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                  <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: NOVAS
POSSIBILIDADES NO GERENCIAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Regina Maria Duarte Moreira dos Santos
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasilia-DF, Brasil
reginaduarte@ibict.br
Miguel Angel Márdero Arellano
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict
SAS, quadra 5, lote 6, bloco H, CEP. 70.070-914 Brasilia-DF, Brasil
Miguel@ibict.br

Resumo
O presente tem como objetivo propor uma reflexão sobre a relação biblioteca
universitária/periódico científico eletrônico, que atribuiu a esta biblioteca uma nova
configuração, alterando inclusive as políticas de desenvolvimento de coleções. Aborda a
passagem da biblioteca universitária tradicional para biblioteca digital. Salienta e articula
a evolução do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas – OJS/SEER. Procura
analisar as transformações que os periódicos eletrônicos provocaram na área da
informação, envolvendo mudanças que atingiram, autores, editores, avaliadores,
bibliotecários e usuários.

Palavras – chave: Biblioteca universitária; Periódico científico eletrônico; Políticas
de desenvolvimento de coleções.
Introdução

As transformações recentes na área de economia mundial através da
globalização e da explosão de novos produtos, expandindo mercados no ramo
das telecomunicações e de serviços de informações e um inquestionável aumento
na produtividade nas últimas décadas, trouxeram alterações sensíveis ao
contexto das universidades e ao meio educacional em todos os níveis. Uma das
áreas afetadas foi o da aquisição de publicações científicas em bibliotecas – como
continuação do processo histórico que se iniciou nas décadas de 60 e 70, naquela
ocasião, exclusivamente devido ao “boom” do crescimento exponencial da
ciência, e conseqüentemente da produção bibliográfica (PRINCE, 1997).

1

�Estima-se que se encontram disponíveis no mercado nacional (há tempos)
globalizado mais de 12.000 periódicos eletrônicos pagos ou de acesso livre
segundo o Portal Brasileiro de Informação Científica – CAPES. Em comparação,
para se ter uma idéia mais exata do crescimento desse mercado, segundo o ISSN
International Center (2006), temos atualmente mais de 1.200.000 periódicos
correntes no mundo. É oportuno salientar que a definição dada pelo ISSN
International Center abrange um escopo de publicações mais largo ao estrito
objeto deste trabalho embora não menos importante: os jornais ou revistas
cientificas eletrônicas brasileiras.

O mercado de periódicos científicos é caracterizado pela ação de grandes
empresas transnacionais atuantes num mercado globalizado, exercendo formas
de oligopólios de poder, as quais podem estar alternando acentualmente os
resultado e metas esperadas pelas bibliotecas universitárias brasileiras, por
intermédio do gerenciamento de suas políticas de desenvolvimento de coleções.
Dentre as metas principais inseridas nestas políticas (e que deveriam estar sendo
cumpridas) está a democratização do acesso à informação científica – gerando
novos conhecimentos – e, em última instancia, a promoção do bem comum por
nossa sociedade.

A proposta de realização deste trabalho originou-se de uma constatação
inicial de que fatores de contexto como a mudança para uma cultura digital e o
uso intensivo da Internet, passam a exercer influências, a médio e longo prazo
sobre o processo de desenvolvimento de coleções.

Em se tratando especificamente de periódicos eletrônicos, Gardel Amaral
coloca-nos uma questão relevante (1997, p. 125):
...estão os periódicos tradicionais em processo de migração para o meio
eletrônico ou os editores apenas adotam a mídia eletrônica para efetivar
suas estratégias de marketing? Alguns autores acreditam que não há como
proceder a essa suposta migração.

2

�Responder a estas e outras questões se tornaram mais que um importante
desafio, mas também, uma necessidade para todos que trabalham diretamente
com a publicação cientifica e eletrônica. Sobre a razão desta migração já existem
estudos indicando que a preferência pelos periódicos eletrônicos se dá por razões
pragmáticas e culturais (administração e gerenciamento do processo editorial online, manipulação facilitada do texto digital, transportabilidade, capacidade de
duplicação exponencial, acesso livre a informação cientifica), e não pelo simples
fato de substituir e/ou solapar o texto impresso.

Por fim, outra justificativa para este trabalho advém de nossa atividade
profissional. Sentimos incentivados a desenvolvê-la, pois a nossa atividade
profissional nos últimos dois anos, esteve sempre atrelada a atividades de
repasse do sistema OJS/SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas,
às instituições de ensino superior no País. Nessa atividade, surgiram indagações
e motivação pessoal para buscar contribuir, mesmo que de forma indireta, para o
processo de construção de uma maior equidade social em nosso país, através da
democratização do acesso à informação cientifica.

O Open Journal Systems - OJS é um software desenvolvido pela Public
Knowledge Project da University of British Columbia no Canadá para a construção
e gestão de uma publicação periódica eletrônica. Este sistema permite completa
autonomia na tomada de decisões sobre o fluxo editorial, a publicação e o acesso
por parte do editor; define as etapas do processo editorial, de acordo com a
política definida pela revista, dispõe de assistência e registro on-line em todas as
fases do sistema de gerenciamento. Na etapa de submissão , o OJS disponibiliza
um espaço para comunicação com o editor e, permite o acompanhamento da
avaliação e editoração do trabalho.

Em 2003, O Ibict no projeto de Biblioteca Digital Brasileira customizou o OJS
e, em 2004 disponibilizou o sistema à comunidade de editores científicos
brasileiros, com a denominação de Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
– OJS/SEER. É o único software no Brasil que possui o protocolo OAI para

3

�intercâmbio de dados essenciais (metadados), além do mecanismo para
preservação de seu conteúdo do projeto de preservação digital LOCKSS (Lots of
Copies Keeps Stuff Safe) e uma ferramenta de apoio à pesquisa (Research
Suport Tool) acompanhando todos os textos publicados para acesso a recursos
de informação científica na Internet. Atualmente mais de 90 revistas científicas
brasileiras já estão utilizando o sistema, ente elas, a primeira a usar o sistema em
2004, foi à revista Ciência da Informação editada pelo Ibict.

Desenvolvimento
1. Fundamentação Teórica

Ao construir um modelo teórico que dê conta de todos os fatores
envolvidos nas políticas de desenvolvimento de coleções eletrônicas, toma-se
como ponto de partida a constatação, de que as instituições de nossa sociedade
estão vivendo um novo contexto político, econômico, social e cultural, sobretudo
aquelas que fazem uso da informação mais diretamente e entre elas estão as
bibliotecas.

A biblioteca digital, embora seja uma realidade recente, pode ser
considerado um processo de evolução gradual da biblioteca tradicional
acompanhando os avanços das novas tecnologias, conforme ressalta Cunha
(2000, p. 16), que conceitua as bibliotecas digitais de uma maneira simples porem
adequada, como sendo “... um conjunto de mecanismos eletrônicos que facilitam
a localização da demanda informacional, interligando recursos e usuários”.

As bibliotecas digitais parecem caminhar no sentido de terem uma coleção
diversificada, com sua faceta digital tendo como característica especifica
(estrutura, serviços disponíveis), movendo-se cada vez mais de acordo com os
interesses e preferências de seus usuários.

Um conjunto de fatores arrolados – tecnológicos, sociais, econômicos,
comunicacionais, aponta para uma realidade vista em dois momentos históricos

4

�claramente distintos, podendo ser caracterizados conforme expõe o TABELA I –
Evolução do Processo de Aquisição do Conhecimento, a seguir:

TABELA 1 – Evolução do Processo de Aquisição do Conhecimento
CENÁRIOS

Natureza do
Fator

Anos 80 até primeira
metade da década de 90
(Bibliotecas tradicionais)

Segunda metade da década de 90 até
os dias atuais (Bibliotecas Digitais)

Social

Relativa distribuição de
renda e explosão do
consumo; Crescimento do
emprego, sobretudo nos
paises membros do G-8.

Diminuição do consumo e degradação
das condições de vida nas cidades;
Desemprego; Infoexclusão

Econômico

Economias ainda locais,
dominadas por impérios
regionais e centrais
(sobretudo dos Estados
Unidos e Japão); produção
“just in case”.

Economia e empresas globalizadas,
fortalecimento de alianças comerciais
regionais e de industrias de paises em
desenvolvimento; produção “just in time”.

Tecnológico

Surgimento e expansão de
novas tecnologias e
sistemas em rede

Consolidação da Internet e ambientes
corporativos; alto tráfego de dados
(“broadcasting”, ênfase em conteúdos).

Comunicação
Cientifica

Comunicação cientifica
preponderantemente ainda
impressa, inicio dos projetos
de divulgação ultraveloz de
trabalhos científicos;
comunicação unidirecionada
(um para um).

Publicações eletrônicas veiculadas e/ou
comercializadas através da Rede,
diminuição de tempo no processo de
transmissão do conhecimento;
comunicação multidirecionada (muitos
para muitos); hipertextualidade;

Serviços de
Bibliotecas

Projetos locais de aquisição
centralizada; diminuição de
orçamentos; aumento de
custos; investimentos em
serviços de empréstimo
interbibliotecas; baixo
incentivo ao treinamento de
funcionários.

Fortalecimento de consórcios regionais,
visando o acesso cooperativo de
documentos eletrônicos; intensificação
empréstimos inter-bibliotecas como nova
fonte de renda; fortes investimentos em
pessoal, incluindo cursos à distância e
ensino de línguas

2. O mercado de publicações cientificas

5

�Não foi apenas a hipertextualidade que, a partir de um determinado
momento histórico, outorgou às publicações periódicas eletrônicas um lugar de
destaque nas comunidades cientificas. Fatores econômicos impulsionaram os
grandes agentes distribuidores ou agregadores a contribuir para que o mercado
de publicações periódicas impressas entrasse em uma crise sem precedente
mundo afora e aflorassem as publicações eletrônicas.

Como relatam diversos autores, tal comportamento econômico do mercado
ocorreu, sobretudo nos últimos anos. Entre estes trabalhos, podemos citar os
relatos de Brakel (1995), Schauder (1990) Collins &amp; Berge (1994), Meyer (1997) e
Rogers &amp; Hurt (1990), que levantam as possíveis causas para esta crise das
publicações impressas e a explosão de sua contrapartida eletrônica:
- a ineficiência do modelo tradicional, as informações cientificas
chegam ao seu público alvo através de outros meios antes de sua
efetiva publicação. Assim quando o artigo é publicado este não
representa uma novidade (BRAKEL, 1995);
- limites físicos: alguns artigos, que poderiam trazer informações novas
e relevantes, acabam não sendo publicados, por falta de espaço nos
periódicos impressos (SCHAUDER, 1994);
- alta especialização e baixa circulação;
- altos e crescentes custos. Vide os trabalhos de Brakel (1995),
Schauder (1994) e Meyer (1997) e, sobretudo Odlyzko (1997);
- falta de espaço para armazenamento nas bibliotecas (CUNHA, 1997).

No caso dos grandes agentes distribuidores, encontram um mercado
globalizado caracterizado pela existência de um oligopólio ou monopólio onde
exercem o poder duas ou mais empresas distribuidoras fornecendo diversificados
serviços de informação, entre eles periódicos científicos.

Na literatura especializada encontramos uma preocupação e interesses
crescentes sobre a publicação eletrônica, destacamos os estudos de Meadows
(1979); Harrinson &amp; Stephen (1995); Barreto (1998); ou ainda uma bibliografia
extensiva publicada periodicamente por Bailey Jr. (2001).

6

�Como exemplo, o estudo de Olsen (1994) fez uma pesquisa de campo
onde foi analisada uma amostra de quarenta e seis estudantes e pesquisadores
de uma grande universidade norte americana cobrindo três grande áreas do
conhecimento (humanas, exatas e sociológicas), sendo composta pos estudantes
de literatura, química e sociologia, respectivamente. Entre os resultados do
estudo, Olsen (1994, p. 15) descobriu como principais razões para o crescimento
do uso de periódicos eletrônicos as seguintes razões, arroladas na TABELA 2 –
Razões para o uso de literatura de periódicos científicos, a seguir:

TABELA 2 – Razões para o uso de literatura de periódicos científicos
Razões para o uso de literatura de periódicos científicos
Fatores

Químicos
(n-16)

Sociólogos
(n-16)

Humanistas
(n-16)

Reunir conhecimento
para a sua formação
em dado assunto

16

16

14

Manter
permanente
consciência de novos
fatos /estudos

16

16

14

Busca de informações
especificas

16

16

14

Os resultados comprovaram, para a totalidade dos entrevistados, a alta
importância da literatura periódica, considerada “indispensável” para seus
trabalhos acadêmicos. Sua utilização foi justificada pelos pesquisadores,
conforme expôs Olsen (1994, p. 14), para mantê-los atualizados com o que outros
pesquisadores vem fazendo, para formar novas idéias para reunir conhecimento
para a formação em sua área, para observar novos fatores, atos e métodos de
trabalho.

7

�Sobre periódicos científicos, Khouri (1997), citando Payne (1997), define a
coleção digital ou eletrônica como sendo composta por: a) registros bibliográficos
on-line descrevendo coleções físicas da biblioteca; b) produtos informacionais
eletrônicos organizados localmente; c) pontes de acesso (recursos hipertexto) e
outros recursos on-line remotos avaliados e disponibilizados; e d) coleções
digitais locais.

3. Agentes distribuidores

Os periódicos científicos eletrônicos são apresentados em sites próprios ou
em base de dados de texto completo também chamadas bibliotecas digitais que
surgiram como complemento às bases de dados bibliográficas, com o objetivo
principal de amenizar os problemas de acesso ao documento original, tendo como
vantagem facilitar o acesso integrado a recuperação e a geração de indicadores.

No

Brasil,

a

SciELO

–

Scientific

Eletronic

Library

Online

&lt;http://www.scielo.org&gt;, foi a primeira base de dados de texto completo de
periódicos científicos eletrônicos. Apesar ser criada em 1995, começou a ser
operacionalizada em 1998, fruto de uma parceria entre a BIREME/OPAS/OMS –
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e a
FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo,
atualmente conta com o apoio do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico.

Em 2000, a CAPES lança na Internet o Portal Brasileiro da Informação
Cientifica http://periodicos.capes.gov.br, com a finalidade de oferecer aos
professores, pesquisadores, alunos e funcionários de 182 instituições de ensino
superior e de pesquisa em todo o País o acesso imediato à produção cientifica
mundial corrente.

Destacamos outras experiências regionais como: African Journals Online
&lt;http://www.ajol.info/&gt;, do International Network for the Availability of Scientific
8

�Publications

(INASP/JCSV),

medND

–

Biomedical

Journals

from

Índia

&lt;http://medind.nic.in/&gt;, e RedALyC – Red de Revistas Cientificas de América
Latina y el Caribe, España e Portugal&lt; http://www.redalyc.org/&gt;.

Em nível internacional, as principais bases de dados de texto completo são:
Biomed

Central

&lt;http://biomedcentral.com/&gt;,

&lt;http://www.plos.org/&gt;,

Public

Library

of

Science

PubMED Central &lt;http://www.pubmedcentral.gov/&gt;, e

Highwire Press &lt;http://.int.highwire.org/&gt;.

4. O desenvolvimento de coleções

Em sua ultima edição, revista e ampliada, Evans (1995, p. 16) extende sua
definição acrescentando que ”... o desenvolvimento de coleções é o processo de
identificação das necessidades de informação de uma população (um serviço à
população) de uma maneira temporal e economicamente adequada usando-se
dos recursos de informação localmente armazenados, bem como dos de outras
organizações ou bibliotecas”.

As

razões

que

norteiam

a

elaboração

de

uma

política

para

o

desenvolvimento da coleção, segundo Feng (1979, p. 40) são:
1) o próprio processo de elaboração do documento propicia oportunidade
de auto-avaliação e reflexão;
2) tal documento garante uma coleção consistente e crescimento
balanceado dos recursos da biblioteca.

Ou seja, a política irá funcionar como diretriz às decisões do bibliotecário
em relação à própria administração dos recursos informacionais. É ela que ira
prover uma descrição atual da coleção, apontar o método de trabalho para
concepção dos objetivos e funcionar como elemento de argumentação ao
bibliotecário, dando-lhe subsídios para discussão com autoridades superiores,
tanto para a obtenção de novas aquisições como para recusa a imposições
estapafúrdias.
9

�O documento de política de desenvolvimento de coleções exige bom
planejamento e ótimo conhecimento do acesso e área do conhecimento em que
se encontra inserida a biblioteca, bem como o tipo de biblioteca para o qual tal
política é elaborada (pública, especializada ou acadêmica). Atualmente, alem das
diretrizes estabelecias desde 1977 e revista pela ALA – American Library
Association , existem outras que merecem destaque e duas dela são o RLG
Conspectus, escrito pelo Research Libraries Group (GWINN e MOSHER, 1983, p.
128-40),

é

responsável

por

orientar

inúmeros

projetos

em

bibliotecas

universitárias espalhadas pelo mundo; e a elaborada por EVANS (1995), que
difere-se pouco das da associação americana de bibliotecas – American Library
Association - ALA.

5. Políticas de desenvolvimento de coleções de periódicos eletrônicos

Atualmente, as políticas de seleção deverão ser definidas não só em
relação

aos

critérios

de

custo-benefício

(aquisição

e

manutenção

de

equipamentos, de pessoal especializado para manuseio, da gravação em papel
ou em disquete), do tempo de conexão á rede (pois a instituição, está arcando
com os custos da rede de informação que a biblioteca universitária utiliza), mas
também, com as características inerentes ao campo do conhecimento no qual a
seleção ocorre, às particularidades específicas dos usuários e do próprio
ambiente no qual a biblioteca se localiza.

A informação deverá estar disponível, seja em que suporte for, no momento
em que o interessado desejar e a um custo que lhe seja conveniente. É
necessário refletir sobre as repercussões que a informação eletrônica terá em
relação ao usuário dos serviços. Na

maioria

das

bibliotecas

universitárias

brasileiras, o usuário tem acesso irrestrito a um título, sem qualquer ônus
adicional. A definição dos custos da informação obtida por meio de redes
eletrônicas ainda é mais ou menos incerta, mas até quando, será possível às

10

�bibliotecas universitárias manterem indefinidamente essa prática de nãocobrança direta ao usuário, quando da utilização de meios eletrônicos.

A decisão entre acesso e posse de documentos primários sempre ocorreu,
ou deveria ter ocorrido, levando-se em conta as condições específicas
vivenciadas por cada biblioteca universitária.

Na década de 90 surgiram várias iniciativas de consórcio de bibliotecas,
tanto em âmbito nacional como internacional, com o objetivo de juntar recursos
para a aquisição de periódicos eletrônicos tendo em vista o alto custo das
assinaturas de periódicos. Um exemplo de iniciativa foi o Programa de Bibliotecas
Eletrônicas (PROBE) que era um consórcio entre as universidades publicas do
Estado de São Paulo e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde (BIREME) criado e mantido com o apoio da FAPESP.

A aquisição de periódicos internacionais das bibliotecas universitárias
federais era patrocinada pelo Programa de Apoio a Aquisição de Periódicos
(PAAP), da Coordenação de Apoio ao Pessoal de Nível Superior (CAPES),
vinculada ao Ministério da Educação e Cultura, criado no inicio dos anos 90 e que
abrangia 9700 títulos os quais eram distribuídos às instituições Federais de
Ensino Superior (IFEs) através de 33.000 assinaturas. Esse programa mostrou-se
ineficiente devido à dificuldade de controle e ausência de articulação entre seus
usuários.

A partir de 1999, devido às restrições orçamentárias impostas pela
desvalorização do Real, tornou-se inviável a manutenção do PAAP que sofre
algumas modificações passando para a competência das IFEs a aquisição dos
periódicos com verba oriunda da CAPES e oferecendo como inovação o acesso a
bases referenciais como a Web of Science (WOS) e a Silverplater.

A realidade de grande parte das bibliotecas de universidades publicas,
hoje, em relação ao seu acervo de periódicos, é a de existência de uma grande

11

�coleção de periódicos impressos não atualizados e o Portal da CAPES
disponibilizando um grande número de periódicos eletrônicos que passaram a ser
considerado como integrantes da coleção da biblioteca, ainda que fisicamente
não disponíveis. É, ainda, parte dessa situação, a impossibilidade de manutenção
das coleções impressas em função da indisponibilidade de recursos para sua
aquisição organização, armazenamento e conservação.

Os recursos de hardware necessários para disponibilizar o acesso são
caros e necessitam ser permanentemente atualizado devido as freqüentes
inovações, e este custo precisa ser adicionado ao valor da assinatura do periódico
eletrônico quando se processam a uma avaliação da relação custo/beneficio de
ambos os suportes. Outro fator de custo a ser adicionado é o da impressão dos
artigos que costuma ser repassado par o usuário porem que também pode estar a
cargo da biblioteca.

A avaliação do uso do periódico tanto na forma eletrônica como na
impressa é importante, para que possa ser medido o custo/beneficio de
manutenção da coleção. Além do uso recomenda-se observar alguns critérios na
avaliação da manutenção de coleções impressas como a completeza da coleção
e sua relevância para a comunidade acadêmico/cientifica.

Nos websites a biblioteca deve ser disponibilizada uma relação dos títulos
de periódicos eletrônicos, tanto os assinados na sua versão eletrônica como nos
de acesso livre, visando facilitar seu acesso pelo usuário. Ao mesmo tempo, é
importante que se façam links no catalogo eletrônico da biblioteca do registro
correspondente à coleção em foram impressa com a coleção efêmera de muitos
recursos da Internet, devem ser incluídas somente fontes consideradas de
qualidade ou que possuam uma certa segurança de acesso e confiabilidade.

O atendimento à demanda de pesquisadores por cópias de artigos
científicos continua e devera continuar sendo feita pelas bibliotecas universitárias
através de suas coleções retrospectivas de periódicos na forma impressa ou com

12

�base nas publicações disponibilizadas no Portal da CAPES, de acordo com os
procedimentos permitidos em lei, com o aporte do Catalogo Coletivo Nacional
(CCN) e dos programas de comutação bibliográfica como o COMUT do Ibict e o
SCAD da BIREME.

Conclusão

A recente proliferação de publicações eletrônicas, vem trazendo à tona
uma série de mudanças no contexto das bibliotecas universitárias, este fator
interfere diretamente na construção e reformulação do modelo até então adotado
por essas bibliotecas em suas políticas de desenvolvimento de coleções, e as
quais, dependendo da política institucional ditada pela Universidade à qual a
biblioteca encontra-se subordinada, tendem a facilitar o acesso à informação
cientifica de modo mais amplo (pela idéia da informação enquanto bem publico),
ou não.

Cada instituição vem buscando adaptar os seus serviços oferecidos –
diversificando-os a medida do possível - a realidade criada pelo periódico
eletrônico. Essa modificação é uma reação das bibliotecas para manterem as
suas próprias sobrevivências financeiras, agravadas pela alta dos preços dos
títulos e, conseqüentemente, a inelasticidade da demanda do uso.

O agravamento das dificuldades de gerenciamento das políticas de
desenvolvimento de coleções de periódicos praticadas nas universidades
brasileiras está intrinsecamente relacionada ao surgimento e crescimento
acelerado do mercado de publicações eletrônicas. Isto se devem a uma série de
fatores que agem de maneira simultânea, como: a mudança do modelo centrado
na posse para o de uma política centrada no acesso ao documento primário,
alterando

sobremaneira

a

atividade

profissional

do

bibliotecário

de

desenvolvimento de coleções e, principalmente, o de referencia, impondo a este
ultimo a necessidade de uma revisão de seu papel e funções junto aos usuários.

13

�Uma

das

investigações

importantes

que

necessita

de

maior

aprofundamento é como o uso das coleções eletrônicas por parte das bibliotecas
universitárias está alterando fortemente a atividade de bibliotecários de referência,
que agora necessitam trabalhar muito mais próximo e sintonizado com o
bibliotecário responsável pela atividade de desenvolvimento de coleções.

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Universidade de São Paulo, São Paulo.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O presente tem como objetivo propor uma reflexão sobre a relação biblioteca universitária/periódico científico eletrônico, que atribuiu a esta biblioteca uma nova configuração, alterando inclusive as políticas de desenvolvimento de coleções. Aborda a passagem da biblioteca universitária tradicional para biblioteca digital. Salienta e articula a evolução do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas – OJS/SEER. Procura analisar as transformações que os periódicos eletrônicos provocaram na área da informação, envolvendo mudanças que atingiram, autores, editores, avaliadores, bibliotecários e usuários.</text>
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