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                  <text>Eixo I Inovação e Criação
GESTÃO DO CONHECIMENTO DO PROJETO: UMA OPORTUNIDADE
PARA OS GESTORES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
MANAGE PROJECT KNOWLEDGE: AN OPPORTUNITY FOR MANAGERS OF
UNIVERSITY LIBRARIES

Resumo: As ferramentas da gestão do conhecimento são vistas em consonância com as
ferramentas de gestão de projetos em Um guia do conhecimento em gerenciamento de
projetos (Guia PMBOK®) sexta edição. O objetivo principal é analisar o processo de Gestão
do Conhecimento do Projeto do Guia PMBOK, à luz das práticas de gestão do conhecimento
propostas pela literatura da área de ciência da informação. Aplicando-se a pesquisa
bibliográfica com uso da técnica de revisão de literatura, a partir de livros e artigos
especializados de autores de referência internacional, onde avaliou-se o diálogo
interdisciplinar dos pioneiros de cada área temática. Optou-se pela sexta edição do Guia
PMBOK como objeto da análise de correlação em relação a teoria de gestão do conhecimento.
Conclui-se que o processo de gerenciar o conhecimento do projeto contempla importantes
modos de conversão do conhecimento, porém não há proposta de trabalho com a questão da
gestão de conhecimento no longo prazo, com foco na criação de um patrimônio de
conhecimentos de projetos.
Palavras-chave: gestão de projetos. gestão do conhecimento. gestão do conhecimento do
projeto. Guia PMBOK. gestão de bibliotecas universitárias.
Abstract: Knowledge management tools are seen aligned with project management tools of
A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide) sixth edition. The
main objective is to analyze the Manage Project Knowledge process of the PMBOK Guide, in
light of the knowledge management practices proposed by the information science literature.
Applying a bibliographical research using the literature review technique, on books and
specialized articles by authors of international reference, which evaluated the interdisciplinary
dialogue of the pioneers of each area. It chose the sixth edition of the PMBOK Guide as an
object of correlation analysis in relation to knowledge management theory. It is concluded
that the process of manage project knowledge contemplates important ways of converting
knowledge, but there is no proposal to work with the issue of knowledge management in the
long term, focusing on the creation of a patrimony of knowledge of projects.
Keywords: project management. knowledge management. manage project knowledge.
PMBOK Guide. management of university libraries.
135

�Introdução
Gestão do conhecimento de projetos emerge como prática organizacional das
organizações que operam no contexto da Sociedade do Conhecimento. A gestão de projetos
pelo profissional da informação por meio das ferramentas da gestão do conhecimento visando
agregar conhecimentos e valor ao conhecimento organizacional é uma das vantagens
competitivas das unidades de informação e das organizações contemporâneas. Veemente que
o aspecto principal, neste contexto, é o conhecimento criado e agregado ao repositório de
conhecimentos da organização que é o patrimônio de conhecimentos organizacional.
Servindo-se da teoria de criação do conhecimento e suas práticas, para avaliar as melhores
práticas de gestão de projetos, forma-se uma descrição teórica basilar que serve de referência
para profissionais da informação na gestão de projetos. De acordo com a sexta edição do guia
A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK)

PMBOK Guide, que é

publicado pelo Project Management Institute (PMI), os projetos devem gerir os
conhecimentos do projeto para melhoria da integração do projeto. Portanto, este trabalho
analisa o processo de Gestão do Conhecimento do Projeto do Guia PMBOK, à luz das práticas
de gestão do conhecimento propostas pela literatura da área de ciência da informação. Pelo
desafio teórico deste trabalho, realizou-se uma pesquisa bibliográfica para revisão da
literatura pertinente aos temas, para que a análise qualitativa do conteúdo fosse viável
alcançar o objetivo proposto pelo trabalho. A problemática desta pesquisa questiona se: serão
as práticas de gestão do conhecimento apropriadas para a gestão do conhecimento do projeto?
Revisão de literatura
Breve Histórico da Gestão de Projetos
A história da gestão de projetos tem diversos pontos de vistas diferentes, existem
autores que defendem uma origem da gestão de projetos muito mais antiga que outros autores
que serão citados a seguir. Neste sentido, resumem Cleland e Ireland (2002) o surgimento da
gestão de projetos, no seguinte trecho:
As origens da gerência de projetos aparecem na antiguidade, representadas
nas relíquias dos períodos históricos. A gerência de projetos de hoje é vista
como um fato que já é realidade. Suas origens não são claras, mas os
resultados que tem produzido estão evidentes em projetos de construções
importantes, tais como as Grandes Pirâmides, rodovias e outras obras
antigas. Hoje, a evolução continua da gerência de projetos criou uma
filosofia distinta que se reflete na literatura da disciplina.

136

�A evolução histórica da abordagem por projetos é relativa à visão do autor, pois como
não há consenso científico, alguns defendem origens milenares e outros apenas traçam a
história mais recente. Especificamente, a questão de origem da gestão de projetos, depende do
ponto de vista do autor. Sobre estes pontos de vistas diferentes, é necessário apontar que este
fato não tem influência no desenvolvimento da gestão de projetos contemporânea.
Paulo Y. Sabbag trata a gestão de projetos como uma nova ciência, e não se preocupa
com a sua origem histórica, e sobre este aspecto Sabbag (2013) afirma que o gerenciamento
de projetos é uma ciência jovem, que na década de 1960 atuou forte na construção dos
megaprojetos e infraestrutura, na década de 1970 e 1980 invadiu as áreas das tecnologias da
informação, empresas de serviços de consultoria, ao final na década de 1990 trouxe maior
exigência de competitividade em toda a indústria. É importante destacar que o autor classifica
o gerenciamento de projetos por dois aspectos, primeiro o aspecto temporal iniciando-se na
década de 60, e avançando a cada década, faz uma classificação por tipo de aplicação da
gestão de projetos no mercado em que se desenvolveu a prática. Outro autor que classifica a
prática histórica da gestão de projetos em macro categorias e estabelece duas quebras de
paradigmas

uma em 1960 e outra em 1985

é Harold R. Kerzner, que da sua obra pode-se

interpretar grande parte da história da gestão de projetos. A metodologia de gestão de projetos
levou um longo tempo, pelo menos setenta anos, para se incorporar enquanto metodologia
formal. Sendo assim, a seguir abordam-se os conceitos de projeto que surgiram nestes
períodos supracitados, e os autores que formalizaram estes conceitos.
Conceitos de Projetos
Projetos são motivos de discussão por todos dentro das organizações, uma vez que os
projetos são sinônimos de atividades que serão realizadas no futuro. Sendo assim, sempre que
pessoas numa organização pensam em planejar algo, estas utilizam o termo projeto para
designar as atividades deste plano. Entretanto, é preciso entender que o termo projeto é
utilizado, muitas vezes, de maneira equivocada. Para esclarecer o que se entende enquanto um
projeto, levantou-se conceitos propostos por diversos autores, e que estão listados no quadro 1
a seguir:
Quadro 1

Ano

Autor

1951

Ralph Currier
Davis

Conceitos de Projeto

Conceito de projeto
definidos que representem valores específicos a serem usados
para satisfazer alguma necessidade ou desejo"

Fonte
Cleland e
Ireland, 2002

137

�1959

Paul Gaddis

atingir uma meta geralmente a conclusão bem-sucedida do
desenvolvimento de um produto no prazo, dentro do
orçamento e em conformidade com especificações de

Sabbag, 2013

1995

James P. Lewis

1) Um projeto é um trabalho feito uma vez;
2) Projetos visam resolver problemas
(tradução nossa)9.

Lewis, 1995

1995

J. M. Juran

Um projeto é um problema com solução agendada (tradução
nossa)10.

Lewis, 1995

1996

PMI - PMBOK

"Um esforço temporário incumbido de criar um único produto
ou serviço".

Meredith,
2013

1997

Antoni Cesar
Amaru
Maximiano

"Projeto é sequência de atividades programadas, com
compromisso de fornecer um resultado que produz mudança".

Maximiano,
2014

2000

Jack R. Meredith
e Sammuel J.
Mantel

"Um projeto é normalmente uma atividade periódica com um
conjunto bem-definido de almejados resultados finais. Ele
pode ser dividido em subtarefas que precisam ser realizadas a
fim de atingir as metas do projeto".

Meredith,
2013

David I. Cleland
e Lewis R.
Ireland

1) São empreendimentos com objetivo específico e ciclo de
vida definido. 2) São blocos de construção no desenho e na
execução de estratégias organizacionais. 3) São os precursores
de produtos, serviços e processos organizacionais novos e
aprimorados. 4) Fornecem uma filosofia e uma estratégia
quando se deseja fazer mudanças nas organizações.

Cleland e
Ireland, 2002

2002

2005

Ricardo Viana
Vargas

2011

Julie Carpenter

2013

PMI - PMBOK
5 ed.

"Projeto é um empreendimento não repetitivo, caracterizado
por uma sequëncia clara e lógica de eventos, com início, meio
e fim, que se destina a atingir um objetivo claro e definido,
sendo conduzido por pessoas dentro de parâmetros
predefinidos de tempo, custo, recursos envolvidos e
qualidade."
1) São temporários, e quando o trabalho estiver concluído, o
projeto está finalizado
e os recursos remanescentes podem ser dispersos. 2) São
únicos e têm definidos objetivos, metas e resultados. 3) Usam
recursos definidos e predeterminados para alcançar os
resultados necessários.

Paulo Yazigi
"Projetos são processos descontínuos de médio e longo
Sabbag
prazos, e que além de tudo são únicos e desafiadores (...)"
Fonte: Elaborada pelos autores, 2018.
2013

Vargas, 2005

Carpenter,
2011

PMI, 2013
Sabbag, 2013

Percebe-se que quase todos os conceitos apresentados acima têm em comum alguns
aspectos como: tempo, recursos, resultados, objetivos e esforços. Isso se deve ao fato de que,
um projeto, é basicamente a definição de um produto ou serviço (escopo) que vai consumir
um recurso (custo) predefinido em determinado tempo preestabelecido (prazo) para alcançar
resultados (objetivos) esperados. Naturalmente, durante as décadas de avanço conceitual e
9
10

138

�metodológico da gestão de projetos, as organizações também passaram por grandes mudanças
em sua estrutura organizacional para se adaptarem ao ambiente de negócios. 11
Gestão do conhecimento
A gestão do conhecimento como um processo organizacional, é praticada por meio de
atividades que promovam a cultura informacional e a comunicação informacional nas
organizações, propiciando um ambiente de aprendizagem e positivo em relação à criação12,
aquisição, compartilhamento ou socialização e uso de conhecimento. Além disso, contempla o
mapeamento dos fluxos informais da organização, com o objetivo de formalizá-los,
transformando o conhecimento gerado pelos indivíduos (tácito) em conhecimento
organizacional (explícito) (DAVENPORT; PRUSAK, 2003; TAKEUCHI; NONAKA, 2009;
VALENTIM, 2008). A literatura da área da ciência da informação declara uma gama de
atividades como sendo de gestão do conhecimento, e, portanto, pode-se elencar como sendo
as principais atividades de gestão do conhecimento: Mapear fluxos informais; Identificar
necessidades de conhecimento; Desenvolver a cultura organizacional que favoreça a
socialização do conhecimento; Proporcionar a comunicação informal de forma eficiente; Criar
mecanismos de captação e sistematização do conhecimento; Desenvolver e implantar sistema
visando o compartilhamento e uso do conhecimento (VALENTIM, 2008).
O mapa ou conjunto de processos de maior valor agregado da organização pode servir
de base para aplicação de atividades da gestão do conhecimento organizacional. Entretanto, as
atividades de gestão do conhecimento devem ter como objetivo a criação de conhecimento
novo, que é o princípio do ciclo de transformação do conhecimento. Nonaka e seus
colaboradores defendem que as empresas criam conhecimento organizacional praticando a
interação constante entre o conhecimento explícito e o tácito, por meio do processo chamado
de conversão do conhecimento, que é dividido em quatro modos de conversão (TAKEUCHI;
NONAKA, 2009). Os autores chamaram estes modos de socialização, externalização,
combinação e internalização. Todos esses modos de conversão formam um único processo
organizacional, que é chamado pelos autores de processo SECI. A seguir, o trabalho
demonstra algumas possiblidades profissionais e as qualidades atribuídas ao gestor de
projetos.
11

12

Hoje existem diversas formas de organização que fazem gestão de projetos em prática, como: Organização
Funcional ou Hierárquica, Organização Baseada em Projetos, a Organização Matricial e a Composta, e todas
estas influenciam o trabalho do gerente de projetos. A sexta edição do Guia PMBOK trata de todas elas no
segundo capítulo da primeira parte.
trabalho, optou-se no uso do

139

�Gestor de projetos
A gestão do projeto é de responsabilidade do gerente de projetos, que por exemplo tem
as funções de avaliar o impacto de cada ponto discutido com a equipe de projeto e as partes
interessadas, aprovar cada mudança solicitada, formalizar e comunicar cada finalização e
iniciação de nova fase do projeto, avaliar o desempenho do projeto, controlar prazo, escopo e
custo além de diversas outras funções. O gerente de projetos tem um papel único dentro dos
projetos, podendo este compartilhar suas responsabilidades com outros integrantes da equipe,
como o convir. O gestor de biblioteca universitária tem competências correlatas com a de
gestor de projetos, e se algumas atividades de gestão dos serviços de informação fossem
projetizadas os resultados obtidos melhorariam em termos de prazo, custo e escopo. A gestão
por processos é uma das competências do gestor de biblioteca universitária, sendo essa
competência primordial da gestão de projetos. Olhando para o futuro da biblioteca
universitária, pode-se dizer que a projetização de serviços de informação é inovação no gerir e
no fazer biblioteconomia, em termos de comunicação empresarial o bibliotecário passa a
dialogar com a área estratégica da instituição, que hoje tende a, cada vez mais, prever os
custos e investimentos.
Para as organizações, o papel do gerente de projetos tem diversas vantagens, além de
ser um ponto focal de responsabilidade na gestão de projetos, o gerente de projetos é um
facilitador da criação de conhecimento organizacional. O gerente de projetos pode fazer
atividades como captação, disseminação e promoção de conhecimentos criados em projetos, e
que podem agregar os conhecimentos organizacionais. Condensando a ideia do perfil de um
gerente de projetos, Carpenter (2011) diz que um bom gerente de projetos precisa de amplos
conhecimentos e outras habilidades que normalmente têm os gerentes de uma biblioteca,
museu ou organização de arquivo. Ademais, a autora lista diversos atributos desejáveis de
gestores de projetos, e dentre os atributos está a gestão do conhecimento como um dos
atributos profissionais, além disso, cita como atributo fundamental o conhecimento da
organização em que se trabalha e seu corpo diretivo (CARPENTER, 2011, tradução e grifo
nosso). Entretanto, há uma diferença crucial entre um gerente de projetos e um gestor de
biblioteca universitária que é um supervisor direto e técnico. Enquanto que o gerente de
projetos é um facilitador e integrador com conhecimentos das práticas de gestão de projetos.
Portanto, o gestor de biblioteca universitária deve expandir sua atuação para conseguir atender
esse novo perfil de gestão exigido pelas mudanças nas bibliotecas universitárias. Para que o
140

�gerente de projetos 13 consiga efetividade e eficácia nos resultados, alguns métodos precisam
ser aplicados ao seu trabalho de gestão para seleção e compilação das melhores práticas de
gestão de projetos. A seguir aborda-se as melhores práticas de gestão de projetos.
Melhores Práticas de Gestão de Projetos
As melhores práticas são aprendizados práticos, realizados ao longo do tempo, e que
deram resultados satisfatórios, quer dizer muitas práticas foram descontinuadas para que
restassem apenas as melhores. Neste sentido, é possível traçar na linha do tempo, o
desenvolvimento das melhores práticas da perspectiva dos setores, Kerzner (2017) estabelece
que de 1960 a 1985 foi na área aeroespacial, de defesa e de construção que se desenvolveram
as melhores práticas. No período de 1986 a 1993 desenvolveram-se entre os fornecedores do
setor automotivo, e de 1994 a 1999 no setor de telecomunicações. Já no século XXI, as
práticas se desenvolveram começando pela área de tecnologia da informação, depois na área
de assistência médica, em seguida na área de marketing e vendas e, de 2009 até o período
atual estão se desenvolvendo nas agências governamentais (KERZNER, 2017). As melhores
práticas são conhecimentos estruturados que provêm de diversas fontes, e são identificadas de
diferentes maneiras. Como a diversidade de fontes remetem a conhecimentos práticos e
teóricos de diferentes aplicações organizacionais, é necessário que se adote um padrão
metodológico. Para se ter uma ideia da diversidade de fontes, Kerzner (2017) elencou numa
lista as fontes para identificação de melhores práticas: Publicações do PMI; Áreas de
conhecimento do Guia PMBOK; Formulários, diretrizes, templates organizacionais; Unidades
de negócio; Seminários e simpósios de gestão de projetos; Teses de pós-graduação entre
outras.
Guia PMBOK
O Guia PMBOK está na sua sexta edição, que foi lançada em setembro de 2017, e
conta com mais de vinte anos de conhecimentos acumulados, pois sua primeira edição foi
publicada em 1996 pelo PMI. O Guia PMBOK, como citado anteriormente, agrega os
conhecimentos das melhores práticas de gerenciamento de projetos de diversas áreas do
conhecimento, além disso o guia é considerado uma norma para gerentes de projetos. A
respeito do Guia PMBOK

13

Para maior profundidade no tema do gerente de projetos enquanto profissional, sugere-se a consulta ao
Capítulo 3 da sexta edição do Guia PMBOK.

141

�O Guia PMBOK é composto de um grande número de conceitos, imensa quantidade de
processos, muitos diagramas, métodos e outras ferramentas prontas para aplicação. Além de
carregar grande número de exemplos práticos e modelos. Percebe-se que o guia carrega um
grande volume de informações e conhecimentos, justamente, por esse motivo, existe uma
metodologia de aplicação do guia na prática. Com relação a este aspecto, Gonçalves (2016, p.
tas
pelo PMI

-se compreender que o Guia é

uma proposta fundamental e estruturada.
O Guia PMBOK é atualizado temporariamente pelos membros do PMI, seguindo
sempre as novas técnicas, métodos e modelos que estão sendo colocados em prática no
gerenciamento de projetos nas organizações. No tocante à sexta edição do Guia PMBOK, é
preciso enfatizar que este guia é um marco para a área da biblioteconomia e ciência da
informação. Este guia traz três novos processos para o fluxo de processos de gerenciamento
de projetos, que são: Gestão do conhecimento do projeto; Implementação das respostas aos
riscos; Controle dos recursos.
A gestão do conhecimento do projeto, é o que gera um processo que promove
fortemente o uso dos métodos e práticas de gestão de conhecimento que são estudados e
aplicados pela ciência da informação. Por isso, a próxima seção irá tratar especificamente da
gestão do conhecimento enquanto base teórica, e a seguir trata deste novo processo de
gerenciamento de projetos.
Gestão do conhecimento do projeto
O novo processo agregado ao novo Guia PMBOK é um marco para a área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, pois trata-se de uma nova ferramenta de gestão que
os gerentes de projetos têm, e que abre a oportunidade do bibliotecário apoiar fortemente as
atividades projetizadas como as de pesquisa, por exemplo.
Segundo Kerzner (2017), cada uma das áreas do Guia PMBOK é uma fonte de
recomendação de melhores práticas. Sendo assim, a sexta edição lançada, criou um novo
execução do projeto, mas, também, recomenda que os gerentes de projetos se utilizem das
práticas de gestão do conhecimento. Ressalta-se que a integração do projeto é extremamente
importante, pois como foi citado anteriormente, o projeto é dividido em partes/fases e cada
parte/fase é composta por grupos de processos, o que gera uma quantidade muito grande de
dados, informações e conhecimentos para serem geridos. Um conceito que destaca a
142

�PMI, 2017). Neste sentido, a importância da biblioteca
universitária gerir o processo de gerenciamento da integração dos projetos de pesquisa da
instituição. Pela vista da perspectiva de integração, o guia criou o novo processo de gestão do
conhecimento, que têm diversos benefícios e objetivos.
O gerenciamento da integração do projeto envolve diversos objetivos, destaca-se a
criação e o uso do conhecimento
PMI, 2017, p. 72, grifo nosso). Há
grande vantagem do processo de gestão do conhecimento do projeto estar dentro da área de
integração, pois esta área permeia todas as fases, possibilitando que o conhecimento seja
captado no momento de ação. Assim pode-se fazer uma analogia direta da biblioteca
universitária sendo integrador de grandes projetos de pesquisa, por meio da gestão do
conhecimento desses projetos.
Metodologia
Com base na revisão de literatura elaborada sobre os temas de gestão do conhecimento
e as de gestão de projetos, desenvolveu-se uma análise qualitativa do conteúdo elaborado
sobre sexta edição do Guia PMBOK no processo de Gestão do Conhecimento de Projeto. A
seleção do instrumental metodológico levou em consideração, e está diretamente relacionada
com o problema desta pesquisa de caráter teórico e, portanto, fez um levantamento teórico dos
temas (MARCONI; LAKATOS, 2010). Sendo assim, tanto o método de pesquisa
bibliográfica aplicado à teoria e os modelos de gestão do conhecimento e aos conceitos de
gestão de projetos, quanto as técnicas de pesquisa para a revisão de literatura e formação de
um dossiê relevante dos assuntos, estão adequados ao problema desta pesquisa, como propõe
as autoras Marconi e Lakatos (2010). A documentação foi organizada por assunto, onde cada
documento recebeu o nome do autor do trabalho, facilitando a organização e sistematização
do conteúdo, que seguiu os seguintes passos: pesquisa, levantamento, leitura, fichamento e
sistematização de conteúdo por autor. Os procedimentos de execução da pesquisa
bibliográfica foram:
a) Coleta de dados: A etapa de coleta de dados da pesquisa foi caracterizada pela coleta
bibliográfica que se deu em fontes de informação encontradas nos catálogos de
bibliotecas universitárias e bases de dados de periódicos científicos. Os tipos
bibliográficos foram livros técnicos, teses de doutorado e artigos de periódicos
científicos.
143

�b) Análise de conteúdo: A análise dos conteúdos foi feita pela leitura integral ou parcial
das obras, na busca de informações relacionadas com as palavras-chave préestabelecidas pela pesquisa, que seguem: dado, informação, conhecimento, projetos,
gestão de conhecimento, gestão de projetos, criação de conhecimento, modos de
conversão do conhecimento, gestão da integração de projetos, organização projetizada,
sociedade do conhecimento e profissional da informação.
c) Elaboração dos dados (Seleção e Tabulação): Para a seleção dos dados lidos,
utilizou-se as palavras-chave selecionadas durante o fichamento de obra, e de posterior
agrupamento e classificação dos conteúdos. A tabulação aproveitou-se dos
agrupamentos formados para análise do conteúdo para a discussão.
d) Interpretação e representação dos dados: A interpretação elaborada seguiu à
construção de modelos e esquemas que representassem o entendimento do autor a fim
de alcançar os objetivos estabelecidos pelo trabalho na busca da aproximação teórica
entre a gestão do conhecimento e a gestão de projetos.
Resultados
O processo: Gerenciar o conhecimento do projeto
O principal processo e foco deste tópico do trabalho é o de gestão de conhecimento, de
que trata o novo Guia PMBOK sexta edição. Por isso, é necessário trazer o entendimento de
gestão do conhecimento para o guia. Segundo o PMI
Projeto é o processo de utilizar conhecimentos existentes e criar novos conhecimentos para
entanto, a perspectiva do processo do guia é específica, conforme é discutido na seção
seguinte.
Discussão
Esta seção traz, sobretudo, uma reflexão sobre o processo com uma perspectiva em
ciência da informação.
Os documentos de entrada servem ao processo de gerenciar o conhecimento do projeto
por dois aspectos. Primeiro aspecto, deve considerar os documentos em si, enquanto
conhecimentos explícitos. O motivo deste aspecto, é que a coleta de dados sugerida pelo guia,
prevê técnicas de coleta de dados de três tipos: Brainstorming, Grupos de discussão e
Entrevistas. O gerente de projetos que se utilizar destas técnicas propostas pelo Guia PMBOK,
pode considerar que está praticando iniciativas de gestão do conhecimento em grupos de
144

�processo das fases de iniciação e planejamento, afinal estas três técnicas podem ser
interpretadas da perspectiva da gestão do conhecimento, por meio dos modos de conversão do
conhecimento14, conforme apresenta o quadro 2 a seguir:
Quadro 2 - Correlação das técnicas do PMBOK com as práticas de gestão do conhecimento
Modos de conv. do
conhecimento

Tipo

Descrição do PMBOK (PMI, 2013)

1

Brainstorming

Esta técnica é usada para identificar uma lista de ideias em um
curto intervalo de tempo. É realizada em um ambiente de grupo e
liderada por um facilitador. O brainstorming é composto por duas
partes: geração e análise de ideias. O brainstorming pode ser usado
para coletar dados, soluções ou ideias de partes interessadas,
especialistas no assunto e membros da equipe no momento do
desenvolvimento do termo de abertura do projeto.

2

Grupos de
discussão

Grupos de discussão reúnem as partes interessadas e especialistas
no assunto para compartilhar informações sobre riscos percebidos
do projeto, critérios de sucesso e outros tópicos num formato mais
de conversa do que entrevista frente a frente.

&gt; Externalização
&gt; Combinação

Entrevistas

As entrevistas são usadas para obter informações sobre requisitos
de alto nível, premissas ou restrições, critérios de aprovação e
outras informações de partes interessadas conversando diretamente
com elas.

&gt; Socialização

3

&gt; Socialização
&gt; Externalização
&gt; Internalização

Fonte: Adaptado de PMI, 2013.
A técnica de Brainstorming pode ser considerada, pela perspectiva de gestão do
conhecimento, como sendo facilitadora de três modos de conversão. A Socialização devido o
compartilhamento de conhecimento tácito entre os indivíduos e o facilitador, e, também, o
modo de externalização
potencial de facilitar o modo da Internalização, devida interação com um facilitador que pode
compartilhar conteúdos de conhecimento explícito durante a interação das ideias. Os Grupos
de discussão, presumindo que sejam formados em formato de fóruns, podem ser considerados

acontece durante o fórum, enquanto conhecimento explícito, como resultado dos debates e
da equipe criam novos pontos de vista através do diálogo e da discussão. [...], integram suas
alto grau de interação de conhecimentos tácitos, são atividades promotoras do modo de
Socialização. Provavelmente, as Entrevistas têm o objetivo único de esclarecer pontos, e esta
14

2009.

-se consulta ao capítulo 3 de Takeuchi e Nonaka,

145

�interação gera o compartilhamento de perspectivas entre os indivíduos, possibilitando a
geração de novas perspectivas.
Além do aspecto comentado, um segundo aspecto dos documentos de entrada do
diagrama de fluxo, devem planejar a execução das atividades de gestão do conhecimento.
Neste ponto, sugere-se que primeiro se pensem nas atividades base da gestão do
conhecimento, conforme descritas na figura 2 que lista as atividades base da gestão do
conhecimento.
Ferramentas e Técnicas do Processo
O processo de gerenciar o conhecimento do projeto prevê diversas ferramentas e
técnicas que podem ser aplicadas para geração das saídas do processo. Sobretudo, este
processo trata de conhecimento, então deve-se ter mente que o conhecimento é
compartilhado, criado, disseminado e, então, quando registrado em forma de conhecimento
explícito, se torna um ativo organizacional nas saídas. Neste caso, o conhecimento explícito
gerado pelo projeto será incorporado como ativo organizacional e um conhecimento
organizacional, após o encerramento do projeto. A relação de técnicas e ferramentas, que o
Guia PMBOK propõe para o gerenciamento de projetos no processo de gestão do
conhecimento está relacionado a seguir no quadro 3.
Quadro 3 - Ferramentas e técnicas de gerenciar o conhecimento do projeto

1

2

Ferramentas /
Técnicas

Descrição do PMBOK
(PMI, 2013)

Opinião
Especializada

A expertise de indivíduos
ou grupos com
conhecimento ou
treinamento especializado.

Gerenciamento de
conhecimentos

Ferramentas e Técnicas de
gerenciamento de
conhecimento conectam
pessoas para que possam
trabalhar juntas e criar
novos conhecimentos,
compartilhar conhecimento
tácito e integrar o
conhecimento dos
membros diversificados da
equipe.

Aplicações do Guia PMBOK (PMI, 2013)
&gt; Gerenciamento de conhecimentos
&gt; Gerenciamento de informações
&gt; Aprendizagem organizacional
&gt; Ferramentas de gerenciamento de conhecimento e informações
&gt; Informações relevantes de outros projetos
&gt; Rede de relacionamentos (redes sociais online e interação
social informal)
&gt; Fóruns online (c/ perguntas abertas) de compartilhamento de
conhecimentos com especialistas;
&gt; Comunidades de prática e grupos de interesse especial;
&gt; Reuniões onde os participantes possam interagir usando
tecnologias de comunicações;
job shadowing
reverse shadowing
&gt; Fóruns de discussão (grupos de discussão);
&gt; Eventos de compartilhamento de conhecimento (seminários e
conferências);
&gt; Oficinas de resolução de problemas, revisões de aprendizagem
para identificar as lições aprendidas;
&gt; Narração de histórias;

146

�3

Gerenciamento de
informações

Ferramentas e técnicas de
gerenciamento de
informações são usadas
para criar e conectar
pessoas às informações.

Fonte: Adaptado de PMI, 2017.

&gt; Técnicas de gerenciamento de criatividade e ideias;
&gt; Feiras e cafés de conhecimentos;
&gt; Treinamento com interação entre os alunos.
&gt; Métodos de codificação do conhecimento explícito.
&gt; Registro das lições aprendidas.
&gt; Serviços de biblioteca.
&gt; Coleta de informações (pesquisas na web, leitura de artigos
publicados).
&gt; Sistema de informações de gerenciamento de projetos (SIGP).

O trabalho com o conhecimento deve ser feito por um profissional especializado,
como por exemplo os profissionais da informação que estudam gestão da informação e do
15

, Davenport e Prusak (2003, p. 34)

podem tornar-

-se entender o profissional

bibliotecário como profissional da informação, pois no período mais recente a formação em
biblioteconomia está relacionada diretamente à ciência da informação, fazendo uso de suas
técnicas, métodos e de todo o arcabouço teórico da ciência da informação. Ainda relacionado
à atividade do profissional que trabalha com o conhecimento, e a importância da atividade
deste, os autores afirmam que:
Os novos cargos do conhecimento mais curiosos são, porém, os de integrador,
bibliotecário, sintetizador, repórter e editor do conhecimento. Sejamos honestos:
poucos são os funcionários capazes de esquematizar e estruturar o próprio
conhecimento, e menos ainda os que têm tempo disponível para colocar esse
conhecimento num sistema (DAVENPORT; PRUSAK, 2003, p. 132).

Trabalhar com o conhecimento não é simplesmente, criar conhecimento novo e
registra-lo. Há necessidade de uso deste conhecimento pelos indivíduos da organização, por
isso, as organizações precisam de profissionais que saibam captar o conhecimento, armazenálo e disseminá-lo para os interessados da organização. Neste sentido Mattera (2014, p. 210)
necessária uma gestão dos resultados dessas práticas [de
gestão do conhecimento], na forma de bancos de conhecimentos e/ou registros, o que torna
seja recuperado por quem o procura, é preciso que ele esteja estruturado e contextualizado
dentro de um repositório do conhecimento.

15

Davenport e Prusak, 2003.

izado, se faz necessária uma consulta ao capítulo 2 de

147

�Com relação às habilidades do profissional do conhecimento são necessárias algumas
como por exemplo: conhecimento técnico estruturado, qualificações técnicas e experiências
no trabalho com a informação. Além disso, o profissional do conhecimento deve ter
habilidades interpessoais e de equipe como: escuta ativa, facilitação, liderança, rede de
relacionamentos e consciência política (PMI, 2017).
Considerações Finais
Conclui-se que a gestão do conhecimento deve ser preocupação de todos na empresa,
não somente do gerente de projetos, mas não se pode negar que é papel primordial do gerente
de projetos facilitar os processos de criação do conhecimento organizacional. Entretanto, este
papel exige do gerente de projetos o entendimento e a aplicação prática dos modos de
conversão do conhecimento, formando um processo contínuo de interação entre
conhecimentos tácitos e explícitos dos integrantes da equipe de projetos e das partes
interessadas pelo processo SECI.
Sendo assim, pode-se afirmar que este trabalho demonstra, pelo menos teoricamente,
pela análise e discussão sobre o processo de Gestão do Conhecimento do Projeto, que as
práticas de gestão do conhecimento são apropriadas para a gestão do conhecimento do
projeto. Neste sentido, para se compreender o valor real da gestão do conhecimento no dia a
dia dos gerentes de projetos, é necessário aprofundar no estudo das comunicações entre a
equipe de projetos e as partes interessadas, pois essas comunicações são frequentes e fontes de
captação de conhecimento organizacional, que podem gerar ricos repositórios de
conhecimento de projetos. Muitas vezes essas comunicações são utilizadas apenas para
atender necessidades das partes interessadas, podendo ser aproveitadas como fontes geradoras
de informações semânticas estratégicas para os projetos futuros.
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with government and other external partners. Oxford: Chandos, 2011. 207 p. Disponível em:
&lt;https://www.researchgate.net/file.PostFileLoader.html?id=56973e8160614b54288b4567&amp;as
setKey=AS:317681222258688@1452752513438&gt;. Acesso em: 13 jan. 2017.
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em resultados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 396 p.
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competitivos. 6. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2005. 250 p.
149

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Tema: O Futuro da Biblioteca Universitária na Perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>As ferramentas da gestão do conhecimento são vistas em consonância com as ferramentas de gestão de projetos em Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®) sexta edição. O objetivo principal é analisar o processo de Gestão do Conhecimento do Projeto do Guia PMBOK, à luz das práticas de gestão do conhecimento propostas pela literatura da área de ciência da informação. Aplicando-se a pesquisa bibliográfica com uso da técnica de revisão de literatura, a partir de livros e artigos especializados de autores de referência internacional, onde avaliou-se o diálogo interdisciplinar dos pioneiros de cada área temática. Optou-se pela sexta edição do Guia PMBOK como objeto da análise de correlação em relação a teoria de gestão do conhecimento. Conclui-se que o processo de gerenciar o conhecimento do projeto contempla importantes modos de conversão do conhecimento, porém não há proposta de trabalho com a questão da gestão de conhecimento no longo prazo, com foco na criação de um patrimônio de conhecimentos de projetos.</text>
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