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                  <text>Eixo I

Inovação e Criação

POLÍTICA DE INFORMAÇÃO E REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL PARA
ACERVOS AUDIOVISUAIS EM TV UNIVERSITÁRIA
INFORMATION POLICY AND INSTITUTIONAL REPOSITORY TO AUDIOVISUAL
COLLECTIONS OF ACADEMIC TELEVISION STATIONS

Resumo: Este trabalho consiste na primeira etapa metodológica de uma pesquisa de mestrado
em Ciência da Informação, que tem como objetivo desenvolver uma política de informação
para repositório institucional visando à gestão de acervos audiovisuais. A partir da pesquisa
bibliográfica e da análise documental, apresenta as diretrizes publicadas pela International
Federation of Library Associations and Institutions e pela International Association of Sound
and Audiovisual Archives, com a finalidade de definir os elementos para uma política de
informação audiovisual. Para coleta de dados, o procedimento utilizado foi a observação
participante, que se deu por meio de visitas realizadas na redação de um programa de
televisão produzido por uma universidade pública brasileira, onde houve conversas informais
com a equipe de jornalistas e anotações em diário de campo. Na estruturação do protótipo de
um repositório institucional, três vídeos foram selecionados para análise de conteúdo, descrita
em planilhas e resultando na definição de metadados no software DSpace e na proposta inicial
de comunidade, subcomunidade e coleções para repositório digital da TV universitária
visitada. Conclui apresentando inferências acerca dos possíveis resultados da pesquisa,
discutindo os elementos a serem levados em consideração na elaboração da política
audiovisual, a saber: política de seleção e desenvolvimento de acervos audiovisuais; política
de metadados baseados no padrão Dublin Core e no DSpace; e política de acesso e uso do
repositório.
Palavras-chave: Política de informação. Repositório institucional. Acervo audiovisual.
Programa de televisão. TV universitária.
Abstract: This paper presents the first methodological stage of a post-graduation research on
Information Science, which aims to develop an information policy to manage audiovisual
collections on digital repository. Bibliographical research and documentary analysis made
possible the discussion of the guidelines published by the International Federation of Library
Associations and Institutions and the International Association of Sound and Audiovisual
Archives, focusing on deciding the elements that will be proposed as audiovisual information
policy. The participant observation was used as a procedure to collect data, by visiting a
825

�production department, taking notes, and also by talking to the crew of an academic television
station placed in a federal university in Brazil. The prototype of an institutional repository was
developed on DSpace, from watching three videos and analyzing its content, which was
described on spreadsheets and, after that, its metadata had resulted in the initial proposal of
communities and collections to a digital repository. Finally, this study concludes that it is
possible to make inferences on the results of the post-graduation research through discussing
some elements which should be taken into consideration at developing the information policy,
such as: selection and development of audiovisual collections; metadata based on the Dublin
Core format from DSpace; and guidelines to promote the access and use of the repository.
Keywords: Information policy. Institutional repository. Audiovisual collections. TV program.
Academic television station.

1 INTRODUÇÃO
Uma das responsabilidades que cabe diretamente ao bibliotecário é a definição de
políticas de informação enquanto documentos normativos que estabeleçam diretrizes para a
gestão de acervos e norteiem procedimentos a serem adotados por uma determinada
comunidade no que se refere à disponibilização de sua produção científica, técnica, artística
ou cultural. Para além dos muros de uma biblioteca universitária, existem acervos que
necessitam da mediação do bibliotecário para que sejam disponibilizados eficazmente ao seu
respectivo público. Dentre esses acervos, estão os audiovisuais, que nem sempre receberam a
devida atenção por parte das bibliotecas (SMIT, 1993).
A produção informacional e documental em larga escala que caracteriza os ambientes
de informação audiovisual, tais como emissoras de televisão, cinematecas e agências de
publicidade, dentre outros, exige do bibliotecário uma postura diferenciada, no sentido de
propor metodologias de trabalho que venham ao encontro da dinâmica específica desses
ambientes. No meio acadêmico, por exemplo, são muitas as possibilidades de produção
audiovisual, com realidades distintas, de acordo com cada comunidade, haja vista algumas das
situações com as quais já nos deparamos: recebimento de DVDs como doação para o acervo
das bibliotecas; trabalhos de conclusão de curso em formato de documentário; eventos
científicos gravados e exibidos online; palestras, videoconferências, videoaulas, premiações
importantes, lançamentos de livros, defesas de teses e dissertações, cerimônias de posse e de
colação de grau, espetáculos teatrais e musicais etc.
Diante dessa realidade, compartilharemos neste trabalho uma proposta de atuação do
bibliotecário na gestão do acervo audiovisual de um programa de televisão produzido por uma
826

�universidade pública. O objetivo é apresentar a primeira etapa metodológica de uma pesquisa
de mestrado que visa desenvolver uma política de informação para repositório institucional de
acervos audiovisuais, cujo ambiente de pesquisa é o referido programa de TV universitária.
2 GESTÃO DA INFORMAÇÃO AUDIOVISUAL
Desde o início dos anos 2000, há diretrizes para a gestão da informação e
documentação audiovisual sendo aperfeiçoadas nacional e internacionalmente, com o
respaldo de importantes instituições. Nesse sentido, consideramos quatro documentos
pertinentes para a Biblioteconomia e Ciência da Informação: a versão oficial e a proposta de
atualização das Directrizes para Materiais Audiovisuais e Multimedia em Bibliotecas e Outras
Instituições, da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA,
2006, 2017), as Guidelines on the Production and Preservation of Digital Audio Objects e o
Handling and Storage of Audio and Video Carriers, da International Association of Sound
and Audiovisual Archives (IASA, 2009, 2014).
Em seus princípios gerais, as diretrizes da IFLA destacam o papel mediador do
bibliotecário como o

-se em disponibilizar informação nos

formatos mais adequados às diferentes necessidades e tipos de utilizador [usuário], que devem
claramente discernirbibliotecário definir estratégias que permitam o acesso livre de uma determinada comunidade
ao que está sendo produzido na instituição ou no ambiente de onde acessa informação. Tendo
em vista o ano de 2006, essas mesmas diretrizes estabelecem que:
Um grande volume de informação, em constante crescimento
cobrindo quer
interesses educacionais e recreativos, quer necessidades de informação tem vindo
a ser produzido numa grande variedade de formatos audiovisuais e electrónicos. O
acesso a estes materiais deve ser tão livre e gratuito como o acesso a materiais
impressos. (INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS
AND INSTITUTIONS, 2006, p. 3, grifo nosso).

Percebemos, na verdade, uma grande mudança ao compararmos o cenário dos anos
pós-2010 com o da citação acima, pois muitas nuances se destacam na produção audiovisual,
tais como: a chegada da alta definição das imagens, a popularização da TV a cabo, a
consolidação dos serviços de streaming, a era da convergência e transmídia (COSTA, 2010;
JENKINS, 2009), o amplo alcance do YouTube, o autoarquivamento, a preservação digital e,
dentre outras especificidades, a produção cada vez maior de registros audiovisuais nas
827

�universidades públicas. Neste último caso, a biblioteca universitária como ambiente híbrido
de informação (RODRÍGUEZ BRAVO, 2002), isto é, onde coexistem acervos físicos e
digitais, precisa incorporar à sua rotina a gestão da produção audiovisual de maneira
institucional, determinando critérios e diretrizes para gestão das coleções físicas e do material
em meio digital. Associada à formação desses dois tipos de acervo com informação
audiovisual, Primo e Cabral (2014) trazem uma abordagem que se relaciona diretamente com
a produção de conteúdo quando diferenciam os vídeos analógicos dos digitais:
Os vídeos analógicos são aqueles que foram gravados em mídias como fitas
magnéticas. Esse tipo cedeu lugar para os vídeos digitais graças à evolução da
tecnologia e ao fácil acesso aos dispositivos de captura. [...] Vale lembrar que o
vídeo digital é aquele que pode ser manipulado em computador. Os formatos de
arquivo mais comuns são MPEG, AVI e DivX. Para a TV Digital, o formato usado é
o DVB e para o consumo são adotados os formatos DVD-Vídeo e Vídeo CD. O
vídeo digital pode ser transmitido pela internet e por redes telefônicas digitais.
(PRIMO; CABRAL, 2014, p. 136).

No anexo C da proposta de atualização das diretrizes da IFLA (2017, p. 17-19), estão
descritos os principais suportes físicos utilizados no registro da informação audiovisual, dos
quais os DVDs são tidos como predominantes nos acervos das bibliotecas, na medida em que
as fitas DV e, mais recentemente, os cartões de memória e HDs predominam na rotina de
gravação das emissoras de televisão. Com isso, um detalhe importante que precisa ser
considerado pelo bibliotecário é a definição sobre qual o formato de vídeo será incorporado
ao acervo digital, quais sejam: FLV, AVI, WMV, MOV, RMVB, MPEG, MKV, dentre
outros.
Sobre os vídeos digitais como meio de visibilidade do que se produz na universidade
em termos de audiovisual, os repositórios institucionais são a ferramenta essencial para que as
imagens sejam salvaguardadas, preservadas e acessadas por uma comunidade de usuários
stitucional é
uma biblioteca digital destinada a guardar, preservar e garantir livre acesso, via internet, à
Entretanto, tendo em vista som e imagens em movimento, esse conceito se estende
para além da produção técnico-científica, pois as manifestações artísticas, culturais, políticas e
de cunho não científico caracterizam a produção do documento audiovisual, e a proposta de
um repositório institucional deve englobar a configuração de metadados e interface própria de
acordo com o tipo de coleção a ser incorporado ao acervo digital. Como exemplo, os
metadados destinados à catalogação e indexação de um documentário nem sempre serão os
828

�mesmos adotados para um programa de televisão. Acerca da escolha dos metadados, as
diretrizes da IASA (2009), uma das associações mais atuantes na gestão audiovisual,
estabelecem o padrão Dublin Core como o mais flexível para configurar os campos e a
interface de busca em repositórios audiovisuais.
No que se refere ao desenvolvimento de coleções de áudio e vídeo, sejam físicas ou
tipo de recursos, os quais podem variar de formato para formato. Tais critérios serão a base do
desenvo

IFLA, 2006, p. 6). Neste aspecto, o manual da

IASA (2014) apresenta diretrizes que visam subsidiar as tomadas de decisão quanto às mídias
de arquivamento, preservação digital e condições de temperatura nos acervos físicos de
documentação audiovisual, dentre outras variáveis que influenciam na gestão da informação.
Vergueiro (2010) sinaliza a formação de acervos audiovisuais num capítulo
exclusivamente sobre seleção de materiais especiais e multimeios, no qual o autor destaca os
filmes, vídeos e DVDs como materiais passíveis de serem incorporados aos acervos das
bibliotecas. Em sua discussão, independente do tipo de material informacional, a incorporação
do audiovisual dependerá da natureza e
busca de critérios, deve-se discutir o papel que esse material representará no conjunto do
ou, em alguns casos, substituídos pela disponibilização do conteúdo em ambiente digital, a
exemplo do que ocorre nos canais de vídeos do YouTube e em outros veículos de
comunicação que consolidam o fenômeno da transmídia (COSTA, 2010).
3 PERCURSO METODOLÓGICO
No desenvolvimento deste trabalho, utilizamos a pesquisa bibliográfica e a análise
documental visando à definição das bases para elaboração de uma política de informação
audiovisual. Com a finalidade de delimitar a abordagem, dentre a amplitude que o tema
gestão da informação audiovisual nos possibilita pesquisar, adaptamos, para a pesquisa
bibliográfica, a técnica da pirâmide invertida apresentada por Hohendorff (2014), a qual
permite delinearmos a temática de pesquisa partindo do assunto mais geral para o mais
específico, conforme as perguntas e respostas da figura 1:

829

�Figura 1

Pirâmide invertida para a delimitação da pesquisa bibliográfica.

Fonte: Elaborado pelos autores (2017), baseado em Hohendorff (2014, p. 42).

Desse modo, tivemos acesso a estudos recuperados pelas palavras-chave da pirâmide
invertida, a saber: informação audiovisual (CALDERA-SERRANO, 2014; PRIMO;
CABRAL, 2014); repositório institucional (COSTA; LEITE, 2009; MARCONDES; SAYÃO,
2009); e política de informação (TOMAÉL; SILVA, 2007). Baseado nesse aporte teórico,
discutimos, na seção anterior, as características dos acervos audiovisuais e sua incorporação
em repositório digital.
A análise documental foi realizada com base em quatro publicações de caráter
normativo e enquanto diretrizes para a gestão audiovisual (IFLA, 2006, 2017; IASA, 2009,
2014), possibilitando-nos definir os elementos para elaboração de uma política de informação
(TOMAÉL; SILVA, 2007). Referente à análise documental, concordamos com Sá-Silva,
Almeida e Guindani (2009, p. 10) quando afirmam que esse método se propõe, dentre outros
compreender os fenômenos. [...] O investigador deve interpretá-los, sintetizar as informações,
documentos, a síntese das informações e as nossas inferências foram registradas em
fichamentos e em diário de campo durante o primeiro semestre do ano de 2017, e os
principais pontos acerca dos quatro documentos também foram discutidos na seção anterior.
Para coleta de dados, recorremos à observação participante (ABIB; HOPPEN;
HAYASHI JUNIOR, 2013; CUNHA; AMARAL; DANTAS, 2015) em visitas técnicas à
redação de um programa de televisão com conteúdo produzido para uma universidade
pública. Durante as visitas, houve conversas informais com os profissionais envolvidos no
830

�desenvolvimento das atividades de produção do material audiovisual, o qual é gravado e
veiculado para posterior disponibilização online no YouTube. Procedemos com anotações em
diário de campo, por meio do software Evernote, que também nos conduziram a pensar nos
elementos para uma política de informação.
Após essa etapa, selecionamos, aleatoriamente, três programas, datados do ano de
2016, para assistirmos a fim de nos familiarizar com o conteúdo produzido e extrair as
principais informações de cada vídeo. Para o preenchimento das informações sobre os
programas, estruturamos três planilhas, contendo os seguintes campos: título do programa;
data de exibição; título da reportagem; tempo de duração da reportagem, de cada bloco e do
programa na íntegra; nome dos entrevistados, repórteres, cinegrafistas,

editores,

apresentadores e produtores; local de gravação; sinopse, palavras-chave e descrição das
imagens de cada matéria (CALDERA-SERRANO, 2014).
Tomando como base as planilhas preenchidas, fez-se necessária a representação
descritiva e temática da informação em repositório digital, onde constatamos que a
configuração dos metadados no software DSpace permite uma maior visibilidade ao acervo
audiovisual. Instalamos, portanto, o DSpace em computador pessoal e definimos uma
estrutura hierárquica flexível (COSTA; LEITE, 2009) na criação de comunidade,
subcomunidade e coleções a partir do material assistido, categorizando (BARDIN, 2016) os
metadados de acordo com os campos definidos nas planilhas. A figura 2 ilustra o resultado
dessa etapa inicial da pesquisa:
Figura 2

Comunidades e coleções da proposta de repositório audiovisual.

Fonte: Elaborado pelos autores no DSpace (2017).

831

�Nessa estrutura, temos: o setor responsável pela produção do programa como
comunidade do repositório; o título do programa como subcomunidade; e as coleções
preestabelecidas de acordo com os dois semestres do ano de 2016, a fim de que os vídeos
sejam incorporados segundo a data de exibição. O ano de 2016 foi escolhido como parâmetro
para a construção desse modelo de repositório devido ao fato de as visitas à redação da TV
universitária terem ocorrido no início do primeiro semestre de 2017. Logo, as visitas e a
estruturação do protótipo do repositório institucional se deram concomitantemente.
Por fim, desenvolvemos um mapa conceitual que apresenta os elementos para uma
política de informação destinada à gestão de acervos audiovisuais em repositório institucional.
Esse mapa, por sua vez, originará um modelo para nortear a elaboração da política, na medida
em que avançarmos na pesquisa de mestrado. Assim, a proposta inicial de delineamento do
repositório institucional e da política de informação pode ser visualizada na figura 3:
Figura 3

Elementos para elaboração da política de informação audiovisual.

Fonte: Elaborado pelos autores (2017), baseado em Tomaél e Silva (2007).

Ao analisarmos a figura 3, temos como ambiente de pesquisa uma TV universitária
que disponibiliza online todos os programas na íntegra, porém, sem a presença de um
bibliotecário para gerir eficazmente o acervo audiovisual. Para tanto, a proposta de um
repositório institucional no DSpace, com a finalidade de incorporar as reportagens produzidas,
exige, consequentemente, a elaboração de uma política de informação, objetivo geral da
pesquisa, que contemple os seguintes elementos: critérios específicos para seleção e
832

�desenvolvimento de acervos audiovisuais (IFLA, 2006, 2017; VERGUEIRO, 2010),
configuração de metadados (IASA, 2009, 2014) e diretrizes para indexação (RUBI, 2012),
autoarquivamento, preservação digital e estratégias de acesso e uso (TOMAÉL; SILVA,
2007).
Nessa vertente, os objetivos específicos da pesquisa norteiam a proposta de elaboração
da política de informação: analisar o acervo audiovisual da TV universitária, disponível no
YouTube, a fim de incorporá-lo ao repositório institucional; definir diretrizes para construção
da política de informação audiovisual; e propor a atuação do bibliotecário na implantação da
política e na gestão dos acervos audiovisuais da universidade. O objeto de estudo é, portanto,
o acervo de imagens; e o ambiente da pesquisa, a TV universitária.
Do mapa conceitual ilustrado na figura 3, extraímos o recorte a ser abordado nas
considerações parciais deste trabalho, que vão ao encontro do que foi discutido até aqui (ver
figura 4):
Figura 4

Recorte dos elementos para elaboração da política de informação audiovisual.

Fonte: Elaborado pelos autores (2017), baseado em Tomaél e Silva (2007).

A figura 4 traz os elementos-chave para a elaboração das primeiras diretrizes a
constarem na política de informação para repositório audiovisual, para o qual definiremos,
833

�inicialmente, as orientações relativas às políticas de seleção e desenvolvimento de acervos, de
metadados e de acesso e uso. Nesse sentido, haverá metodologias próprias que nos conduzirão
a definir cada orientação a ser preestabelecida na política, dadas as especificidades das
diretrizes e as inferências dos resultados que esperamos alcançar a partir da aplicação da
pesquisa. A seguir, teceremos algumas considerações parciais sobre esses aspectos.
4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A primeira abordagem da política de informação determinará os critérios de seleção e
desenvolvimento de acervos audiovisuais, partindo da definição do formato de vídeo,
espaço de armazenamento e análise de conteúdo das imagens.
Após os processos de captura e edição de imagens, o programa na íntegra vai ao ar
num canal de televisão UHF. Para realizar o percurso da universidade à sede da TV que
transmite o programa, os vídeos são salvos em HD externo e transportados para a central de
exibição, comumente denominada de setor Master na maioria das emissoras de TV. Após a
veiculação, os vídeos são deletados do HD, no intuito de otimizar o espaço de armazenamento
para os demais programas e matérias editadas. Em seguida, cada programa é postado na
íntegra em canal do YouTube, e nessa convergência de mídias há uma questão a ser pensada
antes de estabelecermos a primeira diretriz da política: qual o formato de vídeo mais
adequado às necessidades informacionais da comunidade de jornalistas?
O formato exibido pela TV aberta é o MOV, com imagens em alta definição, mas, ao
fazer o upload do vídeo para o YouTube, ocorre, inevitavelmente, a perda na qualidade de
som e imagem, se comparados à exibição original. A conversão do vídeo se dá para o formato
MPEG; portanto, este será o formato definido na política para submissão ao repositório
institucional. Quanto à seleção do material a ser incorporado ou não ao repositório, a própria
comunidade é quem decidirá se o programa será catalogado e indexado na íntegra, por bloco
ou por matéria, considerando sempre o cadastro do programa mais recente para o mais antigo.
O método da análise de conteúdo também será utilizado nesse processo. Na medida
em que assistirmos às reportagens, a categorização dos programas far-se-á necessária para
determinar o assunto principal de cada vídeo, que chamaremos, na pesquisa, de retranca. Não
será possível atribuir as palavras-chave nessa categorização inicial, pois o objetivo é a
familiarização com as produções da TV universitária. Para isso, escolheremos uma
amostragem a partir do acervo disponível no YouTube, e os anos de 2017 e 2018 serão
834

�priorizados para a execução da análise, seguindo o critério de serem trabalhados os programas
mais recentes e, além disso, pelo fato dos programas passarem a ser exibidos novamente em
TV aberta no início de 2017.
Na estruturação do protótipo do repositório, definimos a primeira comunidade,
subcomunidade e coleção, porém, para incluir efetivamente os campos inseridos nas planilhas
preenchidas, será necessária a realização de testes na composição de cada metadado no
DSpace. O título do programa e a data de exibição serão os metadados norteadores das
diretrizes acerca da configuração dos campos para representação descritiva e temática da
informação, por isso a comunidade definida foi o setor responsável pela produção dos
programas, tendo como subcomunidade o título do programa e como coleções os programas
divididos por semestre, visando a uma melhor navegação e visualização do usuário no
momento da busca por data de exibição. Em arquivos de TV, é convencional a organização do
acervo físico por título do programa e data de exibição; assim, replicamos esse método na
proposta de repositório digital e o abordaremos na política de metadados.
Torna-se insignificante toda e qualquer estratégia ou tentativa de gestão da informação
audiovisual se não houver a efetiva participação da comunidade e a mediação do bibliotecário
em todo o fluxo de submissão. Por isso, estabeleceremos a política de acesso e uso com base
nos princípios de mediação da informação. Desde as conversas informais até a apresentação
da estrutura do repositório, a opinião dos (futuros) usuários é essencial para o sucesso deste
desafio. Portanto, determinar critérios para o estudo de comunidade e usuários, designar
responsabilidades na implantação e gestão do repositório, assim como padronizar os fluxos de
submissão e arquivamento, constituir-se-ão em vertentes a serem trabalhadas nesta política.
Iremos propor à comunidade a submissão por autoarquivamento, da mesma forma
como os jornalistas incorporam o acervo ao YouTube, com a diferença de que a universidade
institucionalizará a sua produção audiovisual por meio de uma biblioteca digital específica
para esse tipo de coleção e, por consequência, atuará em conjunto com bibliotecários
especialistas na gestão de informação sonora e de imagens em movimento.
Encerraremos, parcialmente, esta discussão inicial sobre gestão da informação
audiovisual em TV universitária evocando os aspectos metodológicos que nos motivaram a
propor um modelo de repositório audiovisual e uma consequente política de informação: a
formulação de hipótese em consonância com os objetivos da pesquisa, apresentados na seção
anterior. Partimos, então, da seguinte hipótese: ainda que os programas da TV universitária
estejam disponíveis, na íntegra, em canal do YouTube, é necessário institucionalizar a gestão e
835

�promover o acesso aberto à informação audiovisual; logo, a elaboração de uma política de
informação se constitui em fator-chave para levar adiante toda e qualquer estratégia de gestão
informacional e documental. Dessa forma, entendemos que essa hipótese vai ao encontro das
inferências deste trabalho, ou seja, daquilo que almejamos como resultados de pesquisa.
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              <text>Este trabalho consiste na primeira etapa metodológica de uma pesquisa de mestrado em Ciência da Informação, que tem como objetivo desenvolver uma política de informação para repositório institucional visando à gestão de acervos audiovisuais. A partir da pesquisa bibliográfica e da análise documental, apresenta as diretrizes publicadas pela International Federation of Library Associations and Institutions e pela International Association of Sound and Audiovisual Archives, com a finalidade de definir os elementos para uma política de informação audiovisual. Para coleta de dados, o procedimento utilizado foi a observação participante, que se deu por meio de visitas realizadas na redação de um programa de televisão produzido por uma universidade pública brasileira, onde houve conversas informais com a equipe de jornalistas e anotações em diário de campo. Na estruturação do protótipo de um repositório institucional, três vídeos foram selecionados para análise de conteúdo, descrita em planilhas e resultando na definição de metadados no software DSpace e na proposta inicial de comunidade, subcomunidade e coleções para repositório digital da TV universitária visitada. Conclui apresentando inferências acerca dos possíveis resultados da pesquisa, discutindo os elementos a serem levados em consideração na elaboração da política audiovisual, a saber: política de seleção e desenvolvimento de acervos audiovisuais; política de metadados baseados no padrão Dublin Core e no DSpace; e política de acesso e uso do repositório.</text>
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