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UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL: (RE)PENSANDO A BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA PARA O NOVO USUÁRIO
Ana Maria Mattos*

RESUMO

Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de
Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil
(UAB). O curso-piloto do projeto UAB é o de graduação em Administração na
modalidade educação a distância (EAD), com duração de quatro anos. Na Região
Sul, a Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS) participa do projeto-piloto. A SEED orienta a instituição a oferecer,
sempre que possível, biblioteca. Os alunos do curso de Administração na
modalidade EAD da EA/UFRGS devem incrementar, e muito, o número de
usuários da Biblioteca Setorial da Escola de Administração que serão atendidos
fora do campus (estão previstas 500 vagas). A Biblioteca deve preparar-se para
atender à demanda desses alunos/usuários, que é diferenciada, da dos usuários
atuais. Como preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de
serviços para atender adequadamente às necessidades informacionais desse
público? Este ensaio procura reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante
dessa nova realidade, visando não só manter, ou aumentar, o padrão de
qualidade do serviço prestado, como também oferecer o suporte adequado ao
ensino, à pesquisa e à extensão dentro das peculiaridades informacionais da
EAD.
Palavras-chave: Instituição de ensino superior. Educação a distância.
Biblioteca universitária.

*

Bibliotecária Especialista em Gestão Universitária pelo PPGA/UFRGS. Atuou na Biblioteca
Central da UFRGS entre 1991 e 2004 como Bibliotecária Chefe do Núcleo de Aquisição de
Material Bibliográfico. Atualmente desempenha suas atividades na Biblioteca Setorial da Escola
de Administração da UFRGS. Rua Washington Luiz, 855 – térreo. Porto Alegre – RS – Brasil.
Fone: 0 xx 51 3316 3842. http://www.ea.ufrgs.br/home.asp. e-mail: ammattos@ea.ufrgs.br.

�2

1 A CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL

Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de
Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil
(UAB), que representa a convergência de esforços dos participantes do Fórum
das Empresas Estatais pela Educação rumo à criação das bases da primeira
experiência no gênero no país. “Inspirada em iniciativas semelhantes de outras
partes do mundo – como Reino Unido e Portugal -, a UAB pretende levar a
educação de nível superior ao maior número possível de municípios brasileiros,
[...]” (AVANCINI, 2006, p. 46). O projeto visa à seleção de pólos municipais de
apoio presencial a cursos superiores de instituições federais na modalidade de
educação a distância (EAD):

[...] para a articulação e integração de um sistema nacional de educação
superior a distância, em caráter experimental, visando sistematizar as
ações, programas, projetos, atividades pertencentes as políticas públicas
voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior
gratuito e de qualidade no Brasil (UNIVERSIDADE ABERTA DO
BRASIL, 2005).

O curso-piloto da UAB deve ser o de graduação em Administração,
resultado de uma parceria entre o MEC, SEED, Banco do Brasil e instituições
federais e estaduais de ensino superior. O curso deve ter duração de quatro anos,
sendo os três primeiros estruturados em base comum, e um ano destinado a
diferentes ênfases.

Em cada unidade da federação, as universidades definirão os locais dos
pólos regionais e sua infra-estrutura para atendimento aos estudantes
para os momentos presenciais. O estudante será acompanhado por um
processo de tutoria que permitirá o monitoramento direto do
desempenho e do fluxo de atividades, facilitando a interatividade e
identificação
de
possíveis
dificuldades
de
aprendizagem
(UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL, 2005).

O Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância
(ABRAEAD) divulga que o número de alunos que freqüentam cursos a distância
no Brasil cresceu, no ano passado, 62%, atingindo 1,2 milhão de alunos. A
Região Sul foi a que apresentou maior crescimento, subindo de 14.930 alunos,

�3

em 2004, para 109.163, em 2005, registrando 631,2% de acréscimo
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. EPROINFO, 2006).

A SEED publicou em 2003 os Referenciais de qualidade para cursos a
distância. Entre os dez itens básicos para orientar as instituições na preparação
de seus programas de graduação a distância destaca-se a infra-estrutura de
apoio e, dentro dela, a biblioteca. A UAB prevê estruturas para a execução
descentralizada de algumas das funções didático-administrativas, entre elas o
pólo de apoio presencial:

[...] Será o local onde o estudante terá acesso local a biblioteca,
laboratório de informática (por exemplo, para acessar os módulos de
curso disponíveis na Internet), ter atendimento de tutores, assistir aulas,
realizar práticas de laboratórios, dentre outros. Em síntese, o pólo é o
“braço operacional” da instituição de ensino superior na cidade do
estudante ou mais próxima dele (UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL,
2005, grifo nosso).

O fato de um curso ser a distância não exime a instituição de dispor de
centros de documentação e informação. A instituição deverá oferecer, sempre
que possível, biblioteca (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2003).

Percebe-se, assim, a importância da biblioteca nesse processo; tanto na
implantação do curso quanto na sua avaliação.

2 A ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DA UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apóia por meio da
Secretaria de Educação a Distância, os projetos de ensino a distância que tem
por objetivo fomentar, apoiar e institucionalizar as ações de EAD na UFRGS. As
metas para 2006, entre outras, são implantar 11 cursos de graduação a distância
(RAMOS, 2006, p. 25).

A UFRGS participa, na Região Sul do país, através da Escola de

�4

Administração (EA) do projeto UAB com o curso-piloto de graduação em
Administração.

O edital do processo seletivo foi divulgado em 2 de junho de 2006. Nele
estão previstas 500 vagas sendo 70% destinadas a funcionários do Banco do
Brasil S/A e 30% destinadas à comunidade em geral, distribuídas entre 10
municípios gaúchos (ver Quadro 1). No ato da inscrição o candidato deve optar
por um dos municípios pólo. “Estão previstas até 20% das atividades na
modalidade presencial, de caráter obrigatório, que ocorrerão nos respectivos
pólos à noite ou finais de semana” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL, 2006).
Pólo/Demanda

Vagas

Local de funcionamento

Bagé - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Bagé - Demanda Social**

15

Município Pólo

Caxias do Sul - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Caxias do Sul - Demanda Social**

15

Município Pólo

Ijuí - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Ijuí - Demanda Social**

15

Município Pólo

Lajeado - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Lajeado - Demanda Social**

15

Município Pólo

Osório - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Osório - Demanda Social**

15

Município Pólo

Passo Fundo - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Passo Fundo - Demanda Social**

15

Município Pólo

Pelotas - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Pelotas - Demanda Social**

15

Município Pólo

Porto Alegre - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Porto Alegre - Demanda Social**

15

Município Pólo

Santa Maria - Demanda Interna*

35

Município Pólo

Santa Maria - Demanda Social**

15

Município Pólo

São Leopoldo - Demanda Interna*

35

Município Pólo

São Leopoldo - Demanda Social**

15

Município Pólo

TOTAL

500

Quadro 1 – Distribuição das vagas do curso de Administração a distância da UFRGS por município
Fonte: Adaptado de Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006).
Nota: * Vagas destinadas exclusivamente a funcionários do Banco do Brasil S/A.
** Vagas destinadas à comunidade em geral.

O funcionamento do curso prevê que

�5

As atividades dos alunos serão desenvolvidas a distância e
presencialmente. As atividades presenciais obrigatórias serão
desenvolvidas por professores da UFRGS e por tutores a distância, com
o suporte de tutores presenciais. As atividades a distância serão
atendidas por professores e por tutores a distância, em ambiente virtual
através da Internet. Em cada pólo estarão disponíveis: um laboratório de
informática, uma biblioteca, um espaço para atividades coletivas, e
espaços para o atendimento presencial (UNIVERSIDADE FEDERAL DO
RIO GRANDE DO SUL, 2006, grifo nosso).

Com o cenário estabelecido, a Biblioteca Setorial da EA deve preparar-se
para atender às necessidades informacionais dos usuários, do curso.

As tecnologias de informação e comunicação, aliadas à proliferação das
mídias interativas, têm colocado recursos como o computador, a Internet,
a serviço da educação. A tendência atual é aliar tecnologia e educação
e, em virtude desta nova realidade, torna-se cada vez mais necessária a
implementação de uma nova cultura docente e discente nas instituições
educacionais do país. A educação a distância acarreta numa revolução
tão intensa nos paradigmas educacionais que revoluciona até o ensino
presencial e, apresenta uma oportunidade impar para que instituição e
os professores repensem sua prática educativa (PALMEIRA; TENÓRIO;
LOPES, [2005], p. 22)

3 A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Os cursos de ensino a distância exigem que se repensem os papéis e
funções da biblioteca. Com a evolução das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC), aparentemente os usuários têm mais independência para
utilizar as fontes de informação disponíveis em rede e, teoricamente, seriam
dispensados da presença física na biblioteca e dispensariam o apoio do
bibliotecário. Porém, paradoxalmente, o que se tem percebido é uma crescente
demanda dos serviços prestados pelos bibliotecários. Os usuários, presenciais,
ou não, têm recorrido à mediação do profissional para obter a informação
pretendida (MUELLER, 2000).

A biblioteca da EA já atende usuários remotos. São considerados usuários
remotos “[...] pesquisadores e profissionais liberais que podem ter ou não
vinculação com a instituição provedora; o contato pode ser virtualmente, por

�6

correio eletrônico, telefone e fax” (GARCEZ, 2002). Trata-se de usuários
eventuais

que

por

meio

do

site

da

biblioteca

(http://biblioteca.ea.ufrgs.br/index.asp) encontram o e-mail, fazem o contato e têm
suas demandas informacionais atendidas.

Na EA já se promovem alguns cursos de extensão e especialização no
formato de ensino a distância. A biblioteca atende (ver Figura 1), com a infraestrutura atual, alguns usuários off campus, que são “[...] professores, alunos e
pesquisadores que se encontram distantes geograficamente das bibliotecas, mas
estão inseridos nos programas de ensino, pesquisa e extensão das instituições
educacionais, que também podem ou não ser intermediados pelos gerenciadores
da informação” (GARCEZ, 2002).

Figura 1 – Fluxograma do processo de atendimento - usuário off campus
Fonte: Garcez (2002).

�7

Os usuários da biblioteca da EA são, no entanto, na sua maioria, do tipo
presencial, “são pesquisadores, alunos e professores das instituições de ensino,
que podem ser intermediados ou não pelos gerenciadores da informação na
busca por informação e que estão geograficamente próximos à sede física da
biblioteca” (GARCEZ, 2002).

Com a implementação do curso de Administração a distância na
EA/UFRGS a biblioteca prevê um aumento substancial de usuários off campus.

Com o advento da educação a distância mediada pelo computador
estamos experienciando um novo método de ensino, onde as pessoas
tem a oportunidade de superar barreiras de tempo e espaço na
construção do conhecimento. Neste novo contexto, novas habilidades
são exigidas dos bibliotecários. Cabe ao bibliotecário a responsabilidade
de disseminar informações, portanto, ele deve estar alerta às
possibilidades de interação. Cada vez mais o profissional da informação
estará envolvido em cursos de EAD, principalmente aqueles vinculados
às instituições de ensino superior. Por isso deve ficar atento, refletindo
sobre quais serviços e produtos podem ser desenvolvidos para esses
novos usuários, que a cada dia se somam aos usuários dos
cursos/disciplinas presenciais e podem/devem ter o mesmo tratamento e
atendimento (DI DOMENICO, 2002, p. 16-17).

Dessa forma, a biblioteca, deve estar preparada para atender a tal
demanda, uma vez que esse novo usuário exige um atendimento diferenciado dos
usuários atuais. Qual o papel da biblioteca nesta modalidade de ensino? Como
preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de serviços para
atender adequadamente às necessidades informacionais desse público?

Portanto é imprescindível planejar o suporte adequado ao ensino dentro
das peculiaridades informacionais da EAD para o novo curso. Este ensaio procura
reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante desta nova realidade, visando
não só manter, mas aumentar o padrão de qualidade do serviço prestado aos
usuários atuais e potencias.

Entre os objetivos para o aprimoramento dos serviços de referência aos
usuários off campus destacam-se:

�8

a) definir suas necessidades informacionais;

b) localizar materiais informacionais específicos;

c) desenvolver estratégias de busca para suas pesquisas;

d) facilitar o empréstimo entre bibliotecas – promover acordos ou
consórcios entre bibliotecas (bibliotecas de apoio) utilizando formulários
eletrônicos ou pedidos por e-mail;

e) identificar bibliotecas e outros recursos materiais próximos à área
geográfica do usuário; e

f)

promover

sua

instrução

em

tecnologia

da

informação

e

telecomunicações.

Lange e Válio (2002) alertam que:

O curso de EAD via www, ao ser planejado, desenvolvido e avaliado por
uma equipe interdisciplinar, precisaria incluir em seu grupo o
bibliotecário/profissional da informação, por causa da complexidade do
próprio processo de organizar e de disponibilizar a informação, instrução
e ensino no contexto educativo. Pela complexidade educacional, aliada à
complexidade do domínio atualizado das informações e a busca do
aprimoramento do material disponibilizado, é que se faz necessário uma
equipe interdisciplinar, na qual, reforça-se, o bibliotecário/profissional da
informação é pessoa indispensável. As atitudes dos receptores/alunos
registradas na lista de discussão contribui para adequar e determinar
ações mais eficazes por parte da equipe de EAD, formada por:
professores da área de conhecimento, bibliotecários, analistas de
sistemas, pedagogos. Interdisciplinar por natureza para construir e
organizar as informações como: referências bibliográficas, links, textos
de autoria, biblioteca virtual e bases de dados.

Formas consagradas de atendimento ao usuário devem ganhar nova
roupagem. A utilização das TIC no atendimento da biblioteca passa, de uma
possibilidade, para uma necessidade, um instrumental imprescindível na maneira
de atender o usuário off campus:
Atualmente, o acesso à informação eletrônica é o ponto alto das TICs

�9

aplicadas às consultas a bases de dados e bibliotecas, pois, com a
tecnologia das redes eletrônicas, torna-se possível o surgimento de
novos documentos e produtos e, por conseqüência, a criação de novos
serviços, como a orientação aos usuários na utilização de seus recursos,
o desenvolvimento de home pages, o agendamento e o atendimento de
novos serviços on-line, como a comutação, o empréstimo entre
bibliotecas, a disseminação da informação e o catálogo (PALMEIRA;
TENÓRIO; LOPES, [2005], p. 6)

3.1 ESTRUTURA FÍSICA

A instituição é responsável pelo acesso físico e eletrônico aos materiais da
biblioteca para os programas de aprendizagem a distância de maneira
equivalente àqueles fornecidos aos programas de aprendizagem presencial. Os
custos, os serviços e os métodos para a provisão dos materiais para todos os
cursos devem ser uniformes.

A instituição deve fornecer equipamentos suficientes em tamanho, número,
espaço e acessibilidade para alcançar todos os estudantes e os objetivos dos
programas de EAD. É necessário disponibilizar computadores modernos com
seus respectivos periféricos em quantidade suficiente para atender à demanda,
compatíveis com a função a que se destinam. Implantar linhas de telefone e fax
destinadas exclusivamente ao “atendimento de referência virtual” pode tornar o
serviço mais acessível.

Deve-se

procurar

conhecer

a

infra-estrutura

do

sistema

de

telecomunicações do país e também os padrões mínimos exigidos para o acesso
à rede de computadores. Sem uma rede eficiente de comunicação, o ensino a
distância não terá êxito. Conhecer seus limites e potencialidades facilitará, por
exemplo, o treinamento on-line em horário, com menos congestionamento.

Muitos dos materiais didáticos produzidos pelos professores, deverão ser
colocados na Internet. Torna-se necessário providenciar equipamentos para a
digitalização destes acervos, respeitando sempre os direitos autorais, para
disponibilizá-los para a consulta na Internet.

�10

3.2 RECURSOS HUMANOS

A biblioteca deve dispor de recursos humanos – bibliotecários e demais
funcionários – em quantidade suficiente e com qualificação adequada. Com
responsabilidades

definidas,

os

profissionais

devem

atuar

em

posições

apropriadas para alcançar os objetivos de aprendizagem a distância. A instituição
deve, ainda, proporcionar treinamento e qualificação aos funcionários, de acordo
com suas atribuições, visando ao correto atendimento do usuário não-presencial.

Caberá ao bibliotecário na gerência da biblioteca, utilizar técnicas
modernas para planejar, executar, coordenar e avaliar os recursos e os serviços
da biblioteca que se destinam ao público envolvido na educação a distância. A
capacitação deste profissional deverá contemplar atualizações, por exemplo, em
informática e marketing entre outras disciplinas. Torna-se imprescindível a
realização de estudos dos usuários off campus, objetivando aprimorar o
planejamento e a avaliação permanentemente dos serviços bibliotecários
oferecidos a eles.

[...] estudos de usuários a distância ainda são muito reduzidos no Brasil
e existem muitas questões que merecem respostas, pois esses
conhecimentos mais estreitos com os usuários irão auxiliar os
gerenciadores de informações a melhor atender às necessidades deste
novo nicho de mercado (GARCEZ; RADOZ, 2002, p. 23).

A integração das atividades desempenhadas pelas pessoas envolvidas no
programa de educação a distância na biblioteca com os responsáveis pelo
suporte técnico de computação da instituição. A integração destas atividades
deve ter por objetivo a promoção de serviços de suporte em tecnologia da
informação (software, hardware, redes e ambiente Internet) para otimizar o
processo de ensino e pesquisa aos usuários distantes. A capacitação de todos os
trabalhadores da biblioteca para o uso adequado das tecnologias de informação e
comunicação facilitará a execução de suas tarefas e otimizará o atendimento
dispensado aos usuários off campus.

A promoção da interação entre os bibliotecários e os professores

�11

instrutores do curso a distância, proporcionará uma adequação dos serviços
oferecidos pela biblioteca e os recursos informacionais oferecidos nos conteúdos
das disciplinas ministradas. A antecipação das necessidades informacionais dos
usuários off campus será proporcional ao nível de integração destes profissionais.

3.3 RECURSOS INFORMACIONAIS

De acordo com Garcez (2002):

A biblioteca híbrida é designada para agregar diferentes tecnologias,
diferentes fontes, refletindo o estado que hoje não é completamente
digital, nem completamente impresso, utilizando tecnologias disponíveis
para unir, em uma só biblioteca, o melhor dos dois mundos (o impresso e
o digital).

Como demonstra a Figura 2, a biblioteca da EA atua como uma biblioteca
híbrida. Sua atual estrutura de recursos de busca, acesso e uso da informação
atendem satisfatoriamente as demandas informacionais de seu público.

Figura 2 – Integração de bens e serviços prestados em bibliotecas híbridas
Fonte: Garcez (2002).

De acordo com as diretrizes elaboradas pela Association of College and
Research Libraries (ACRL), no documento Guidelines for Distance Learning
Library Services, os serviços da biblioteca oferecidos à comunidade de

�12

aprendizagem a distância devem ser projetados para que os usuários encontrem
eficazmente suas necessidades informacionais. Portanto a biblioteca deve
promover em larga escala:

a) serviços de referência;

b) serviços bibliográficos e informacionais baseados em computador;

c) acessos confiáveis, rápidos e seguros às redes da instituição e outras,
inclusive à Internet;

d) serviços de orientação;

e) programa de instrução ao usuário destinado a habilitá-lo a usar com
independência recursos informacionais;

f) auxílio com equipamentos e mídia não-impressa;

g) acordos para empréstimos entre bibliotecas respeitando a lei de
copyright;

h) serviço de entrega rápida de documentos tais como transmissão
eletrônica e malotes;

i) acesso a serviços de reserva de materiais;

g) horários adequados de prestação de serviços, tendo em vista maximizar
oportunidades de acesso; e

h) promoção de serviços bibliotecários para a comunidade dos cursos a
distância (ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES,
2004).

�13

Para atender às diretrizes da ACRL, algumas providências tornam-se
necessárias:

a) organizar o material proveniente das aulas ministradas (texto, imagem,
som, vídeo, etc.) no catálogo on-line da biblioteca, facilitando, assim, sua
localização e acesso em uma biblioteca digital (BLATTMANN; BELLI,
2000);

b) proporcionar um consórcio entre as bibliotecas que atendem aos cursos
de graduação em Administração na UAB para otimizar recursos e
concentrar esforços. Trabalhar em cooperação com as bibliotecas destas
instituições trará mudanças nos critérios de seleção, aquisição e
disponibilidade do acervo bibliográfico;

c) criar ou revitalizar serviços de “referência a distância” por meio de
telefone, fax, e-mail e formulário próprio disponível na Internet. O possível
sistema de atendimento via Internet deve ser compartilhado por todos os
bibliotecários, dentro de um sistema em que o status da questão de
referência possa ser modificado conforme esteja sendo trabalhado. O
sistema aberto para todos os bibliotecários trará oportunidades de
aprendizagem e monitoramento do serviço de referência, garantindo a sua
eficiência (BLATTMANN; DUTRA, 1999).

d) determinar as necessidades de informação do público-alvo (alunos,
professores e equipe de EAD);

e) analisar as limitações dos serviços prestados;

f) desenvolver guias de orientações dos serviços disponíveis;

g) planejar as orientações bibliotecárias e providenciar serviços de
informação para todos os atores do cenário de EAD;

�14

h) autorizar o acesso on-line aos bancos de dados, periódicos eletrônicos e
catálogos disponíveis;

i) providenciar a entrega de documentos e artigos aos usuários distantes,
reforçando, por exemplo, a comutação bibliográfica;

j) criar um canal de comunicação específico com os usuários (alunos,
professores e equipes de EAD) via boletins, listas de discussão, alertas
eletrônicos, informes, etc; e

l) preparar um programa de orientação e treinamento no uso dos recursos
informacionais disponíveis, que pode ser em vídeo, em slides, ou em
programa interativo de computador.

Facilitar o acesso à informação aos usuários off campus é um desafio a ser
enfrentado pela Biblioteca Setorial da EA/UFRGS. Algumas alterações nos
serviços bibliotecários podem tornar este desafio mais ameno. Deve-se estar
atento para ouvir, dos diferentes tipos de usuários, quais as sua necessidades
informacionais, buscando atendê-las da forma mais rápida e eficaz possível.
Espera-se que as sugestões aqui reunidas colaborem na estruturação das
mudanças que deverão ocorrer com a implantação do curso de graduação em
Administração por EAD.

�15

REFERÊNCIAS

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distance learning library services. 2004. Disponível em:
http://www.ala.org/ala/acrl/acrlstandards/guidelinesdistancelearning.htm. Acesso
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�16

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Em 2005 o Ministério da Educação (MEC), através da Secretaria de Educação a Distância (SEED), criou o projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB). O curso-piloto do projeto UAB é o de graduação em Administração na modalidade educação a distância (EAD), com duração de quatro anos. Na Região Sul, a Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participa do projeto-piloto. A SEED orienta a instituição a oferecer, sempre que possível, biblioteca. Os alunos do curso de Administração na modalidade EAD da EA/UFRGS devem incrementar, e muito, o número de usuários da Biblioteca Setorial da Escola de Administração que serão atendidos fora do campus (estão previstas 500 vagas). A Biblioteca deve preparar-se para atender à demanda desses alunos/usuários, que é diferenciada, da dos usuários atuais. Como preparar a estrutura física, os recursos humanos e a política de serviços para atender adequadamente às necessidades informacionais desse público? Este ensaio procura reunir alternativas para preparar a Biblioteca diante dessa nova realidade, visando não só manter, ou aumentar, o padrão de qualidade do serviço prestado, como também oferecer o suporte adequado ao ensino, à pesquisa e à extensão dentro das peculiaridades informacionais da EAD. </text>
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