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                  <text>O DESENVOLVIMENTO DE COMPETENCIAS DOS BIBLIOTECÁRIOS E A
IMPLANTAÇÃO DE TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS

Angela Sikorski Santos∗

RESUMO
O trabalho identifica as competências necessárias tendo em vista a implantação de
tecnologias de informação em bibliotecas universitárias e as competências
desenvolvidas pelos bibliotecários. Para tanto, foi realizado um estudo descritivo, em
que se buscou estabelecer relações entre o marco teórico do trabalho e a realidade
das bibliotecas pesquisadas. Trata-se de um estudo de multicasos, cuja população
compreende as bibliotecárias de três universidades localizadas no Estado de Santa
Catarina, sendo uma estadual e duas particulares. O instrumento de pesquisa
utilizado foi um roteiro de entrevista. A abordagem metodológica usada para análise
e interpretação dos dados foi qualitativa. Os resultados da pesquisa evidenciaram
que as novas tecnologias de informação agilizaram o trabalho do bibliotecário e com
isso houve um maior desenvolvimento de suas competências. O planejamento prévio
para a implantação da nova tecnologia, foi um fator muito relevante para que não
houvesse resistências. Os pontos positivos apontados pelas entrevistadas
sobrepõem os pontos negativos.
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologias de informação. Competências. Bibliotecários.

1 INTRODUÇÃO
A competição entre as instituições tem levado a mudanças que surpreendem a
todos. Hoje, os gestores que pensarem em uma instituição estática estarão fadados
ao fracasso. Com o processo de globalização dos mercados, a competitividade entre
organizações tornou-se uma das máximas no mundo dos negócios. As Bibliotecas,
de modo especial aquelas localizadas nas Instituições de Ensino Superior, precisam
estar atentas a essas mudanças para não deixarem seus usuários sem informações
e não ficarem desatualizadas, tanto em termos de acervo como de tecnologias de
acesso à informação.

�Em busca da competitividade as Bibliotecas têm tentado, dentro do possível,
adaptar-se às novas exigências em termos de atendimento eficiente ao cliente
mediante a introdução de processos organizacionais e de inovações tecnológicas,
sem perder de vista os seus objetivos específicos.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A fundamentação teórico-empírica abrange os temas que serviram de base
para o estudo da inovação tecnológica e competências. Em seguida, são abordados
os principais conceitos de competências e por último são analisadas as Bibliotecas
Universitárias que compões a amostra da presente pesquisa.

2.1 MUDANÇA ORGANIZACIONAL
A inovação e a mudança vêm sendo cada vez mais exigidas dos
colaboradores das organizações. Essas rápidas e constantes alterações fazem com
que as organizações criem novos produtos, serviços e processos; e para predominar,
elas precisam adotar a inovação como modo de vida corporativo (TUSHMANN e
NADLER, 1997).
Para Zabot e Silva (2002, p. 58), “a mudança tecnológica tem forte impacto
psicológico e sociológico, pois obriga as empresas a pensar novas maneiras de
gerenciamento e novos padrões de trabalho, eficiência e produtividade”.
Implantar inovações tecnológicas nas organizações implica custos, pois requer
aquisição e instalação de novos recursos ou adaptação daqueles já existentes.
Considera-se que, num ambiente altamente competitivo, a interação com as
inovações tecnológicas possa produzir os benefícios esperados. Dessa forma, a
tecnologia da informação é cada vez mais comum, desempenhando vários papéis na
execução das estratégias organizacionais.

�2.2 INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
Nesse cenário competitivo onde estão inseridas as organizações, vem-se
exigindo rápidas e contínuas adaptações tecnológicas, o que obriga as organizações
a pensar em novas maneiras de gerenciamento, padrões de eficiência e
produtividade (ANTONIALLI, 1996). Quando se desenvolve a interação entre
tecnologias e organização, inevitavelmente acontecerão fenômenos de reação,
adaptação e ajustamento.
Autores como Galbraith (1997), divergem sobre a questão de inovação, e faz
uma breve distinção entre invenção e inovação. Invenção é a criação de uma idéia
nova e inovação é o processo de aplicação dessa idéia nova para criar um outro
produto ou processo novo.
Para Rodriguez e Ferrante (1995), Tecnologia da Informação – TI é aquela
que compreende todos os recursos tecnológicos para armazenar, tratar, recuperar e
disseminar as informações para a sociedade. Na opinião de Davenport (1994), a TI
começou a modificar radicalmente o trabalho, pois facilitou a localização, a rápida
recuperação, a boa qualidade e outras características. Com os computadores
apressou-se o ritmo do trabalho, e ao mesmo tempo, reduziu-se a necessidade da
mão-de-obra.

2.3 UNIVERSIDADES
O termo universidade está ligado a muito outros como: cultura, ciência, ensino
superior, pesquisa, autonomia entre outros. Para Luckesi et al. (1991), na
Antigüidade Clássica, no Ocidente, principalmente na Grécia e em Roma, já se tinha
escolas tidas como de alto nível para formar especialistas de classificação refinada
em medicina, filosofia, retórica e direito.

�No final da Idade Média nasce propriamente a universidade, identificando-se
com sua sociedade e sua cultura e com uma efetiva elaboração do pensamento
medieval (LUCKESI et al., 1991). O conceito de universidade torna-se, então,
inconsistente com a realidade. A universidade existente não acompanha o espírito
difundido pela Renascença e pela Reforma.
Segundo Ribeiro (1975), a universidade brasileira tem se limitado a ser um
órgão de repetição e difusão do saber elaborado em outras realidades e pouco tem
contribuído para uma integração nacional. Assim, as instituições educacionais, mais
do que prestar serviços diretos devem criar condições e potencializar a atividade de
todos os agentes de serviço da comunidade, pois o conhecimento é seu objetivo
básico.

2.3.1 Um Breve Histórico sobre as Bibliotecas

O termo Biblioteca é originário do latim biblium, que significa livro e teca,
significa caixa. Assim, a biblioteca funciona como um elo de ligação entre o universo
da produção intelectual e as necessidades de seus usuários (VOLPATO, 2002).
O valor da informação na ciência da informação, surgiu na década de 80. No
início, relacionado ao estudo de avaliação e depois abordando custos e eficácia de
serviços, seguindo-se para a discussão sobre o valor da informação para o usuário e
a produtividade no trabalho.
Houve tempos em que as Bibliotecas não passavam de um depósito de livros.
No século XVI, as Bibliotecas de todo mundo já haviam alcançado períodos de
esplendor, tanto na Antigüidade como na Idade Média e no Renascimento. Esse
conceito permaneceu até meados do século XVII, onde as Bibliotecas só recebiam
uma minoria de usuários.

�Segundo Rowley (1994), a informática modificou a forma como se organizam
e administram as Bibliotecas e demais centros de informação que se dedicam às
atividades de processamento, recuperação e disseminação da informação.
Enfim, para Carvalho e Kaniski (2000) as Bibliotecas saíram ou devem sair, da
postura de armazenadoras de informações para assumir uma postura mais centrada
no processo de comunicação. Isso envolve o compartilhamento de recursos
informacionais, o trabalho em rede minimizando erros e eliminando barreiras.

2.3.2 Tecnologia da Informação em Bibliotecas
Diversos avanços tecnológicos têm produzido um grande impacto nas
organizações, exigindo uma completa alteração na forma de agir diante desta nova
realidade. Para McGee e Prusak (1994), com a economia da informação, a
concorrência entre as organizações baseia-se em sua capacidade de adquirir, tratar,
interpretar, utilizar e disseminar a informação de forma eficaz. A informação é
matéria-prima para qualquer negócio ou atividade.
As Bibliotecas sofreram, através dos tempos, várias mudanças em seus
objetivos, pois todas as atividades básicas como a aquisição e a seleção de
materiais, processamento técnico, circulação e referência objetivam em comunicar o
conhecimento.
Dessa maneira, os Bibliotecários têm que estar atentos aos aspectos de
normalização e compatibilidade dos equipamentos, pois são de vital importância.
Para Zabot e Silva (2002), a tecnologia da informação não diz respeito somente a
equipamentos físicos, mas também ao conjunto de conhecimentos, técnicas e
culturas dentro da organização.
Segundo Rodriguez e Ferrante (1995), a implantação e o uso correto de uma
tecnologia

da

informação

melhorará

a

competitividade

da

organização

e

�principalmente suas áreas afins. Sendo assim, um contexto competitivo que faz uso
da tecnologia da informação para promover maior agilidade e flexibilidade,
determinam mudanças radicais no conceito de Bibliotecas, exigindo de seus
profissionais mais competências.

2.4 COMPETÊNCIAS
Os estudos relacionados com competências passaram a influenciar trabalhos
de gestão, com forte tendência na área de gestão de pessoas e na área de
tecnologia da informação. Neste sentido, em decorrência de pressões sociais e da
complexidade nas relações de trabalho, não somente as questões técnicas passam a
ser mais valorizadas, mas também as comportamentais.
Para Resende (2003), competência é a transformação de conhecimentos,
aptidões, habilidades, interesse, vontade, entre outros, em resultados práticos.
Competência é, portanto, resultante da combinação de conhecimentos com
comportamentos. Conhecimentos que incluem formação, treinamento, experiência
autodesenvolvimento, comportamento, habilidades, interesse e vontade.
Neste sentido, para desempenhar todos os seus papéis, o Bibliotecário
precisa, além de desenvolver competências, desenvolver também um conjunto de
habilidades. Para Coopers e Lybrand (1997), habilidade é a capacidade de realizar
uma tarefa ou um conjunto de tarefas em conformidade com determinados padrões
que a organização exige. Com essa nova realidade, os profissionais precisam se
conscientizar da importância e da necessidade de estarem sempre se atualizando e
ampliando suas competências e habilidades. Devido à demanda de competências,
os profissionais precisam desenvolver a capacidade de aprender a ser flexíveis e
adaptativos, a fim de estarem preparados para as novas etapas que vêm surgindo no
desenvolvimento de suas atividades.

�3 METODOLOGIA

A pesquisa caracteriza-se como estudo de casos do tipo descritivo. Bruyne et
al. (1982) salientam que os estudos de múltiplos casos em organizações formais, por
meio de pesquisas não comparativas, tendem a recorrer a formas integradas de
coleta e análise de dados e informações.
Quanto a sua natureza, a pesquisa fará uso de aspectos da abordagem
qualitativa, que, para Minayo (2000), objetiva uma compreensão mais profunda dos
fenômenos sociais, trabalhando-se com o universo de significados, motivos, crenças,
valores e atitudes.
O objetivo básico deste estudo foi de investigar qual a relação que se
estabelece entre as competências desenvolvidas pelos Bibliotecários e a
implantação de tecnologias da informação em Bibliotecas universitárias. As
perguntas que permearam o questionamento central são as seguintes:
a) Como ocorreu a implantação de novas tecnologias utilizadas pela
Biblioteca?
b) Quais as competências exigidas dos Bibliotecários e a coerência com os
avanços tecnológicos referentes às informações?
c) Quais os principais aspectos positivos e negativos vivenciados durante
esse período?
Qual a matriz necessária para os Bibliotecários nesse novo contexto?
O universo da pesquisa de campo foi as Bibliotecas Universitárias, sendo
assim, foram pesquisadas as Bibliotecárias de sete Bibliotecas de três universidades,
sendo uma estadual e duas particulares. A seleção das sete Bibliotecas
Universitárias deu-se pelo fato de que as mesmas utilizam o programa Pergamum e
iniciaram seu processo de implantação no ano de 2002.

�4 CARACTERIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS

As informações que constam nesta parte foram coletadas de relatórios,
estatutos e home page de cada Biblioteca. As Bibliotecas 1 e 3 são particulares e a
Biblioteca 2 é estadual.
Biblioteca 1 - A Biblioteca Acadêmica é um órgão que está diretamente ligado
à Reitoria e deverá manter o controle e a organização de todo o acervo da
Fundação. Criada em 1973, a Biblioteca comporta além da área destinada ao acervo
e ao espaço para consulta, ambiente para leitura de jornais, revistas, videoteca e
mapoteca.
O acervo atual é de 24.978 livros, 16 periódicos gerais e 87 periódicos
especializados. A consulta ao acervo da Biblioteca é disponibilizada aos alunos,
professores, funcionários e comunidade em geral. Para a realização do empréstimo,
faz-se necessária inscrição, sendo que o direito ao empréstimo restringe-se aos
alunos regularmente matriculados em todos os níveis de ensino, funcionários e
professores da instituição.
Biblioteca 2 - A Biblioteca Universitária - BU é considerada órgão
suplementar vinculada à Pró-Reitoria de Ensino. Foi implementada em 20 de junho
de 1984, pela Resolução nº 001/84 do CONSEPE, com o objetivo de fornecer
suporte informacional aos programas de ensino, pesquisa e extensão para a
UDESC. A Biblioteca Universitária é composta por um Núcleo Central localizado no
prédio da Reitoria e por 6 (seis) Bibliotecas Setoriais, quais sejam: FAED, ESAG,
CEART, CEFID em Florianópolis, CAV em Lages e FEJ em Joinville, sendo que a
Biblioteca de Lages não fez parte deste estudo. Seu objetivo é coletar, organizar e
disseminar a informação, auxiliando alunos, professores, funcionários e o público em
geral no desenvolvimento de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Biblioteca 3 - Em 4 de setembro de 1969, com o objetivo de atender a
comunidade acadêmica do curso de Economia da Fundação Joinvilense de Ensino –

�FUNDAGE – junto ao Colégio Marista foi inaugurada a Biblioteca Cel. Alire Borges
Carneiro (escolhido este como patrono, por ter sido o fundador da primeira Biblioteca
de Joinville). Em 1970 essa Biblioteca passa a funcionar junto ao Colégio Santos
Anjos, atendendo também os acadêmicos da Faculdade de Ciências Econômicas e
Escola Superior de Educação Física e Desportos. Em 1975, com as obras do
campus universitário concluídas, todas as unidades da então Fundação Universitária
do Norte Catarinense – FUNC – foram concentradas neste espaço, inclusive, a
Biblioteca Cel. Alire Borges Carneiro, onde está até hoje.

4.1 CATEGORIAS DE ANÁLISE

Com base no roteiro de entrevistas e nos conteúdos coletados junto aos
sujeitos da pesquisa, estabeleceram-se as seguintes categorias de análise:

1. Mudança e novas tecnologias;
2. Implantação do novo sistema de informação;
3. Significado de competência;
4. Competências importantes no desenvolvimento das atividades;
5. Meios de desenvolver competências;
6. Auto-avaliação das competências no processo de trabalho;
7. Política de desenvolvimento institucional em relação às competências de suas
Bibliotecárias;
8. Sugestões de melhoria da matriz existente.

4.2 SÍNTESE DAS CATEGORIAS DE ANÁLISE

1. Mudança e novas tecnologiasGrandes mudanças decorrentes da passagem de um
processo de trabalho manuall para o informatizado;

�Preparação prévia foi determinante para que o impacto não fosse tão grande;
2 entrevistadas estavam mais preparadas para as mudanças por serem formadas há
pouco tempo.

2. Implantação do novo sistema de informaçãoAceitação da implantação do novo
sistema de informação;
Levantamento de softwares;
PERGAMUM;
1 Bibliotecária não fez parte da implantação do novo sistema de informação.

3. Significado de competênciaSaber trabalhar;Desempenhar um objetivo e chegar
nesse

objetivo;Ter

um

conjunto

de

habilidades,

aptidões,

atitudes

comportamentos;Saber realizar seu trabalho com seriedade;Trabalhar em equipe;Ser
dinâmica;Ter equilíbrio emocional;Ter conhecimento para se colocar em prática tudo
o que se sabe com eficiência e eficácia.

4. Competências importantes no desenvolvimento das atividadesTrabalho em
equipe;
Atualização constante;
Raciocínio rápido;
Capacidade de resolver problemas;
Flexibilidade;
Tolerância;
Liderança.

5. Meios de desenvolver competências
Cursos;
Palestras/seminários;
Congressos;
Trabalho em equipe;

�Educação continuada;
Leitura;
Troca de experiências;
Treinamentos;
Cursos em outras áreas do conhecimento;
Reuniões;
Listas de discussões;
Capacitação profissional;
Experiência do dia-a-dia.

6. Auto-avaliação das competências no processo de trabalhoA maioria das
entrevistadas concordam que possuem as competências necessárias para
desenvolverem suas atividades;A outra pequena parte argumenta que deveriam
aperfeiçoá-las, ficam na dúvida se realmente possuem ou não essas competências
necessárias.

7. Política de desenvolvimento institucional em relação às competências de suas
Bibliotecárias
Todas as entrevistadas argumentaram que as instituições não se preocupam com o
desenvolvimento de suas competências.

8. Sugestões de melhoria da matriz existenteInsatisfação em relação a matriz
existente; Falta do profissional Bibliotecário em Bibliotecas Universitárias;
Reconhecimento da profissão.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa teve como objetivo geral a identificação das competências
desenvolvidas pelos Bibliotecários tendo em vista a implantação de tecnologias de
informação em Bibliotecas Universitárias.

�Foram feitas questões de pesquisa a respeito da introdução das tecnologias e
sobre a demanda de competências que estão sendo exigidas dos Bibliotecários.
Procurando responder a estas perguntas foram realizadas entrevistas semiestruturadas com doze Bibliotecárias de três universidades, sendo uma estadual e
duas particulares, totalizando sete Bibliotecas.
Os relatos das entrevistas apontam para a validade do conceito de
competência definido por Resende (2003), pois, para as Bibliotecárias entrevistadas,
competência significa você saber, saber trabalhar, traçar um objetivo e desempenhar
bem as funções para alcançar determinado objetivo, ter um conjunto de habilidades,
aptidões, atitudes e comportamentos. Saber realizar seu trabalho com seriedade,
trabalhar em equipe, ser dinâmica, ter equilíbrio emocional, enfim ter conhecimento
para colocar em prática tudo o que se sabe com eficiência e eficácia, também fazem
parte da conceituação das entrevistadas.
Dessa maneira, confirmou-se que, para a maior parte das entrevistadas, a
introdução de uma tecnologia trouxe grandes mudanças, pois houve a alteração de
um processo de trabalho manual para o informatizado. As mesmas entrevistadas
avaliam que a preparação prévia foi determinante para que o impacto não fosse tão
grande. Das três Universidades pesquisadas, sendo uma estadual e duas
particulares, as mesmas estando em cidades diferentes, não se observou diferença
no modo de implantação do novo sistema de informação.
Um fator que foi bastante comentado na universidade estadual, já que na
particular não houve questionamentos a esse respeito, foi à falta de Bibliotecários
nas Bibliotecas Universitárias da instituição. Observou-se também que as
Bibliotecárias da universidade estadual recebem maior apoio por parte de seus
dirigentes para participarem de eventos. De um modo geral, as universidades, tanto
as particulares como a estadual, estão preocupadas em implantar sistemas de
informação para melhor atender seus usuários e para atingir um nível de
competência e qualidade nunca antes alcançados, e que agora estão sendo exigidos
pelos novos tempos.

�Verificando-se as respostas das entrevistadas, percebe-se que as instituições
não se preocupam em fazer uma avaliação das competências que seus
Bibliotecários estão desempenhando para alcançar seus objetivos. Entretanto, uma
questão que também foi muito identificada nas sete Bibliotecas pesquisadas, foi o
não reconhecimento do profissional Bibliotecário, fator esse que contribui muito para
a matriz de competências existentes.
Em decorrência do que foi apresentado até aqui, torna-se possível responder
ao primeiro objetivo de pesquisa - descrever a implantação de novas tecnologias
utilizadas pelas Bibliotecas. Observou-se que a maioria das entrevistadas aceitou
a idéia da implantação de um novo sistema, devido ao detalhado planejamento e
levantamento de softwares, associados ao levantamento dos pontos positivos e
negativos. Após avaliações e discussões, o Pergamum foi escolhido pelas sete
Bibliotecas das três universidades selecionadas, por atender às necessidades diárias
de uma Biblioteca. As profissionais entrevistadas avaliam que fizeram parte de todo o
processo de decisão da adoção do novo sistema e por isso não tiveram maiores
problemas. Das doze Bibliotecárias, apenas uma não fez parte da implantação do
novo sistema de informação, pois quando foi contratada para trabalhar, o sistema já
estava em fase de implantação.
Com relação ao segundo objetivo da pesquisa - identificar as competências
coerentes com os avanços tecnológicos referentes a informações, constatou-se
que, comumente, as entrevistadas identificam as seguintes competências coerentes
com os avanços tecnológicos: trabalho em equipe, atualização constante, a busca
por coisas novas, raciocínio rápido, capacidade de resolver problemas, agilidade,
flexibilidade, tolerância e saber gerenciar. As mesmas argumentam que a liderança é
uma competência que também deve ser muito bem desenvolvida pelo grupo. Tais
competências vão ao encontro do exposto na literatura pesquisada, pois
competência

significa

você

saber-fazer,

capacidades em resultados práticos.

aplicando

seus

conhecimentos

e

�Com relação ao terceiro objetivo da pesquisa - descrever os principais
aspectos positivos e negativos vivenciados durante esse período, verifica-se
que, para a maioria das entrevistadas, só existem pontos positivos, pois a agilidade e
a rapidez desse novo sistema fez com que o usuário obtivesse a informação de
forma muito mais rápida. Também é possível gerar relatórios de empréstimos,
estatísticas, débitos, materiais novos, livros, periódicos, tudo que antes não era
possível com o outro sistema. O outro fator que foi relativamente importante com a
aquisição desse novo sistema foi a informatização do empréstimo, pois antes ele era
todo manual. A agilidade na consulta de materiais também foi bastante citada. Como
ponto negativo, as entrevistadas avaliaram que esse novo sistema não é tão
completo como o VTLS. O VTLS possui mais recursos informacionais que o
Pergamum, só que ele é todo em inglês e muito lento. Das sete Bibliotecas
pesquisadas, cinco utilizavam o VTLS anteriormente.
Por fim o quarto objetivo da pesquisa - identificar a matriz necessária para
os Bibliotecários nesse novo contexto. Conforme a grande maioria das
entrevistadas, o perfil da matriz desejada mudou, pois muitas competências estão
sendo exigidas do novo profissional. A principal mudança foi o uso do computador,
das novas tecnologias. Muitas estão tendo que se adaptar a elas. Outro fator
importante é a versatilidade, pois a Bibliotecária tem que estar sempre se
atualizando, indo em busca de novas informações, não pode ficar parada no tempo.
Dessa maneira, ela tem que armazenar as informações de modo que o seu
usuário a encontre. A atualização profissional é uma das competências essências
nesse novo contexto. Apenas uma entrevistada argumentou que o perfil não mudou,
pois muita coisa que é escrita ou falada, não é colocada em prática. Ela destaca que
“conhecimento sem ação nada vale”.
De acordo com os posicionamentos das outras respostas e com a bibliografia
consultada, observa-se que esse questionamento encontra pouco respaldo, pois com
as mudanças que estão acontecendo tão rapidamente, com certeza, a matriz
desejada está sendo modificada para atender às necessidades existentes.

�REFERÊNCIAS

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∗

Bibliotecária do Centro Universitário de Brusque – Unifebe. Rua: Durval Luz, s/n – Bairro: Santa
Terezinha – Brusque-SC – CEP: 88352-400 - Brasil. E-mail: angelas@unifebe.edu.br

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>O desenvolvimento de competências dos bibliotecários e a implantação de tecnologias da informação em bibliotecas universitárias.(Pôster)</text>
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              <text>O trabalho identifica as competências necessárias tendo em vista a implantação de tecnologias de informação em bibliotecas universitárias e as competências desenvolvidas pelos bibliotecários. Para tanto, foi realizado um estudo descritivo, em que se buscou estabelecer relações entre o marco teórico do trabalho e a realidade das bibliotecas pesquisadas. Trata-se de um estudo de multicasos, cuja população compreende as bibliotecárias de três universidades localizadas no Estado de Santa Catarina, sendo uma estadual e duas particulares. O instrumento de pesquisa utilizado foi um roteiro de entrevista. A abordagem metodológica usada para análise e interpretação dos dados foi qualitativa. Os resultados da pesquisa evidenciaram que as novas tecnologias de informação agilizaram o trabalho do bibliotecário e com isso houve um maior desenvolvimento de suas competências. O planejamento prévio para a implantação da nova tecnologia, foi um fator muito relevante para que não houvesse resistências. Os pontos positivos apontados pelas entrevistadas sobrepõem os pontos negativos.</text>
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