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���TERCEIRO GOfíGRESSO BRASILEIRO D3 BIBLIOTECONOMIA E DOCmfflNTAÇÃO

Processos técnicos e formaçao profissional
por
ádelpha S.R. Figueiredo

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«pA

02 •. 0&lt;S &gt;. ^

SAO PAULO
v^-ío-cito.:^

Curitiba
1961

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PROCESSOS TÉCNICOS -E FOKMQjSa mOPISSIONAL

P

O

por
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'i

Adelpha S-.R. Figueiredo
Chefe de Catalogação e
Classificação da Biblioteca
Municipal Mário de Andrade

Tendo recebido o honroso convite de apresentar, neste conclave, um trabalho sobre "formação profissional do bibliotecário"
começávamos a elaborá-lo quando fomos consultados sobre a possibilidade de

apre-

sentarmos, como representante da Associação Paulista de Bibliotecários, um

outro

sôbre "processos técnicos",
Se ura convite era honroso, o outro era impossivel de se regeitar, na qualidade de representante da Associação a que perten
cemos.
Como diz, em seu trabalho "The Technical
Processes and Library Service", William M. Randall,
✓
...|os serviços técnicos] tornaram-se,para
muitos, a atividade mais típica das exer
I
cidas pelos bibliotecários...
pensámos que reunir, em uma s&lt;5 exposição, êsses dois aspectos da biblioteconomia,
não seria fora de propésito, pois estaríamos estudando, ao mesmo tempo a formação
do bibliotecário e aquilo que, até há bem pouco tempo, constituía a atividade mais
^i^líoteconômioa das atividades da biblioteconomia; os processos técnicos.
Sendo a nossa tarefa histérica, começaremos
tentando definir o que entendemos por processos técnicos e diremos, depois,algo sô
bre sua evolução entre nós, ^ que constituiu, também por largo tempo,' a formação
dos nossos bibliotecários,
E possível pensar em bibliotecas,pelo menos,,
de dois modos» Sobre qual dêstes modos a biblioteca é julgada, por um indivíduo,de
pende exclusivamente do conceito que êle faz, através do tipo de biblioteca que ge
ralmente encontra,
Um dos modos é bem típico da bíblioteoa do
passado e o outro, tao claramente da biblioteca do presente ciue não seria de tôdo
mau chamá-los respectivamente de "biblioteca museu" e de "biblioteca viva ou

atu-

ante". Em outras palavras, de "coleção de livros", a biblioteca antiga e de "agência de serviço", a biblioteca viva.

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�Não podemos, entretanto, deixar de reconhecer q.ue a biblioteca "agência de serviço" nasceu do desenvolvimento natural da biblioteca "coleção de livros". Talvês possamos dizer, mais claramente que a primeira idáia, a da coleção de livros, transformou-se na segunda, quando essa coleção
de livros passou a ter valor como coleção de cousas usadas, cada uma no sentido da
utilidade nelas contidas.
Em seguida consideraríamos as coleções

de

livros como arquivos de conhecimento e portanto, fontes de cultura, o que nos leva
â idéia moderna de biblioteca, sendo cada livro uma fonte de conhecimento com

um

serviço específico a ser prestado, ou a coleção como "agência de serviço": fontes
de informação que têm como função específica a comunicação de um fato ou idéia

a

í alguém.
;

Esse alguém quem é? Fatalmente, o consulente, o estudioso que procura se abeberar nas fontes de conhecimento de tôdos os tipos, quer seja êle um curioso, um simples estudante, um peaquizador, um cientista

I ou, alguen que deseja momentos de um lazer intelectual»
Desde que admitamos o consulente, teremos
descoberto o público das bibliotecas e, nesse mesmo momento, deixamos de pensar na
, biblioteca como uma "coleção de livros", e o nosso conceito passa a ser o de

uma

biblioteca "agência de serviço".
E quem se ocupará da prestação dêste serviço? Como será êle prestado? Que Conhecimentos deverá ter quem o prestar? Que métodos empregará para prestá-lo eficientemente? De que material disporá para a sua
prestação de serviço?
Surge então a idéia daquele que prestará o
serviço: o profissional da biblioteca. Em seguida, aparecem ás maneiras dos melhores meios da prestação de serviço. E o profissional enfrenta os problemas do material para servir, do conhecimento que lhe é necessário para, no desempenho do

seu

I mistér, poder ser realmente útil. E daí, é que veia a questão da "formação profisi

sional".
Constata-se então, o fato da função educac_i
onal do profissional da biblioteca, pois, não basta dar uma determinada organiza-

í çao ao material, de acôrdo com determinados métodos; é necessária a capacidade de
r
-orientação do público através da massa de material informativo.
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�o profissional de biblioteca pensa, então,
ern seu papel de "guia de leitura" através do mundo de conhecimentos contidos

em

sua coleção de livros, folhetos, revistas etc. Assim agindo, pensa mais no seu ser
viço junto ao público do q.ue em coleçoes e grandes acêrvos.
Para melhorar o serviço, terá êle que apien
der mais e mais a respeito daqueles a quem serve e das suas necessidades| mais

e

mais sôbre os materiais de que usa para desempenhar suas obrigações, no serviço
que lhe 6 solicitado; logo descobrirá que o serviço não será sempre eficiente, se
êle pensar só em termos de métodos, de processos, de técnicas.
Verá, entretanto que os

mesçjos processos

técnicos sao também indispensáveis, ao lado do conhecimento, para que ele seja c^
paz de comunicar, râpidamente, ao público, a informação pedida.
Temos, pois aqui, os dois pensamentos

bá-

sicos da biblioteconomia, estando o problema assim situado:
a[ de um lado, o conhecimento dos processos que nos levarão

a

poder servir de ma.neira eficiente;
b| de outro, o estudo do público e de suas exigências que, sé é
possivel através de cultura.
Em outras palavras: a formação profissional
do bibliotecário pelo estudo dos processos técnicos, alicerçados em larga e
da base cultural.
Até agora, estivemos falando em processos
técnicos como se soubessemos, exatamente, o que êles são. Bem sabemos que todos cs
bibliotecários presentes o sabem, mas, parece-nos necessário chegarmos a um entendimento definitivo. Conseguiremos defini-los, razoavelmente, se enumerarmos aquilo
que as bibliotecas, geralmente, fazem para conseguir "servir bem" ao seu público,
Estas atividades, parece-nos, podem ser incluidas em seis Jój

categorias, a saber:

1. seleção do material;
2. aquisição do mesmo material;
3. tombamento ou incorporação do material
4. preparo do material para uso;ou, catalogação e cls.s^'"^"'^''''?^ 7"^"'
5. ensino do uso do material;ou, interpretação para o público,
através da referencia ou do empréstimo;
6. técnicas especiais,para material documentário diferente de
livro,
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�-4Em muitas bibliotecas, infelizmente, a at_i
vidade da seleção é incluida na de aquisição, juntamente com a de incorporação.
A quarta, a quinta e a sexta são considera
da.s como processos relativos â preservação da coleção, ao mesmo tempo que de interpretação junto ao público, tomando diferentes aspectos, conforme o tipo de público servido: geral ou especializado.
Desde que a seleção seja incluida na aquisição, o bibliotecário fica privado de uma das atividades de mais alto teor cultu_
ral da biblioteca, aquela que no dizer do grande mestre de seleção "Francis K.V/.
Drury" é a de fornecer os meios de dar a certo leitor, o livro certo, na ocasião
certa. Isto demanda, do bibliotecário, um grande conhecimento do mercado livrescq,
uma grande cultura.

repetimos, uma infelicidade para o profissional do livro

que, então é levado a pensar muito mais no conhecimento de processos técnicos do
que na formação cultural que constitue a base indispensável até para a assimilação dos processos e sua aplicação inteligente.
Pensamos que agora devemos passar a estudar
a história do desenvolvimento desses mesmos processos técnicos entre nós.
Qual era, no início da biblioteconomia moderna entre nós, a situação que devíamos encarar?
Para esta pergunta daremos três respostas,
a sabers
1. um desconhecimento completo da biblioteca moderna;
2. inexistência do bibliotecário preparado para exercer uma biblioteconomia moderna;
3. a necessidade absoluta da reorganização das nossas bibliotecas-museus,
para transformá-las em "agências de serviço".
Esta a situação que encontrámos em São Pau
Io, em 1951j a-o regressarmos ao Brasil, depois de termos terminado nossos estudos,
na Escola de Biblioteconomia da Universidade de Columbia.
Devido a circunstâncias diversas que não
cabe aqui expor, só em julho de 1936 começámos a ter alguma atuação no então desenvolvimento da biblioteconomia e, concomitantemente na formação de bibliotecários
que, apesar de já se/ ter esboçado em 1931» no Instituto Mackensie, só tesre real
desenvolvimento, quando fomos convidados a colaborar na reorganização da então
blioteca Municipal de São Paulo.

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�-5Pelo Ato 1.146 da Prefeitura Municipal

de

são Paulo, deveria o Chefe de Divisão da Biblioteca Municipal, manter um curso de
biblioteconomia, para a foi-mação de bibliotecários para o Município.
Como manter uti curso completo para bibliotecários, se só havia, no Brasil, um bibliotecário com estudos de biblioteconomia?
Foi então q.ua resolvemos iniciar o primeiro
curso que teria caracter de iniciaçao e q^ue devia versar sobre as técnicas basicss
apenas. Assim nasceu o pirimeiro curso de técnica bibliotecária, a 17 de agosto de
1956, em São Paulo.
Foram ministrados, de maneira muito geral,
os processos técnicos mais necessários, através de aulas que incluiamj
1. seleção e aquisição de livros;
2. catalogação e classificação 5
3. referência e bibliografia.
ITo primeiro semestre, demos

de barato que

os alunos sabiam que deveriam e como deveriam adquirir a coleção da biblioteca,
pois eram eles, na sua grande maioria, funcionários de bibliotecas. Dedicamos portanto, o pouco tempo de aula de que dispúnhamos, ao ensino de catalogação e class_i
f icação.
Fazíamos, no decorrer dessas aulas,cada vez
que as circunstâncias o exigiam, menção da necessidade do estudo de referência
bibliografia. O mesmo se dava em relação â organização da coleção e

e

administra-

ção dos serviços. Para êsse fim recorríamos a visitas especialmente feitas â Bibli_o
teca do Instituto Mackensie que era, então, a única organizada em moldes modernos,
pois fôramos sua bibliotecária, no periodo de I926 a 1956, e a reorganizáramos, de
1951 a 1956, antes de ingressarmos no funcionalismo municipal.
Se o primeiro curso oomeçára suas atividades em agosto de 1956, já no princípio de 1957 sra promulgada, pelo Govêrno Estadu
al, a Lei n^ 2.589 l^e criava o "Conselho Bibliotecário do Estado" que, uma vez
constituído, passou a funcionar regido por essa mesma lei. Ilessa previa-se, entre
outras atividades, a redistribuição dos acervos das bibliotecas do Estado, a uniformização dos processos técnicos, a existência de um catálogo coletivo e a regul^
mentação da carreira de bibliotecário.
Infelizmente, como sabeis, êsse Conselho B_i
bliotecário do Estado foi extinto uma vez, reapareceu como "Conselho Estadual

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�-6Bibliotecas e Museus" pelo Decreto-Lei n® 13,411 d.e 1945» Mais uma vez extinto,
deixou entretanto, bem viva a necessidade dos estudos dos processos técnicos.
Hoje, graças a esforços de caracter internacional, tôdos temos bea clara a idéia da urgência da internacionalização básica
desses processos, ou pelo menos, de alguns desses processos, aqueles que se dest^
nam a orientar as atividades de x-^^^servaçao das coleçoes e da interpretação

de

seus elementos junto ao público, eia suas diversas modalidades.
A ôste resultado porém, não chegamos sem
atravessar muitas etapas, das quais consideramos como mais importantes, aquelas
diretamente ligadas â formação profissional, no afan de prepararmos os interpretes das fontes de conhecimento, junto a.o consulente de todos os tipos.
Do Curso de Biblioteconomia do Departamento de Cultura, graduou-se uma única turma em 1953» Em seguida foi extinto.
Criou-se em São Paulo, então, em 19 40, a
Escola de Biblioteconomia anexa â Fundação Escola de Sociologia e Política."essa
nova escola, coin o corpo docente do primeiro curso ampliado e com seu programa
alargado, já contendo aulas reguläres de organização e administração de bibliotecas, catalogação e classificação, bibliogrofia e referência e de história do

li-

vro, novas levas de bibliotecários foram se formando, não só no sentido técnico,
mas também, começaram a surgir bibliotecários com exata mentalidade biblioteconômica.
Em 1944» tivemos oportunidade de colaborar
na organização de uma segunda escola de biblioteconomia, a conhecida pelo nome de
"Sedes Sapientiae", anexa â Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de são Paulo.
Outra escola, a de Campinas, Estado de S.
Paulo, organizada por ex-aluno da primeira, passou também a preparar bibliot.jcárxe.
Outros ex-alunos da Escola de Bibliotecono_
mia de São Paulo levaram para a Bahia, Pernambuco, Minas, Paraná e Rio Grande

do

Sul, os conhecimentos aqui recebidos. Nesses estavam incluídos, em situação preponderante, aqueles processos técnicos contidos e recomendados pela Lei n22.859
de 1937» do Estado de São Paulo.
Desde a vigência dessa Lei, a Biblioteca
Municipal de S.Paulo, agora chamada Biblioteca Municipal Mário Andrade, em obediência aos ditames nela exarados, preparava e arquivava fichas para um Catálogo C_o

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�-7letivo do Estaáo, que só veio a se tornar realidade por um Ato do então Reitor da
Universidade de São Paulo, publicado no Diário Oficial de 31 de outubro de 1954i
com o seguinte teor:
UNIVERSIDADE DE SiíO PAULO
REITORIA
Atos de 28 do corrente

Designando

autorizado pelo Governador do

I
Estado, por despacho de 27 de outubro de 1954 &gt;
exarado a fls.-.|,do Processo n.l7523-54»desta Rri
toria, e em face de Recomendação do I Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia»realizado em Recife, em julho do corrente ano,a Biblioteca Central da Universidade de São Paulo,como Sáde dos
Catálogos Coletivos de Livros e de Publicações
Periódicas do Estado de São Paulo.
Mais tarde, eia 20 de novembro, de 1956, pela Resolução n^ 678, o Governo do Estado de São Paulo, recomenda às Repartições
Públicas do Estado, que contribuam para a atualização dos Catálogos Coletivos

da

Biblioteca Central da Universidade de São-Paulo.
E a seguir, em 10 do fevereiro de 1958» a
Resolução n^ 897 regulamenta a anterior, no sentido de evitar contribuições diretas ao Catálogo Coletivo Nacional, esclarecendo que as contribuições só poderão
ser feitas através da Biblioteca Central da Universidade de São Paulo.
Entretanto, de acordo com o teor do Proce_s
30 n. 17523 de 1954» d.3- Reitoria da Universidade de S.Paulo, já poude a Biblioteca
Municipal Mário de Andrade, dar início, a maior contribuição para êsse Catálogo
Coletivo do Estado, ou sejam, 109.125 fichas de autor, em novembro de 1954» um mês
após o Ato do Sr. Reitor.
Através de todas essas atividades»reconhecemos o papel importante que tiveram os processos técnicos, sempre base da formação profissional.
Em quase tôdas as escolas novas e mesmo na
primeira, a mais antiga, começou-se, entretanto a sentir que algo faltava na for-

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�mação profissional de nossos 'bibliotecários. E essa falta era, infelizmente, a
base cultural de tanta magnitude na formação dc- todo e qualquer profissional, sem
que, nem mesmo os processos técnicos podem sobreviver. São Sles apenas, o primeiro passo do preparo profissional, passo básico, indispensável, porém perigoso pelo seu caracter exclusivista de técnica. Incluem então, as escolas, em seus ensinamentos, estudos que concorram para o desenvolvimento cultural dos bibliotecários, tais como iniciação â filosofia, â filologia e à literatura, âs ciências sociais e econômicas, às ciências naturais, âs artes e à história. Assim fazendo,
em relação à formação dos bibliotecários, lançaram as bases do conhecimento necessário à futura especialização daqueles que tal desejassem.
Abriram ainda assim, o caminho para o 'campo
do treiiiamento nas técnicas da prestação de informação de toda a sorte, em face
da multiplicidade da documentos de todos os tipos e de sua sempre^ crescente bibliografia. Esta Bibliografia documentária, exatamente devido à variadíssima forma dos documentos, exigirá uma base de conhecimentos bibliográficos gerais, que
aliada a conhecimentos científicos especiais, podará levar o bibliotecário-documentalista a ser um profissional eficiente em qualquer dos campos de especialização de sua escolha.
Dado porém o fato "'^ist'rico dos países de
recente desenvolvimento, recebendo seus conhecimentos na Europa ou nos Estados
Unidos, onde as mentalidades, por força de diferença de formação são totalmente
diferentes e têm. outros problemas que não os nossos, julgamos dever aproveitar a
oportunidade de re-pen^ar em nosso caso, livre e inteligentemente, tomando de cada fonte a:.uilo que ela tenha de bom e, de acordo com os nossos problemas,estabelecer uma situação que satisfaça, plenamente, aos bibliotecários.
Proporíamos, então, um programa de formação
profissional nacional: ensino dc- processos técnicos de maneira profunda, matérias
culturais, técnicas documentárias e, com.o cursos supletivos, o ensino de línguas
vivas além do português. Avultaria, entretanto, a exigência de determinadas hoias
de prática no aplicação dos diversos processos técnicos.
Pensamos ter dado, assim, um esboço em linhas gerais, do que constituiria um curso de preparação profissional para bibliotecírios-documentalist:s. Não entramos em detalhes de seriação de cursos, pois
pensamos aqui não caber tal estudo.

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Não queremos, entretanto, lançar a idéia de
que alunos que passaram por esses cursos estejan "para todo o senpre" preparados
para exercer eficientemente sua profissão,
Como todos os cursos de preparação profissi
onal, também o de biblioteconomia não passa de um guia básico na vida intelectual e cultural do bibliotecário. Não nos esqueçamos de que a cultura é um proaesso de desenvolvimento tão longo quanto uma vida. ííão tem fim propriamente.Aquilo
de que mais desejamos impregnar as mentalidades dos nossos bibliotecários é que,
uma vez formados numa escola de qualquer tipo, estão openas dando o primeiro passo, numa longa scnda de estudos contínuos, se quizerem se manter em situação rer
ai de poderem, prestando serviços eficientes, prestigiar a sua profissão, a sua
carreira.
Nas suas tarefas específicas, o bibliotecá!^se
rio encontra , muitas vezes, dii^ntu do consulente, numa situação didática, e em
face do um aluno que, freqüentemente não sabe, exatamente, o que lhe é cais adequado, em seu caso pai-ticular. Rao sabe se, para cb^ter uma determinada informação, deve pedir um certo livro, uma certa separ:ta, uma determinada monografia ou
alguma ccusa sobre um assunto que deseja conhecer melhor.
Sendo assim, grande dicernimento e grande
conhecimento bibliográfico no sentido profundo e não no de listas de livros, são
necessários aos bibliotecários, em seus campos de especialização, estejam êles
adquirindo livros ou outro material bibliográfico para seu acervo, ou respondendo a uma deterainads consulta.
"Um bom livro" sobre energia atômica ou sôbre cultivo de vegetais, ou sobre mecânica de aviação ou televisão, pode ser pe&gt;
dido. Possivelraente o leitor se esqueceu do nome do autor do livro que deseja, ou
do título. Falta de conhecimento ou percepção em atender a tais pedidos á mau para o leitor e reflete desfavoravelmente na reputação e no serviço da biblioteca.
Isto é o que diz "Ernestine Rose" em seu livro "The Public Library in American
Life" .
Ora, se isto á certo giTí bibliotecas públicas, quanto mais não o será nas especializadas!
E pois necessário, em se tratando de "formação profissional" que os bibliotecários se convençam de que não basta urã ótimo

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�-10curso profissional; c urgonte que pensem ojTí seu dosünvilviniGnto cultural em todos 03 sentidos e, principalnente, no aentido as sua osptcialisação, que deve ,s
ser obtida tm tôdas as fontes possíveis, ea nossa língua e en outras dc outros
países dc grande desenvolvimento científico, enquanto não tivermos a possibilidade franca da tradução bers foita e em grande quantidade.
Talvês, então, alguém nos pergunte;valerá
a pena tôdo esse esforço de estudo para se obter um grsu de bibliotecário? Dedicar-Sü uma vida toda, estudando para se atingir a um? cultura que torne o bibli£
tfecário, não só orientador de leitores en gorai, mas ainda o "guia bibliográfico vivo" por assim dizer, ate de cientistas? Val^^rá a pena tôdo esse esforço,
quando a remuneração que corresponde a essa dedica.ção, só em poucos casos, atinge â, de um professor catedr:'tico? Só os postos altos da administração biblioteconômica são realmente compensadores, e êsses são pouquíssimos!
A profissão exige uma série graduada

de

cargos, com salários proporcionais, para poder ser compensadora.
Em são Paulo, só os bibliotecários municipais têm uma carreira graduada, que inicia na letra "I" e sóbe, aos poucos, por
sucessivas promoções, até a Ittra "M". Daí por diante passam seus ocupantes

a

"Oficial Administrativo"padrão "íT" e "O", indo atingir a chefia de Secção na letra "R" e a chefia de Divisão na l.,tra "X". De cinco em cinco anos recebem adicio_
nais de 5^ qu-S se somam ao salário.
Nem o Estado, nem a Universidade apresentam carreiras para o bibliotecário, no mesmo sentido que a Municipalidade;

em

uns casos, dois cargos e noutros, só o de chefe, com auxiliares burocráticos.
Pensamos que uma escala de crrgos, com uma
correspondente escala de responsabilida-des e a escala respectiva de salários,
tornariam os bibliotecários mais interessados em progredir, em se manter ao par
das produções literárias o científicas, de maneira a poderem fazer, de fato,trabalho eficiente e transformar suas bibliotecas em verdadeiras "agências de servir" .
líão podemos portanto só pensar nos" currículos escolares, mss temos que pensar na organização da carreira, seja ela exercida na União, no Ebtado ou no Muniáípio; na biblioteca de instituições de carac.
ter público ou particular.

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�-11Temos notado que alguns bibliotecdrios
tem uma espécie de "instinto" ao solucionarem os problemas de seus consulentes,
enquanto que outros não saben como transmitir os seus conhecimentos, não sabem
lidar com peasoas. Haverá uma profissão realmente, quando os seus componentes
nostrani-se, por assim dizer, "amadores" no exercício de suas tarefas?
Se 08 bibliotecários quizerea obter prestígio profissional como interpretes do conhecimento, e lógico que deverão, primeiro, treinar-se, não só na ciência da sua profissão, como também na sua arte.
Aqui está, de novo, a necessidade do conhe_
cimento dos processos técnicos, não só em teoria, como também através de prática
real e longa; a necessidade de uniformização desses processos, .não em têrmos de
nações, mas no sentido internacional; a necessidade da normalização na documentação e suas técnicas também. Tudo isto, entretanto, repetimos deverá ter por
base um alicerce cultural largo e profundo.
Hão nos esqueçamos de que a biblioteca deve ser, por natureza, uma instituição de utilidade pública, agindo dentro de uma
sociedade democrática, devendo portanto os bibliotecários estar preparados para
esse serviço que é social, que é cívico, porque é serviço para o público,
seja ôle geral ou especializado.

São Paulo, 11 de novembro de I96O

Adelpha S. R, Figueiredo

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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