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                  <text>BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: gerenciamento de
materiais informacionais.
Ana Cláudia Carvalho de Miranda1
RESUMO
Aborda o gerenciamento da política de desenvolvimento de materiais informacionais
nas

bibliotecas

universitárias.

Enfatiza

a

necessidade

de

as

instituições

estabelecerem normas e padrões que orientem o processo decisório, a fim de
determinar a conveniência de se adquirir, manter e descartar coleções. Finaliza
relacionando os critérios de seleção para formação ideal de um acervo, que atenda
às reais necessidades da comunidade acadêmica.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Desenvolvimento de coleções. Política de
seleção. Materiais informacionais – gerenciamento.

1 INTRODUÇÃO
No cenário atual, a sociedade da informação é marcada pelo fluxo constante
de informações que possibilitam a produção de novos conhecimentos, em virtude do
grande volume informacional e do desenvolvimento tecnológico, podendo, assim,
atuar nas várias áreas do conhecimento, contribuindo na tomada de decisão nos
vários grupos sociais.
De acordo com Dias e Pires (2003), o fornecimento de informações é a
principal função social dos serviços de informação. Le Coadic (1996, p.5) define
informação como: “um conhecimento inscrito (gravado) sob a forma escrita
(impressa ou numérica), oral ou audiovisual”. A informação empregada, nesse
contexto, envolve diversos tipos de fontes de informações: artigos de periódicos,
jornais, monografias, dissertações, teses, relatos de experiências, obras de
referências (dicionários, enciclopédias etc), materiais especiais (fotos, partituras
musicais, atlas etc), bases de dados etc.
No limiar das últimas décadas, a informação tornou-se a mais poderosa força
de transformação do homem, encontrando-se presente no cotidiano do indivíduo

1

Especialista em Gestão da Qualidade Total pela UFRN. Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas pela
Facex. Bibliotecária do Tribunal de Justiça do RN. Praça Sete de Setembro S/Nº - Cidade Alta – Natal-RN –
Cep. 59.025-300. E-mail: anaclaudia@tjrn.gov.br.

�através das relações sociais, econômicas e culturais e, adquirindo, neste sentido,
um caráter decisivo para o alcance da cidadania, das metas e dos objetivos
propostos pelo próprio homem, que cria um vínculo de dependência com a
informação para sua melhor adaptação ao meio em que vive. A informação, quando
usada sabiamente, contribui como instrumento formador da consciência crítica do
indivíduo, podendo levá-lo à conquista do sucesso intelectual e profissional, caso
contrário, pode levá-lo ao fracasso e à própria estagnação.
Barreto (2003) reforça essa idéia ao afirmar que a informação, quando
assimilada adequadamente, gera novo conhecimento, alterando o estoque mental
de informações do indivíduo e traz ganhos ao seu progresso e ao desenvolvimento
do seu grupo.
A informação hoje adquire uma característica de mercadoria, ou seja, algo
que pode ser capitalizado e que proporciona diversidade de oportunidades;
enquanto mercadoria, assume força de poder.
No tocante à formação de acervos de biblioteca o diferencial se dá pela
filtragem adequada das informações obedecendo a padrões estabelecidos de
seleção que garantam a disponibilidade de obras confiáveis nos diversos suportes
informacionais. Assim sendo, é imprescindível conhecer as necessidades da
comunidade a fim de permitir um planejamento com qualidade e eficácia no
desenvolvimento e formação das coleções.
Para que a informação tenha qualidade é necessário que seja relevante,
confiável, atual, acessível, precisa, oportuna e deve ser ajustada às demandas e
expectativas dos usuários. O valor da informação está associado à utilidade que ela
apresenta para o público a quem se destina.
Para Dias e Pires (2003), a visão atual da biblioteca como centro ou unidade
de informação difere de sua idéia convencional. Essa mudança origina-se da
valorização da informação em todos os campos de atividades no mundo
contemporâneo. A informação é considerada por autores das diversas áreas do
conhecimento como “recurso indispensável” e, no entanto, deve estar à disposição e
a serviço de todos: sociedade, instituições, indivíduos etc.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
As

bibliotecas

universitárias

atuam

como

órgãos

de

apoio

informacional, dando suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, com

�seus acervos quer centralizados ou descentralizados (bibliotecas setoriais). Seus
objetivos provêm da finalidade da própria universidade.
Prado (1992) considera a biblioteca universitária como a universidade em si
mesma. As universidades são centros transmissores do saber por meio do ensino e
dos materiais informacionais. A biblioteca sempre trabalhou em parceria com a
universidade, desempenhado a função de preservar e disseminar o conhecimento.
Dias e Pires (2003) apresentam outras funções da biblioteca universitária: prover
informações referenciais e bibliográficas específicas, essenciais ao ensino e à
pesquisa. O seu diferencial com relação a outras unidades de informação ocorre em
virtude de a educação ser a base do planejamento e seus usuários serem
heterogêneos.
O principal papel da biblioteca universitária é atender as necessidades
informacionais da comunidade acadêmica (corpo docente, discente, pesquisadores
e técnico-administrativo), direcionando sua coleção aos conteúdos programáticos ou
em projetos acadêmicos dos cursos ministrados pela universidade a qual encontrase inserida.
Machado e Silva (2002) ressaltam em nível nacional que o acervo das
bibliotecas universitárias é detentor das maiores coleções em Ciência e Tecnologia
do país. Mas apesar da sua relevância, essa instituição tem passado por uma série
de crises, salvo algumas exceções, que vêm crescendo ao longo dos anos.
Partindo desse pressuposto, os acervos também enfrentam dificuldades, pois
apresentam em quantidade insuficiente para atender a demanda, com coleções
incompletas e desatualizadas. Geralmente esse quadro é característico de
universidades públicas, pois nas instituições privadas em virtude do controle do
Ministério da Educação e Cultura (MEC) e da exigência da clientela, reverte a uma
realidade menos deficitária, onde a preocupação com a manutenção e preservação
de uma coleção que satisfaça a demanda é uma meta constante.
Porém, em relação a formar e desenvolver coleções de materiais
informacionais das bibliotecas universitárias no cenário da globalização, quando a
informação se multiplica em passo acelerado, e aí surge uma dúvida: como manter
e desenvolver uma coleção atualizada e adequada? Isto, por sua vez, conduz o
bibliotecário a redefinir e esquecer antigos paradigmas, para estabelecer normas
para seleção, aquisição e descarte de materiais, tendo como base critérios
previamente definidos para a formação de uma coleção ideal.

�3 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Antigamente ocorria uma enorme preocupação, por parte dos responsáveis
pelas bibliotecas, arquivos e outras unidades de informações, em aglomerar
matérias bibliográficos, uma vez que acervos com grande quantidade de volumes
representavam garantia de status e poder, e o foco estava centrado na oferta de
documentos e não na qualidade.
Com a explosão da informação e a evolução das tecnologias da informação,
a produção e circulação do conhecimento aumentaram vertiginosamente, tendo
como conseqüência: a impossibilidade de manter uma coleção completa e autosuficiente; a impossibilidade de atender todas as demandas e necessidades
informacionais da clientela com recursos próprios, em razão dos orçamentos
escassos. No entanto, torna-se essencial a realização de um planejamento eficiente
no tocante ao crescimento dos acervos, e assim, entra em ação o processo de
desenvolvimento das coleções. Desenvolver coleções implica em sistematizar e
criar procedimentos para seleção, aquisição, avaliação e desbastamento do acervo.
As coleções precisam evoluir harmoniosamente em todas as áreas do
acervo, para evitar que o mesmo cresça desordenadamente, sem metas ou
objetivos definidos. Entretanto, Figueiredo (1999) recomenda que a coleção precisa
ser equilibrada, tomando por base os relatórios estatísticos em coleta regular: onde
for constatado maior uso, a coleção deverá ser fortalecida; em caso contrário,
poderá ser mais fraca, e para área de assunto sem demanda, não é preciso manter
acervo algum. O importante é ter conhecimento de outras bibliotecas onde os
usuários possam ser encaminhados e atingirem a plena satisfação de suas
necessidades informacionais.
Conforme apresenta Vergueiro (1989), o processo de desenvolvimento de
coleções é ininterrupto, uma atividade regular e permanente, respeitando a
especificidade de cada tipo de unidade de informação em função dos seus objetivos
e público, sem que uma etapa chegue a se distinguir das outras.
A determinação de normas para seleção e aquisição de materiais
informacionais disciplina esse processo, tanto em quantidade como em qualidade,
segundo a realidade de cada biblioteca, direcionando o uso racional dos recursos
financeiros.

�Depois de concluído o diagnóstico, serão tomadas algumas decisões das
políticas que conduzirão o processo de formação do acervo. Dentre as quais Maciel
(2000), destaca as seguintes:
•

determinação das áreas que farão parte do acervo;

•

indicação do tipo de material que irá compor o acervo, independente do seu
suporte físico;

•

estabelecimento dos critérios e prioridades que orientarão todo o processo,
incluindo

as decisões nas etapas de seleção, aquisição, e também o

desbastamento da coleção, indicando o que deve ser transferido para depósitos
especiais ou mesmo serem descartados;
•

estabelecimento de diretrizes para a avaliação das coleções, até mesmo com
indicação da periodicidade com que deverá ser realizada;

•

definição da quantidade de exemplares por título, especialmente para as
coleções de uso correntes;

•

estabelecimento de diretrizes para a preservação e conservação do acervo,
contendo informações sobre as condições ambientais ideais para cada tipo de
documento;

•

determinação de prazos para revisão das políticas.
Finalizada

a

elaboração

das

políticas,

obteremos

um

documento

administrativo oficializado perante os dirigentes da instituição designado “Política de
Desenvolvimento de coleções”, que deverá ser revisada a cada 02 (dois) anos, pela
Comissão de Biblioteca com a finalidade de garantir a sua adequação à comunidade
acadêmica e aos objetivos da instituição. Romani e Borszcz (2006) recomendam
que esta comissão seja composta por:
•

1 bibliotecário, responsável pela unidade de informação;

•

1 representante das principais áreas de atuação (ou departamentos acadêmicos)
da instituição à qual está diretamente subordinada;

•

1 representante da área administrativa (setor de compras).
Recomenda-se que a coordenação dessa comissão seja de responsabilidade

do bibliotecário, o qual precisará convocar os demais membros para reuniões
periódicas e/ou reuniões extraordinárias. Quando ocorrer impossibilidade de agrupar
a comissão, o bibliotecário tem o poder de decisão.
Para efetivação do processo como um todo, faz-se mister a elaboração e
adoção de parâmetros através da criação de critérios sólidos que estabeleçam

�critérios para garantir a qualidade no gerenciamento das tomada de decisões
relacionadas com a incorporação ou a retirada definitiva de materiais pertencentes
ao acervo.
4 POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES
Segundo Vergueiro (1989), a política de desenvolvimento de coleções irá
funcionar como parâmetros que contribuirá na tomada de decisão dos bibliotecários
em relação à escolha do material a ser acionado ao acervo e à própria
administração dos recursos informacionais. A política fornecerá uma exposição do
estado geral da coleção, demonstrando o método para alcançar os objetivos e dar
subsídios para os bibliotecários argumentarem com as autoridades superiores, tanto
para a liberação de novas aquisições como para recusas incoerentes.
Para elaboração da política é imprescindível ter ciência de alguns dados para
apreciação tais como: o estado atual da coleção; quais áreas do conhecimento são
de maior interesse; as necessidades informacionais da clientela a ser servida; o
conhecimento dos objetivos da universidade em que a biblioteca está inserida.
Na preparação da política é necessário que sejam estabelecidos os objetivos
para dar um maior direcionamento do acervo, visando:
•

possibilitar um crescimento racional e equilibrado do acervo de forma qualitativa
e quantitativa;

•

garantir a continuidade e a adequação necessárias à formação da coleção;

•

determinar os critérios para duplicação de títulos;

•

estabelecer as prioridades de aquisição de material;

•

conhecer as necessidades dos usuários, através da análise de uso das coleções
e sua atualidade;

•

estabelecer critérios para intercâmbio de materiais informacionais;

•

acompanhar o surgimento dos novos suportes de informação, não se limitando
apenas, ao suporte em papel;

•

buscar atender a todos as sugestões, deixando o solicitado informado da
aquisição ou não do item sugerido;

•

identificar

critérios para recebimento de doações, descarte e reposição de

material;
Uma das etapas mais importante da política de desenvolvimento de coleções
é o processo de seleção, pois através dele são estabelecidos os critérios que

�garantem a qualidade e o ajustamento para atender a contento as reais
necessidades dos usuários.

5

PROCESSO DE SELEÇÃO DO ACERVO

Conforme salienta Vergueiro (1995) “a seleção é um momento de decisão”,
momento em que apenas, num simples ato, o bibliotecário decide o universo de
informações a que seus usuários terão acesso, ou seja, o bibliotecário detém o
poder de compor a coleção. No entanto, na biblioteca universitária esse
procedimento ocorre baseado nos planos de ensino e suas respectivas bibliografias.
Segundo Figueiredo (1991), este processo quando bem executado irá
garantir que a qualidade e o tamanho da coleção estejam em concordância com as
necessidades informacionais dos usuários. É, portanto, uma atividade meramente
intelectual que precisa ser executada por um profissional competente no assunto,
em co-participação estreita com os usuários.
A seleção numa biblioteca universitária deve ser feita em parceria dos
bibliotecários com corpo docente, pois estes dominam a literatura nas suas
respectivas áreas e podem assim, selecionar criteriosamente o material a ser obtido,
arrolando-os através dos Planos de Ensino. Os bibliotecários devem permanecer
cientes das exigências do MEC para composição do acervo no que se refere à
qualidade e à quantidade mínima de títulos e exemplares. No tocante à quantidade,
deve ser determinado um percentual de exemplares destinados à literatura básica e
outro para a literatura complementar.

5.1 SELEÇÃO DA LITERATURA BÁSICA
A literatura básica, como o próprio nome já destaca, é imprescindível para o
andamento das atividades acadêmicas, ou seja, é obrigatória na formação da
coleção, devendo ser adequada, pertinente, atualizada e com relevância
acadêmico-científica. Recomenda-se para material nacional, que em cada 10 (dez)
alunos, 01 (um) exemplar deverá ser adquirido, sendo importante acompanhar o
crescimento da instituição, verificando o surgimento de novos cursos, como também
a ampliação na oferta de vagas. A biblioteca precisará formar seu acervo destinado
à consulta local, onde 01 (um) exemplar da coleção básica permanecerá na
coleção.

�Quanto à literatura estrangeira aconselha-se adquirir quando não existir uma
tradução em português ou espanhol. Nesse caso, o indicado em relação ao livrotexto estrangeiro, sua aquisição não obedece aos critérios estabelecidos para
nacionais. Essa redução ocorre devido este material ser destinado principalmente
ao corpo docente e discente da pós-graduação, os quais constituem um grupo de
usuários reduzidos e com necessidades específicas, além do baixo número de
leitores que dominam outros idiomas.

5.2 SELEÇÃO DA LITERATURA COMPLEMENTAR
O acervo de literatura complementar é formado por materiais informacionais
essenciais à complementação e atualização voltados para pesquisa e ensino nas
várias áreas do conhecimento, indicados nos planos de ensino. Para composição
dessa coleção é sugerido adquirir 03 (três) exemplares desse material, respeitando
a demanda, porém quando a procura for expressiva que justificar a necessidade de
uma quantidade superior de exemplares.
Também podem fazer parte dessa coleção obras nacionais e estrangeiras
não mencionadas nos planos de ensino, mas que complementem o acervo de
acordo com as exigências do MEC e sugestões e demandas da comunidade
acadêmica. A duplicação desse acervo fica a critério de cada biblioteca estabelecêla dentro da sua realidade,

5.3 SELEÇÃO DE PERIÓDICOS
Os periódicos são considerados uma fonte de informação primária, pois
abordam informações novas, fatos, acontecimentos ou novas interpretações de
teorias, sendo indispensáveis na divulgação dos resultados de pesquisas e relatos
de experiências recentes, facilitando o acompanhamento constante dos avanços em
cada área, favorecendo a necessária realimentação do ciclo de geração de
comunicação e disseminação mais rápida de novos conhecimentos. Os periódicos
podem abordar assunto específico ou abranger mais de uma área do conhecimento,
dependendo da limitação de sua cobertura.
Prado (1992, p. 103) adverte:
o periódico caminha muito mais a par da ciência do que os livros, pois
pesquisas, descobertas ou observações chegarão, através dos periódicos,
no mesmo mês ou na mesma semana às mãos, ao passo que o livro,

�embora com mais detalhes e estudo mais profundo só será obtido, na
melhor das hipóteses, meses depois.

Diante dessa realidade, o periódico representa um material importante para a
comunidade acadêmica; deve-se adotar um compromisso com a sua continuidade
na coleção, após assiná-lo. Vergueiro (1997) adverte que esse compromisso é por
tempo indeterminado, e também compromete um percentual considerável do
orçamento da biblioteca, sendo essencial avaliar permanentemente os custos.
As bibliotecas universitárias precisam compor sua coleção com periódicos
que abordem assuntos gerais e específicos (locais, regionais, nacionais e
internacionais), porém como são muitas as publicações, cada biblioteca deverá
determinar seus critérios que contemplem a prioridade de aquisição das mesmas,
relacionados aos planos de ensino, aos cursos oferecidos pela instituição e aos
cursos

em

fase

de

reconhecimento,

implantação,

credenciamento

ou

recredenciamento.
Atualmente, as bibliotecas acadêmicas assinam portais eletrônicos que
implicam a atualização mais rápida da coleção de periódicos, propiciando, também
economia de espaço. As bibliotecas das universidades públicas e dos CEFET’s
(Centro Federal de Educação Tecnológica), possuem acesso a Portal de Periódicos:
uma biblioteca virtual de informação científico-tecnológica mundial, oferecido pelo
Governo Brasileiro e mantido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior). O Portal disponibiliza conteúdo atualizado e de alta
qualidade, permitindo consultas e acesso aos artigos científicos completos. São
mais de nove mil títulos de artigos científicos, com 181 instituições de educação
superior usuárias do serviço.
Para julgar a qualidade de um periódico, Vergueiro (1995) destaca dois
indicadores: primeiramente, a opinião de um especialista e segundo, a análise das
informações da contracapa ou das páginas iniciais.
É indicado realizar uma avaliação no acervo dos periódicos correntes, no
intervalo de 05 (cinco) anos, buscando a obtenção de dados que justifiquem a
continuidade ou interrupção da assinatura dos memos, ou até assinar um outro título
que satisfaça mais ao público. O relatório elaborado após essa análise deverá ser
encaminhado aos departamentos para julgamento dos professores e, assim, ser
tomada a medida mais recomendada para cada título em questão.

�5.4 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO
Para garantir a qualidade na aquisição de novos materiais é necessário que
sejam estabelecidos critérios para seleção, estes devem tomar por base dois fatores
decisivos: o interesse da comunidade a ser servida e os recursos financeiros
destinados para a aquisição.
A determinação dos critérios assegura que o acervo seja produto de um
planejamento voltado para as diretrizes e objetivos da Universidade/Faculdade.
Seguem abaixo, alguns critérios de seleção para o desenvolvimento do acervo:
•

adequação do material às ementas e ao projeto pedagógico dos cursos;

•

autoridade do autor e/ou editor;

•

atualidade técnico-científica dos conteúdos;

•

qualidade técnica;

•

escassez de material sobre o assunto na coleção da Biblioteca;

•

aparecimento do título em bibliografias e índices;

•

cobertura/tratamento;

•

custo justificado;

•

idioma acessível;

•

relevância/interesse acadêmico-científicos;

•

número de usuários potenciais que poderão utilizar o material;

•

condições físicas do material.
Estes critérios são somente uma sugestão e nem sempre são adotados em

todos os documentos, sendo necessário um ajuste para cada biblioteca, conforme a
sua realidade e seus objetivos. Uma das etapas subseqüentes é a do processo de
aquisição.

6

PROCESSO DE AQUISIÇÃO

O processo de aquisição é a execução das decisões tomadas no processo de
seleção, ou seja, é o procedimento destinado à obtenção dos documentos.
A aquisição pode ocorrer através de três modalidades: compra, doação e
permuta. A concretização deste processo por compra requer um criterioso trabalho
por parte do profissional encarregado, para sua devida concretização e
correspondência perfeita com o material selecionado. Já em relação à doação e a
permuta não exige tanto empenho do profissional, porém todos os materiais

�originários destas modalidades devem ser analisados antes de incorporá-los ao
acervo, para não criar uma coleção imensa, porém fora da realidade aos interesses
a que se destina.
As atividades relativas à aquisição por compra são bastante complexas,
como podemos observar no relato abaixo:
À aquisição caberá o trabalho minucioso de identificação, localização dos
itens e sua posterior obtenção para o acervo, qualquer que seja a maneira
de tornar isto possível. E não è uma tarefa assim tão automática, pois,
infelizmente para os profissionais, os títulos selecionados não se encontram
acenando para eles ao dobrar da esquina, a gritar ‘olha eu aqui, olha eu
aqui’ e quase implorando para serem adquiridos. Muitas vezes, realizar um
trabalho de aquisição assemelha-se a procurar uma agulha em palheiro,
tantas são as possibilidades e dificuldades existentes. É uma atividade que
exige perseverança e atenção a detalhes, de maneira a evitar um
descompasso entre o que foi escolhido primeiramente para aquisição e
aquilo que chega às mãos do usuário. (ANDRADE, 1996, p.6).

A aquisição envolve dois itens básicos: orçamento e alocação de recursos.
Antes da compra devem ser previamente definidos os recursos financeiros, para
permitir uma visão concreta do que se pode contar. Andrade (1996) salienta que, na
prática, o orçamento previsto para aquisição de materiais nem sempre corresponde
aos recursos liberados, ocasionando que nem todas as necessidades consideradas
prioritárias serão atendidas.
Vale advertir que parte da verba para aquisição de materiais informacionais
deve ser reservado para assinatura de periódicos, compra de multimeios, obras
raras, assinaturas de bases de dados, entre outros.

7

AVALIAÇÃO DA COLEÇÃO
A avaliação da coleção deve ser sistemática e entendida como um processo

empregado para determinar a importância e a adequação do acervo com os
objetivos da Biblioteca e da instituição, possibilitando traçar parâmetros quanto à
aquisição, à acessibilidade e ao descarte.
Ao iniciar-se a avaliação do acervo deve ser verificado:
O que a biblioteca deveria possuir e não possui, e o que possui mas não
deveria possuir, tendo em vista fatores de qualidade e adequação da
literatura publicada, sua observância, as mudanças de interesses dos
usuários, e a necessidade de otimizar o uso de recursos financeiros
limitados. (LANCASTER, 1996, p. 20).

Os métodos utilizados para avaliar o acervo são: quantitativos (tamanho e
crescimento) e qualitativos (julgamento por especialistas, análise do uso real), em

�que os resultados são comparados e analisados, assegurando o alcance dos
objetivos da avaliação da coleção, garantindo uma melhor qualidade da política de
desenvolvimento de coleções.
A avaliação qualitativa por meio do julgamento por especialistas num assunto
pode trazer alguns problemas, conforme destaca Lancaster (1996): o especialista
talvez não seja completamente imparcial, como também, não está familiarizado com
a comunidade que a biblioteca atende.
Figueiredo (1991) enfatiza que um meio para realizar a avaliação é através da
análise comparativa do que é comprado, verso o uso subseqüente; esta análise
favorece o melhoramento da seleção, quer pela identificação dos tipos de material
com pouca chance de ser utilizado, quer pela alteração no processo de seleção que
acarreta em compra de materiais desnecessários para a clientela.
Na avaliação do acervo são sugeridos os seguintes critérios:
a) Distribuição percentual do acervo por área
A análise das estatísticas de uso do material consistirá na determinação dos
títulos que requerem mais exemplares e daquele cuja duplicação é desnecessária.
Em

contrapartida,

se

for

confirmada

a

sub-utilização

dos

recursos

bibliográficos em alguma área, a Biblioteca deverá averiguar a causa do problema,
que pode estar na falta de qualidade do material existente, desatualização, falha de
interesse, desconhecimento da existência da obra, etc.
A análise comprovará quais as áreas que devem ter a suas coleções
inovadas (seja em exemplares, títulos nacionais ou internacionais etc.) e quais as
áreas de pesquisa encontram-se desprovidas de materiais informacionais que
necessitam de providências.
b) Sugestões dos clientes
A sugestão do usuário é um parâmetro seguro para se avaliar as coleções e,
portanto, através da mesma poder-se-á:
•

verificar se a coleção satisfaz aos usuários;

•

determinar os tipos e níveis de necessidade em relação às coleções;

•

coletar sugestões e indicações para futuras aquisições;

•

verificar as mudanças de interesse por parte da clientela.

c) Comparação das coleções com planos de ensino, catálogos e bibliografias
recomendados.

�O emprego desse método incidiu na comparação do acervo com planos de
ensino, bibliografias recomendadas e/ou adotadas, para examinar os itens não
existentes na biblioteca e quais devem ser adquiridos.

8
DESBASTAMENTO DE MATERIAL INFORMACIONAL
DESBASTAMENTO DE
Desbastamento é o processo pelo qual se exclui do acervo ativo, títulos e/ou
exemplares, partes de coleções, quer para remanejamento, descarte ou
conservação (restauração). É um processo contínuo e sistemático, para conservar a
qualidade da coleção, ocorrendo sempre devido a necessidade de um processo
constante de avaliação da coleção e deve ser feito de acordo com as necessidades
da Biblioteca e com o julgamento da Comissão de Biblioteca num prazo que varia
entre 03 (três) a 05 (cinco) anos.
O desbastamento não se refere apenas a um simples expurgo de materiais,
apesar de englobá-lo no descarte.
8.1 DESCARTE
É a retirada definitiva dos materiais que não possuem nenhuma justificativa
para continuar pertencendo ao acervo.
Processo pelo qual, após ser avaliado criteriosamente, o material
desatualizado ou inadequado é retirado ou não incluído na coleção ativa, não tem
fundamento guardar material que não correspondam mais aos interesses dos
usuários, além de possibilitar a economia de espaço, maior facilidade de acesso ao
acervo e mais eficiência no atendimento ao usuário.
Dentre todas as atividades inerentes ao desbastamento, a que exige maior
cuidado e segurança, por parte do bibliotecário é o descarte, conforme Vergueiro
(1989, p.75) enfatiza bem esta dificuldade.
Afinal – pergunta-se o bibliotecário -, quando se descartar? E para quê?
São perguntas quê, deve-se reconhecer, constituem reais dilemas para
profissionais que tiveram toda uma educação (não apenas a superior)
para conservar os materiais informacionais, sob sua responsabilidade, da
melhor forma possível, a fim de que os mesmos pudessem vir a ser
utilizados pela coletividade – ou, ao menos, conservados para uma
geração futura.

Para uma maior eficácia desta atividade é recomendado que se apliquem os
mesmos critérios usados no processo de seleção, no momento da apreciação para
exclusão dos materiais informacionais pela comissão responsável, pois da mesma

�forma como seleciona os materiais que devem incorporar ao acervo também é
imprescindível que sejam selecionados os propensos à retirada definitiva.

9

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nas reflexões propostas, pode-se confirmar que o papel da
biblioteca universitária é munir o corpo docente, discente e técnico-administrativo de
informação para dar suporte às atividades de ensino, pesquisa e extensão, voltados
aos planos de ensino ou em projetos acadêmicos de cada departamento.
Na atual conjuntura, a informação se multiplica rapidamente, possibilitando a
produção de novos conhecimentos: em virtude do grande volume informacional,
surge uma dúvida: como manter uma coleção adequada e atualizada que atenda a
demanda e as necessidades do público.
Nesse cenário, o desenvolvimento de coleções deve ser um processo
ininterrupto permanecendo em constante evolução. No entanto, é necessário
elaborar uma política de desenvolvimento da coleção que conglomere os objetivos
dos planos de ensino da instituição, no tocante a englobar a literatura básica e
complementar, com a finalidade de subsidiar a tomada de decisão no processo de
seleção, considerando todos os fatores relevantes aos interesses da comunidade
acadêmica, como também avaliar a coleção periodicamente para preservar a
qualidade e a idoneidade do acervo.
A atribuição de critérios na seleção assegura que a coleção é produto de um
planejamento totalmente adequado às ementas, aos projetos pedagógicos dos
cursos e aos objetivos da Universidade/Faculdade.
A qualidade no gerenciamento de materiais informacionais encontra-se
fundamentada na elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções,
condicionada à flexibilidade para alterar ou ajustar as mudanças nos planos de
ensino sempre que for constatado que a biblioteca não está satisfazendo aos seus
usuários, buscando adequá-la às atuais necessidades acadêmicas.

University Libraries: Informative material management
ABSTRACT
Studies the management related to the development of informative material in
university libraries. Emphasizes the need that institutions have to establish norms

�and patterns to guide the decision making process, in order to determine the
convenience to acquire, maintain and discard collections. Finalizes relating the ideal
selection criteria to organize an asset, which provides the real necessities of the
academic community.

Key words:

University library. Collection Development. Selection Politics.

Informative Materials – Management.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Diva; VERGUEIRO, Valdomiro. Aquisição de materiais de
informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1996.
BARRETO, Aldo de Albuquerque. A questão da informação. Disponível em:
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Aborda o gerenciamento da política de desenvolvimento de materiais informacionais nas bibliotecas universitárias. Enfatiza a necessidade de as instituições estabelecerem normas e padrões que orientem o processo decisório, a fim de determinar a conveniência de se adquirir, manter e descartar coleções. Finaliza relacionando os critérios de seleção para formação ideal de um acervo, que atenda às reais necessidades da comunidade acadêmica.</text>
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