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                  <text>SITUAÇÃO DOS PERIÓDICOS ELETRÔNICOS BRASILEIROS EM C&amp;T
Carlos Henrique Marcondes∗
Luis Fernando Sayão
Cláudio Márcio Ribeiro Maia
Marco Aurélio Ribeiro Dantas
Wilder Da Silva Faria

RESUMO
Relata resultados de projeto de pesquisa, apoiado pelo CNPq, cujo objetivo foi
desenvolver um quadro geral da situação dos periódicos eletrônicos brasileiros em
ciência e tecnologia. Utilizou-se no levantamento os instrumentos de controle
bibliográfico disponíveis, como listas do portal SciELO e a base de dados LatinIndex.
Para complementar o levantamento pesquisa extensiva na Web teve que ser feita para
identificar outros “sites” de periódicos eletrônicos brasileiros. Mecanismos de busca
como Google e AltaVista foram utilizados com este objetivo. Foram submetidas
consultas tais como “Brazilian Journal of”, “Brazilian Archives of” etc, para identificar
outros periódicos eletrônicos. Em cada “site”, informações sobre cada periódico
eletrônico foram coletadas e armazenadas numa base de dados, classificada por área
de conhecimento CAPES/CNPq. Após esta fase inicial uma pesquisa qualitativa foi
desenvolvida, baseada em questionários enviados aos editores dos periódicos
eletrônicos por correio eletrônico. Estes questionários solicitam informações acerca do
modelo de negócios do periódico eletrônico, dificuldades encontradas para manter o
periódico atualizado, existência de políticas relativas à preservação e acesso a longo
prazo, conhecimento dos editores de padrões tecnológicos relativos a publicações
eletrônicas, problemas enfrentados para lançar e manter o periódico eletrônico. O
universo de periódicos eletrônicos brasileiros se mostrou segmentado, variando de
periódicos consolidados, de alta qualidade, originários de periódicos em papel, como os
mantidos no portal SciELO, até periódicos “emergentes”, sem versão impressa,
recentemente disponibilizados na Web. Este universo abrange também diversas áreas
de conhecimento
PALAVRAS-CHAVE: informação em Ciência e Tecnologia. Comunicação Científica.
Publicações eletrônicas. Periódicos eletrônicos. Brasil.

�1 INTRODUÇÃO
Periódicos científicos vêm tendo um papel central no processo de comunicação
científica desde o seu surgimento no século XVII, com o Journal des Scavans e as
Philosophical Transactions of the Royal Society, publicados pela primeira vez em 1665
(Day, 1999; Meadows, 1999). Desde então, por mais de três séculos, os principais
atores do ciclo de comunicação científica – autores, editores, publicadores, bibliotecas,
usuários – vêem tendo seus papeis estabelecidos e institucionalizados, até a
configuração atual, estabelecida desde fins do século XIX.
Com o surgimento das publicações eletrônicas, a comunicação científica enfrenta
uma transição radical. De acordo com Harter (1997), “o primeiro jornal eletrônico
revisado e em texto completo , incluindo gráficos foi o Online Journal of Current Clinical
Trials (OJCCT)”, nos anos 90. O antigo paradigma de comunicação baseado no
periódico científico tem mudado com a emergência das publicações eletrônicas
acadêmicas diretamente na Web (Harnard). As facilidades de publicar diretamente na
Web também permitiram à comunidade científica questionar os mecanismos de
publicação vigentes, baseados nos periódicos científicos publicados por grandes
editoras (Lawrence). Hoje esta comunidade clama por mais visibilidade para os
resultados de pesquisas, por um ciclo mais rápido de publicação e poder acessar
livremente outras publicações Ela desenvolveu novas alternativas para publicar,
intercambiar e acessar os resultados das pesquisas científicas. Todo este processo
esta configurando um novo paradigma de comunicação científica: a publicação direta
de textos completos de artigos científicos em arquivos eletrônicos na Web de acesso
livre (Buckholtz, 2001). Nesta transição, novas formas de publicação parecem estar
coexistindo lado a lado com as antigas, baseadas nos tradicionais periódicos científicos
com contribuições avaliadas através de mecanismos de peer-review.
A ciência e a tecnologia nos paises em desenvolvimento enfrentam várias
barreiras para poderem exercer um papel efetivo no desenvolvimento de nossas
sociedades (Sayão, 1996; Ginsparg, 1996). Ela muitas vezes enfoca problemas
específicos de nossas sociedades, problemas estes que muitas vezes não existem nos

�paises desenvolvidos; as comunicações de resultados de pesquisa são escritas em
idiomas nativos, diferentes do inglês; nossos canais de comunicação, periódicos,
congressos, etc, são locais e muitas vezes, não regulares. A necessidade de periódicos
científicos de qualidade, regulares e consistentes é reconhecida tanto pelas agências
de fomento de C&amp;T brasileiras quanto pelos formuladores de políticas públicas. Várias
políticas públicas foram formuladas e desenvolvidas com este intuito no pais, nos anos
recentes.
Os periódicos eletrônicos no Brasil surgem com lançamento do portal Epub, na
UNICAMP, em 1997 (Sabattini, 1999), com um grupo de periódicos da área biomédica.
O cenário das políticas publicas relativas à periódicos científicos eletrônicos no Brasil se
inicia no ano seguinte quando é lançado o projeto SciELO (Packer, 2000) – Scientific
Electronic Library Online.. SciELO é um portal Web que incorpora os mais importantes
periódicos científicos brasileiros. SciELO é o resultado de uma parceria entre a
FAPESP (http://www.fapesp.br) – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo –, a BIREME (http://www.bireme.br) - Centro Latino-americanos e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde e com editores de periódicos científicos nacionais.
Hoje SciELO é um importante componente das políticas públicas brasileiras relativas ao
desenvolvimento da ciência, disseminando por todo o mundo a literatura científica e
técnica publicada nos paises em desenvolvimento, aumentando sua visibilidade, que,
de outra maneira, estaria limitada às próprias fronteiras destes paises.
Políticas públicas relativas à aquisição centralizada de periódicos científicos
internacionais por bibliotecas universitárias, evoluíram desde os anos 80 em direção à
aquisição/subscrição de assinaturas de recursos eletrônicos e no uso destes recursos
através do portal CAPES de periódicos eletrônicos (http://www.periodicos.capes.gov.br),
em funcionamento desde 2000. Através deste portal a comunidade acadêmica
brasileira passou a ter acesso a periódicos internacionais em versão eletrônicas.
As facilidades para publicação direta na Web de resultados de pesquisa (King,
1998), (Heather, 2002) também começam a ser utilizadas pela comunidade acadêmica
brasileira. Vários periódicos eletrônicos acadêmicos foram lançados nos anos recentes,

�usando as facilidades oferecidas pela disponibilidade de servidores Web nas
universidades e em instituições de pesquisa. Estas mudanças começam a ser
percebidas em alguns artigos isolados (Targino, 2001) e esta, de alguma forma mais
centradas nos periódicos mantidos no portal SciELO (Packer, 2001), mas ainda não
existe um quadro geral desta realidade.
O objetivo desta pesquisa é justamente desenvolver um quadro geral da situação
dos periódicos acadêmicos eletrônicos no Brasil. A pesquisa também objetiva analisar
políticas públicas relativas a esta questão e sua adequação ao surgimento de
periódicos eletrônicos. Este trabalho esta estruturado da seguinte maneira: após esta
seção introdutória, a seção 2 expõe a metodologia usada para mapear e coletar dados
acerca do universo de periódicos acadêmicos eletrônicos no Brasil; a seção 3 expõe e
discute os resultados encontrados; finalmente, a seção 4 mostra as conclusões e indica
algumas novas direções da pesquisa.

2 METODOLOGIA

Com a crescente facilidade de publicar um periódico acadêmico na Web, a
primeira dificuldade da pesquisa foi mapear o universo de periódicos acadêmicos
eletrônicos no Brasil, em virtude da falta de um mecanismo de controle bibliográfico
deste

universo.

Atualmente

existem

dois

destes

mecanismos,

o

LatinIndex

(http://www.latindex.org) e o SciELO.(http://www.scielo.br); a pesquisa constatou que
ambos não incorporam a totalidade do universo de periódicos eletrônicos brasileiros em
C&amp;T.
O IBICT é agência brasileira que atribui o ISSN a um novo periódico. Como
subproduto desta atividade, o IBICT alimenta o LatinIndex, uma base de dados
internacional de periódicos científicos e técnicos da América Latina, Caribe, Portugal e
Espanha.

�As listas de periódicos do SciELO e do LatinIndex constituíram a base e o início
da pesquisa para identificar o universo das periódicos eletrônicos brasileiros. Uma vez
que SciELO e LatinIndex mantém um relativo controle bibliográfico sobre o universo
visado na pesquisa, a hipótese era que haveria muitos periódicos eletrônicos
“emergentes” não controlados nem pelo SciELO nem pelo IBICT ao alimentar o
LatinIndex.

Para

identificar

estes

periódicos

eletrônicos

foram

desenvolvidas

estratégias, usando mecanismos de busca como Google e AltaVista, aos quais foram
submetidas consultas como “Revista brasileira” e “Brazilian journal”, “Arquivos
brasileiros” e “Brazilian archives” (em português e inglês). Estas consultas permitiram
identificar um grande número de periódicos eletrônicos ainda não controlados. Após
esta fase, novas estratégias tiveram que ser desenvolvidas para identificar periódicos
eletrônicos cujo título não se enquadrava nestes padrões. Para isso, usou-se como
estratégia a navegação intensiva pelos “sites” das maiores universidades do pais, para
identificar aí eventuais periódicos eletrônicos.
Os dados coletados através da navegação direta pelos “sites” dos periódicos
eletrônicos identificados foram armazenados numa base de dados com os seguintes
campos:

IdPer
.Nome do periódico
URL
URLs anteriores
Grupo Editorial?
Afiliação à ABEC (S/N)?
Tipo de editor (universidades
e instituições de pesquisa,
editores
comerciais,
associações
científicas,
organizações
não
governamentais,
empresas,
outro tipo)
Email do editor
Idiomas
Incluído no SciELO (S/N)?
Incluído no LatinIndex (S/N)?

Escopo (conforme definido
pelo)
Área CAPES/CNPq
ISSN
Freqüência da publicação
Tem versão impressa (S/N)?
Data de início da versão
impressa
Data de início da versão
eletrônica
Tem corpo editorial (S/N)?
Avaliação através de “peerreview” (S/N)?
Fontes secundárias que
indexam o periódico
Acesso livre (gratuito) S/N?
Que instituição abriga o
“site”?

�Que instituição mantém o
periódico?
Formato digital dos textos

Texto completo (S/N)?
Observações
Data da coleta de dados

Cada periódico eletrônico identificado foi também classificado de acordo
com

a

Tabela

de

Áreas

do

Conhecimento

CAPES/CNPq

(http://www.cnpq.br/areas/tabconhecimento/index.htm), largamente utilizada pela
comunidade acadêmica brasileira.
Após esta fase de mapeamento do universo de periódicos eletrônicos
brasileiros, uma outra fase, qualitativa, vem sendo desenvolvida, baseada em
questionários enviados para os editores dos periódicos eletrônicos via correio
eletrônico. Questionários foram enviados para cada segmento específico do
universo de periódicos eletrônicos brasileiros. Estes questionários solicitavam
informações relacionadas com o modelo de sustentação do periódicos,
dificuldades para mantê-lo corrente, existência de políticas que garantam acesso e
preservação a longo prazo, uso de padrões de metadados, dificuldades para
lançar e manter o periódico.
A pesquisa considerou como periódicos eletrônicos aqueles publicados e
disponíveis na Web, mesmo que o periódico tivesse um aversão impressa. È
interessante que alguns periódicos do SciELO, a princípio, não quiseram
responder ao questionário, por considerarem que, apesar de serem publicados
num portal como o SciELO, seus periódicos seriam periódicos impressos.e
portanto o questionário não se aplicaria a eles.
A pesquisa considerou também um critério amplo para identificar periódicos
eletrônicos em ciência e tecnologia: aqueles cujas contribuições, segundo
estabelecido em seu “site”, fossem submetidas a um corpo editorial e, de alguma
maneira avaliadas. Este critério amplo foi útil para uma primeira identificação
ampla do universo de periódicos eletrônicos brasileiros em ciência e tecnologia.
Posteriormente, critérios mais rigorosos poderão ser utilizados, como sugerido por
Harter (1997).

�3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O periódico científico é ainda o mais importante veículo para a comunicação
de resultados de pesquisa para a comunidade científica brasileira, mesmo sob a
forma de um periódico eletrônico. Novos mecanismos de publicação direta de
texto completos de artigos científicos em arquivos Web de livre acesso, novos
mecanismos de avaliação alternativos ao “peer-review” ainda não estão
disseminados pela comunidade científica brasileira (Marcondes, 2002), talvez
devido à complexidade de manter um servidor de arquivos abertos em
comparação com editar um periódico eletrônico..
Devido à existência de recursos de controle bibliográfico, constituídos pela
lista de periódicos mantida pelo SciELO e a lista de periódicos eletrônicos
brasileiros mantida pelo LatinIndex, a pesquisa teve com prioridade identificar
aqueles periódicos eletrônicos que não estivessem nestas duas listas. Foi
identificado um universo de quase 500 periódicos eletrônicos. Deste universo, 124
periódicos eletrônicos são mantidos no portal SciELO, aproximadamente 385
estão

incluídos

na

base

de

dados

LatinIndex

(http://www.latindex.org/busquedas/indicepais.html), incluindo aí os 124 periódicos
mantidos no SciELO, além de outros 176, e cerca de 89 periódicos eletrônicos
“emergentes”, não mantidos nem no SciELO nem no LatinIndex; destes,
aproximadamente 29 são periódicos somente publicados em versão eletrônica.
Identificação e mapeamento dos periódicos eletrônicos brasileiros teve
início em junho de 2003 e ainda não esta totalmente concluída. Os resultados aqui
apresentados ainda são parciais; até agora questionários foram mandados para
dois grupos: periódicos eletrônicos mantidos no SciELO e aqueles considerados
“emergentes”. Existe no entanto um outro importante grupo, o dos periódicos
eletrônicos mantidos no LatinIndex mas não incluídos no SciELO, cujo
levantamento de dados ainda não foi completado pela pesquisa. O questionário
enviado aos periódicos eletrônicos mantidos no SciELO e aos periódicos

�eletrônicos “emergentes” foi enviado por email em janeiro de 2004. 21
questionários foram respondidos, de um total de 124 periódicos eletrônicos
mantidos no SciELO; do grupo dos “emergentes”, de 89 questionários enviados e
16 foram respondidos. Alguns destes resultados são descritos a seguir.
Os periódicos eletrônicos pertencentes aos dois grupos pesquisados são
assim distribuídos, de acordo com a tabela de áreas do conhecimento
CAPES/CNPq:

TABELA 1 – Periódicos por Área de Conhecimento CAPES/CNPq
Área de conhecimento
Ciências da Saúde
Ciências Humanas
Ciências Sociais Aplicadas
Ciências Exatas e da Terra
Ciências Biológicas
Lingüística, Letras e Artes
Ciências Agrárias
Engenharias
Não identificados

Entre

os

periódicos

“emergentes”
27
20
17
8
5
5
3
3
3

eletrônicos

SciELO
43
25
6
16
28
1
19
9

“emergentes”

foi

encontrada

uma

quantidade significativa com datas do último fascículo publicado bastante
defasadas (Questão 1): 28 tinham a data do último fascículo no mesmo ano em
que foi feita a visita ao seu “site”, 22 apresentavam um atraso de 1 ano, 9 um
atraso de dois anos e 11 tinham um atraso de mais de 2 anos.
Dois 89 periódicos eletrônicos “emergentes”, 56 se proclamavam, através
das regras de submissão de artigos constantes no “site” como tendo seus artigos
avaliados segundo a sistemática “peer-review”.
Dos segmentos mapeados até agora, os periódicos eletrônicos do SciELO e
os “emergentes” (num total de 213 periódicos), 88 tinham como instituição editora
universidades e centros de pesquisa, 76 tinham como editor sociedades

�científicas, 14 tinham editores comerciais, 8 organizações não governamentais, 3
agências governamentais, 2 empresas em geral (não editoras e 17 outro tipo de
instituições.
O formato mais utilizado para publicação é o HTML, mas também é
bastante utilizado o PDF. Em vários periódicos que utilizam este último formato,
não se pode fazer “download” dos artigos individuais, mas somente do fascículo
inteiro; esta é uma forma bastante precária para um “periódico eletrônico”: o
usuário fica impedido de fazer um “browse” pelos diferentes artigos do fascículo.
Simplesmente, cada fascículo, ao terminar sua editoração em PDF, fica
disponibilizado como um todo no “site” do periódico.
Questionários enviados para estes dois grupos solicitavam informações
acerca do modelo de sustentação, sobre dificuldades em manter o periódico
regular, sobre a existência de políticas explícitas para garantir o acesso e a
preservação a longo prazo, sobre o uso de padrões de metadados, dificuldades
encontradas para lançar e manter a publicação.
As respostas à Questão 2 mostram que os editores dos periódicos
eletrônicos “emergentes” se mostram conscientes da visibilidade proporcionada
pela publicação eletrônica quando comparada com a publicação impressa.,
conforme ressalta Lawrence5. Motivações econômicas como o baixo custo da
publicação eletrônica comparado com a publicação impressa, a disponibilidade de
servidores web nas instituições e a facilidade de publicar eletronicamente também
tiveram respostas significativas.
A ABEC – Associação Brasileira de Editores Científicos (Questão 3) – uma
associação tradicional, era bastante desconhecida pelos editores dos periódicos
“emergentes”. No grupo de periódicos do SciELO, as respostas foram o oposto:
73,68% dos periódicos eram afiliados à ABEC. Os resultados foram similares na
Questão 4: apesar da maioria (75%) dos editores dos periódicos “emergentes”
terem conhecimento do Programa de Apoio às Publicações Científicas do MCT,
poucos deles (6,25%) haviam solicitado apoio deste programa. Ao contrário, os

�periódicos do SciELO não só conheciam o programa, como muitos haviam
solicitado apoio do mesmo. Este fato parece indicar a nível baixo de
profissionalização da atividade de editoração científica entre os editores do
periódicos “emergentes”.
Pousos dos editores de periódicos “emergentes” estavam a par da
existência

de

iniciativas

internacionais,

como

PURL

–

Persintent

(http://purl.oclc.org/), DOI – Digital Object Identifier (http://www.doi.org/)

URL
e

CrossRef (http://www.crossref.org/), objetivando garantir endereços permanentes
aos periódicos eletrônicos e a seus artigos, uma característica tecnológica
importante para garantir interoperabilidade e navegação entre artigos de
periódicos diferentes além de garantir acesso universal, agora e no futuro, aos
resultados das pesquisas (Questão 7). Padrões tecnológicos emergentes para
garantir interoperabilidade e acesso universal como Dublin Core Metadata
Initiative (http://dublincore.org) (Questão 8) e OAI-PMH - Open Archives Initiative
Protocol for Metadata Harvesting (http://www.openarchives.org/), (Questão 9) são
muito pouco conhecidos entre os editores dos dois grupos.
Apesar da maioria dos editores terem respondido positivamente à Questão
11, declarando disporem de mecanismos para medir a audiência, a maioria destes
mecanismos eram simples contadores de visitas. Nenhum dos editores respondeu
que possuía mecanismos mais sofisticados para medir a audiência como
contadores de “downloads” ou estatísticas de citação.
Nas respostas à Questão 12, poucos periódicos “emergentes” não
conheciam a existência de portais como SciELO e Epub (http://www.epub.org). A
maioria pretendia manter seu próprio “site”.
As maiores prioridades (Questão 13) do grupo “emergente” eram aumentar
a visibilidade de seus periódicos e garantir a regularidade. Poucos estavam
preocupados com a questão da preservação a longo prazo, aumentar a
interatividade, incorporar recursos hipertextuais e multimídia. Poucos também, em

�ambos os grupos, estavam preocupados em disporem de tecnologias para
cobrarem assinaturas.

4 CONCLUSÕES
Apesar do grande desenvolvimento nos anos recentes, os periódicos
eletrônicos ainda não parecem ser uma realidade totalmente naturalizada no
cenário da informação científica brasileira. A este respeito, uma das estratégias
para identificar periódicos eletrônicos usada pela pesquisa foi visitar os “sites” das
mais importantes associações científicas brasileiras, como ANPUH (Historia),
ANPUR (Planejamento Urbano e Regional), ANPOLL (Lingüística e Literatura),
ANPOF (Física), ANPOCS (Ciências Sociais), ANPED (Educação), ABRASCO
(Saúde Coletiva).

A maioria destas associações, embora tivessem “sites”

tecnologicamente avançados, onde se podia inclusive assinar eletronicamente os
periódicos destas associações, exceto por duas, todas as outras associações
mantinham seus periódicos impressos. Este fato pode indicar uma tendência ainda
conservadora de setores da comunidade científica brasileira com relação aos
periódicos eletrônicos.
A pesquisa também deve completar seu objetivo inicia, de mapear de forma
o mais completa possível o universo de periódicos eletrônicos brasileiros em C&amp;T.
Um grupo importante ainda deve ser mapeado e incluído na base de dados, os
periódicos incluídos no LatinIndex mas não no SciELO. A expectativa também é
manter atualizada a base de dados com os resultados da pesquisa, tornando-a
uma fonte de controle bibliográfico sobre o universo dos periódicos eletrônicos
brasileiros em C&amp;T.
A pesquisa indicou também que a facilidade de publicar eletronicamente na
Web parece resultar numa proliferação de periódicos acadêmicos e científicos,
Mais de 80% dos periódicos “emergentes” foram lançados após 2001. Não se tem
ainda como afirmar se esta tendência continua. Esta situação pode adquirir
contornos mais graves para os periódicos eletrônicos que para os impressos, em

�função da facilidade e baixo custo da publicação na web. Esta proliferação pode
resultar numa vida curta para muitos periódicos eletrônicos (a mesma tendência já
identificada na literatura de biblioteconomia para os periódicos impressos em
papel) e numa tendência a um declínio de qualidade.
Um periódico eletrônico é um dispositivo com muito maior potencial
cognitivo que um periódico impresso (Hutchin, 1999), (Lévy, 1993). A tecnologia
eletrônica pode incrementar a interatividade, prover facilidades de hipertextos e
hipermídia

(Chartier,

1998).

Pode

também

proporcionar

um

ambiente

informacional personalizado (Hyldegaard, 2004). Os periódicos eletrônicos
brasileiros, da mesma maneira que muitos periódicos eletrônicos internacionais,
são ainda concebidos baseados no modelo em papel, incorporando pouco das
facilidades tecnológicas citadas.
Se publicar eletronicamente um periódico pode ser simples, requerendo um
mínimo de habilidades relativas a “web design” e programação, o uso intensivo de
novas facilidade tecnológicas para ampliar a interatividade pode ser bastante mais
complexo. A necessidade de se manter atualizado com relação a padrões
tecnológicos relativos a preservação e acesso a longo prazo, como Dublin Core,
Open Archives, OAIS, etc, constitui, mais e mais, uma demanda .para editores e
publicadores científicos. Hoje, os editores dos periódicos eletrônicos brasileiros se
mostram ainda pouco familiarizados com estas questões. A organização destes
periódicos em portais, como o SciELO pode vir a dispensar os editores de
conhecerem profundamente estes aspectos, já que o provedor de tecnologia, no
caso o SciELO, se encarregaria destas questões (Marcondes, 2003).
Toda esta situação parece indicar a necessidade de uma maior
profissionalização da atividade de edição e publicação de periódicos eletrônicos.
Diferentemente dos periódicos internacionais, muitos deles agrupados em portais
(Simeão, 2003) como ScienceDirect, Gale, OVID, Blackwell, etc, os periódicos
eletrônicos brasileiros seguem um modelo tipo um-periódico-por-“site” Só existem
três portais de periódicos em C&amp;T na web brasileira: além dos SciELO e Epub, o

�único outro portal, o de uma editora comercial que publica vários periódicos
biomédicos, é o Cibersaude, http://www.cibersaude.com.br. Talvez um solução
alternativa seja estimular que estes periódicos eletrônicos em “sites” isolados se
juntem a portais como SciELO e Epub, que possam aportar aos mesmo maiores
facilidades tecnológicas.
Indica também a necessidade de se endereçar uma série questões
levantadas na pesquisa. Questões como a garantia de endereços eletrônicos
persistentes, como as citadas iniciativas PURL, DOI e CrossRef; mecanismos e
padrões para descrição e intercâmbio de metadados, como Dublin Core e Open
Archives; metodologias comuns para avaliar a audiência dos “sites” como as
propostas no Projeto COUNTER (http://www.projectcounter.org); de metodologias
para garantia de preservação a longo prazo destes conteúdos – como modelo
OASIS

–

the

Open

Archival

Information

System

Reference

Model,

http://www.dpconline.org/docs/lavoie_OAIS.pdf, agora também um padrão ISO .
Dada a fragilidade inerente às publicações digitais, sem que tais questões sejam
endereçadas, os periódicos brasileiros em C&amp;T se encontram numa situação
bastante precária a médio prazo, correm o risco de ficarem inacessíveis. Estas
questões estão claramente, como demonstrou a pesquisa, além da possibilidade,
capacidade técnica e de articulação dos editores de periódicos eletrônicos
brasileiros isolados, que são a grande maioria; devem portanto ser objeto de
políticas públicas de informação em C&amp;T.

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Departamento de Ciência da Informação, Universidade Federal Fluminense R. Lara Vilela, 126 –
S. Domingos, Niterói/RJ email: marcon@vm.uff.br
Centro de Informações Nucleares, Comissão Nacional de Energia Nuclear R. Gen. Severiano, 90 –
Rio de Janeiro/RJ email: lsayao@cnen.gov.br
Bolsistas de Iniciação Científica, Universidade Federal Fluminense R. Lara Vilela, 126 – S.
Domingos,
Niterói/RJ
email:
cmarciomaia@ig.com.br;
marco_ar@bol.com.br;
wilderfaria@yahoo.com.br

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              <text>Relata resultados de projeto de pesquisa, apoiado pelo CNPq, cujo objetivo foi desenvolver um quadro geral da situação dos periódicos eletrônicos brasileiros em ciência e tecnologia. Utilizou-se no levantamento os instrumentos de controle bibliográfico disponíveis, como listas do portal SciELO e a base de dados LatinIndex. Para complementar o levantamento pesquisa extensiva na Web teve que ser feita para identificar outros “sites” de periódicos eletrônicos brasileiros. Mecanismos de busca como Google e AltaVista foram utilizados com este objetivo. Foram submetidas consultas tais como “Brazilian Journal of”, “Brazilian Archives of” etc, para identificar outros periódicos eletrônicos. Em cada “site”, informações sobre cada periódico eletrônico foram coletadas e armazenadas numa base de dados, classificada por área de conhecimento CAPES/CNPq. Após esta fase inicial uma pesquisa qualitativa foi desenvolvida, baseada em questionários enviados aos editores dos periódicos eletrônicos por correio eletrônico. Estes questionários solicitam informações acerca do modelo de negócios do periódico eletrônico, dificuldades encontradas para manter o periódico atualizado, existência de políticas relativas à preservação e acesso a longo prazo, conhecimento dos editores de padrões tecnológicos relativos a publicações eletrônicas, problemas enfrentados para lançar e manter o periódico eletrônico. O universo de periódicos eletrônicos brasileiros se mostrou segmentado, variando de periódicos consolidados, de alta qualidade, originários de periódicos em papel, como os mantidos no portal SciELO, até periódicos “emergentes”, sem versão impressa, recentemente disponibilizados na Web. Este universo abrange também diversas áreas de conhecimento.</text>
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