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                  <text>O USO DA BASE DE DADOS MINERVA NO DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO
DA INFORMAÇÂO PARA O CONHECIMENTO NA UFRJ

Maria Irene da Fonseca e Sá∗
Paula Maria Abrantes Cotta de Mello∗∗

RESUMO
A era do conhecimento está exigindo novas habilidades organizacionais. Torna-se
necessário localizar de forma mais nítida e precisa os estoques e fluxos de
conhecimento. No passado criamos e aprendemos a gerenciar almoxarifados de
“coisas”. Atualmente, precisamos criar “almoxarifados e corredores” de
conhecimento. O recurso conhecimento se encontra em sua forma mais preciosa na
cabeça das pessoas, mas também, transformado e explicitado, no contexto
organizacional, em documentos, conteúdos não estruturados, processos, patentes e
práticas documentadas. Há um alto potencial e grandes oportunidades de
disseminação do conhecimento existente nas universidades e institutos de pesquisa
para a sociedade em geral. Pode-se entender o conhecimento como um fluxo
constante, no qual os profissionais registram e compartilham experiências e saberes.
Neste caso, a gestão do conhecimento tem o papel de sistematizar esse
compartilhamento, criando sistemas que permitam uma maior interação entre os
indivíduos e a ampliação da troca de conhecimentos. Dentro deste contexto, a UFRJ,
através da NCE – Núcleo de Computação Eletrônica e do SIBI – Sistema de
Bibliotecas e Informação, apresenta o uso da base de dados MINERVA, no sentido
de centralizar e estruturar o conhecimento gerado pela comunidade acadêmica da
UFRJ, permitindo sua disseminação, compartilhamento e uso, e propiciando
resultados positivos e benefícios, tanto interna quanto externamente.

1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas e Informação, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro - SiBI/UFRJ, oficializado em 1989 pelo Conselho Superior de Coordenação
Executiva - CSCE, é formado por 43 unidades de informação, situadas nos dois
campi da UFRJ – Ilha do Fundão e Praia Vermelha – e, ainda, em unidades isoladas
localizadas na cidade do Rio de Janeiro.

�PANORAMA DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS E INFORMAÇÃO – SiBI

O modelo do sistema reflete a estrutura da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, que é, por sua origem, fragmentada em diversas unidades. A então
Universidade do Brasil, foi criada após a união das Escolas de Música, de Belas
Artes, Medicina e Direito. Seu inevitável e desejado crescimento, e o surgimento da
pós-graduação no Brasil na década de setenta, a caracterizou pela diversidade de
unidades hoje existentes e atuantes. Portanto, se explica o grande número de
bibliotecas na UFRJ, contemplando todas as áreas do conhecimento e

atendendo

�ao ensino, pesquisa e extensão. Como a UFRJ tem dois campi e 11 unidades
isoladas , suas bibliotecas seguem esse padrão, estando, em sua maioria,
geograficamente distantes umas das outras.
O SiBI tem como objetivo principal a integração de suas unidades de
informação à política educacional e administrativa da Universidade, servindo de
apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão, estimulando a colaboração
técnico-científica, cultural, literária e artística, através do desenvolvimento de
serviços e produtos de informação que atendam às exigências de relevância e
rapidez.
A Base Minerva é a forma de reunir logicamente os acervos dessas bibliotecas
representando-os num grande catálogo coletivo virtual para consulta remota.

2 INFORMATIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS
A história da informatização das bibliotecas da UFRJ, que pode ser
investigada em diversos trabalhos apresentados ao longo dos últimos 25 anos,
remonta à uma trajetória de pioneirismo e inovação. A fase de modernização e
remodelagem dos recursos computacionais, que coincide com a adoção de um novo
software gerenciador de bibliotecas, teve importante papel para o atual estágio de
gestão da informação na Universidade.
As primeiras providências nessa fase foram de: dotar as bibliotecas/unidades
de informação da Universidade, de infra-estrutura computacional adequada ao
funcionamento do software gerenciador dos serviços de biblioteca, promover
atividades de capacitação do pessoal das bibliotecas, com a finalidade de prepará-lo
a acompanhar o desenvolvimento tecnológico na área de informação e as
especificidades do software e converter os registros do acervo informatizado no
sistema anterior para o sistema atual.

�Vencidas essas etapas, que duraram aproximadamente 1 ano (1998) e
diversas investidas em treinamentos, foi consolidado o uso do software pelas
bibliotecas e o conseqüente aumento do número de registros na Base Minerva. O
gráfico a seguir ilustra esse crescimento.

1.200.000
1.100.000
1.000.000
900.000
800.000
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
0

923.988
792.379
543.403
249.159
86.919
235.177

243.458

282.407

282.407

282.407

282.407

Dez. 1998

Dez. 1999

Dez. 2000

Dez. 2001

Dez. 2002

Dez. 2003

Conversão

Inclusão de Itens

3 BASE MINERVA
A Base Minerva, hoje com 1.300.000 itens, reúne acervos das 43 bibliotecas
do Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ. Os dados que compõem a Base
estão armazenados num servidor localizado no Núcleo de Computação Eletrônica
que tem uma equipe destinada à gerência do sistema e oferece toda a infra-estrutura
técnica necessária ao perfeito funcionamento, monitorado por 24 horas/dia.
Como proposta inovadora, o SIBI está oferecendo à comunidade da UFRJ os
recursos da Base Minerva para registrar e divulgar informação contida, não só nas
bibliotecas, mas em outras unidades de informação tais como, arquivos, coleções
especializadas e museus.

�Essa iniciativa tem sido gradativamente adotada por algumas unidades da
UFRJ

que,

detentoras

de

acervos

importantes,

não

possuíam

apoio

técnico/computacional para disponibilizar seus conteúdos. Os projetos têm sido
realizados em parceria com o SIBI, que oferece suporte técnico e garante a
qualidade na catalogação dos registros. .Acredita-se que a crescente adesão a esse
projeto resultará na produção de um catálogo coletivo virtual das diversas coleções
da UFRJ, apresentando o seu patrimônio documental existente.
Atualmente temos 3 arquivos sendo integrados à Base Minerva: o Arquivo
Histórico do Museu Nacional, o Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade
de Arquitetura e o Centro de Línguas indígenas do Programa de Pós-Graduação em
Antropologia. A produção acadêmica discente; teses e dissertações, já está sendo
disponibilizada em texto integral; objetos pertencentes à família real, integrantes da
Coleção do Museu Nacional, estão sendo catalogados, fotografados e inseridos na
Base; a produção acadêmica docente está sendo catalogada, digitalizada (quando
não está em meio eletrônico) oferecendo acesso ao texto completo do artigo,

�capítulo de livro ou relatório de pesquisa produzidos. Além disso se; inseriu-se links
para curriculum Lattes e para as Bibliotecas virtuais existentes na Universidade.
Nesse projeto destacam-se as iniciativas de digitalização, tanto as referentes
às teses e dissertações, quanto de documentos históricos, raros, produção
acadêmica docente e “realia”.

TESE DIGITALIZADA TEXTO COMPLETO

TAÇA DO MUSEU REAL

�As novas formas de busca pela informação, ocasionadas pela independência
dos usuários, atualmente dotados de todos os recursos necessários para efetuar sua
pesquisa sem, necessariamente dirigir-se à biblioteca, destacam a importância de
uma eficaz gestão dos recursos informacionais disponibilizados nas bases de dados.

4 GESTÃO DO CONHECIMENTO
Rossatto (2003) conceitua gestão do conhecimento como “um processo
estratégico, contínuo e dinâmico que visa gerir o capital intangível da empresa e
todos os pontos estratégicos a ele relacionados e estimular a conversão do
conhecimento”.
Segundo Canavarro ( 2003) uma vertente da gestão do conhecimento referese às organizações, que veêm o conhecimento como um fluxo constante, onde os
profissionais registram e compartilham experiências e conhecimento. Sendo assim, o
papel da gestão do conhecimento seria o de sistematizar esse compartilhamento,
criando sistemas que permitam uma maior interação entre os indivíduos e a
ampliação da troca de conhecimentos.
“A assimilação da informação, como analisa Barreto(2004) é a finalização de
um processo de aceitação da informação que transcende o seu uso, um ato de
apropriação. Este é o destino final do surpreendente e muitas vezes raro fenômeno
da informação: criar conhecimento modificador e inovador do indivíduo e do seu
contexto. Entendemos o conhecimento como sendo uma passagem, um fluxo de
sensações que são apropriados pela consciência do receptor e este é um processo
que se realiza no mais oculto espaço de sua subjetividade. É um caminho pessoal e
diferenciado para cada indivíduo”.
Essa é a abordagem utilizada pelo SIBI na gestão da informação – científica,
tecnológica, cultural e artística - da Universidade Federal do Rio de Janeiro para a
utilização e o gerenciamento de uma ferramenta como a base Minerva, de forma a

�proporcionar o compartilhamento de toda a produção acadêmica e dos acervos,
fazendo-os interagir com os usuários e suas demandas de informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando a aplicação das idéias apresentadas nos estudos sobre gestão da
informação para o conhecimento no gerenciamento da Base Minerva da UFRJ,
podemos fazer algumas considerações finais:
•

O uso da Base Minerva como apoio à gestão da informação não é um
processo estanque. Será influenciado por múltiplas decisões, principalmente
por aquelas que afetam o compromisso e a motivação das pessoas que
trabalham nas unidades de informação da Universidade;

•

As ferramentas de tecnologia de informação e comunicação são parte
integrante do projeto; são o meio para fazer acontecer, mas não determinam
os esforços da gestão da informação;

•

É praticamente impossível gerenciar todas as informações disponíveis,
necessárias ou desejáveis, mas sistematicamente, cada unidade de
informação deverá estar focada nos conhecimentos estratégicos de sua
Unidade;

•

O uso da base Minerva como apoio à gestão da informação para o
conhecimento na UFRJ deve ser considerada como o esforço para melhorar o
desempenho humano e organizacional através da facilitação de conexões
significativas entre pessoas, documentos e comunidades. Assim, a utilização
da base Minerva tem como objetivos: garantir que todos (interna e
externamente à UFRJ) tenham acesso ao conhecimento/produção científica
da UFRJ, quando, onde e na forma que necessitam e motivar o
compartilhamento da produção acadêmica e científica, utilizando o seu
potencial de codificação/catalogação e difusão da informação.

�REFERÊNCIAS
CANAVARRO, Marcela. Gestão do saber. T I Master, outubro 2003.Captado em
28/05/2004
http://www.timaster.com.br/revista/materiais/main_materia.asp?codigo=853

ROSSATTO, Maria Antonieta. Gestão do conhecimento: a busca da humanização,
transparência, socialização e valorização do intangível. Rio de Janeiro: Interciência,
2003.

RUSSO, Mariza. SÁ, Maria Irene da Fonseca e. A Base Minerva e as
oportunidades de desenvolvimento do conhecimento para portadores de
deficiência visual. Jan.2002

∗

Gerente de projeto do Núcleo de Computação eletrônica NCE/UFRJ Irene_as@nce.ufrj.br
Coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação SIBI/UFRJ paulamello@sibi.ufrj.br

∗∗

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