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                  <text>COMUNIDADE VIRTUAL DE PESQUISA: NA BUSCA DE CONCEITOS PARA
APRIMORAR O COMPARTILHAMENTO DE CONHECIMENTO

Rejane Ramos Machado
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Informação
Científica e Tecnológica. rejane@cict.fiocruz.br

Viviane Santos de Oliveira
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Informação
Científica e Tecnológica vsantos@cict.fiocruz.br

Maria Elisa Andries dos Reis
Mestre em Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde
Pública Sérgio Arouca, elisar@fiocruz.br

Resumo: A Internet tem participação na publicação de artigos e no desenvolvimento de
pesquisas, integrando cientista e áreas do conhecimento. A produção científica assume
novas características; o texto, antes estabilizado, nas páginas de livros, revistas, jornais é
agora, o hipertexto – colocado em movimento no fluxo, desterritorializado. Comunidade
Virtual de Pesquisa (CVP) surge como novo agrupamento social cognitivo para práticas
científicas coletivas, interativas e interdisciplinares. È neste espaço virtual que se dão
trocas de experiências, compartilhamento de informações e a colaboração mútua. O
objetivo deste trabalho é mapear a literatura escrita sobre comunidades e comunidades
virtuais a fim de traçar conceitos e características que correspondam a CVP, não
encontrados de forma específica na literatura e analisar a comunicação entre os
pesquisadores, seu entendimento e uso de comunidades virtuais e sua predisposição no
compartilhamento de informações. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico
da literatura em suas várias formas sobre comunidades e comunidades virtuais;
exposição dos diversos conceitos em torno da temática; e entrevista com os
pesquisadores em Unidade da Fiocruz. Esse estudo servirá para nortear o delineamento
de metodologia de organização de uma CVP, visando compartilhar informação e
conhecimento que contribua para a otimização da comunicação científica entre os
pesquisadores e suas produções.

�A influência das tecnologias da informação e da comunicação na sociedade
contemporânea traduz-se em um novo paradigma, resultando em inéditas formas
de interação humana. A expansão do uso do computador e das telecomunicações,
o desenvolvimento de interfaces amigáveis e o crescimento da Internet romperam
as barreiras impostas pelo tempo e pelo espaço, transformando o cotidiano de
cidadãos da elite, especialmente no que se refere à comunicação e ao
armazenamento e à recuperação de dados.

Uma nova cultura, ainda encoberta pelo nevoeiro informacional, deverá
emergir da interação das atividades humanas e do uso intensivo de inovações
tecnológicas. Para Lévy, pela primeira vez a humanidade tem a oportunidade de
levar a cabo um projeto transformador da existência, baseado no saber e no
imaginário coletivo. Este projeto, que ele batiza de inteligência coletiva, teria como
referência a velocidade de evolução dos saberes, a massa de pessoas
convocadas a aprender e a produzir novos conhecimentos e o surgimento de
novas ferramentas.

A revolução tecnológica e informacional, caracterizada principalmente pelo
processo de democratização da produção e da divulgação de saber, confere
novas especificidades aos espaços de circulação das informações científicas.
Além de novos integrantes participando do processo de produção de pesquisas,
aspectos definidores da estrutura do campo científico foram alterados, como o
trabalho em contexto interdisciplinar (Freitas, 1998).

Nesse sentido, a Internet tem participação significativa, promovendo
diversas facilidades, como a publicação de artigos e o desenvolvimento de
pesquisas,

integrando

cientistas

de

diferentes

localidades

e

áreas

do

conhecimento. A produção científica assume novas características; o texto, antes
estabilizado nas páginas de livros, revistas, jornais é agora o hipertexto - colocado
em movimento, tomado em fluxo, desterritorializado.

2

�No contexto da Internet surge a comunidade virtual como um novo
agrupamento social cognitivo para práticas científicas coletivas, interativas e
interdisciplinares. É neste espaço virtual que se dão as trocas de experiências, o
compartilhamento de informações e a colaboração mútua em pesquisas. Os
cientistas têm a chance de tomar parte de comunidades de pesquisa que não
existem no campo físico, mas apenas no meio virtual.

Como um dos objetivos das comunidades virtuais está o compartilhar
conhecimento - no sentido de disseminar para os pares – como sendo
indispensável para a ciência e necessário no processo de construção do
conhecimento; seria o elemento norteador da comunidade científica – entendida
aqui como um conjunto de relações sociais no seio das quais se assimila, produz
e propaga conhecimentos, cuja identidade é sócio-cognitiva e também política.

Segundo Freitas, “os requisitos necessários para a participação do cientista
na comunidade científica virtual não se apresentam de forma tão rígida nem
relacionada, intensamente, a elementos que caracterizam a posição do cientista
na estrutura institucional hierárquica do campo de produção do conhecimento
científico”. As comunidades virtuais de pesquisa são novas arenas para produção,
circulação e apropriação de sentidos. Nelas, os indivíduos não são meros
emissores e/ou receptores de informação, mas interlocutores ativos.

A comunicação mediada por computador é apontada como “ferramenta de
características notáveis”. Agrega conceitos de solidariedade e democracia ao
impedir a concentração de poder associado à informação. De certa forma, a
comunicação eletrônica recupera a interatividade da comunicação face a face e
amplia seu campo de ação (Pinheiro, 2003).

3

�Mapeando a literatura

Para a consecução deste trabalho foi feito levantamento inicial das fontes
documentais mapeou-se a literatura escrita sobre o tema e assuntos relacionados.
Esse mapeamento possibilitou identificar diversos estudos sobre comunidades e
comunidades virtuais e também temáticas relacionadas a essa questão com
diferentes abordagens.

Adquiriram-se algumas publicações que apontaram a sua utilização como o
cerne do estudo, outros documentos foram conseguidos via comutação
bibliográfica e outros foram baixados via Internet. Cabe destacar alguns autores
que serviram de base para o estudo, conforme quadro abaixo:

AUTORES

ESPECIALIDADE

Alex Fernando Teixeira Primo

Comunidades virtuais

André L. M. Lemos

Cibercultura

Marcos Palácios
Etienne Wenger

Cibercultura
Gestão do conhecimento
Comunidades de prática

Francisco Menezes Martins e
Juremir Machado da Silva

Comunicação e tecnologias

Francisco Rüdiger

Cibercultura

Howard Rheingold
Jayme Teixeira Filho

Organização do conhecimento

José Cláudio Cyrineu Terra

Gestão do conhecimento

Pierre Lévy

Cyberespaço

Raquel Paiva

Comunidade

Elaborado por Rejane Machado

4

�O termo comunidades virtuais foi popularizado por Howard Rheingold
(1996), para nomear grupos socioculturais que surgem na internet quando um
número suficiente de indivíduos participa de discussões públicas, durante algum
tempo, em redes de relações humanas no ciberespaço. Para Castells, trata-se de
redes eletrônicas de comunicação interativa autodefinidas, organizadas em torno
de um interesse ou finalidade compartilhada, embora algumas vezes a própria
comunicação se transforme no objetivo (Castells;1999:385).

Para Primo (2005), nas comunidades virtuais existe o relacionamento entre
as pessoas com um espírito de compartilhamento e o sentimento de pertencer a
um grupo.

Mapeando os sites

Para melhor entender o funcionamento das Comunidades Virtuais, fez-se
um mapeamento de algumas Comunidades virtuais identificadas na Web. No
levantamento inicial selecionou-se 6 (seis) comunidades virtuais, com temas
distintos, mas com foco em pesquisa, listadas abaixo:

Comunidades

Localização

Comunidade Virtual Acolhimento
e Redes de Conversações

http://cv-acolhimento.bvs.br/

Comunidade Virtual de
Cooperantes da BVS

http://cvirtual-bvs.bireme.br/

Comunidad Virtual en Salud

http://cvirtual-colombia.bvsalud.org/

Comunidade Virtual Vigilância Sanitária
do Estado do Ceará
Comunidade Virtual Doenças
Inflamatórias Intestinais
Comunidade Virtual em Vigilância
Sanitária

http://cvirtual-conasems.bireme.br/
http://cvirtual-bvs.bireme.br/
http://cvirtual-bvs.bireme.br/

Elaborado por Viviane Santos

5

�As Comunidades acima relacionadas têm seus objetivos explicitados em
suas páginas, a seguir citados:
1. um

espaço

de

comunicação,

compartilhamento,

trabalho

colaborativo, documentação e divulgação do “Projeto Acolhimento e
Redes de Conversações: o desempenho dos serviços de saúde da
perspectiva da Inteligência Coletiva (relação entre capital social,
cultural e tecnológico)”;
2. promover o compartilhamento de informação relevante para o
fortalecimento dos trabalhos em cooperação na Biblioteca Virtual em
Saúde – BVS;
3. compartilhar e gerar informação e conhecimento em saúde;
4. propiciar meio de comunicação efetiva e eficiente sobre as ações de
Vigilância Sanitária, promover e facilitar a disseminação de
informação, Criar ambiente de colaboração e parceria e constituir
um meio de capacitação dos Vigilantes Sanitários;
5. compartilhar informações sobre doenças inflamatórias intestinais;
6. contribuir para a comunicação entre profissionais do sistema
proporcionando

intercâmbio

de

experiências

e

permitindo

o

acompanhamento das políticas da ANVISA que estão sendo
implantadas e implementadas;

As páginas principais dessas comunidades são apresentadas em
linguagem formal, sendo que quatro são categorizadas, ou seja, organizam seus
conteúdos em categorias, apresentando links para Noticias; Galeria de imagens;
Galeria de arquivos; Fóruns; Blogs; Wiki;Links interessantes; FAQs; Comunicados;
Bibliografia; Cadastramento; Instituições parceiras. As outras duas que não são
categorizadas apresentam links para documentos, notícias, cadastramento e
busca no site.

Deve-se destacar que todas as comunidades aqui apresentadas possuem
acesso restrito às listas de discussão e os conteúdos de acesso livre são:

6

�Manuais, Relatórios de oficinas, Artigos, Notícias e Bibliografia. Para se navegar
em outros links e conteúdos é necessário cadastrar-se, criando login, senha com o
registro de um endereço eletrônico válido.

A partir deste mapeamento identificamos que todas as Comunidades
Virtuais

identificadas

possuem

uma

linguagem

formal

em

seus

textos.

Percebemos também que a maioria das comunidades virtuais mapeadas organiza
a sua página principal em categorias (71%) enquanto a minoria (29%) não
organiza de forma categorizada.

As notícias e os artigos são os conteúdos que mais se apresentam
acessíveis

para

os

usuários-visitantes

(que

não

estão

cadastrados

na

comunidade), conforme quadro abaixo:
Conteúdos disponibilizados (acessíveis)

Fale conosco

1

Enquete

1

Paginas
interativas

1

blog

1
3

Busca no site
2

Bibliografia

5

Notícias
4

artigos
Relatorios de
oficinas

2

Manuais

2
0

1

2

3

4

5

6

7

�A entrevista
A Unidade da Fiocruz, objeto desse estudo abarca profissionais em seus
Departamentos que executam pesquisas. Essas pesquisas representam os temas
relacionados às atividades dos respectivos Departamentos. Para esse estudo
trabalhou-se com os Departamentos que têm grupos de pesquisa identificados e
certificados pela Instituição e constantes da tabela do CNPq.

A partir dos grupos de pesquisa registrados no CNPq identificaram-se os
membros integrantes da população sob análise de acordo com os seguintes
critérios: estar desenvolvendo pesquisa; pertencerem a um grupo de pesquisa
certificado pela instituição e estar registrado no Diretório do CNPq.

Para

referendar este parâmetro foi utilizado o Currículo Lattes como fonte de consulta e
os dados fornecidos pelos gestores de projetos da Unidade, com isso
estabeleceu-se 14 pesquisadores com integrantes da população de entrevistados.

A partir da indagação do uso da comunicação científica e as práticas de
produção da pesquisa, recorreu-se a entrevistas para conhecer o entendimento
dos entrevistados a respeito desse processo.

Os pesquisadores pertencentes à população de entrevistados contribuíram
para se conhecer o processo de comunicação entre os mesmos, à expectativa em
relação à construção de comunidades virtuais e compartilhamento de informação.

Constatou-se a partir das respostas dos entrevistados na questão da
comunicação entre os pesquisadores foi unânime afirmativa dessa existência.
Apurou-se que os pesquisadores estabelecem tanto a comunicação formal quanto
a informal com resposta da aplicação das duas formas de comunicação, doze dos
quatorze entrevistados responderam que estabelecem os dois tipos de
comunicação.

8

�Na abordagem da existência de demandas do conteúdo dos seus achados,
doze dos quatorze entrevistados responderam afirmativamente. Constatou-se a
existência de demandas externas com doze respostas afirmativas e cinco
respostas ‘ambas’. Cabe ressaltar que nove dos quatorze entrevistados participam
de listas de discussão, os outros cinco não participam.

Quanto ao entendimento de comunidades virtuais doze dos quatorze
entrevistados possuem algum entendimento do que seja uma comunidade.

Quanto à importância de se disponibilizar os relatórios com fonte de
consulta os entrevistados consideram importante disponibilizar os relatórios de
pesquisa em uma Comunidade Virtual, nove dos quatorze entrevistados
responderam afirmativamente e cinco negativamente sobre essa questão. Existe
por parte dos pesquisadores o interesse em documentos disponibilizados na
comunidade. Prevaleceu a disponibilização de outros documentos com nove
afirmativas, quatro não disponibilizariam e um não sabia bem a respeito.

A respeito das possibilidades de compartilhamento e disponibilização de
informação tendo o pesquisador como produtor de informação buscou-se saber o
que o mesmo compartilharia em uma Comunidade virtual. Neste caso dez dos
quatorze entrevistados responderam que compartilhariam tudo, três que não
compartilharia e um compartilharia de forma parcial.

Quanto à qualidade da informação compartilhada nas comunidades virtuais
cinco pesquisadores acham de boa qualidade, oito não sabem a respeito e um
não considera de boa qualidade. Por fim, buscou-se a opinião sobre se criar um
modelo de comunidade virtual de pesquisa para os pesquisadores, quatro
responderam afirmativamente, cinco não têm opinião e os outros cinco a princípio
não concordam com a iniciativa.

9

�Considerações finais

Por ser um assunto ainda recente o que ocorre é que o entendimento do
que é uma comunidade virtual, incluindo conceitos estão em processo de
construção e sedimentação. Com esse pressuposto entende-se que temos mais
questionamento a respeito do que respostas.

Pretendemos que esse estudo que está em andamento sirva para ser
utilizado como um norte no delineamento de metodologia de organização de uma
CVP, visando compartilhar informação e conhecimento que contribua para a
otimização da comunicação científica entre os pesquisadores e suas produções.

Referências bibliográficas
CASTELLS M. A sociedade em rede. 6 ed. São Paulo: Paz e Terra; 1999
PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro. Comunidades Científicas e infra-estrutura
tecnológica no Brasil para uso de recursos eletrônicos de comunicação e
informação de pesquisa. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.3,2003.
FREITAS, Christiane Soares. Ciência na Internet: Novas Práticas e Relações no
Campo Científico. Brasília. 1998. Mestrado em Sociologia. Universidade de Brasília.
PRIMO, Alex Fernando Teixeira. A emergência das comunidades virtuais. Disponível
em: &lt;http://lec.psico.ufrg.br/~aprimo/pb/comuni.htm&gt;. Acesso em: 12 maio 2005
RECUERO, Raquel da Cunha. Comunidades virtuais: uma abordagem teórica.
Disponível em: &lt;http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=750&gt;. Acesso em: 31
ago. 2005.
RHEINGOLD, Howard. A comunidade virtual. Lisboa: Gradiva Publicações, 1996. 367 p.

10

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>A Internet tem participação na publicação de artigos e no desenvolvimento de pesquisas, integrando cientista e áreas do conhecimento. A produção científica assume novas características; o texto, antes estabilizado, nas páginas de livros, revistas, jornais é agora, o hipertexto – colocado em movimento no fluxo, desterritorializado. Comunidade Virtual de Pesquisa (CVP) surge como novo agrupamento social cognitivo para práticas científicas coletivas, interativas e interdisciplinares. È neste espaço virtual que se dão trocas de experiências, compartilhamento de informações e a colaboração mútua. O objetivo deste trabalho é mapear a literatura escrita sobre comunidades e comunidades virtuais a fim de traçar conceitos e características que correspondam a CVP, não encontrados de forma específica na literatura e analisar a comunicação entre os pesquisadores, seu entendimento e uso de comunidades virtuais e sua predisposição no compartilhamento de informações. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico da literatura em suas várias formas sobre comunidades e comunidades virtuais; exposição dos diversos conceitos em torno da temática; e entrevista com os pesquisadores em Unidade da Fiocruz. Esse estudo servirá para nortear o delineamento de metodologia de organização de uma CVP, visando compartilhar informação e conhecimento que contribua para a otimização da comunicação científica entre os pesquisadores e suas produções.</text>
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