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                  <text>APLICAÇÕES DE GESTÃO DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: MAPEAMENTO E DISCUSSÕES PRELIMINARES

Marília Damiani Costa∗
Gardênia de Castro∗∗

RESUMO
O objetivo principal deste artigo é apresentar e discutir as aplicações de gestão do
conhecimento (GC) em bibliotecas universitárias (BU’s), a partir das iniciativas
registradas na literatura corrente na área (nacional e internacional), com vistas à
otimização de propostas para este segmento no Brasil. Enfatizam-se as
bibliotecas universitárias como partes de organizações do conhecimento,
elencando enfoques e diversidades de propostas. Apresenta-se um mapa de
conhecimentos sobre o tema: gestão do conhecimento, apontando as
contribuições por focos e por países. E finalmente discute-se a participação das
BU’s em propostas de gestão do conhecimento.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão do conhecimento. Gestão do conhecimento em
bibliotecas universitárias. Propostas de gestão do conhecimento.
1 INTRODUÇÃO
A crença de que uma economia baseada no conhecimento e na informação
possui recursos ilimitados tem sido um dos fatores responsáveis pela recente
atratividade pela gestão do conhecimento, tanto no ambiente acadêmico quanto
no das organizações privadas e públicas.
Essa busca das organizações pelo conhecimento, como fonte de recurso
inesgotável, traz a tona à necessidade de gerenciar informações para subsidiar a
criação de conhecimentos, bem como de gerenciar os ambientes para criação e
compartilhamento deste bem intangível, chave para a inovação e para a obtenção
de um diferencial competitivo.
As

organizações

do

conhecimento,

como

são

denominadas

as

organizações que atuam com base no conhecimento, baseiam suas ações na
compreensão do ambiente, de suas necessidades e são alavancadas pelas fontes
de informação disponíveis e pela competência de seus membros. (CHOO, 2003,
p. 31).

�Portanto, as bibliotecas, como partes das organizações do conhecimento,
devem estar preparadas para atuar no processo de gestão do conhecimento
(GC). As bibliotecas universitárias, no caso específico das Instituições de Ensino
Superior (IES), compõem a base para desenvolvimento das atividades de ensino,
pesquisa e extensão.
O presente trabalho propõe-se a apresentar e discutir as aplicações de
gestão do conhecimento (GC) em bibliotecas universitárias (BU’s), a partir das
iniciativas registradas na literatura corrente na área (nacional e internacional),
com vistas à otimização de propostas para este segmento no Brasil.

2 GESTÃO DO CONHECIMENTO: UM CONCEITO EM EVOLUÇÃO
A Gestão do Conhecimento (GC) é um conceito que surgiu no final da
década de 80, com a finalidade de gerenciar o conhecimento como um recurso
organizacional para obtenção de vantagem competitiva. É um tema que vem
ganhando espaço tanto no campo acadêmico quanto no organizacional, pois
transformar

o

conhecimento

individual

em

conhecimento

organizacional,

inserindo-o em produtos e serviços tem sido um dos grandes desafios, para a
competitividade.
Essa busca das organizações por trabalhar o capital humano e intelectual
(conhecimento) não constitui novidade, mas a proposta de gerenciá-lo é
inovadora, pois, “muitas empresas perceberam que necessitam de mais do que
apenas uma abordagem aleatória (e até mesmo inconsciente) do conhecimento
corporativo para vencer na economia atual e futura” (DAVENPORT; PRUSAK,
1998, p. ix).
A gestão do conhecimento é um conceito em evolução, está relacionada
com outras áreas do conhecimento, englobando conceitos e envolvendo diversas
atividades, como registra o mapa desenvolvido por Carvalho, Souza e Loureiro
(2002), evidenciando a sua complexidade e abrangência.

�FIGURA 1: Relações de Gestão do Conhecimento.
Fonte: CARVALHO, R. B. de; SOUZA, R. R.; LOUREIRO, R. (2002)

Por causa destas inúmeras relações, há uma multiplicidade de conceitos e
pontos de vista sobre GC. Esta dificuldade de definir gestão do conhecimento de
uma forma única também é abordada por Ives, Torrey e Gordon (1998) que
apontam à experiência e a formação dos profissionais que interagem na área de
gestão do conhecimento como razão para esta multiplicidade conceitual.
Miskie (1996) relaciona o conhecimento do indivíduo (sua habilidade
pessoal, intransferível) e o conhecimento explícito (que pode ser documentado e
facilmente difundido), definindo gestão do conhecimento como uma abordagem
estratégica, um modo de pensar (integrado, ciência e arte), que produz um
incremento na capacidade de ação de um indivíduo ou organização.
Para Davenport e Prusak (1998, p. 61) gestão do conhecimento é “o
conjunto de atividades relacionadas à geração, codificação e transferência do
conhecimento”, baseia-se em melhorar os recursos existentes na organização de
forma orientada para o conhecimento.

�Malhotra (1998) define gestão do conhecimento como um fator crítico para
a adaptação, sobrevivência e competência das organizações frente a mudanças
ambientais, que engloba processos organizacionais procurando combinar, de
forma sinérgica, a capacidade de processamento de dados e informações das
tecnologias de informação, e a capacidade criativa e inovativa dos seres
humanos.
Bukowitz e Willians (2002, p. 17) definem a gestão do conhecimento como
“o processo pelo qual a organização gera riqueza, a partir do seu conhecimento
ou capital intelectual”, e apontam as tecnologias de informação e comunicações
como uma das principais forças que levaram a gestão do conhecimento para o
primeiro plano e para o centro das organizações.
Diversos modelos de gestão do conhecimento podem ser recuperados na
literatura corrente, onde cada um trata o conhecimento de uma forma peculiar.
Neste sentido, Kakabadse, Kakabadse e Kouzmin (2003) apresentam um resumo
de diferentes abordagens de gestão do conhecimento, caracterizados em cinco
modelos: modelo de base filosófica, cognitivo, network, de comunidade e
quântico, registrados no quadro a seguir.

Tratamento
do
conhecimento

Metáfora
dominante

Modelo com
base
Filosófica

Modelo
Cognitivo

Modelo
Network

Conhecimento é
“convicção
verdadeira
justificada”

Conhecimento
é definido e
codificado
objetivamente
como conceitos
e fatos

Conhecimento
é externo a
quem adota
nas formas
explícitas e
implícitas

Conhecimento é
construído
socialmente e
baseado na
experiência

Sistemas de
possibilidades

Memória

Network

Comunidade

Paradoxo

Epistemologia

Modelo de
Comunidade

Modelo
Quântico

Foco

Formas de
saber

Captura e
armazenagem
do
conhecimento

Aquisição do
conhecimento

Criação e
aplicação do
conhecimento

Solução de
paradoxos e
temas
complexos

Objetivo
principal

Emancipação

Codificação e
captura do
conhecimento
explícito e da
informação –
exploração do

Vantagem
competitiva

Promover o
compartilhamento
do conhecimento

Sistemas de
aprendizado

�conhecimento

Alavanca
crítica

Questionamento,
reflexão
e debate

Tecnologia

Limite imediato

Comprometimento Tecnologia
e confiança

Principais
resultados

Novo
conhecimento

Padronização,
rotinização e
reciclagem do
conhecimento.

Consciência do Aplicação de
desenvolvimento novos
externo
conhecimentos

Criação de
multirealidades

Papel das
ferramentas
baseadas em
TI

Quase
irrelevante

Mecanismo
integrativo
crítico

Mecanismo
interativo
gratuito

Centrado no
conhecimento
crítico

Mecanismo de
suporte
integrativo

QUADRO 1: Modelos de Gestão do Conhecimento
Fonte: Traduzido de KAKABADSE, N. K.; KAKABADSE, A.; KOUZMIN, A. (2003, p. 81)

3 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO PARTES DE ORGANIZAÇÕES DO
CONHECIMENTO
As organizações do conhecimento, conforme caracteriza Sveiby (1998) são
organizações baseadas no conhecimento, isto é, transformam informações em
conhecimentos, seus ativos intangíveis são considerados mais valiosos que os
tangíveis e seus trabalhadores são profissionais altamente qualificados.
Para Choo (2003, p. 30) ”a organização que for capaz de integrar
eficientemente

os

processos

de

criação

de

significado,

construção

do

conhecimento e tomada de decisões pode ser considerada uma organização do
conhecimento”.
Neste sentido, as IES, são organizações do conhecimento que tem por
missão desenvolver as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
As bibliotecas universitárias (BUs) servem a comunidade acadêmica, como
uma universidade ou faculdade (Steveson, 1997, p. 84), e tradicionalmente são
conceituadas como bibliotecas de IES, destinadas a suprir as necessidades
informacionais de seus integrantes
acadêmicas (CARVALHO, 1981).

no desempenho de suas atividades

�Para Townley (2001, p. 44) as faculdades, universidades, e suas
bibliotecas são organizações sociais onde os trabalhadores transformam os
recursos informacionais através das funções de ensinar, pesquisar e de serviços.
Shanhong (2004) destaca a participação da biblioteca para a inovação do
conhecimento:
As funções convencionais de uma Biblioteca são de coletar,
processar, disseminar, armazenar e utilizar informação
documental para proporcionar serviços para a sociedade. Na era
da economia do conhecimento, a biblioteca se tornará a casa-dotesouro do conhecimento humano, participando na inovação do
conhecimento, e tornando-se um importante elo na corrente da
inovação. (SHANHONG, 2004, p.1).

No século 21, reforça Shanhong (2004) a biblioteca irá inevitavelmente
encarar os novos temas da gestão do conhecimento.

4 MAPEAMENTO E DISCUSSÃO SOBRE GESTÃO DO CONHECIMENTO EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Gestão do conhecimento não é um tema ou função que é habitualmente
abordado dentro da biblioteca. Muitos consideram gestão do conhecimento uma
atividade empresarial em que o uso do conhecimento cria valor empresarial em
termos de lucros ou alguma outra medida quantitativa. (JANTZ, p. 34, 2001)
Segundo Jantz (2001, p. 34) gestão do conhecimento em bibliotecas
universitárias “envolve organizar e prover acesso a recursos intangíveis que
ajudam os bibliotecários e administradores a desempenhar suas funções de forma
mais eficiente e efetivamente.”
Ao que Shanhong (2004) complementa
gestão do conhecimento em bibliotecas deveria ser focalizada em
pesquisa efetiva e desenvolvimento de conhecimento, criação de
bases de conhecimento, troca, e compartilhamento entre pessoal
da biblioteca (incluindo seus usuários), treinamento do pessoal
das bibliotecas, acelerando o processo explícito de conhecimento

�implícito e percebendo o seu compartilhamento. (SHANHONG,
2004, p. 2)

A gestão do conhecimento em bibliotecas se tornará cada vez mais
importante e esta nova forma de gestão terá três focos distintos: gerenciamento
dos recursos humanos, ponto central da GC nas bibliotecas; promover a inovação
do conhecimento; e a tecnologia da informação, como uma ferramenta para a GC
em bibliotecas. (SHANHONG, 2004, p. 2)
De acordo com Dudziak, Vilela e Gabriel (2002, p. 7-8) os benefícios do
uso da gestão do conhecimento em Bibliotecas Universitárias são:
a)Construção de uma base documentada que ampara os
processos decisórios dentro da biblioteca;
b)Melhoria da comunicação e interconectividade entre todos os
setores da Biblioteca, de modo que as informações e o
conhecimento possam fluir, de forma independente do desejo das
pessoas, havendo também a redução dos obstáculos inerentes à
separação geográfica;
c)Disponibilização integrada de dados, informações e
conhecimentos importantes ao ambiente e funcionamento
internos, e ao core business da biblioteca (que é a busca
constante pela satisfação de seus clientes);
d)Racionalização de tarefas como conseqüência da padronização
de procedimentos e conhecimento de normas;
e)Maior eficiência dos setores, independentemente da
rotatividade de pessoas e/ou a eventual falta de algum membro
da equipe;
f)Compartilhamento de experiências entre todos os membros das
equipes bibliotecárias, onde conhecer o outro fortalece as
relações interpessoais, fomenta e qualifica o diálogo, havendo a
valorização do trabalho de todos;
g)Facilidade de compartilhamento de conhecimentos e troca de
experiências entre as bibliotecas (benchmarking), o que leva a
um maior aprendizado. (DUDZIAK, VILELA E GABRIEL ,2002, p.
7-8)

Uma metodologia de implementação de projetos de GC em bibliotecas
universitárias também é descrita por Dudziak, Vilela e Gabriel (2002, p. 9-10),
destacando os seguintes procedimentos:
a) Colocação do foco da organização no ser humano, em seus
aspectos subjetivo e objetivo;
b) criação de um clima organizacional afeito à comunicação e à
inovação, de articulação de idéias e linguagem comuns a todos;
c) implementação de um planejamento estratégico;

�d) mapeamento do conhecimento individual e coletivo, com a
identificação de conhecimentos tácitos e explícitos;
e) identificação de dados (sua objetividade, exatidão,
confiabilidade), informações (confiabilidade) e o próprio
conhecimento (selecionado de acordo com sua aplicabilidade e
relevância a partir das metas e objetivos da organização);
f) escolha de matérias e idéias as mais apropriadas aos objetivos
(memória da organização, rotinas e procedimentos);
g) resgate das idéias e conhecimentos (a partir das pessoas,
documentos escritos, manuais técnicos, e-mails, memorandos,
relatórios, artigos, etc);
h) construção de uma relação preliminar entre dados, informações
e conhecimentos; sua interpretação e organização;
i) articulação entre as variáveis e indicadores que caracterizam
todos os atores do negócio, com a disponibilização do capital
intelectual da organização;
j) avaliação das relações elaboradas e realização de agrupamentos
e cruzamentos de dados, informações e conhecimentos;
k)
avaliação
de
sua
acessibilidade
(a
partir
de
terminologias/linguagens comuns aos membros da equipe);
l) avaliação da usabilidade e da qualidade de dados, informações e
conhecimentos, de modo que possam apoiar apropriadamente os
processos decisórios, e mesmo antecipar demandas, contribuindo
para a melhoria da qualidade dos serviços e produtos;
m) aprendizado através do processo e experiências adquiridas de
modo a criar um círculo virtuoso de melhoria contínua e
inovação.(DUDZIAK, VILELA E GABRIEL ,2002, p. 7-8)

Townley (2001) argumenta que a gestão do conhecimento está sendo
usada para melhorar as operações da biblioteca, permitindo gerar conhecimento
organizacional para instituições de ensino superior. O autor identifica quatro tipos
de projetos para aplicar gestão de conhecimento em bibliotecas: a) criar
repositórios de conhecimento, b) melhorar acesso de conhecimento; c) aumentar
o ambiente de conhecimento; e d) administrar conhecimento como um recurso.
O primeiro tipo de projeto visa à criação pelas bibliotecas de repositórios de
conhecimento, para a inserção de informações úteis sobre a operação de uma
biblioteca, as atividades dos usuários, e para alcançar objetivos organizacionais.
O segundo tipo de projeto procura melhorar o acesso de conhecimento, isto é,
melhorar o acesso e transferência de conhecimento organizacional, através de
uma rede de especializada em um determinado assunto, páginas amarelas,
biblioteca virtual, correio eletrônico e listservs. Já o terceiro processo criaria um
ambiente de criação e transferência de conhecimento, onde se pudesse

�compartilhar o conhecimento tácito sobre os usuários amparados por um
bibliotecário de referência. Por último administrar o conhecimento como um
recurso, ou seja, administrar o capital intelectual da biblioteca universitária. Este
tipo de projeto e o menos utilizado pelas bibliotecárias.
Já na visão de Shanhong (2004) a gestão do conhecimento em bibliotecas
universitárias deveria incluir os seguintes conteúdos: gestão da inovação do
conhecimento, gestão da disseminação do conhecimento, gestão da aplicação do
conhecimento e gestão dos recursos humanos.
Algumas iniciativas sobre a aplicação da GC em BU’s divulgadas na
literatura corrente da área, foram objeto dos mapeamentos deste estudo.
O mapeamento geográfico destas contribuições sobre gestão do
conhecimento em bibliotecas universitárias, estão registrados na figura 2, e nele
fica visível a contribuição do Estados Unidos, Brasil e China.

Figura 2 – Mapeamento geográfico das contribuições de GC em Bibliotecas Universitárias

Um mapeamento por autorias e enfoques, apresentados a seguir, permite
acompanhar as diversas abordagens, sobre gestão do conhecimento em
bibliotecas universitárias, registradas na literatura corrente e que embasaram este
artigo.

�AUTOR

ENFOQUE

ANO

TOWNLEY, C. T.

Aplicações de gestão do conhecimento em bibliotecas
universitárias, discute as semelhanças e diferenças
2001
entre gestão do conhecimento e práticas nas
bibliotecas universitárias.

JANTZ, R.

Ferramenta,
chamada
base
de
dados
de
conhecimento comum (CKDB), da Biblioteca New
Brunswick na Universidade Rutgers, para facilitar o 2001
gerenciamento e alocar o conhecimento informal dos
bibliotecários.

HERNÁNDEZ
BENVENUTO, R. I.
DUDZIAK, E. A.;
VILLELA, M. C. O.;
GABRIEL, M. A.

Modelo de aprendizagem organizacional na biblioteca
do Congresso Nacional da Republica do Chile.
2001
Fatores que possibilitam desenvolver sistemas de
gestão do conhecimento no âmbito da biblioteca
2002/2003
universitária.

BRANIN, J. J.

Projeto de banco de conhecimento na Universidade
do Estado de Ohio. Este banco de conhecimento tem
2003
como objetivo armazenar toda a produção científica
da instituição.

MATIAS, M.

Modelo de gestão do conhecimento centrado em
2003
usabilidade, denominado de uGECON.

PLAZA, R. T. T
(Coord.)

Sistema de Bibliotecas da Universidade de São Paulo
(SIBI/USP):
projeto
focado
na
gestão
de
competências de seu corpo técnico por intermédio de 2003
propostas de plano de carreira e do seu perfil
profissional.

SHANHONG, T.

Tipos de abordagens para a gestão do conhecimento
2004
em bibliotecas.

Quadro 2: Mapeamento de GC em Bibliotecas Universitárias

As duas iniciativas sobre GC em bibliotecas de universidades americanas,
registradas por Jantz (2001) e Branin (2003), são na linha de bases de
conhecimentos, uma para registrar o conhecimento tácito dos bibliotecários de
referência e a outra como repositório digita, para captar o conhecimento explícito
dos professores, funcionários e alunos da instituição.

�Jantz (2001) apresenta uma ferramenta, denominada base de dados de
conhecimento comum (CKDB) da Biblioteca New Brunswick na Universidade
Rutgers. Esta ferramenta foi desenvolvida por uma equipe de bibliotecários de
referência, com o objetivo de integração das bibliotecas, para facilitar o
gerenciamento e uso de conhecimento informal que todo o bibliotecário possui.,
isto é, tenta registrar o conhecimento tácito dos bibliotecários de referência,
alocando-o numa base de dados. Esta ferramenta visa facilitar a administração
das bibliotecas interna e externamente, com relação ao atendimento dos usuários,
melhorar

a

comunicação

entre

as

bibliotecas,

e

compartilhamento

do

conhecimento entre os bibliotecários de referência para as demais bibliotecas.
Branin (2003) apresenta o projeto de Banco de Conhecimento na
Universidade do Estado de Ohio, construído a partir das concepções que guiam a
biblioteconomia e a gestão do conhecimento. Este Banco de Conhecimento é um
repositório de conhecimento institucional digital, desenvolvido para captar o
conhecimento explicitado pelos professores, funcionários e alunos da instituição,
um “repositório de referência”, para abranger e coordenar uma multiplicidade de
serviços de informação existentes na universidade. Este projeto utiliza os
bibliotecários para gerenciar todos os tipos de informação. Em função disso,
enfatiza que os bibliotecários universitários ao trabalhar em administração,
referência, ou serviços técnicos, têm que assumir papéis novos como gerentes de
conhecimento. A instituição está criando banco de dados, teses e dissertação online, por isso Branin (2003) propõe um banco de conhecimento com o intuito de
armazenar toda produção científica da instituição.
No Brasil três trabalhos tratam especificamente de propostas de gestão do
conhecimento em bibliotecas universitárias. Destas três propostas, duas são
produtos de pesquisa de mestrado (HERNÁNDEZ BENVENUTO, 2001) e de
doutorado (MATIAS, 2003) e uma é produto do planejamento estratégico
desenvolvido em um sistema de bibliotecas (PLAZA, 2003).
Hernández Benvenuto (2001) apresenta a implementação de um modelo
de aprendizagem organizacional aplicado à biblioteca do Congresso da República
do Chile. Este modelo permitiu definir diferentes aspectos relacionados com a

�criação, captura, aplicação e armazenamento do conhecimento gerado na
biblioteca.
Matias (2003) propõe um modelo de gestão do conhecimento sobre o uso
de Sistemas de Recuperação de Informação (SRI) centrado em princípios de
usabilidade, denominado de uGECON, tendo por base a adequação de SRI aos
usuários e aos requisitos das tarefas. Este modelo tem como objetivo facilitar a
transferência de informação, adaptando as interfaces aos usuários, tarefas e
contextos, com base em registros log, e na abordagem ergonômica. O modelo
uGECON foi aplicado no sistema de recuperação de informação eLISA utilizado
pela biblioteca universitária do campus de São José da Universidade do Vale do
Itajaí (UNIVALI).
Plaza (2003) coordenou no Sistema de Bibliotecas da Universidade de São
Paulo (SIBI/USP), foi desenvolvido um projeto focado na gestão de competências
de seu corpo técnico. Através deste projeto a gerência do SIBI/USP busca traçar
o perfil de seus profissionais que atuam em suas unidades para: a) conhecer seus
profissionais existentes e avaliar as lacunas de competências existentes na
organização como um todo para atender a nova realidade devido às mudanças
tecnológicas, políticas e sociais; b) buscar o desenvolvimento profissional através
de capacitação, aquisição de novos conhecimentos e a transferência destes para
a organização levando a novos desafios; c) melhoria da competitividade na
atração de talentos; d) inovação na gestão permitir avaliar as ações atuais de
preparação do profissional, identificar as necessidades globais e orientar as ações
de desenvolvimento coletivo alinhados com sua estratégia.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na era da economia do conhecimento, as bibliotecas têm uma importante
participação no processo de inovação e consolidação de novos conhecimentos e
gradativamente enfrentarão as questões ligadas à gestão do conhecimento nas
organizações em que estão inseridas.

�A literatura sobre gestão do conhecimento em bibliotecas aponta que as
propostas deveriam ser focalizadas em pesquisa efetiva e desenvolvimento de
conhecimento, criação de bases de conhecimento, troca e compartilhamento
entre os profissionais que atuam na biblioteca (incluindo seus usuários), e
capacitação profissional.
Neste estudo contatou-se que as iniciativas de abordagem de GC em
bibliotecas, tanto nacionais quanto internacionais estão procurando contemplar
estas expectativas, mas ainda há muito por fazer.
Como as bibliotecas universitárias são partes de organizações acadêmicas,
sugere-se que as mesmas devam integrar-se às propostas de GC das IES, bem
como os profissionais bibliotecários estar preparados para atuar como gestores
do conhecimento.

KNOWLEDGE MANAGEMENT APPLICATIONS IN ACADEMIC LIBRARIES:
MAPPING AND PRELIMINARY DISCUSSIONS

ABSTRACT
This article primary objective is to present and to discuss the applications of
knowledge management in academic libraries, starting from the initiatives
registered in the area literature (national and international), to a proposals
optimization for this segment in Brazil. The academic libraries are emphasized as
parts of knowledge organizations, showing a diversity of proposals and focuses.
Presents a knowledge map about the subject: knowledge management, pointing
the contributions by focuses and by countries. Finally it discuss the academic
libraries participation in knowledge management proposals.
KEYWORDS: Knowledge management. Knowledge management in academic
libraries. Knowledge management proposals.

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&amp; Research Libraries, v. 62, n. 44-55, Jan. 2001.

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Doutora em Engenharia de Produção, área de inteligência organizacional. Professora do
Departamento de Ciência da Informação, Universidade Federal de Santa Catarina
(PPGCIN/UFSC), Centro de Ciências da Educação, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis,
Santa Catarina, Brasil, CEP: 88040-900, e-mail: marilia@cin.ufsc.br.
∗∗
Mestranda em Ciência da Informação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGCIN/UFSC), Centro de Ciências da
Educação, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, CEP: 88040-900,
e-mail: gardeniacastro@terra.com.br.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O objetivo principal deste artigo é apresentar e discutir as aplicações de gestão do conhecimento (GC) em bibliotecas universitárias (BU’s), a partir das iniciativas registradas na literatura corrente na área (nacional e internacional), com vistas à otimização de propostas para este segmento no Brasil. Enfatizam-se as bibliotecas universitárias como partes de organizações do conhecimento, elencando enfoques e diversidades de propostas. Apresenta-se um mapa de conhecimentos sobre o tema: gestão do conhecimento, apontando as ontribuições por focos e por países. E finalmente discute-se a participação das BU’s em propostas de gestão do conhecimento.</text>
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