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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
FURTO DE OBRAS RARAS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
THEFT OF RARE BOOKS IN ACADEMIC LIBRARIES

Resumo: Bibliotecas, arquivos e museus são guardiões de patrimônio cultural ameaçado pela
cobiça de colecionadores particulares e consequentemente pela cobiça de criminosos atraídos
pelo alto retorno financeiro que podem obter e pelo baixo risco enfrentado. Como as
instituições devem conciliar gestão de acervo, divulgação e acesso, sem comprometer a
segurança patrimonial? Como podem se defender desse tipo de crime? O que fazer quando se
percebe vítima de furto? Em 2016 aconteceu uma série de furtos em bibliotecas universitárias
brasileiras e um dos alvos foi a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo. Como reação, ela reviu procedimentos de trabalho; iniciou
estudos para um plano de segurança; e realizou o Encontro sobre Segurança de Acervos Raros
e Especiais, primeiro espaço aberto para debate de temas sempre velados: segurança
patrimonial, legislação, gestão de coleções raras e relatos de casos de furto. Assumir-se vítima
desse tipo de crime é constrangedor, mesmo assim não se deve omitir a ocorrência. As
instituições precisam criar uma rede de cooperação para fortalecer as estratégias de
preservação do patrimônio cultural nacional.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Furto de obras raras. Segurança patrimonial.
Abstract: Libraries, archives and museums are guardians of cultural heritage threatened by
the selfishness of private collectors and, consequently, by the greed of criminals due to the
high financial profit and the low risk of punishment. How can cultural institutions coordinate
collection management, disclosure and access, without risking its security? What are the
strategies for preventing theft and vandalism of collections? How to respond to theft? In 2016,
several thefts happened in Brazilian academic libraries and one of the targets was the
. In response to
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
that, it reviewed working procedures; initiated studies for a security plan; and held Encontro
sobre Segurança de Acervos Raros e Especiais, the first open forum for debating usual veiled
issues: heritage security, legislation, management of rare collections and reports of theft cases.
o assume being a victim of this type of crime, nevertheless institutions
it. Institutions must create a network of cooperation to strengthen the strategies
of security and preservation of the national cultural heritage.
Keywords: Academic libraries. Theft of rare books. Security measures.

�1 INTRODUÇÃO
Ser guardião de patrimônio cultural é uma honra para as instituições. Honra que exige
muita responsabilidade, que exige zelar e garantir a preservação ao mesmo tempo em que
exige garantir a difusão e o acesso. Mas, como conciliar essas demandas? Especialmente
quando não se dispõe de todos os recursos necessários.
Devido à sua importância histórica e cultural o patrimônio sob custódia das
instituições de cultura, ensino e pesquisa é alvo constante da cobiça de colecionadores
particulares dispostos a pagar qualquer quantia por ele no mercado paralelo, ou mesmo em
leilões oficiais, como expõe Kushnir (2009).
A ganância que atravessa a sociedade, o individualismo que deseja particularizar,
que pretende, para si, determinados bens de natureza intrinsecamente coletiva.
Objetos de grande significação vão perdendo o sentido histórico, para se tornarem
bens de valor monetário e de mercado. (KUSHNIR, 2009, p.12)

O presente trabalho se apoia na realização do Encontro sobre Segurança de Acervos
Raros e Especiais, idealizado pelo Serviço Técnico de Biblioteca da Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), para compartilhar a ocorrência e os
desdobramentos do caso de furto do qual foi vítima em 2016; para destacar algumas diretrizes
na elaboração de um plano de segurança patrimonial; e para provocar o debate sobre esse
tema tão relevante e paradoxalmente tão relegado por todos.
Apesar da óbvia dificuldade em fazê-lo, entende-se que este é o momento oportuno
para expor fragilidades que talvez sirvam de alerta a outras bibliotecas, ou a outras
instituições públicas ou privadas guardiãs de patrimônio, cujas coleções, por fortúnio, ainda
não tenham sido alvo de furto ou roubo.
2 BIBLIOTECA DA FAUUSP E O FURTO DE OBRAS RARAS
O Serviço Técnico de Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo, aqui denominado Biblioteca da FAUUSP, foi criado juntamente
com a Faculdade em 1948 e figura entre as mais importantes bibliotecas universitárias
especializadas em Arquitetura, Planejamento Urbano, Design, Artes Visuais e áreas afins.
Destaca-se também por abrigar uma das maiores coleções universitárias no Brasil de desenhos
originais de arquitetura, relacionados especialmente à arquitetura paulista, frutos do trabalho de
escritórios e profissionais renomados, completando sua coleção iconográfica com fotografias,
diapositivos, negativos, gravuras e cartazes.

�Como toda biblioteca universitária, seu público principal são os docentes e os discentes
de Graduação e Pós-Graduação nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design. Mas, seus
acervos atraem também a comunidade acadêmica de outras Faculdades e Institutos da USP; de
outras instituições de ensino superior; pesquisadores independentes; veículos de comunicação;
museus; escritórios de arquitetura; editoras; e o público em geral. Brasileiros e estrangeiros.
Cada vez mais se observa que parte do acervo da Biblioteca da FAUUSP passa a
configurar-se como importante fonte para a historiografia da arquitetura, demandando novas
estratégias para sua gestão, tanto por parte da equipe técnica quanto por parte da Faculdade. A
própria Universidade de São Paulo deveria debruçar-se em um planejamento amplo para
garantir a salvaguarda do patrimônio cultural depositado em suas bibliotecas, arquivos e
museus.
A Biblioteca da FAUUSP tem a sua sede instalada, desde 1969, no edifício Vilanova
Artigas, no campus Butantã - Cidade Universitária. Passou por reforma das instalações e
ganhou novo layout em 1997, e desde então segue com a mesma configuração, apenas
incorporando alguns pequenos espaços de reserva técnica no mesmo edifício. Seus
procedimentos de trabalho também seguiam razoavelmente padronizados até que em 2016 foi
uma das vítimas da série de furtos de obras raras que acometeu bibliotecas da USP e de outras
instituições, orquestrada por um indivíduo já condenado anteriormente por esse tipo de crime.
Os criminosos se valeram de diversas técnicas para subtrair o patrimônio cultural da
USP: arrombaram vitrines e substituíram as obras em exposição; apresentaram-se como
pesquisadores assíduos e tiveram a liberdade para consultar, o que lhes permitiu recortar
fotografias e gravuras, deixando como vestígio a violação de páginas e miolo dos livros;
levaram os miolos, deixando as capas; levaram publicações inteiras escondidas por baixo do
casaco; e tantas outras violações que talvez serão percebidas apenas daqui a alguns anos quando
estas coleções passarem por um inventário-descritivo (análise bibliológica) ou quando um
pesquisador notificar a equipe da biblioteca de que a obra em consulta está incompleta.
Uma das bibliotecas visitadas pela dupla de criminosos na USP conseguiu evitar o furto,
especialmente devido ao controle de acesso mais rigoroso e por desconfiar do interesse dos
foi ágil para fotografar a
carteira de RG apresentada por um dos criminosos; reconhecê-lo em matérias disponíveis na
internet sobre seu histórico de furtos e prisões; e alertar a equipe de segurança universitária.
Alertou também as demais bibliotecas, entre elas a da FAU, e foi o que fez com que esta
desconfiasse de que poderia ter sido vítima de furto, afinal a dupla tinha frequentado a
biblioteca por alguns dias, semanas antes.

�Perceber-se vítima de furto de itens da coleção, especialmente de itens raros, gera
sentimento de vergonha, de incompetência, de desorientação; gera receio de repreensão legal;
de repreensão administrativa; de depreciação de todo o trabalho realizado em décadas; de
descrédito sobre a competência para administrar uma biblioteca e zelar pelo patrimônio sob sua
responsabilidade. As consequências legais e administrativas ainda não são conhecidas no caso
da Biblioteca da FAUUSP, pois o caso ainda tramita judicialmente, tendo sido feita ainda em
julho de 2017 uma prestação de informação à 18ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, e por não ter sido concluída a sindicância interna na Faculdade.
O furto provocou a inevitável revisão de procedimentos, buscando identificar falhas na
preservação do acervo circulante e do acervo raro, minimizando-as com os recursos disponíveis.
A primeira medida foi estabelecer um maior controle de acesso às áreas de reserva especial e
alterar o esquema de consulta; foram iniciados estudos para implantação de uma política de
segurança patrimonial e de gestão das coleções especiais; cooperação com outras instituições;
participação em grupo de trabalho interdisciplinar para promover estudos e apoio às instituições
guardiãs de patrimônio cultural que deve ser encarado como patrimônio cultural nacional. Os
furtos não afetam apenas as instituições guardiãs, mas a sociedade como um todo, ainda que
esta não se dê conta (ENCONTRO..., 201788; KUSHNIR, 2009; GREENHALGH, 2014).
Patrimônio cultural de um povo compreende as obras de seus artistas, arquitetos,
músicos, escritores e cientistas e também o trabalho de artistas anônimos, expressões da alma
popular, e o conjunto de valores que dão sentido à vida. Sejam expressões materiais e imateriais
da criatividade desse povo: idiomas, ritos, crenças, lugares e monumentos históricos, literatura,
obras de arte, arquivos e bibliotecas.
Todo povo tem o direito e o dever de defender e preservar seu patrimônio cultural, dado
que uma sociedade se reconhece através dos valores que lhes servem de inspiração criadora.
(UNESCO, 1982, p. 3, tradução nossa, grifo nosso)
Toda essa revisão de procedimentos exige mudança da cultura organizacional, mudança
que enfrenta resistência, uma reação esperada porque mexe com as relações de poder vigentes
(GREENHALGH, 2016). Por isso, faz-se necessário o trabalho contínuo de conscientização de
todos

gestores, equipe e usuários

sobre a importância dos procedimentos estabelecidos e o

envolvimento para garantir o êxito do plano de segurança patrimonial.

88

Toma-se a liberdade de adaptar esta citação às palestras proferidas no ENCONTRO SOBRE SEGURANÇA
DE ACERVOS RAROS E ESPECIAIS (2017) e que serão relatadas no próximo tópico deste artigo. Todas
destacaram a importância da valorização das coleções de bibliotecas como patrimônio cultural nacional junto às
equipes técnicas, gestores e sociedade civil. Ao longo do texto serão feitas outras menções a algumas falas.

�3 ENCONTRO SOBRE SEGURANÇA DE ACERVOS RAROS E ESPECIAIS
Em resposta à lastimável ocorrência de furto na Biblioteca da FAUUSP, se realizou este
evento pioneiro no debate aberto e exclusivo sobre temas tão preocupantes: segurança
patrimonial e furto de coleções raras e especiais. Apesar de não serem temas novos costumam
ficar velados e, por isso, desconhecidos por muitos profissionais e pela sociedade. Era evidente
a urgência em criar um espaço para discussão; para compartilhar experiências; proporcionar
orientação sobre prevenção contra esse tipo de crime; sobre como agir quando se descobre
vítima; e discutir questões legais.
O Encontro sobre Segurança de Acervos Raros e Especiais foi construído em
colaboração com alguns dos palestrantes, com o Serviço de Biblioteca e Documentação da
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e com a Biblioteca Brasiliana
Guita e José Mindlin. Foi realizado em outubro de 2017 durante a Semana do Livro e da
Biblioteca na USP, oferecendo em sua programação as palestras Segurança na Universidade de
São Paulo, pelo Prof. Dr. José Antonio Visintin, Diretor da Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnica da USP e Superintendente de Prevenção e Proteção Universitária, que apresentou
o plano de segurança geral USP Segura e algumas propostas de segurança para as bibliotecas
cujo projeto está em andamento junto com o Sistema Integrado de Bibliotecas, embora a
execução dependerá de cada Faculdade.
Epidemia de roubo de livros em bibliotecas?: os acervos nas universidades em risco,
proferida pelo Prof. Fabiano Cataldo de Azevedo, bibliotecário professor da Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e integrante dos comitês da IFLA Rare Books
and Special Collection Section e Cultural Heritage Programme Advisory Committee, que
comentou sobre a importância em reconhecer os crimes de roubo e furto como risco ao
patrimônio bibliográfico e que devem ser encarados como desastre nacional, perda coletiva e
não exclusiva da instituição que foi vítima. É premente compreender o que é patrimônio
bibliográfico nacional; conscientizar e formar bibliotecários para gestão de bens patrimoniais;
conscientizar gestores; reconhecer que a gestão de acervos raros não se resume a livros
tradicionalmente denominados como tal. É preciso saber o que preservar. Qual é a característica
do crime de furto e roubo de livros no Brasil? Por que bibliotecas universitárias são alvo? Por
que divulgamos pouco? Por que falamos pouco? Existe culpado?
Economia do crime e cultura organizacional: implicações na segurança de bens foi a
palestra do Dr. Raphael Diego Greenhalgh, bibliotecário Chefe do Setor de Obras Raras da
Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB), que destacou a importância de se ter

�ciência de que as instituições guardiãs são parte de um cenário complexo, não depende apenas
delas o combate a esse tipo de crime e a tentativa de dissuadir os criminosos. Casos de furto e
roubo são comuns no mundo todo, registra-se ao menos um por ano, mas certamente há
muitas outras ocorrências que ficam silenciadas pelas próprias instituições. Foram
apresentados os conceitos de Economia do Crime; Teoria do Crime; Teoria da Dissuasão;
alguns crimes de furto no Brasil e o índice de recuperação de obras; a influência da cultura
organizacional na gestão da segurança de acervos; e a importância das instituições
promoverem suas coleções perante a sociedade para despertar a valorização do patrimônio por
parte desta e para que casos de furto e roubo de livros provoquem a mesma comoção que furto
de obras de arte, observação semelhante feita por Fabiano Cataldo.
Aprendendo com o sinistro: as medidas de segurança adotadas pela Biblioteca
Nacional foi a palestra de Maria José da Silva Fernandes, bibliotecária de carreira da
Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Coordenadora-Geral do Centro de Coleções e Serviços
aos Leitores. Foram apresentados casos de furtos ocorridos em 2004, 2005 e 2010; seus
desdobramentos até recentemente, quando em 2016 funcionários foram convocados pelo
Ministério Público Federal a depor como testemunhas de acusação no julgamento de um dos
casos. Foram descritas as estratégias dos criminosos nos três casos, respectivamente:
tumulto para distrair a equipe técnica. As mudanças implementadas para evitar futuras
ocorrências foram a instalação de sistema de vigilância por câmera e central de
monitoramento; sistema de identificação diferenciada para cada público; restrições de acesso
aos espaços; detector de metal na entrada da FBN; e capacitação da equipe de segurança. Foi
apresentado o catálogo digital de obras furtadas; atividades do Plano Nacional de
Recuperação de Obras Raras

PLANOR; e a participação da FBN no Grupo de Trabalho de

combate ao tráfico ilícito de bens culturais com a Interpol e Polícia Federal.
Segurança patrimonial em bibliotecas universitárias: desafios e perspectivas foi
proferida por Diná Marques Pereira Araújo, bibliotecária conservadora-restauradora,
Coordenadora Técnica do Acervo de Livros Raros da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) e membro do Comitê brasileiro do Programa UNESCO Memória do Mundo, que
compartilhou uma experiência de furto (décadas 1990 e 2000); uma de quase furto
(2012/2013); e algumas iniciativas em resposta a essas ocorrências. O caso de furto
biblioteca semanalmente por meses e passou a desfrutar da confiança da equipe técnica.
Tomou-se conhecimento do furto no início dos anos 2000, por alerta de livreiro que observou

�marcas de propriedade de UFMG em livros que estavam sendo comercializados. As mudanças
implementadas foram realizar inventário da coleção; transferir livros antigos para as coleções
especiais da Biblioteca Central; recomendar às bibliotecas da UFMG medidas de restrição de
acesso; capacitar equipe para cumprir o protocolo de segurança. Em 2013, outro
Central, interagindo com agentes de segurança, membros da equipe técnica e bolsistas
pesquisadores, cativando e conquistando a confiança. Por falha no protocolo, ele teve acesso a
uma obra rara já digitalizada, formato que costuma ser oferecido a qualquer interessado,
evitando o manuseio do livro original. Tentativa frustrada. Quando voltou para consultar o
mesmo livro e não teve acesso à obra, exaltou-se e entrou em confronto com integrante da
equipe que não estava treinado para o protocolo de segurança. O criminoso estava armado na
ocasião. Novas rotinas de segurança foram implantadas e os procedimentos vigentes
permanecem em avaliação periódica.
Furto de livros raros: características do crime e como preveni-lo foi a palestra
proferida pelo investigador de polícia Klaus Deodato Simões89, da Unidade de Inteligência
Policial do DECADE - Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas da Polícia
Civil do Estado de São Paulo, que apresentou a perspectiva policial em relação ao furto de
livros raros, crime mais frequente do que se imagina, porém sem cobertura da mídia.
Comentou sobre legislação penal; características dos criminosos e como atuam; e comentou
os casos da USP em 2016. A legislação que versa sobre furto, roubo e receptação engessa a
atuação da polícia, oferece penas brandas e por isso se tem a falsa ideia de ineficiência
policial. Os Crimes de furto geralmente são planejados e acontecem por encomenda de
colecionadores e receptadores especializados como leiloeiros, sebos e antiquários nacionais e
internacionais. Os criminosos estudam as instalações, a rotina, fazem reconhecimento prévio
da coleção e do espaço, procuram cativar pessoas ou até mesmo cooptar. Furto de obras raras
é um crime que oferece baixo risco e alto retorno financeiro. Algumas medidas de contenção
são fundamentais: controle de acesso; local adequado para consulta do acervo; sistema de
vigilância; treinamento da equipe; exposição dos casos quando acontecem; e criação de uma
rede de comunicação entre as instituições.
O caso da Biblioteca Mário de Andrade foi o relato de Rizi

,

bibliotecário e curador da Seção de Obras Raras e Especiais da Biblioteca Mário de Andrade
(BMA), sobre mudanças básicas de procedimentos de segurança implantadas por ele quando
89

Responsável pelas investigações dos crimes de furto na USP e pela prisão dos criminosos algum tempo depois.

�assumiu a Seção na década de 1980, mas que não foram suficientes para evitar o furto que
aconteceu em 2006. No caso estavam envolvidos um estudante de Biblioteconomia, estagiário
da BMA, e o restaurador membro da equipe, funcionário de longa data. Novamente se
reiterou a importância da comunicação entre as instituições e que, apesar de ser difícil, é
importante divulgar o ocorrido. O caso da BMA teve grande veiculação na mídia e isso foi
crucial para a recuperação de alguns itens. Nas investigações se apurou a venda de obras da
Biblioteca por uma livraria especializada em livros e documentos raros que alegou
desconhecer a procedência do material que um dos criminosos lhe havia entregado, apesar das
nítidas marcas de propriedade. Por isso, a sugestão de marcar as obras como for possível e
registrar a existência delas enquanto acervo: a BMA tinha catálogos do acervo publicados há
décadas.
O furto do patrimônio: o caso da Biblioteca Pedro Calmon da UFRJ foi o relato de
José Tavares da Silva Filho, bibliotecário documentalista Coordenador Técnico da Biblioteca
Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), sobre o maior furto de livros raros no Brasil. Informações sigilosas não puderam ser
compartilhadas na palestra. Foram quase 600 itens furtados durante a realização de uma obra
no edifício e posteriormente no espaço interno da Biblioteca. Alguns itens foram recuperados
na ocasião da prisão do criminoso autor dos furtos nas bibliotecas da USP, outras foram
interceptadas pela Polícia Alfandegária de São Paulo em tentativa de envio para a Holanda,
mas que ainda aguardam autorização da justiça para serem devolvidas à UFRJ. Após o furto
foi feito inventário e reorganização das coleções; alteração de algumas estratégias de
água. Além disso, foi feito
contato com autoridades, livreiros e casas de leilão na cidade do Rio de Janeiro; com
antiquários e associações de livreiros nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa; e com
a coordenação de The Art Loss Register, que tem por objetivo dissuadir o roubo de arte e
reduzir o comércio de arte roubada.
Caso Fiocruz: histórico, repatriação e segurança preventiva foi a última palestra.
Relato de Maria Claudia Santiago, historiadora Chefe da Seção de Obras Raras A. Overmeer
da Biblioteca de Manguinhos/ICICT/FIOCRUZ, sobre o furto descoberto em 2006 quando
algumas obras foram apreendidas na fronteira com a Argentina. Foram três lotes de
recuperação de itens furtados, 2010, 2011 e 2014. A recuperação de dois volumes de uma das
obras furtadas foi possível por meio de parceria com a Delegacia de Repressão a Crimes
contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (DELEMAPH) para a realização de
inventário, inclusive fotográfico, no depósito de obras e documentos apreendidos, que até

�então estavam sem identificação e sem chance de serem devolvidos às instituições furtadas.
As marcas de propriedade são muito importantes para reconhecimento e comprovação da
procedência. Apenas o carimbo não é suficiente, pois quando ele não existe, foi apagado ou
recortado da obra, é fundamental se valer de outras provas como registros de catalogação
detalhados que indiquem as marcas presentes na obra; registros de intervenções de
conservação realizadas; ex-libris; marcas de propriedade (por exemplo, encadernação
personalizada); reprodução digital ou microfilmagem da obra etc. Foram apresentadas
algumas estratégias de segurança preventiva e destacado o imprescindível envolvimento da
instituição como um todo. Depois de um tempo os novos procedimentos se tornam naturais à
rotina, mas devem estar sempre em observação para os ajustes necessários; devem ser
comunicados, juntamente com ações de educação patrimonial que minimizem possíveis
descontentamentos em relação a procedimentos minuciosos de cuidado com o patrimônio que
é de todos.
Além das palestras o Encontro proporcionou dois momentos de debate Segurança
patrimonial e Casos de furto que infelizmente foram curtos demais para tanta demanda em
compartilhar experiências e expor dúvidas.
A carência de espaços para debater gestão de coleções raras e especiais, mais
amplamente gestão de patrimônio cultural em seus diversos aspectos; estratégias de prevenção
contra crimes de furto e roubo; desdobramentos legais; e compartilhamento de experiências foi
comprovada pela pronta disponibilidade dos palestrantes em aceitar o convite e a igual
disposição em colaborar com a organização; pela rede de comunicação que se formou entre eles
mesmo antes do dia do evento; pela grande procura do público, profissionais de diversas áreas
atuantes em instituições de naturezas distintas; e pelos comentários recebidos no dia do evento e
posteriormente nas avaliações.
As avaliações permitiram identificar os temas de interesse do público para a
continuidade dos debates: mais sobre crimes de roubo e furto; legislação; gestão de coleções
raras (identificação do que é raro, catalogação, conservação e restauração, combate a ataques
biológicos; gerenciamento de riscos); planejamento e adequação de edificações; digitalização e
preservação digital. Foram feitas sugestões para reservar mais tempo para debate e contar com a
participação de palestrantes atuantes em arquivos e museus, além de advogados e arquitetos
para tornar as discussões mais abrangentes.
Certamente o Encontro sobre Segurança de Acervos Raros e Especiais despertou a
atenção para a questão de segurança de acervo e outros aspectos importantes para a gestão de
patrimônio, provocando reflexão sobre os procedimentos adotados nas instituições e instigando

�a busca pelo aprimoramento; proporcionou a criação de redes de intercâmbio entre os
profissionais e as instituições ali representadas; estimulou a multiplicação entre os pares e o
diálogo entre coordenadores técnicos e gestores. Ficou evidente a importância da comunicação
e cooperação entre os profissionais, e entre instituições, justiça e polícia no zelo pelo patrimônio
cultural.
4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE PLANO DE SEGURANÇA
PATRIMONIAL: REFLEXÕES SOBRE A BIBLIOTECA DA FAUUSP
A Política de Segurança para Arquivos, Bibliotecas e Museus publicada pelo Museu de
Astronomia e Ciências Afins (MAST) e pelo Museu Villa-Lobos leva em consideração a
realidade brasileira, dificuldades e necessidades de instituições públicas e privadas, de pequeno
ou grande porte, de todas as regiões do país para tornar sua aplicação viável (MUSEU DE
ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS, 2006). Por isso e pela abrangência dos tipos de
instituição considerados no estudo, esse documento foi adotado para nortear algumas reflexões
acerca das práticas de segurança patrimonial na Biblioteca da FAUUSP, destacadas na
sequência, relacionando aos respectivos itens da Política (MAST, 2006), e foi instrumento para
ratificar alguns procedimentos adotados logo após o furto.
Observa-se que muitas diretrizes dependem do empenho da administração central da
instituição e não apenas da equipe técnica da biblioteca. Consideramos administração central a
Direção da Faculdade e em um cenário ideal, a gestão central da Universidade, assumindo a
responsabilidade direta pela segurança, pela proteção das pessoas, da propriedade e do acervo;
providenciando a instalação de mecanismos de combate a incêndio, circuito interno de
vigilância por câmera, sistema eletrônico de controle de acesso, alarme, sensor de presença; e
providenciando áreas para reserva técnica ou para escoamento das coleções em caso de sinistro
ou emergência. Entretanto, há diretrizes que podem ser rapidamente adotadas pela equipe
técnica e outras que exigem estudo sobre as opções mais viáveis para uma implementação bem
sucedida.
Na Biblioteca da FAUUSP, por muitos anos e pelas mais diversas razões, não foram
adotadas medidas que parecem óbvias para muitas bibliotecas, tanto em relação ao acervo
circulante quanto em relação aos acervos raro e especial. Era muito comum escutar que
acontece nada, n

e foi nesse contexto que a coleção ficou vulnerável. Não se cumpria a

recomendação da Política do MAST de que a consulta de acervo especial seja feita na presença
de um funcionário e a recomendação de conferir a obra no momento da entrega ao usuário e no

�momento da devolução por parte deste (itens 5.6.6 e 5.6.12). Estes, certamente, foram dois dos
pontos que facilitaram a ação dos criminosos em 2016. Prática que não demanda recurso
financeiro ou o envolvimento de terceiros além da própria equipe. Infelizmente, as alterações
nos procedimentos para controle de acesso e consulta aos livros raros não foram implantadas a
tempo, conforme proposta feita meses antes; prova da dificuldade para a mudança de cultura
mencionada anteriormente. Mas, após o furto se confirmaram indispensáveis.
As consultas passaram a ser feitas fora do espaço de guarda e as obras solicitadas não
são mais entregues todas de uma vez, conforme sugerido no item 5.6.6, 5.6.12 e 5.6.13. Falta
aprimorar a consulta sob a supervisão direta de um funcionário, que parece cada vez mais difícil
de ser praticada devido à redução na quantidade de membros da equipe técnica e acúmulos de
merece esforço em nome da preservação do patrimônio contra algum tipo de vandalismo aos
quais as coleções estão permanentemente suscetíveis, conforme apresentado por Costa (2010):
Recorte profissional: uso de objeto cortante para extrair partes da obra;
Recorte amador: extração de partes ou de páginas inteiras sem uso de objeto
cortante;
Manuseio inadequado: pode ser inconsciente, mesmo assim representa risco à
conservação;
Furto parcial ou da obra inteira.
A atenção deve ser redobrada para a consulta de coleção documental, lâminas ou
fotografias, por exemplo.
Outra mudança nos procedimentos da Biblioteca da FAUUSP foi o controle de acesso à
área ocupada pela Seção Técnica de Materiais Iconográficos e a Seção Técnica de Preservação
e Conservação de Materiais, onde estão espaços de guarda da coleção iconográfica, laboratório
de conservação e a sala de obras raras (itens 2.5, 2.9, 2.10), que até então era livre. O
atendimento ao público interno e externo passou a ser feito mediante agendamento prévio
através de email encaminhado pelo pesquisador interessado, que deve apresentar dados de
identificação pessoal, indicação das obras que deseja consultar e justificativa, destacando a
recomendação de que este registro seja guardado por um longo período (itens 5.6.10, 5.6.11 e
5.6.11.1). Vale ressaltar que, com menor frequência, essa diretriz continua sendo desrespeitada.
Destacamos também as recomendações do MAST para que as áreas de reserva técnica sejam
tratadas como de alta segurança, de acesso restrito a funcionários previamente designados pela
chefia do setor responsável, e que não devem ser utilizadas como área de trabalho em nenhuma
situação (itens 5.3.1 e 5.3.2).

�O fluxo de acesso a essa área da Biblioteca está em avaliação permanente para
identificar falhas e fazer os ajustes necessários. Neste espaço se desenvolvem projetos de
pesquisa coordenados por docentes da FAU em parceria com a Biblioteca, resultando na
presença de bolsistas em diversos períodos do dia, mesmo sem a presença de funcionários
dessas duas seções, devido à necessid
de cada um e o cronograma de trabalho a ser realizado. Quanto ao acesso de equipe terceirizada,
há apenas uma pessoa responsável pela limpeza dos espaços da Biblioteca e não costuma haver
rotatividade. Equipes internas da FAU responsáveis por serviços de manutenção costumam
trabalhar sem acompanhamento de funcionários da Biblioteca.
explicam pela necessidade de diálogo constante com a equipe para paulatinamente incorporar as
novas práticas em substituição as de longa data. Novas diretrizes afetam também o costume dos
usuários, especialmente os internos, por isso é necessário o trabalho de conscientização e
adaptação de todos aos novos procedimentos. Como disse Prof. Fabiano Cataldo em sua
palestra no Encontro, é preciso entender que nas bibliotecas horário de funcionamento não
corresponde necessariamente a horário de atendimento, especialmente em relação a coleções
especiais.
Antes de comentar os aspectos humanos, que influem na implantação e êxito de um
plano de segurança, não podemos deixar de registrar a digitalização de acervo como técnica
para a preservação, poupando os documentos de manuseio excessivo, além de facilitar sua
promoção e ampliar o acesso (itens 5.9.2.1 a 5.9.2.10). Nas palestras do Encontro e na literatura
se comprova, a digitalização de acervos raros muitas vezes foi útil para evitar o furto, ou será
útil para comprovar a propriedade da obra em caso de recuperação. Vale lembrar que não basta
digitalizar, é fundamental planejar todas as atividades pré e pós-digitalização que demandam
recursos financeiros, técnicos e humanos, investimentos permanentes, que nem sempre os
gestores conhecem ou estão dispostos a bancar. Na Biblioteca da FAUUSP não existe projeto
regular de digitalização, foram sempre projetos pontuais e aos poucos se consegue digitalizar
itens da coleção quando é necessária a reprodução para algum uso específico. Tem-se buscado
parceria para utilizar recursos técnicos disponíveis na Universidade, porém sem sucesso até o
momento devido ao acúmulo de demanda para os polos existentes.
Avaliando as diretrizes elaboradas pelo MAST (2006), assim como a exposição de todos
os palestrantes no Encontro, está evidente que, independentemente dos recursos mais
sofisticados que se possa instalar para segurança de acervo, o elemento fundamental para a
eficácia é o humano, corroborando o que se tem observado na prática. Ou seja, sem capacitação,

�sem conscientização e, sobretudo, sem comprometimento das pessoas envolvidas com o
patrimônio cultural sob custódia, sejam gestores, equipe técnica, equipe terceirizada, equipe
temporária e agentes de segurança, o desafio da preservação e segurança é sempre maior.
Parece não ser natural para todos o valor da coleção e a ciência da responsabilidade que recai
sobre cada um. Consequentemente, não parece natural a percepção das ameaças às quais a
online).
A esse respeito destacamos alguns itens (1.5, 1.9k, 5.1.2, 6.3, 7.1.6, 7.1.7, 7.2.4, 8.1,
8.28) da Política referentes à equipe técnica da biblioteca (MAST, 2006):
Todos os integrantes devem estar cientes sobre todas as questões de segurança
e acatar suas respectivas responsabilidades;
Conscientizar sobre o cuidado com os bens culturais;
Conscientizar sobre os cuidados com o acervo para evitar, ao máximo, danos
causados por negligência;
Exigir e estimular permanentemente o empenho no respeito às normas de
segurança determinadas, exceto em casos de emergência, que devem estar
previstos no plano de segurança;
Exigir compromisso com o sigilo das informações sobre a segurança,
referentes aos sistemas de alarme e circuito interno de câmeras.
Acrescentaríamos aqui o sigilo na divulgação indiscriminada de procedimentos
e rotinas da biblioteca;
Capacitação, incentivando a atualização profissional, inclusive das equipes
terceirizadas;
Conscientizar e treinar a equipe para prevenir e identificar ameaças e
sinistros; agir em casos de violações, crimes, emergência ou violência,
respondendo imediatamente a um alarme acionado ou à uma situação anormal
detectada; notificar ocorrências à equipe de segurança; obedecer às regras e aos
procedimentos de emergência.
Recomenda-se ainda nas diretrizes do MAST fiscalizar o cumprimento do plano de
segurança por parte de todos os envolvidos, inclusive dos usuários e das demais pessoas que
circulam pela instituição, e prever sanções para os casos de descumprimento. Como em
qualquer outro processo, é imprescindível manter a avaliação periódica para identificar as
necessidades de adequação, e se recomenda que seja feita por comissão composta de técnicos e
funcionários administrativos (itens 6.4, 11.1 e 11.2).

�Na Biblioteca da FAUUSP os procedimentos ainda não estão consolidados em uma
política, os que estão em prática foram documentados por email e em conversas pontuais com a
equipe e pessoas envolvidas. A maioria da equipe demonstrou interesse em acompanhar as
palestras do Encontro, que contou também com o interesse de funcionários da administração
geral da Faculdade. Para algumas dessas pessoas as palestras foram o primeiro contato com o
tema e o início da conscientização. Há estudos em andamento para o projeto de segurança da
Biblioteca inclusive com assessoria da Superintendência de Segurança da USP.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acervos culturais de caráter público pertencem ao cidadão e compete às instituições
salvaguardar e promovê-los; devem ser objeto de ação administrativa
Compete aos gestores equipar bibliotecas, arquivos e museus com recursos eletrônicos
que facilitam o controle e a prevenção dos crimes de roubo, furto e vandalismos. Todos os
gastos para a instalação de equipamentos, lembrando que demandarão manutenção para seguir
em bom funcionamento; para a permanente capacitação das equipes, cujo empenho e dedicação
são imprescindíveis; e para gestão e manutenção dos acervos se justificam ao longo prazo,
efetivando o cumprimento da missão das instituições em relação ao patrimônio cultural.
Não acreditamos que ocultar as coleções especiais dos catálogos é uma alternativa
plausível para evitar crimes de roubo e furto. Na condição de instituição pública, e
especificamente no caso da Biblioteca da FAUUSP, sendo biblioteca universitária guardiã de
um importante patrimônio bibliográfico e iconográfico, não devemos ocultar sua existência e
deixar de cumprir nosso dever de promover o acesso à informação, apoio ao ensino e à
pesquisa. Existem alternativas simples, por exemplo, controle de acesso ao acervo raro e
especial, que são eficazes, mas sujeitas a enfrentar resistência da equipe e de usuários que dirão
que estão

ndo

medidas

trabalhar para educar e mudar práticas consolidadas por anos, assim como revisar
procedimentos de gestão de um acervo que começa a se desenhar como raro em alguns
aspectos.
Como ficou explícito em todos os relatos de furto feitos no Encontro e no caso da FAU,
o crime não começa e não termina no dia em que foi praticado. Todos estão são vítimas em
potencial se não estiverem atentos aos perigos eminentes, como
palestra,

difícil saber quando confiar, quando não confiar

desses crimes

�acompanham os profissionais por muito tempo; são episódios delicados que desejamos
esquecidos, porém mantê-los vivos é uma estratégia para tentar evitar que se repitam.

ser [...] o de sublinhar, reiteradas vezes, a singularidade do patrimônio cultural, que não poderá
ser substituído por cópias jamais. São originais e únicos (KUSHNIR, 2009, p. 19)

REFERÊNCIAS
COSTA, Patricia da Silva. Vandalismo e furto em bibliotecas universitárias. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS - SNBU, 16. E SEMINÁRIO
INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS - SIBDB, 2., 2010, Rio de Janeiro. Anais
eletrônicos... Rio de Janeiro: UFRJ, 2010. Disponível em:
&lt;https://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos/final_283.pdf&gt;. Acesso em: 2
dez. 2017.
GREENHALGH, Raphael Diego. Segurança contra roubo e furto de livros raros: uma
perspectiva sob a ótica da Economia do Crime e da Teoria da Dissuasão. 2014. v.1, 253 p. Tese
(Doutorado em Ciência da Informação) Universidade de Brasília, Brasília, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.repositorio.unb.br/bitstream/10482/17800/1/2014_RaphaelDiegoGreenhal
ghV1.pdf&gt;. Acesso em: 30 maio 2017.
KUSHNIR, Beatriz. Da manchete à notinha de canto: os furtos do patrimônio público, a
privatização dos acervos do cidadão. Museologia e Patrimônio, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 921, jan./jun. 2009. Disponível em:
&lt;http://revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/view/42/22&gt;.
Acesso em: 20 dez. 2017.

�MANINI, Miriam Paula; GREENHALGH, Raphael Diego. A relevância da cultura
organizacional na implementação de sistemas de segurança contra roubo e furto de livros raros.
In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO ENANCIB, 17., 2016, Salvador. Anais eletrônicos... Salvador: UFBA, 2016. Disponível em:
&lt;http://www.ufpb.br/evento/lti/ocs/index.php/enancib2016/enancib2016/paper/viewFile/3637/2
439&gt;. Acesso em: 2 dez. 2017.
MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS; MUSEU VILLA-LOBOS. Política de
Segurança para Arquivos, Bibliotecas e Museus. Rio de Janeiro: MAST, 2006. 121 p.
Disponível em: &lt;http://museuvillalobos.org.br/poldeseg.pdf&gt;. Acesso em: 30 set. 2017.
UNESCO. Mexico City Declaration on Cultural Policies. 1982. Disponível em:
&lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0005/000546/054668mb.pdf &gt;. Acesso em: 23 dez. 2017.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
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                <text>Tema: O Futuro da Biblioteca Universitária na Perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão.</text>
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              <text>Bibliotecas, arquivos e museus são guardiões de patrimônio cultural ameaçado pela cobiça de colecionadores particulares e consequentemente pela cobiça de criminosos atraídos pelo alto retorno financeiro que podem obter e pelo baixo risco enfrentado. Como as instituições devem conciliar gestão de acervo, divulgação e acesso, sem comprometer a segurança patrimonial? Como podem se defender desse tipo de crime? O que fazer quando se percebe vítima de furto? Em 2016 aconteceu uma série de furtos em bibliotecas universitárias brasileiras e um dos alvos foi a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Como reação, ela reviu procedimentos de trabalho; iniciou estudos para um plano de segurança; e realizou o Encontro sobre Segurança de Acervos Raros e Especiais, primeiro espaço aberto para debate de temas sempre velados: segurança patrimonial, legislação, gestão de coleções raras e relatos de casos de furto. Assumir-se vítima desse tipo de crime é constrangedor, mesmo assim não se deve omitir a ocorrência. As instituições precisam criar uma rede de cooperação para fortalecer as estratégias de preservação do patrimônio cultural nacional.</text>
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