<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="5117" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/5117?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-21T05:14:41-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="4185">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/46/5117/SNBU2004_174.pdf</src>
      <authentication>c310af51cba2b99d03f30c25ea82b124</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="55967">
                  <text>O PAPEL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NO PROCESSO DE INCLUSÃO DE
USUÁRIO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA VISUAL

Neide Maria Jardinette Zaninelli∗

RESUMO
As Bibliotecas Universitárias têm papel de suma importância no processo de
inclusão do Portador de Necessidades Educacionais Especiais (PNEE) no ensino
superior, estas devem garantir acesso pleno ao PNEE, eliminando as barreiras
existentes. A integração e inclusão do usuário PNEE ao sistema social, inclui a
possibilidade de freqüência às universidades e bibliotecas. Hoje, os recursos de
informática são primordiais ao acesso a informação, e por meio desses recursos o
usuário Deficiente Visual (DV) tem a possibilidade de acesso ao mundo da
informação. Permite também a utilização das diversas ferramentas disponíveis na
Internet, acesso a bancos de dados, pesquisa em periódicos eletrônicos, livros
digitalizados e outros. A Biblioteca Central da UEL (BC/UEL), visando a inclusão de
um aluno DV e, especificamente na intenção de favorecer acesso aos recursos
informacionais disponíveis na biblioteca e na internet, tomou algumas iniciativas
neste sentido. Dificuldades encontradas durante o atendimento a este usuário
serviram de estimulo à busca de alternativas que diminuíssem as barreiras
informacionais, arquitetônicas e atitudinais. Para implantação dessas alternativas
foram necessárias algumas adaptações, aquisições, treinamentos e oficina de
capacitação dos funcionários .
PALAVRAS-CHAVE:
Universitária.

Inclusão.

Acessibilidade.

Deficiência

Visual.

Biblioteca

1 INTRODUÇÃO

Hoje em dia, apenas uma pequena parte da população estudantil que chega
às universidades é portadora de deficiências e em conseqüência disso apresenta
problemas durante o processo de ensino/aprendizagem. Conforme dados fornecidos
pelo MEC (BRASIL, 2003), uma parcela próxima de 10% da população brasileira são
deficientes visuais e desta, menos de 1% têm acesso às Instituições de Ensino
Superior (IES).

�Percebe-se

um

aumento

considerável

destes

casos

às

instituições

universitárias, exigindo urgentemente que estas estejam preparadas para receberem
alunos com estas características. Diante dessa situação, as IES tem que adequar e
melhorar sua estrutura, tanto física quanto de serviços, para atender essa demanda.
Neste contexto, incluímos as bibliotecas universitárias, visto que são subunidades dentro da organização maior. Observa-se que a instituição de ensino
superior não está preparada, pois não sabe exatamente como agir eticamente, quais
os direitos dos Portadores de Necessidades Educacionais Especiais (PNEE) e quais
seus deveres em relação a este aluno, que por um lado está regularmente
matriculado e por outro apresenta uma diversidade de atuações não previstas até o
momento.
Para que o processo de inclusão se efetive, algumas IES estão tomando
providências para recepcionar o Portador de Necessidades Educacionais Especiais,
em atendimento à Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que determina:
Art. 1 Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência
ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de
obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na
construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de
comunicação (BRASIL, 2000).

Portanto, acessibilidade significa facilidade de interação, aproximação.
Considerando que a Constituição rege pelos princípios constitucionais de igualdade
da pessoa humana e da não discriminação, apresentamos o artigo 206, incisos I, II,
VI e VII os seguintes princípios:
[...] estabelecem como princípios no ensino a igualdade de condições
para o acesso e permanência na escola, a liberdade de aprender,
ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, gestão
democrática do ensino público e a garantia de padrão de qualidade
[...] e; art. 208, inciso III e § 2º que estabelecem que a educação será
efetivada garantindo o atendimento educacional especializado aos
portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de
ensino e que o não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder
público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da
autoridade competente [...] (CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA
PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA, 2002).

Em toda parte do mundo e em todos os níveis da sociedade há pessoas
portadoras de algum tipo de deficiência. Deficiência significa “perda ou limitação de

�oportunidades de participar da vida comunitária em condições de igualdade com as
demais pessoas” (COORDENADORIA NACIONAL PARA INTEGRAÇÃO DA PESSOA
PORTADORA DE DEFICIÊNCIA, 1996).

Destacamos aqui, os principais problemas sentidos por usuários deficientes
visuais, que são dificuldades em obter informações apresentadas visualmente. A
visão é, entre os órgãos dos sentidos, de grande importância para a interação do ser
humano. É um sistema altamente sofisticado e complexo que graças aos órgãos que
o integram permite a percepção de imagens (TRAVI, 2004). Atualmente os recursos
da informática possibilita a estes usuários interagir com o mundo da informação
usando de diversos recursos da informática, como; softwares, usando um dispositivo
diferente do teclado; distinguir rapidamente os links num documento; navegar
através de conceitos espaciais; distinguir entre outros sons uma voz produzida por
síntese, entre outros.
Com estes recursos citados, podemos afirmar que estamos a caminho de
permitir ao PNEE o compartilhamento e acessibilidade aos recursos tecnológicos e
informacionais disponíveis nas instituições de ensino, bem como os da rede de
computadores, atendendo dessa forma as recomendações estabelecidas na
legislação. De acordo com o Decreto de regulamentação das Leis 10.048 e 10.098,
Capítulo IV, Seção II, Art. 25.
Os estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa e
modalidade, públicos e privados, proporcionarão condições de
acesso e utilização dos ambientes ou compartimentos de uso
coletivo para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida, inclusive salas de aula, bibliotecas, auditórios, ginásios e
parques de esporte, laboratórios, áreas de lazer e sanitários.
Parágrafo único. Nenhuma autorização de funcionamento, de
abertura ou renovação de curso será concedida pelo Poder Público
sem que o estabelecimento de ensino comprove [...] (BRASIL,
2004).

Neste sentido fica claro a urgência dos educadores, pesquisadores e demais
setores ligados principalmente a educação, juntarem esforços para pesquisar e
discutir esta temática, em todos os níveis e modalidades de ensino.
Contudo, nada impede o usuário com condições especiais de se integrar ao
sistema social, incluindo sua possibilidade de freqüência às universidades e
bibliotecas. Neste contexto, cabe aqui apresentar o trabalho gradativo que está

�sendo realizado na Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina
(BC/UEL) com um usuário portador de deficiência visual total.
Este trabalho tem como objetivo enfocar a importância das bibliotecas
universitárias no processo de ensino e inclusão de portador de deficiência visual
(DV), e apresentar os benefícios das tecnologias da comunicação e da informação
para o acesso ao mundo da informação. Com isso apresentamos a experiência da
Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina na busca de soluções para
alguns dos problemas encontrados para a inclusão do aluno portador de deficiência
visual.

2 O PORTADOR DE DEFICIÊNCIA VISUAL

Em algumas famílias e comunidades, os PNEE não são bem aceitos por
diversas razões, principalmente pelo desconhecimento que é o maior gerador do
preconceito.
O fato de serem diferentes e por se saber pouco sobre a deficiência, cria um
certo temor, dificultando os relacionamentos e sua integração. É obrigação da
sociedade conhecer e informar- se sobre as necessidades específicas de cada
portador de deficiência, para que sejam eliminados os preconceitos e discriminação
em relação a estes, dando-lhes oportunidade de participação em atividades
culturais, sociais, religiosas, esportivas, e principalmente, de integração ao mundo
do saber e da informação.
O termo deficiência visual refere-se a uma situação irreversível de diminuição
da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após
tratamento clínico e/ou cirúrgico e uso de óculos convencionais. A diminuição da
resposta visual pode ser leve, moderada, severa, profunda (que compõem o grupo
de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual (cegueira).
Há vários tipos de classificação. De acordo com a intensidade da deficiência,
temos a deficiência visual leve, moderada, profunda, severa e perda total da visão.
De acordo com a idade de início, a deficiência pode ser congênita ou adquirida. Se

�está associada a outro tipo, como surdez, por exemplo, a deficiência pode ser
múltipla ou não (PORTAL DA RETINA, 2004).
Cegueira: é a perda total e/ou resíduos mínimos de visão, que leva o
indivíduo a necessitar do "Sistema Braille", como meio de leitura e
escrita, além de outros equipamentos específicos para o
desenvolvimento educacional e integração social.
Visão subnormal: trata-se da pessoa que possui resíduo visual que a
possibilita ler impressos a tinta, de forma ampliada, ou com o uso de
equipamentos específicos (TIBOLA apud AGUIAR; FERNANDES,
2000).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% da população
mundial apresenta algum grau de deficiência visual, sendo que mais de 90%
encontram-se nos países em desenvolvimento. Podemos constatar nos dados de
Evolução da Matrícula de Alunos com Necessidades Especiais da Secretaria de
Educação Especial (BRASIL, 2003) um aumento significativo de alunos portadores
de deficiência visual matriculados em 2000 à 2003, de 8.019 passou para 20.521, e
dentro destes apenas 1% estão matriculados em instituições de ensino superior. A
ênfase maior na LDB 9.394/96 em seu Capítulo V, aponta que a educação dos
portadores de necessidades especiais deve-se dar preferencialmente na rede
regular de ensino. E quanto a de ensino superior?
A Política Nacional de Educação Especial serve como fundamentação e
orientação ao processo de educação de pessoas portadoras de deficiências, de
condutas típicas e de altas habilidades, criando condições adequadas para o
desenvolvimento de suas potencialidades, com vistas ao exercício consciente da
cidadania. Na mesma linha de trabalho, encontra-se a Secretaria de Educação
Especial (SEESP) do Ministério da Educação, que tem como função identificar
oportunidades, estimular iniciativas, gerar alternativas e formular ações que
propiciem o acesso e permanência do aluno com necessidades educacionais
especiais no sistema de ensino, de forma a garantir o seu direito à educação.
Enfim, mais do que políticas públicas bem definidas e fundamentadas, o
portador de cegueira total, como o de visão subnormal precisam de atitudes de
vários seguimentos da sociedade e do Governo, o que significa um nova forma de
entender a educação de integração dessas pessoas, pois os mesmos carecem de
recursos especiais, sejam, didáticos e informacionais, para garantir suas

�possibilidades de desenvolvimento e participação na sociedade. Por integração
entende-se o “[...] processo dinâmico de participação das pessoas num contexto
relacional, legitimando sua integração nos grupos sociais (BRASIL, 1994). A
integração implica reciprocidade.
Então no contexto educacional, integração escolar é:
[...] processo gradual e dinâmico que pode tomar distintas formas,
segundo as necessidades e habilidades dos alunos. A integração
educativa (escolar) se refere ao processo de educar-ensinar junto a
crianças com e sem necessidades educativas especiais, durante
uma parte ou na totalidade do tempo de sua permanência na escola
(BRASIL, 1994).

3 DO ACESSO À INFORMAÇÃO E À COMUNICAÇÃO

Vivemos na sociedade da informação, e um dos fatores críticos para o
sucesso nesta sociedade é o acesso e utilização das tecnologias de informação e
comunicação. Estas tecnologias devem, portanto, estar disponíveis ao maior número
possível de cidadãos evitando-se assim a exclusão social. Neste contexto as
tecnologias de informação e comunicação têm um papel crucial a desempenhar, pois
têm o potencial de “quebrar” barreiras físicas e espaciais, servindo de suporte a um
grande número de atividades possíveis de serem realizadas por portadores de
deficiência.
Hoje, o portador de deficiência visual pode ter acesso a diversos programas
que o auxiliam na utilização do computador. Esses programas permitem aos
deficientes visuais utilizar o ambiente Windows, aplicativos Office, e navegar pela
Internet, por intermédio da tecnologia de síntese de voz, garantindo a leitura do
conteúdo. Milhões de pessoas acessam a internet todos os dias, em busca de
acesso a informação, entretenimento, trabalho, educação, comunicação e comércio,
entre outras atividades.
Para o aluno deficiente visual na universidade, o computador é absolutamente
necessário. Por meio dos recursos da informática o usuário portador de deficiência
visual tem a possibilidade de acesso ao mundo da informação, e a biblioteca pode
oferecer diversos serviços que concretize a inclusão destes, seja local, através do

�catálogo online da Biblioteca, onde será possível identificar todos livros, teses e
monografias constantes na coleção, ou mesmo acesso a acervos de outras
instituições. Permite também a utilização das diversas ferramentas de busca
disponíveis na Internet, acesso a bancos de dados bibliográficos, bem como à
pesquisa em periódicos eletrônicos com seus textos na íntegra, jornais, ou livros
digitalizados. Outro recurso que pode ser muito utilizado é o email, que possibilita
troca de idéias, informações e arquivos, participar de grupos de trabalhos, listas de
discussões e outros.
Todos esses recursos têm de certa forma, facilitado o trabalho e/ou atividades
do usuário PNEE, propiciando o acesso rápido e atualizado às informações,
localização de documentos e possibilitando a comunicação entre outros acadêmicos
e profissionais.
Neste contexto, a tecnologia da informática dispõe de recursos que
possibilitam ao deficiente visual ter melhores condições de acesso à educação, e
consequentemente, possibilita uma melhoria na qualidade de vida, seja através do
crescimento intelectual (acesso a informações e educação), pessoal (possibilidade
de se comunicar e formas de entretenimento com outros indivíduos em condições de
igualdade) e profissional (ter meios adequados para desenvolver uma atividade
profissional possibilitando a conquista da independência financeira) (RODRIGUES;
SOUZA FILHO; BORGES, 2003).

4

O PAPEL DAS BIBLIOTECAS NO PROCESSO DE INCLUSÃO
Apesar das dificuldades, principalmente de ordem material e de recursos

humanos, algumas instituições de ensino superior no Brasil estão interessadas e
empenhadas em trabalhar na área de Portadores de Necessidades Educacionais
Especiais, mas a burocracia ainda afeta algumas atividades específicas relacionadas
ao portador de deficiência visual, como a acessibilidade ao espaço físico e acesso à
informação.

�Sendo a biblioteca uma instituição voltada para suprir as necessidades
informacionais da comunidade, é fundamental que ela não se omita perante o
problema, procurando planejar e estruturar seus serviços, contribuindo assim para o
processo de inclusão do portador de deficiência visual na sociedade. Jaeger (1985)
aponta que:
as bibliotecas constituem os meios mais eficientes para a
reintegração dos cegos à vida ativa e à realização de um trabalho
socialmente útil, dentro de suas possibilidades intelectuais e
psíquicas, faz uma análise sobre os objetivos gerais e específicos de
uma biblioteca de livre acesso para cegos, sempre tendo em vista
oportunizar aos deficientes visuais o acesso aos recursos
bibliográficos e sonoros que possibilitam ao deficiente visual sua
vivência educativa e formação no nível cultural, integrando-se
socialmente na comunidade.

No Brasil, praticamente, inexiste biblioteca universitária que incorpore ao seu
planejamento garantias de acesso pleno aos portadores de deficiência, seja
barreiras arquitetônicas, atitudinais, ou mesmo recursos informacionais. Neste
contexto se enquadrava a BC/UEL que, para atender um usuário com DV
deparamos com diversas barreiras e dificuldades.
A Biblioteca Central da UEL, em 1996 formalizou a inscrição de Leitor com a
Fundação Dorina Nowill para Cegos. Através desta inscrição com a Organização
Leitora, a BC/UEL passou a receber doações e empréstimos de material em braille e
fitas gravadas. Esta ação surgiu da necessidade de servir como mecanismo
alimentador a uma categoria diferenciada, carente de informação bibliográfica, ou
seja, os usuários portadores de deficiência visual. Então podemos dizer que o
processo de atendimento aos portadores de deficiência visual iniciou-se a partir
desta data. No entanto, visando melhorar a qualidade do atendimento a esta
categoria, buscou-se oferecer novos recursos e ferramentas, para propiciar um
atendimento além dos limites físicos e geográficos do acervo da BC/UEL até então
formado.
As necessidades materiais para o deficiente visual incluem a falta de estrutura
física para acesso aos diversos locais, a falta de investimentos públicos para
melhoria das suas condições básicas e materiais didáticos não adaptados para o
seu uso.
Segundo Bruno (1999, apud AGUIAR; FERNANDES, 2000)

�a falta de investimentos em recursos humanos, em pesquisa
educacional e de acesso a tecnologias e equipamentos específicos
que assegurem educação qualitativa são fatores determinantes na
área da deficiência visual.

No sentido de incluir um aluno DV, e especificamente na intenção de
favorecer acesso aos recursos informacionais disponíveis na BC/UEL e na internet,
tomou-se algumas iniciativas, motivadas por sensibilidade e voluntarismo de alguns
dos integrantes da Biblioteca. Houve também a necessidade de algumas
adaptações, aquisições e treinamentos.
O primeiro passo foi adquirir o software que permitiria o acesso à internet, sua
instalação e disponibilização de um microcomputador. Sem uma tecnologia de
acesso adequada, os deficientes visuais podem ficar limitados quanto a quantidade
e a qualidade das informações que podem acessar, o que inibe, ou até mesmo
impossibilita que eles utilizem plenamente as potencialidades deste meio de
comunicação. Neste caso, o treinamento da bibliotecária que iria acompanhar e
orientar o usuário com esta condição especial, foi fundamental para início do
processo de inclusão.
Outra providência foi repassar o aprendizado aos demais funcionários da
Divisão de Atendimento, para que todos estivessem aptos para atendê-lo, tanto nos
recursos da informática como no atendimento geral. Percebemos também a
necessidade de preparar os demais funcionários da Biblioteca para o atendimento
ao usuário DV, tanto para os recursos informacionais como para o suporte
arquitetônico e atitudinal. Assim, foi possível uma maior capacitação para melhor
atender ao usuário DV, e aos futuros usuários com necessidades especiais,
buscando a qualidade no atendimento.
A partir destes procedimentos iniciamos outros projetos na Biblioteca e na
Universidade. Como exemplo, podemos citar a realização de uma oficina de
capacitação dos funcionários para o atendimento aos usuários portadores de
Deficiência Visual, contribuindo assim ao processo de inclusão dos PNEE no ensino
superior.

�Por sua vez, os bibliotecários devem estar conscientes de que o problema
maior não é prover informação para o deficiente visual

e sim criar condições

acessíveis para que ele se interesse e utilize os serviços e produtos oferecidos pelas
bibliotecas. Segundo Saumure e Given (2002) o importante é que biblioteca e
bibliotecário facilitem os caminhos dos usuários PNEE, criando condições para que
estes se sintam independentes na busca da informação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em toda parte do mundo e em todos os níveis da sociedade há pessoas
portadoras de algum tipo de deficiência. Na literatura, as abordagens sobre a pessoa
portadora de deficiência visual tratam das dificuldades de convivência dessa pessoa
em sociedade. É consenso, que existem barreiras para a integração e inclusão do
deficiente à sociedade, visto que, a formação destas pessoas são as vezes
prejudicada por diversos fatores entre eles a falta de acesso a recursos tecnológicos
e informacionais.
Vimos que um dos fatores críticos para o êxito da sociedade da informação é
o acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação. Visto que, estas
tecnologias tem papel importante na inclusão do deficiente visual, tanto na
sociedade como no ensino, concluímos então que estas tecnologias devem estar
disponíveis ao maior número possível de cidadãos com todas as facilidades
necessárias ao seu uso.
Para viabilizar o uso da internet pelos deficientes visuais poucas iniciativas
concretas estão sendo realizadas no país, a maior parte das pesquisas e trabalhos
realizados, em relação ao desenvolvimento e elaboração de softwares para ao
acesso a internet, são realizados em outros países.
A responsabilidade das instituições de ensino superior é grande, e na questão
de informação e acessibilidade, as bibliotecas têm responsabilidade ainda maior,
visto que o profissional da informação deve exercer papel fundamental para
proporcionar a estes usuários acesso pleno a informação.

�Neste contexto, a Biblioteca Central da UEL, vivenciou esta situação, a partir
da freqüência de um usuário portador de deficiência visual total, e com seu
constante contato com os funcionários, surgiram questionamentos de como
poderiam atendê-lo de maneira adequada para sua condição, visando promover a
interação do mesmo com os funcionários, bem como, aos recursos informacionais
disponíveis na Biblioteca acessíveis a todos os usuários.
A Biblioteca Central da UEL, a partir deste contato com este usuário DV,
passou a se preocupar com adequação de infra-estrutura de atendimento para os
usuários portadores de deficiência visual, bem como, a outros usuários PNEE. Com
iniciativas tomadas pela BC/UEL em busca de suporte para o atendimento adequado
ao usuário DV, a Biblioteca mostra-se ainda preocupada em diminuir as barreiras
para acessibilidade do usuário de modo geral. A administração da BC/UEL está
consciente de que existem necessidades a serem atendidas em relação a
acessibilidade arquitetônica, atitudinal, equipamentos e materiais para ampliar e
melhorar as condições de atendimento dos usuários DV, seja com visão subnormal
ou cegueira total, para que possam se sentir independentes em busca de seus
conhecimentos. A BC/UEL pretende dar continuidade ao programa de capacitação
de seus funcionários para o atendimento desse público através de oficinas. Tem
ainda como meta buscar recursos para ampliar o número de equipamentos
direcionados para essa finalidade.
Entretanto, entre todos os fatores mencionados o que mais ressalta na sua
importância é a questão da acessibilidade atitudinal, na qual sem ela, nada adiantará
uma biblioteca estar equipada, com acessibilidade arquitetônica, se seus
funcionários não prestarem atendimento diferenciado aos usuários PNEE.
Com esta experiência ampliamos o atendimento aos usuários atuais e futuros,
proporcionando a inclusão destes, e oferecendo condições de igualdade de
oportunidades ao acesso às informações para sua qualificação acadêmica.
Observamos também que as atividades dos bibliotecários para com os
deficientes visuais, não devem se constituir em ações isoladas. Devem envolver a
participação de outros setores dentro da biblioteca, e de outros setores da
universidade, bem como procurar organismos que lidam com a problemática da
deficiência visual, buscando ampliar o raio de ação.

�REFERÊNCIAS

AGUIAR, Izabel Maria; FERNANDES, Dirce Missae Suzuki. O deficiente visual e a
biblioteca central da UEL: relato de experiência. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000, Florianópolis. Anais... Florianópolis:
UFSC, 2000. CD-ROM.
BRASIL. Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e
critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de
deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da
União, Brasília, 20 dez. 2000.
BRASIL. Decreto de Regulamentação, Leis 10048 e 10098. Minuta de Decreto.
Regulamenta as Leis Federais no 10.048, de 8 de novembro de 2000 e no 10.098,
de 19 de dezembro de 2000, e dá outras providências. 2004. Disponível
em:&lt;http://www.mj.gov.br/sedh/ct/corde/&gt;. Acesso em: 18 jun. 2004. Apresentado
por José Dirceu de Oliveira e Silva.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Censo Escolar. 2003.. Disponível
em:&lt;http://www.inep.gov.br/basica/censo/Escolar&gt;. Acesso em: 15 jul. 2004.
BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Desafios da Educação Especial.
Brasília, 1994.
BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Subsídios para organização e
funcionamento de serviços de educação especial : área de deficiência visual.
Brasília : SEESP, 1995.
CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA PORTADORA DE
DEFICIÊNCIA. Relatório da participação do Ministério Público do trabalho no
CONADE. Brasília, 2002.
COORDENADORIA NACIONAL PARA INTEGRAÇÃO DA PESSOA PORTADORA
DE DEFICIÊNCIA. Mídia e deficiência: manual de estilo. Brasília, 1996.
JAEGER, Leyla Gama, CUARTAS, Enriqueta G. D. de, PIZZATI, Margaret
Germano. Uma biblioteca de livre acesso para cegos. BIBLOS. Revista do
Departamento de Biblioteconomia e História, Rio Grande do Sul, v. 1, n. 1, p, 921, 1985.

�PORTAL DA RETINA. Tipos e causas de Deficiência Visual. Disponível em:
http://www.portaldaretina.com.br/home/saibamais.asp?id=28. Acesso em:19 jun.
2004.
RODRIGUES, Andréa dos Santos; SOUZA FILHO, Guido Lemos de; BORGES, José
Antônio. 2003. Acessibilidade na Internet para deficientes visuais. Disponível
em: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/textos/guido.doc. Acesso em: 10 de jun. 2004.
SAUMURE, Kirstie; GIVEN, Lisa M. Facilitating information acess for visually
impaired postsecondary students. Feliciter, Ottawa, v.48, n.5, p.222-224, 2002.
SILVEIRA, Júlia Gonçalves da. Biblioteca inclusiva ? repensando sobre barreiras de
acesso aos deficientes físicos e visuais no sistema de bibliotecas da UFMG e
revendo trajetória institucional na busca de soluções. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000, Florianópolis. Anais... Florianópolis:
UFSC, 2000. CD-ROM.
TRAVI, Giovanni Marcos. O Sistema Visual. Disponível em:
http://www.portaldaretina.com.br/home/artigos.asp?id=15. Acesso em:19 jun. 2004.

∗

Bibliotecária da Divisão de Referência da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina,
Campus Universitário – Londrina/PR/Brasil
Especialista em Sistema Automatizados de Informação C&amp;T.
Email. nemaza@uel.br

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="46">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51369">
                <text>SNBU - Edição: 13 - Ano: 2004 (UFRN - Natal/RN)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51370">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51371">
                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51372">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51373">
                <text>UFRN</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51374">
                <text>2004</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51375">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51376">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51377">
                <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55941">
              <text> Papel da biblioteca universitária no processo de inclusão de usuário portador de deficiência visual.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55942">
              <text>Zaninelli, Neide Maria Jardinette</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55943">
              <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55944">
              <text>UFRN</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55945">
              <text>2004</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55947">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="55948">
              <text>As Bibliotecas Universitárias têm papel de suma importância no processo de  inclusão do Portador de Necessidades Educacionais Especiais (PNEE) no ensino superior, estas devem garantir acesso pleno ao PNEE, eliminando as barreiras existentes. A integração e inclusão do usuário PNEE ao sistema social, inclui a possibilidade de freqüência às universidades e bibliotecas. Hoje, os recursos de informática são primordiais ao acesso a informação, e por meio desses recursos o usuário Deficiente Visual (DV) tem a possibilidade de acesso ao mundo da informação. Permite também a utilização das diversas ferramentas disponíveis na Internet, acesso a bancos de dados, pesquisa em periódicos eletrônicos, livros digitalizados e outros. A Biblioteca Central da UEL (BC/UEL), visando a inclusão de um aluno DV e, especificamente na intenção de favorecer acesso aos recursos informacionais disponíveis na biblioteca e na internet, tomou algumas iniciativas neste sentido. Dificuldades encontradas durante o atendimento a este usuário serviram de estimulo à busca de alternativas que diminuíssem as barreiras informacionais, arquitetônicas e atitudinais. Para implantação dessas alternativas foram necessárias algumas adaptações, aquisições, treinamentos e oficina de capacitação dos funcionários.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68621">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
