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��TERCEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCm.IENTAÇÃO

O bibliotecário:

este desconhecido

por
Nice Menezes de Figueiredo

\j &gt; l'iy

Curitiba
1961

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&gt; •}
TEMA III - PROFISSjto DE BIBIJOTECARIO D0CU}i™TfltT.T3T&amp;

•; &gt;

0 bibiiotecírio i este desconhecido
POR
NICE ÍÍEIÍEZES DE figueiredo

sinopse
Tratamos nesta conamicação, da generalidade do desconhecimento do
que seja a profissão de bibliotecário, e dos problemas advindos deste desconhecimento,
Achamos sumamente oportima esta ocasião em que se resolve de maneira mais positiva a elevaçao da carreira de bibliotecário a nivel superior, de se
ß
«1^
#
tratar também da difusão do conhecimento do que seja a profissão de bibliotecário,
*
t
*
E e necessário fazer chegar este conhseimento tanto aà leitor
A
#
a quem vamos servir, afim de que ele saiba como lhe poderemos ser úteis, como, e principalmente, as autoridades constituídas, pois sem o apoio das mesmas, nosso eerviço nao
pode ser realizado de maoeira satisfatória.

�o BTBUOTBCÁRíC s 3?TE Diü^COMaCiDÜ

ü pr-opoKi-to desta coimmí.oagao ' iipresentar ume ser.l3 ae fatorf, eii grande
parte conhecidos por uurltos blbi:.ot'e5ca.riO£i ^ o as censeqtionoias de],es acb^iraas
■V
do iiTTia despretensiosa conxrd.bxilgao, baseada em nossa expc-rfencaa pf^sscaif

orazen

Tratamos neste, ooiiTunicacao, da generalidade do íief.ícori;aecl??ient,o do que se
Ja a profissão de bib.liotecariOj e dos p'."oblei!:as advindos desue aesconheclnientot.
Iniciai eraos ^ citando a,'? pa.la\'ras de uc dos naa.oj-es vx:ltofi do nov^so século - o Papa Pio Xll - ditas &amp;■: 1951j, quando por e].e forarj recebidos os congressistas
que pai-ticiparam do Congresso ':5indiai de Documentação, rea.li2.ado en lior-a;
se pense, só oor me nomento, nas »jcasperadoraa perdas de teripo,
na fadii;ja ener'jante e evtei-11 dum cientistaj, duin escritor, diiGi conferen—
mé
A
cista, duifl horaem de açao, obrigadoele proprio«, a ^cagar'*- os documentos,
reunir, copiar, ordenar^

aeu material sempre muito inconpleto,

e, as ve^jes, i?:uito pouco exatOc™.-.
**Vos vos preocupastes cojn esta Ô^íiculdade e e paj:*a resolve-la que

se

aplicarn vossos Institutos j, vossas fsderfagoes j, vossos cántros e vosso pre
sente congresso^ Essa or^ani^iaçao e, na sua unidade, diaxiia complexidade
assustadora,, Sla supõe ^ sempre era colaboragao, ja se ve., eit ligaçao per
manente e estreita -- us ^'-oficios^ cs riais diversos, dos quais vosso prof
^
V
^
A
»«í
grama da utra idéia gi.imariao Pesquisa; colecionajnento, as «.'•ezes traduções
r
f
de documentos
analise duT nuaero incalculável de livros, revistas e pr
nals - transcrição e reprodução, graças aos processos moderno.'-:; de copí.as
/
*■
**,
F
-v
sm numero suficientey que, as vezes, a multo brande *- ciassificaçao de
peças, de restuJios, d.e fichas - Índices remissivos e referencias múltiplas
- postas ao alcance dos quíí precisam? e se a tudo isso acrescentassemüjs
a complacência de gui3.r, muitas vezes j orientar ou aconselhar os pesquisadores, esse ccn;-unto de coisas nao daria senão um breve resvimo da vastidão, mas tamban da uti.lidade inestíJTiavel da tarefa por vos assumida.. c"
Ci^ioaremos, agora ^ out.ra ob.3e:r/ar"ao di^na, ds notaj. proferida fjor urn cientista - a quem o bibliotecário esta intir-amente ligado er^i seu trabalho: Kadaiiia Curie,
que ja em 19^22, como merioro da Comissão Inte-macá-onal. de Cooperaçao Intelectual, nome
ada pelo Conselírio da Sociedade das Nações, entre out-ros nones ilustx-es, -=? fig'urando
ainda como vice--presideate desta Gomissão e fazendo parte do Instituto de Cooperaçao
Intelectual de Paris, afirmava ssr necessário iniciar a a»,'* luta com o que (ela) cha
ma de anarquia do traba]h.o cientifico no m?andGc.
Naquela época a Insigne sabia antevia a neceSBidade in.adiavel da organisagao intema™
V
f
^
P
icional dos se.n/igosj, os quais sonente o bibliotecaxdo-, pela sua formação zecrScB.^ e
capai de realiaaro
.»
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Atualmente, nos paises europeus e na America do Norte, js existe uüia con
•M
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cepçao bíistante clara do quo seja uraa biblioteca e sua imensa utilidade como veiculo
A
/
A.
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J*
de cultura» Naqueles paises cs bibliotecários tem uma posição a aJtura do seia cabedal
de conhecimentos e sac

cm

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-onf""! "^dcc postoe ciia\'es em jjT]port.antissiraas orgsnie.açoee

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�- 2 de pesquisas técnicas e cientificas« Por ocasiao da 26a , Gorifi;:!

jer-ril da FID, rea

lizada em julho de i960 no Rio de Janeiro, tivei^os prova disto, qusaido asolheiúos biblio
tecários ilustres que ocupam importantes posições eii sev-s países de origem..
No Brasil, entretanto, tal não acontecoi con raT'issiKas eroepgceso Os bibliotecarios brasileiros ainda sao consideradd;; meraiaonte como fiircionarios comuns,
dos quais não se conhece nem a formação, nem as atribuições esp&amp;oi-icas da profissão.
.•A
r
f
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Acreditamos que, entre nos, somente os proprics Ijíbliotecarios e que saM
■**
^
A
bem o que sao, o que representam e valem numa sociedade.' sao os únicos a terem ciência
das atribuições especificas de suas funções e das; responsabilidadsíJ de sua posição;
sao os únicos, ainda, a saberem quais os conhecimentos, aptidoe^í, 3, finaLnente, quais
diplomas possuem^
A
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E este desconhecimento tem sido sempre uci prcbleTiía. para o bibliotecário
.V.
^
^
no àeâempenho de suas atividades, pois se a função primordial ão bioliotecario e a de
'A
»
A
servir aqueles que procuram a biblioteca, como execu.tar bem este idsterj so aqueles
que a procuram desconhecem o que lhe pode ser oferecido, e por quem?
E se este fator tem se consti.tuido eix seiio problema naß relações com o
ÍV
consulente, maior se torna nas relações do bibliotecário com seu anbiente de trabalho,
pelas dificuldades que acarreta nas relações com os sTiperiores diretos, que na maioria
das vezes "não entendem bem'' as atribuições do bibDJ.otecfirj o j bíítc. tem conh.ecirnento dos
M
A
serviços executados na secçao por ele dirigida.
Citamos como único exemplo, que julgamos ser suficien~e;, tal a t-ua sá^^nificação, do que semelhante desconhecimento acarreta em preji:.if5o de toda a classes
Quando se tratou, nos altos orgaos competentes, frise-se, da reclassificação dos cargos do funcionalismo publico do Estado de Si-.o Paulo, a profi.s.^ao de bibliotecário foi
classificada entre aquelas de "Cultura e Ação '-'oci.al''^ Hart quíaiido foi d8.da a referencia para a função, surgiu a prova do desconiiecimcnto da profissão, poi&amp; o bibliotecairio foi diminuido em seu valor, e uma função pi.irgmente intelectual foi equiparada a ai
tras braçais e manuais, como a de alfaiate è a de eletrotsciiicc (nao engenlieiro),
Achamos sumamente oportuna esta ocasi ac;, am qae se resolve de maneira
M
*
*
mais positiva a elevaçao da carreira de bibliotecário a nivel superior, de se tratar
também da difusão do conhecimento do que seja a profissão da oibljotecarioc É nossa
teoria que jamâis conseguiremos tal pretensão na pratica, isto ó, poderoro.s ter nossa
carreira elevada a nivel superior, mas não seremos contiecidos corao portadores de diplo
mas universitários, se nao cuidarmos ao mesmo tempo, de tornar coruiecida a profissão
P
A
de bibliotecário, em todos os seus ângulos de atividadesr
P
A
Enquanto o bibliotecário for tido como ^'guardador de livros"' e "confeccio
nador de fichinhhaö'jl, enquanto julgarem o bibliotecário apena,R como i.ri^ pessoa cuja
função e a de entregar as obras ao consulente, jaanais teremos o rGoonhecimento da importancia da nossa profissão«,
Enquanto nos tiverem em. conta somente como moças ~ com excusas aoa dignos
cavalheiros que nos honram como colegas - que ganhsjn bei^; a nada produzem de util,

e

que passam o tempo em sua repartição na leitura dos livros da bib^Lioteca, ou de ''revi^
tas que guardam em suaS mesas de trabalho", enquanto formos asair.: Ju.lfad.o.'s, rf*'petimoR,
não atingiremof=í p »Itur?

jamoso

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�E e necessário fazer chegar o conhecimento da profissão de bibliotacario,
A
•
tanto ao leitor a quem vamos servir, afim de que ele saiba como Lhe poderemos ser to•v
^
teiá, como, e principalmente, as autoridades constituidas, pois sem o apoio das rnesmas, nosso serviço nao pode ser realizada de maneira satisfatoriac
A
f
Abordaremos a seguir, as conseqüências resultantes ao bioliotecario no
desempenho de suas funções, dentro desta atual ordem de coisas^
^
^
A
A
Ha poucos anos atras, uns tres anov^ ou maiS;, foraza criaaas pelo Governo
do Estado de fcao Paulo, varias faculdades pelo interior - nao nos cabe aqui comentar
a oportunidade ou propriedade de tais atos, mas sim apresenta-los sob o angulo qtie
nos interessa - ej como ci-gãos vitais destas faculdades, cri?xac-S9 as bibliotecas,
A
/
Pela nossa experiencia, e por contaètos mantjdos cora colegas cujo campo
de trabaüio se assemelha ao nosso, conclioimos que a criaçao de taiB bibjJ.otecas em
í&gt;
centoifs ncs quais se constituem as únicas instaladas e organizadas debaixo as mais no
demas técnicas, e uma aventura da qual teremos muitas aecepgoesc.
Primeiramente, as salas de leitura de tais bibliotecc.r: são, ora grando
parte, consideradas como salas de estar ou de visitasj ou ainda de aa.la de reuniões
A
^
que se deveri^xi dar em greados estudantis,
r.
n ''
Em seg-undo lugar, qual o papel do bibliotecário neste acirience^ i.coi::o
•*
informaçao apenascitaiiios a dificuldade inicial para que sejam nomeados biblioteca-rios para tais lugares o. o) o Mas, o papel do bibliotecário, foi o que ooser-v^unos ^

e

tido como o de u:ii guarda por demais zeloso do seu material, o de Tm policial a ditar
normas para cercear o uso da Biblioteca, nada mais« Exemplificando; tendo de funcionar proviscriamente nossa eecçao, sem as portas, ficando assim por xlt. longo periodo
completamonto devassada e aberta aos consulentes, quando se s.?Jiou esta faliia, isto e,
quando se colocaram as portas, houve quem pergxintasse se as mesmas arsjr. -'para proibir
a entrada na Biblioteca,.,'^»
E tudo isto acontece por que? Por duas ra::ces ímiito claras;
^
A
/
&gt;
12 - Por este interior afora e por este imenso pais, a maioria d.as pessoas jaiiais viu
uma biblioteca organizada» Ainda exemplificando, roäatarernos; constituiu para nos
A
uma triste surpresa, constatar que os consulentes rao sabí.aia consi-Jtar obras de
refer-enciac Contando este nosso desapontamento as colegas da região, elas informaram quo a surpresa havia sido delas, quando vindo estuda.r em Sao Pa.ulo e ido a
Biblioteca Publica líunicipal. Ia viram estudantes Juvenis consultando tais obras,
A
A
com toda desenvoltuia. Justificaram assim, plenpjuenbe, a ignor;í;n.cia do.-í al;mos,
embora universitários, em nao saberem manusear as obras, visto nunca terem tido
oport'iin^idade de se familiarizarem com elas,
22 - Da mesma maneira, nao sâo conhecidas as atribuições do bibliotecário, na direção
da biblioteca,
_
A
Destes males advierom os fatos, por cuja experiencia. passamos; os alimos
de faculdade nao estavam aptos a fazer uso da biblioteca - qu.ando ja deviam chegar a
ela em condiçoes de saber usufruir amplamente de todos os seus recursos e beneficies
(lenbramoo qr..c

ao bibliotecário de uma facul.dade, o nister de ensinsir o

uso

da biblioteca, mas sim ja deveriam os alunos, apos freqüentarem as bibliotecas infantis
e as escolares, este.:- suficienterii-?nte familiaríizados com. o mariuseio da mesr^a) ^

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Fica então , o bibliotecário com o dilema; organizar a biblioteca segtindo
os mais modernos preceitos, ou ddapta-la ao nível dos seus consulentes?
É claro que esta segunda hipótese nao pode ser aceita por nos, mas, sera a primeira sa
tisfatoria aos consulentes? E nao e a eles que devemos servir?
labutaremos na confecção de um catalogo que ficará apenas como enfeite, já que a ele
não saberao recorrer?

Que fazer?

A solução para o problema, tal como ele se nos apresenta atualmente,
A
seria a luta por todos os meios aà alcance da classe, pela difusão das bibliotecas infantis e escolares, ficando a chefia e a parte técnica das mesmas, sob a direção exclu
sivamente de bibliotecários formados,
Pois se a criança for acostumada desde cedo a freqüentar a biblioteca infantil e mais
tarde a escolar, quando chegar a faculdade, tera pleno conhecimento de como fazer uso
da bibliotecaj da mesma maneira, a criança, assim acostumada, com o tempo conhecerá a
verdadeira função do bibliotecário na biblioteca, o qual aprenderá a ver como um amigo
a lhe servir, dotado de todos os requisitos para tal.
Concluindo: Sem a difusão do que e a profissão de bibliotecário, embora
os diplomas nos garantam uma especialização técnica, jamais
saberao o que somos, e, sem este conhecimento, não teremos
J.também
-L ' o apoio
A
0
necessário
ao nosso trabalho,
é preciso fazer com que as crianças, desde cedo, aprendam
a freqüentar e a usar a biblioteca, a te-la como um ambien
te agradavel ds estudo, e a saber quem e e o que faz o bibliotecário Para as servir»
Para Isto propomos: Que se interessem as associações de classe j-unto
aos respectivos governos, chamando a atenção para
A
A
estes fatos e solicitando providencias imediatas,
afim de que os mesmos sejam sanados no mais breve
espaço de tempo possivel.
Que se informe ao Ministério e às Secretarias de
Educação, a imprescindivel e inadiável necessidade
da obrigatoriedade de serem mantidas junto as escolas publicas e particulares, bibliotecas vivas,
dirigidas, para isto, por bibliotecários foi*mados,
bem como de ser instituido nos currículos escolares, principalmente do primário, o ensino do que
seja uma biblioteca e como usa-la, cabendo tal ensino ao bibliotecário, na escola em que estiver
servindo,
Que se exponha com todos os seus detalhes e exigen
cias, a necessidade de serem colocados na direção
de bibliotecas, unicamente bibliotecários formados,
únicos capazes de preparar e auxiliar o cidadão em
seus estudos e pesquisas.

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              <text>Tratamos nesta comunicação, da generalidade do desconhecimento do que seja a profissão de bibliotecário, e dos problemas advindos dêste desconhecimento. Achamos sumamente oportuna esta ocasião em que se resolve de maneira mais positiva a elevaçao da carreira de bibliotecário a nível superior, de se tratar também da difusão do conhecimento do que seja a profissão de bibliotecário. E é necessário fazer chegar êste conhecimento tanto ao leitor a quem vamos servir, afim de que ele saiba como lhe poderemos ser úteis, como, e principalmente, às autoridades constituídas, pois sem o apôio das mesmas, nosso serviço não pode ser realizado de maneira satisfatória.</text>
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