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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA ERA PLANETÁRIA
Heloisa Helena Anzolin1
Lucia Izabel C. Sermann2
RESUMO
Analisar a biblioteca universitária como organização complexa, sob a ótica das teorias de Edgar
Morin, constitui o foco deste artigo. Considerando as mudanças que estão ocorrendo da sociedade
atual e que tem alterado o modo de ser e fazer das universidades e conseqüentemente de suas
bibliotecas, tendo em vista que as mesmas são subsistemas das universidades. A Biblioteca
passou de guardiã da informação para disseminadora do conhecimento, e mediadora entre o
usuário e a informação. Hoje as informações estão disponíveis em grandes portais na Internet e
oferecem oceanos de informações, com documentos full-text e hiperligados a outros
documentos. Uma quantidade imensa de informações está à disposição no ciberespaço. O
conhecimento humano está atualmente disperso no espaço, desdobrando-se num tempo
descontínuo. Morin em seus estudos sobre a complexidade na era planetária, afirma que tudo está
interligado no planeta. A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora
atendiam às necessidades de acesso aos documentos, hoje já não satisfazem mais o usuário. O
bibliotecário necessita estar consciente dessa nova realidade planetária e complexa, preparandose de forma contínua para poder dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades.
Deve achar mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de
informação.

Palavras-chave: Biblioteca universitária;
Universidades; Sociedade da Informação.

Organizações;

Complexidade;

1 INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é marcada por grandes transformações em
suas estruturas sociais com reflexos em todas as manifestações humanas.
Fatores como o desenvolvimento científico e tecnológico, desenvolvimento das
comunicações, telecomunicações, a Internet que trouxe o mundo para dentro de
casa com um oceano de informações, a globalização. Globalização essa que foi
preconizada por McLuhan quando escreveu sobre aldeia global, segundo sua
afirmação o mundo seria constituído,
pelos meios ultra-rápidos de informação à distância, como rádio,
telefone, televisão, que poderiam ligar os povos do mundo em redes de
circuitos elétricos. Cada evento seria pertinente a todos, já que a
humanidade estaria novamente organizada como uma tribo, uma tribo
elétrica.De certo modo, então todos seríamos responsáveis (ao menos
conscientes) pelos problemas do mundo, misturando culturas de povos
que conservam aspectos pré-históricos como o universo mercadológico,
povos iletrados com centros de pesquisas espaciais (DUARTE, 1998, p.
22-23).

1
2

Bibliotecária da PUCPR, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR.
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR.

�2

Essas mudanças no mundo afetam o modo de ser e fazer da universidade
e de suas bibliotecas. Ao longo dos séculos as bibliotecas passaram por
mudanças significativas. A história mostra livros acorrentados, guardados em
porões, temas censurados, acervos fechados em locais sombrios, e o acesso
para poucos intelectuais letrados. No século XXI, estamos na chamada era virtual,
que Browning chamou de bibliotecas sem paredes para livros sem páginas. A
Biblioteca

passou

de

guardiã

da

informação

para

disseminadora

do

conhecimento, e mediadora entre o usuário e a informação. Hoje as informações
estão em grandes portais, muitas com acesso livre, em acervos virtuais
interligados por hiperlinks. Uma quantidade imensa de informações está à
disposição no ciberespaço.

Sendo assim, para que os indivíduos possam participar da sociedade atual,
em permanente evolução e incertezas, necessitam não apenas serem
alfabetizados, mas também ter acesso às tecnologias de informação e
comunicações. Um computador e uma conexão telefônica dão acesso a quase
todas as informações do mundo, imediatamente ou recorrendo a redes de
pessoas capazes de remeter a informação desejada (LÉVY, 2000, p. 199).

Além de estar informado sobre os fatos que acontecem no mundo, porque
a informação é a matéria para os indivíduos serem partícipes de mudanças na
realidade social, organizacional e, consequentemente, em sua própria realidade
(DIAS; BELLUZZO; PINHO; PIRES, 2004, p. 2). O conhecimento das informações
ou dos dados isolados é insuficiente. É preciso situar as informações e os dados
em seu contexto para que adquiram sentido (MORIN, 2005, p. 36).

A informação terá valor na medida em que seja devidamente tratada e
comunicada para um público capacitado informacionalmente, ou seja, um público
que seja preparado para usar a informação recebida para tomada de decisão e
resolução de problemas (DIAS; BELLUZZO; PINHO; PIRES, 2004, p. 2).

Edgar Morin (2005, p. 35) faz a seguinte reflexão sobre conhecimento na
era planetária:

�3

O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo
tempo intelectual e vital. É o problema universal de todo cidadão do novo
milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como terá a
possibilidade de articulá-las e organizá-las? Como perceber e conceber
o Contexto, O Global (a relação todo/parte), o Multidimensional, O
Complexo? Para articular e organizar os conhecimentos e assim
reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma
do pensamento: é a questão fundamental da educação, já que se refere
à nossa aptidão para organizar conhecimento.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
Estamos vivendo a chamada Sociedade do Conhecimento, Sociedade da
Informação ou ainda Era da Informatização, onde a informação é considerada
vantagem competitiva, é poder. Belluzzo comenta que,
cada vez mais intensamente estamos ouvindo falar sobre a sociedade
do conhecimento e, nem sempre conseguimos entender o significado
deste momento da civilização humana. O conhecimento considerado
como a principal moeda de troca, um bem de valor que um indivíduo,
uma instituição ou uma comunidade podem possuir. O fluxo de
informações hoje, cada dia mais, o espaço privilegiado da economia, da
política e das relações sociais (BELLUZZO, 2005, p. 29)

Sociedade da Informação segundo o Glossário da Sociedade da
Informação é uma etapa no desenvolvimento da civilização moderna que é
caracterizada pelo papel social crescente da informação, por um crescimento da
partilha dos produtos e serviços de informação no PIB e pela formação de um
espaço global de informação, essa definição é complementada pela expressão
Sociedade do Conhecimento, caracterizada por uma proporção alta de
trabalhadores do conhecimento (profissionais que criam, modificam e/ou
sintetizam conhecimento como parte integrante das suas ocupações), e onde a
educação constitui a pedra angular da sociedade.

Isto posto, fica claro que a Sociedade da Informação não é um modismo.
Que representa uma profunda mudança na organização da sociedade e da
economia, havendo quem a considere um novo paradigma técnico-econômico. É
um fenômeno global, com elevado potencial transformador das atividades sociais
e econômicas, uma vez que a estrutura e a dinâmica dessas atividades
inevitavelmente serão, em alguma medida, afetadas pela infra-estrutura de
informações disponível (Livro Verde, 2000, p. 5). Período esse caracterizado pela
instantaneidade e virtualidade, (...) era em que a informação flui a velocidades e

�4

quantidades há apenas poucos anos inimagináveis, assumindo valores sociais e
econômicos fundamentais (Livro Verde, 2000, p.3).
3 BIBLIOTECA E COMPLEXIDADE
Nesse contexto de grandes transformações, turbulências e incertezas,
encontra-se a biblioteca universitária, tendo que se adaptar, integrando-se ao
novo cenário, atendendo um usuário muito mais exigente, com necessidades e
interesses específicos, urgência na obtenção das informações, com acervos reais
e virtuais, e com recursos financeiros cada vez menores. Tendo ainda que
corresponder às expectativas da comunidade que serve e da instituição que está
vinculada. Atualmente não se concebe uma biblioteca universitária, que não
esteja com seus serviços e produtos informatizados, ligados a redes de
comunicações. Deve oferecer além de estoques informacionais, bibliotecas
virtuais e digitais, acesso aos E-books, serviços on-line, como os catálogos,
reservas e renovações de materiais, etc. Os acervos devem ser diversificados
para atender à complexidade cultural necessária aos futuros profissionais e
demais usuários.

Esse contexto global da informação e do conhecimento traz consigo novas
exigências de habilidades necessárias para usuários e bibliotecários. Por
exemplo, como navegar na Internet, estar inserido em listas de discussões
nacionais e internacionais, estar atendo para o uso da tecnologia da informação,
criando novos serviços virtuais, produtos mais interativos como visitas orientadas
virtuais, tutoriais web para uso de base de dados, e uso do catálogo, links de
outras instituições e sites relacionados com textos na íntegra selecionados,
exposições virtuais, dicas de leitura, etc.

Complexidade é definida por Morin à primeira vista como um tecido
(complexus: o que é tecido em conjunto) de elementos heterogêneos
inseparavelmente associados, que apresentam a relação paradoxal entre o uno e
o múltiplo. A complexidade é efetivamente a rede de eventos, ações, interações,
retroações, determinações, acasos que constituem nosso mundo fenomênico
(MORIN, 2003, p. 20).

�5

Instituições de ensino superior são organizações complexas. As bibliotecas
universitárias são interdependentes dessas instituições mantenedoras, que por
sua vez, formam um subsistema igualmente complexo.

Organização segundo a definição de Simon (1976 apud AGOSTINHO,
2003, p. 31) refere-se ao complexo padrão de comunicação e de relacionamentos
em um grupo de seres humanos.
Considerando essas definições, as ações que tornam a biblioteca
universitária como organizações complexas são:

a) Interdependência da Universidade;
não pode atuar com políticas e ações desvinculadas da missão da
Instituição;
grande maioria não tem verba própria definida anualmente dentro do
planejamento orçamentário da Universidade; para acervo e equipamentos,
em conseqüência desse fato, os acervos estão desatualizados e
equipamentos que mais parecem sucatas;
pouca autonomia ou nenhuma para administração da Biblioteca;
diretores das bibliotecas raramente são bibliotecários, ou escolhidos de
com a participação do pessoal da Biblioteca;
ações que melhorem o funcionamento da Biblioteca, raramente são
apoiadas pela Universidade;
normas e procedimentos aprovados pela Universidade;
prédios construídos ou instalações adaptadas sem a participação de
bibliotecários;
escolha e aquisição de software para gerenciar os serviços da Biblioteca,
muitas vezes pelo preço e não pelo benefício e facilidade para o usuário
interno e externo;
expressão Coração ou cérebro da Universidade, muitas vezes só no
discurso.

b) Subsistema da Universidade formada por outros subsistemas internos;
como subsistema da Universidade, é um órgão avaliado pelo MEC;

�6

qualidade na prestação de serviços, nem sempre é possível quando
depende de verba - por exemplo, oferecer acesso a base de dados, tem
um custo elevado para as Universidade que não possuem o Portal da
Capes.

c) Conhecimento e atuação em concordância com o projeto pedagógico da
Universidade;
falta de entrosamento entre bibliotecário e professor;
professores em geral não consultam a Biblioteca para verificar bibliografias
solicitadas em trabalhos de turmas inteiras;
não pode atuar com políticas e ações desvinculadas dos programas de
aprendizagem dos cursos. Por exemplo, formar um acervo sem considerar
as áreas de conhecimento em que os cursos são ofertados.

d) Atende públicos variados, com expectativas e necessidades diferentes:
alunos de graduação, pós-graduação (Lato Sensu e Stricto Sensu);
professores, pesquisadores;
usuários presenciais e virtuais;
comunidade externa e interna;
usuários com necessidades especiais:
oferecer acesso igualitário à informação a toda comunidade acadêmica,
sem qualquer discriminação;
e) Deve ser pensado como uma unidade de negócio;
planejamento estratégico que raramente consegue por em prática, porque
depende da Universidade para algumas ações;
fazer mais com menos;
recursos financeiros e humanos insuficientes;
funcionários remanejados (às vezes em fim de carreira) de outros setores
da Universidade,
funcionários desmotivados;
baixos salários;
falta de incentivo para capacitação continuada dos profissionais;

�7

gestão de pessoas (pessoal interno-funcionários e pessoal externousuários).
f) Ambiente externo
oferece serviços que depende de atendimento por terceiros. Ex.
Intercâmbio de publicações, empréstimo entre bibliotecas, malote entre
campi, etc.;
seguir padrões e normas internacionais, considerando o atendimento das
necessidades de seu público local;
participar de redes nacionais e internacionais (dificuldade para conseguir
participar efetivamente);
estar atento às novas tecnologias, inclusive para poder participar de redes,
compartilhar serviços e recursos;
responsabilidade social e ética na formação do cidadão.

Bibliotecas são basicamente prestadoras de serviços que atuam como
organizações complexas. Prestam serviços a um público diversificado e cada vez
mais exigente, que não está preocupado com nossa estrutura administrativa,
financeira ou como nosso plano estratégico. Está interessado, sim, em resultados,
isto é, o valor que lhes oferecemos (DRUCKER, 1997, p. 43).
4 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO INTELIGÊNCIA DA UNIVERSIDADE
Bibliotecas não existem de forma independente da sociedade e das
instituições às quais se vinculam. Elas acompanham as tendências que se
verificam na vida social, em especial aquelas relacionadas ao campo do
conhecimento e da educação (LEITÃO, 2005, p. 24). São instituições que existem
desde que o homem sentiu necessidade de registrar sua história, sua cultura,
para transmitir a outras gerações.

Biblioteca universitária por definição é aquela que atua em instituições de
ensino superior, como, centros universitários, universidades e faculdades, dentre
outros. Tem por finalidade dar suporte informacional, complementando as
atividades curriculares dos cursos, oferecendo recursos para facilitar a pesquisa
científica. Sua missão é prover informação para o ensino, a pesquisa e a

�8

extensão, de acordo como a política, projeto pedagógico e programas da
universidade a qual está inserida. As diretrizes do ensino superior reforçam a
necessidade de participação ativa das bibliotecas em programas de ensino,
pesquisa e extensão.

O papel na biblioteca universitária é fundamental para a produção do
conhecimento, como articuladora entre o professor, alunos e complementação de
conteúdos trabalhados em sala de aula, não somente isso, mas também como
local para auxiliar o desenvolvimento da cidadania e valores para a vida do
cidadão. Como por exemplo, proporcionar um espaço para grupos de discussões,
promover exposições com assuntos polêmicos da atualidade, envolver os alunos
nas campanhas educativas lançadas pela Biblioteca, como por exemplo,
preservação de material bibliográfico, nesse caso atuando como educadora,
promover o gosto pela leitura, dentre outras atividades que podem ser oferecidas
pela biblioteca.

A biblioteca vista como organização, deve estar aberta para novas
possibilidades de atuação, porque ela existe em função de prestar serviços para a
comunidade da qual está inserida. Organização não existe sem informação.
Conforme diz Morin, quando propõe:
propõe que a organização é conjunção. Encontramos apoio para refletir
sobre a informação e a organização, na conjunção da informação e da
ação, onde diz que do mesmo modo que podemos interpretar a relação
da matéria e a energia como mediatizada pela ação, podemos propor
uma representação da relação da informação e da organização como
mediatizada pela ação. Daí ocorrer uma conjuntura fecunda: a matéria é
para a energia o que a informação é para a organização (MORIN, 2004,
p. 235).

Segundo

esse

entendimento,

a

biblioteca

universitária

deve

ser

considerada uma extensão da sala de aula, porque nela também acontece à
ação, sendo o local que seleciona, reúne, organiza, identifica, disponibiliza e
possibilita o acesso a informação, em uma coleção real ou virtual, como resultado
de uma pesquisa.

Mas não basta apenas reunir, organizar e disponibilizar a informação (...) é
preciso competência para transformar informação em conhecimento. A educação

�9

o elementochave para uma construção de uma sociedade da informação e
condição essencial para que as pessoas e organizações estejam aptas a lidar
como o novo, a criar e, assim, a garantir seu espaço de liberdade e autonomia
(Livro Verde, 2000, p. 7).

A educação não acontece somente no espaço de sala de aula, é na
verdade um esforço de muitas pessoas. O ensino e aprendizagem acontecem em
vários espaços, dentre eles a biblioteca. Os bibliotecários e sua equipe estão
inseridos no contexto educacional, portanto cabe a eles capacitar o usuário no
uso da informação e transformá-la em conhecimento, gerando assim um novo
conhecimento, que é uma das finalidades da universidade.
5 RE-DESENHO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ORGANISMO VIVO
A sociedade da informação traz paradigmas da economia, como
produtividade e qualidade, cria novos caminhos para o desenvolvimento e exige
uma nova postura das mudanças sociais. Gerar, obter e aplicar conhecimento
passa a ser item básico para enfrentar essas mudanças (VALENTIM, 2002, p. 1).
Mudanças estas que causam grande incerteza e desordem nos ambientes
informacionais. Podendo ser pensado pela ótica das três teorias: a teoria da
informação, a cibernética e a teoria dos sistemas.

A teoria da informação é uma ferramenta que trata da incerteza, da
surpresa, do inesperado. Desse modo, a informação que indica o vencedor de
uma batalha resolve uma incerteza; aquela que anuncia a morte súbita de uma
personalidade traz o inesperado e, ao mesmo tempo, a novidade. O que significa
que em um universo que existe paralelamente a ordem e a desordem, se permite
extrair o novo, ou seja, a informação.

A cibernética é onde a informação torna-se, aquilo que controla a energia e
aquilo que dá autonomia a uma máquina. Norbert Weiner (1948), rompe o
princípio de causalidade linear e introduz a idéia de círculo causal. Onde a causa
age sobre o efeito e o efeito sobre a causa.

�10

A teoria dos sistemas traz a lição sistêmica que o todo é mais do que a
soma das partes. Isso significa que existem qualidades emergentes que nascem
da organização de um todo e que podem retroagir às partes (MORIN, 2004, p.
201-202).

A biblioteca universitária vista como organização e subsistema da
Universidade, está sujeita as mudanças e incertezas causadas por fatores vindos
do ambiente externo. A sua forma de atuação, portanto precisa ser ajustável as
transformações e mudanças impostas pelas novas exigências atuais. O novo
cenário é extremamente dinâmico.

Ranganathan (1931) definiu cinco Leis da Biblioteconomia, onde a quinta
lei dizia que: Uma biblioteca é um organismo em crescimento. Trazendo essa
idéia para as teorias de Morin, quando diz que as organizações são organismos
vivos e compara com o funcionamento do corpo humano. A biblioteca universitária
como organização deve atuar como organismo vivo, ou seja, deve criar
mecanismos para se auto-organizar, auto-ajustar e auto-gerir, diante das novas
imposições da sociedade atual. Novas formas de atuar na biblioteca devem surgir
de acordo com as necessidades, tendo em vista que a biblioteca é uma
organização.

Belluzzo (2006, p. 18) define alguns parâmetros para mudanças nas
formas de gestão em bibliotecas na atualidade:
Foco no cliente e não no patrimônio (acervos e espaços físicos);
Gestão de todo o sistema bibliotecário e não apenas de divisões/setores;
Microgestão (vantagem nos detalhes) em primeiro lugar e não a
macrogestão (processos e procedimentos como um todo);
Foco no tempo e não apenas no custo/investimento;
Organização em torno da cadeia de valor, não em torno de funções;
Aprender com os erros e não repeti-los;
Ser local, não central;
Prontidão em lugar e decisões adiadas;
Cooperação, não competição interna.
As bibliotecas, no entanto precisam levar em conta as principais tendências
do mundo moderno, destacados no quadro a seguir:

�11

Quadro 1  PRINCIPAIS FATORES DE TENDÊNCIAS NO MUNDO MODERNO
INSTANTANEIDADE
Tempo menor
Compreensão do tempo
Just-in-time
Informação em tempo real
Flexibilidade organizacional
Agilidade na prestação de serviços

VIRTUALIDADE
Espaço menor e portabilidade
Compreensão do espaço e da dimensão
Sistema enxuto
Organização em equipes e em redes
Unidades estratégias de negócio

Fonte: BELLUZZO (2006, p. 18)

A biblioteca universitária, portanto deve ser pensada como uma
organização prestadora de serviços, tendo em vista o contexto no qual está
inserida e pelo momento de mudanças e transformações que passa a vida
planetária, onde tudo está interligado.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo como base as teorias da complexidade de Morin, tentamos uma
aproximação de suas reflexões, relacionando ao ambiente da biblioteca
universitária. Percebe-se que conhecimento é vital para o homem, e que o novo
milênio trouxe uma necessidade cada vez maior de informação para produção do
conhecimento. Mas que nada pode se dado como verdade e certeza, pois são
provisórias.Tudo é interdependente de tudo, em todo lugar. em um mundo onde
as diversidades devem ser consideradas.
Conforme já dito a biblioteca é uma prestadora de serviços, e como tal
precisa ser entendida como uma organização, com uma missão a cumprir, uma
visão de futuro, além de flexibilidade e criatividade para sobreviver na Sociedade
da Informação. A biblioteca já não é mais o único e possível espaço do saber
acumulado com antigamente. Hoje temos como concorrente a Internet, o telefone
celular, os E-Books, etc. O conhecimento humano está atualmente disperso no
espaço, desdobrando-se num tempo descontínuo (LEVACOV, 2000, p. 263).

Podemos e devemos utilizar a tecnologia da informação e da comunicação
como uma aliada para criar, oferecer, divulgar serviços que vão de encontro às
necessidades desse novo usuário, de forma atrativa e eficaz. A presença das
novas tecnologias da informação e comunicação, é um fato consumado, no nosso
cotidiano, gostemos ou não. Portanto já que não se pode ignorar e nem mudar

�12

esse fato, temos que estar inseridos nesse meio, como atores e não como
figurantes. Usufruindo desses recursos para antecipar serviços e produtos aos
usuários, colaborando para a formação não somente profissional, mas também
para a vida do cidadão planetário.

Devido à rapidez e velocidade com que estas tecnologias tornam-se
obsoletas, fica praticamente impossível prever quais serão as necessidades de
uma biblioteca daqui a uma década. Fato que dificulta enormemente o
planejamento da unidade.

O bibliotecário convive atualmente com indagações, do tipo: que acervo
formar, coleção ou acesso?, sendo que coexistem em um mesmo ambiente
usuários presenciais e remotos, a questão de preservação também é outra fato
que preocupa, porque a mudança do suporte da informação impressa para mídia
digital, resolve o problema de espaço físico, mas cria novos problemas, como a
obsolescência das tecnologias de preservação, armazenamento e recuperação.

A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora
atendiam às necessidades de acesso aos documentos, como o intercâmbio de
cópias, hoje já não satisfazem mais o usuário. Os grandes portais disponíveis na
Internet oferecem oceanos de informações, com documentos full-text e
hiperligados a outros milhares de documentos. No entanto o usuário precisa ser
capacitado para não se afogar nesse oceano de informações. Saber reconhecer
o que realmente vale a pena.

O bibliotecário de biblioteca universitária necessita estar consciente dessa
nova realidade planetária complexa, preparando-se de forma contínua para poder
dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades. Deve achar
mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de
informação.

�13

REFERÊNCIAS

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autônoma. São Paulo: Atlas, 2003.
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bibliotecário como mediador do aprendizado no uso de fontes de informação.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Analisar a biblioteca universitária como organização complexa, sob a ótica das teorias de Edgar Morin, constitui o foco deste artigo. Considerando as mudançass que estão ocorrendo na sociedade atual e que tem alterado o modo de ser e fazer das universidades e consequentemente de suas bibliotecas, tendo em vista que as mesmas são subsistemas das universidades. A Biblioteca passou de guardiã da informação para disseminadora do conhecimento, e mediadora entre o usuário e a informação. Hoje as informações estao disponÌveis em grandes portais na Internet e oferecem "oceanos de informações", com documentos full-text e hiperligados a outros documentos. Uma quantidade imensa de informações esá à disposição no ciberespaço. O conhecimento humano está atualmente disperso no espaço, desdobrando-se num tempo descontÌnuo. Morin em seus estudos sobre a complexidade na era planetária, afirma que tudo está interligado no planeta. A instantaneidade é algo muito presente, e soluções que até agora atendiam as necessidades de acesso aos documentos, hoje já não satisfazem mais o usuário. O bibliotecário necessita estar consciente dessa nova realidade planetária e complexa, preparando-se de forma contínua para poder dar conta de atuar nesse cenário de incertezas e diversidades. Deve achar mecanismos para inserir-se nesse contexto e não ficar isolado em ilhas de informação.</text>
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