 LÍDER X GERENTE
Uma das maneiras de explicar o verdadeiro papel e responsabilidade do líder é
comparando o gerente e o líder, pois existem diferenças significativas. Como sabemos,
liderar não significa gerenciar/chefiar, pois existem empresas bem gerenciadas e
pessimamente lideradas, algumas distorções existem quanto se objetiva diferenciar
chefe de líder, pois nem sempre o chefe é um líder e nem tão pouco um líder exerce a
função de chefe.
os administradores precisam ser líderes, mas os líderes precisam
também ser bons administradores. Os trabalhadores precisam ser
estimulados e persuadidos, mas eles também precisam de assistência
no desenvolvimento de um ambiente de trabalho que flua sem
sobressaltos. (CURY, 2000, p.168).

4 LIDERANÇA X BIBLIOTECA
As bibliotecas universitárias, dentro deste contexto, têm sofrido várias
modificações, o que torna necessário o incessante trabalho de revisão das
competências do profissional da informação, que passa a ter um papel chave dentro de
toda e qualquer organização principalmente no que tange as novas formas de gestão.

�As mudanças curriculares, a educação continuada, congressos, simpósios, os
cursos em nível de pós-graduação, estão contribuindo para essa nova postura do
profissional, no entanto, muito ainda tem que ser feito e incorporado por estes
profissionais.
Dentro dessas novas formas de gestão as unidades de informação terão que
contar com lideranças diferenciadas em termos de valores e crenças que estão
habituadas a conviver nos últimos anos, pois muitas organizações estão cheias de
gerentes/chefes e vazias de líderes. Em organizações com vocação castradora da
capacidade de inovar os líderes raramente sobrevivem.
A maioria das unidades de informação estão inseridas num contexto maior,
principalmente no setor público, o que torna difícil o exercício da liderança onde
o profissional sente-se desmotivado, pois os altos salários e os programas de
investimento de valorização de suas competências estão no setor privado que
reconhece a importância da capacidade de liderança.
No entanto, Bacon (1999, p.83) coloca que “o desafio a ser enfrentado pelo setor
público é o desafio de desenvolver e cultivar líderes, apesar das limitações específicas
com que tem que lidar no gerenciamento dos recursos humanos”.

5 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa descritiva do tipo levantamento, pois tem como
objetivo buscar informações de natureza factual de uma instituição em particular,
visando à identificação, caracterização e interpretação do problema em estudo.
Na primeira parte foram utilizados dois tipos de questionários sendo um para os
colaboradores e outro para as chefias. A segunda parte teve como objetivo identificar
quais seriam as características e comportamentos ideais de um líder na ótica dos
colaboradores e também na ótica das chefias. Foram pesquisados 64 colaboradores,
onde 5 pessoas ocupavam o cargo de chefia.

�5.1 AVALIAÇÃO DOS COLABORADORES

Pelos resultados aferidos, pode-se constatar que, para os colaboradores, o estilo
que predomina nas chefias é o estilo democrático. No entanto também foi possível
detectar em algumas divisões outros estilos de liderança, como os estilos autocrático e
“laissez faire”, que oscilou de acordo com as variáveis que foram apresentadas.
Na visão dos colaboradores, ser justo (68%) é uma das características mais
importantes para um líder. Em segundo lugar, ser honesto (58%) foi uma característica
representativa. No entanto, valorizar as pessoas (50%), criar condições para o sucesso
dos colaboradores (42%), ser comunicativo (40%), ser eficiente (34%), competente
(32%), participativo (28%), organizado e sincero (26%), apresentaram percentuais
relevantes na opinião dos colaboradores.

5.2 AVALIAÇÃO DAS CHEFIAS
Na auto-avaliação das chefias, acredita-se estar liderando de maneira
democrática, o estilo "laissez faire" também se fez presente em algumas situações,
porém nenhuma chefia julgou-se ser autocrática.
Para as chefias, ter flexibilidade (80%) é uma das características mais
importantes para um líder; ser honesto, justo, competente, participativo, bom
negociador (60%) vem logo a seguir com um percentual relevante. Um líder eficiente,
comprometido, que assumi riscos, que tem visão de futuro, que é cooperativo, que
envolve o subordinado nas atividades, intuitivo, que cria condições para o sucesso das
pessoas e comunicativo foram características apontadas com um índice de (40%).
Entre as características e comportamentos apontados pelos colaboradores e
pelas chefias evidenciam-se claras divergências de opiniões. No entanto, todas as
características e comportamentos são importantes para que o líder torne-se um líder
ideal.

�Em suma, fica patente que as chefias valorizam muito mais as características e
comportamentos que visam o bom andamento organizacional e administrativo. Para os
colaboradores, revelam-se primordiais as características e comportamentos que
marcadamente privilegiam as relações humanas.
É interessante salientar, que o estilo de liderança

predominante em cada

indivíduo varia de acordo com o ambiente, com as variáveis internas e externas,
maturidade e responsabilidades dos seus liderados, entre outras, o que pode-se
chamar de flutuação de estilos de liderança.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o estudo, podemos perceber que a liderança é um fator importante dentro
de qualquer organização, um “líder surge como um meio para consecução dos objetivos
desejados por um grupo. O grupo pode elegê-lo ou aceitá-lo espontaneamente, porque
ele possui e controla meios como habilidade pessoal, conhecimento, dinheiro etc.", ou
seja, através dele o grupo poderá atingir os objetivos bem como satisfazer suas
necessidades. (CHIAVENATO, 1979, p.164).
Para isso a

biblioteca deverá se preocupar com uma gestão muito mais

dinâmica, onde a presença de líder muitas vezes se fará necessário. Líder é aquele que
tem seguidores, que tem visão e sabe transmitir aos demais as suas metas, é aquele
que produz resultados.
A diversidade de estilos existentes variam de acordo com as situações, são
levados em consideração a realidade do dia-a-dia dos grupos de trabalho das
organizações e as circunstâncias ambientais nas quais se encontram os líderes.
A liderança depende da situação, líderes diferentes e situações diferentes
exigem decisões e comportamentos diferentes.
O resultado da pesquisa mostrou que os colaboradores divergem das chefias em
várias situações e embora os índices apontados não apresentem muita variação no
decorrer das análises, pode-se constatar que: sob a ótica dos colaboradores os estilos

�de liderança das chefias variam em maior grau, apesar da prevalência do estilo
democrático.
Na auto-avaliação das chefias, esta variação se apresenta com menos
significância, elas se apresentam mais auto-condescendentes, considerando-se menos
autocráticas do que julgam seus colaboradores.
Percebeu-se através dos resultados que as chefias possuem uma visão de seus
atos, enquanto para seus colaboradores a forma pela qual estão sendo liderados é
diferente, o que reflete diretamente no alcance dos objetivos da organização. Toda
atuação deve ser dinâmica, variando conforme a maturidade e experiência dos
colaboradores.
A percepção de como as coisas estão sendo encaminhadas deve ser avaliada
pelas chefias constantemente, para que não ocorra divergência, pois as mudanças
também são constantes e estar em sintonia com os colaboradores faz com que a
organização atinja com facilidade e tranqüilidade os objetivos almejados. Também é
necessário criar entre os colaboradores o senso de participação, de responsabilidade
para que líderes (chefes) e colaboradores caminhem juntos em busca da meta proposta
pela organização.

REFERÊNCIAS

BACON, K. Além da capacitação: desenvolvimento de líderes para o setor público.
Revista do Serviço Publico, Brasília, ano 50, n.4, out./dez. 1999.
BARBALHO, C. R. S.; FREITAS, K. A. A. Estilos gerenciais no contexto das bibliotecas:
de instituições de ensino superior em Manaus. Disponível em
http://acd.ufrj.br/sibi/snbu/snbu2002/oralpdf/27.a.pdf Acesso em 18 jan. 2003.
BOYETT, J.; BOYETT, J. O Guia dos gurus: os melhores conceitos e práticas de
negócios. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

�CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. São Paulo: McGraw-Hill, 1979. v.1
CURY, A. Organização e métodos: uma visão holística. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2000.
DAVIS, K.; NEWSTRON, J. W. Comportamento humano no trabalho: uma
abordagem psicológica. São Paulo: Pioneira, 1992.
DUBRIN, A. J. Princípios de administração. 4.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001.
FIEDLER, F. E.; CHEMERS, M. Liderança &amp; administração eficaz. São Paulo:
Pioneira, 1981.
GARDNER, J. W. Liderança. Rio de Janeiro: Record, 1990.
HERSEY, P.; BLANCHARD, K. H. Psicologia para administradores: a teoria e as
técnicas da liderança situacional. São Paulo: EPU, 1986.
KOUSES, J. M.; POSNER, B. Z. O desafio da liderança. Rio de Janeiro: Campus,
1991.
TANNENBAUM, R.; WESCHELER, I. R.; MASSARIK, F. Liderança e organização:
uma abordagem á ciência do comportamento. São Paulo: Atlas, 1970.

∗

Universidade Estadual de Maringá – Paraná – Brasil. liroll@yahoo.com.br
Universidade Estadual de Maringá – Paraná – Brasil. emsjovanovich@uem.br

∗∗

�</text>
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Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Verificou-se os estilos de liderança sob ótica dos subordinados no âmbito de uma biblioteca Universitária. Consistiu em realizar uma reflexão referente ao comportamento do líder, utilizando-se dos estilos clássicos: autocrático, democrático e “laissez-faire”. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados o questionário para verificar os estilos de liderança, características e comportamentos de um líder. A diversidade de estilos existentes variaram de acordo com as situações, levando em consideração a realidade do dia-a-dia dos grupos de trabalho e as circunstâncias ambientais nas quais se encontram os líderes. O estilo predominante sob a ótica dos subordinados e na auto-avaliação das chefias foi o estilo democrático. No entanto houve apontamentos para os estilos autocrático e “laissez faire”.                  </text>
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