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                  <text>DO CAMPUS AO CAMPO: SOCIALIZANDO OS RESULTADOS DAS
PESQUISAS DA CIÊNCIA VETERINÁRIA
Edna Cherias
Pós-Graduanda em Marketing,
Técnica do Departamento de Medicina Veterinária - UFRPE.
Recife, Pernambuco - Brasil.
cherias@ufrpe.br
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central - UFRPE,
Recife, Pernambuco - Brasil.
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com
RESUMO:
O olhar da Biblioteca traz à tona, desafios e impasses que formam os nichos de
informação demandados pela população do campo em relação ao conhecimento gerado
a partir de estudos e pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária
da UFRPE, assim como a necessidade de transformar essa informação em
conhecimento que transita, é apropriado e reapropriado. Desafios que incluem além da
circulação da informação à população urbana, também a sua circulação em linguagem
de fácil

absorção, pelo 

homem do campo. Este trabalho evidencia a demanda

marcada pela distância entre a universidade enquanto emissor e o receptor rural, no
caso, àquele da região de Jussaral, Município de Vitória de Santo Antão, Agreste do
Estado de Pernambuco. Observou-se que o referido Programa de Pós-Graduação,
destaca a Medicina Veterinária Preventiva, a Clínica e a Cirurgia Animal com o maior
quantitativo de pesquisas realizadas. Em contraponto, a maior demanda de informações
dos 56 representantes da citada comunidade relaciona-se aos conhecimentos básicos
específicos sobre criação e manejo. Em contrapartida, a Biblioteca ao democratizar esse
conhecimento, faz a ponte entre a Universidade e esse homem do campo, função e papel
essenciais da universidade pública.

Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Difusão da Informação; Homem do Campo.

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1. INTRODUZINDO O PERCURSO

A universidade pública, indiscutivelmente, assume compromisso com o
saber sistematizado, mas deve, também, assumir um sério compromisso com os
problemas e os desafios concretos colocados pela sociedade.

É notório, ainda que, um dos papéis da universidade é saber-fazer-ciência.
Entre esses desafios, está a organização e a comunicação do conhecimento
produzido no contexto acadêmico através da circulação de informações
apresentadas em linguagem que facilite a sua absorção. No que tange à difusão
desse conhecimento, observa-se a existência de um ciclo, iniciado pela ação
comunicativa a partir da qual dados serão processados e, depois de trabalhados,
transformar-se-ão em informação que irão colaborar com a construção do
conhecimento.

Posteriormente, transmutado em comunicação científica. Não

aquela direcionada aos pares, mas, aquela cujo público é leigo.

Sob esse olhar, o Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária 
PPGCV da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, ao atuar como
gerador de um conhecimento direcionado à saúde animal, disponibiliza
informações à população no âmbito urbano. No entanto, há uma parcela da
sociedade  o homem do campo  que pouco tem acesso às notícias veiculadas
em jornais, ou até mesmo nos programas televisivos direcionados à zona rural.

Nessa linha de pensamento, Marteleto (1994, p. 115-137) defende que,
numa visão antropológica, as práticas informacionais são [...] mecanismos de
apropriação, referência, elaboração de significados e valores [...] na sociedade
onde os sujeitos constroem suas representações e realizam suas práticas a partir
da reinterpretação das informações obtidas, com base em suas experiências
anteriores que carregam as contradições e as marcas de uma pluralidade social.

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Para que uma determinada informação não gere mal entendidos ou
incompreensão por parte do público ao qual está direcionada, nesse caso, por
parte do homem do campo, a divulgação do conhecimento produzido a partir dos
resultados da pesquisa acadêmica deve levar em conta algumas particularidades
tais como:

- a necessidade de uma informação prévia, uma vez que devido à falta de
conhecimentos anteriores e indispensáveis, a informação repassada poderá não
vir a ser absorvida pelo receptor. Essa lacuna de informação poderá levá-lo à não
compreensão do que está sendo informado;

- conhecer a biografia desse homem do campo enquanto receptor, pois
resultados de experiências negativas podem criar obstáculos a novos conceitos e
métodos de prevenção, cura e melhoria da produtividade animal;

- conhecer o grupo do qual esse homem é parte integrante, ou seja, a não
aceitação da informação, muitas vezes, pode resultar de resistências coletivas,
onde a informação pode ser percebida como ameaça à existência do grupo.

Diante disso, nesse processo de comunicação e socialização do
conhecimento junto ao público em geral, especialmente, ao homem do campo, a
comunicação apresenta-se como condição ímpar para conquistar espaços 
vazios por omissão  necessários para que se possam abrir portas e janelas e dar
início a um importante processo de interrelação.

Transmutar o conhecimento oriundo da academia em um conhecimento de
domínio público, através da adoção de uma metodologia de comunicação que
venha atender às demandas desse homem do campo foi o mote. Para tanto,
tomou-se como recorte, por um lado, o conhecimento resultante do Programa de
Pós-Graduação em Ciência Veterinária da UFRPE e por outro, um grupo de
moradores da região de Jussaral, Agreste do Estado de Pernambuco, composto

�4

por 56 membros, cujas necessidades de informação formam o pano de fundo
desse estudo.

Adotou-se como metodologia, um estudo exploratório junto ao citado
Programa de Pós-Graduação, visando a identificar o universo do conhecimento
armazenado à espera de circulação, aliado ao estudo de caso e história oral,
obtidos através da aplicação de questionários junto à população rural e entrevista,
objeto da pesquisa, através do qual foi identificada a demanda de informações.

Nessa perspectiva, os resultados trouxeram subsídios para futuras
estratégias

que,

viabilizadas,

possibilitarão

uma

prática

inovadora

de

comunicação quebrando paradigmas cristalizados e oxigenando as relações entre
a Universidade e esse homem do campo.

2 PESQUISANDO NA ÁREA DE MEDICINA VETERINÁRIA

O ensino médico veterinário em Pernambuco foi institucionalizado no ano
de 1912, ao ser criada a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária de
São Bento, pelos Monges Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em Olinda.
Posteriormente foi fechado em virtude da baixa demanda, voltando seu
funcionamento 24 anos depois em 1950 na então Universidade Rural de
Pernambuco  URP, no campus de Dois Irmãos, onde funciona até os dias atuais.

Apesar do ensino de Medicina Veterinária da Escola criada aqui em
Pernambuco pelos Monges Beneditinos haver iniciado suas atividades após a
Escola de Veterinária do Exército e da Escola Superior de Agricultura e Medicina
Veterinária do Rio de Janeiro, ambas inauguradas em 1910, coube a Pernambuco
a concessão do grau ao primeiro Médico Veterinário do país, Sr. Dionysio Costa
Meili, farmacêutico baiano, em 13 de novembro de 1915.

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Conta a História, que o Curso de Mestrado em Medicina Veterinária da
UFRPE foi criado em 1978, e reconhecido em 26 de dezembro de 1994. Em
1999, com a aprovação do Projeto do Curso de Doutorado em Ciência Veterinária
foi criado o Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária  PPGCV,
através da Resolução 19/99 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e
Resolução 14/99 do Conselho Universitário (níveis Mestrado e Doutorado) que
instituiu, pioneiramente, com aprovação da CAPES, o Doutorado em Ciência
Veterinária na região Nordeste.

Para desenvolver as atividades de ensino e pesquisa o PPGCV conta com
a infra-estrutura do Departamento de Medicina Veterinária, atuando em três linhas
básicas de pesquisa como Reprodução Animal, Clínica e Cirurgia Animal e
Medicina Veterinária Preventiva, bem como, através da Clínica de Bovinos de
Garanhuns, referência em nível nacional e regional.

Com essa infra-estrutura, tanto financeira como acadêmica os resultados
das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV necessitam de divulgação junto à
sociedade em geral, assim como ao homem do campo, através de ações de
comunicação, uma vez que o Programa objetiva o desenvolvimento da região. O
PPGCV como pioneiro na região Norte e Nordeste, veio a atender uma demanda
que até então era reprimida nas regiões.

Com a instalação do Doutorado foi possível iniciar um grande
desenvolvimento científico para a Medicina Veterinária, possibilitando o acesso
mais fácil a pesquisas que, até então, só era possível aos que tinham acesso ao
eixo Centro-Sul. Por outro lado, o Programa passou a atender professores da
UFRPE e de outras IFES do NE, que não tinham mais como se afastar de suas
instituições para uma capacitação. Passou a atender também, pesquisadores e
profissionais mais jovens, ainda sem vínculo empregatício, e que também não
dispunham de nenhuma condição de se afastarem para cursarem uma PósGraduação. Todo esse conjunto fortaleceu muito a Medicina Veterinária no
Nordeste, e de modo bem particular a UFRPE.

�6

Por outro lado, o PPGCV tem como principal particularidade, ser voltado,
basicamente para a região Nordeste, fomentando esta região com pesquisas de
alto nível, que contribuem com o desenvolvimento regional. Porém, mesmo tendo
estas particularidades, faz parte do contexto Nacional, tendo como publico alvo,
médicos veterinários de Estados do Brasil e também de outros paises.

Sobre a sua relação com a sociedade e com o homem do campo,
observamos que o Programa tem, entre seus objetivos, formar professores e
pesquisadores oriundos de várias IFES, bem como Institutos de Pesquisas
públicos e privados, para atuarem principalmente nas regiões Norte e Nordeste,
tendo assim, uma forte relação com a sociedade de um modo geral, uma vez que
estamos formando formadores de opinião. Dentro deste contexto, o PPGCV, está
fortemente relacionado com o homem do campo, pois os seus produtos (Mestres,
Doutores e os resultados das pesquisas), são voltados para contribuir com o
desenvolvimento do homem do campo, fortalecendo e ajudando esta parcela da
sociedade a se manterem no campo, evitando, ou diminuindo o êxodo rural.

As pesquisas desenvolvidas no âmbito deste Programa, em suas mais
diversas áreas, apresentam em sua quase totalidade, resultados sociais fortes.
Uma grande parcela das mesmas é voltada para o desenvolvimento do campo,
promovendo uma socialização entre o Programa e o homem do campo. Por outro
lado, existe também uma parcela de resultados voltados para a sociedade
urbana, visando o bem estar desta população, através de contribuições na
melhoria do alimento e também contribuindo com a melhoria da saúde dos
animais de companhia.

Existem ações voltadas para a socialização e, nesse sentido, podemos
citar resultados na linha de pesquisa de Medicina Veterinária Preventiva, onde os
estudos visam à melhoria da Saúde Pública, portanto dos animais e do ser
humano. Já a linha de pesquisa voltada para a reprodução, também se direciona
o recorte da melhoria da Produção Animal, oferecendo resultados no que se

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refere ao produto final do animal (carne, leite, ovos e outros) e, sobretudo, em
como promover maior quantidade desses produtos a um preço mais acessível.

4 - TECENDO COM OS FIOS DA METODOLOGIA

Buscarmos o homem do campo como foco deste trabalho assim como seu
conceito enquanto indivíduos, cujas características são a ocupação da agricultura
de subsistência e que, às vezes, colocam parte da produção no mercado, são
total ou parcialmente donos dos meios de produção. Sua força de trabalho é a
familiar, composta por adultos e crianças de baixo conhecimento técnico. Sua
produção é pequena e, associado ao baixo valor hipotecário da terra, reduz seu
acesso ao sistema financeiro formal, (Tauk Santos, 1994, p. 148).

Em nossa pesquisa na comunidade de Jussaral, observamos que o
analfabetismo ainda é uma realidade nos dias atuais e a tradição oral encontra
canal para a sua perpetuação, através da palavra oral. E é também na palavra,
nos códigos orais que se baseia parte da construção desse texto, uma vez que a
Comunicação

enquanto

processo

de

transferência

e

socialização

do

conhecimento via informações na relação interpessoal constitui foco principal.

Escolhemos como metodologia para esse estudo, a Pesquisa Conclusiva
Descritiva, por apresentar como característica, de acordo com RAMIRES (2004),
objetivo bem definido, com procedimento formal, bem estrutural e dirigido para a
solução de problemas ou avaliação de alternativa de curso de ação. Utilizamos
métodos de procedimento usados nas ciências sociais como histórico e
comparativo. Histórico, no sentido da comunidade ter surgido na época dos
primeiro engenhos de açúcar no século XVII. Comparativo no momento em que
coloca a diferença de um habitante com acesso à informação em detrimento dos
demais.

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Associados à técnica do depoimento, ou história de vida, de extrema
importância para essa pesquisa, por possibilitar o processo de comparação. A
observação direta foi contemplada pela apresentação de formulário, que consistiu
em um roteiro de perguntas, com 6 (seis) questões de perguntas fechadas para
assinalar e mais 2 (duas) de perguntas abertas. O formulário foi escolhido pelas
suas qualidades essenciais como adaptação ao objeto de investigação,
adaptação aos meios que se possui para realização do trabalho e precisão das
informações em um grau de exatidão suficiente e satisfatório para o objetivo
proposto. Com a vantagem de alcançar todo o segmento da comunidade, como
alfabetizados, analfabetos, faixa etária distinta, presença do pesquisador para
explicar ou elucidar os objetivos da pesquisa e, por fim, facilidade na aquisição de
informantes.

Os formulários foram distribuídos num período de cinco dias, de 22 a 26 de
setembro de 2005, tempo suficiente para cobrir a localidade, na companhia da
Agente de Saúde do Distrito de Jussaral, Rosa Alves dos Santos, membro da
própria comunidade que possibilitou um grau de receptividade bastante elevado.
Utilizou-se o processo de amostragem probabilística, ou seja, com escolha
aleatória dos indivíduos pesquisados. O aleatório significa que a seleção se faz
de forma que cada membro da comunidade tenha a mesma probabilidade de ser
escolhido (Lakatos, 1991, p.163).

Utilizando a técnica de amostras, foi pesquisado um grupo de 56
indivíduos, na faixa etária de 15 a 50 anos, sem grau de escolaridade definido.
Através de levantamento de campo, o formulário contou com questões que
visavam mapear o grau de identificação da UFRPE por parte da comunidade,
avaliando dessa forma, o alcance dos resultados das pesquisas científicas
realizadas pelo PPGCV, revelando, por fim, os canais de comunicação mais
utilizados pelo homem do campo da citada comunidade.

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Tal procedimento teve como finalidade também, identificar a demanda e o
interesse em novas informações, oriundas de Jussaral, considerando os recursos
disponíveis no citado Programa para a realização de pesquisas, cujos resultados
devem ser socializados, e colocados ao alcance de todos. A veracidade também
foi um dos principais problemas das entrevistas e questionários. As pessoas
tendem a revelar, ocultar e projetar imagens de si mesmas e de outros, deixando
assim sua personalidade impressa em suas respostas.

5 JUSSARAL SEU UNIVERSO, CARACTERÍSTICAS E ENCANTAMENTOS

Historicamente, Jussaral era um antigo engenho canavieiro que produzia
açúcar e aguardente, transportados em cavalos e burros até os grandes centros
urbanos, e até mesmo para o porto do Recife para sua exportação. Seu nome de
origem, Juçaral, se deve a uma grande plantação existente, na época, de juçaras,
palmeira delgada alta e elegante (Enterpe edulis), que mesmo sendo de origem
Tupi Juçara = yu sara, em 1945 foi registrada com ss, permanecendo Jussaral
(VILA NOVA, 2004, p. 54).

Localizado na zona da mata sul de Pernambuco, no município do Cabo de
Santo Agostinho, ficando a cerca de 50 Km de sua sede, cortado pela PE 37 e
distante 56 Km da capital do Estado, fazendo fronteira com os municípios de
Moreno, Escada e Vitória de Santo Antão. Segundo dados do IBGE PE/2000,
apud (VILA NOVA, 2004, p.8) , sua população é de 4.000 (quatro mil) habitantes,
de mestiçagem entre pardos, brancos, negros, mulatos e índios, composta por
indivíduos com características interioranas, e a família é representada por um clã,
como padrão da família rural nordestina, onde conta com a figura da igreja, praça,
centro cultural.

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Sua formação topográfica observa uma grande quantidade de morros e
vales, propiciando assim um grande potencial hídrico que compõe a bacia do
Pirapama. Apesar de estar situada em uma área rural inserida no meio urbano,
sua economia é influenciada diretamente pela monocultura canavieira e, apesar
do avanço da tecnologia, o plantio dessa cultura, continua sendo a principal fonte
de renda, sem, no entanto, trazer quase nenhuma prosperidade para seus
habitantes.

6 SOCIALIZANDO OS RESULTADOS

Dentro da nossa proposta de identificar a demanda de informações do
homem do campo, em especial, da comunidade de Jussaral, relacionando-a aos
resultados das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV e sua transferência e
socialização, ratificamos que os moradores dessa comunidade, formam um grupo
típico de interior e que ao verem chegar um representante da Universidade,
enquanto um órgão do governo federal deixam extravasar todas as questões que
os incomodam e para as quais necessitam de solução, desde a questão da posse
de terra até o problema de financiamento.

Resgatando os dados do Relatório da CAPES (2004), percebemos que nas
parcelas das pesquisas do PPGCV no exercício de 2004, 55 pesquisas ou cerca
de 43,65%, foram desenvolvidas na área da Medicina Veterinária Preventiva,
visando à melhoria da Saúde Pública dos animais e, conseqüentemente, do ser
humano. Seguida de 35 pesquisas ou 29,77% direcionadas à área de Clínica e
Cirurgia Animal, atendem doenças já instaladas, bem como partos nos animais de
pequeno, médio e grande porte. Enquanto que na área de Reprodução Animal,
foram desenvolvidas 33 pesquisas, ou cerca de 26,19% que buscam a melhoria
da Produção Animal beneficiando, portanto, o produto final do animal: a carne, o
leite, os ovos entre outros.

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Cruzando as pesquisas desenvolvidas com as demandas, percebe-se que
as mesmas apresentam o mesmo direcionamento, ou seja, há uma preocupação
do PPGCV com a saúde pública animal e com a melhoria da produção animal por
um lado, enquanto que, por outro, há a necessidade de 44,64% dos entrevistados
em receber conhecimentos específicos para o tipo de criação, o que inclui a
saúde animal e a melhoria da produção animal.

Esse resultado nos possibilitou compreender melhor a estreita relação
entre as pesquisas do PPGCV e a demanda da população de Jussaral.

A

aplicação dos formulários assim como os levantamentos das pesquisas realizadas
pelo

Programa,

permitiram,

sobretudo,

a

compreensão

das

mediações

promovidas por essa comunidade enquanto cultura popular construída frente ao
hegemônico.

A análise dos resultados corrobora com as palavras de CANCLINI (1983,
p. 33) quando busca compreender as culturas populares afirmando que, a análise
de uma cultura não se restringe aos objetos ou bens de consumo, mas, ocupar-se
do processo de produção e circulação social desses objetos e, sobretudo dos
significados que os diferentes receptores lhes atribuem.

7 - AMARRANDO OS NÓS, À GUISA DE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
FINAIS

Divulgar e socializar resultados, mobilizando a população constitui tarefa da
extensão universitária que, praticada, supre e atende à demanda da sociedade.
Atualmente, porém, há uma insuficiência de ações voltadas à disseminação de
resultados, que possivelmente, atenderia a essa demanda, fato que gera
descompasso entre os princípios que norteiam a UFRPE enquanto instituição de

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educação pública, voltada aos problemas rurais, o próprio PPGCV e o que o
homem do campo espera dos mesmos.

Assim, desenvolver pesquisas, forma, ao lado do Ensino e da Extensão, a
tríade da Universidade e essência da produção do conhecimento. Em paralelo, é
objeto do governo federal oferecer à sociedade cidadania e qualidade de vida,
portanto, um dos objetos, que vem no sentido da construção do desenvolvimento
local, que é promover o desenvolvimento a partir do potencial endógeno e
promover a auto-sustentabilidade econômica e social nas comunidades e
municípios.

Desenvolvimento que requer como requisito primordial, que ocorram
interações comunicacionais entre as diversas esferas, nesse caso, especialmente
a comunicação entre a academia através da socialização do PPGCV e a
recepção das mensagens por esse homem do campo. Nesse sentido, ao analisar
a demanda que a comunidade de Jussaral apresenta à Universidade,
especialmente, ao PPGCV, observam-se algumas particularidades:

- por um lado, a UFRPE ao não poder suprir a demanda do Estado no que
se refere à extensão. Ação que deveria ser desenvolvida por outros órgãos
específicos tal qual a EMATER que, extinta, deveria haver sido re-criada em outro
formato;

- Por outro lado, o PPGCV em suas linhas de pesquisa, desenvolve
estudos cujos resultados são disseminados junto aos pares através da publicação
de artigos de periódicos e, muitas vezes na apresentação de trabalhos em
eventos da área, representando enfim, uma socialização direcionada à
comunidade científica e acadêmica;

- Esses resultados de pesquisas, de certa forma, deixam de ser
socializados junto à sociedade em geral. E, ao serem direcionados à população,

�13

necessitam, muitas vezes, de adaptação do texto científico à linguagem popular a
fim de se tornarem de fácil compreensão para o domínio público;

- Enfim, enquanto homem do campo, com uma cultura popular e que
desenvolve manejo simples de avicultura, bovinocultura, suinocultura etc, o grupo
entrevistado, necessita captar informações e tecnologias repassadas através de
informações básicas e de fácil interpretação, através de treinamentos e cursos
que surtam efeito multiplicador e potencializem suas capacidades criadoras e
criativas.
Essas particularidades representam interferências na socialização dos
resultados das pesquisas desenvolvidas pelo PPGCV junto a Jussaral, uma vez
que as expectativas dos seus moradores confrontam-se com o vazio ao não
terem acesso às essas informações em conseqüência do objetivo, do nível e do
formato das pesquisas desenvolvidas no mencionado Programa. Fato que
representa o hiato, o desconhecimento e a descrença, que levam à apatia e,
conseqüentemente, ao distanciamento desse homem do campo do contexto da
Universidade.

Em contraponto, não recebendo informações do PPGCV os moradores de
Jussaral, não podem reapropriá-las nem ressignificá-las, adaptando-as à sua vida
cotidiana. Dessa forma, há de se considerar, a existência de um descompasso
comunicacional entre a Universidade, o PPGCV e esse homem do campo.

Percebe-se, finalmente, que, o grupo pesquisado mostrou prioritariamente,
interesse em receber informações sobre manejo de criação simples, que a ele
podem ser repassadas através de cursos ou palestras.

Essa constatação nos possibilitou, apresentar à Coordenação do PPGCV
uma proposta que, basicamente, depende tão somente de uma ação conjunta do
mesmo com a Pró-Reitoria de Atividades de Extensão que poderá ser viabilizada

�14

numa trajetória de mão dupla, pois a ponte promove a ida e a vinda das pessoas
que por ela transitam. Dessa forma, que sejam promovidas as vindas de alguns
representantes de Jussaral para que, atuando como elementos multiplicadores,
visitem o campus, o próprio PPGCV e recebam treinamentos e informações a
serem repassadas aos demais membros da comunidade.

8 - REFERÊNCIAS

CANCLINI, N.G. As culturas populares no capitalismo. São Paulo : Brasiliense,
1982. 299 p.

CAPES. Coleta de Dados. Ano Base 2004. Disponível em www.capes.gov.br.
Acesso em 02.10.2005.

LAKATOS, E.M. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed. São Paulo :
Atlas, 1991. 270 p.

MARTELETO, R. M. Cultura da modernidade: discursos e práticas informacionais.
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 23, n. 2, p.
115-137, jul/dez. 1994.

TAUK SANTOS, M. S. Igreja e pequeno produtor rural: a comunicação
participativa no programa CECAPS/SERTA. 1994. 316 f. Tese (Doutorado em
Comunicações e Artes)  Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.

�15

VILA NOVA, S.M. et al. Topônimos cabenses de origem tupi. 2004. 54 f..
Monografia (Curso de Especialização em Língua Portuguesa)  Faculdades
Integradas da Vitória de Santo Antão.
9  FONTES PESSOAIS

Vicentina Ramires, Professora do Curso de Especialização em Administração
com Ênfase em Marketing. Em depoimento em sala-de-aula.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Do campus ao campo: socializando os resultados da pesquisa da ciência veterinária.</text>
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              <text>O olhar da Biblioteca traz à tona, desafios e impasses que formam os nichos de informação demandados pela população do campo em relação ao conhecimento gerado a partir de estudos e pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária da UFRPE, assim como a necessidade de transformar essa informação em conhecimento que transita, é apropriado e reapropriado. Desafios que incluem além da circulação da informação à população urbana, também a sua circulação em linguagem de fácil absorção, pelo  homem do campo. Este trabalho evidencia a demanda marcada pela distância entre a universidade enquanto emissor e o receptor rural, no caso, àquele da região de Jussaral, Município de Vitória de Santo Antão, Agreste do Estado de Pernambuco. Observou-se que o referido Programa de Pós-Graduação, destaca a Medicina Veterinária Preventiva, a Clínica e a Cirurgia Animal com o maior quantitativo de pesquisas realizadas. Em contraponto, a maior demanda de informações dos 56 representantes da citada comunidade relaciona-se aos conhecimentos básicos específicos sobre criação e manejo. Em contrapartida, a Biblioteca ao democratizar esse conhecimento, faz a ponte entre a Universidade e esse homem do campo, função e papel essenciais da universidade pública.</text>
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