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                  <text>CONTEÚDOS DIGITAIS E PADRÕES DE REGISTROS: DESAFIOS PARA A
DEMOCRATIZAÇÃO DE ACERVOS ESPECIAIS

Gláucia Maria Saia Cristianini∗
Juliana de Souza Moraes
Lourdes de Souza Moraes
Elisa Yumi Nakagawa

RESUMO
Este trabalho apresenta a estrutura de um projeto de políticas públicas, apoiado
pela FAPESP, que visa o desenvolvimento de um sistema computacional
apropriado para armazenar, recuperar e divulgar os diferentes tipos de informação
contidos nos diversos acervos históricos da cidade de São Carlos e região. A
proposta é possibilitar e garantir o acesso às informações históricas da região aos
pesquisadores, educadores, alunos da rede pública e particular de ensino
(fundamental, médio e superior) e demais interessados. A estrutura do projeto
está fundamentada em ferramentas disponíveis como os softwares livres, tanto
para a construção do sistema computacional como para a disponibilização das
informações. Conseqüentemente, o sistema desenvolvido poderá ser utilizado
sem restrição na documentação de acervos de outras instituições de cunho
histórico, além de acervos de arquivos, museus e bibliotecas. A formação de uma
equipe multidisciplinar possibilitou a integração de áreas distintas para o
levantamento dos dados necessários relacionados aos tipos de informação de
interesse para o projeto, assim, o trabalho conta com a colaboração de
especialistas da área de Ciência da Computação, profissionais da
Biblioteconomia, dos museus e aqueles relacionados aos bens naturais e
arquitetônicos. Neste projeto são levantados também os requisitos exigidos para a
padronização dos dados visando o intercâmbio de informações. A cooperação
entre as universidades USP e UFSCar, as Divisões de Arquivo e Museu da
Prefeitura Municipal de São Carlos e a Fazenda Pinhal, assim como a soma de
seus conhecimentos, foi imprescindível para a realização deste projeto.
PALAVRAS-CHAVE: Conteúdos digitais. Padrões de registro de informação.
Software Livre. Democratização da informação.

1 INTRODUÇÃO

Muitas são as iniciativas para a disponibilização da informação através da
Internet, de acordo com Takahashi (2000) gigantescos acervos de informação,
sobre os mais variados temas, circulam em escala planetária e de forma
acelerada por meio da Internet e acrescenta ainda a importância em aumentar a

�quantidade e qualidade dos conteúdos nacionais que circulam nas redes
eletrônicas e nas novas mídias.
Este trabalho apresenta uma das milhares iniciativas propostas para o
aumento dos conteúdos digitais disponíveis na Internet. O objetivo primordial
desta iniciativa é armazenar, recuperar e divulgar os diferentes tipos de
informação contidos nos diversos acervos históricos da cidade de São Carlos
(São Paulo) e região.
Apoiado pela FAPESP, através de um projeto de políticas públicas, este
trabalho conta com uma equipe multidisciplinar de especialistas da área de
Ciência da Computação, profissionais da Biblioteconomia e Ciência da
Informação, dos museus e aqueles relacionados aos bens naturais e
arquitetônicos.
A importância deste projeto está na elaboração de um banco de dados
reunindo os mais diversos acervos, prevendo assim, uma padronização de dados
para a documentação de arquivos, museus, bibliotecas além de bens naturais e
arquitetônicos. Outra característica interessante será a utilização de software livre
para a implementação do sistema, o que possibilitará o uso irrestrito após a
conclusão do projeto.

2 DESCRIÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE REGISTROS

Para disponibilizar uma informação visando uma recuperação adequada é
necessário um estudo sobre os padrões a serem adotados. Como apresentado
por Cunha (1999), os documentos digitais estão provocando a criação de novos
padrões para uma melhor descrição dos formatos e requisitos para seus acessos
e usos. As normas contidas no Código de Catalogação Anglo-Americano
(AACR2) e no formato MARC (Machine Readable Cataloging) mostram-se
insuficientes para atender às novas necessidades técnicas para documentos
bibliográficos.

�Para a descrição e padronização de registros de documentos de arquivo
existe a ISAD(G) - Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística –,
desenvolvida pela Comissão de Normas de Descrição do Conselho Internacional
de Arquivos. Segundo a comissão de elaboração esta norma estabelece diretrizes
gerais para a preparação de descrições arquivísticas e deve ser usada em
conjunto com as normas nacionais existentes ou como base para sua criação
(ICA, 2000). Assim, é preciso complementar a descrição dos documentos
segundo as necessidades e especificidades da instituição e do acervo.
Para a descrição de acervos museológicos não há conhecimento de
nenhuma norma específica para a descrição dos dados, assim como não foram
localizadas

informações

semelhantes

para

a

descrição

do

patrimônio

arquitetônico e dos recursos naturais.
Constatada

a

inexistência

de

normas

para

descrição

de

bens

arquitetônicos, museológicos e recursos naturais, recorreu-se a uma adaptação
de roteiros de inventários, fichas cadastrais de diversas instituições e informações
obtidas junto a especialistas das áreas.
Dentre o conjunto de fontes que serviram de subsídios para a descrição
destes bens incluem-se: fichas cadastrais dos bens do Museu de São Carlos;
roteiro de tombamento do CONDEPHAAT (PATRIMÔNIO, 1998), ficha de
inventário dos bens arquitetônicos da Fundação Pró-Memória – São Carlos;
roteiro para descrição de áreas verdes (FERNANDES e FURNIVAL, 1997) e o
CRIA – Centro de Referência em Informação Ambiental1.
As regras de descrição de documentos em geral devem permitir a
identificação do contexto e do conteúdo do documento a fim de permitir o acesso
aos mesmos, além de permitir a criação de processos relacionados ao registro e a
recuperação de elementos de informação específicos em cada fase de sua
gestão, ou seja, a criação, a avaliação, o registro de entrada, a conservação e o
arranjo.

1

http://www.cria.org.br

�Muitos são os pontos que devem ser considerados para a padronização
dos dados a serem inseridos no meio digital, a utilização de padrões na descrição
dos documentos deve ser seguida para que se mantenha a qualidade das
informações disponibilizadas e para que haja a possibilidade de integração de
várias redes de informação, nacionais e/ou internacionais.
Bullock (1999) argumenta que no meio digital deve-se considerar os
seguintes aspectos para se garantir a preservação do documento: fixar o objeto a
ser descrito como um todo; garantir a presença física da informação disponível;
preservar o conteúdo e a forma de apresentação da informação; preservar a
funcionalidade, a dinâmica dos recursos multimídia; preservar a autenticidade das
informações; manter a atualização das informações disponíveis; preservar a
proveniência de todo objeto descrito com o intuito de garantir o histórico e manter
a autenticidade da informação; preservar o contexto.
Assim, um sistema de informação pressupõe padronização e flexibilidade
ao mesmo tempo, ou seja, possibilita o acréscimo de informações sobre o
conteúdo ou contexto de criação do documento a qualquer tempo, sem prejuízo
da consistência das informações anteriormente disponibilizadas.
Ainda de acordo com Bullock (1999), para facilitar a preservação digital é
preciso adotar padrões atuais, ter conhecimento de mudanças de padrões e
providenciar alterações sempre que necessário.
Como apresentado, existem alguns padrões para a descrição de objetos
bibliográficos e padrões para a descrição de objetos de arquivos. A descrição de
objetos digitais também é realizada por meio de padrões pré-estabelecidos, o
MARC, o Dublin Core e a EAD (Encoded Archival Description) são conhecidos
exemplos de padrões para estes objetos.
Nos ambientes digitais costuma-se designar os dados que descrevem o
atributo de um recurso ou documento como metadados. Estes metadados
suportam um grande número de funções, como localização, descoberta,
conteúdo, documentação, avaliação, seleção, entre outras, e por isso é que

�conseguem fornecer o contexto para entender os dados do recurso ou documento
através do tempo (IKEMATU, 2004).
O Dublin Core, como definido por Souza (2000), é um conjunto de
elementos de metadados planejado para facilitar a descrição de recursos
eletrônicos. A idéia é que na elaboração de sites, os autores, sem conhecimento
de catalogação, sejam capazes de usar o Dublin Core para descrição de recursos
eletrônicos, tornando suas coleções mais visíveis pelos sistemas de recuperação.
O MARC é um formato de registro que permite a leitura por computador de
qualquer informação bibliográfica. Compreende um conjunto de padrões para
identificação, armazenamento e intercâmbio de dados de catalogação (LIBRARY,
2003).
Como apresentado por Weibel, no trabalho de Souza (2000), o Dublin Core
não tem a intenção de substituir modelos mais ricos como o código AACR2 ou o
MARC, mas apenas fornecer um conjunto básico de elementos de descrição que
podem ser usados por catalogadores ou não-catalogadores para simples
descrição de recursos de informação.
Nenhum dos padrões estudados atende de forma consensual todos os
objetos levantados para este projeto, assim, foram analisados todos os padrões
citados e identificados os elementos necessários para a descrição de cada item.

3 DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA

Devido à diversidade das informações envolvidas neste projeto e os
diferentes formatos apresentados é de fundamental importância a realização de
um planejamento criterioso no que concerne aos elementos de identificação e
descrição dos dados. Na área de Banco de Dados estes elementos são
denominados atributos, o conjunto de atributos é que irá definir a forma como as
informações serão registradas na base de dados.

�Vale ressaltar que a escolha de atributos corretos garante rapidez e
precisão

na

recuperação

das

informações

da

base

de

dados,

e

conseqüentemente, credibilidade ao sistema (NAKAGAWA, 2004).
Para a definição dos atributos foram estudados todos os padrões
mencionados

e

ainda

realizados

encontros,

reuniões,

workshops

com

especialistas de todas as áreas do conhecimento envolvidas no tema. A idéia é de
identificar iniciativas semelhantes, compartilhar conhecimento e garantir um
levantamento de atributos mais completo possível para poder dar continuidade ao
projeto e implementar o sistema.
Além da questão – e que representa um desafio – de definir um conjunto
de atributos que atenda simultaneamente todos os tipos de informação previstos
neste projeto, há a questão do software a ser utilizado.
É consenso entre os participantes do projeto o uso de software livre; tal
consenso está fundamentado nas vantagens tecnológicas e de custo, sem
esquecer da filosofia inerente a esta ferramenta e que converge com a do projeto:
a democratização do acesso à informação.
As principais atividades que norteiam o desenvolvimento do sistema de
software são a definição do conjunto de campos, o projeto e a implementação do
sistema. A definição do conjunto de campos não é uma tarefa trivial,
correspondendo a principal contribuição deste trabalho. Além disso, a definição do
conjunto de atributos é de extrema relevância para a modelagem da base de
dados do sistema. Para o projeto e a implementação do sistema, ferramentas de
software livre têm sido investigadas e utilizadas. A seguir é discutido em mais
detalhes o conjunto de atributos que foi definido, bem como as principais
questões relacionadas ao tema software livre e que são relevantes no contexto
deste

trabalho,

assim

como

as

atividades

implementação do sistema.

4 DEFINIÇÃO DO CONJUNTO DE ATRIBUTOS

relacionadas

ao

projeto

e

�Anteriormente à etapa de definição do conjunto final de atributos foi
necessário a reorganização dos participantes do projeto em grupos menores, os
quais ficaram responsáveis por estudar, pesquisar e avaliar os atributos
fundamentais para a descrição de um tipo específico de informação.
Os materiais bibliográficos e multimeios, os objetos museológicos, os
documentos de arquivo, os bens patrimoniais e os recursos naturais formaram os
cinco grupos responsáveis pela definição dos atributos destas informações
separadamente.
Finalizada esta etapa, os atributos específicos definidos para cada tipo de
informação foram confrontados entre si com o objetivo de levantar quais deles
poderiam ser utilizados para todos os tipos de informação ou pela maioria deles.
Foram encontrados atributos cujos conteúdos seriam idênticos, mas que
constavam com terminologias diferentes, próprias de cada área. Por outro lado,
foram identificados atributos excessivamente específicos e que serviriam apenas
à descrição de um tipo de informação e cujo interesse para o usuário era incerto.
Desta forma, os atributos que serviram à totalidade ou à maioria dos tipos
de informação tornaram-se parte do conjunto final de atributos. E aqueles cujo
uso seria destinado à minoria e não representaria prejuízo em termos de
divulgação da informação foram retirados.
Ficou evidenciado durante este processo que ainda é impossível de
descrever informações tão diferenciadas e com um alto grau de especificidade
num mesmo sistema, utilizando um único formato de registro.
Os atributos resultantes deste processo foram reunidos em grupos de
acordo com os conteúdos e as características semelhantes e ou relacionadas
entre si. Desse modo, os atributos vinculados à responsabilidade de criação da
informação, por exemplo, foram arranjados num mesmo grupo e a ele foi dada
uma denominação: “grupo autoria”. Este procedimento foi realizado com todos os
demais atributos, originando os grupos abaixo descritos.

�Grupo 1: identificação da instituição e da unidade detentora dos acervos compreende os atributos que representam os diversos dados de identificação da
instituição que detém a informação a ser descrita;
Grupo 2: identificação do bem patrimonial e nível de descrição – reúne os
atributos que indicam o tipo de informação que está sendo descrita, assim como a
localização física dela;
Grupo 3: título – compreende os atributos relacionados com a variedade de tipos
de títulos existentes para a informação descrita;
Grupo 4: autoria – agrega os atributos relacionados com a variedade de tipos de
responsabilidades atribuídas à criação da informação descrita;
Grupo 5: produção – contém os atributos que indicam o contexto no qual a
informação descrita foi produzida;
Grupo 6: descrição de conteúdo – compreende os atributos que representam a
temática da informação descrita e observações específicas;
Grupo 7: histórico e procedência – reúne os atributos que indicam a trajetória
“de vida” da informação descrita bem como sua forma de aquisição;
Grupo 8: descrição física – agrega os atributos relacionados aos detalhes
físicos e específicos do suporte da informação descrita e também suas condições
de conservação e apresentação nos dias de hoje;
Grupo 9: condições de uso – contém os atributos que instruem sobre a
possibilidade de acesso, reprodução, uso e proteção da informação descrita;
Grupo 10: identificação dos responsáveis pelo produto informacional –
compreende os atributos relacionados aos responsáveis pelo preenchimento de
todos os dados sobre a informação descrita, assim como sobre o contexto da
pesquisa realizada e necessária para o correto preenchimento dos dados.
Cada atributo significa um campo pertencente ao banco de dados e que
será preenchido. Além da definição dos campos, as funções e características
destes campos também foram definidas, tais como: tipo de indexação, tipo de
exibição, obrigatoriedade de preenchimento, tipo de preenchimento, tipo de
caracter (numérico, alfabético ou alfanumérico) e tamanho.

�5 SOFTWARE LIVRE: UMA VISÃO GERAL

Atualmente, software livre tem sido tema de grande repercussão nos mais
variados setores da sociedade, em especial, em virtude das inúmeras iniciativas
de diversos órgãos públicos em nível nacional, bem como empresas privadas,
para uso e disseminação desse tipo de software. Entende-se por software livre
aquele que fornece a seus usuários as seguintes liberdades (FSF, 2004a): (i)
executar o programa para qualquer propósito; (ii) estudar o funcionamento do
programa e modificá-lo, adaptando-o às suas necessidades; e (iii) redistribuir
cópias do código fonte, juntamente com as alterações que forem realizadas.
Assim, diferentemente de softwares proprietários que são geralmente produtos de
empresas privadas que almejam lucros com sua distribuição e não disponibilizam
o código-fonte de seus produtos, um software considerado livre é acompanhado
de uma permissão para uso, distribuição e redistribuição, realizando ou não
modificações, de forma gratuita ou cobrando uma taxa. Para que a modificação
seja possível, o código fonte deve acompanhar o software.
A forma como um software deve ser utilizado, distribuído e redistribuído é
ditado por sua licença. A licença de software é então um documento que
estabelece a forma como o proprietário do copyright permite o uso, a distribuição
e cópia de um software. Atualmente, pode-se identificar uma diversidade de
licenças tanto de software livre (FSF, 2004b; PERENS, 1999) quanto de softwares
proprietários. Dentre as licenças para software livre, a GLP (General Public
License ou Licença Pública Geral) (DIBONA, 1999) é reconhecidamente uma das
mais conhecidas e utilizadas, e tem servindo de base para a elaboração de outras
licenças de software livre. De modo geral, é reconhecida como a licença mais
rigorosa em termos de liberdade e foi desenvolvida para garantir a liberdade de
distribuir cópias do software, ter acesso ao código fonte, poder realizar
modificações no software ou utilizar partes dele em outros softwares livres; além
disso, e o mais importante, essa licença garante que o software continuará sendo
livre.

�Uma característica bastante interessante em software livre é seu processo
de desenvolvimento, se comparado com o de software proprietários. O trabalho
que melhor descreve esse processo foi escrito por Raymond (1999) e chamado
de “The Cathedral and the Bazaar". O Cathedral representa o modelo de
desenvolvimento utilizado comumente para o desenvolvimento de softwares
proprietários no qual os desenvolvedores do software trabalham utilizando uma
metodologia relativamente fechada e centralizada para desenvolver o software.
Por outro lado, o modelo Bazaar representa o trabalho cooperativo e, muitas
vezes, voluntário realizado de forma aberta pelos desenvolvedores, em que o
software é construído à medida que os requisitos são identificados. Os
desenvolvedores que participam desse modelo têm geralmente boa experiência
nas ferramentas utilizadas para a construção do software e capacidade de
trabalhar de forma cooperativa e distribuída. Eles utilizam freqüentemente um
sistema de controle de versões e diversos serviços disponibilizados pela Internet,
tais como site Web, correio eletrônico e lista de discussão utilizando correio
eletrônico. Além disso, geralmente são os próprios usuários dos softwares que
estão desenvolvendo e por isso, têm bom conhecimento de quais funcionalidades
são requeridas no software.
Segundo Davis (2000), algumas razões que fizeram com que softwares
livres despontassem nos últimos anos são a estabilidade, a portabilidade para
uma variedade de plataformas inclusive plataformas de hardware, suporte aos
usuários por parte dos desenvolvedores e acesso ao código fonte. Davis (2000)
diz ainda que talvez a principal vantagem da utilização é o baixo custo e,
diferentemente dos softwares proprietários, os usuários não têm custos para sua
utilização. Dessa forma, soluções livres tendem a facilitar e garantir o acesso à
tecnologia para um número cada vez maior de usuários.

6 DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA DE SOFTWARE

Atualmente, as atividades relacionadas ao desenvolvimento do sistema
são: levantamento de requisitos (identificação das funcionalidades do software),

�projeto e modelagem da base de dados e identificação dos requisitos de
implementação e implantação do sistema.
Uma vez que sistemas de software como o almejado não são largamente
conhecidos, brainstorms têm sido realizados em reuniões entre os membros do
projeto para a identificação e definição de requisitos do software. Além disso,
meios de comunicação eletrônicos, tais como correio eletrônico e sistema de
mensagem instantânea, também têm contribuído em muito para a realização
dessa atividade. Os requisitos identificados e considerados mais relevantes, são
descritos textualmente — baseando-se nas práticas recomendadas pela IEEE
para especificação de requisitos do software (IEEE, 1998) — sendo uma forma de
registrar para posterior verificação e documentação do software. Além disso,
questões relacionadas à usabilidade (facilidade de utilização do software) em
virtude da diversidade de usuários, bem como questões no tocante à segurança e
robustez têm sido consideradas em se tratando do volume de dados a serem
manipulados.
Quanto ao projeto do sistema, técnicas para modelagem da funcionalidade
do sistema não estão sendo utilizadas; por outro lado, modelos da base de dados
são construídos utilizando MER (Modelo Entidade-Relacionamento), como
resultado do conjunto de campos identificado, e também como uma forma de
documentar o sistema, uma vez que se trata de uma base de dados de razoável
complexidade

em

termos

do

número

de

tabelas,

relacionamentos

e

principalmente número de atributos.
Sendo o software livre um dos requisitos do ambiente de implementação e
implantação do sistema, uma pesquisa sobre ferramentas/tecnologias a serem
utilizadas tem sido conduzida. Para o ambiente de implantação do sistema
adotou-se uma plataforma de software livre, no caso o Linux1 e o Apache2; como
SGBD (Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados) adotou-se o PostgreSQL3
e para a implementação das funcionalidades do sistema está utilizando-se o
1

http://www.linux.org

2

http://httpd.apache.org

3

http://www.postgresql.org

�PHP1. Todas possuem uma vasta comunidade de usuário e uma experiência
consagrada na construção de uma diversidade de sistemas dos mais variados
domínios de aplicação.

7 CONCLUSÕES

Os desafios computacionais no tocante a este projeto concentram-se
principalmente na identificação dos requisitos do sistema de software, uma vez
que sistemas semelhantes como o proposto neste projeto não podem ser
identificados.

Ainda na mesma linha, a multidisciplinaridade do projeto tem

acarretado em uma diversidade de linguagens de comunicação entre os
membros. Assim, um esforço no sentido de unificar a terminologia tem sido
realizado, o que tem facilitado o entendimento, bem como a identificação mais fiel
dos requisitos do sistema. Além disso, o projeto e a implementação da base de
dados têm sido um outro desafio em virtude da complexidade e diversidade de
tabelas e atributos.
Vale ressaltar que, assim como as inúmeras iniciativas de diversos órgãos
públicos em nível nacional para uso de software livre, a Prefeitura Municipal de
São Carlos também está empenhada na adoção, utilização efetiva e
disseminação de software livre; além de estar apoiando fortemente para a
concretização desse projeto.

Posteriormente à implementação do sistema, este será disponibilizado
como software livre, ou seja, juntamente com uma licença de software livre,
contribuindo tanto para a comunidade de software livre com um sistema ainda não
encontrado nesse domínio de aplicação, quanto no sentido de facilitar a
implantação e posterior disponibilização de informações sobre os mais diversos
acervos para a comunidade em geral. Observa-se que um sistema como o
proposto não é encontrado nem como software livre, nem como software
1

http://www.php.net

�proprietário; aqueles identificados possuem funcionalidades ou bases de dados
limitadas.
Agradecimentos: Agradecemos a todos os membros do Projeto Memória
Virtual de São Carlos coordenado pelo Prof. Dr. José Carlos Maldonado.

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∗

Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo. Av.
Trabalhador São-Carlense, 400 – CP 668 – CEP 13560-970 – São Carlos – SP – Brasil
glaucia@icmc.usp.br ∗∗ Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de
São Paulo. Av. Trabalhador São-Carlense, 400 – CP 668 – CEP 13560-970 – São Carlos – SP –
Brasil jumoraes@icmc.usp.br e Elisa Yumi Nakagawa elisa@icmc.usp.br
Universidade Federal de São Carlos – Biblioteca Comunitária. Rod. Washington Luís, Km
235CEP 13565-905 – São Carlos – SP – Brasil lourdes@power.ufscar.br

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Documentação&#13;
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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Conteúdos digitais e padrões de registros: desafios para a democratização de acervos especiais.</text>
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              <text>Este trabalho apresenta a estrutura de um projeto de políticas públicas, apoiado pela FAPESP, que visa o desenvolvimento de um sistema computacional apropriado para armazenar, recuperar e divulgar os diferentes tipos de informação contidos nos diversos acervos históricos da cidade de São Carlos e região. A proposta é possibilitar e garantir o acesso às informações históricas da região aos pesquisadores, educadores, alunos da rede pública e particular de ensino fundamental, médio e superior) e demais interessados. A estrutura do projeto está fundamentada em ferramentas disponíveis como os softwares livres, tanto para a construção do sistema computacional como para a disponibilização das informações. Conseqüentemente, o sistema desenvolvido poderá ser utilizado sem restrição na documentação de acervos de outras instituições de cunho histórico, além de acervos de arquivos, museus e bibliotecas. A formação de uma equipe multidisciplinar possibilitou a integração de áreas distintas para o levantamento dos dados necessários relacionados aos tipos de informação de interesse para o projeto, assim, o trabalho conta com a colaboração de especialistas da área de Ciência da Computação, profissionais da iblioteconomia, dos museus e aqueles relacionados aos bens naturais e arquitetônicos. Neste projeto são levantados também os requisitos exigidos para a adronização dos dados visando o intercâmbio de informações. A cooperação entre as universidades USP e UFSCar, as Divisões de Arquivo e Museu da Prefeitura Municipal de São Carlos e a Fazenda Pinhal, assim como a soma de seus conhecimentos, foi imprescindível para a realização deste projeto.</text>
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