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                  <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO:
DO MODELO CONCEITUAL ÀS PRÁTICAS
Emeide Nóbrega Duarte∗
Alzira Karla Araújo da Silva∗∗

RESUMO
Apresenta projeto de pesquisa elaborado em consonância com as recomendações
dos enfoques teóricos que abordam as organizações da era do conhecimento.
Considera a biblioteca universitária como órgão que promove a aprendizagem,
podendo ser vista também como organização inteligente ou organização de
conhecimento. Para caracterizar-se como tal, enfatiza-se que essas organizações
devem procurar gerenciar suas dimensões infra-estrutura, pessoas e tecnologia, na
tentativa de captar, armazenar, gerar e compartilhar o conhecimento. Objetiva-se,
portanto, identificar as características da Biblioteca Universitária como organização
do conhecimento tomando-se como parâmetro um Modelo alternativo de
Organização
de
Conhecimento
apresentado
por
Angeloni
(2002).
Metodologicamente, caracteriza-se como estudo de campo, de nível exploratório
descritivo, de natureza qualitativa. Tem como universo de pesquisa as bibliotecas
universitárias do Estado da Paraíba, representadas em amostra pelas bibliotecas da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Centro Universitário de João Pessoa
(UNIPÊ), localizadas em João Pessoa/PB. Adota como sujeitos de pesquisa, os
bibliotecários, considerados pessoas-chave das bibliotecas; entendidas como
detentoras do conhecimento tácito organizacional. O instrumento de coleta de dados
constitui-se de uma entrevista semi-estruturada aplicando-se a técnica de grupo focal
e observação. Para análise dos dados adotada-se a análise de conteúdo do tipo
aberta. Com a implementação do projeto, busca-se responder a questão: até que
ponto as bibliotecas universitárias são consideradas organizações do conhecimento?
PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca Universitária.
Organização do Conhecimento.

Gestão

do

Conhecimento.

1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a economia mundial tem sofrido grandes mudanças,
passando de uma economia industrial, caracterizada pela produção de bens
manufaturados em escala, para uma economia direcionada ao setor de serviços e

�baseada na informação e no conhecimento. Vive-se em um mundo de constantes
mutações, onde a velocidade das informações se torna mister para a obtenção de
uma organização flexível e adequada às mudanças, capaz de produzir uma dinâmica
própria de requalificações e obtenção de novos conhecimentos que rapidamente têm
se tornado obsoletos (LEVY,1992).
A informação e o conhecimento, portanto, são tão necessários à sobrevivência
das organizações como indispensáveis para toda e qualquer atividade humana,
sendo, cada vez mais, vistos como uma força importante e poderosa a ponto de dar
origem a expressões como: “Sociedade da Informação”, “Indústria da Informação”,
“Revolução da Informação”, “Era da Informação” e “Sociedade da Informação e do
Conhecimento” e ”Organizações de Conhecimento”. Esta nova sociedade requer um
novo tipo de organização, qual seja a organização de conhecimento, entendida por
Angeloni (2002), como aquela voltada para a criação, armazenamento e
compartilhamento do conhecimento.
Nesse processo de compartilhamento, as mudanças constantes no ambiente
externo às organizações e a necessidade de antecipar-se para manter a sua posição
são algumas das fortes razões para as organizações investirem num monitoramento
sistemático de informações e conhecimentos. Surge o trabalho do profissional da
informação, cujo conhecimento é parte integrante, não só na perspectiva do usuário,
que é proveniente do campo da informação e comunicação, como na perspectiva de
ser centralizada no indivíduo como criador de novo conhecimento.
Percebe-se, entretanto, que as pessoas têm usado conhecimento nas
organizações há muito tempo, mas seu reconhecimento enquanto um recurso que
precisa ser gerenciado é relativamente recente. Esta preocupação surgiu na década
de 90, e, atualmente, o campo da Administração encontra-se repleto de trabalhos
sobre a criação, armazenamento e uso do conhecimento nas organizações,
independente do porte e do setor de atuação.

Por esse motivo é conveniente

identificar até que ponto as bibliotecas universitárias se caracterizam como
organizações que buscam trabalhar o conhecimento - individual e/ou organizacional -

�como um bem mais valioso, em consonância com os pressupostos da Sociedade da
Informação e do Conhecimento, que ora o mundo vivencia, uma vez que deveria ser,
na sua essência, uma organização do conhecimento.
Considerando-se o contexto ora apresentado surgem duas questões: será que
a biblioteca universitária como instituição que se preocupa com os processos de
gestão da informação para a produção do conhecimento, visando o atendimento das
necessidades do usuário externo, estará também voltada para a preocupação do uso
da informação e do conhecimento na tomada de decisão, nos seus processos de
gestão? Adotam as bibliotecas universitárias atuais, variáveis que as caracterizam
como organizações do conhecimento?
Na tentativa de responder estes questionamentos, busca-se mapear as
atividades desenvolvidas na Biblioteca Central da UFPB (setor público) e na
Biblioteca Central do Centro Universitário de Ensino da Paraíba - UNIPÊ - (setor
privado) em conformidade com as dimensões do modelo alternativo de organizações
do conhecimento, apresentado por Angeloni (2002), servindo de parâmetro a este
estudo. Assim, tem-se como objetivo geral identificar as características da Biblioteca
Universitária como organização do conhecimento e como objetivo específico, mapear
as atividades facilitadoras da criação, circulação e uso do conhecimento
organizacional nas citadas Bibliotecas, bem como comparar os resultados
alcançados.

2 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Na era da Sociedade da Informação, as unidades de informação apresentamse como importantes fontes organizadoras e aglutinadoras de informação. Dentre as
unidades existentes, destaca-se a Universidade como organização que promove a
formação para a vida e para o mercado de trabalho e, em sua ambiência, destacamse as Bibliotecas Universitárias como um espaço democratizador do acesso e do uso

�dessas informações. Ambas, caracterizando-se como organizações centradas no
conhecimento.
Na universidade, bem como na biblioteca universitária, a contribuição para
geração de conhecimento é uma de suas funções, proporcionando uma educação
centrada no aprendizado (CUNHA, 2000). Ao buscarem o desempenho, a
preservação e a disseminação do conhecimento, a universidade e a biblioteca
voltam-se para as necessidades educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do
país, esperando que a sociedade agregue valor às informações, compartilhem idéias
e produzam novos conhecimentos, uma vez que,
Para que a biblioteca atinja suas metas, é necessário que
desempenhe suas três atividades fundamentais: apoio ao ensino, à
pesquisa e à extensão, e, sendo assim, ela tem como missão atuar
como mediadora entre a informação e a comunidade universitária,
promovendo a sua interação com o universo dos materiais
bibliográficos [e não bibliográficos] existentes e à disposição
(BOTELHO; NOVAIS; INOUE, 1999, p.87).

A biblioteca universitária é vista como suporte ao processo de ensinoaprendizagem, proporcionando a informação organizada e a geração de novos
conhecimentos, devendo ser “a concretização mais imediata de uma das
características da instituição à qual serve: a atualização permanente do
conhecimento” (MILANESI, 1983, p.69).

A biblioteca universitária é entendida,

portanto, como uma organização de conhecimento que reúne informações e
conhecimentos, disponibilizando-os para acesso e uso, possibilitando a agregação
de valor e a geração de novos conhecimentos (DUDZIAK; VILLELA; GABRIEL,
2002).
As práticas de gestão do conhecimento aplicadas nas organizações do
aprendizado citadas podem proporcionar o aumento do acesso à informação e ao
conhecimento, facilitando a sua criação e fluxo. No que se refere, especificamente,

�às bibliotecas universitárias, tem como benefícios de acordo com Dudziak; Villela;
Gabriel (2002, p.7) os seguintes fatores:
•
Construção de uma base documentada que ampara os
processos decisórios dentro da biblioteca;
•
Melhoria da comunicação e interconectividade entre todos os
setores da biblioteca, de modo que as informações e o conhecimento
possam fluir, de forma independente do desejo das pessoas, havendo
também a redução dos obstáculos inerentes à separação geográfica;
•
Disponibilização integrada de dados, informações e
conhecimentos importantes ao ambiente e funcionamento internos, e
ao core business da biblioteca (que é a busca constante pela
satisfação de seus clientes);
•
Racionalização de tarefas como conseqüência da padronização
de procedimentos e conhecimento de normas;
•
Maior eficiência dos setores, independentemente da
rotatividade de pessoas e/ou a eventual falta de algum membro da
equipe;
•
Compartilhamento de experiências entre todos os membros das
equipes bibliotecárias, onde conhecer o outro fortalece as relações
interpessoais, fomenta e qualifica o diálogo, havendo a valorização do
trabalho de todos;
•
Facilidade de compartilhamento de conhecimentos e troca de
experiências entre as bibliotecas (benchmarking), o que leva a um
maior aprendizado.

Nessa perspectiva, para que as bibliotecas universitárias denominem-se
organizações do conhecimento necessitam, segundo Ramos (1999), serem
responsáveis por parte importante da infra-estrutura de formação crítica na
instituição, ao passo que pretende proporcionar qualidade, produtividade e
competitividade através do uso de suas informações. Por sua vez, o bibliotecário profissional da informação -, atua não só como intermediador entre a informação e o
usuário, mas também como comunicador da informação e gestor do conhecimento,
no momento em que é reconhecido como o profissional que analisa conteúdos e
possibilita a sua efetiva recuperação.

Discute-se, a seguir, a respeito desse

profissional, destacando-o como aquele capacitado para atuar como gestor do
conhecimento em unidades de informação.

�3 OS TRABALHADORES DO CONHECIMENTO
Os profissionais da informação e do conhecimento são aqueles que trabalham
com o ciclo de vida da informação. Estão capacitados, entre outras coisas, para
trabalhar eficiente e eficazmente com a informação em organizações e unidades de
informação. (CRUZ; LONGO, 2001). Os bibliotecários estão entre os poucos
profissionais de uma organização que têm contato com pessoas de vários
departamentos. Assim, acabam entendendo várias necessidades de conhecimento
da organização. Como uma de suas tarefas básicas é o atendimento aos clientes e
possuem técnicas altamente desenvolvidas para encontrar aquilo que eles ainda não
sabem, esses fatores fazem dele corretores naturais do conhecimento.
Algumas funções de quem trabalha com gestão do conhecimento são
estritamente técnicas, como escrever textos para páginas na Internet, estruturar e
reestruturar bancos de dados que sejam repositórios do conhecimento, instalar e
manter pacotes de software orientados para o conhecimento. A tecnologia pura,
entretanto, não basta. É importante colocar forte ênfase no aspecto de como tornar o
conteúdo do conhecimento atraente e como persuadir os detentores do
conhecimento a disponibilizá-los através de diversos tipos de contato pessoal para a
socialização do conhecimento; estes são os papéis dos trabalhadores do
conhecimento, entre eles o bibliotecário.
Na “Sociedade da Informação e do Conhecimento” os bibliotecários
freqüentemente agem como corretores do conhecimento, disfarçados e apropriados,
por seu temperamento e seu papel de guia de informações, para a tarefa de criar
contatos pessoa-pessoa e pessoa-texto. Numa perspectiva inovadora, os corretores
do conhecimento são pessoas conhecidas como guardiões e demarcadores de área
que colocam em contato compradores e vendedores: aqueles que precisam do
conhecimento e aqueles que o possuem (DAVENPORT; PRUSAK, 1998). Estes
gostam de explorar suas organizações, descobrir o que as pessoas fazem e quem
sabe o quê; gostam de entender o quadro maior, o que lhes permite saber onde

�obter o conhecimento, especialmente se tal conhecimento estiver fora de sua área
oficial de responsabilidade.
O bibliotecário, assim como outros profissionais da informação, possuem os
requisitos necessários para atuarem como gestores e corretores do conhecimento,
por possuírem as seguintes habilidades e competências: trabalhar com o ciclo de
vida da informação (NEVES; LONGO, 1999/2000); administrar a quantidade
imensurável de dados disponíveis possibilitando transformá-los em informações
relevantes, para que estas possam ser usadas na produção de conhecimento novo
(SANTOS; MANTA, 2002); analisar a informação (qualidade, atualidade, precisão,
relevância e valor) (McGEE; PRUSAK, 1994) e ajudar a encontrar, dentro das
organizações, quem possa ajudar o usuário quando precisar localizar alguma
informação. (McGEE; PRUSAK, 1994).
Nesse contexto, é que surge o profissional “trabalhador do conhecimento”,
podendo ser denominado também como operário do conhecimento, corretor do
conhecimento, vendedor do conhecimento e profissional do conhecimento.

3.1 MODELOS CONCEITUAIS DE ORGANIZAÇÕES DO CONHECIMENTO
Dada a recente ascensão da gestão do conhecimento, pesquisas têm surgido,
cujos resultados apontam modelos que surgem como alternativas para construção de
uma organização do conhecimento. A este respeito, Santos et al. (2002) justificam o
conceito de “Modelos de gestão” como um conjunto próprio de concepções
filosóficas e idéias administrativas que operacionalizam as práticas gerenciais na
organização.

O

desenvolvimento

dos

modelos

para

as

organizações

do

conhecimento conta com subsídios teóricos das obras de diversos autores do
pensamento organizacional contemporâneo, como Ikujiro Nonaka, Peter M. Senge,
Thomas H. Davenport, Lawrence Prusak, Thomas C. Stewart, Edvinsonn, Hirotak

�Takeuchi, Karl Eric Sveiby, José Cláudio Cyrineu Terra, Maria Terezinha Angeloni,
entre outros.
Mais recentemente, em nível nacional, pesquisas propõem modelos para
gerenciar o conhecimento nas organizações, entre os quais, o proposto por Terra
(2000). Este modelo de gestão do conhecimento baseia-se nas seguintes
dimensões: fatores estratégicos e o papel da alta administração, cultura e
valores organizacionais, estrutura organizacional, administração de recursos
humanos, sistemas de informação, mensuração de resultados e aprendizado
com o ambiente.
Um modelo estratégico de gestão do conhecimento para empresas na
Sociedade do Conhecimento denominado "Capitais do Conhecimento” é fruto de
reflexão teórica e de observação prática sobre a questão. Teoricamente, o modelo é
baseado nos conceitos expostos por Sveiby (1998), Edvinsoon (1998) e Stewart
(1998) e empiricamente é fundamentado em experiências desenvolvidas por alguns
projetos de gestão. Apresentado por Cavalcanti; Gomes e Pereira (2001), o Modelo é
adotado no Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e compõe-se de três dimensões, a
saber:

Capital intelectual, Capital de relacionamento,

Capital estrutural e

Capital ambiental.
Angeloni (2002) ao definir as organizações do conhecimento como aquelas
voltadas para a criação, o armazenamento e compartilhamento do conhecimento,
através de um processo catalisador cíclico a partir de três dimensões, propõe um
Modelo de organização do conhecimento em que a primeira dimensão em formato de
átomo está relacionada à Infra-estrutura Organizacional, referindo-se à construção
de um ambiente favorável ao objetivo da organização do conhecimento. A segunda
Dimensão refere-se às Pessoas que, nas organizações do conhecimento, são
profissionais qualificados, como afirmam Sveiby (1998), Stewart (1998) e Davenport
e Prusak (1998), estando relacionada a características necessárias às atividades do

�conhecimento. A terceira dimensão diz respeito à Tecnologia, funcionando como
um suporte para a criação, disseminação e armazenamento do conhecimento.
Fundamentada nesses estudos, Duarte (2003) em pesquisa de tese procurou
compatibilizar as dimensões citadas nos modelos apresentados, o que possibilitou o
reconhecimento de cinco dimensões comuns e complementares, como: pessoas,
estrutura, tecnologia e sistema de informação, relacionamento no ambiente
externo e cultura organizacional. O mapeamento dessas dimensões na produção
científica que reflete a prática de gestão do conhecimento nas organizações
nacionais indicou que as dimensões organizacionais mais determinantes para
construção de um ambiente favorável ao uso do conhecimento estão centradas nos
Eixos Humano (Pessoas) e na Cultura Organizacional.
Entre os modelos conceituais apresentados, adota-se neste referencial,
autores nacionais, como: Terra (2000), Cavalcanti; Gomes e Pereira (2001) e
Angeloni (2002), e tem-se como parâmetro para identificar as características da
Biblioteca Universitária como organização do conhecimento, o Modelo apresentado
por Angeloni (2002) por ser um dos mais recentes e refletir a realidade nacional.
Neste Modelo, a dimensão Infra-estrutura Organizacional, referindo-se à
construção de um ambiente favorável ao objetivo da organização do conhecimento,
compõe-se pelas variáveis:
Visão holística – através da qual a visão organizacional deverá evitar o
deslumbramento dos acontecimentos e dos processos organizacionais de forma
fragmentada, contemplando-os, assim, de forma holística, buscando a interseção e
interação de cada parte com o todo;
Cultura - deve ser positiva em relação ao conhecimento, tendo como
princípios fundamentais a confiança, a franqueza e a colaboração, devendo estar
orientada para valores e crenças que viabilizem as atividades criadoras do
conhecimento;

�Estilo gerencial - deve estar fundamentado no desenvolvimento de práticas
organizacionais que fomentem princípios como participação, flexibilidade, autonomia
e apoio ao dirigente, estando os gestores conscientes do papel fundamental que
possuem como mola propulsora da organização;
Estrutura – a organização deve ser fundamentada em processos e em
estruturas que possibilitam a flexibilidade, a comunicação e a participação das
pessoas.
Com relação à dimensão Pessoas, nas organizações do conhecimento estas
são profissionais qualificados, como afirmam Sveiby (1998), Stewart (1998) e
Davenport e Prusak (1998), estando relacionada a características necessárias às
atividades do conhecimento, sendo composta por:
Aprendizagem - necessidade de contínuo aprendizado como forma de fazer
frente às mudanças macro e micro ambientais;
Modelos mentais - idéias profundamente enraizadas que moldam os atos e
decisões das pessoas e interferem neles, sendo necessário um processo de
contínua reflexão, criação e recriação desses modelos, passando as pessoas por
verdadeiros processos de desaprendizagem e aprendizagem;
Compartilhamento - as pessoas devem estar voltadas para a disseminação
do conhecimento, compartilhando experiências e idéias. Orientado para a construção
de um sentido compartilhado, criando uma imagem do futuro desejado e explicitando
a forma e os valores com que a organização espera chegar ao futuro;
Intuição - deve ser trabalhada em virtude da complexidade do ambiente
organizacional e das limitações do modelo racional de tomada de decisão;
Criatividade e inovação - as pessoas devem ser incentivadas a realizar
novas criações e as formas de colocá-las em prática é essencial para o atual
contexto organizacional.

�Concernente a dimensão Tecnologia, esta vem funcionando como um
suporte para a criação, disseminação e armazenamento do conhecimento, sendo
constituída das seguintes tecnologias básicas:
Internet - a ligação da empresa em redes facilita a integração, o
compartilhamento, armazenamento, a disseminação e facilidade de acesso ao
conhecimento. Através dela a empresa pode interligar pessoas e unidades, fazendo
o conhecimento fluir, possibilitando também sua criação;
Data warehousing - processo pelo qual as empresas extraem sentido e
significado dos seus dados através da utilização de bancos de dados. É um sistema
que guarda e organiza todas as informações que estão espalhadas por vários
sistemas dentro de uma empresa;
Groupware - base de apoio para o trabalho em grupo de pessoas, separadas
ou unidas pelo tempo e espaço, sendo uma interface da passagem do conhecimento;
Workflow - compreende o método e o conjunto de softwares para
automatizar e organizar o fluxo de documentos numa organização, pondo em fila,
com flexibilidade, e-mails, memorandos, relatórios, autorizações. Possibilita a
captação da “inteligência” de um determinado processo através de geração, controle
e automatização;
GED/EED - significa gestão eletrônica de documentos e edição eletrônica dos
dados que reagrupam informações, facilitando seu arquivamento, acesso, consulta e
difusão, tanto em nível interno como externo.
Considerando as variáveis definidas acerca do Modelo de Organização do
Conhecimento de Angeloni (2000), serão adotados os procedimentos metodológicos,
delineados na seção seguinte, para consecução dos objetivos definidos neste projeto
de pesquisa..

�4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA
A escolha do ambiente onde se realizará a pesquisa, a caracterizam quanto
ao delineamento, como estudo de campo, que corresponde à coleta direta de
informação no local que acontecem os fenômenos. Quanto à natureza caracteriza-se
como pesquisa de abordagem qualitativa, de nível exploratório, uma vez que será
desenvolvida com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, de
determinado fato que corresponde à existência ou não de práticas de GC na
biblioteca universitária. Objetiva, também, uma vez existindo, descrever as variáveis
que identifiquem as práticas de organizações do conhecimento nas Bibliotecas em
estudo, conforme as dimensões do Modelo de Organização do Conhecimento
apresentado por Angeloni (2002) adotado como parâmetro, caracterizando a
pesquisa como descritiva.

4.2 DEFINIÇÃO DO UNIVERSO, DA AMOSTRA E DOS SUJEITOS DA PESQUISA
O universo de pesquisa equivale às Bibliotecas Universitárias localizadas no
Estado da Paraíba. Dessa forma, diante da impossibilidade de atingir esse universo,
considerando a distância geográfica entre estas, além do curto espaço de tempo
para realização da pesquisa, definiu-se como amostra, as Bibliotecas Universitárias
da UFPB e a do UNIPÊ, localizadas na grande João Pessoa. Escolheu-se--se como
sujeitos a serem abordados, os bibliotecários que forem considerados pessoaschave das organizações, apontados pelos respectivos diretores nas duas
instituições, que deverão considerar os critérios de experiência e envolvimento com
as atividades da organização. Essa escolha se dá pelo fato de essas pessoas
geralmente serem consideradas detentoras do conhecimento tácito.

�4.3 DEFINIÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE COLETA E DE ANÁLISE DOS DADOS
O instrumento para coleta de dados consistirá da realização de uma entrevista
com as pessoas-chave da organização. A entrevista será semi-estruturada e deverá
ser realizada após uma visita pelos membros da equipe do projeto, às organizações
estudadas. A realização da entrevista deverá ser aplicada adotando-se a técnica de
grupo focal e a técnica de observação, paralelamente. Segundo Caplan (1990 citado
por Dias, 2000) os “grupos focais são pequenos grupos de pessoas reunidos para
avaliar conceitos ou identificar problemas”. Para não perder dados, as entrevistas
serão gravadas, caso os sujeitos concordem.
Será adotada a técnica de análise de conteúdo do tipo aberta, onde as
categorias se formarão após a coleta de dados. Na análise qualitativa serão feitas
citações diretas das frases que constarão indicadores que caracterizem as práticas
de GC identificadas com a aplicação das entrevistas e da observação. Os dados
coletados serão apresentados em forma de quadros registrando-se as categorias e
seus respectivos indicadores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que as organizações do tipo Bibliotecas Universitárias não
incidiram em nenhuma experiência oriunda da produção científica nacional
analisada, despertou-se a curiosidade em desenvolver este estudo para identificar as
características do comportamento dessas organizações na era da "Sociedade da
Informação e do Conhecimento”, procurando responder a seguinte questão: até que
ponto as bibliotecas universitárias são consideradas organizações do conhecimento?
Certamente, a implementação da pesquisa trará benefícios não só para as
Bibliotecas Universitárias, no despertar para novas formas de gestão, como para os
alunos envolvidos e o Departamento de Biblioteconomia da UFPB, por intermédio

�dos seus docentes, na obtenção dos conhecimentos que serão gerados acerca do
tema em estudo.
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∗

Professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação / UFPB - Campus I - João
Pessoa-PB (Doutora em Administração/UFPB - Brasil) emeide@hotmail.com
∗∗
Professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação / UFPB - Campus I - João
Pessoa-PB (Mestre em Ciência da Informação/UFPB - Brasil) alzirakarla@click21.com.br

�</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Apresenta projeto de pesquisa elaborado em consonância com as recomendações dos enfoques teóricos que abordam as organizações da era do conhecimento. onsidera a biblioteca universitária como órgão que promove a aprendizagem, podendo ser vista também como organização inteligente ou organização de conhecimento. Para caracterizar-se como tal, enfatiza-se que essas organizações devem procurar gerenciar suas dimensões infra-estrutura, pessoas e tecnologia, na tentativa de captar, armazenar, gerar e compartilhar o conhecimento. Objetiva-se, portanto, identificar as características da Biblioteca Universitária  como organização do conhecimento tomando-se como parâmetro um Modelo alternativo de Organização de Conhecimento apresentado por Angeloni (2002). Metodologicamente, caracteriza-se como estudo de campo, de nível exploratório descritivo, de natureza qualitativa. Tem como universo de pesquisa as bibliotecas universitárias do Estado da Paraíba, representadas em amostra pelas bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), localizadas em João Pessoa/PB. Adota como sujeitos de pesquisa, os bibliotecários, considerados pessoas-chave das bibliotecas; entendidas como detentoras do conhecimento tácito organizacional. O instrumento de coleta de dados constitui-se de uma entrevista semi-estruturada aplicando-se a técnica de grupo focal e observação. Para análise dos dados adotada-se a análise de conteúdo do tipo aberta. Com a implementação do projeto, busca-se responder a questão: até que ponto as bibliotecas universitárias são consideradas organizações do conhecimento?</text>
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