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                  <text>GESTÃO DE PESSOAS NA PERCEPÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO: UMA
ABORDAGEM SOB O ASPECTO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS*
Teresinha Teterycz**

RESUMO

Este estudo insere-se no tema gestão de pessoas, que vem merecendo crescente
atenção na área de administração de pessoal. Primeiramente pela necessidade da
valorização do profissional não só pela técnica mas como pessoa. E em segundo
lugar, pelas condições que o desenvolvimento
do trabalho em equipes
interdisciplinares proporciona para a vantagem competitiva, alcance de metas e
objetivos. Diante deste contexto, a presente pesquisa teve como foco principal a
gestão de pessoas na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações
interpessoais. O campo de pesquisa do presente estudo foram bibliotecas
universitárias na cidade de Curitiba/Pr. Os resultados obtidos revelam que nas
bibliotecas pesquisadas não há programas de gestão de pessoas claramente
definidos e que os bibliotecários pesquisados são unânimes em concordarem com
a importância do relacionamento interpessoal na gestão de pessoas. Constatou-se
também, que não há aplicação de programas de capacitação para tal em suas
equipes de trabalho. Finalizando, faz-se as considerações finais sobre os
resultados da pesquisa. A questão final é, se para todos os seres humanos, seja
na vida pessoal ou profissional entender de relações humanas para relacionar-se
bem é imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de
gestão de pessoas?
PALAVRAS-CHAVE: Gestão de pessoas. Relacionamento interpessoal.
Biblioteca Universitária. Melhoria e qualidade dos serviços.

_______
* Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para o Curso de Pós-Graduação em Gestão de
Bibliotecas, 2005 (UDESC).
** Bibliotecária, Especialista em Gestão da Informação e Inovações Tecnológicas(FESPPR);
Metodologia do Ensino Superior (Dom Bosco).; Gestão em Bibliotecas (UDESC). Mestranda em
Educação (PUCPR). E-mail: teterycz@yahoo.com.br, biblioteca@facel.com.br. Faculdade de
Administração, Ciências, Educação e Letras – FACEL, Rua Vicente Machado, 156 – Curitiba –
Paraná – Brasil.

�2
INTRODUÇÃO
Este estudo refere-se ao tema gestão de pessoas, que vem merecendo
crescente atenção na teoria de administração de pessoal, seja do ponto de vista
dos autores ou de observação empírica dos administradores: o capital humano
nas organizações, no trabalho em equipes interdisciplinares e principalmente no
relacionamento interpessoal que em virtude da necessidade de valorização do
profissional não só pela técnica, mas como pessoa, e também, pelas condições
que o desenvolvimento do trabalho em equipes interdisciplinares proporciona para
a vantagem competitiva, alcance de metas e objetivos finais.
Na sociedade contemporânea a informação e o conhecimento são
fundamentais e decisivos para a competitividade das organizações. E para
atender às exigências dessa sociedade, faz-se necessário a produção constante
de tecnologias, metodologias, sistemas organizacionais, entre outros, provocando
com isso uma explosão de novos conhecimentos, conseqüentemente, o aumento
do número de publicações em seus variados suportes tais como impresso, online,
digital, e outros que virão. Isso leva as bibliotecas a evoluírem e tornarem-se
organizações complexas divididas em departamento e /ou setores, gerando várias
equipes de trabalho, o que conseqüentemente requer

sincronia entre os

departamentos/setores para que se chegue ao objetivo final, que é a organização
e a disseminação da informação.
Devido a essas constantes transformações,
paradigmas e o papel do

mudam também, os

profissional bibliotecário que atua em bibliotecas

universitárias, onde a preocupação e o interesse antes focados no livro/documento
são deslocados para

a informação tão procurada para a geração de novos

conhecimentos e a competitividade organizacional, econômica e social. Assim
sendo, o profissional bibliotecário passa a exercer a função de administrador e
gestor de serviços, pessoas, conhecimento, pesquisa, entre outras.
Neste estudo, a função que é enfocada é a de gestor de pessoas que
vai desde a coordenação à liderança, à motivação e o trabalho em equipe até a

�3
capacitação de recursos humanos, já que a gestão de pessoas eficaz no mundo
contemporâneo é um grande desafio para os profissionais bibliotecários que têm
enfrentado problemas principalmente no que se refere a solução de conflitos nas
questões de relacionamento interpessoal.
De acordo com a Fundação Instituto de Terras de São Paulo (2004),
As organizações e pessoas constituem a base fundamental na qual
funciona a gestão de pessoas. Gerir pessoas é um dos maiores
desafios, pois significa, administrar as pessoas que fazem parte de uma
organização, fazer de cada pessoa verdadeiro gestor de suas atividades
dentro da organização, em qualquer nível em que esteja ou em qualquer
atividade que executar.

O que demanda capacidade de aprender, de mudar paradigmas, de gerenciar
diversidades, complexidades e ambigüidades, pois uma organização é um
conjunto de forças e habilidades individuais.
A gênese do presente estudo surgiu das experiências advindas da
atuação e das observações empíricas no contexto das bibliotecas universitárias,
onde existe um grande número de bibliotecários que exercem a função de
gestores de pessoas, seja na administração geral ou na administração de setores
e/ou seções, que não estão preparados por motivos, às vezes, curriculares dos
cursos de biblioteconomia ou por falta de preparação do próprio profissional , para
o exercício da função de gestor de pessoas, principalmente no que se refere ao
relacionamento interpessoal.
Diante deste contexto a questão investigada foi: a gestão de pessoas
na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações interpessoais, tendo
como objetivos: 1) identificar as formas de ação utilizadas pelos gestores no
desenvolvimento de gestão de pessoas em seus setores e/ou departamentos; 2)
conhecer o “olhar” dos bibliotecários, como gestores de pessoas, a respeito de
relacionamento interpessoal; 3) realizar um estudo descritivo do desenvolvimento
de gestão de pessoas nas Bibliotecas Universitárias.

�4
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Inicialmente, é importante ressaltar que neste trabalho por se tratar da
síntese de um estudo de pesquisa, não serão abordadas de forma aprofundada
as teorias administrativas/organizacionais face a extensão do assunto, dando
prioridade ao tema gestão de pessoas e as relações humanas nas organizações.
Organizações e gestão de pessoas
Ao

longo

dos

séculos

as

teorias

administrativas

diante

das

transformações contínuas e a crescente competitividade desenvolveram-se com
enfoques diferenciados para atender às necessidades das organizações e todas
foram passos importantes para a busca de uma teoria administrativa adequada.
São variados e divergentes os conceitos de organização que
encontramos. Alguns definem organização por sua estrutura, outros por
componentes, pelas relações existentes e ainda, pelo tipo de serviços prestados
ou produtos oferecidos, abordando desde aspectos técnicos, sociais, psicológicos
e humanos. De acordo com os referidos conceitos, as organizações possuem três
características comuns: a) têm metas distintas, b) são compostas por pessoas, c)
desenvolvem uma estrutura sistêmica, que define papéis formais e limita o
comportamento de seus integrantes, fortalecendo a divergência não somente nas
questões técnicas e administrativas, mas também nas concepções do homem e
da sociedade.
As grandes mudanças, tanto nas relações de trabalho, como no
processo tecnológico tornam os recursos humanos fator determinante em
qualquer organização, pois fazem parte dos ativos que formam o valor de uma
empresa que
capaz de

visando a competitividade,

busca um novo tipo de trabalhador

ter atitudes de forma mais elaborada e intelectualizada, isto é: as

organizações buscam e necessitam não só de profissionais estritamente técnicos,
mas

pessoas

voltadas

para

processos

de

interpretação,

elaboração

e

transformação. Ao invés de uma especialização mais rígida busca-se maior

�5
flexibilidade, controle emocional, raciocínio lógico, capacidade de sensibilidade,
de adaptação, de aprendizado, de comunicação, de trabalho em equipe, de
tomada de decisão e, principalmente a capacidade de relacionamento interpessoal
de lidar com conflito, na área pessoal e/ou profissional.
É por isso, que a gestão de pessoas tem sido uma das principais
estratégias e,

vista como responsável pela excelência das organizações bem

sucedidas, pois são os chamados capitais intangíveis -

pessoas, que

impulsionam a inovação das organizações. São as pessoas que produzem,
servem o cliente, vendem, tomam decisões, lideram, motivam, supervisionam,
gerenciam e ajudam a trabalhar os conflitos e a pluralidade.
Para Chiavenato (1999, p.7), “a gestão de pessoas se baseia em três
aspectos fundamentais: as pessoas como seres humanos, as pessoas como
ativadores inteligentes de recursos organizacionais e as pessoas como parceiros
da organização.”
Portanto,

o gestor de pessoas, seja de uma organização como um

todo ou de um departamento, passa a ser um agente de transformações e
mudanças constantes para a obtenção da chamada “melhoria contínua” com sua
equipe.
Como mencionado anteriormente, as pessoas são o principal diferencial
competitivo das organizações, pois elas constituem a essência do patrimônio
intangível. Portanto, para uma organização ser bem sucedida ela necessita de
pessoas preparadas profissional e emocionalmente; empreendedoras, ágeis, e
dispostas a assumir riscos, pois são elas que produzem e prestam serviços.
Muitas organizações e/ou departamentos preocupam-se em treinar
funcionários

em

suas

respectivas

funções

técnicas,

sem

o

devido

comprometimentonão estando devidamente comprometidos e satisfação destes,
que possuem sentimentos, aspirações e ideais, muitas vezes não iguais aos da

�6
organização na qual atuam. Estas posturas costumam dificultar o desenvolvimento
organizacional.
Os processos de desenvolvimento de pessoas estão intimamente
relacionados com a educação. Educar significa extrair, trazer, arrancar.
Em outros termos representa a necessidade de trazer de dentro do ser
humano para fora dele as suas potencialidades. (CHIAVENATO, 1999,
p.290).

As relações humanas e a organização
Para que uma organização funcione de forma eficaz e obtenha maior
produtividade, não basta organizar as pessoas com funções similares sob uma
mesma chefia, delimitando suas tarefas e responsabilidades. É preciso levar em
consideração as relações interpessoais que constituem o sistema vital de uma
organização. A estrutura formal ou administrativa e a informal ou de relações
humanas, por meio da interação entre si criam o padrão real do relacionamento
humano nas organizações, proporcionando um ambiente de trabalho mais
humano apto a satisfazer as necessidades profissionais de ordem individual em
relação ao trabalho, associando assim, satisfação e produtividade.
Segundo Dejours citado por Aguiar (2002, p. 160),

Existe um elo entre os elementos qualidade, segurança, saúde e o
prazer [ satisfação] no trabalho que são indissociáveis. A segurança
depende da boa vontade dos funcionários que vão se interessar
individualmente e coletivamente para garantir o bom funcionamento da
organização. A administração tem a responsabilidade social de manter o
espaço público para que os funcionários, gerentes e executivos possam
se “confrontar” e assim garantir a segurança da organização e o
equilíbrio da sociedade como um todo.

Sem dúvida, o desenvolvimento científico e tecnológico tem trazido uma
série de benefícios para as organizações e para a sociedade como um todo. Mas
trouxe também, a desumanização do trabalho. Preocupadas em buscar maior

�7
competitividade, as organizações muitas vezes não percebem a necessidade
pessoal de seus funcionários que são seres únicos e com emoções e aspirações
diferenciadas, deixando de levar em consideração o indivíduo com suas
características peculiares de personalidade, individualidade, aspirações, valores,
atitudes, crenças, conhecimentos e competências

necessários para o

desenvolvimento de seu trabalho na organização da qual faz parte.
De acordo com Chiavenato (1994), o comportamento humano em uma
organização é complexo e depende de fatores internos (capacidade de
aprendizagem,

aspirações,

frustrações

valores,

crenças,

motivações,

competências, objetivos e perspectivas, conhecimento e emoções) e externos
(expectativas e pressões superiores, mudanças organizacionais, sistemas
pessoais, fatores sócias, políticas organizacionais, coesão grupal, entre outros),
onde a interação e a influência entre esses fatores direcionam o comportamento
do indivíduo em seu ambiente de trabalho.
Para Moscovici (2002, p. 47),
o comportamento humano não é programável atrelado a um modelo
teórico. As variáveis em questão são pessoas vivas, complexas, que
manifestam atitudes, sentimentos, experiências, competências e
motivações variadas individualmente (...) O relacionamento interpessoal
entre líder e os membros do grupo é um dos fatores mais relevantes na
facilitação ou obstância de um clima de confiança, respeito e afeto que
possibilite relações de harmonia e cooperação, determinando as
verdadeiras possibilidades de trabalho conjuntivo produtivo.

A autora enfatiza ainda “que as relações interpessoais no grupo são
tão ou mais importantes do que a qualificação individual para as tarefas”. Para
alcançar seus objetivos, ter sucesso e vencer a competitividade, as organizações
dependem das pessoas. Por isso, precisam conciliar os interesses da organização
com

os

interesses

individuais

de

seus

funcionários,

primando

pelo

comportamento humano e o relacionamento interpessoal entre funcionário e
líderes, entre equipes e entre a organização como um todo.

�8
Auto-conhecimento e Relacionamento interpessoal
Em toda a existência da humanidade em meio a fatores como:
mudanças sociais, tecnológicas, políticas, econômicas e culturais, que de forma
imprevisível atuam uns sobre os outros, o homem evoluiu pela sua ânsia da
descoberta do novo, de conquistas, vitórias e fracassos.
Em seus diferentes níveis de transformações, estes fatores afetam o
indivíduo que se depara com uma série de pressões e problemas, o que exige
cada vez mais a interação humana e a busca pela motivação para a realização
pessoal e profissional.
Com a acelerada revolução tecnológica e com a chamada globalização,
a reestruturação organizacional, a redução nos postos de trabalho e a
competitividade acabaram por reduzir as relações cordiais entre as pessoas. As
organizações têm buscado profissionais que além de suas qualificações técnicas,
tenham domínio emocional e capacidade de relacionamento interpessoal, pois em
nosso ambiente de trabalho compartilhamos não só atividades, mas interações e
sentimento – comunicação, cooperação, respeito e amizade. Dessa forma, as
pessoas precisam conhecer-se cada vez mais para desenvolver sua auto-estima,
redescobrir a emoção no trabalho e conquistar seu espaço profissional e pessoal,
trabalhar com o plural e o conflito.
No decorrer de suas vidas as pessoas adquirem padrões socioculturais e passam a escutar o que a sociedade determina, não dando atenção a
seus próprios desejos e anseios. Agindo desta forma, acabam por silenciar seus
desejos temendo pressões, determinações e medos impostos pela sociedade e
até pelas pessoas com quem convivem. Muitas vezes não entendem o que as leva
a determinadas reações e atitudes. O auto-conhecimento é imprescindível, pois
leva o indivíduo a conhecer seus valores, sentimentos e referenciais, permitindo à
pessoa

descobrir-se, ou seja, saber

quem é e, o que quer. Portanto, é

fundamental conhecer o próprio potencial e as próprias limitações para o bom
desempenho nos aspectos pessoais e profissionais.

�9
Para termos uma convivência harmoniosa em uma sociedade
precisamos considerar e respeitar as individualidades de cada pessoa que como
vimos anteriormente, são determinadas pelos fatores genéticos, psicológicos e
socioculturais.

A forma como lidamos com essas diferenças individuais

determinam o clima entre as pessoas, que conseqüentemente, tem forte influência
sobre o grupo e o ambiente de trabalho, principalmente no que se refere aos
processos

de

comunicação,

relacionamento

interpessoal,

comportamento

organizacional e produtividade.
O comportamento humano é norteado por objetivos, ou seja, motivado
por algum desejo em atingir determinada meta. Os integrantes de um grupo
profissional, diferem não só na sua capacidade, mas também em sua motivação,
que podem ser definidos como necessidades, aspirações ou desejos interiores.
Assim também é o processo, inerente ao desenvolvimento profissional e sua
conseqüente transferência para a produção em seu ambiente de trabalho.
PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Ressalta-se que a intenção deste trabalho foi fazer um estudo descritivo
buscando a descrição e interpretação do tema estudado com a finalidade de
alcançar maior compreensão a partir das opiniões formuladas sem a intenção de
intervir no trabalho da gestão das bibliotecas pesquisadas.
A pesquisa foi realizada durante a segunda quinzena de maio de 2005.
O universo escolhido para a pesquisa de campo foi três bibliotecas universitárias,
onde foram pesquisados 13 profissionais bibliotecários, abrangendo 100% dos
questionários distribuídos. O critério para a escolha das instituições foi aleatório,
considerando-se também, a facilidade de acesso às mesmas. Os participantes da
pesquisa foram selecionados, em função dos cargos que ocupam, pois, são
gestores de pessoas em seu ambiente de trabalho.
Não foi objetivo deste trabalho, a aplicação direta de qualquer técnica
ou alternativa no que tange a gestão de pessoas, mais especificamente no que se

�10
refere a

relacionamento interpessoal, pois trata-se de um estudo restrito a

profissionais bibliotecários da região de Curitiba, e por as opiniões reproduzirem
as percepções particulares de cada um segundo as condições de cada instituição,
na qual está inserido.
ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS DADOS
É importante salientar que na interpretação dos dados foram
considerados os dados da pesquisa, associando-os aos principais conceitos do
referencial teórico sobre o tema.
Para alcançar uma boa compreensão do estudo, apresentam-se no
quadro abaixo a contextualização das instituições e dos profissionais pesquisados.

Item Pesquisado
1) Faixa etária (em anos)
1) Formação Profissional
Graduação
Pós-Graduação
2) Recebem capacitação
profissional
3) Oferecem benefícios aos
funcionários que gerenciam
4) A Instituição possui planos de
cargos e salários

Resultados obtidos
25 e 35
36 e 45
46 e 55
46%
31%
23%
Ano de formação (décadas)
70
33,3 %

80
16,7%
Sim
55,8 %
Sim

90
41,7%

100 %
Sim

2000
8,3%

Não
46,2 %
Não
_
Não

53,8 %
Sim

46,2 %
Não

34 %

66 %

Quadro 1 – Contextualização das Instituições e dos Profissionais Pesquisados

Respondendo o objetivo 1, quanto as formas de ações utilizadas para
o desenvolvimento de gestão de pessoas em seu setor/biblioteca, observou-se

�11
que as mesmas são variadas, mesmo em casos de bibliotecários que atuam em
uma mesma instituição.
Entre as ações citadas as mais utilizadas pelos gestores pesquisados
são reuniões em grupo e individuais, tendo outras como, rotatividade de setores,
lista de discussão, divulgação de mensagens de reconhecimento e metas
atingidas e comunicação.
Vale ressaltar, que apesar de 100% dos pesquisados responderem que
recebem

capacitação

profissional

e,

de

sua

importância,

a

capacitação/treinamento dos funcionários que integram suas equipes,

foi

mencionado apenas por um gestor pesquisado. Observa-se também, no resultado
do presente questionamento, que questões indispensáveis para a gestão de
pessoas, principalmente para o relacionamento interpessoal como: capacitação
em

auto-conhecimento

e

relações

humanas,

não

foram

mencionadas.

Subentende-se que não são utilizadas pelos gestores pesquisados.
O fator auto-conhecimento não teve referência. Talvez poucos saibam o
seu significado ou por ser tão inerente nas relações humanas que não é
necessário explicitá-lo. É importante lembrar que o auto-conhecimento é a base
para o bom relacionamento interpessoal e necessita fazer parte da gestão de
pessoas.
Segundo MAGALHÃES (2005),
Saber cultivar boas relações é uma exigência do dia-a-dia, tanto para as
pessoas como para as organizações e a estrutura do bom
relacionamento com o outro é o fruto do diálogo interno, da capacidade
de entendermos nossas próprias emoções e inquietações, descobrindo
quem realmente somos e o que desejamos. Portanto, se não somos
bem resolvidos, não nos conhecemos, não sabemos nossos limites e
medos, com certeza vamos transferir isso para os outros dificultando a
convivência.

�12
Quanto mais conscientes de suas necessidades, de seus conflitos, de
seus limites e de suas potencialidades, maiores são as chances de bons
relacionamentos.
O objetivo 2, que é o foco principal deste estudo, os pesquisados são
unânimes em suas opiniões quanto a importância do relacionamento interpessoal
na gestão de pessoas.
Em resposta ao objetivo 3 do presente estudo, conclui-se, que não
existem programas claramente definidos para a gestão de pessoas nas bibliotecas
universitárias pesquisadas. Observou-se casos de gestores que atuam em uma
mesma biblioteca mas que têm uma visão diferenciada do que seja gestão de
pessoas, demonstrando pouco conhecimento sobre o assunto. Verificou-se
também que todos os pesquisados foram unânimes na questão da importância do
relacionamento interpessoal na gestão de pessoas, porém na pesquisa não foi
feita nenhuma menção quanto a capacitação para o desenvolvimento das relações
humanas em suas equipes de trabalho.
Como já foi mencionado na análise dos dados, questões indispensáveis
para o relacionamento interpessoal como: capacitação em auto-conhecimento e
relações humanas não foram mencionadas pelos pesquisados, o que leva ao subentendimento de que não é aplicada pelos gestores pesquisados.
Segundo Galli (2001), o auto-conhecimento é sem dúvida a chave da
liberdade e a base da competência profissional. É através dele, que todo indivíduo
pode entender seu universo cognitivo, e com isso, avaliar seu comportamento,
seus condicionamentos, suas percepções. Ainda segundo a autora, “conhecendo
seus próprios sentimentos como motivação para melhor compreender os outros,
desenvolverá

um

bom

relacionamento

interpessoal

e

conseqüentemente

capacidade para discernir e responder adequada e criativamente na relação com o
público interno e externo de uma organização (p. 147).”

�13
Os cursos / treinamentos que as organizações geralmente oferecem
aos seus funcionários estão voltados para objetivos específicos como crescimento
e aprimoramento profissional, produtividade, entre outros, visando sempre o lucro.
O renomado filósofo Sócrates,

há muito tempo nos mostra

com sua frase

consagrada “conhece-te a ti mesmo” a importância da auto-análise de valores,
habilidades, defeitos, limitações, potencialidades, crenças, virtudes, etc. Portanto
não é somente através de inúmeros diplomas acadêmicos que se consegue
entender os caminhos

sensíveis que levam a motivação humana e ao bom

relacionamento, seja, pessoal ou profissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão de pessoas é uma das áreas que tem passado por grandes
mudanças nos últimos tempos devido a uma série de transformações que vêm
ocorrendo e que influem de maneira profunda nas organizações, na sociedade e
na vida profissional e social das pessoas. Uma das grandes mudanças é a busca
das empresas por um novo perfil profissional. Nessa nova “Era” o sucesso
profissional já não depende somente da formação técnica, racional, como quando
o trabalho era baseado na produção, propriamente dita. Atualmente estamos na
“Era” da prestação de serviços. Portanto, exige-se cada vez mais, profissionais
que tenham a capacidade do bom relacionamento com o ser humano, pois, a
forma de mecanização da produção dá lugar à percepção das necessidades
individuais das pessoas, onde o grande diferencial é a valorização dos aspectos
humanos. Vista desta forma, a produtividade tende a aumentar quando se busca
atender as motivações inerentes à personalidade de cada indivíduo.
Atualmente tem se rediscutido o trabalho enquanto valor fundamental,
obrigação e fonte de satisfação pessoal, pois é o trabalho que situa o indivíduo na
sociedade. E é através das experiências da vida ativa que são construídas a
identidade e a personalidade de cada um.
De acordo com a revisão teórica e experiências empíricas, muitas
organizações falham por não trabalhar adequadamente os fatores humanos, e por

�14
considerarem a produtividade somente em termos de produção e lucratividade,
esquecendo-se do fator relacionamento humano. Outro aspecto a ser considerado
é que o comportamento dos colaboradores é diretamente influenciado pela forma
como os seus gestores os vêem, o que reafirma a importância do relacionamento
entre gestor e equipe.
Convém relembrar, que para relacionar-se bem com outras pessoas, o
indivíduo necessita ter conhecimento de pessoas e para ter o referido
conhecimento o fator principal é o auto-conhecimento - consciência de quem é,
do que deseja para sua vida, saber quais são os seus valores, acreditar em si,
conhecer suas emoções e reações.
Conhecer a si mesmo é o pré-requisito crucial para o bom
relacionamento. Nossos valores internos, nos quais acreditamos é que
determinam a forma como lidamos com outras pessoas. Para que possamos ter
um relacionamento sadio precisamos procurar ver o outro como pessoa com suas
qualidades, defeitos, crenças, e também, estar livres de preconceitos e opiniões
preconcebidas a respeitos dos outros.
O’DONELL (2002), apresenta uma dinâmica chamada por ele de
“dinâmica do poder”, que é muito útil e auxilia para a melhoria gradual de nossos
relacionamentos profissionais e conseqüentemente, nossos relacionamentos
pessoais. A dinâmica apresenta-se em nove passos:
1.º Prestar atenção; 2.º Aceitar as pessoas como elas são; 3.º Tolerar;
4.º Adaptar-se a novas situações; 5.º Discernir, avaliar os fatos; 6.º Decidir-se por
um caminho a ser seguido;

7.º Assumir as

Cooperar e fazer parte de uma equipe;

responsabilidades cabíveis;

8.º

9.º Retornar ao estado de prestar

atenção.
Finalizando, espera-se ter contribuído para uma melhor e mais ampla
compreensão do tema proposto,

despertando nos gestores de pessoas, a

importância da valorização do trabalhador como ser humano, e do relacionamento

�15
interpessoal, para o desenvolvimento produtivo e satisfatório do seu trabalho, pois
são as características individuais de cada pessoa aliadas ao contexto do ambiente
de trabalho que determinam o entusiasmo para a execução de suas tarefas com
eficácia e eficiência.
A questão final é:

se para todos os seres humanos, seja na vida

pessoal ou profissional, entender de relações humanas para relacionar-se bem, é
imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de gestão
de pessoas?

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2002.
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MAGALHÃES, I. Relações saudáveis. Disponível em:
&lt;http://www.noolhar.com/opovo/coluna/vidasaudavel/466344.html&gt; Acesso em:
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O’DONELL, K. A alma do negócio: para uma gestão positiva. 4.ed. São Paulo:
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Acesso livre à informação científica e bibliotecas universitárias.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Este estudo insere-se no tema gestão de pessoas, que vem merecendo crescente atenção na área de administração de pessoal. Primeiramente pela necessidade da valorização do profissional não só pela técnica mas como pessoa. E em segundo lugar, pelas condições que o desenvolvimento do trabalho em equipes interdisciplinares proporciona para a vantagem competitiva, alcance de metas e objetivos. Diante deste contexto, a presente pesquisa teve como foco principal a gestão de pessoas na percepção do bibliotecário sob o aspecto das relações interpessoais. O campo de pesquisa do presente estudo foram bibliotecas universitárias na cidade de Curitiba/Pr. Os resultados obtidos revelam que nas bibliotecas pesquisadas não há programas de gestão de pessoas claramente definidos e que os bibliotecários pesquisados são unânimes em concordarem com  importância do relacionamento interpessoal na gestão de pessoas. Constatou-se também, que não há aplicação de programas de capacitação para tal em suas equipes de trabalho. Finalizando, faz-se as considerações finais sobre os resultados da pesquisa. A questão final é, se para todos os seres humanos, seja na vida pessoal ou profissional entender de relações humanas para relacionar-se bem é imprescindível, o que dizer sobre os profissionais que ocupam cargos de gestão de pessoas? </text>
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