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                  <text>NO ENTRELACE DOS FIOS: A SINGULARIDADE DA TRAMA ENTRE A
BIBLIOTECA E A ACADEMIA.
Conceição Lopes
Mestre em Comunicação pela UFPE,
Bibliotecária do Núcleo do Conhecimento
Biblioteca Central  UFRPE,
Recife, Pernambuco  Brasil
clopes@ufrpe.br
clopes2005@gmail.com

RESUMO
Este texto narra a tecetura de uma teia harmoniosa, capaz de suportar o simbolismo e
a cultura da Biblioteca e da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Nesse
contexto, coexistem com o bibliotecário 30 acadêmicos, todos engenheiros agrônomos
com idades entre 50 e 86 anos que, motivados e numa atitude pró-ativa, pesquisam e
produzem conhecimento, publicam textos e realizam palestras, comprometidos com o
social e o meio ambiente aliados à paixão pela causa agronômica. O convívio
presencial e no ciberespaço com esses imortais direcionou o olhar bibliotecário ao
resgate da História e da Memória Coletiva ali presentes. Ao chamado da Biblioteca,
esses imortais responderam com entusiasmo, trazendo suas histórias de vida, sua
relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. Interagiram
e socializaram sonhos e sentimentos relacionados à Universidade Federal Rural de
Pernambuco  UFRPE, deixando transparecer a saudade, a emoção das lembranças
e a alegria de continuar nesse convívio ao compartilhar o espaço e ações com a
Biblioteca. Essa teia singular traz à mostra a Biblioteca enquanto instituição secular de
preservação e salvaguarda do conhecimento, espaço democrático para o debate
científico e, especialmente, disseminador ao tornar pública parte da memória agrícola
do Estado de Pernambuco.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Academia; Conhecimento; Comunicação.

�1  OS PRIMEIROS FIOS DA TEIA...

Uma teia está sendo tecida. Seus nós estão sendo arrematados na
dimensão contraditória do cotidiano, entrelaçado no contemporâneo espaço da
biblioteca.

De um lado, olhos que lêem a vida e o mundo. Definem suas cores,
traçam suas formas, dimensionam seus movimentos. Lêem as pessoas. Olhos
que observam e enxergam detalhes. De outro, mãos que semeiam e colhem.
Afagam os amigos e debulham os grãos. Conduzem e perpassam o fio na arte
do tecer, bordar e fiar. Mãos que misturam ingredientes e preparam o pão.

Contudo, nessa história, como em muitas outras, é o coração que
percebe o invisível da vida e do mundo. Penetra em seus mistérios, aprofunda
suas tramas, inventa seus sentimentos, descobre a magia que envolve a
aventura humana. O visível e o invisível fazem parte desta história individual e
coletiva. São inseparáveis.

Sob essa perspectiva, o bibliotecário participa dessa trama como agente
histórico desse tempo e lugar. Atua como observador e mediador, tanto no
espaço da biblioteca, quanto no ciberespaço. Por outro lado, o engenheiro
agrônomo ao amar a terra e prover as sementes e frutos que alimentam a
humanidade, não fecha os olhos, nem tampouco o coração.

As tarefas do bibliotecário e do engenheiro agrônomo são imensas,
necessariamente incompletas, pois suas buscas e observações exigem novas
leituras dependendo do espaço-tempo em que foram, estão sendo ou serão
produzidas.

Nessa linha de pensamento, para a escrita deste texto, nos inspiramos
na atividade criadora da aranha ao tecer a sua teia. Aquele ato de criação, ao

�mesmo tempo tão simples e tão complexo, há algum tempo nos serve como
metáfora para a leitura e a compreensão da teia das relações interpessoais.

Sendo

assim,

assumimos

a

tarefa

e

o

olhar

bibliotecário

e

contextualizamos a biblioteca em sua prática sócio-cultural deixando à mostra
sua relação com a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica - APCA ao entrelaçar os fios que compõem a teia da memória coletiva deste grupo de
imortais.

A escrita deste texto tem sido, portanto, uma leitura apaixonada e única
do agir, sentir e pensar desses homens, além, é claro, de percebê-los como
integrantes da trama entre o Núcleo do Conhecimento da Biblioteca Central da
Universidade Federal Rural de Pernambuco  UFRPE e a APCA. Revela
especialmente um micro-recorte que permite a reconstituição de episódios na
vida

cotidiana

desta

biblioteca

biblioteca/bibliotecário/práxis

social,

e
aqui

um

redesenho

representada

na

pela

relação
Academia

Pernambucana de Ciência Agronômica  APCA.

2  FIOS PARA TRANÇAR, LINHAS PARA ESCREVER, ENTRELINHAS
PARA EMOCIONAR...

Já dizia Machado de Assis que os fatos e os tempos ligam-se por fios
invisíveis, e é com tal pensamento que retomamos o ponto de origem desta
teia. A história desta tecetura tem início em outubro de 2004, época marcada
pela presença das Moiras ao cortar o fio do destino do acadêmico e VicePresidente da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica  APCA, o
Professor João Baptista Oliveira dos Santos, referência nesse grupo e na
UFRPE.

Esse triste fato nos levou a propor a criação de um espaço dedicado à
memória daquele que, conosco, há alguns meses se dedicava ao resgate da

�história institucional, idéia aceita de imediato pela direção da Biblioteca Central
e ratificada pela Reitoria da Universidade. Alfa e Ômega se fizeram presentes.

Assim, um fio invisível ligou aquele fato a um novo fio, o nosso primeiro
contato com a APCA, justamente ao levar o convite para a inauguração do
Núcleo do Conhecimento  Professor João Baptista Oliveira dos Santos, o
novo espaço-resgate da memória institucional e da produção científica que
traria novos fios e novos tempos para a Biblioteca Central.

Sessenta dias após, esse grupo de imortais respondeu positivamente e
com entusiasmo ao nosso chamado, trazendo suas histórias de vida, sua
relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. A
esses elementos, passaram a associar a salutar atividade do relembrar, pois é
na rememoração que ocorre o encontro de si mesmo e da sua identidade
apesar do tempo e dos fatos vividos, (BOBBIO, 1997, p.30-31).

Instalada no Núcleo do Conhecimento, a APCA veio agregar valor à
biblioteca e com ela iniciar a urdidura da trama aqui narrada. Idealizada pelo
engenheiro agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto, foi fundada em 30 de
setembro de 1983 por ocasião do XXIII Congresso Brasileiro de Agronomia,
realizado no Centro de Convenções em Olinda, Pernambuco, a partir da
preocupação apresentada em plenária pela Associação dos Engenheiros
Agrônomos de Pernambuco. Foi então criada como instituição pioneira em
território brasileiro, confirmando a liderança e a vanguarda desse grupo.

Instalada em 31 de maio de 1984, em Sessão Solene, no Auditório da
Academia Pernambucana de Letras, essa entidade cultural sem fins lucrativos
tem como finalidade contribuir para o desenvolvimento e o progresso da
Agronomia, conforme seu estatuto aprovado em 31 de maio de 1984.

Constituída inicialmente por 25 Patronos e 11 Acadêmicos, todos
engenheiros agrônomos, escolhidos a partir da proposição de vários nomes

�dentre os mais notáveis no cenário das Ciências Agrárias estadual e da análise
dos Currículos seguida pela apreciação dos méritos agronômicos e da atuação
social, de acordo com a Ata da 1ª Reunião da APCA, realizada em 14 de
fevereiro de 1984.

Desde então o grupo foi renovado ao longo da sua história. Assim, em
1994, deu-se a primeira renovação após dez anos da sua instalação. Nessa
solenidade foram empossados 08 novos acadêmicos. Sete anos depois, em
2001, mais 10 imortais tomaram posse em substituição àqueles que faleceram
ou solicitaram afastamento. 2006 chegou promovendo a renovação de
acadêmicos e a inclusão de mais 05 Patronos e Acadêmicos, totalizando, a
partir de então, 30 acadêmicos, todos de conceituados valores humanos e altos
conceitos profissionais.

A APCA, nesses 22 anos de história institucional, não obteve, como
pretendia, o patrocínio estatal, talvez nesse desejo frustrado tenha se salvado
como instituição que possui um grupo longevo, com patrimônio simbólico. Ao
longo de 20 anos, ocupou espaço intermediário e ambíguo no campus da
UFRPE. Desde sua origem, a APCA contou com o apoio da Reitoria, que
ofereceu o espaço físico para seu funcionamento, possibilitando à mesma a
realização da 1ª reunião na sede da própria Reitoria, passando as demais a
ocorrerem em locais diferenciados do próprio campus.

Durante 20 anos, apesar de se reunir no campus, de certa forma, a
APCA existia isoladamente, sem estreitar relações com a UFRPE. A cada ano,
no entanto, desde 1996, passou, a promover em parceria com a Universidade,
a solenidade anual de outorga de diplomas honoríficos aos engenheiros
agrônomos com 55, 60, 65, e 70 anos de formados pela antiga Escola Superior
de Agricultura e Medicina Veterinária São Bento, célula mater da Universidade
Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, numa ação que representa a
preservação de dados biográficos e da memória agronômica do Estado
registrados em Plaquetes Comemorativas.

�Tal resgate histórico ratifica o porquê da APCA após duas décadas, se
renovar sem modificar sua estrutura, seus objetivos e sua missão. Ansiar ser
abraçada sem, contudo, perder a sua tradição.

Promotora e, ao mesmo tempo, preservadora do conhecimento
agronômico estadual, a APCA, se mostrou aberta ao chamado de outra
instituição tradicionalmente guardiã, preservadora e difusora do conhecimento,
a biblioteca e, assim, ambas com suas emoções renovadas, canalizaram e
transformaram interesses comuns em interesse em comum. Caracterizou-se, a
partir de então, a existência de um grupo que, segundo ZIMMERMANN (1997,
p. 23-31), é um conjunto de pessoas que partilha o mesmo espaço e reúnemse em torno de um objetivo comum ao interesse de todos.

3  MÃOS QUE TRANÇAM PARCERIAS...

Nascemos indivíduos e nos tornamos pessoas. Para se tornar pessoa, é
preciso pessoas. Pessoas são seres humanos, são como os nós, que formam
e amarram uma rede. Todos, entrelaçados e trançados, formam uma teia de
relações, encontros e desencontros que, rápidos ou permanentes, vão se
cristalizando em grupos sociais e, dentre eles, grupos de referência, como os
grupos de trabalho ou os grupos criativos, nos quais sujeitos produzem e
transformam.

A respeito do grupo criativo, De Masi (2003, p.594) ratifica o nosso
pensamento, definindo-o como um sistema coletivo em que operam
sinergicamente personalidades imaginativas e personalidades concretas cada
uma contribuindo com o melhor de si, num clima entusiástico, graças a líder
carismático e a uma missão compartilhada. Interesses, crenças, tarefas,
características pessoais e outras coisas também fazem parte deste coletivo. Ao
longo do desenvolvimento dos grupos, segundo De Masi, os seus objetivos são
atingidos de forma mais adequada quando seus membros tomam para si a

�responsabilidade

de

torná-lo

uma

experiência

significativa,

tendo

a

compreensão da importância de sua participação.

Observa-se, no entanto, que nem sempre a simples existência de
interesses ou atividades comuns faz um grupo. Para que um conjunto de
pessoas possa ser chamado de grupo e, mais especificamente, de grupo
criativo como o grupo que compõe a APCA, é preciso que atenda, ao mesmo
tempo, a três critérios: estar em contato, considerarem-se mutuamente como
membros do grupo e ter algo em comum.

Teia de significados, da criação de laços sociais entre os fios, enfim da
arte de fiar. Metáfora que nos leva a resgatar a simbologia do fio como
condutor, seja na fiação, na narrativa ou na escrita. Para tecer, precisamos de
fios. À medida que nos dispomos a manuseá-los e nos propomos a escolher
com os quais tecer, é no entrelaçamento desses fios que a teia se faz possível.

Assim, nesse momento histórico para a biblioteca, três dezenas de fios
conosco conduzem a tecetura, começam a construir um coletivo simbólico
singular e ao mesmo tempo plural. Essa teia de relações que se encontra em
construção no âmbito da UFRPE entre a biblioteca e a APCA, certamente, é
formada por fios de linho, de seda, de algodão e de lã em cores variadas. Fios
que, juntos, constituem uma espécie de cérebro plural, um tipo de colméia, um
nicho de cabeças pensantes.

No âmbito das bibliotecas, observamos, ainda, uma carência de
interações desse tipo. É comum a biblioteca atuar como organismo que se diz
democrático, porém avesso a trançar os fios metafóricos, sejam da
comunicação

ou

da

criação.

Nesse

sentido,

enquanto

bibliotecários,

assumimos uma postura pró-ativa e agregamos valor às nossas atividades
cotidianas e rotineiras na biblioteca, ao conjugá-las às atividades inerentes da
APCA, possibilitando a ambas a realização de uma ação coletiva rica de
significados.

�Acerca da APCA, a percebemos como um grupo tradicional com idéias e
integrado, diga-se de passagem, único na área agrícola do país. Organizado
como cooperativa científica, na afirmativa de De Masi (2003, p.255) onde
cada agrônomo, conservando sua produção autônoma, colabora com os
demais para a obtenção de objetivos em comum, tal qual ocorria no ambiente
científico dos colaboradores das primeiras academias da história: confiança
nas possibilidades do método experimental e nas potencialidades da pesquisa
realizada com o desempenho do grupo.

Ainda sobre a interação da biblioteca com grupos criativos, nesse caso
específico, com a APCA, por se tratar de uma vivência inovadora,
consideramos ser merecedora de ser relatada para os nossos pares das
bibliotecas universitárias. A relevância desse grupo criativo e social
reconhecido no meio científico e a nossa capacidade de articulação enquanto
bibliotecários que somos, para operar com esses outros, pares de outros pares,
conduzem à superação do isolamento de ambos, da biblioteca e da APCA.
Conduzem também à difusão desse grupo criativo no ambiente peculiar da
universidade, cujos focos são o ensino, a pesquisa e a extensão.

4  CABEÇAS PENSANTES, CONHECIMENTO COLETIVO E INTERAÇÃO
NO CIBERESPAÇO...

Primeiros imortais dessa nobre profissão em todo o país, definimos a
APCA como um nicho de cabeças pensantes com mãos que semeiam e
colhem, dotado de corações apaixonados pela causa agronômica. É, portanto,
um organismo dinâmico movido pela circulação de idéias, estimulado pela
criatividade individual que gera a mobilidade e atuação coletiva. Não basta ser
criativo: é preciso espírito empreendedor e paixão motivadora, diz De Masi
(1999, p.285) e tal afirmativa corrobora com o espírito desse grupo.

�Nessa trama a livre circulação de idéias é marca registrada. Há uma
disponibilidade para comunicar e trocar idéias, progresso e resultados, na
convicção de que a ciência pertence a todos. Nesse contexto, cientistas,
especialistas e técnicos tornam-se os elementos-chave e têm na informação o
insumo para a geração do conhecimento, que de fato confere poder na
sociedade.

Como salienta Cury (2001, p.89), a biblioteca universitária como
repositória desse conhecimento é o espaço de sociabilidade, lugar onde os
indivíduos interagem entre si e se comunicam. Local de quebra de paradigmas
e conceitos pré-estabelecidos, propício à criação, armazenamento e circulação
do conhecimento. Nele, nós bibliotecários, habituados aos tradicionais serviços
de catalogação, classificação e indexação, começamos a nos metamorfosear
aliando ao guardião da memória impressa e disseminador da informação o
papel de mediador do conhecimento e agente de interação humana.

Partindo dessa premissa e aceitando um primeiro convite, começamos a
participar ativamente das reuniões mensais e, integrados, procuramos
dinamizá-las, promovendo e coordenando atividades lúdicas e afetivas,
recebidas com entusiasmo por todos, que resultou no segundo convite, dessa
feita, para integrar a APCA como assessora especial e membro da Comissão
Organizadora da solenidade anual de outorga dos títulos honoríficos aos
engenheiros agrônomos. Paralelamente, iniciamos a reconstituição da história
desse grupo criativo, utilizando como metodologia a leitura do primeiro Livro de
Ata referente ao período de fevereiro de1984 a novembro de 1985, associada
aos testemunhos orais e ao resgate através das fotografias..

Atualmente, recebemos mais uma resposta positiva para a criação do
banco de dados da APCA, que já se encontra em andamento. Nesta pesquisa,
coletamos dados sobre os acadêmicos que ultrapassam suas atividades
profissionais. Colhemos, também, informações que retratam, além da sua
formação

enquanto

engenheiro

agrônomo,

a

sua

especialidade,

seu

engajamento na sociedade e com os temas do meio ambiente, seu hobby e

�seu dia-a-dia, como a prática de atividades físicas e a produção do
conhecimento através da escrita de textos, matérias para jornais, resenhas,
artigos científicos e intelectuais, assim como a construção de livros. Vem
complementar esse perfil o SENTIMENTO individual para com as atividades
desenvolvidas entre a biblioteca e APCA, emoções que registram e
representam a alma dessa interação.

Toda essa massa de informações, além de fixar as bases para a tecitura
dessa narrativa, está nos possibilitando tornar visível e pública essa teia de
relações apesar de percebemos que documentos e dados perderam-se nessa
trajetória,

deixando

lamentáveis

lacunas.

Transcendendo

o

tempo,

descortinamos a seguir, mais detalhadamente, a APCA.

Em 1984, a Academia teve, em sua composição inicial, 25 Patronos e
Acadêmicos, todos com formação de engenheiros agrônomos, em sua maioria
formados pela UFRPE. Desse modo, o grupo que ora se iniciava possuía, em
virtude do elevado nível intelectual e agronômico dos acadêmicos e o
equilíbrio dos valores novos e velhos, uma proveitosa e conveniente
distribuição de faixas etárias da melhor categoria científica., afirmava Eudes
de Souza Leão Pinto, Presidente da APCA, (Livro de Atas, p. 08 b).

Esse mosaico nos permitiu fazer algumas importantes observações. A
primeira delas diz respeito aos Patronos. Percebemos que 03 monges
beneditinos que ao lado de Dom Pedro Roeser idealizaram e empreenderam
esforços para a criação das Escolas Superiores de Agricultura e Medicina
Veterinária São Bento, célula mater da atual UFRPE, integram o patronato da
APCA. Ainda, no que se refere aos Patronos, das 30 personalidades
escolhidas, apenas o representante da cadeira de número 20 exerceu a função
de Reitor da UFRPE .

Com relação aos Acadêmicos, de início, em 1984, após a composição
dos acadêmicos que iriam compor a APCA, foi deliberado por unanimidade de
votos que a última vaga, seja reservada a um profissional da agronomia de

�sexo feminino, em atendimento à sugestão proposta pelo acadêmico João de
Deus de Oliveira Dias e, em homenagem às devotadas agrônomas
merecedoras de pertencerem ao quadro da Academia Pernambucana de
Ciência Agronômica. (Livro de Ata da 3ª Reunião da APCA, 16 de abril de
1984, p. 6). Sendo assim, o universo feminino, de início, restrito a apenas uma
representante, foi ampliado sendo atualmente representado por 03 acadêmicas
ocupantes das cadeiras de números 08, 11 e 28.

No ato da sua criação, a APCA elegeu, dentre os acadêmicos, quatro
ex-reitores da UFRPE para ocuparem as cadeiras de números 07, 08, 15 e 22.
Na ampliação do seu quadro de Patronos e Acadêmicos ocorrida em maio do
corrente ano, mais um ex-reitor foi eleito para acadêmico, vindo a ocupar a
cadeira de número 30. Observamos por fim, que da composição inicial do
grupo, as cadeiras de números 10, 11, 12, 14, 16, 17, 19 e 24 continuam
ocupadas pelos mesmos representantes.

Prosseguindo a leitura dos dados e informações, a segunda observação
relaciona-se ao Perfil dos Imortais. Segundo a faixa etária, tal leitura traz à tona
que, nesse universo, 03 acadêmicos encontram-se na faixa dos 50 anos;
outros 10 na faixa dos 60 anos; mais 10 na faixa dos 70 anos e mais 07 na
faixa dos 80 anos de idade. Sendo assim, nesse grupo, o acadêmico mais
jovem tem 54 anos, em contraponto ao mais longevo, no caso, 03 acadêmicos
com 86 anos de idade. É interessante, e mais, emocionante, conviver com o
dinamismo, a alegria de viver e o entusiasmo contagiante desses velhos-jovens
que dão a vida pela APCA.

Mais interessante e incentivador é a terceira observação relacionada à
Capacidade Criativa dessas cabeças pensantes, assim como verificar a massa,
o quantitativo e a qualidade da produção científica e intelectual dos mesmos, o
que ratifica a afirmativa de Castoriadis (2001, p.10) de que Pensar não é sair
da caverna nem substituir a incerteza das sombras pelos contornos nítidos das
próprias coisas, a claridade vacilante de uma chama pela luz do verdadeiro Sol.
É entrar no Labirinto, mais exatamente fazer ser e aparecer um Labirinto ao

�passo que se poderia ter ficado estendido entre as flores, voltado para o céu.
É

perder-se

em

galerias

que

só

existem

porque

as

cavamos

incansavelmente...

É essa força criativa inerente ao humano que impele, sem parar, cada
um desses indivíduos ritualisticamente, ditos imortais. A maior parte das
criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de
coletividades nos quais cooperam personalidades motivadas por um líder
carismático e por uma meta compartilhada, nos afirma De Masi (2003).

Ao longo dos anos, seguiram-se a publicação de livros e artigos,
gerando uma produção de autoria dos acadêmicos sempre com o apoio da
UFRPE na publicação desse conhecimento. Esta produção científica constitui
recorte para um outro trabalho de pesquisa que, paralelamente, se encontra
em construção.

Vencendo barreiras de várias ordens, a Academia concretizou uma das
suas metas ao publicar em 2005 o 1º volume dos Anais da APCA, composto
exclusivamente por resenhas, crônicas e artigos de autoria dos acadêmicos.
Novos tempos, novas idéias e novas atitudes vieram transmutar, incentivar,
renovar e circular as idéias e os conhecimentos gestados individualmente ou
em co-autorias, a partir da parceria iniciada junto a Companhia Hidroelétrica do
São Francisco  CHESF que, a partir deste ano, passou a atuar como parceira
e patrocinadora das ações e publicações da APCA. Fato que inclui a
publicação do 2º volume dos Anais que, no prelo, demonstra o significativo
aumento desta produção, estando a Comissão Editorial às voltas com a
seleção e análise das resenhas, crônicas e artigos que irão compor o 3º
volume a ser publicado em dezembro de 2006.

Tomando ainda como foco a produção do conhecimento, ao iniciarmos a
organização do Banco de Dados desse grupo, percebemos nas respostas
recebidas que, no atual momento, se encontram sendo produzidos 11 livros

�além de textos e artigos, lado a lado com a organização de um grande
seminário.

Observamos, por fim, que este processo de interação entre a biblioteca
e a APCA vem sendo enriquecido pela abordagem on line, numa via de mão
dupla na qual as relações cotidianas de permuta e validação vêm ocorrendo
também no mundo virtual.

Nessa comunicação eletrônica metaforicamente, uma Ariadne moderna
compartilha e orienta o processo e no labirinto dos bytes, nos auxilia a
interagir com os 63% desses imortais que, internautas, já utilizam a internet
como ferramenta em suas tarefas e pesquisas. Com eles mantemos uma
sistemática comunicação via correio eletrônico. Ao fazer uso desse formato e
exercitar com a APCA essa estratégia de comunicação, passamos a praticar
com esses acadêmicos que têm entre 50, 60 e 70 anos e, em especial, com
aqueles de 80 anos, novas habilidades, visando a estimulá-los a pulverizar
idéias e costumes, sentindo-se modernos. Levá-los a reavaliar valores e
conceitos mas, sobretudo, a sentirem prazer ao fazer parte deste mundo
virtual.

O ciberespaço tem sido a infovia que nos permite também a troca de
informações e validação num alegre clima de confiança, empatia e sinergia.
Nele, já ocorre a circulação das atas das reuniões mensais para a leitura,
sugestões e críticas daqueles que integram este mundo virtual. Por outro lado,
estamos buscando estimular e conquistar os 37% que até o momento têm se
mostrado avesso a essa tecnologia, os sem e-mails, que continuam à margem
desse ciberespaço dos imortais, como denomina o acadêmico Fernando
Chaves Lins.

�5  UM FIO SOZINHO NÃO TECE, TRAZ ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
FINAIS.

Esta é uma narrativa que prossegue, fio a fio, sem ponto final. Nela,
prazerosamente, os fios se arrematam em nós que têm no passado seu lugar
de construção e, no presente, a tarefa coletiva de preservação, salvaguarda e
comunicação.

Nesse exercício do conviver com, passamos a partilhar a vida, a rotina,
as atividades, a somar olhares. Nesse processo, há 18 meses assumimos o
papel de pró-ativo e provocador e passamos realmente a ser partícipe desse
grupo, interagindo de modo presencial ou no mundo virtual. Esta sinergia
renovou os ânimos e levou o grupo a gestar novas ações tais como a criação
da homepage da APCA, a criação do Boletim da Academia com periodicidade
semestral, bem como atividades conjuntas com o Departamento de Agronomia
para 2007.

Como foi possível observar, nessa integração da biblioteca com a APCA,
uma teia de significados vem sendo construída, e merece ser olhada sob todos
os ângulos, pois, é mister (re)fazer, (re)criar, quebrar paradigmas e aperfeiçoar
outros, é urgente inovar.

Que as musas continuem nos inspirando, assim como a esses
acadêmicos, para que, juntos, possamos na urdidura, dar continuidade à trama
e viver a emoção e os sentimentos de fraternidade, incentivo, renovação,
evolução, companheirismo e vida, que formam a alma desta teia tênue, que se
vai tecendo entre todos nós.
6- REFERÊNCIAS
ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA AGRONÔMICA. Livro de ata:
1984  1985. Recife: APCA, 1985. 101 p.

�BOBBIO, Norberto. O tempo da memória: de Senectute e outros escritos. Rio
de Janeiro: Campus, 1997. p 30-31.
CASTORIADIS , Cornelius. As encruzilhadas do labirinto I. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1997, p.10.
CURY, Maria Catarina et all. O bibliotecário universitário: representações
sociais da profissão. Informação &amp; Sociedade/: Estudos. João Pessoa, v.11,
n.1, p. 86-98, 2001.
DE MASI, Domenico. Criatividade e grupos criativos. Rio de Janeiro:
Sextante, 2003, p.
___. A emoção e a regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. 6ª
ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p.
PINTO, Eudes de Souza Leão. A Academia Pernambucana de Ciência
Agronômica. Disponível em &lt;http://www.ufrpe.br/artigod/artigo-32.htm&gt;.
Acesso em 17 de julho de 2006.
ZIMMERMANN, David. Fundamentos teóricos. In: _____. Como trabalhar
com grupos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997, p. 23-31.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>No entrelace dos fios: a singularidade da trama entre a biblioteca e a academia.</text>
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              <text>Este texto narra a tecetura de uma teia harmoniosa, capaz de suportar o simbolismo e a cultura da Biblioteca e da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Nesse contexto, coexistem com o bibliotecário 30 acadêmicos, todos engenheiros agrônomos com idades entre 50 e 86 anos que, motivados e numa atitude pró-ativa, pesquisam e produzem conhecimento, publicam textos e realizam palestras, comprometidos com o social e o meio ambiente aliados à paixão pela causa agronômica. O convívio presencial e no ciberespaço com esses imortais direcionou o olhar bibliotecário ao resgate da História e da Memória Coletiva ali presentes. Ao chamado da Biblioteca, esses imortais responderam com entusiasmo, trazendo suas histórias de vida, sua relação com o universo acadêmico e sua produção científica e intelectual. Interagiram e socializaram sonhos e sentimentos relacionados à Universidade Federal Rural de Pernambuco  UFRPE, deixando transparecer a saudade, a emoção das lembranças e a alegria de continuar nesse convívio ao compartilhar o espaço e ações com a Biblioteca. Essa teia singular traz à mostra a Biblioteca enquanto instituição secular de preservação e salvaguarda do conhecimento, espaço democrático para o debate científico e, especialmente, disseminador ao tornar pública parte da memória agrícola do Estado de Pernambuco.</text>
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