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                  <text>OFICINAS PEDAGÓGICAS : CAMINHOS PARA
INTERAÇÃO ENTRE BIBLIOTECÁRIOS E PROFESSORES

Rosemary Passos∗
Gildenir Carolino Santos∗∗

RESUMO
A atuação do bibliotecário no contexto educacional das instituições de ensino
superior vem sendo assimilada gradativamente, em decorrência da necessidade
emergente de capacitação de usuários na utilização de ferramentas e suportes de
recuperação de informação, bem como a própria normalização de trabalhos
técnico-científicos. Os estudantes universitários necessitam adquirir habilidades e
domínio sobre as ferramentas de pesquisa, como principio básico da atividade de
pesquisa desenvolvida na graduação. As condições para esse aprendizado
podem ser proporcionadas por um ambiente de aprendizagem onde se torne
possível através do exercício de comunicação e colaboração entre dois
profissionais – professores e bibliotecários. Nesse ambiente de integração se
insere a figura do profissional da informação, como mediador entre ferramentas
de pesquisa, e a prática docente em sala de aula, em laboratórios de informática
e na própria biblioteca. O presente estudo descreve experiência realizada na
Faculdade de Educação da UNICAMP, por solicitação da Coordenação de
Pedagogia, com alunos de graduação no final do curso, que receberam
orientações específicas com os bibliotecários da Faculdade, para realização dos
Trabalhos de Conclusão de Curso, e apresenta a análise do relacionamento entre
profissionais, professores e bibliotecários no contexto educacional.
PALAVRAS-CHAVE: Professores. Bibliotecários. Relações. Educação. Oficinas
Pedagógicas. Usuários. Capacitação.

1 HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO

A Biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de
Campinas (BFE/UNICAMP) foi fundada em 1972, inclui-se dentre as 20 (vinte)
bibliotecas que fazem parte do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU),
compreendendo as áreas de Ciências Humanas, Exatas e Tecnologia e 1 (uma)
Biblioteca Central (BC).

�Atualmente seu acervo1 é composto por:
Quase 42.000 (quarenta e dois mil) volumes de livros especializados na
área.
1.374 (mil trezentos e setenta e quatro) títulos de títulos de periódicos
nacionais e estrangeiros correntes e não correntes.
110.000 (cento e dez mil) microfichas do Sistema ERIC.
2.535 (dois mil e quinhentas e trinta e cinco) dissertações e teses
impressas.
500 (quinhentas) teses e dissertações digitais.
No ano de 2002, a BFE/UNICAMP recebeu novas instalações, passando a
ocupar um prédio de três andares com 1.668 m2, constituindo assim a mais nova
biblioteca do campus, permitindo assim maior participação no contexto da
pesquisa acadêmica.
Do total de 42.000 (quarenta e dois mil) volumes, 10.000 (dez mil) volumes
pertencem à coleção do Prof. Dr. Maurício Tragtenberg, adquirida com recursos
da Reitoria da Universidade.
A coleção passa atualmente por um processo de higienização foi
totalmente catalogada e está à disposição do público apenas para consulta, pois
se trata de uma coleção especial.
A BFE/UNICAMP conta com um quadro de funcionários especializados e
capacitados a atender toda clientela no período letivo de segunda à sexta em
horário letivo das 8h às 22h45 min, e aos sábados das 9h às 12h45 min,
permitindo o bom funcionamento de suas atividades.
A BFE/UNICAMP, através de projetos aprovados e financiados pela
FAPESP, conseguiu reformular toda a infra-estrutura da biblioteca, com a
aquisição de novos mobiliários da área de pesquisa e administrativa, bem como
equipamentos de informática, voltados para o acesso às bases de dados, e às
1

Dados extraídos do website da BFE/UNICAMP – http://www.bibli.fae.unicamp.br

�consultas locais, além de fornecer subsídios para a área administrativa. Neste
projeto FAPESP de infra-estrutura para a biblioteca, toda rede lógica de
informática, na BFE/UNICAMP, também foi beneficiada.
Com a melhoria de toda sua infra-estrutura, a BFE/UNICAMP adquire
condições de investir na divulgação da produção científica dos grupos de
pesquisa que compõem a Faculdade de Educação, através de sua revista digital
ETD – Educação Temática Digital2 com cadastro no IBICT (ISSN – 1517-3925), o
que possibilita o intercâmbio de informações entre a comunidade interna e
externa, contando atualmente com 10 (dez) fascículos já publicados. (SANTOS;
PASSOS, 2002).
Nesse contexto, a BFE/UNICAMP tem desenvolvido satisfatoriamente o
papel que cabe às bibliotecas universitárias, promovendo a disseminação de
informações, colaborando na construção de novos conhecimentos, tornando-se
uma base para a consolidação do processo de ensino e aprendizagem.

2 BIBLIOTECA COMO EXTENSÃO DA SALA DE AULA

A biblioteca por ser um serviço acadêmico está em função do corpo
docente e discente, complementando e ampliando o trabalho nas salas de aula,
ao facilitar e estimular o estudo, pesquisas em todos os níveis, na forma de
docência,

para

o

aperfeiçoamento

dos

alunos

(ALESSI,

1984).

Como

complemento das atividades desenvolvidas em sala de aula, é necessário que
alunos e professores se apropriem dos recursos oferecidos pela biblioteca.
“Diante da biblioteca ou feira de informações empacotadas com rótulos
sedutores à caça do leitor, é preciso educar para a seleção, discernimento, busca
de pertinência e contribuições para ampliação do conhecimento”. (SOARES,
2000, p.78).

2

Acesso ao periódico ETD – Educação Temática Digital: http://www.bibli.fae.unicamp.br/etd/index.html

�A princípio para que se introduza programas de estímulo a utilização da
biblioteca é necessário que se crie a necessidade de recorrer a ela. (NOGUEROL,
1999).
Para Noguerol (1999, p.5) a sala de aula é uma instituição de
aprendizagem, onde se realizam o intercâmbio oral de informações entre os
componentes da comunidade escolar. “Nesse intercâmbio se localizam a
captação, a elaboração e a comunicação da informação, atividades básicas para
aprendizagem”.
A biblioteca inclui-se como componente da comunidade escolar, nela
encontramos alternativas educacionais para localizar informações necessárias a
realização de pesquisas acadêmicas, acondicionadas em diferentes suportes e
localizadas através de diferentes ferramentas. (BARROS, 1987).
Assim sendo, para que a biblioteca desempenhe seu papel como agente
de transformação sócio – cultural - política, necessita se estabelecer, oferecendo
propostas, fazendo parte de grupos estruturados na comunidade, procurando
ousar em seu conteúdo e em sua forma de programação de apoio cultural científico e técnico, deve se tornar visível para a sua comunidade. (SOUZA,
1993).
Stahl (1997, p.294), comenta que os alunos necessitam adquirir
habilidades e domínio sobre as ferramentas de pesquisa, como sendo parte da
educação básica. Esse preparo proporciona maior acesso ao conhecimento e
preparo “para uma vida de aprendizagem e descoberta”, e essas condições
podem ser proporcionadas por um ambiente de aprendizagem em que ocorra o
ensino e a pesquisa, nos quais é possível exercitar a comunicação e a
colaboração de profissionais.
É, portanto, nesse ambiente de integração e colaboração que se insere o
profissional bibliotecário, como mediador entre as ferramentas de pesquisa, e a
prática docente em sala de aula, em laboratório de informática e na biblioteca.

�3 ASPECTOS DA ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO EM SALA DE AULA

Cada vez mais o bibliotecário está presente em sala de aula atuando como
colaborador no processo de ensino e aprendizagem. Essa posição, assumida pelo
profissional da informação, acontece até como uma exigência, pois não é mais
possível trabalhar apenas um segmento da Biblioteconomia, optar pelos
processos técnicos ou pela referência, estão sendo exigidos do profissional da
informação novas posturas profissionais.
A atuação do bibliotecário no contexto educacional, das instituições de
ensino superior, vem sendo assimilada gradativamente, em decorrência da
necessidade emergente de capacitação de usuários na utilização de ferramentas
e suportes de recuperação de informação, bem como a própria normalização de
trabalhos técnicos científicos.
Nesse ministério, o bibliotecário é o educador que maior tempo dedica aos
estudantes, mantendo um pessoal permanente à disposição para ensinar,
orientar, guiar e ajudar os alunos em seus estudos. (ALESSI, 1984).
Inicialmente, entre espaços e lugar, coloca uma distinção que
delimitará um campo. Um lugar é a ordem (seja qual for) segundo
a qual se distribuem elementos nas relações de coexistência. Aí
se acha, portanto excluída a possibilidade, para duas coisas, de
ocuparem o mesmo lugar. Aí impera a lei do ‘próprio’: os
elementos considerados se acham uns aos lado dos outros. Cada
um situado num lugar ‘próprio’ e distinto que define. Um lugar é,
portanto uma configuração instantânea de posições. Implica uma
indicação de estabilidade .(CERTEAU, 2002, p.201).

Refletindo sobre as palavras de Certeau (2002), encontramos a
configuração do pensamento que predomina sobre uma das dificuldades
encontradas pelo profissional bibliotecário, para que a sua figura seja associada
além do ambiente físico da biblioteca, pois o trabalho do bibliotecário quando
extrapola o balcão de atendimento, tende a ser visto com certa reserva, ainda que
por uma minoria.

�O lugar do bibliotecário é a biblioteca, o lugar do professor é a sala de aula,
essa concepção radical não pode ser aceita no momento em que se discute a
interdisciplinaridade entre profissionais, e principalmente

a socialização de

conhecimentos.
Silva (2001, p.67-68) refere-se a esta situação quando comenta que a:
Imagem do bibliotecário, na mente dos professores está
associada a de almoxarife, escrevente policial, que apenas
cumpre aquilo que as normas determinam”. O autor também
ressalta que os professores costumam “colocar a biblioteca e os
bibliotecários em uma posição subalterna à margem do processo
educativo, devendo, por isso mesmo, cumprir e nunca questionar
procedimentos oriundos da escola.

O comentário do autor, em sua obra, é pertinente, no sentido de alertar aos
profissionais bibliotecários, sobre a imagem que refletem perante profissionais
que compartilham o mesmo local de atuação profissional. E também um modo de
provocar uma reação sadia no profissional bibliotecário, para que este assuma
com segurança o papel de educador que lhe cabe, tornado-se um colaborador,
um parceiro do professor. Desse modo reverte-se um estereótipo, que só a ação
e demonstração de capacidade do profissional da informação poderão modificar.
Em sua tese de doutorado Santoro (2001), traz um relato sobre os
questionamentos feitos por docentes, com relação à atuação do profissional
bibliotecário em uma disciplina formal na Pós-Graduação.
Segundo a autora “regra geral, o bibliotecário é visto como um funcionário
capaz de atuar especificamente na organização interna da biblioteca”. Todavia a
responsabilidade social deste profissional em socializar a informação só é
efetivada “quando esse profissional sai do seu espaço para divulgar a informação
organizada e armazenada, junto à comunidade que atende.” (SANTORO, 2001,
p.68).
Para que o bibliotecário se torne um “agente das práticas educativas” em
sua totalidade, precisa superar a “concepção utilitarista” da biblioteca, colocando
maior ênfase no “caráter político e educativo do trabalho biblioteconômico”,
fazendo com que aflore as “funções sociais do bibliotecário”, persistindo em

�projetos de atuação, como foi o proposto pelas oficinas pedagógicas da
BFE/UNICAMP,

e

adequar

“procedimentos

pedagógicos”

que

possuam

características do contexto em que está inserida sua biblioteca. (SILVA, 2001,
p.74-75).
Professor e bibliotecário um ao lado do outro, [...] “... cada um situado num
lugar próprio e distinto que define. Um lugar é, portanto uma configuração
instantânea de posições. Implica uma indicação de estabilidade” (CERTEAU,
2002, p.201). Essa indicação de estabilidade que precisa ser modificada no
sentido de que prevaleça a consciência de ambos sobre a responsabilidade no
processo de aprendizagem.
Silva (2001, p.69) fala sobre o “divórcio existente entre esses profissionais”,
comparando-os a “duas linhas paralelas, que enrijecidas, nunca vão se cruzar”,
estabelecendo assim dificuldades para que esforços sejam compartilhados e
ações realizadas na promoção da formação de cidadãos que dependem desses
dois profissionais.
Para que o quadro, exposto possa ser alterado, é que a BFE/UNICAMP
vêm investindo na experiência de realizar oficinas pedagógicas, a qual
descrevemos a seguir. O princípio básico da instituição das oficinas na Faculdade
de Educação da UNICAMP (FE/UNICAMP) é salientar a importância da interação
entre professor e bibliotecário, na formação de professores, procurando
segmentar uma nova forma de procedimento e de atuação desses profissionais.

4 CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS

Em 1996, isto é, após 24 anos de sua fundação, a BFE/UNICAMP iniciou
suas atividades de capacitação de usuários, oferecendo um curso de
Normalização e Orientação Bibliográfica, aplicado por profissionais bibliotecários,
que foi solicitado por alunos da pós-graduação, e contou com a participação de
alguns alunos da graduação.

�A aceitação do curso foi muito boa, por ser a primeira vez que a biblioteca
se propunha a desenvolver tal atividade. A importância do curso foi percebida,
porque os alunos de graduação e pós apresentavam dúvidas e dificuldades
quanto ao uso de normas e padronização dos trabalhos técnicos científicos.
Com a aplicação dos cursos, aumentou o interesse de professores e
alunos com relação à aprendizagem da normalização de trabalhos técnicos
científicos, bem como aumento da demanda na utilização dos serviços oferecidos
pela biblioteca.
Além das visitas orientadas realizadas na BFE/UNICAMP, oferecidas aos
alunos ingressantes, os professores passaram a solicitar a aplicação do curso
através de ofício encaminhado à direção da biblioteca, dessa forma a BFE passou
a atender os 5 (cinco) Departamentos da Faculdade de Educação que se
subdivide em 35 grupos de pesquisa.
Com o incremento das bases de dados on-line, CDs para consultas
bibliográficas e automatização dos catálogos coletivos, a biblioteca desenvolveu
cursos para pesquisa na Internet e acesso a base de dados, todos direcionados
às necessidades específicas de cada grupo solicitante.
O desenvolvimento desta atividade começou a ir além do ambiente da
biblioteca, ou seja, em sala de aula, no laboratório de informática da Faculdade,
nas salas de reuniões, a presença dos bibliotecários da BFE/UNICAMP começou
a ser notada.
Outro fator relevante é que a partir das necessidades apresentadas pelos
alunos, a BFE/UNICAMP foi construindo suportes e ferramentas de recuperação
de informação, compondo uma página com links direcionados a área educacional,
bases de dados locais de interesse de nossa comunidade usuária.
O encaminhamento das atividades de capacitação de usuários ganhou um
aspecto “formal” pela primeira vez no ano de 2000, quando a Coordenação de
Pedagogia solicitou aos bibliotecários da BFE a elaboração de uma proposta de
trabalho para realização de atividades com alunos de graduação em fase de
elaboração do trabalho de conclusão de curso.

�O projeto para implantação de oficinas pedagógicas previa orientação e
atendimento aos alunos com referência a questões de estruturação e
normalização de monografias, ressaltamos que as atividades foram realizadas
sob a Coordenação da coordenadora da Graduação em exercício na época.
“Por suas intenções e convicções, muitos projetos gestados e postos em
prática pela biblioteca podem ser considerados educacionais, mesmo que a sua
denominação não explicite essa característica.” (BARROS, 1987, p.33).
A denominação de “oficinas pedagógicas” foi escolhida pela Coordenadora
para que justamente prevalecesse o aspecto informal da atividade, e assim
fossem evitados quaisquer imprevistos para que o projeto não se realizasse.
Alguns fatores negativos puderam ser observados durante a implantação das
oficinas, mas isso não foi impedimento para que elas acontecessem, dentre os
mais significativos citamos:
Questionamentos quanto à relevância do conteúdo aplicado nas
oficinas.
O aspecto informal atribuído às oficinas.
A não obrigatoriedade na freqüência dos alunos.
Dificuldade na aplicação de normas da ABNT3, nos trabalhos de
conclusão de seus alunos.
É importante salientar as dificuldades encontradas na implantação do
projeto das oficinas, para que possamos refletir a concepção da real importância
das palavras colaboração, interação, participação aplicadas em Instituições de
Ensino Superior.
De acordo com o documento elaborado pela Comissão Internacional sobre
a Educação para o século XXI – UNESCO, conhecido como “Relatório Jacques
Delors”, elaborado em 1993 por especialistas de diversos países, indica que as
“aprendizagens que serão pilares da educação nas próximas décadas, por serem
vias de acesso ao conhecimento e ao convívio social democrático [serão]:
3

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

�aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser.”
(REFERENCIAIS..., 1998, p.25).

Aos profissionais envolvidos na área

educacional o “aprender a viver junto” necessita ser um exercício diário, e essa
prática pode ser observada durante a aplicação das oficinas.

5 CONSTITUIÇÃO DAS OFICINAS PEDAGÓGICAS

A palavra oficina traz em sua concepção um significado privilegiado, pois
as oficinas possuem uma função integradora,
Complexa e reflexiva, em que a teoria e a prática se unem como
uma força – motriz do processo pedagógico, orientado para uma
comunicação constante com a realidade social e com uma equipe
de trabalho dialógica, na qual cada um é um membro da equipe e
traz seus aportes específicos. (MEDIANO, 1997, p.104-105)4.

Essa integração entre um grupo pode converter as oficinas no lugar onde
ocorre o vínculo entre pessoas, maior participação e comunicação, local de
produção social, de fatos e de conhecimentos. (MEDIANO, 1997).
As oficinas são compostas por três instâncias básicas: trabalho de campo,
processo pedagógico e a relação teoria e prática. No trabalho de campo está a
resposta às necessidades e demandas que surgem da realidade na qual se está
trabalhando

ou

se

vai

trabalhar.

O

processo

pedagógico

analisa

o

desenvolvimento do aluno diante de sua vivência com o grupo, e na relação teoria
e prática temos a aproximação desses dois elementos concretizados nas ações
decorridas a partir das oficinas. (MEDIANO, 1997, p.106).
Na

experiência

realizada

na

BFE/UNICAMP,

observamos

o

desenvolvimento das três instâncias. O grupo de alunos que optou em freqüentar
as oficinas, obteve um rendimento diferenciado dos que não freqüentaram. Além
da elaboração da estrutura física do trabalho final, acrescentou-se a oficina uma
atividade que contemplava a postura adequada para apresentação do trabalho de

4

Cf. BETANCOURT, AM. El taller educativo. Santafé de Bogotá : Gente Nueva, 1991.

�conclusão diante da banca julgadora, onde os profissionais bibliotecários
contaram com a participação de um profissional formado em relações públicas.

6 DESCRIÇÃO DO PROJETO DE OFICINAS PEDAGÓGICAS

São atividades destinadas a oferecer as bases fundamentais, os princípios
e os instrumentos necessários e adequados à iniciação científica, oferecendo
capacitação suficiente aos alunos de graduação, para o prosseguimento de suas
atividades na pós-graduação.

6.1 JUSTIFICATIVA

O referido projeto se faz necessário, no sentido de oferecer um
aprofundamento

prático

quanto

às

questões

e

aplicações

de

técnicas

metodológicas e de orientação dos trabalhos técnico - científicos dos alunos,
assim como estabelecer normas de padronização comuns a todas as disciplinas
do curso de pedagogia, fazendo com que dessa forma a transmissão de
informações relativas a área de Metodologia Científica ocorra de maneira
uniforme.

6.2 OBJETIVOS

•

Proporcionar conhecimentos, desenvolver habilidades teóricos/práticas e
formar atitudes que capacitem o aluno a empregar o instrumental comum
aos acadêmicos, como pesquisadores iniciantes na pesquisa científica.

•

Compreender a importância da produção e divulgação de conhecimentos;

•

Utilizar princípios e normas metodológicas.

•

Elaborar e estruturar projetos, trabalhos e pesquisas científicas.

�6.3 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

•

Elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso.

•

Elaboração de Relatório Técnico Científico.

•

Elaboração de Referências Bibliográficas.

•

Elaboração de Citações Bibliográficas.

•

Orientação à Pesquisa Científica.

•

Ferramentas e Suportes Eletrônicos utilizados na pesquisa bibliográfica.

•

Apresentação de trabalhos científicos.

•

Realização de eventos (seminários, workshop, etc).

6.4 CARGA HORÁRIA

24 (trinta e seis) horas/aula

A convivência do grupo durante o período das oficinas, os resultados da
avaliação feita pela Coordenação de Graduação da FE/UNICAMP, foram
definitivos para que os bibliotecários da BFE/UNICAMP tivessem a confirmação
de que a atuação do profissional da informação também deve acontecer além da
biblioteca.
As oficinas da BFE/UNICAMP continuam a ser oferecidas, de acordo com a
necessidade apresentada para cada grupo de pesquisa, utilizando-se também, de
alguns módulos que compõem o Curso de Capacitação oferecido pelo Sistema de
Bibliotecas da UNICAMP (SBU).

As oficinas foram construídas como um

ambiente neutro, onde o profissional bibliotecário tem a oportunidade de estender
o seu espaço restrito a biblioteca.

�A crescente demanda de solicitação dos cursos, oferecidos pela
BFE/UNICAMP, ainda não foram suficientes para que esta atividade fosse
formalizada como disciplina, o que poderia apresentar um ganho para a
Faculdade de Educação.
A iniciativa em estruturar uma Oficina Científica de Graduação em
Pedagogia, vem de encontro às necessidades de alunos, professores e
bibliotecários, na perspectiva de promover a divulgação da informação
organizada, bem como conciliar a adequação de procedimentos pedagógicos,
trazendo

aspectos

significativos

ao

propósito

maior

da

universidade,

ensino/pesquisa/extensão. A parceria e colaboração entre vários profissionais
demonstram a preocupação presente na busca do ensino com qualidade.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A FE/UNICAMP tem sido um referencial importante no contexto
educacional da cidade de Campinas. Destaca-se principalmente o apoio que tem
oferecido através de cursos de extensão aos professores da Rede Municipal de
Educação, sendo que muitos são formados nesta Faculdade.
Dessa forma podemos sentir a preocupação e responsabilidade da
Coordenação de Pedagogia da FE, em contribuir para a educação continuada de
seus futuros professores.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, ficou notória a necessidade de
uma participação maior do bibliotecário junto ao professor em sala de aula,
colaborando no processo de ensino e aprendizado de seus alunos, no que se
refere à utilização de recursos para a recuperação da informação, e também a
estruturação dos trabalhos técnicos científicos, desenvolvidos no decorrer da
graduação.
A biblioteca e os bibliotecários utilizam-se de meios alternativos (oficinas,
cursos de capacitação, visitas orientadas) para se aproximar da sala de aula e
levar um pouco do conhecimento que é primordial na academia, que são os

�procedimentos de busca de informações, seleção de documentos, estruturação
de trabalhos científicos que auxiliam na produção científica do ensino superior.
Atualmente esses cursos são vistos como atividades oferecidas pelas
bibliotecas como complementação dos serviços por elas oferecidos, possuem um
caráter informal. Não são encarados com a obrigatoriedade necessária no que
concerne a responsabilidade das instituições de ensino superior na produção
científica de pesquisas relevantes e com qualidade exigidas pelas agências que
fomentam o desenvolvimento científico e tecnológico nessas instituições.
Esse fato faz com que muitas vezes as iniciativas das bibliotecas, em
buscar essa aproximação, não sejam vistas com seriedade e entusiasmo por
alguns, como sentimos quando iniciamos a atividade de capacitação com as
“oficinas pedagógicas” na BFE, isso muitas vezes acaba com o estímulo do
bibliotecário que sufoca e inibi dentro de si a sua identidade de educador.
A tarefa de construir uma oportunidade, para que haja o reconhecimento
da necessidade de efetivação de uma disciplina na grade curricular, que
contemple os aspectos relacionados à informação, biblioteca e serviços, é árdua e
exige

perseverança.

Essa

oportunidade

só

surgirá

se

os

profissionais

bibliotecários se colocarem como colaboradores do processo de ensino e
aprendizagem.
Através das solicitações dos professores, da Coordenação de Pedagogia,
para a aplicação do curso de capacitação de usuários, estamos construindo aos
poucos um relacionamento mais interativo que possa realmente contribuir para a
formação de professores autônomos nas questões informacionais, e através
desta participação junto ao corpo docente e discente da FE/UNICAMP, buscamos
construir a nossa identidade profissional dentro no contexto de nosso trabalho,
nos capacitando e qualificando, para a consolidação de nossa profissão, como
profissional da informação.
REFERÊNCIAS
ALESSI, C. Análise e caracterização do ensino da disciplina “Orientação
Bibliográfica” dos cursos de pós-graduação no país. 1984. 154f. Dissertação

�(Mestrado) – Pós Graduação em Biblioteconomia, Pontifícia Universidade Católica
de Campinas, Campinas, SP, 1984.
BARROS, M.H.T.C. Presença de elementos pedagógicos nos serviços
biblioteconômicos. 1987. 243f. Dissertação (Mestrado) – Pós Graduação em
Biblioteconomia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, SP.
CERTEAU, M. A invenção do cotidiano: artes de fazer.
Vozes, 2002.

7.ed. Petrópolis :

MEDIANO, Z. D. A formação em serviços de professores através de oficinas
pedagógicas. In: CANDAU, V.M.(Org.). Magistério: construção cotidiana.
Petrópolis: Vozes, 1997. p. 91-109.
NOGUEROL, A. Aprender na escola: técnicas de estudo e aprendizagem. Porto
Alegre: Artmed, 1999.
PASSOS, R. Uso das ferramentas e suportes de pesquisas na recuperação
da informação: estudo da capacitação do professor - pesquisador. 2003. 171f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Programa de Pós-Graduação
em Biblioteconomia e Ciência da Informação, Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, Campinas, SP.
REFERENCIAIS para formação de professores. Brasília, DF. Secretaria de
Educação Fundamental, 1999.
SANTORO, M.I. Avaliação da disciplina “Metodologia da pesquisa e redação
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teses. 2001. 220f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas, SP.
SANTOS, Gildenir Carolino; PASSOS, Rosemary. Gerenciamento e estruturação
de periódicos eletrônicos: a experiência do periódico ETD – Educação Temática
Digital da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002. Recife.
Anais eletrônicos... Recife: UFPE, 2002. (1 MINI CD-ROM).
SILVA, E.T. Leitura na escola e na biblioteca. 7.ed. Campinas, SP: Papirus,
2001.
SOARES, S.G. Arquitetura da identidade: sobre educação, ensino e
aprendizagem. São Paulo: Cortez, 2000.

�SOUZA, F.C. Biblioteconomia, educação e sociedade. Florianópolis, UFSC,
1993.
STAHL, M. M. Formação de professores para uso das novas tecnologias de
comunicação e informação. In: CANDAU, V.M. (Org.). Magistério: construção
cotidiana. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 292-317.
NOTA: Este artigo foi baseado na dissertação de mestrado de:
PASSOS, R. Uso das ferramentas e suportes de pesquisas na recuperação
da informação: estudo da capacitação do professor - pesquisador. 2003. 171f.
Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Programa de Pós-Graduação
em Biblioteconomia e Ciência da Informação, Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, Campinas, SP.

∗
Bibliotecária da Faculdade de Educação da UNICAMP; Mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação
pela PUC-Campinas – bibrose@unicamp.br
∗∗

Bibliotecário-Diretor da Biblioteca da Faculdade de Educação da UNICAMP; Mestre em
Educação pela Faculdade de Educação/UNICAMP – gilbfe@unicamp.br Universidade Estadual de
Campinas - Faculdade de Educação Av. Bertrand Russell, 801 – Cidade Universitária 13083-865
Campinas – SP – Brasil

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Oficinas pedagógicas : caminhos para interação entre bibliotecários e professores.</text>
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              <text>A atuação do bibliotecário no contexto educacional das instituições de ensino superior vem sendo assimilada gradativamente, em decorrência da necessidade emergente de capacitação de usuários na utilização de ferramentas e suportes de recuperação de informação, bem como a própria normalização de trabalhos técnico-científicos. Os estudantes universitários necessitam adquirir habilidades e domínio sobre as ferramentas de pesquisa, como principio básico da atividade de pesquisa desenvolvida na graduação. As condições para esse aprendizado podem ser proporcionadas por um ambiente de aprendizagem onde se torne possível através do exercício de comunicação e colaboração entre dois profissionais – professores e bibliotecários. Nesse ambiente de integração se insere a figura do profissional da informação, como mediador entre ferramentas de pesquisa, e a prática docente em sala de aula, em laboratórios de informática e na própria biblioteca. O presente estudo descreve experiência realizada na Faculdade de Educação da UNICAMP, por solicitação da Coordenação de Pedagogia, com alunos de graduação no final do curso, que receberam orientações específicas com os bibliotecários da Faculdade, para realização dos Trabalhos de Conclusão de Curso, e apresenta a análise do relacionamento entre profissionais, professores e bibliotecários no contexto educacional.</text>
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