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                  <text>USABILIDADE DE SOFTWARES: um estudo com bibliotecas universitárias
do nordeste brasileiro
ELIANE BEZERRA PAIVA
Mestre em Ciência da Informação,
Professora do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação do
CCSA/UFPB. paivaeb@gmail.com
FRANCISCA ARRUDA RAMALHO
Doutora em Ciência da Informação,
Professora do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação do
CCSA/UFPB. arfrancisca@hotmail.com
RESUMO
O uso de bibliotecas em ambiente digital perpassa por questões relativas à
interação homem-máquina. Assim, a usabilidade consiste em propriedades de
interface de um sistema, no que se refere à sua adequação aos usuários.
Realizou-se, então, uma pesquisa, de caráter exploratório, que objetiva investigar
a existência de estudos sobre a usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas
universitárias federais do nordeste brasileiro. A metodologia compreende uma
pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares em bibliotecas
universitárias e uma pesquisa de campo. O instrumento de coleta de dados foi o
questionário, aplicado, via Internet, às bibliotecas envolvidas no estudo. A análise
dos dados realizou-se numa abordagem quantitativa e qualitativa, com base na
Análise de Conteúdo, de Bardin. Os resultados obtidos demonstram a utilização
de uma diversidade de softwares como Pergamum, Ortodocs, Aleph etc. e
apontam para a ausência de estudos sobre a usabilidade desses softwares nas
bibliotecas pesquisadas. Embora os bibliotecários estejam envolvidos na escolha
dos softwares utilizados, infere-se que há desconhecimento, por parte desses
profissionais, sobre questões relacionadas à usabilidade de softwares. Conclui-se
que, os estudos de usabilidade revelam as preocupações da biblioteca
universitária com os seus usuários e contribuem para otimizar sua mediação no
ambiente do ciberespaço.
Palavras-chave: Usabilidade; Biblioteca universitária; Uso de softwares; Usuário
da informação.

1 INTRODUÇÃO
Desde a formulação das Leis da Biblioteconomia, por Ranganathan, ao
expressarem que os livros são para uso, percebe-se a necessidade da
preocupação com o usuário de bibliotecas e/ou unidades de informação. Os
estudos de usuários têm procurado decifrar quem são os usuários de tais

�2

sistemas, como os utilizam e buscam informação e quais as suas necessidades
informacionais. Entende-se que as bibliotecas e/ou unidades de informação
devem priorizar os desejos/ necessidades de informação de seus usuários, pois
os usuários constituem a sua razão de ser. Assim, a preocupação com os
usuários e as suas relações com os sistemas, quando da busca das informações
desejadas, deve ser uma constante, para que os sistemas de informação possam
cumprir os objetivos pretendidos.

A partir do desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação
(TICs) as bibliotecas e/ou unidades de informação não ficaram imunes às novas
tendências a passaram a atuar, também, em ambiente digital. Nessa nova
configuração, o uso dos recursos informacionais pelos usuários, perpassa por
questões relativas à interação homem-máquina.

Inicialmente, houve preocupação em adaptar o ser humano à máquina.
Posteriormente, o barateamento dos custos dos equipamentos concorreu para
uma mudança de enfoque e os custos de desenvolvimento de novos softwares
alcançaram uma maior relevância, especialmente no que se refere à questão da
interatividade dos sistemas (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).

Em tal contexto, a interação homem-computador tornou-se uma tendência visível
na indústria de software, que passou a dedicar uma maior atenção ao assunto e a
criar interfaces mais “amigáveis” aos usuários.

A usabilidade consiste em propriedades de interface de um sistema, no que se
refere à sua adequação ao usuário. Este texto trata-se de um relato de pesquisa
sobre usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas centrais de universidades
federais do nordeste do Brasil. A referida pesquisa objetiva analisar questões
referentes à usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas universitárias do
nordeste do Brasil.
2 SOFTWARES, USABIBLIDADE E ESTUDOS DE USUÁRIOS: um encontro
necessário na biblioteca universitária

�3

As mudanças advindas com a emergência da sociedade da informação
provocaram alterações substantivas nos hábitos de uso da informação. As
unidades de informação recebem interferência diária, em seus processos de
trabalho, concorrendo para tornar imprescindível a adequação de suas estruturas
organizacionais e prestação de serviços ao novo contexto da sociedade.
Especificamente no processo de informatização das unidades de informação, os
avanços tecnológicos aliados às exigências dos usuários, direcionam para a
seleção de softwares com características que permitam a integração usuário
máquina.

Software, que na língua portuguesa pode ser traduzido por programa de
computador, consiste numa seqüência de instruções codificadas em uma
linguagem de programação qualquer e que para ser executado, precisa estar
armazenado na memória de um computador (SALVETTI; BARBOSA, 1998).

O espaço digital, criado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs),
possibilita o atendimento a distintas formas de interação das pessoas com a
informação, tanto as preferências dos usuários quanto as suas limitações. No
processo de construção do conhecimento, os indivíduos interagem entre si,
conforme a sua cultura. Assim, torna-se necessário que o ambiente de interação,
a interface, favoreça a comunicação dos significados e sentidos (GOMES, 2000).

A usabilidade relaciona-se com a facilidade ou dificuldade do usuário
compreender e utilizar um mecanismo, como um equipamento de controle remoto,
uma máquina fotográfica, ou os sistemas informatizados. O termo usabilidade, em
inglês “usability”, surgiu no início da década de 80, na Ciência Cognitiva,
especificamente nas áreas de Psicologia e Ergonomia, em substituição ao termo
“userfriendly” (amigável), em virtude deste último ser considerado um termo vago
e subjetivo. Nos últimos anos, a partir da difusão da Internet, que se tornou parte
essencial do cotidiano da vida moderna, o termo usabilidade alcançou destaque
nas pesquisas, especialmente no que se refere à satisfação no contexto de uso.
Inicialmente, os engenheiros de softwares enalteciam a eficiência dos programas

�4

e, atualmente, percebe-se uma grande preocupação com uma melhor interação
com o usuário, especialmente com a interface homem/computador. A interface “é
a parte do sistema com a qual o usuário entra em contato por meio do plano
físico, perceptivo e cognitivo” (DIAS, 2005, p. 46).

A usabilidade pode ser entendida como o grau de facilidade de uso de um produto
para um usuário que desconhece o mesmo (TORRES; MANZZONI, 2004).
Conforme a International Organization for Standardization (ISO), em sua norma
ISO 9241, usabilidade é: “a efetividade, eficiência e satisfação com que um
conjunto específico de usuários pode realizar um conjunto específico de tarefas
em um ambiente particular” (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).

Nielsen (1993 apud DIAS, 2005) descreve cinco propriedades de usabilidade: a)
facilidade de aprendizado; b) eficiência de uso; c) facilidade de memorização; d)
baixa taxa de erros; e) satisfação subjetiva. A facilidade de aprendizado é a
propriedade em que o sistema deve ser o mais simples possível para possibilitar
que o usuário conheça o sistema e desenvolva suas atividades. A eficiência de
uso refere-se que o sistema deve ser hábil o suficiente para permitir a interação
com o usuário para que esse possa atingir altos níveis de produtividade no
desenvolvimento de suas atividades. Facilidade de memorização refere-se à
aptidão do usuário de regressar ao sistema e realizar suas tarefas embora tenha
estado afastado do sistema durante determinado tempo. Baixa taxa de erros – o
sistema deve ter poucos erros e possibilitar o usuário realizar suas tarefas sem
grandes problemas. A satisfação subjetiva – refere-se ao usuário considerar
agradável a interação com o sistema e satisfeito com o mesmo.

Conforme Figueiredo (1999), os estudos de usuários objetivam entender as
necessidades, preferências e opiniões dos usuários a respeito dos serviços que a
eles são oferecidos ou podem vir a ser oferecidos. Entende-se, então, que os
estudos de usabilidade convergem para estudos de usuários, pois ambos têm a
preocupação com uma melhor interação do usuário com o sistema e, sobretudo,
com a satisfação do usuário.

�5

Na atualidade, quando a maior parte das bibliotecas está automatizada e
disponibiliza serviços via Web, os estudos de usabilidade podem se constituir num
forte aliado, ou numa nova configuração, dos estudos de usuários. Se na
biblioteca tradicional os estudos de usuários estão voltados para o uso dos
catálogos, dos serviços ao usuário, das fontes impressas, dentre outros, na
biblioteca automatizada os estudos devem ser realizados aonde se dá a interação
do usuário com a biblioteca, ou seja, na interface usuário-computador.

3 A PESQUISA

A pesquisa, de cunho exploratório, focaliza a usabilidade de softwares nas
bibliotecas centrais das universidades federais do Brasil e o universo da pesquisa
compreende 11 bibliotecas universitárias localizadas no nordeste do país e
pertencentes às seguintes universidades: UFPB, UFCG, UFPE, UFRPE, UFRN,
UFBA, UFC, UFAL, UFMA, UFSE e UFPI. A metodologia compreende uma
pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares, automação de
bibliotecas universitárias e estudos de usuários. Inclui, também, uma pesquisa de
campo.

O instrumento de coleta de dados foi o questionário, aplicado, via Internet, às
direções das bibliotecas envolvidas no estudo. O questionário é composto de
questões abertas, referentes a estudos de usabilidade dos softwares disponíveis
nas bibliotecas.

A coleta de dados realizou-se no período de maio a julho de 2006, obtendo-se
63,6% de resposta, que correspondeu à amostra. A análise dos dados, com base
na Análise de Conteúdo, de Bardin, realizou-se numa abordagem quantitativa e
qualitativa, visando obter-se uma melhor compreensão do fenômeno estudado
(GOLDENBERG, 2004). A pré-análise constou da codificação dos questionários
respondidos e da tabulação dos dados, utilizando-se inferências percentuais e
estatísticas básicas. Com o objetivo de garantir o anonimato dos respondentes,
adotaram-se os códigos B1, B2, B3, B4, B5, B6 e B7 para os questionários

�6

respondidos, que totalizaram sete. A partir das respostas dos informantes,
criaram-se categorias de análise que foram comparadas com a literatura da área.

4 USABIBLIDADE DE SOFTWARES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
NORDESTINAS

Visando alcançar os objetivos pretendidos na pesquisa, optou-se por conhecer os
tipos

de

softwares

disponibilizados

para

os

usuários

pelas

bibliotecas

pesquisadas. Os resultados obtidos demonstram a disponibilização de vários
softwares. Os pesquisados informaram que disponibilizam os seguintes:
Pergamum (57,1%), Ortodocs (14,3%) e Aleph (14,3%). Apenas uma biblioteca
(14,3%) informou que anteriormente utilizava o Ortodocs, mas no período da
coleta de dados da pesquisa estava em fase de implantação de um novo
software. Mais da metade das bibliotecas disponibilizam o software Pergmum
(57,1%).

O Pergamum é um sistema automatizado de controle de bibliotecas e contempla
as principais funções de uma unidade de informação: cadastro de material, de
usuários, controle de empréstimo e consultas. Dias

(1998)

reconhece

a

necessidade de pesquisar a satisfação dos usuários quanto aos aplicativos
existentes para se realizar a pesquisa no sistema Pergamum.

O Ortodocs é fruto da tecnologia brasileira de microinformática e das suas
virtudes destaca-se a facilidade de agilizar a catalogação, pois ele permite a
importação de registros bibliográficos de qualquer formato e converte-os em
formato MARC (LIMA, 1998).
O software Automated Library Expandable Program (Aleph) é um software
desenhado, especificamente, para o gerenciamento de bibliotecas e centros de
documentação e informação bibliográfica. É um sistema amigável e totalmente
integrado, ou seja, à exceção do módulo para empréstimo entre bibliotecas, todos
os módulos possuem o mesmo banco de dados.

�7

A literatura da área demonstra a existência de uma grande variedade de
softwares disponíveis no mercado para a automação de bibliotecas, o que
concorre para dificultar a escolha desses softwares.

Em estudo realizado sobre o processo de avaliação e seleção de softwares, Corte
et al (1999) apresentam alguns aspectos relevantes a serem considerados na
avaliação de softwares e, dentre eles, sugerem que “o software escolhido esteja
pronto, testado, atendendo o nível de satisfação exigido pelos usuários” (CÔRTE
et al, 1999, p.255)

No que se refere ao tempo que os softwares estão sendo disponibilizados para os
usuários, os pesquisados informaram: o software está disponível há 10 anos
(14,3%), disponível há 8 anos (14,3%), disponível há 4 anos (28,6%) e disponível
há 1 ano (14,3%). No momento de aplicação do questionário os softwares não
estavam disponíveis aos usuários em 28,5% das bibliotecas, do que se infere
tratar-se de problemas técnicos, embora isso não tenha sido apontado pelos
informantes da pesquisa.

Sobre o tempo de disponibilização dos softwares para os usuários das bibliotecas
envolvidas no estudo, esse varia de 1 a 10 anos.Há bibliotecas que disponibilizam
o software há 10 anos (14,3%), há 8 anos(14,3%), há 4 anos(28,6%) e há 1 ano
(14,3%). Algumas bibliotecas informaram que os softwares utilizados não estavam
disponíveis no período da coleta de dados (28,5%). Dentre os softwares
apontados pelos informantes, os disponibilizados há mais tempo são: o Ortodocs
há 10 anos e o Aleph, há 8 anos. A disponibilização do Pergamum é mais recente,
e varia de 1 a 4 anos nas bibliotecas pesquisadas.
Ao questionar-se sobre a realização de algum estudo sobre a usabilidade dos
softwares nas bibliotecas, quase a totalidade delas (85,7%) informou que não
realizaram esse tipo de estudo. Apenas uma biblioteca não respondeu à questão
(14,3%). Os estudos sobre a usabilidade de software ainda são raros na literatura
nacional. Entende-se que os estudos de usabilidade podem contribuir para
verificar o desempenho (eficácia e eficiência) da interação usuário-computador e
obter indícios do nível de satisfação do usuário (DIAS, 2003).

�8

A respeito de como se dá o envolvimento do bibliotecário, na escolha dos
softwares disponibilizados aos usuários, os informantes apontaram diversas
posturas. Em algumas instituições o bibliotecário tem participação ativa e ele
mesmo escolhe o software e a universidade compra aquele de menor preço (B3).
O preço nem sempre é um indicador da qualidade do produto, daí entender-se
que o preço é um critério pouco consistente para a aquisição de um software. A
maioria dos informantes apontou que o bibliotecário busca no mercado e na
literatura da área informações sobre os softwares que melhor atendem às
necessidades da biblioteca (B1, B5, B6, B7). Alguns informantes relataram que a
escolha desses softwares se dá em parceria com profissionais da área de
informática e através de reuniões com seus pares (B4, B5, B6). Nas avaliações
dos softwares são consideradas experiências de uso desses softwares em outras
bibliotecas, estudos realizados sobre diversos tipos disponíveis no mercado e,
também, a diversidade de serviços oferecidos pela biblioteca. Um informante
mencionou que realizou visitas a bibliotecas em São Paulo e Rio de Janeiro para
conhecer softwares (B4). Outro informante relatou que a escolha do software se
deu em função do mesmo adotar um formato MARC, com linguagem de padrão
internacional (B4). Apenas um informante relatou preocupação com a escolha de
um software que atendesse às necessidades dos usuários (B6). Nenhum dos
informantes apontou a participação do usuário na escolha do software, nem se
referiu a questões de usabilidade de softwares.

Em geral, a postura adotada pelos bibliotecários para a escolha do(s) software(s)
tem sido a seguinte: após a escolha do(s) software(s), em parceria com
profissionais da área de informática, o bibliotecário encaminha o seu parecer à
direção da instituição para que seja efetuada a compra do software. Vale
mencionar que o usuário, em geral, está ausente nessa tomada de decisão. Shaw
e Culkim (1987, apud CAFÉ; SANTOS; MACEDO, 2001) ressaltam o foco no
usuário final para a escolha do software de bibliotecas.

A última pergunta do questionário da pesquisa indaga sobre como o bibliotecário
avalia/analisa as questões da usabilidade do software utilizado na biblioteca. Das

�9

respostas apresentadas, um informante considera boa a usabilidade do software
utilizado (B6), mas não justificou a sua resposta. Alguns informantes consideram
que o bibliotecário é capaz de avaliar o software, como nos seguintes
depoimentos:
“O bibliotecário analisa o software e vê se ele corresponde à
necessidade de informação do usuário” (B2).
“A maioria dos recursos oferecidos pelo software da biblioteca
são usados com freqüência e satisfatoriamente pelos
bibliotecários de processos técnicos” (B1).

Conforme a norma ISO9241-11 Guidance on Usability (1998, apud DIAS, 2003, p.
26-27) a usabilidade é “a capacidade de um produto ser usado por usuários
específicos para atingir objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação
em um contexto específico de uso”. Portanto o usuário, ele próprio deve ser o
sujeito dessa avaliação.

Apenas um informante refere-se à usabilidade, destacando vantagens do Aleph
para operacionalização e abrangência para o usuário (B4). É interessante realçar
que, em resposta anterior, os informantes relataram que as bibliotecas não
realizaram nenhum estudo sobre a usabilidade de software. Infere-se que os
bibliotecários ainda estão pouco familiarizados com as questões de usabilidade e
parecem desconhecer o significado do termo como no seguinte depoimento: “O
uso do software Pergamum nunca foi objeto de estudo. Apenas é analisado o
Acesso ao Sistema Pergamum” (B3). Ainda em resposta à questão, um
informante considera que o bibliotecário avalia/analisa as questões de usabilidade
através de estudo de usuário e relatórios do programa: “Será através de estudo
de usuário e pelos relatórios estatísticos oferecidos pelo software” (B5).

A usabilidade envolve um conjunto de atributos da interface de um programa de
computador que se relaciona ao esforço necessário ao seu uso e abrange o
julgamento do usuário sobre o programa.

Define-se um problema de usabilidade de um sistema interativo como qualquer
característica, observada em determinada situação, que retarde, prejudique ou

�10

inviabilize a realização de uma tarefa, o que concorre para aborrecer, constranger
ou traumatizar o usuário (DIAS, 2003). Os problemas de usabilidade, em geral,
são classificados como uma barreira, um obstáculo, ou um ruído na interação
usuário-sistema.

Os resultados da pesquisa apontam para a ausência de estudos sobre a
usabilidade de softwares nas bibliotecas universitárias nordestinas. Embora os
bibliotecários estejam envolvidos na escolha dos softwares utilizados, infere-se
que há desconhecimento, por parte desses profissionais, sobre questões
relacionadas à usabilidade de softwares.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escolha de software para biblioteca é uma tarefa complexa que exige do
profissional da informação diálogo com analistas de sistemas, pois, no mercado
de softwares é grande a oferta de produtos. A participação do usuário nessa
escolha é fundamental, pois ele é a razão de ser dos sistemas de informação e
não pode ficar ausente nesse momento. O estudo realizado registra a ausência
da participação dos usuários na escolha do software disponível na biblioteca.
Atenção deve ser dada a essa questão, em se tratando da aquisição de softwares
de uso dos usuários.
Entende-se que os estudos de usabilidade caminham na mesma direção dos
estudos de usuários das abordagens alternativas, especialmente dos estudos
cognitivos. Os estudos de usabilidade, assim como os estudos cognitivos,
contemplam aspectos da cognição e estão focados na percepção do usuário:
motivações, habilidades intelectuais, limitações físicas e mentais, atitude em
relação à tecnologia, experiência com o sistema, computadores, interfaces
gráficas, experiência profissional e específica para a realização de tarefas. Os
problemas de usabilidade são considerados barreiras ao uso dos sistemas, como,
nos estudos de usuários, as barreiras se interpõem ao uso dos sistemas de
informação.

Também, as metodologias dos estudos de usabilidade se

�11

assemelham àquelas empregadas nos estudos de usuários: questionários,
entrevistas, grupos focais. Além disso, os estudos de usabilidade se destinam a
medir a satisfação dos usuários.

Os estudos de usabilidade são complementares aos estudos de usuários, para
que se consiga avaliar o comportamento de busca dos usuários e a satisfação
desses com o desempenho dos sistemas de informação.

Por fim, os estudos de usabilidade devem se inserir nas preocupações da
biblioteca universitária com os seus usuários, uma vez que contribuem para
otimizar sua mediação no ambiente do ciberespaço.

Está na hora das bibliotecas universitárias iniciarem estudos de usabilidade dos
softwares disponíveis como forma de verificar se os mesmos são usáveis. Os
critérios estabelecidos por Nielsen, bem como os da ISO, podem proporcionar
modelos adequados desses estudos na biblioteca universitária, a fim de que
contribuam para que os usuários alcancem suas metas de interação com os
sistemas. A usabilidade de uma interface exige atenção sobre dois pontos
principais: o produto e o processo. O produto, que se constitui na interface com o
usuário, o conteúdo disponível, as questões ergonômicas e os elementos que
compõem a programação da interface. O processo é aquele através do qual o
produto é desenvolvido e compreende o ciclo de vida, métodos, técnicas e
ferramentas empregadas no desenvolvimento da interface com o usuário.

A medida de usabilidade “satisfação”, embora esteja relacionada a fatores
altamente subjetivos, é um indicador para que a biblioteca conheça se os usuários
estão satisfeitos com a interface disponibilizada pelo programa.

SOFTWARES USABILITY: a study with university libraries in the northeast of
Brazil
ABSTRACT

�12

The use of library in a digit environment a related to some questions concerning
the Man-machine relationship. Thus the usability consists of some interface
properties of a system, when referring to the users´ adequacy. It was developed,
then, an exploratory research to investigate the existence of some studies about
the software usability in Public universities libraries in the Northeast of Brazil. The
methodology comprehends a bibliographic and electronic research of the given
topic followed by a field research. The data collection tool was a questionnaire
applied, to the libraries involved, via Internet. The data analysis was done through
a quantitative and qualitative approach based on Bardin Content Analysis. The
obtained results show the use of a diversity of software such as Pergamun,
Ortodocs, Aleph etc., which point out to the lack of studies about the usability of
such software in the given libraries. Although the librarians are involved in the
choice of the software used, it can be inferred that there is a lack of knowledge
about some aspects concerning software usability. It is concluded that the studies
of usability reveal that the university libraries care about their users and try to
optimize their mediation in the cyberspace.
Keywords: Usability; university library; software use; information user.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Usabilidade de softwares: um estudo com bibliotecas universitárias do nordeste brasileiro.</text>
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              <text>O uso de bibliotecas em ambiente digital perpassa por questões relativas à interação homem-máquina. Assim, a usabilidade consiste em propriedades de interface de um sistema, no que se refere à sua adequação aos usuários. Realizou-se, então, uma pesquisa, de caráter exploratório, que objetiva investigar a existência de estudos sobre a usabilidade de softwares utilizados em bibliotecas universitárias federais do nordeste brasileiro. A metodologia compreende uma pesquisa bibliográfica e eletrônica sobre usabilidade de softwares em bibliotecas universitárias e uma pesquisa de campo. O instrumento de coleta de dados foi o questionário, aplicado, via Internet, às bibliotecas envolvidas no estudo. A análise dos dados realizou-se numa abordagem quantitativa e qualitativa, com base na Análise de Conteúdo, de Bardin. Os resultados obtidos demonstram a utilização de uma diversidade de softwares como Pergamum, Ortodocs, Aleph etc. e apontam para a ausência de estudos sobre a usabilidade desses bibliotecas pesquisadas. Embora os bibliotecários estejam envolvidos na escolha dos softwares utilizados, infere-se que há desconhecimento, por parte desses profissionais, sobre questões relacionadas à usabilidade de softwares. Conclui-se que, os estudos de usabilidade revelam as preocupações da biblioteca universitária com os seus usuários e contribuem para otimizar sua mediação no ambiente do ciberespaço.</text>
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