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                  <text>TERMINOLOGIA EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO: REVISÃO DA ÁREA
IMPLEMENTADA NO VOCABULÁRIO CONTROLADO DO SIBI/USP
Juliana de Souza Moraes
Mestre, Supervisora de Seção da Biblioteca do
ICMC/USP - Instituto de Ciências Matemáticas
e de Computação - Av. Trabalhador SãoCarlense, 400 – São Carlos - SP
13566-590 - Brasil
jumoraes@icmc.usp.br
Gláucia Maria Saia Cristianini
Mestre, Diretora da Biblioteca do ICMC/USP –
Instituto de Ciências Matemáticas e de
Computação - Av. Trabalhador São-Carlense,
400 – São Carlos - SP
13566-590 - Brasil
glaucia@icmc.usp.br
Resumo: A terminologia, enquanto conjunto de termos específicos de uma disciplina
particular, é um instrumento essencial na organização e representação da
informação, seja em ambiente real ou virtual. Além disso, é matéria-prima obrigatória
na elaboração de ferramentas que auxiliam a representação documentária, as
chamadas linguagens documentárias. O dinamismo característico do processo de
desenvolvimento da ciência e tecnologia também é impresso às terminologias,
fazendo com que a atualização seja um dos grandes problemas das linguagens
documentárias. Neste sentido, no contínuo processo de revisão do Vocabulário
Controlado da USP - VUSP, a terminologia da área de Ciência da Computação foi
revisada, com o objetivo de aproximá-la ao máximo do estado da arte da área e de
fornecer ao sistema de informação e ao usuário a representação precisa do volume
de informação disponível. A revisão da área contou com um trabalho conjunto entre
bibliotecários e docentes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação –
ICMC. O método proposto e empregado para a revisão da área dividiu a Ciência da
Computação em dez subáreas, para cada subárea um especialista foi escolhido para
trabalhar na revisão, e o chefe do Departamento de Ciência da Computação atuou
como revisor geral de cada subárea. A terminologia então constante do VUSP foi
checada com fontes de informação especializadas, os termos faltantes foram
inseridos, outros em desuso foram excluídos e alguns mudaram de denominação e
de relacionamentos. A proposta do ICMC foi avaliada pelo grupo gestor do VUSP e,
após correções e sugestões, foi aprovada. O trabalho de revisão levou dois anos
para ser concluído e em abril de 2006 a nova terminologia foi implementada no
VUSP.
Palavras-chave: Vocabulários controlados. Linguagens documentárias.

�1 Terminologia e a Ciência da Informação
A terminologia é uma área do conhecimento que dá suporte a diversas outras
áreas ligadas ao estudo dos conceitos e às línguas de especialidade, tanto no seu
enfoque concreto, ou seja, enquanto conjunto de termos específicos de uma
disciplina

particular

(DICIONÁRIO,

2001),

como

no

seu

enfoque

teórico-

metodológico, contribuindo com métodos e princípios que regem a construção e
administração dessas línguas especializadas (LARA, 2004b).
Para Suonuuti (2001, p.12, apud MOREIRA e OLIVEIRA, 2005)
o trabalho de terminologia é um campo interdisciplinar de trabalho
para ordenar e transferir conhecimento. Seu elemento básico é o
conceito. Todo trabalho terminológico deve ser baseado em uma
análise e estruturação de conceitos e das relações entre eles.

Considerando que a Ciência da Informação (CI) está pautada na transferência
da informação, como etapa imprescindível na manutenção do ciclo de produção do
conhecimento, considerando também o Modelo de Comunicação Especializada de
Cabré (1993), onde a comunicação entre especialistas ocorre por meio de um
sistema de significação que inclui a linguagem natural e a terminologia da área, a
linguagem é considerada uma das responsáveis direta pelo acesso à informação,
pela transferência do conhecimento, e, conseqüentemente, pelo cumprimento do
objetivo da CI.
Assim, a intersecção entre a Terminologia e a CI está presente em duas áreas
distintas, porém, inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e vinculadas à
linguagem: a representação e a recuperação da informação.
Na representação da informação, a Terminologia aparece como matéria-prima
das linguagens documentárias e também como método na elaboração e
sustentabilidade da estrutura das mesmas. Já no momento da recuperação da
informação, a Terminologia está presente no contato direto dos profissionais da
informação com o usuário e na consulta em diferentes fontes de informação; em
ambos os momentos o objetivo é sanar a necessidade informacional do usuário e,
para que isso ocorra, é fundamental que profissional e usuário falem a mesma
língua.

�A ênfase na Terminologia, como parte essencial no contexto da transferência
da informação, independe do ambiente; assim como a Terminologia é e foi essencial
nos ambientes informacionais tradicionais, como as bibliotecas, ela permanece com
igual ou maior importância nos ambientes digitais e virtuais, como diretiva na
organização da informação, visando aumentar a facilidade e a agilizar a sua
recuperação.
2 Representação da informação e linguagens documentárias
Sistemas de informação são os espaços reservados para armazenamento,
tratamento, divulgação, disseminação e acesso à informação, seja ela de qualquer
natureza, tema, formato e em qualquer mídia. Complementando, Lima (1998, p.8) diz
que “o sistema de Informação tem por função coletar, tratar e disseminar a
informação produzida pela sociedade na qual está inserido, garantindo assim, o
acesso à cultura por parte de seus membros e possibilitando a sua continuidade”.
Mas, dependendo do contexto, sistemas de informação compreendem o
sistema manual ou automático responsável pela gestão do volume de informação ali
contido.
Historicamente, os sistemas de informação sempre lidaram com as
representações das informações originais, que por sua vez estavam armazenadas
fisicamente em um local, externo ao sistema; assim, pode-se dizer que o sistema de
informação armazenava metainformações, ou seja, informações sobre uma
informação, com o objetivo de organizá-la e recuperá-la. Atualmente esse cenário
permanece, mas ao sistema de informação foi somada mais uma funcionalidade: o
armazenamento da informação original, na íntegra, cujo exemplo concreto são as
bibliotecas digitais. Nesse sentido, as bibliotecas digitais são sistemas de informação
que, além de armazenarem as representações da informação, armazenam também a
informação na íntegra em versão digital.
Neste trabalho a questão está na representação da informação e nas suas
ferramentas, considerando quaisquer tipos de sistemas de informação, desde os
mais triviais até os mais avançados, em termos de volume e tipo de informação
armazenada e no grau de tecnologia envolvida.

�Representação é um termo rico em significados, utilizado em várias áreas do
conhecimento com sentidos idênticos, semelhantes ou completamente distintos,
como nas áreas de Filosofia, Psicologia, Jurídica, Política, Teatro, Cinema,
Matemática, para citar alguns exemplos.
No contexto da CI, e, portanto, da representação da informação, seu sentido
está atrelado a um sentido mais amplo: “idéia ou imagem que concebemos do mundo
ou de alguma coisa” (DICIONÁRIO, 2001), somado a outro sentido, específico da
Filosofia: “operação pela qual a mente tem presente em si mesma a imagem, a idéia
ou o conceito que correspondem a um objeto que se encontra fora da consciência”
(DICIONÁRIO, 2001). Assim, a representação da informação, é a noção que se tem
de um objeto informacional, seja do conteúdo ou das suas características,
armazenada num sistema de informação com o principal objetivo de recuperá-lo de
maneira rápida e precisa.
Para Kobashi (1996, p.5-27 apud DODEBEI, 2002) a representação da
informação é “o conceito mediador entre emissor e receptor, objetivado pelos
processos e produtos da condensação de informação”; para Gonzalez (1993) é “a
construção do significado de um objeto para um fim específico”, no caso, o de
recuperação.
Em outras palavras, a representação da informação é a atividade de
estabelecer para o objeto informacional representado quais serão seus pontos de
acesso para sua recuperação num sistema de informação. Objetos bem
representados, em consonância com as necessidades da sua comunidade usuária e
com uso de representação coerente e atualizada com a área do conhecimento em
questão, serão facilmente identificados e rapidamente recuperados; daí sua
importância para o sucesso de um sistema de informação.
A representação da informação, além das técnicas e métodos préestabelecidos e consolidados, pode fazer uso de instrumentos auxiliares. Como a
representação da informação pode ser de vários tipos, cada tipo de representação
conta com instrumentos auxiliares específicos. Neste sentido, as representações
descritivas dos objetos informacionais contam com códigos e normas de descrição, e
as representações temáticas contam com as linguagens documentárias, essas, por

�sua vez, com tipologia própria, com estruturas e conteúdos também específicos, visto
que a representação temática ainda pode ser subdividida em numérica e alfabética.
O principal objetivo das linguagens documentárias é fazer a ponte entre o
objeto informacional e o usuário, por meio da linguagem como produto da
representação. As linguagens documentárias podem fazer uso direto da palavra,
como a ‘ponte’ propriamente dita, ou podem fazer uso indireto da palavra, quando
utilizam números que traduzem conceitos.
Currás (1995) define qualquer linguagem documentária como “uma linguagem
controlada, normalizada, usada com fins classificatórios, onde a linguagem natural é
transladada para uma linguagem terminológica”. No contexto deste trabalho, torna-se
importante detalhar a definição acima.
A linguagem controlada e normalizada refere-se ao controle das inúmeras
variações semânticas e sintáticas que a língua natural possibilita, como a sinonímia e
a homografia, as regras de plural e singular, os tipos de traduções, entre outras, e,
ainda, a designação de um único termo como portador de um único conceito,
estabelecendo palavras preferidas e não-preferidas para a representação da
informação (neste momento, as palavras são consideradas como termos preferidos e
termos não-preferidos). A expressão ‘usada para fins classificatórios’ significa que
tais linguagens têm função e êxito apenas em ambientes de informação, com o único
objetivo de organizar e recuperar a informação; são linguagens criadas e, por isso,
consideradas artificiais, não tendo aplicabilidade em outros ambientes e situações. E,
por fim, ‘a linguagem natural é transladada para uma linguagem terminológica’, está
relacionado ao controle da linguagem no sistema de informação, como também
menciona o funcionamento da troca da linguagem, uma das etapas da representação
da informação.
Muito se tem discutido sobre a necessidade de controle na representação
temática da informação. Há quem não a defenda para os dias atuais, levando em
consideração o vertiginoso aumento dos repositórios digitais de texto integral e da
liberdade oferecida pela internet na disponibilização da informação. Entretanto,
justamente pelos mesmos motivos, há quem defenda o controle de vocabulário como
única saída para uma recuperação eficiente, que ofereça poucos e bons resultados,
que tenha baixa revocação com alta precisão. A esse respeito Garshol (2004)

�comenta que o propósito do vocabulário controlado é evitar que os autores escolham
termos sem sentido, termos muito genéricos ou muito específicos, para prevenir
ortografias diferentes e opção por diferentes formas do mesmo termo. O mesmo
autor ainda comenta que, o uso de vocabulários sem controle foi abandonado
recentemente,

em

favor

ao

controle

de

vocabulário

pelas

razões

acima

apresentadas. Lara (2004a, p.91) também reforça essa posição afirmando que “as
linguagens documentárias têm sua importância aumentada contemporaneamente,
quando se deseja contar com mecanismos que desempenham o papel de filtros para
a recuperação, dado o grande volume de informações recuperadas na Internet”.
Assumido o uso das linguagens documentárias como instrumento auxiliar
imprescindível no processo de representação da informação, a questão passa a ser a
manutenção de tais instrumentos.
Formados, basicamente, por um vocabulário de termos específicos de uma
área do conhecimento e de relações entre eles, a atualização dessa terminologia é a
parte da manutenção mais complexa e demorada, por isso, é considerada, muitas
vezes, como a grande desvantagem das linguagens documentárias. A respeito das
relações existentes nas linguagens documentárias, Lara (2000) afirma que:
esse instrumento só poderá ser considerado uma linguagem
propriamente quando tiver características estruturais que a permitam
funcionar como tal; essas estruturas compreendem relações de
natureza lógica, ontológica, associativa e de equivalência entre os
termos.

O trabalho de revisão e manutenção dessas linguagens demanda tempo,
estudos e profissionais especializados; quando uma nova versão está finalizada, é
certo que outra revisão deve ser iniciada, considerando que neste intervalo a área do
conhecimento abordada já evoluiu e sua terminologia também, conseqüentemente.
3 Vocabulário controlado da USP1
O Vocabulário Controlado da USP – VUSP é a atualização e expansão da
antiga Lista de Assuntos da USP, utilizada de 1985 a meados de 2000 pelas
bibliotecas pertencentes ao Sistema Integrado de Bibliotecas da USP – SIBi –
1

VOCABULÁRIO controlado USP: base de dados em língua portuguesa para indexação e
recuperação da informação. São Paulo: USP/SIBi, 2001. ISBN 85-7314-018-6.

�Sistema Integrado de Bibliotecas. Como parte do projeto de modernização do SIBi,
foi identificada a necessidade de aprimoramento do banco de dados bibliográficos da
universidade – o Dedalus, e nesse contexto, a transformação da então Lista de
Assuntos, utilizada para a representação temática dos dados ali contidos, foi
entendida como parte essencial desse aprimoramento.
Para o desenvolvimento do VUSP, uma parceria foi feita entre SIBi e a Escola
de Comunicação e Artes – ECA, especificamente com o curso de Biblioteconomia e
Documentação, onde os docentes integrantes da linha de pesquisa em Análise
Documentária e Terminologia ofereceram o aporte metodológico ao projeto.
Quarenta bibliotecários do Sistema, representantes das várias áreas do
conhecimento, participaram efetivamente da construção do vocabulário, assim como
muitos docentes das diversas unidades da USP, tanto para a estruturação dos
sistemas conceituais como para a adequação terminológica das áreas.
De maneira sucinta, o método de construção do VUSP contou com as
seguintes etapas: organização das bibliotecas da USP em nove sub-grupos;
elaboração da estrutura temática de cada área e compatibilização das estruturas por
sub-grupos; inclusão dos blocos de assuntos, gerados em ordem hierárquica, na
estrutura temática unificada; estabelecimento de relações lógico-semânticas entre os
termos; definição dos termos ambíguos e compatibilização das estruturas temáticas
dos sub-grupos com as áreas complementares.
O VUSP é apresentado em lista sistemática ou hierárquica e também em lista
alfabética, onde ambas têm complementação opcional de tabela de qualificadores,
geográfica e de gênero e forma.
Tendo em vista a necessidade da sua constante manutenção, o VUSP,
inicialmente tido como um dos projetos para a modernização do SIBi, passa a ser
considerado um processo do

Sistema, com equipe permanente e trabalhos

contínuos.
Atualmente o VUSP está disponível na SIBiNet2, de uso exclusivo dos
bibliotecários do Sistema, e, ainda, na versão em CD-ROM. Essa última, destinada a
2

http://www.usp.br/sibi

�bibliotecários e interessados em geral, o que constitui alternativa moderna e
atualizada para a representação temática de quaisquer tipos de sistemas de
informação e de acervos pessoais.
4 Revisão da Terminologia em Ciência da Computação
O processo metodológico pode ser compreendido por meio das etapas a
seguir: subdivisão da área de Ciência da Computação em subáreas; escolha de um
especialista para cada subárea para colaborar na revisão dos termos; procedimentos
da análise dos termos; escolha das fontes de informação para checagem; anotações
da checagem; elaboração da proposta final; supervisão do grupo gestor do VUSP;
alterações e aprovação.
Inicialmente a área de Ciência da Computação foi dividida em subáreas,
levando em consideração os grupos de pesquisa existentes no ICMC. Foram eles:
Estatística e Probabilidade; Arquitetura e Organização de Computadores; Sistemas
Distribuídos; Engenharia de Software; Banco de Dados; Multimídia e Hipermídia;
Inteligência Artificial; Teoria da Computação; Computação Gráfica; Otimização
Matemática e Análise Numérica. Outros enfoques da área, tais como Linguagens de
programação, Estrutura de dados e algoritmos, Metodologias computacionais e a
ênfase social, artística, administrativa, dentre outras, da Ciência da Computação,
foram trabalhados em paralelo, não caracterizando outras novas subáreas.
Embora as subáreas Estatística e Probabilidade, Otimização Matemática e
Análise Numérica pertencessem ao Departamento de Ciência da Computação na
época da revisão do VUSP (atualmente compõem um novo departamento) e à
mesma estrutura hierárquica na tabela de classificação utilizada pelo ICMC, produto
de um trabalho conjunto de revisão e atualização da área de Ciência da Computação
(CRISTIANINI; MORAES, 1998), foi entendido que tais subáreas, em essência, não
fazem parte da grande área de Ciência da Computação. Esse entendimento foi
ratificado pelo grupo gestor do VUSP. Assim sendo, essas subáreas não foram
revisadas nesse momento, e terão um momento próprio para revisão, incluindo
proposta de nova estrutura de classes, não subordinadas à Ciência da Computação.
Ao final, oito subáreas foram delineadas para a revisão, além dos enfoques citados
acima.

�A escolha do especialista para cada subárea não seguiu nenhuma condição e
ou critério previamente estabelecido. Após convite feito a todos os integrantes das
subáreas, essas indicaram o ‘especialista representante’, conforme critérios próprios.
O chefe do departamento de Ciência da Computação também foi convidado a
participar do processo e atuou como revisor geral.
A análise de cada subárea ocorreu a partir da tabela de classificação utilizada
no ICMC; sua estrutura de classes e sua terminologia foram checadas no VUSP, na
tentativa de serem identificadas. Dessa maneira, os conceitos do sistema
classificatório da área estariam também representados no vocabulário controlado, o
que garantiria a consonância entre a organização física dos objetos informacionais e
a representação do seu conteúdo. Além da tabela de classificação como ponto de
partida para a checagem com o VUSP, os especialistas fizeram acréscimos dos
termos inexistentes também nessa tabela e considerados de uso e importância para
eles. Observe-se que a última revisão e atualização da referida tabela foi realizada
em 1997. Esses termos propostos pelos especialistas também foram checados no
VUSP. Esse procedimento metodológico, de coleta de termos a partir do usuário da
informação, é reconhecidamente como uma das maneiras de compilação e validação
da terminologia para a elaboração de linguagens documentárias, e é denominado
“garantia do uso comum, endosso do usuário ou consenso” (LANCASTER, 1987).
Os termos não encontrados sejam da tabela para o VUSP, sejam os novos
propostos pelos pesquisadores para o VUSP, foram reunidos para posterior
conferência em fontes de informação especializadas da área. A essa conferência dáse o nome de garantia literária, ou seja, significa que o sistema de informação está
utilizando a linguagem contida nos materiais informacionais que nele são
introduzidos e que são de uso de sua comunidade usuária (FOSKETT, 1973). “Um
termo se justifica apenas se ocorre dentro da literatura recente de um determinado
assunto, e com algum grau de freqüência”, assim explica Lancaster (1987) o princípio
da garantia literária.
Ainda sobre a metodologia para compilação e validação da terminologia,
Battaglia (1999) afirma que a validação dos termos levantados da terminologia
representa a parte mais importante e de maior trabalho no estudo para a construção

�e ou atualização da linguagem documentária. Tal importância e dificuldade se devem
à comprovação do uso dos termos na literatura técnico-científica da área estudada e
do uso comum, em outras palavras, a garantia literária e a garantia do uso comum ou
consenso, respectivamente.
Retomando, com a relação dos termos não presentes no VUSP em mãos,
partiu-se para a checagem com fontes especializadas da área. A escolha por
determinadas fontes levou em consideração alguns fatores, tais como: instituição de
suporte, área de cobertura, língua de apresentação e possibilidade de tradução, tipo
de acesso, periodicidade das revisões e atualizações. As fontes checadas foram:
•

Canadian

Thesaurus

of

Construction

Science

and

Technology3:

vocabulário controlado da área de tecnologia e ciência da construção abrange
também a área de ciências exatas e tecnologia. Desenvolvido pelo Grupo de
Pesquisa em Industrialização (GRIF), da Universidade de Montreal, Canadá.
•

Computer Reviews Classification4: sistema para classificação de papers na
área de Ciência da Computação. Desenvolvida pela Association for Computing
Machinery.

•

Mathematical

Subject

Classification5:

sistema

para

classificação

e

indexação das áreas de Matemática, Estatística, Probabilidade, Ciência da
Computação e áreas afins. Desenvolvida pela American Mathematical Society.
•

NASA Thesaurus6: vocabulário controlado geral, contendo os termos
autorizados pela NASA para a indexação e recuperação dos seus
documentos. Desenvolvido e mantido pelo NASA Scientific Technical
Information Program.

•

Tesauro de Redes de Ordenadores7: vocabulário controlado para a área de
arquitetura e desenho de redes, comunicação de dados, protocolos de
comunicação e sistemas distribuídos. Desenvolvido e mantido pelo Grupo de

http://irc.nrc-cnrc.gc.ca/thesaurus/welcome.html
http://www.acm.uiuc.edu/signet/JHSI/cr.html
5
http://www.ams.org/msc/index.html#browse
6
http://www.sti.nasa.gov/thesfrm1.htm
7
http://www.um.es/gtiweb/fjmm/tesauro/index.html

3

4

�Tecnologías de la Información, da Universidad de Murcia, Espanha.

•

UNESCO Thesaurus8: vocabulário controlado desenvolvido pela University of
London Computer Centre – ULCC, com permissão da UNESCO. Inclui as
seguintes áreas do conhecimento: Educação, Ciências, Cultura, Ciências
Sociais e Ciências Humanas, Informação e Comunicação, Políticas,
Legislação e Economia.
Durante a checagem de cada termo, as seguintes anotações foram feitas:

escopo do termo, data de criação/inserção na fonte, termos relacionados e traduções
existentes. Para os termos em língua estrangeira, os especialistas de cada subárea
ficaram responsáveis pela tradução e ou pesquisa sobre o termo traduzido já
consolidado.
Finalizada a checagem, uma nova estrutura de classes foi elaborada a partir
das relações existentes entre os termos, alternando-os também com os termos já
existentes no VUSP. Após, foram inseridas as relações de sinonímia identificadas e
os qualificadores necessários para os termos homógrafos. Concomitantemente, foi
definida a forma singular ou plural para alguns termos, elaborada uma relação de
termos em desuso, cujo encaminhamento dado foi a sugestão para a retirada deles
do VUSP e, ainda, elaborada uma relação dos termos já presentes no VUSP, que se
mantiveram após a revisão, porém, passaram a pertencer a outra classe ou
subclasse, isto é, mudaram de posição na estrutura de classes.
Terminada a confecção da nova proposta para a área de Ciência da
Computação no VUSP, uma cópia foi enviada ao grupo gestor do VUSP, que
supervisionou o processo, para análise e aprovação. Alguns pontos foram levantados
e, a pedido do grupo gestor, novos estudos e revisões foram feitos para alguns
termos. Os principais pontos levantados diziam respeito a termos cuja área de
origem estava incerta, termos traduzidos, termos preferidos, necessidade de
qualificadores e necessidade de vários termos sinônimos. As correções foram
realizadas e submetidas novamente ao grupo gestor que aprovou algumas e outras
não. A proposta final foi elaborada levando em consideração as decisões do grupo
gestor e, posteriormente, aprovada.
8

http://www.ulcc.ac.uk/unesco

�Fazendo uma breve cronologia da revisão da terminologia em Ciência da
Computação, o trabalho foi iniciado em março de 2004. Nessa época, a área de
Computação do VUSP contava com onze subclasses perfazendo, aproximadamente,
um total de 323 termos preferidos, além dos demais termos que compunham as
relações do vocabulário. O trabalho de revisão e levantamento de novos termos junto
aos especialistas transcorreu durante um ano; no início de 2005 as checagens foram
iniciadas, levando seis meses para realização dessa etapa. A elaboração da
proposta final foi concluída em um prazo de dois meses, meados de setembro de
2005, e, então, submetida ao grupo gestor. A fase de avaliações e alterações levou
os quatro meses seguintes, entrando em 2006. A proposta final apresenta 33
subclasses, com, aproximadamente 470 termos preferidos. O trabalho de revisão
durou dois anos e o novo vocabulário para a área de Ciência da Computação foi
implementado no VUSP em abril de 2006.
5 Considerações finais
A elaboração de linguagens documentárias é um trabalho exaustivo,
especializado

e

longo;

a

manutenção

dessas

linguagens,

além

dessas

características, ainda deve ser um processo contínuo. Entretanto, são muitas as
contribuições desses instrumentos para a área de representação da informação, tais
como a coerência e a atualização do produto da representação e a conseqüente
eficácia na recuperação da informação, culminando no cumprimento da missão dos
sistemas de informação e da Ciência da Informação.
Este trabalho, em particular, pretendeu contribuir para a representação da
área de Ciência da Computação e, concomitantemente, para as áreas relacionadas,
e, ainda, ampliar o VUSP nessa área específica, contribuindo para sua credibilidade já consolidada - como importante instrumento auxiliar no processo de representação
e recuperação da informação no cenário das bibliotecas brasileiras.
Em tempo, torna-se oportuno citar a necessidade de conscientização sobre a
importância das revisões dos repertórios terminológicos para a manutenção das
linguagens documentárias, como única garantia de instrumentos úteis e efetivos. E
ainda, o entendimento desse trabalho como parte da atuação do profissional da
Ciência da Informação e o maior engajamento desse profissional em iniciativas dessa

�natureza. Toda contribuição é bem-vinda e necessária, tendo em vista o dinamismo
das áreas do conhecimento e de suas terminologias.
6 Referências
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Informação,
v.
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A terminologia, enquanto conjunto de termos específicos de uma disciplina particular, é um instrumento essencial na organização e representação da informação, seja em ambiente real ou virtual. Além disso, é matéria-prima obrigatória na elaboração de ferramentas que auxiliam a representação documentária, as chamadas linguagens documentárias. O dinamismo característico do processo de desenvolvimento da ciência e tecnologia também é impresso às terminologias, fazendo com que a atualização seja um dos grandes problemas das linguagens documentárias. Neste sentido, no contínuo processo de revisão do Vocabulário Controlado da USP - VUSP, a terminologia da área de Ciência da Computação foi revisada, com o objetivo de aproximá-la ao máximo do estado da arte da área e de fornecer ao sistema de informação e ao usuário a representação precisa do volume de informação disponível. A revisão da área contou com um trabalho conjunto entre bibliotecários e docentes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – ICMC. O método proposto e empregado para a revisão da área dividiu a Ciência da Computação em dez subáreas, para cada subárea um especialista foi escolhido para trabalhar na revisão, e o chefe do Departamento de Ciência da Computação atuou como revisor geral de cada subárea. A terminologia então constante do VUSP foi checada com fontes de informação especializadas, os termos faltantes foram inseridos, outros em desuso foram excluídos e alguns mudaram de denominação e de relacionamentos. A proposta do ICMC foi avaliada pelo grupo gestor do VUSP e, após correções e sugestões, foi aprovada. O trabalho de revisão levou dois anos para ser concluído e em abril de 2006 a nova terminologia foi implementada no VUSP.</text>
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