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                  <text>GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS: MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS
DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
Sueli de Fátima Faria∗
Vanda de Fátima Fulgêncio de Oliveira
Liliane Forner
Floriana Lúcia D’Astuto

RESUMO

O presente trabalho originou-se sob forma de projeto, por iniciativa de um grupo
de bibliotecários, para criação de um banco de talentos dos servidores não
docentes da UNICAMP, objetivando facilitar o compartilhamento do conhecimento
na gestão de pessoas. O projeto resultou em uma metodologia para mapeamento
de talentos (MAPTAL) que possibilita a sondagem das capacidades
organizacionais utilizando-se do modelo VECA - Verificação de Comportamento
Administrativo. Buscou-se, em um segundo momento, fazer uma análise das
competências do Profissional da Informação a partir da Classificação Brasileira de
Ocupações – CBO, e tecer proposições para mapeamento de competências
desses profissionais para aplicação na gestão estratégica de pessoas na área de
informação e bibliotecas, e no autogerenciamento da carreira visando atingir
metas profissionais.
PALAVRAS-CHAVE: Competências – mapeamento. Profissional da informação.
Gestão de pessoas

1 ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS E AS COMPETÊNCIAS HUMANAS

As organizações estão sendo desafiadas a lidar com ambientes cada vez
mais dinâmicos, demandando novas exigências de gestão e novos perfis de
lideranças. Grande ênfase tem se dado à questão das competências essenciais
da organização, que se referem ao aprendizado coletivo e das competências do
indivíduo. As mudanças não são decorrentes apenas dos avanços tecnológicos,
mas do ambiente que se tornou complexo, demandando transformações
permanentes para se garantir a vantagem competitiva.
Autores proeminentes como Peter Drucker, James Quinn, Alvin Tofler,
Robert Reich citados por Nonaka e Takeuchi (1977), anunciam uma nova

�economia à qual se referem como “Sociedade do Conhecimento”, e que se
distingue do passado pelo papel-chave que o conhecimento desempenha nela,
em que o trabalhador é o maior ativo para a vantagem competitiva atuando como
analistas simbólicos, equipados com conhecimento para identificar, solucionar e
avaliar novos problemas. Sveiby (2000, p. 66), compartilha dessa visão e infere
que a aptidão das pessoas que trabalham em sua equipe ou as relações que
mantém com clientes e fornecedores são ativos intangíveis, que embora de
difíceis medições, é o que importa medir. O autor preconiza a Gestão do
Conhecimento como uma ferramenta que traz benefícios tangíveis, cuja essência
é aproveitar os recursos que já existem na empresa para que as pessoas
procurem, encontrem e empreguem as melhores práticas, criando um ambiente
de aprendizado interativo, no qual as pessoas transfiram o conhecimento,
internalizem-no e apliquem-no para criar novos conhecimentos - formando a
espiral do conhecimento, formulada de Nonaka e Takeuchi (1977).
Albrecht (2004), coloca a Inteligência Organizacional como modelo para
integrar diversos níveis de inteligência individual, de equipe e organizacional,
capazes de “nutrir a cultura do conhecimento” para enfrentar a terceira onda. Os
programas de treinamentos a fim de trabalhar habilidades como pensamento
crítico, criativo, solução de problemas, tomada de decisões e ultimamente até
inteligência emocional são estratégias utilizadas nesse modelo.
O desenvolvimento do trabalho com o conhecimento em uma organização
está

diretamente

relacionado

ao

desenvolvimento

estratégico

de

suas

competências. Prahalad e Hamel (1990), formulam o core competences como
forma de integração do aprendizado coletivo da organização e coordenação das
diversas fases de produção e equipes múltiplas de tecnologias. E as
organizações,

autores,

enfatizam

novas

competências

organizacionais:

flexibilidade, inovação, horizontalidade, criatividade, agilidade, compartilhamento
de

informação,

aprendizagem,

gestão

do

conhecimento,

planejamento

participativo, empowerment e estratégia competitiva.
Com o deslocamento de ênfase, é crescente o reconhecimento por parte
das organizações de que seu capital intelectual deve ser gerida de forma

�sistemática. Estratégias, mapas do conhecimento, portfólios de iniciativas estão
sendo desenvolvidos para capturar e disseminar aquilo que aprendem ao longo
do tempo, facilitar o compartilhamento de idéias e experiências, eliminando as
barreiras funcionais e impulsionar melhores práticas e gerir seu capital intelectual.
A criação do conhecimento organizacional depende do conhecimento das
pessoas, da motivação, vontade de criar, agir, compartilhar e codificar seu próprio
conhecimento individual, enquanto que a gestão do conhecimento está em saber
o que os colaboradores sabem fazer bem e tirar proveito desse conhecimento
com a maior eficiência possível.

2 O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO NA ERA DO CONHECIMENTO

O Conhecimento vem se tornando diferencial para as organizações que
buscam excelência, e sem ele a utilização do potencial humano fica precária,
inviabilizando todo o processo de geração de produtos e serviços condizentes
com as demandas internas e externas. Independente do modelo que adotam para
a criação do conhecimento organizacional, terão de fazer frente a muitos desafios.
A

Gestão

do

Conhecimento

defronta

alguns

destes

enumerados

porGontow (2004), entre os quais destacamos: alto volume de informações que
estão sendo criadas, armazenadas e distribuídas; a incrível velocidade com que
o conteúdo do conhecimento está mudando; a necessidade das organizações em
serem pró-ativas ao apoiar a criação e a reutilização do conhecimento (...). Nesse
contexto, o profissional da informação se insere como ativo e agente criativo,
capitalizando sua competência informacional para as estratégias da organização
em que atua. Esse evento pode ser uma oportunidade ímpar de aprendizagem,
mas para aproveitamento dessa mutação, necessário se faz dar maior peso à
lógica competência, que é investida da ação do trabalhador rumo a um
movimento de ação subjetiva do caráter cada vez mais socializado e
interdependente das atividades profissionais.

�Sendo a competência o foco deste, apresentamos uma definição centrada
na mudança de comportamento social dos seres humanos em relação ao trabalho
e sua organização, seguida da análise feita por Zarifian:

Competência profissional é uma combinação de conhecimentos,
de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce
em um contexto preciso. Ela é constatada quando de sua
utilização em situação profissional, a partir da qual é passível de
validação. Cabe à empresa identifica-la, avalia-la, validá-la e fazêla evoluir. (Medef, ex-CNPF1 apud ZARIFIAN, 2001)

A partir desse conceito, Zarifian (2001), que primeiro formalizou e deu um
conteúdo científico a essa noção – preconiza a competência alimentada sob três
aspectos multidimensionais: a tomada de iniciativa e de responsabilidade do
indivíduo; a inteligência prática das situações, que se apóia sobre os
conhecimentos adquiridos e os transforma; a faculdade de mobilizar redes de
atores em torno das mesmas situações.
Um breve percurso na literatura recente poderá nos dar um panorama
sobre essa temática no âmbito da Ciência da Informação. Em pesquisa realizada
junto a empresas de consultoria em recrutamento e seleção de recursos
humanos, sobre as qualificações dos profissionais da informação demandanda no
atual do mercado de trabalho, Ferreira (2003), aponta que as potencialidades
desses profissionais nem sempre são reconhecidas pelo mercado de trabalho;
que não é comum encontrar profissionais da informação ocupando posições
superiores; que as deficiências são decorrentes da falta de desenvolvimento
dessas habilidades durante o período de formação, e da auto-imagem por eles
mesmos; e que os profissionais devem desenvolver continuamente as habilidades
típicas da área além de atitudes comportamentais.
Marcial (2003), considera que os métodos da Ciência da informação serão
o foco para a base das atividades da Inteligência Competitiva apoiadas pela
Tecnologia da Informação, mostrando como o profissional da informação pode

1

Jornadas Internacionales de Deauville, 1998: objetivo competências, t.1, outubro de 1998.

�auxiliar no ciclo de produção de Inteligência, que é formado por quatro etapas:
planejamento, coleta, análise e disseminação.
A literatura é rica em análises e descrições das competências exigidas para
os profissionais da informação atuarem na nova sociedade, as quais destacamse: conhecimento do contexto ou capacidade de contextualização; capacidade de
conceituação; conhecimento da demanda ou do cliente; domínio de ferramentas e
de tecnologias de informação; adaptação ao novo, flexibilidade e abertura às
mudanças; capacidade de gerenciamento; lidar com contradições e conflitos;
relacionamento interpessoal, excelência na comunicação oral e escrita; lidar com
as diversas habilidades funcionais; capacidade de aprendizado próprio e de
facilitar o aprendizado dos outros; ter energia, criatividade, ser ético e visualizar o
sucesso. (MARCIAL, 2003; PESTANA 2003; FERREIRA,2003, ARRUDA, 2000).
Belluzzo (2004), pondera que a capacidade de comunicação e de
relacionamento interpessoal; capacidade de gestão de estoques de informação
para uso futuro e capacidade de inovação e de liderança são relevantes para
mobilizar as potencialidades individuais ou habilidades desenvolvidas em
determinado âmbito de atuação, a serviço da coletividade e do bem comum.
Além dos conhecimentos teóricos e práticos, são necessárias uma série de
atitudes que devem acompanhar os profissionais, as quais são fundamentais para
o desempenho adequado de suas funções. O guia de competências para os
bibliotecários europeus apresenta as principais na tabela (1) abaixo:

TABELA 1- Guide to competencies for european professionals in library and
information serviçes
1.

Adaptabilidade

4.

Comunicação

2.
analítica

Habilidade

3.
Prever ameaças
e oportunidades

5.

Habilidade

6.
investigativa

8.

Saber ouvir

crítica
7.

Tomada de

decisão

Mente

9.

Trabalhar em

12.

Sensibilidade

15.

Habilidade de

equipe
10.
13.

Iniciativa
Perseverança

11.
Habilidade
organizacional
14.

didática

Padronização
síntese

�3 PROJETO MAPTAL – MAPEAMENTO DE TALENTOS

A proposta de Mapeamento de Talentos para a UNICAMP vem ao encontro
do processo de revisão da missão da universidade, que culminará no seu
planejamento estratégico - em definição, podendo ser alinhado aos processos de
Gestão de Pessoas, para obtenção do conhecimento do potencial humano que a
instituição agrega, contribuindo para as ações de Recursos Humanos. O objetivo
foi criar um banco de dados do conhecimento dos servidores não docentes para
facilitar o compartilhamento na Gestão de Pessoas.
O desenvolvimento do projeto compreendeu quatro fases: 1) construção de
referências através da literatura, consultas a especialistas e visita a uma
instituição com prática em mapeamento de competências; 2) definição das
competências e primeira modelagem, 3) alinhamento do escopo com o set de
competências adotando a ferramenta de mensuração VECA – Verificação do
Comportamento Administrativo (ALBA, 2003); 4) aplicação de pré-teste em
amostra

aleatória

composta

por

bibliotecários,

alunos

e

estagiários;

e

realinhamento das ferramentas: questionário e busca.
O VECA é composto de 100 perguntas dispostas em frases, e define as 20
competências fundamentais para construção de todas as outras, onde 12
habilitam para resultados e 8 para relacionamentos. Optou-se por essa
ferramenta, essencialmente, pelo método de avaliação que ela propõe: evidencia
os Gap’s, os potenciais e as distorções das competências individuais e coletivas,
resultando em um inventário institucional sobre as habilidades, atitudes e
comportamentos presentes na atuação dos profissionais. No questionário as
competências são colocadas em uma escala de posições que vão de 0 a 10 – na
análise o centro é a área de maior eficácia daquela competência.
As tentativas de elaborar escores de competências remontam de algum
tempo, e algumas metodologias de desdobramentos de competências valem-se
da metáfora “árvore das competências”, na qual seus três componentes
combinados formam um todo, onde a raiz corresponde a atitudes e valores, que
se traduz em comprometimento, o tronco corresponde ao conhecimento que se

�traduz na flexibilidade aos desafios, e a copa corresponde às habilidades, que se
revela no talento e capacidade técnica (Gramigna, 2001).
Para o projeto foram utilizadas as competências fundamentais do modelo
VECA - acrescidas de outras três apontadas para o setor público – prestação de
serviços, de acordo com pesquisa com empresas-cliente realizada por
GRAMIGÑA (2002), e estruturadas mediante categorização acima.
A metodologia foi elaborada para levantamento do perfil dos principais
quadrantes de uma Carreira, traçando o mapa das competências e seus pontos
críticos – as deficiências e os excessos, e estruturada em um questionário
dividido em três tipos de questões para verificação de habilidades, conhecimentos
e atitudes.

4 O CÓDIGO DE OCUPAÇÕES BRASILEIRAS – CBO

Em 2002 o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE disponibiliza à
sociedade a nova Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, que vem
substituir a anterior, de 1994. Esse documento reconhece, nomeia, codifica os
títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho
brasileiro.

A nova versão contém as ocupações organizadas e descritas por

famílias que constituem um conjunto de ocupações similares correspondente a
um domínio de trabalho mais amplo que aquele da ocupação. Uma das novidades
foi o método utilizado no processo de descrição, por meio de comitês de
profissionais que atuam nas famílias, partindo-se da premissa de que a melhor
descrição é aquela feita por quem exerce efetivamente cada ocupação.
Segundo o MTE, a CBO tem uma dimensão estratégica importante, na
medida em que, com a padronização de códigos e descrições, poderá ser
utilizada pelos mais diversos atores sociais do mercado de trabalho. Terá
relevância também para a integração das políticas públicas do MTE, sobretudo no
que concerne aos programas de qualificação profissional e intermediação da
mão-de-obra, bem como no controle de sua implementação.

�5 AS COMPETÊNCIAS DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO: CBO VERSUS
LITERATURA

Os Profissionais da Informação são codificados sob número 2612,
formando uma família que compõe:
•

2612-05-Bibliotecário,

Bibliógrafo,

Biblioteconomista,

Cientista

informação, Consultor de informação, Especialista de informação, Gerente de
informação, Gestor de informação.
•

2612-10- Documentalista - Analista de documentação, Especialista

de documentação, Gerente de documentação, Supervisor de controle de
processos documentais, Supervisor de controle documental, Técnico de
documentação, Técnico em suporte de documentação.
•

2612-15 - Analista de informações - Pesquisador de informações de

rede.
As competências definidas na CBO, estão descritas na tabela abaixo.
TABELA 2 - Competências pessoais do profissional da informação na cbo
1. Manter-se atualizado

2. Liderar equipes

3. Trabalhar em equipe e em
rede

4. Demonstrar capacidade de
análise e síntese

5. Demonstrar conhecimento
de outros idiomas

6. Demonstrar capacidade de
comunicação

7. Demonstrar capacidade de
negociação
9. Demonstrar senso de
organização
11. Demonstrar raciocínio lógico
13. Demonstrar pró-atividade

8. Agir com ética
10. Demonstrar capacidade
empreendedora
12. Demonstrar capacidade de
concentração
14. Demonstrar criatividade

Sendo um documento oficial, a CBO foi tomada como ponto de partida para
análise das competências dentro do propósito desse trabalho, que pressupõe a
definição dos perfis de competências básicas requeridas para este profissional
para o crescente universo da informação. Para tal buscou-se, primeiramente, a

�equivalência entre as competências apontadas na CBO e as competências
universais apontadas na literatura, fundamentadas na metodologia VECA
(Verificação do Comportamento Administrativo), formulada por ALBA (2003) e nas
investigações de Gramigna (2002). Em segundo, buscou-se a pertinência da CBO
com as asserções dos especialistas da área. Assim, apresentamos a tabela
abaixo e as correlações seguidas das nossas impressões.

TABELA 3 - Competências cbo versus literatura
CBO

LITERATURA

Manter-se atualizado.

Disposição para mudanças

Liderar equipes.

Liderança

Trabalhar em equipe e em rede.

Afetividade + Sociabilidade

Demonstrar capacidade de análise e

Analise e síntese/ou avaliação

1
2
3
4

síntese.
Demonstrar conhecimento de outros
idiomas.

Comunicação

5

Demonstrar capacidade de
comunicação.

Comunicação

6

Demonstrar capacidade de
negociação.

Negociação

7

Agir com ética.

Ética ou Liderança

8
Demonstrar senso de organização
9
0

Demonstrar capacidade
empreendedora
Demonstrar raciocínio lógico

1
2

Demonstrar capacidade de
concentração

Organização ou Planejamento e
Organização
Realização
Criatividade + outras capacidades
cognitivas
Atenção / Priorização

Demonstrar pró-atividade

Antecipar ameaças

Demonstrar criatividade

Flexibilidade / Criatividade

3
4

Analisando à luz da categorização da árvore das competências – acima
descrita, e sob as competências universais exigidas pelas organizações, verificouse:

�a) A

competência

CBO-01

“manter-se

atualizado”

pode

ser

equiparada à competência “disposição para mudanças” que é a
capacidade de gerar alternativas para o trabalho, alternando rotinas para
adequá-las às necessidades. Mensura a capacidade de inovar e propor
mudanças em suas estratégia de atuação. Manter-se atualizado é um prérequisito para tal, portanto, pode-se inferir que é um componente de
“atitude”.
b) A competência CBO-03 “trabalhar em equipe e em rede”, é
correlata à competência “afetividade” que é capacidade de estabelecer
compromissos com abertura e transparência, criando vínculos que
favorecem a atuação em equipes e o compartilhamento de estratégias e
interesses. Define a qualidade dos compromissos que estabelece as
pessoas. E também com “sociabilidade” que é a capacidade de adaptar-se
ao contexto e de ampliar sua rede de relacionamento, podendo ser
considerada uma “habilidade”.

c) A competência CBO-05 “conhecimento de idiomas” é considerada
um desdobramento da competência “comunicação”, ligado ao componente
“conhecimentos”;

d) A competência CBO-08 “ética” é apontada como um desdobramento
da competência “liderança” ligada ao componente “atitude” na estruturação
por categorias , e destacada sozinha em outras;
e) A competência CBO-10 “capacidade empreendedora” pode ser
equiparada à competência “realização” que traduz a disposição aos
desafios e capacidade de se automotivar frente às novas situações não
experimentadas. Mensura o grau de motivação com que se envolve com as
diversas situações de trabalho e a ambição para crescer;

f) A

competência

CBO-11

“raciocínio

lógico”

não

tem

sido

empregada no core competences das empresas investigadas. Arriscou-se
aqui a considerar que a indissociabilidade entre o consciente racional e as

�atividades criativas, pode levar as organizações a nomearem a criatividade
para representar as competências cognitivas.

g) A

competência

CBO-12

“demonstrar

capacidade

de

concentração” pode ser equiparada à competência “atenção /priorização”
que revela a visão global e percepção do contexto, capacidade de
finalização e forma com que define prioridades em seu trabalho. Mensura a
capacidade de atender demandas externas, refazendo sua programação de
trabalho;
h) A

competência

CBO-13

“demonstrar

pró-atividade”

tem

a

equivalência com a competência “antecipar ameaças” que revela a
capacidade para antecipar ameaças e oportunidades e promover ações
estratégicas.
Como o paralelo foi traçado com base em uma metodologia que utiliza uma
categorização das competências em habilidades (fazer), atitudes (querer fazer) e
conhecimento (saber), não pretendemos julgar a estrutura da CBO. O propósito é
desvendar se as competências estabelecidas oficialmente, afluem para as
preconizações contidas nos debates e experiências organizacionais.
No que concerne às competências universais 43% dos itens estabelecidos
na CBO são apresentados na área da Administração, e 57% dos itens foram
encontradas competências correlatas. Sob o prima da categorização que serviu
de base para essa análise, as competências: comunicação, liderança e
criatividade se repetem na CBO por terem mesmo valor e força que outras.
O que se pode observar é que as competências regulamentadas para o
Profissional da Informação correspondem às competências requeridas pelas
empresas líderes para quaisquer funções. Essa constatação aponta para uma
ampliação da envergadura da competência definida para esse profissional, pois a
síntese das diferentes competências que podem ser mobilizadas para um
conjunto de atividades, eleva o campo de responsabilidade do bibliotecário, que
permite que ele dê mais orientação e alcance de sua função.

�No que tange à Ciência da Informação, observamos indicativos de
naturezas diversas - voltados aos processos, resultados, relacionamentos; e entre
uma série de habilidades, conhecimentos e atitudes e até características pessoais
– que estão contempladas na CBO. Importante é que embora de forma esparsa,
elas alimentam a definição multidimensional de competência de Zarifian (2001).
Curioso notar, que o trabalho de Arruda (2000), já apresenta as competências
consideradas novas, em citações que remontam à década de 80. Isto revela que
a evolução do perfil dos profissionais anda a passos lentos, em paradoxo à
análise dos especialistas da geração anterior sobre as tendências conceituais.
A correlação de competências com base na classificação das ocupações
implica em diferenciar o conceito sobre sistema de classificação e o de
competências. A classificação fornece os elementos de regulação das relações
sociais em bases mais estáveis possível e conseqüentemente, estabelece um
princípio de hierarquia das categorias e dos salários em dado universo
profissional. A competência expressa autonomia de ação do indivíduo em uma
equipe ou rede de trabalho, que se engaja subjetiva e voluntariamente, em virtude
de suas iniciativas, na melhoria do valor produzido.
Em outras palavras, a classificação das ocupações deve conservar a parte
mais estável e duradoura das competências mobilizadas, sem a pretensão de dar
conta da parte mais flexível, singular e dinâmica delas. A parte mais estável é
constituída pela associação entre:
• os saberes gerais e profissionais que servem de referência a um
dado universo profissional; e
• as competências de fundo, que permitem, ao mesmo tempo, adquirir
e mobilizar ativamente esses saberes, competências que dependem das
práticas comunicacionais, da reflexão e da civilidade.
Na competência o que conta é utilização efetiva “sob iniciativa” e toda
utilização pressupõe transformação. (ZARUFIAN, 2001).

6 TECENDO POSIÇÕES

�No discurso dos especialistas da área da informação predomina a ênfase
de que o domínio de determinadas competências faz com que esses profissionais
e organizações que o empregam façam a diferença no mercado. É eminente a
indução ao repensar os fazeres e saberes diante da evolução das tendências.
Segundo a coordenadora da pesquisa da CBO 2002, nas áreas das
Ciências e das Artes – Liliana Segnini, a participação dos trabalhadores e
profissionais ativos no mercado descrevendo o que fazem na realização de seus
respectivos trabalhos, informa o quanto o desemprego possibilita acúmulo de
atividades e intensificação do trabalho para aqueles que permanecem
empregados. E sua declaração: “o contexto de desemprego fornece espaço
político para exigir que o trabalhador faça mais do que fazia para permanecer no
emprego (...) estamos diante de descrições freqüentemente apontadas, pelos
próprios participantes, como superestimadas” deixa claro um padrão de
competências idealizado para os trabalhadores na CBO. (SUGIMOTO, 2004, p.3).
Essa idealização, ao nosso ver, também se remete aos profissionais da
informação, tanto na CBO quanto no debate da classe, posto que uma pessoa
não reúne todas as competências necessárias para as complexidades da área.
Entendemos que para essa subjetividade, a Gestão do Conhecimento e a
Inteligência Organizacional orientam para as estratégias de compartilhamento.
Outra questão é que a sociedade atual está conectada em rede onde as
tecnologias de informação fazem a ponte entre indivíduos. No entanto, atrás das
tecnologias estão os seres humanos e estes devem ser compreendidos em suas
idiossincrasias. Nessa dialética, a gestão de pessoas poderá cumprir um papel
fundamental no alinhamento das pessoas e seus respectivos desempenhos e
competências às estratégias do negócio e metas organizacionais.
A gestão de pessoas pressupõe a gestão de talentos ou de competências,
cujo mapeamento surge como uma ferramenta para facilitar o gerenciamento das
competências individuais e institucionais. Sua característica se diferencia dos
bancos de currículos ou de produção técnico-científica, por dar ênfase às
capacidades tácitas. Através do mapeamento é possível levantar os pontos fortes,
que tornam as pessoas aptas para algumas tarefas e, os pontos fracos, que

�devem ser aperfeiçoados para que o profissional possa autogerenciar sua carreira
e investir no desenvolvimento daquelas consideradas importantes para o campo
que pretende atuar. Esse elemento, em especial, é que motivou a continuidade
desse estudo voltado para os profissionais da informação. E vimos, assim, propor
um mapeamento de competências entre os bibliotecários, para o que sugerimos
que a metodologia deva ser estruturada em um instrumento que possibilite a
verificação do comportamento organizacional ou social.
No caso de uma categoria profissional, acredita-se apropriado ampliar a
discussão para definir o núcleo de competências sob uma concepção abrangente
e ao mesmo tempo objetiva. Recomendamos os seguintes passos para por em
prática esse propósito: 1) definição das competências e seus desdobramentos; 2)
estruturação da metodologia; 3) definição das ferramentas armazenagem e busca
dos dados; 4) sensibilização das pessoas; 5) aplicação do modelo de verificação
de competências a princípio por adesão em determinada região como piloto; 6)
diagnóstico; 7) avaliação e devolutiva dos perfis; 8) divulgação e 9) avaliação.

7 CONCLUSÕES
A breve inserção na literatura aponta que o principal input dos
trabalhadores deixa de ser o esforço físico e passa a ser a capacidade de criar,
aprender e desenvolver novos conceitos, produtos e serviços baseados
estritamente no conhecimento. Para inserir-se nesse cenário, o bibliotecário já
atuante precisa buscar a compatibilização de suas competências com as
estratégias da organização em que atua, de forma que ele seja considerado em
sua singularidade, que poderá lhe remeter ao reconhecimento profissional. Esse
reconhecimento se enraíza na competência, e é assim que os indivíduos se coavaliam. Desenvolver esse tipo de recurso, fazendo dele a base de uma
estratégia competitiva assegura seu crescimento futuro. A proposta de
mapeamento de competências remete para uma ação com vistas à aprendizagem
da categoria sobre si mesma.

ABSTRACT

�The present work originated under project form, for initiative of a group of
librarians, for creation of a bank of talents of the workers of the UNICAMP,
objectifying to facilitate the sharing of the knowledge in the management of
people. The project resulted in a methodology for mapping of talents that makes
possible the sounding of the organizations capacities using VECA – Behavior
Administrative Verification. One searched, at as a moment, to make an analysis of
the abilities of the Professional of the Information from the Brazilian Classification
of Occupations -CBO, and to weave proposals for mapping of abilities of these
professionals for application in the strategical management of people in the area of
information and libraries, and in the auto management of the career aiming at to
reach professional goals.
KEY-WORDS:
management.

Abibities

–

mapping.

Information

Professional.

Peoples

REFERÊNCIAS
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São Paulo, 2003.
ALBRECHT, Karl. Um modelo de inteligência organizacional. São Paulo: HSM
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∗

Hsulaff@fea.unicamp.brH , UNICAMP/FEA, Campinas – BR
HVanda@unicamp.brH, UNICAMP/CAISM, Campinas – BR
Hliliane@iar.unicamp.brH, UNICAMP/IA,, Campinas – BR
Hflor@unicamp.brH, UNICAMP/BC, Campinas – BR

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              <text>Faria, Sueli de Fátima; Oliveira, Vanda de Fátima Fulgêncio de; Forner, Liliane; D'Astuto,Floriana Lúcia</text>
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              <text>O presente trabalho originou-se sob forma de projeto, por iniciativa de um grupo de bibliotecários, para criação de um banco de talentos dos servidores não docentes da UNICAMP, objetivando facilitar o compartilhamento do conhecimento na gestão de pessoas. O projeto resultou em uma metodologia para mapeamento de talentos (MAPTAL) que possibilita a sondagem das capacidades organizacionais utilizando-se do modelo VECA - Verificação de Comportamento Administrativo. Buscou-se, em um segundo momento, fazer uma análise das competências do Profissional da Informação a partir da Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, e tecer proposições para mapeamento de competências desses profissionais para aplicação na gestão estratégica de pessoas na área de informação e bibliotecas, e no autogerenciamento da carreira visando atingir metas profissionais.</text>
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