<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4850" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/4850?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-07T18:04:58-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3919">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/47/4850/SNBU2006_026.pdf</src>
      <authentication>6d400a7d455dbbe1f310633ccd33b5cb</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="53557">
                  <text>A NORMALIZAÇÃO COMO INSUMO DA DOCUMENTAÇÃO
CIENTÍFICA
FERNANDES, Patricia V. N. D *
SANTOS, Jucilene Oliveira dos **
Faculdade Metropolitana de Camaçari
Rua Eixo Urbano s/n – Centro – Camaçari/Bahia/Brasil
biblioteca@famec.edu.br

RESUMO
Este estudo visa lançar um olhar a respeito da importância da normalização nas
publicações científica, aqui compreendida também por trabalhos acadêmicos
como monografias, dissertações, teses e artigos científicos. No que diz respeito à
documentação cientifica é necessário que haja uma atenção especial em relação
à informação, uma vez que esta, em grande quantidade, necessita de tratamento
e organização adequados para ser recuperada e utilizada com maior facilidade.
Sendo a normalização fundamental para a elaboração de trabalhos acadêmicos
em todas as áreas, deveria, portanto, ser oferecida a disciplina metodologia da
pesquisa científica para todos os cursos de graduação, uma vez que a pesquisa
cientifica não se restringe a determinadas áreas do conhecimento; como também
familiarizar os docentes e discentes com as normas propriamente ditas, em vez
da utilização de livros que nem sempre seguem os padrões da ABNT. Tal
omissão se reflete na pós-graduação, onde, freqüentemente, os discentes
produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções que dificultam o
processo da comunicação científica.
Palavras-chave: Publicações científicas. Normalização de trabalhos acadêmicos.
ABNT. Ciência.

1 INTRODUÇÃO

Nas sociedades contemporâneas, o desenvolvimento de novas tecnologias
da informação e da comunicação vêm trazendo amplos benefícios para o
desenvolvimento dos cursos universitários de um modo geral. As mídias
interativas, utilizadas como recurso de pesquisa acadêmica, tem propiciado o
rápido acesso de informações e dados de investigações. Da mesma forma, o
contato com disciplinas, a exemplo de metodologia da pesquisa científica, ou
mesmo a elaboração de monografia para a conclusão de cursos de graduação e
ou pós-graduação, necessitam de maior utilização dessas mídias. Desta forma, o

�que se observa nos estudantes universitários, mesmo os de pós-graduação, é a
falta de experiência e conhecimento para identificar e usar adequadamente as
fontes de informação disponíveis, assim como para gerenciar o tempo no
processo de seleção das informações consideradas mais importantes, para a
pesquisa e assim poder transformar a informação obtida em conhecimento
sistematizado e tornar o conteúdo das pesquisas em fonte de pesquisa para
terceiros.

Diante destas considerações, este trabalho procura responder a partir da
pesquisa bibliográfica qual a importância das Normas de Informação e
Documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, no
processo de comunicação do conhecimento científico? Como também objetiva
identificar a relevância da padronização na produção cientifica. Como resultado
propõe uma reflexão acerca os possíveis prejuízos para a comunicação do
conhecimento cientifico decorrente da utilização incorreta ou/e não utilização das
normas da ABNT, tal omissão se reflete na pós-graduação, onde freqüentemente,
os discentes produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções
dificultando a comunicação do conhecimento produzido.

Sendo o conhecimento a representação significativa da realidade ele se
apresenta

nas seguintes

formas:

conhecimento

do

senso

comum e

conhecimento científico.

2 O SENSO COMUM

Para Kerlinger (1980) o senso comum constitui de noções superficiais,
gerais e assistemáticas sobre o mundo absorvidas pelo homem enquanto interage
com o mesmo. Este conhecimento vai do hábito à tradição, muitos deles,
aprendemos com os nossos pais que aprenderam com nossos avós, que
desconheciam de qualquer saber científico, e assim por diante, facilitando nosso
dia-a-dia. Seu perigo encontra-se no fato de que nem tudo que se presume, nem

�tudo que se pressupõe, nem tudo que intui como correto ou como errado
realmente o é. Carente de busca das causas, desprovido dos métodos, impotente
pela falta de provas e testemunhas a respeito de algo, suas deficiências logo
despontam como recursos insuficientes para se averiguar uma realidade, um
fenômeno, um sentido... Porém de seu bojo, de suas impressões, de suas
desconfianças surgem as grandes indagações humanas. Caso se possa
discriminar os conhecimentos em fase, certamente esta é a primeira delas em
direção à sapiência humana.
A forma mais usual que o homem utiliza para interpretar a si mesmo, o
seu mundo e o universo como um todo, produzindo interpretações
significativas, isto é, conhecimento, é a do senso comum, também
chamado de conhecimento ordinário, comum ou empírico. (KÖCHE,
1997, p. 26).

O senso comum possui algumas características que lhe são próprias, quais
sejam: é subjetivo, por exprimir sentimentos e opiniões individuais e de grupos,
variando de uma pessoa para outra, ou de um grupo para outro, desta forma
levam a uma avaliação qualitativa das coisas conforme os efeitos que produzem
em nossos órgãos dos sentidos ou conforme os desejos que despertam em nós e
o tipo de finalidade ou de uso que lhes atribuímos; é generalizador, pois, tende a
reunir numa só opinião ou numa só idéia coisas e fatos julgados semelhantes,
devido a essa generalização, tendemos a estabelecer relações de causa e efeito
entre as coisas ou entre os fatos; outra característica forte do senso comum é de
não se surpreender nem se admirar com a regularidade, constância, repetição e
diferença das coisas, mas, ao contrário, a admiração e o espanto se dirigem para
o que é imaginário como único, extraordinário, maravilhoso ou miraculoso, é
exatamente neste ponto que se justifica em nossa sociedade a propaganda e a
moda estarem sempre inventando o extraordinário, o nunca visto; nesta análise
está incluído ainda o caráter utilitarista, pois, o senso comum utiliza geralmente
conhecimentos que funcionam razoavelmente bem na solução dos problemas
imediatos, embora, não se compreenda ou se desconheçam as explicações a
respeito de seu sucesso.

�3 O CONHECIMENTO CIENTÍFICO

O homem é um ser condenado a viver a sua existência, e por ser
existencial, ele tem que interpretar a si mesmo e também o mundo em que vive.
Desta forma ele lhe atribui significações criando intelectualmente representações
significativas da realidade, a esta representação denominamos Conhecimento.
Muito cedo o ser humano sentiu a fragilidade do saber fundamentado na
intuição, no senso comum ou na tradição; rapidamente desenvolveu o
desejo de saber mais e de dispor de conhecimentos metodicamente
elaborados e, portanto, mais confiáveis (LAVILLE, 1999, p. 22).

A investigação científica se inicia quando se descobre que o conhecimento
existente, originário quer do senso comum, quer do corpo de conhecimentos
existentes na ciência, são insuficientes para explicar os problemas surgidos. O
conhecimento prévio que nos lança a um problema pode ser tanto do
conhecimento ordinário quanto do científico.
O espírito cientifico é essencialmente uma retificação do saber, um
alargamento dos quadros do conhecimento. Julga seu passado histórico,
condenando-o. Sua estrutura é a consciência de suas faltas históricas.
Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como retificação histórica de um
longo erro, pensa-se a experiência como a retificação da ilusão comum e
primeira. Toda a vida intelectual da ciência move-se dialeticamente sobre
esta diferencial do conhecimento, na fronteira do desconhecido. A
própria essência da reflexão, é compreender que não se compreendera
(BACHELARD, 1968 apud KOCHE, 1997, p. 23).

O homem quer ir além da realidade imediatamente percebida e lançar
princípios explicativos que sirvam de base para a organização e classificação que
caracteriza o conhecimento. Através desses métodos se obtém enunciados,
teorias, leis, que explicam as condições que determinam a ocorrência dos fatos e
dos fenômenos associados a um problema, sendo possível fazer predições sobre
esses fenômenos e construir um corpo de novos enunciados, quiçá novas leis e
teorias, fundamentados na verificação dessas predições e na correspondência
desses enunciados com a realidade fenomenal, assim, o conhecimento cientifico
é um produto resultante da investigação cientifica.

�Conhecimento cientifico é a manifestação racional humana que busca a
causa dos fenômenos para explica-los, coloca à prova do raciocínio e da
testabilidade empírica as hipóteses formuladas para explicar os
fenômenos que circundam a humanidade, seja em seu aspecto
intrínseco, seja em seu aspecto extrínseco, depositando no método sua
capacidade de se distanciar da mera opinião pessoal, procura
universalizar respostas para satisfazer a inquietações e necessidades
humanas surgidas no inter-relacionamento e da vivencia mundana.
(BITTAR; ALMEIDA, 2002, p. 28).

4 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A ciência é um sistema de conhecimento, a partir do qual cientistas,
através da curiosidade de descobrir o desconhecido (ou mesmo reavaliá-lo
quando já descoberto), têm a idéia de pesquisar a gênese dessas indagações e
curiosidades, ou seja, quer ir além das aparências dos fenômenos, buscando
respostas e tentando sistematizar o conhecimento científico. Essas inquietações
leva-os a um exercício de esforço racional para compreender e agir sobre a
complexidade dos fatos e dos fenômenos, através de observações, métodos e
análises sistemáticas.

A partir do momento em que os cientistas começam as suas investigações,
da formulação do problema até a apresentação dos resultados, já se observa um
longo processo de comunicação entre eles, ou seja, há uma troca de informações
sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos, estimulando debates acerca
das opiniões que poderão ser levantadas sobre as interpretações de assuntos
afins. A essa troca de informações entre si, em que o desenvolvimento da ciência
depende do nível de comunicação estabelecido nesse processo, é dado o nome
de Comunicação Científica, a qual ocorre em todas as etapas da pesquisa,
visando facilitar a disseminação do conhecimento, não só em campos específicos,
mas em toda área do conhecimento e para toda sociedade.
Para Santana (2003) “a construção do conhecimento resulta tanto na
comunicação formal (periódicos e outras publicações), assim como da
comunicação informal (interpessoal, colégios invisíveis)”. Onde o pesquisador é

�ao mesmo tempo produtor e usuário das informações. Ainda conforme Santana
(2003) esses canais, “são considerados, pelo sistema global de informação
técnico-cientifica, como canais básicos de comunicação que se completam, nesse
sistema, para a transferência de informação.”

4.1 CANAIS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A ampla exposição dos resultados de pesquisa ao julgamento da
comunidade científica e sua aprovação por ela propicia confiança nesses
resultados. Por essa razão, todo trabalho intelectual de estudiosos e
pesquisadores depende de um intrincado sistema de comunicação, que
compreende canais formais e informais, os quais os cientistas utilizam tanto para
comunicar os resultados que obtêm quanto para se informarem dos resultados
alcançados por outros pesquisadores. Assim, toda pesquisa envolve atividades
diversas de comunicação e produz pelo menos uma comunicação formal. Na
verdade, uma determinada pesquisa costuma produzir várias publicações,
geradas durante a realização da pesquisa e após o seu término. Tais publicações
variam no formato (relatórios, trabalhos apresentados em congressos, palestras,
artigos de periódicos, livros e outros), no suporte (papel, meio eletrônico e outros),
audiências (colegas, estudantes, público em geral) e função (informar, obter
reações, registrar autoria, indicar e localizar documentos, entre outras). O
conjunto dessas publicações, que chamamos de literatura científica, permite
expor o trabalho dos pesquisadores ao julgamento constante dos seus pares, em
busca do consenso que confere a confiabilidade.

4.1.1 Canais Informais de Comunicação Científica:
A comunicação informal utiliza os chamados canais informais e inclui
normalmente comunicações de caráter mais pessoal ou que se referem à
pesquisa ainda não concluída, como comunicação de pesquisa em andamento,
certos trabalhos de congressos e outras com características semelhantes.

�4.1.2 Canais Formais de Comunicação Científica:
A comunicação formal se utiliza de canais formais, como são geralmente
chamadas as publicações com divulgação mais ampla, como periódicos e livros.
Dentre esses últimos (sic), o mais importante para a comunicação é a literatura
cinzenta: A expressão literatura cinzenta, tradução literal do termo inglês grey
literature,

é

usada

para

designar

documentos

não

convencionais

e

semipublicados, produzidos nos âmbitos governamental, acadêmico, comercial e
da indústria. Tal como é empregada, caracteriza documentos que têm pouca
probabilidade de serem adquiridos através dos canais usuais de venda de
publicações, já que nas origens de sua elaboração o aspecto da comercialização
não é levado em conta por seus editores. A expressão se contrapõe àquela que
designa os documentos convencionais ou formais, ou seja, a literatura branca.
Inicialmente o conceito de literatura cinzenta compreendia apenas os relatórios
técnicos e de pesquisa, e a verdade é que eles constituem, ainda hoje, o material
predominante no conjunto de documentos que a integram, a saber: publicações
governamentais, traduções avulsas, preprints (é nome dado à versão original de
um artigo ainda não publicado oficialmente), dissertações, teses e literatura
originada de encontros científicos, como os anais de congressos. A nãodisponibilidade em esquemas comerciais de venda é sua principal característica.
São geralmente documentos de caráter provisório ou preliminar e reproduzidos
em número limitado de cópias, normalmente inferior a mil exemplares e algumas
vezes muito menos. Não recebem numeração padronizada (ISSN ou ISBN), além
de não serem objeto de depósito legal. Um dos maiores problemas na publicação
de periódicos científicos é o longo tempo que o artigo leva para se tornar
disponível e, portanto, ter possibilidade de ser lido e citado.

A comunidade cientifica exerce a comunicação, tanto nas redes de
organizações como nas relações sociais formais e informais, sendo de grande
importância o papel dessa comunicação, que consiste em assegurar a troca de
informações. Os pesquisadores têm necessidade de se manter em contato com
seus colegas para se informar e informá-los acerca de trabalhos de pesquisa em

�andamento ou concluídos.
Dentre os autores que abordam a Literatura Científica, Ziman (apud
RAMOS, 1994, p. 341) afirma que esta possui, dentre outras, três características
fundamentais:
É fragmentária, é derivativa e é editada. É fragmentária, devido à
veiculação de artigos em periódicos que são, na maioria das vezes,
fragmentos de trabalhos científicos ainda em andamento; é derivativa,
por se apoiar em trabalhos realizados anteriormente, o que é
evidenciado pela utilização de referências e citações; é editada, ou seja,
avaliada, desde a fase de publicação pelos editores e avaliadores
(referees), até a sua circulação em larga escala entre os pares (ZIMAN
apud RAMOS, 1994, p. 341).

Para ter valor, o trabalho científico tem que sair das mãos do seu produtor
e ser divulgado, passando antes por uma avaliação que pode ser feita de várias
maneiras. Para Demo (apud RODRIGUES; LIMA; GARCIA, 1998, p. 148) um dos
critérios pode ser a análise do trabalho sob duas formas: “o seu conteúdo e sua
forma, que ele traduz como qualidade política e qualidade formal”.
Uma certa contribuição científica quando é dada em determinada ciência, é
conhecida

como

qualidade

política

que,

ainda

segundo

Demo

(apud

RODRIGUES; LIMA; GARCIA 1998, p. 148), “coloca a questão dos fins, dos
conteúdos, da prática histórica. Já por qualidade formal, entende-se que é uma
propriedade lógica, tecnicamente instrumentada, dentro de padrões acadêmicos
usuais”, ou seja, o manuseio e uso de dados, capacidade de manusear
bibliografias e também a capacidade de redação e apresentação de trabalhos
escritos como artigos, dissertações, teses e outros, sendo que a qualidade formal
merece uma maior reflexão, pois, muitos trabalhos científicos que vêm sendo
publicados, ao passar pela avaliação, são rejeitados devido a sérios problemas
metodológicos, que podem interferir na qualidade do trabalho científico como um
todo.

�5 A NORMALIZAÇÃO

O fato de que a documentação é secundária em relação ao pensamento
que ela exprime, o qual é primário, conduz, como conseqüência do melhoramento
na apresentação e na publicação dos trabalhos científicos, à melhoria necessária
de todas as operações documentais posteriores.
Nas condições atuais, a produção científica, particularmente a dos
documentos, é livre, salvo exceções. Vela-se ciumentamente sobre essa situação
que tantos esforços custou no correr do tempo; entretanto, no próprio regime de
liberdade, assistimos à intervenção de Associações científicas, de academias e,
nos

níveis

superiores,

a

das

associações

internacionais

(Congressos,

Federações, Institutos, Comissões).
Constantemente intervêm acordos nos planos de pesquisa e de trabalho.
Paralelamente, são elaboradas recomendações, regras, códigos mesmo, que
determinam os métodos comuns a seguir.
É grande o interesse de ver elaborado “um código geral de documentação”,
por intermédio de partes desses diversos códigos, comuns a todos os ramos, ou
suscetíveis de se tornarem.
De acordo com Dantas (1999, p. 26), a normalização se constituiria em um
processo que visa a formulação e a aplicação de regras ou padrões tendo como
objetivo principal sistematizar de forma ordenada uma atividade repetitiva. Ainda
segundo o autor, este processo deve ser “para o benefício e com a cooperação
de todos os interessados e em particular para promoção da economia global,
ótima, levando na devida conta condições funcionais e requisitos de segurança”
(DANTAS, 1999, p. 26).
Normalização, segundo a ABNT (2002) é a “atividade que estabelece, em
relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização
comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado
contexto”. Nesses termos, Cunha aponta que todo pesquisador deve estar
consciente das exigências que a comunidade científica impõe com relação à

�normalização de toda documentação produzida:
Todo trabalhador intelectual precisa aceitar a responsabilidade de
comunicar adequada e amplamente os resultados de seus estudos e
pesquisas, adotando para tanto, a mesma seriedade, dedicação e
disposição de espírito com que encara a responsabilidade de planejar e
executar os estudos e as pesquisas que lhe cabem. (CUNHA, 1973, p.
62.).

A normalização é uma atividade que busca a qualificação de produtos e
serviços, de maneira organizada e padronizada, que o homem, através de
necessidades sociais, usou de sua criatividade para racionalizar e normalizar
situações incômodas que conseqüentemente se transformava em sérios
problemas no seu cotidiano. A normalização, por ser exemplo da própria
natureza, é uma invenção antiga, mas que vem se adequando de acordo com as
transformações sociais e conseqüentemente com as novas necessidades de cada
sujeito sendo esta disseminada através das normas técnicas, que são elaboradas
com vista à produção de bens e serviços que são usadas como ordem,
transformando-se em métodos práticos e até em lei.
A atividade de normalização tem lugar em diversos níveis, de modo a servir
a um propósito específico. Assim sendo, a classificação das normas quanto ao
nível se refere mais ao nível de sua utilização do que de sua elaboração, embora
quase sempre ambos coincidam. As normas podem ser elaboradas em quatros
níveis distintos, conforme sua abrangência:
Internacional - ISO, IEC; Regional - Mercosul, Copant; Nacional -ABNT, DIN,
ANSI, AFNOR, JIS; Empresa - Normas de empresas.

Toda atividade humana de caráter repetitivo supõe o uso de normas, que
visam a simplificar procedimentos, melhorar a comunicação, e no caso do setor
produtivo, garantir maior economia de recursos, prestar segurança à vida,
imprimir qualidade a produtos/bens/serviços, além de facilitar o intercâmbio, de
modo geral. No Brasil, a normalização é uma pratica usual nas áreas odontomédico-hospitalar, de mineração, de transporte, petroquímica, agricultura,
qualidade, só para citar algumas. Na área de documentação, entretanto, ainda é

�desconhecida na sua extensão e utilidade, sendo comumente alvo de muitas
dúvidas por parte dos pesquisadores e professores. Entenda aqui normalização
como o conjunto de procedimentos padronizados que se aplicam à elaboração de
documentos técnicos e científicos, de modo a induzir e retratar a organização de
seu conteúdo.

6 NORMALIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO CIENTÍFICA

No que diz respeito à documentação é necessário que haja uma atenção
especial em relação à informação, uma vez que esta, em grande quantidade,
necessita de um tratamento e organização adequados para ser recuperada e
utilizada com maior facilidade. Com a normalização isso se torna ainda mais
simples, pois, permite uma economia geral de esforços no tratamento da
informação, facilita a troca de informações, contribui para reduzir as dificuldades
econômicas e técnicas que se opõem à livre circulação da informação, tornando
possível uma melhora na qualidade dos serviços informacionais, através da
adoção de normas bem elaboradas.
Áreas de normalização no uso da informação:
a) No controle bibliográfico - possibilita que os materiais
bibliográficos como: catálogos de bibliotecas, as bibliografias nacionais
etc., sejam vastamente compreendidas e utilizadas.
b) Na análise e recuperação de assuntos (informação) - incluindo
também cabeçalhos de assuntos, tesauros, indexação e resumos e outros.
c) Na informação bibliográfica legível por máquina - por ser
essencial abrangendo o uso de equipamentos, a constituição de redes, a
interconexão de sistemas e também o modelo dos formatos bibliográficos
utilizados.
d) No gerenciamento de coleções documentais - deve ser
aplicada em algumas atividades da política de desenvolvimento de
coleções como: aquisição, armazenamento e segurança da preservação

�dos documentos, nos requisitos de espaço, entre outros.
e) Na preparação da informação - é necessário que a pontuação, o
uso de abreviações e a inclusão de referências, sejam normalizados na
apresentação ou publicação de informações.
f) Na apresentação e organização de textos - é necessário
também que haja normalização no modo ou forma de apresentar o texto;
no uso de citações e notas, na indexação e na leitura de provas.
g) Na produção /reprodução de documentos - a normalização é
necessária independente do formato onde se encontra a informação:
impressa, audiovisual ou meio eletrônico.
h) Na organização de sistemas e serviços de informação - a
utilização de normas devem ser aplicadas a políticas de informação, ao
planejamento e organização de serviços e redes, à educação, ao
treinamento e a avaliação de pessoal, tanto no gerenciamento como na
administração de serviços de informação.

A

documentação

cientifica

apresenta

três

processos:

construção,

comunicação e uso, que se sucedem e se alimentam, reciprocamente, do
comportamento dos cientistas, das suas necessidades e da utilização da
informação. Trata-se, portanto, da construção dos conhecimentos científicos e
tecnológicos, que, por sua vez registrados, em forma escrita ou oral, impressa ou
digital resultarão em informações cientificas e tecnológicas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nós humanos, seres culturais pensantes, racionais, elaborantes, somos os
construtores/produtores do conhecimento. Cabe à linguagem, especialmente a
escrita, fundamental papel de registrar, preservar e difundir o conhecimento,
resgatando-o perpetuando-o como informações, devidamente codificadas.
O papel das Instituições de Ensino Superior – IES, consubstanciado nos

�cursos de graduação e pós-graduação é a formação de profissionais
competentes, éticos e criativos, que sejam capazes, minimamente, de pesquisar e
elaborar, são esses os predicados/objetivos essenciais ao metabolismo
acadêmico. Para realizar esses predicados/objetivos com efetividade, digo,
eficiência associada à eficácia é necessário o uso de normas e ritos para sua
elaboração, apresentação, encaminhamento e desenvolvimento. Apresentar aos
pares e à sociedade os resultados do que foi perquirido, investigado ou
pesquisado é a etapa natural, seqüencial aquela imprescindível à atividade
acadêmica. A mais universal e aceita forma de fazê-lo é através da elaboração de
textos científicos escritos.

As

múltiplas

percepções/concepções

de

mundo,

o

domínio

do

conhecimento em diferentes campos do saber e a prática de metodologias
adequadas e apropriadas, levam a adoção de caminhos próprios ou a utilização
de diferentes referenciais na elaboração e publicação de trabalhos científicos. Na
maioria das vezes esses procedimentos desencontrados, e muitas vezes
contraditórios, conduzem a confusões que desanimam os sujeitos envolvidos no
processo da aprendizagem, fragilizando o saber em si. É evidente que a busca da
normalização pela fonte geradora da informação – ABNT, não se dá de forma
sistemática e habitual, o que se vê com freqüências são livros de metodologia
cientifica onde cada autor determina de forma aparentemente aleatória os seus
critérios para a elaboração de trabalhos acadêmicos.

Podemos concluir que as normas e parâmetros rigorosos de notação,
referenciamento e citação permitem o cumprimento da função crucial da
comunicação cientifica, pois, esta padronização de regras facilita a identificação
de autores e de obras, viabilizando a localização das fontes primárias. Portanto,
deveria ser oferecida a disciplina metodologia da pesquisa científica para todos os
cursos de graduação, uma vez que a pesquisa cientifica não se restringe a
determinadas áreas do conhecimento; como também familiarizar os docentes e
discentes com as normas propriamente ditas, em vez da utilização de livros que
nem sempre seguem os padrões da ABNT.

�THE NORMALIZATION AS INSUMO OF THE SCIENTIFIC DOCUMENTATION

ABSTRACT
This study it aims at to launch a look regarding the importance of the normalization
in publications scientific, understood here also for academic works as scientific
monographs, dissertações, teses and articles. Therefore, in what it says respect to
the cientifica documentation is necessary that has a special attention in relation to
the information, a time that this, in great amount, needs treatment and
organization adjusted to be recouped and used with bigger easiness. Being the
basic normalization for the elaboration of academic works in all the areas, would
have, therefore, to be offered discipline it methodology of the scientific research for
all the graduation courses, a time that the cientifica research does not restrict the
definitive areas of the knowledge; as well as to make familiar the professors and
learning to norms properly said, instead of the book use that nor always follows
the standards of the ABNT. Such omission if reflects in the after-graduation,
where, frequently, the learning produce texts, articles, dissertações and teses with
incorreções that make it difficult the process of the scientific communication.
Key - Word: Cientificas publications. Normalization of academic works. ABNT.
Science.

�REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724. Informação
e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
BITTAR, Eduardo C. B; ALMEIDA, Guilherme Assis de. Curso de filosofia do
direito. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
CUNHA, Lélia Galvão Caldas da. Normalização de originais. Ciência da
Informação, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 59-63, 1973.
DANTAS FILHO, João Frutuoso. Noções básicas de normalização técnica.
Belém: UFPA, 1995.
KERLINGER, Fred Nichols. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um
tratamento conceitual. São Paulo: EPU, 1980.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia cientifica: teoria da
ciência e iniciação à pesquisa. 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de
metodologia da pesquisa em ciências humanas. Belo horizonte: artmed, 1999.
RAMOS, Marcos Gonçalves. Modelos de comunicação e divulgação
científicas: uma revisão de perspectivas. Ciência da Informação, Brasília, v. 23,
n. 3, p. 340/348, set./dez. 1994.
RODRIGUES, Mara Eliane Fonseca; LIMA, Márcia H. T. de Figueredo; GARCIA,
Márcia Japor de Oliveira. A normalização no contexto da comunicação científica.
Perspectiva Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 3, n. 1, p. 147 a 146,
jul./dez. 1998.
SANTANA, Celeste Maria de Oliveira. “Colégios invisíveis” e gatekeepers da
ciência em uma comunidade científica de doenças infecciosas e parasitárias na
Bahia. In.____Informação: contextos e desafios. Salvador: instituto de Ciência da
Informação. Programa de pós-Graduação em Ciência da Informação, 2003.
p.101-117.

_______________________________
* Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia; Especialista em
Metodologia da Pesquisa Científica; Bibliotecária da Faculdade Metropolitana de Camaçari e Bibliotecária
da Empresa Gráfica da Bahia.
** Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal da Bahia; Especialista em
Metodologia da Pesquisa científica; Bibliotecária da Faculdade Metropolitana de Camaçari e Coordenadora
das bibliotecas públicas de Camaçari.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="47">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51378">
                <text>SNBU - Edição: 14 - Ano: 2006 (UFBA - Salvador/BA)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51379">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51380">
                <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51381">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51382">
                <text>UFBA</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51383">
                <text>2006</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51384">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51385">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51386">
                <text>Salvador (Bahia)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53540">
              <text>A normalização como insumo da documentação científica.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53541">
              <text>Fernandes, Patrícia V. N. D.; Santos, Jucilene Oliveiras dos</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53542">
              <text>Salvador (Bahia)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53543">
              <text>UFBA</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53544">
              <text>2006</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53546">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53547">
              <text>Este estudo visa lançar um olhar a respeito da importância da normalização nas publicações científica, aqui compreendida também por trabalhos acadêmicos como monografias, dissertações, teses e artigos científicos. No que diz respeito à documentação cientifica é necessário que haja uma atenção especial em relação à informação, uma vez que esta, em grande quantidade, necessita de tratamento e organização adequados para ser recuperada e utilizada com maior facilidade. Sendo a normalização fundamental para a elaboração de trabalhos acadêmicos em todas as áreas, deveria, portanto, ser oferecida a disciplina metodologia da pesquisa científica para todos os cursos de graduação, uma vez que a pesquisa cientifica não se restringe a determinadas áreas do conhecimento; como também familiarizar os docentes e discentes com as normas propriamente ditas, em vez da utilização de livros que nem sempre seguem os padrões da ABNT. Tal omissão se reflete na pós-graduação, onde, freqüentemente, os discentes produzem textos, artigos, dissertações e teses com incorreções que dificultam o processo da comunicação científica.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68354">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
