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                  <text>CONSCIÊNCIA COLETIVA: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMBATENDO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA
REGIÃO SISALEIRA-BA

Zuleide Paiva da Silva
Universidade do Estado da Bahia-Uneb
Estrada das Barreiras, 2555, Salvador-BA, Brasil
zpaiva@uneb.br
Lucília Maria Lima Vieira
Universidade do Estado da Bahia-Uneb
Estrada das Barreiras, 2555, Salvador-BA, Brasil
lvieira@uneb.br
Resumo
A Universidade do Estado da Bahia, que vem se fortalecendo a nível nacional como uma
universidade socialmente referenciada, depois de implantar, de forma pioneira, as cotas para
os afro-descendentes, amplia agora o seu olhar para as políticas públicas voltadas para a
mulher. Desenvolver e apoiar ações que promovam a equidade de gênero é um
compromisso social da Uneb. Um compromisso também assumido pela biblioteca Professor
José Carlos dos Anjos, a biblioteca do Departamento de Educação, Campus XIV, localizado
em Conceição do Coité-BA. Mostrar a participação desta biblioteca nas ações de combate a
violência contra a mulher na região sisaleira, é o nosso propósito neste trabalho. É nosso
propósito também refletir sobre a necessidade de inclusão e engajamento da biblioteca
universitária nos programas globais da unidade que a abriga.

Palavras-chave: Violência. Mulher. Combate à violência. DEAM

Introdução
Vivemos em uma sociedade marcada por profundas desigualdades sociais, onde o
fenômeno da violência pode ser encontrado a qualquer momento e em qualquer
espaço, seja público ou privado. Como um vírus que contamina as pessoas e produz
cada dia mais vítimas, a violência é produzida e reproduzida de diferentes formas,
sendo a violência contra a mulher uma das suas formas de expressão mais cruéis.

�Historicamente, nas sociedades patriarcais as mulheres têm sido coisificadas,
violentadas,

agredidas,

subjugadas

e

oprimidas.

A

multicausalidade

e

a

complexidade dos processos de produção e reprodução da violência contra a mulher
têm sido reveladas em muitos estudos (SAFFIOTTI; ALMEIDA, 1995). No Brasil, 175
mil mulheres são espancadas por mês, 5.800 por dia, 234 por hora, quatro por
minuto e uma a cada segundo (OLIVEIRA, 2005, p.235).
Esses dramáticos índices de violência contra a mulher e as suas diferentes formas
de manifestação têm se tornado uma grande preocupação para homens e mulheres
comprometidos com a equidade de gênero. O reconhecimento da gravidade do
problema vem fazendo com que, em muitos países, medidas de prevenção e
controle sejam tomadas.
Promover ações de combate à violência contra a mulher e instaurar a incorporação
da problemática das desigualdades de gênero como tema de debate e de políticas
públicas na agendas dos governos é também um compromisso do sistema
universitário, que é um dos principais agentes de transformação social.
A Universidade do Estado da Bahia/UNEB, reconhecendo que é um dever da
universidade apontar para os governantes e para a sociedade em geral a
necessidade de “um novo olhar” para perceber que a desigualdade entre homens e
mulheres se expressa em evidentes e sutis discriminações e em diferentes formas de
violência contra a mulher e, reconhecendo ainda a necessidade de análises e
propostas políticas para o problema da violência contra a mulher, através do seu
Departamento de Educação, Campus XIV, localizado em Conceição do Coité, desde
2004, tem procurado estabelecer um canal de comunicação com o governo municipal
e incentivado a discussão em torno da temática com os demais segmentos da
sociedade civil organizada.
Apoiar o Departamento de Educação, Campus XIV, nesse propósito tem sido um
grande desafio para toda a equipe de trabalho da Biblioteca Professor José Carlos

�dos Anjos, que tem se apresentado como um verdadeiro espaço de diálogo entre a
universidade e a comunidade.
Apresentar as ações que estão sendo desenvolvidas pela biblioteca com o propósito
de: i) contribuir para a erradicação da violência contra mulheres e crianças na região
sisaleira, ii) estimular e contribuir com a produção de estudos relacionados à questão
de gênero; iii) fortalecer o compromisso social do Campus, é nosso objetivo neste
trabalho. É também nosso propósito fazer uma reflexão sobre o papel social do
sistema de bibliotecas da UNEB.
2. A Violência contra a mulher e suas múltiplas faces
A história da humanidade tem nos mostrado que a violência é um fenômeno
encontrado em toda sociedade. O Ministério da Saúde, em sua Política Nacional de
Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência (BRASIL, 2001, citado por
BRASIL, 2006), caracteriza a violência como um fenômeno de conceituação
complexa, polissêmica e controversa. Estudos, porém, têm revelado que a violência
não faz parte da natureza humana, mas é um produto social, cultural e político.
O conceito de violência é definido pela primeira vez pelo Primeiro Relatório sobre
Violência e Saúde (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2002, p.10) como o uso
intencional da força física e do poder, real ou em ameaça contra si próprio, contra
outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha
possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de
desenvolvimento ou privação de liberdade”.
Segundo o documento intitulado Atenção integral para mulheres e adolescentes em
situação de violência doméstica e sexual: matriz pedagógica para formação de redes
produzido pelo Ministério da Saúde, a violência contra a mulher
[...] é referida de diversas formas desde a década de 50. Designada
como violência intrafamiliar na metade do século XX, vinte anos
depois passa a ser referida como violência contra a mulher. Nos anos
80, é denominada como violência doméstica e, na década de 90, os
estudos passam a tratar essas relações de poder, em que a mulher

�em qualquer faixa etária é submetida e subjugada, como violência de
gênero (BRASIL, 2006, p.9)

A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a
Mulher1 define a violência contra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada
no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à
mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada” (ASSEMBLEIA GERAL DA
ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, 1994, p. 25).
Considerada como a discriminação que mais afeta a qualidade de vida das mulheres,
a violência gera insegurança e medo, além de sofrimentos físicos, mentais, sexuais,
coerções e outras formas de privação do direito à liberdade.
A atuação dos movimentos feministas em todo o mundo e os diversos tratados
internacionais das Nações Unidas deram visibilidade ao problema da violência de
gênero. O pensamento feminista explica a violência contra a mulher como produto, e,
ao mesmo tempo, um elemento de subordinação da mulher, dependendo dessa
mesma subordinação para a sua perpetuação (PORTELLA,2005).
A violência contra a mulher, portanto, nada mais é que uma expressão da dominação
masculina, que ao mesmo tempo estrutura e perpetua as relações de poder entre
homens e mulheres. Um fenômeno que atinge as mulheres em todas as etapas do
ciclo da vida, desde a infância, adolescência, idade adulta e na velhice.
Partindo desse pressuposto, podemos afirmar que toda mulher está, a princípio,
exposta a situação de violência, mas isso não significa que toda mulher esta exposta
ao mesmo tipo de violência, a mesma intensidade e severidade das agressões.
De acordo com o site Portal da violência2, a violência pode ser classificada nos
seguintes tipos: Violência contra a mulher; Violência de gênero; Violência doméstica;
Violência
1
2

família;

Violência

física;

Violência

Convenção de Belém do Pará, 1994.
http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=105

institucional;

Violência

�intrafamiliar/violência doméstica; Violência moral; Violência patrimonial; Violência
psicológica ;Violência sexual
A violência contra a mulher é um problema complexo, o seu combate e erradicação
depende, fundamentalmente, do entendimento de que a violência contra a mulher é
um problema da sociedade e do Estado, e não das mulheres. Assim sendo, é dever
do Estado e da sociedade: a) deslegitimar a violência, torná-la um problema público
de justiça e de cidadania; b) proteger as mulheres vítimas de violência, oferecendolhes apoio direto e construindo suportes institucionais para que elas possam sair da
condição de violência (PORTELLA, 2005).
No Brasil, houve avanços em vários campos nos últimos anos:
•

mudanças na legislação;

•

Produção crescente de estudos sobre violência contra a mulher;

•

criação de delegacias especializadas;

•

serviços de atendimento às vítimas;

•

adoção de políticas públicas específicas .

Mas, a tarefa de enfrentar esse desafio ainda é imensa. É fundamental uma ampla
política nacional de combate à violência contra as mulheres, além de medidas que
contribuam para o empoderamento feminino, assegurando a todas as mulheres o
acesso a seus direitos nas mais variadas dimensões da vida social. Para nós, o
empoderamento, é a condição primordial para se lidar com a violência. O conceito
de empoderamento aqui utilizado é dado pelo movimento feminista e “compreende a
alteração radical dos processos e estruturas que reduzem a posição de subordinação
das mulheres como gênero” (COSTA, s.d). Nesta perspectiva, através da tomada de
decisões coletivas e mudanças individuais, a mulher empoderada tem consciência
das suas habilidades e competências para controlar e gerir sua própria vida.
Ressaltamos que o empoderamento da mulher e o combate à violência contra a
mulher passam, necessariamente, pelo enfrentamento desta cultura machista e
patriarcal. Para Blay (2003), esse enfrentamento exige políticas públicas transversais

�que atuem modificando a discriminação e a incompreensão de que os Direitos das
Mulheres são Direitos Humanos. A autora ressalta que para modificar a cultura de
subordinação de gênero é necessário uma ação conjugada, uma articulação entre os
programas desenvolvidos pela Secretaria Especial de Direito da Mulher, pelo
Ministérios da Justiça, da Saúde, do Planejamento e demais ministérios.
Complementando o pensamento de Blay, acreditamos que o combate à violência
contra a mulher requer uma Consciência coletiva, o que significa o envolvimento e o
compromisso de homens e mulheres, de todos os seguimentos da sociedade. Assim
sendo, a universidade deve estar inserida nessa articulação com as esferas
governamentais

e

não

governamentais

na

produção

e

transmissão

de

conhecimentos que possam resultar em criação/fortalecimento de políticas públicas
que viabilizem a transformação das desigualdades historicamente reproduzidas entre
homens e mulheres.
3.Uneb: uma universidade cidadã: uma história em construção...
A Universidade do Estado da Bahia/UNEB, primeira universidade brasileira a adotar
o sistema de cotas para negros e afrodescendentes, se configura como uma
universidade de ações afirmativas que contribui para a correção das desigualdades
sociais. Adotando o diálogo como princípio de gestão acadêmica, é uma
universidade pública e gratuita, com 24 campi e 29 Departamentos localizados em
diferentes regiões do Estado. Entre as ações afirmativas da UNEB, em parceria com
outras instituições, podemos citar Projeto Rede Uneb 2000, Programa de Formação
para Professores do Estado, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária,
Gestão Social e Monitoria Social, Pré-Vestibular Social, Universidade para todos,
entre outros.
De acordo com os seus princípios de ação universitária, a UNEB reconhece que a
razão de ser da universidade pública está na razão direta com a função social que
ela desempenha, e que não pode haver universidade pública desconectada da
demandas da realidade histórico social que a circunda. Nesse sentido, busca

�identificar-se e comprometer-se com a construção de saberes que viabilizem
soluções às carências sociais e promovam desenvolvimento, concebido na sua
definição

mais

contemporânea:

multifocal,

multidisciplinar,

participativo,

3

ecologicamente responsável e socialmente referenciado.

Voltada para a interiorização do ensino, da pesquisa e da extensão em todo as
regiões do Estado, a UNEB busca abarcar toda a nossa diversidade regional e
contemplar as questões que emanam da sua feição multicampi e multiregional. Essa
busca da UNEB, que vem se firmando no cenário nacional como uma universidade
cidadã, é germinada na sua missão declarada de
Atuar, dentro das prerrogativas de autonomia da instituição universitária,
no processo de desenvolvimento do Estado da Bahia, através da produção
e socialização do conhecimento voltado para a formação do cidadão e
solução dos grandes problemas gerais, regionais e locais com base nos
princípios da ética, da democracia, da justiça social e da pluralidade
etnocultural (PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL, 2003,
p.15).

Tal escopo, evidentemente, ainda em fase de construção, abre possibilidades para
pensarmos o fazer universitário em consonância com a diversidade e muito
especialmente, observarmos a necessidade de nos abrirmos para o presente, para o
nosso cotidiano de professora(es),bibliotecárias(os), funcionárias(os), alunas(os)
enquanto sujeitos deste processo de construção, que é essencialmente coletivo.
Tomando como base essa missão, o Departamento de Educação-Campus
XIV/UNEB, localizado em Conceição do Coité, tem buscado romper os limites da
comunicação, historicamente estabelecido, entre a universidade e a sociedade, a
partir do diálogo com representações de segmentos sociais, que, tradicionalmente,
têm sido excluídos tanto do acesso quanto dos benefícios do ensino, com homens e
mulheres que lutam cotidianamente pela sobrevivência no e do semi-árido, um
espaço brasileiro pouco conhecido, apesar da sua beleza e potencial.

3

Princípio da ação universitária da UNEB

�Segundo Neiva (2000), o desconhecimento total ou parcial da realidade do Sertão
Nordestino provoca nas elites políticas, militares e intelectuais uma profusão de
sentimentos, visões e incompreensões, a exemplo do medo, da vergonha, do
descaso, da insensibilidade, do espanto, da intolerância e do horror. Para este autor,
a pobreza resultante da má distribuição de renda, as precárias condições sanitárias,
o baixo nível de escolarização e as limitações dos governantes locais tornam esse
espaço o mais problemático do país e, conseqüentemente, o mais privilegiado para
equívocos.
Em Conceição do Coité, cidade onde está localizado o Campus XIV, de acordo com
o levantamento feito em 2003 pela FATRES — Fundação de Apoio aos
Trabalhadores Rurais da Região do Sisal, existem aproximadamente 56.318
habitantes, sendo 28.209 homens e 28.109 mulheres. Esta gente sertaneja é
diferente de toda a gente. O sertanejo, já nos disse Euclides da Cunha, durante suas
andanças pelo sertão nordestino,
é, antes de tudo um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos
mestiços neurastênicos do litoral [...] É desgracioso, desengonçado
torto[...]. É o homem permanentemente fatigado. [...]
Entretanto, toda essa aparência de cansaço ilude.[...] O Homem
transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas
na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se lhe, alta, sobre os ombros
possantes, aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-selhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do
relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu
canhestro, reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um
titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de
força e agilidade extraordinárias.
Este contraste impõe-se ao mais leve exame. Revela-se a todo o
momento, em todos os pormenores da vida sertaneja (CUNHA,
1979, p.81, grifo nosso)

O homem sertanejo é, antes de tudo, um lutador. Mas ele não luta sozinho.
Parafraseando o autor acima citado, ao lado do sertanejo, quase invisível, tem uma
mulher que também “conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a
terra árida e exsicada”. Assim como o homem, a mulher sertaneja conhece “as cenas
periódicas da devastação e da miséria” e não se apavora com o “quadro

�assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido pela adustão dos sóis
bravios do Equador”.

Ainda parafraseando o autor, a sertaneja também fez-se

mulher, quase sem ter sido criança. Fez-se forte, esperta e prática (Cunha, 1979, p.
83).
Juntos, homens e mulheres do sertão, comprometidos com equidade social gritam
por reforma agrária, por desenvolvimento sustentável. Gritam pela expansão do
ensino superior na região. Gritam também por ações que promovam a equidade de
gênero e os direitos da mulher. Gritam pela erradicação do vírus da violência contra a
mulher.
O grito pelo combate à violência contra a mulher foi ouvido pelo Departamento de
Educação-Campus XIV, em 2003, quando, a partir do projeto “Ouça Universidade” 4, o
Campus XIV buscou intimidade com o povo sertanejo, e, de forma definitiva,
começou a construir uma nova história com os movimentos sociais da região. A
biblioteca do Campus XIV, que em 2004 recebeu o nome de Biblioteca José Carlos
dos Anjos, faz parte dessa história, é sujeito dela...
4.A Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos partejando uma nova história.
A história da Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos com os movimentos sociais
da região sisaleira teve início em maio de 2003, quando o programa de rádio do
Campus XIV, o “Ouça Universidade”, que nasceu dentro da biblioteca, produziu uma
edição especial sobre o 8 de Março, Dia internacional da Mulher. Naquela ocasião, a
equipe do programa convidou o Coletivo de Mulheres do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Conceição do Coité-Ba que, através da sua então
presidente, clamou a parceria da Universidade, e da sociedade em geral, para o
combate à violência contra a mulher e para a luta pela implantação da Delegacia
4

O Projeto “Ouça Universidade”,um programa de radiodifusão sonora que teve a biblioteca do Campus como
principal fonte de informação, foi apresentado e debatido nos seguintes fóruns acadêmicos: CINFORM/2004,
SNBU/2004, CBBD 2005, II e III Feira do Semi-árido/2004 e 2005, Congresso Regional de História Oral/2005,
entre outros.

�Especial de Atendimento à Mulher- DEAM na região, uma luta que tem se mostrado
infindável/permanente, como a luta pela própria sobrevivência do e no sertão.
As delegacias da mulher são órgãos especializados da Polícia Civil, criados na
década de 80 como política pública para combater a violência contra as mulheres
dando um atendimento mais adequado às mulheres em situação de violência
doméstica e aquelas vítimas de violência sexual. A primeira Delegacia da Mulher foi
criada na cidade de São Paulo, em 1985. Ao longo dos anos 80-90, elas foram sendo
instaladas em todas as grandes cidades brasileiras, totalizando hoje 340 Delegacias
Especializadas de Atendimento às Mulheres (DEAM), uma quantidade irrisória,
quando se constata que existem no Brasil 5550 municípois5.
A criação das Delegacias de Proteção à Mulher em todo o país é o resultado do
trabalho político feito pelo movimento feminista que publicizou a violência contra a
mulher, questionando e denunciando os crimes cometidos em “defesa da honra”,
evidenciando assim, as desigualdades dos lugares ocupados por homens e mulheres
(AQUINO, 2003).
Cientes

da

necessidade

de

potencializar

a

mobilização

dos

segmentos

comprometidos com o enfrentamento da violência contra mulheres, crianças e
adolescentes, no dia 8 de Maio de 2003, o Campus XIV e sua a biblioteca,
juntamente com outros setores da sociedade, foram às ruas de Conceição do CoitéBa, em passeata organizada pelo Coletivo de Mulheres, denunciando arbitrariedades
e mostrando a necessidade de uma articulação da sociedade para assegurar a
implantação da legislação que garante a criação de uma DEAM, em municípios com
mais de 50.000 habitantes.
Ainda em 2003, objetivando promover uma reflexão sobre a condição da mulher no
campo, a biblioteca do Campus XIV organizou, em parceria com o NUPE- Núcleo de
Pesquisa e Extensão do
5

Revista Veja, n.10, 15 março, 2006.

Campus, a Mesa-Redonda O papel da mulher na

�agricultura familiar, que, teve como palestrantes representantes do NEIM/UFBANúcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher e do Coletivo de Mulheres.
Depois de todo o “barulho” feito/provocado pelos movimentos sociais e pelo Campus
XIV, a delegacia local passou a registrar os casos de violência contra a mulher em
livro específico6 e as notificações ao agressor deixaram de ser entregues pela própria
vítima, ficando a encargo de um agente de polícia7, como determina a lei. Sem
dúvidas, a formalização da denúncia foi uma conquista importante. Foi o “primeiro
passo”, acreditaram todas(os), para a institucionalização da Delegacia desejada.
Porém, em 2004, a Delegacia de Conceição de Coité-Ba retroagiu. Voltou às velhas
práticas: registro das ocorrências de violência contra à mulher diluído/perdido em
meio às demais ocorrências;

a mulher agredida responsável pela entrega a

intimação ao seu agressor.
Diante do retrocesso, e do total descaso dos governantes municipais e estaduais,
juntos, universidade/biblioteca e movimentos sociais, gritaram nas ruas, nas praças e
na Câmara Municipal a necessidade do enfrentamento das desigualdades de gênero
e da garantia da atenção integrada e humanizada da mulher em situação de
violência, por intermédio da implantação de uma DEAM na cidade de Conceição do
Coité-Ba.
Em 2005, a Comissão Organizadora do 15º Congresso dos Estudantes da UNEB,
reconhecendo a participação da biblioteca na campanha pela implantação da DEAM
na região, incluiu essa discussão na programação do evento e convidou a equipe da
biblioteca para realizar uma oficina sobre violência contra a mulher . Essa oficina foi
realizada em parceria com o Coletivo de Mulheres e teve como produto um abaixo
assinado de apoio ao movimento pela implantação da DEAM, com aproximadamente
600 assinaturas dos congressistas.
6

O registro de todas as ocorrências em um único livro dificulta o levantamento dos dados e a estatística da
violência contra a mulher.
7
A Delegacia de Conceição do Coité alegava falta de recursos humano e material. Por isso “solicita”, mas não
“exige”que a mulher vítima de violência entregue a intimação ao seu agressor.

�No inicio de 2006, a Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos, com apoio da
Direção do Campus XIV e da Administração Central da UNEB, buscou parceria com
o Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade Diadorim-UNEB, Núcleo de Estudos
Interdisciplinares da Mulher – NEIM/UFBA e com o Coletivo de Mulheres do
Sindicato de Trabalhadores Rurais para desenvolver o projeto de Extensão
Consciência Coletiva: homens e mulheres combatendo a violência contra a mulher
na região sisaleira. Um projeto que envolve todos os servidores(as) da biblioteca com
o propósito de:
•

Oportunizar a desenvolvimento da consciência de gênero e suas implicações
na prática social e educativa na consolidação da formação crítica-reflexiva de
educadores(as);

•

sensibilizar, conscientizar e mobilizar a comunidade acadêmica e a sociedade
em geral para a o combate à violência contra a mulher na região sisaleira;

•

promover a reflexão sobre a violência contra a mulher, a partir de uma visão
integral;

•

subsidiar estratégias mais amplas de ação, envolvendo outros setores e
entidades, buscando intervenções mais eficazes nas políticas públicas para a
implantação da Delegacia de Atendimento Especial à Mulher em Conceição
do Coité-Ba.

As ações de sensibilização e formação de consciência de gênero vem sendo
desenvolvidas nos bairros e escolas de Conceição do Coité-Ba na zona rural do
Município e no Campus XIV , envolvendo alunos e professores, a comunidade, as
lideranças comunitárias e autoridades do município/região.
Ações propostas no projeto;
•

Oficina: “Homens e Mulheres combatendo a Violência Contra a Mulher na
Região Sisaleira”;

•

Murais sobre a violência;

•

Dia de Conscientização sobre a violência contra a mulher nas escolas
municipais;

�•

Vinheta e programa de radiodifusão sonora;

•

Seminário e Mesa-redonda;

•

Apresentação de filme seguido de debate;

•

Varal de poesia;

•

Formação de acervo especializado na temática de gênero;

•

Circulo de leitura.

Temas a serem desenvolvidos e debatidos durante as atividades:
•

Sexualidade, Educação e Violência contra a Mulher

•

Saúde reprodutiva e Violência contra a mulher

•

Estímulo e acesso à leitura como instrumento de empoderamento da mulher.

As ações e os temas poderão ser modificados durante a execução do projeto,
sempre com o propósito de oportunizar o desenvolvimento da consciência de gênero
e suas múltiplas implicações na prática social e educativa na consolidação da
formação crítica-reflexiva de educadores.

5.Considerações finais
O Projeto “Consciência Coletiva: homens e mulheres combatendo a violência contra
a mulher na região sisaleira” ressalta a responsabilidade social e o comprometimento
dos(as) servidores(as) da Biblioteca Professor José Carlos dos Anjos.
As ações desenvolvidas por essa biblioteca nos mostram como este espaço do saber
pode estar integrado aos projetos e programas da universidade, sem, contudo,
negligenciar as suas funções tradicionais, mas incorporar elementos que valorizam
seus funcionários e dão visibilidade á biblioteca, tornando-a de fato um “organismo
em crescimento”. Cabe salientar que essas ações têm sido um exemplo isolado de

�integração da biblioteca universitária com os projetos da unidade que a abriga, no
âmbito das bibliotecas da UNEB.
Porém, a Administração Central da Universidade, reconhecendo a importância da
biblioteca universitária como instrumento de apoio institucional e reconhecendo ainda
o poder transformador e o compromisso social da biblioteca, tem promovido uma
reflexão sobre o papel da biblioteca universitária em um sistema multicampi. A partir
dessa reflexão, foi criada a Comissão de Reestruturação do Sistema de Bibliotecas,
composta por bibliotecários e professores, que tem como objetivo o planejamento, a
coordenação e acompanhamento do processo de modernização do Sistema de
Bibliotecas da Uneb, formado por 23 bibliotecas setoriais, localizadas em diferentes
Municípios do Estado e 1 Biblioteca Central, localizada em Salvador, onde funciona a
Administração Central da Universidade. Promover o funcionamento sistêmico e a
inserção de cada biblioteca nos planos e na missão institucional, é o grande desafio
da Comissão.
6. Referencias
AQUINO, Silvia de. Construindo uma noção de cidadania: reflexões sobre a interação entre o
movimento feminista e o Estado na criação da Delegacia de Proteção à Mulher em Salvador.
In: COSTA, Ana Alice Alcântra; SARDENBERG, Cecília Maria Bacellar (Orgs.) Feminismo e
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ASSEMBLÉIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS. Convenção
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Belém do Pará, 1994. Adotada pela Assembléia Geral da Organização dos Estados
Americanos em 6 de junho de 1994 e ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995.
[s.l.:s.n], 1994.
BLAY, Eva Alterman. Violência contra a mulher e políticas públicas. Estud. av., Sept./Dec.
2003, vol.17, no.49, p.87-98..
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por
Acidentes e Violências. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção integral para mulheres e adolescentes em situação
de violência doméstica e sexual: matriz pedagógica para formação de redes. Brasília: Editora
do Ministério da Saúde, 2006.

�COSTA, Ana Alice Alcantra. Gênero, poder e empoderamento das mulheres. Disponível
em:&lt;http://www.agende.org.br/docs/File/dados_pesquisas/feminismo/Empoderamento%20%20Ana%20Alice.pdf&gt; Acesso em: 15/06/2006.
CUNHA, Euclydes. Os Sertões. 29.ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves; Brasília: INL,
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Açude Cocorobó. Cruz das Almas,Ba. 2000. Dissertação. (Mestrado). Universidade Federal
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OLIVEIRA, Suely de. “Nem homem gosta de bater, nem mulher gosta de
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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Relatório Mundial Sobre Violência e Saúde.
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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA. Plano de Desenvolvimento Institucional 20022006. Salvador:Universidade do Estado da Bahia, 2003.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A Universidade do Estado da Bahia, que vem se fortalecendo a nível nacional como uma universidade socialmente referenciada, depois de implantar, de forma pioneira, as cotas para os afro-descendentes, amplia agora o seu olhar para as políticas públicas voltadas para a mulher. Desenvolver e apoiar ações que promovam a equidade de gênero é um compromisso social da Uneb. Um compromisso também assumido pela biblioteca Professor José Carlos dos Anjos, a biblioteca do Departamento de Educação, Campus XIV, localizado em Conceição do Coité-BA. Mostrar a participação desta biblioteca nas ações de combate a violência contra a mulher na região sisaleira, é o nosso propósito neste trabalho. É nosso propósito também refletir sobre a necessidade de inclusão e engajamento da biblioteca universitária nos programas globais da unidade que a abriga.</text>
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