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                  <text>ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO NO CONTEXTO DAS
BIBLIOTECAS

1

Leonardo Vasconcelos Renault∗

RESUMO
Propõe uma nova leitura sobre a organização da informação no contexto das
bibliotecas, identificando diferentes fluxos de informação e conhecimento. Quanto
à informação são abordados os aspectos referentes à organização do acervo
físico e eletrônico. Quanto ao conhecimento, analisa as relações entre os usuários
e o sistemas de classificação e recuperação de informações das bibliotecas.
Discute também a interação dos atores da biblioteca na dinâmica de construção
do conhecimento, localizando a instituição biblioteca nas discussões acerca do
tema. Vislumbra portanto novos horizontes para a atuação das bibliotecas e,
sobretudo para o entendimento acerca do seja trabalhar com informação e
conhecimento no contexto atual. Por fim, analisa a arquitetura informacional das
bibliotecas e o significado dessa estrutura para os seus usuários.

1 INTRODUÇÃO

Muito se tem falado a respeito da informação em contextos que
transcendem o espaço físico. O apelo virtual é tão forte que existe uma verdadeira
avalanche de livros e autores debruçados sobre essa questão. Entre eles Pierre
Lévy, que apresenta uma boa definição do que seja o virtual.
A palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua
vez de virtus, força, potência. Na filosofia escolástica, é virtual o
que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizarse, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal.
(LEVY, 1996)

Contudo, o ponto de partida desta reflexão é a organização da própria
biblioteca, o uso de seus instrumentos de classificação bibliográfica e os arranjos
que utiliza para os diversos tipos de suporte que abriga em seu acervo. Localizar
a biblioteca no contexto da gestão do conhecimento e ainda encontrar conexões
1

Esse trabalho contou com a colaboração da Professora Marta Araújo Tavares Ferreira no escopo
da disciplina, de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG, sobre a Criação do
Conhecimento nas empresas.

�entre a representação do conhecimento armazenado na biblioteca, através de
seus instrumentos de classificação e indexação, e a criação de um contexto de
aprendizado onde o conhecimento atua como facilitador do processo são
objetivos deste trabalho.
Desta forma, a interação da estrutura de conhecimento proporcionada pela
Biblioteca ou Centro de informação com os seus usuários, produzem outro
caminho a ser explorado, sob a ótica da Gestão do Conhecimento: o contexto da
aprendizagem e do compartilhamento de conhecimento.
Não há a menor dúvida que o retorno da “humanização” das relações que
envolvem informação e conhecimento é uma realidade que deve ter suas
possibilidades apresentadas e discutidas, sobretudo pelos bibliotecários, que
conviveram com teorias mecanicistas e erroneamente interpretadas como pilares
da Ciência da Informação e da Biblioteconomia.
Evidente que tal reflexão merece um maior aprofundamento, contudo fica
aqui apenas uma provocação e o apontamento de uma direção que pretendo me
ocupar mais tarde, sem contudo deixar de ser ágora2!?

2 INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM

Para tratar de unidades de representação do conhecimento, torna-se
necessário antes conceituar a informação como alicerce do trinômio: informação –
conhecimento - aprendizado. (LE COADIC, 1996) prescreve que “ a informação é
um conhecimento inscrito (gravado) sob a forma escrita (impressa ou numérica),
oral ou audiovisual.” Nessa abordagem, fica clara a idéia de que a informação já
estabelece a priori um conhecimento encerrado em seu suporte. Ou seja, trata-se
de uma visão que foca os suportes de registro do conhecimento. Falta-lhe
contudo uma explicação adequada sobre a relação entre informação e

2

Ágora, segundo o Dicionário Aurélio, tem o seguinte significado: “ [Do gr. agorá] S. f. Praça das
antigas cidades gregas, na qual se fazia o mercado e onde se reuniam, muitas vezes as
assembléias do povo. [Cf. agora]. Essa metáfora tem sido usado para os ambientes virtuais e tem
conotação semelhante ao “ Conceito de Ba” que será visto adiante.

�conhecimento, o que faz adiante em seu livro de maneira inapropriada:
Quando constatamos uma deficiência ou uma anomalia desse(s)
estado(s) de conhecimento, encontramo-nos em um estado
anômalo de conhecimento. Tentamos obter uma informação ou
informações que corrigirão essa anomalia. Disso resultará um

novo estado de conhecimento. (LE COADIC, 1996)
O equívoco aqui é o entendimento da falta de informação como uma
anomalia ou necessidade que precisa ser suprida mediante o ônus da ignorância.
Essa concepção está profundamente arraigada na teoria matemática da
informação de Shanon e Weaver e não contribui para o estabelecimento do
diálogo e da autonomia de pensamento preconizadas pela Gestão do
Conhecimento.
Antes porém de adentrar nos conceitos da Gestão do Conhecimento
iremos visitar os conceitos de um dos “pais” da Biblioteconomia:
Idéia para Ranganathan (1967, p.81) é um produto do
pensamento, da reflexão, da imaginação, que passou pela
intelecto, integrando com a ajuda da Lógica uma seleção de
conjuntos de apercepção, e/ou diretamente apreendida pela
intuição e depositada na memória. A informação se daria no
momento em que uma idéia é comunicada por outros ou obtida a
partir do estudo pessoal e da investigação. Conhecimento é
definido como a totalidade de idéias conservadas pela
Humanidade...(CAMPUS, 2001, p. 39)

Existem, dentro da filosofia ou mesmo da lingüística inúmeras abordagens
sobre o processo de comunicação do conhecimento, suas origens e relações com
o “estado das coisas” estabelecidas em nossa sociedade. Contudo, revisitar
Ranganathan torna-se muito interessante na medida em que estabeleceu as leis
da biblioteconomia e influencia diretamente as políticas das bibliotecas como um
todo. Ressalta-se aqui a eleição da idéia (e não de dados) como ponto de partida
para o conhecimento e ainda, a proposição do mesmo como construto social,
fruto das relações humanas.
Esse contexto é ideal para a abordagem do conhecimento e aprendizagem
sob o enfoque da Gestão do conhecimento (Criação do conhecimento na
empresa). Nonaka &amp; Takeuchi (1997) valorizam o conhecimento tácito3 como
3

NONAKA &amp; TAKEHUSHI utilizam a distinção preconizada por Michael Polanyi para o
conhecimento em tácito, para o conhecimento que está na “cabeça” das pessoas e explícito para o
conhecimento que está formalizado expresso em signos (palavras, números, imagens, etc.).

�essencial para a empresa. Ao contrário do que usualmente as bibliotecas fazem,
ao se concentrar no conhecimento explícito através do tratamento dado aos
suportes que abriga em seu acervo, deveriam, de acordo com essa idéia, se
concentrar em formas de transmissão e compartilhamento do conhecimento que
não está expresso em números e palavras.
O conceito de aprendizagem em organizações surge então como um fator
de viabilização da troca de conhecimentos. Nas palavras de Peter Senge (1998)
“organizações nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade
de criar os resultados que realmente desejam, onde se estimulam padrões de
pensamento novos e abrangentes, a aspiração coletiva ganha liberdade e onde
as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas.” Outros autores como
Nancy Dixon enfatizam a questão do aprender em conjunto, de se encarar o
aprendizado como um processo coletivo de construção do conhecimento. Essas
abordagens, no contexto da biblioteca, reforçam a importância da interação do
bibliotecário com seu cliente (usuário), com a empresa em que trabalha como um
todo e num contexto interdisciplinar com os “produtores” do conhecimento em sua
área de atuação.

3 CATEGORIZANDO A INFORMAÇÃO: DIFERENTES FLUXOS

Basicamente, as bibliotecas, no contexto atual, lidam com dois tipos de
informação: física (no sentido material) e eletrônica. No contexto físico, sobretudo
no que diz respeito aos suportes impressos, pode-se dizer que há um esforço
muito grande para

categorizar esse tipo de informação, atribuindo-lhes um

conceito, um lugar no tempo-espaço das prateleiras. Esforço que conta com um
suporte internacional para estabelecer padrões e compartilhá-los entre os
bibliotecários de todo o mundo, sobretudo para disponibilizar essa informação de
modo on-line através dos OPACs (catálogos de bibliotecas on-line). Na categoria
de informação eletrônica podemos citar as bases de dados, os periódicos on-line,
os portais corporativos e todo tipo de informação que esteja em meio eletrônico.
Primeiramente iremos tratar da classificação ou categorização dos

�assuntos sob um esquema de conhecimento. Para isso as bibliotecas utilizam,
com mais freqüência, a CDD e a CDU, que são classificações bibliográficas, cujos
propósitos cabem salientar:

“Os sistemas de classificação bibliográfica foram elaborados com o
objetivo de organizar os acervos de bibliotecas e facilitar o acesso dos
usuários à informação contida nesses acervos. “
(GIGANTE, 1996)

A autora citando WATERS (1994) salienta aspectos importantes da
mudança dos sistemas centrados nas bases de dados para os sistemas
centrados no usuário. Nessa perspectiva a classificação do acervo deixa de ter
um direcionamento técnico e passa a enxergar o seu usuário como uma pessoa
que interage com a estrutura de conhecimento que se apresenta nas bibliotecas.
Evidentemente este contexto não se descortina pelo simples fato de se conceber
o usuário como centro da atividade de classificação, mas indica um caminho, uma
possibilidade de um diálogo frutífero e um indício do estabelecimento da
construção de

um caminho de aprendizagem entre o bibliotecário e seus

usuários.
Então, este primeiro fluxo de informação que tem como meio de ligação a
classificação bibliográfica pode se tornar uma fonte importantíssima de troca entre
aqueles que demandam e os que alimentam esse sistema. Os usuários entram
em contato com um arquétipo de conhecimento, que embora esteja ultrapassado
em alguns aspectos, ainda representa um modelo que serve ao aprendizado,
proporcionando inclusive o questionamento,

que é um dos pressupostos da

investigação científica. Por outro lado, o bibliotecário também tem a oportunidade
de confrontar o modelo das classificações bibliográficas com a classificação
científica vigente, inclusive adaptando-as, quando necessário aos paradigmas
“atuais” da ciência, assunto, ou conjunto desses (caso de bibliotecas que
trabalham com vários domínios do conhecimento) em que trabalha.
Para os suportes eletrônicos as bibliotecas tem se utilizado das mais
diferenciadas metodologias para categorizar informações. O mais conhecido e
utilizado é a categorização dos suportes em temas (assuntos), para o qual se dá o

�nome de diretório. Esses seguem, na maioria das vezes, uma classificação
orientada para prática e focada em seu usuário. Fato é que, embora não hajam
metodologias ou esquemas definidos, esses arranjos são extremamente úteis
para encontrar a informação desejada e se tornam efetivamente completos
quando são fruto da interação constante do bibliotecário com seus usuários.
Mais relevante, entretanto, quando se trata dos tipos de informação que a
biblioteca comporta e suas respectivas categorizações é perceber a interação
usuário-bibliotecário

como

fundamental

para

o

estabelecimento

dessas

classificações e adiante, de um ambiente propício para troca de conhecimentos.

4 O CASO DO DEPARTAMENTO DE QUÍMICA DA UFMG

Universidades, sobretudo as públicas estão sempre à procura de recursos
para alavancar projetos ou mesmo manter um suporte mínimo à pesquisa, ensino
e extensão. Nesse contexto, torna-se imperativo a necessidade de se utilizar o
máximo dos recursos disponíveis em prol desses objetivos.
Compartilhar recursos parece ser uma solução muito adequada para este
tipo de cenário que se descortina em meio à questões políticas e econômicas,
que não cabem a este trabalho elucidar. Fato é que a pesquisa, sobretudo o
trabalho científico que se vale da experimentação em laboratórios, sofre com a
escassez de equipamentos, de materiais e por vezes de pessoal. Esse é o caso
do Departamento de Química da UFMG. Ou seja, uma instituição que tem em sua
estrutura o uso de laboratórios, tanto para o aprimoramento didático, quanto para
as questões de pesquisa e extensão, utilizando a biblioteca como suporte às
suas atividades.
Os laboratórios, no decorrer de suas atividades, utilizam muitos recursos
informacionais, que na maioria das vezes a biblioteca não possui em seu acervo.
Esse é o ponto de partida para a proposição de um modelo de compartilhamento
de informações. A partir daí podemos notar, quando da consulta ao site do
Departamento de
4

Química4, um delineamento dos laboratórios, constando

O endereço do site é http://www.qui.ufmg.br/infra/laboratorios/

�principalmente a localização (contato) e uma classificação de acordo com as
atividades dos mesmos.
Tal apresentação dos laboratórios, necessita ainda de um outro tratamento,
uma classificação mais aprimorada, pois não podemos claramente identificar
quais as atividades desenvolvidas pelos mesmos. Um usuário que queira saber
onde está sendo desenvolvido uma pesquisa sobre a “determinação de cobre em
Cachaça” ou simplesmente sobre sua melhoria para consumo, pode não
conseguir essa informação. Podemos identificar ainda a necessidade de se
compartilhar essas informações entre os alunos, professores e funcionários do
próprio departamento e assim contribuir para o aprimoramento da pesquisa, neste
caso já podemos falar em troca

de conhecimentos. Aprofundando a questão

podemos também associar os nomes de professores, funcionários e alunos às
atividades que desempenham em seus laboratórios.
Voltando à questão dos recursos informacionais que os laboratórios
utilizam, sugere-se a potencialização do uso dos mesmos através de sua
classificação e indexação. O intuito é fazer com que, pelo menos a comunidade
do Departamento de Química tenha acesso a essas informações com esse nível
de qualidade, para que possam compartilhá-las.
Para organizar as demandas podemos trabalhar com o conceito de
categorização de fontes de informação, como salienta Mueller (2000): “da mesma
forma, os documentos (ou fontes) produzidos ao longo do processo de pesquisa
podem ser classificados como primários, secundários e terciários”.

As fontes

primárias seriam então a informação produzida em sua fonte. No caso do
Departamento de Química seriam os resultados de pesquisas (publicadas ou
não), relatórios técnicos, e toda produção científica e técnica gerada através da
pesquisa nos laboratórios, incluindo-se professores, funcionários e alunos. Com
relação às fontes secundárias e terciárias, seriam originadas através do esforço
em trazer à tona as demandas dos laboratórios, pois as fontes secundárias e
terciárias são caracterizados pelos seguintes aspectos:
As fontes secundárias apresentam a informação filtrada e
organizada de acordo com um arranjo definido, dependendo de
sua finalidade. São representadas, por exemplo, pelas
enciclopédias, dicionários, manuais, tabelas, revisões de literatura,
tratados, certas monografias e livros-texto, anuários e outras.

�As fontes terciárias são aquelas que tem a função de guiar o
usuário para as fontes primárias e secundárias. São as
bibliografias, os serviços de indexação e resumos, os catálogos
coletivos, os guias de literatura, os diretórios e outras. (MUELLER,
2000)

Aplicando ao contexto do caso relatado aqui, poderíamos dizer que as
fontes secundárias seriam um primeiro relato das atividades desempenhadas nos
laboratórios, que poderia se dar através de meio impresso ou eletrônico. Neste
nível seriam interessantes compilações acerca das pesquisas que os laboratórios
desenvolvem ou mesmo os manuais de procedimentos que orientam a prática
nesses espaços de construção do conhecimento. Quanto às fontes terciárias,
podemos pensar em um diretório que categorize: laboratórios, pessoas e
conhecimentos desenvolvidos no âmbito do Departamento de Química. Com
relação ao formato, pode ser impresso ou eletrônico, preferencialmente eletrônico
pela facilidade em se definir perfis de uso e acesso a essas informações.
Os caminhos apontados para a troca de conhecimentos, contudo,
esbarram sempre numa questão anterior que é fazer com que as pessoas criem
uma cultura de compartilhar o que sabem. Para tal é necessário que haja um
ambiente propício para troca de conhecimentos, um ambiente de aprendizado.
Devem existir portanto processos mediadores para que a troca entre os indivíduos
participantes do processo de construção do conhecimento na empresa seja
facilitada.

5 CRIANDO UM CONTEXTO DE APRENDIZADO (ARQUITETURA DAS
BIBLIOTECAS)

Dentre as mais diversas abordagens sobre o aprendizado organizacional
(Learning organizations), a que mais se encaixa neste trabalho é a criação de
contexto de aprendizado, dentre as quais se destaca o “conceito de Ba” de
Nonaka e Konno (1998). Os autores definem o “conceito de Ba5” como sendo um
espaço compartilhado de relações emergentes que serve de base à criação do
5

Segundo Nonaka e Konno (1998), o conceito de Ba foi originalmente proposto pelo filósofo
japonês Kitaro Nihida, tendo sido posteriormente desenvolvido por Shimizu, e pode ser traduzido
como “lugar”.

�conhecimento, podendo o espaço ser físico, virtual ou mental.
Para que esse ambiente “aflore” existem alguns processos facilitadores que
Nonaka e Takeushi (1997) definiram em quatro momentos: socialização,
externalização, combinação e internalização. Esses conceitos são retomados por
Nonaka e Konno (1998) como base para a “criação do Ba” , ou o desenvolvimento
de bases para a criação do conhecimento.
Vejamos então qual o conceito que está por trás de cada “padrão de
conversão”, começando pela socialização que envolve o compartilhamento de
conhecimento tácito entre indivíduos (NONAKA; KONNO, 1998).

Pode nos

parecer estranho falar do compartilhamento de conhecimento tácito, contudo
quando observamos uma pessoa lidando com uma situação real em seu local de
trabalho podemos, através da observação, apreender a maneira (modo de
pensar) ou os mecanismos que o indivíduo busca para lidar com as demandas de
seu cotidiano.
Adiante nos “padrões de conversão” temos o movimento de externalização,
que pode ser definido como a expressão do conhecimento tácito e sua tradução
em uma forma compreensível, que possa ser entendida por outros (NONAKA;
KONNO, 1998). Nesse tipo de conversão do conhecimento é importante o uso de
metáforas, de analogias para que sua compreensão

possa ser facilitada.

Explicitado, o conhecimento passa a ser passível de combinação entre o
conhecimento explícito em conjuntos mais complexos de conhecimentos
explícitos. É o momento de combinar o conhecimento existente com o
“conhecimento criado”

ou novo. Tal interação se estabelece por meio de

encontros científicos por exemplo, e é nesta fase que os questionamentos vêm à
tona, seria a fase de validação do conhecimento. Quando o conhecimento é
reconhecido como tal, sobrevêm a fase de internalização que é conversão de
conhecimento explícito para conhecimento tácito da instituição.
No contexto das bibliotecas , além da relação normal de troca com a
equipe de trabalho, existe a particularidade da troca de conhecimentos com os
usuários. Evidentemente que cada comunidade de usuários poderia ser analisada
individualmente, contudo cabe salientar que a biblioteca possui um “staff” de
conhecimento itinerante. Existe uma troca permanente da Biblioteca (como um

�todo) com seus usuários, trazendo sempre “novas” temáticas para a mesma.
Nessa abordagem, a biblioteca encontra os seus caminhos de socialização
através da troca de conhecimento tácito entre os membros de sua equipe através
da observação do modo de fazer de cada um. Assim como o modo dos usuários
pesquisarem ou conceberem o conhecimento, dentro da estrutura que a biblioteca
fornece

(escopo),

produz

novos

caminhos

para

o

bibliotecário.

Esses

conhecimentos passam então a ser externalizados, através da mapeamento do
serviço de referência (atendimento aos usuários) e da proposição de projetos e
idéias (em geral) por parte da equipe da biblioteca. Surge então um arcabouço de
conhecimento ramificado em linguagens, classificações e conceitos. Desse ponto
em diante, o conhecimento passa a estar mais estruturado e pode ser confrontado
com o conhecimento já existente. Combinam-se “modelos prontos” de
organização do conhecimento, como as classificações bibliográficas, com o
modelo de organização vigente na ciência. Confrontam-se modos de entender e
estruturar o conhecimento dos usuários com as nossas visões ou metodologias.
Com isso o conhecimento formulado obtêm validação através do confronto com o
conhecimento que já existe ou se percebe como existente. Esse construto,
precisa agora ser internalizado para que possa se converter em ações,
retornando assim ao conhecimento tácito da instituição.
As bibliotecas, ao longo dos tempos, foi tida como o templo do saber ou o
espaço da aprendizagem e da formação humana. Pouca ênfase, contudo foi dada
à questão da troca, do compartilhamento de conhecimentos. Portanto é de suma
importância a adoção de práticas que contemplem essas noções acerca do
conhecimento, do contrário podem-se perder valiosas contribuições para o
enriquecimento e longevidade desse espaço milenar. Esse espaço deve buscar
em sua concepção estrutural, seja no meio físico, eletrônico ou ideacional, um
espaço adequado à troca de conhecimentos, sobretudo ao debate amplo e
permanente com sua comunidade de usuários.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho procurou apontar novas direções e questionamentos acerca

�da concepção de bibliotecas e sua relação com o conhecimento. Tendo-se em
vista que as concepções da Gestão do conhecimento com enfoque nas relações
humanas estão se consolidando em uma contribuição muito importante para a
Ciência da Informação, pois desloca o foco da concepção tecnicista que orienta,
ainda hoje, a prática de muitos profissionais da área, buscou-se a junção desses
temas com as teorias da Biblioteconomia, sabendo ser essa uma reflexão
necessária e produtiva.
Essa combinação, que pretendo retomar com maior profundidade em
estudos posteriores, toma uma proporção muito interessante se pensarmos que
muitas das teorias que subjazem a Gestão do Conhecimento, Tecnologia da
Informação e outras abordagens acerca da informação e conhecimento, foram
concebidas originalmente pela Biblioteconomia (Library Science) e depois pelo
que foi chamado de Biblioteconomia e Ciência da Informação (Library and
Information Science).
Pontuar a discussão sobre informação e conhecimento, no contexto da
sociedade de informação, sob a ótica da biblioteca, é no mínimo uma provocação
muito estimulante e necessária para se delinear os rumos da instituição biblioteca
para o século XXI, seja numa perspectiva de arquitetura virtual, física ou
ideacional.

REFERÊNCIAS

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Alegre : Ed. Universidade/UFRGS; Brasília : Ed. UNB, 2001. 263p.
CAMPOS, Maria Luiza de Almeida. Linguagem documentária: teorias que
fundamentam sua elaboração. 5. ed. Rio de Janeiro: EdUFF, 2001. 133 p.
DIXON, Nancy M. Common knowledge : how companies thrive by sharing what
they know. Boston, Mass. : Harvard Business School Press, c2000. 188 p.
GIGANTE, Maristela Cid. Os sistemas de classificação bibliográfica como
interface biblioteca/usuário. Ciência da Informação, v.25, n.2, p.193-196,

�mai./ago. 1996.
LE COADIC, Yves-François. A ciencia da informação. 10th ed. Brasilia, DF:
Briquet de lemos, 1996. 119p.
LEVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996. 160p.
Mueller, Suzana Pinheiro Machado. A ciência, o sistema de comunicação
científica e a literatura científica. In: CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER,
Jeannette Marguerite; CAMPELLO, Bernadete Santos. Fontes de informação
para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. p. 2134.
NONAKA, Ikujiro; KONNO, Noboru. The concept of “Ba”: building a foundation for
knowledge creation. California Management Review, v.40, n.3, p. 40-54., 1998.
NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa:
como as empresas japonesas geram a dinamica da inovação. 2. ed. Rio de
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SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte pratica da organização de
aprendizagem. 3.ed. São Paulo: Best Seller : Circulo do Livro, 1998. 443p.

∗

UFMG – ICEx – Departamento de Química – Biblioteca. Av. Antônio Carlos, 6627 Pampulha.
Belo Horizonte – Minas Gerais Cep: 31270-901

�</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Propõe uma nova leitura sobre a organização da informação no contexto das bibliotecas, identificando diferentes fluxos de informação e conhecimento. Quanto à informação são abordados os aspectos referentes à organização do acervo físico e eletrônico. Quanto ao conhecimento, analisa as relações entre os usuários e o sistemas de classificação e recuperação de informações das bibliotecas. Discute também a interação dos atores da biblioteca na dinâmica de construção do conhecimento, localizando a instituição biblioteca nas discussões acerca do tema. Vislumbra portanto novos horizontes para a atuação das bibliotecas e, sobretudo para o entendimento acerca do seja trabalhar com informação e conhecimento no contexto atual. Por fim, analisa a arquitetura informacional das bibliotecas e o significado dessa estrutura para os seus usuários.</text>
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