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                  <text>USABILIDADE NO CONTEXTO DE GESTORES, DESENVOLVEDORES E
USUÁRIOS DO WEBSITE DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE DE
BRASÍLIA
Autor: José Antonio Machado do Nascimento
UnB – Universidade de Brasília
Campus Universitário Darcy Ribeiro, Departamento de Ciência da
Informação e Documentação – Brasília –DF, Brasil
cid@unb.br
Presidência da República – Biblioteca
Anexo I, 1º andar, Palácio do Planalto
CEP: 71.150-9000
biblioteca@planalto.gov.br
1 Introdução
Os avanços tecnológicos no acesso eletrônico à informação têm provocado
mudanças nas bibliotecas universitárias, implicando na adoção de novos
parâmetros de qualidade na prestação de serviços. Nesse contexto, a usabilidade
redefiniu

a

relação

biblioteca-usuário,

através

de

métodos,

normas

e

recomendações específicas que possibilitam a análise de aspectos ergonômicos e
cognitivos da interação humano-computador.
Embora haja críticas relativas à confiabilidade da sua aplicação, a
usabilidade tem propiciado a integração de requisitos como interatividade,
hipertexto e multimídia à criação de páginas mais dinâmicas em termos de
linearidade e navegabilidade. Para atingir essa integração, torna-se necessário
aliar à usabilidade a experiência de gestores e desenvolvedores em projetos web,
que por sua vez, devem congregar a experiência do usuário em todas as etapas
do planejamento de um website. Da concepção de um protótipo à sua validação e
manutenção, é a percepção do usuário que possibilita aos gestores e
desenvolvedores produzirem sistemas eficazes para que bibliotecas continuem a

�desempenhar suas funções com precisão, de forma mais contextualizada e
personalizada.
2. A relação gestores e desenvolvedores x usuários no planejamento de
websites
Como os estudos de usabilidade envolvem compromisso com a qualidade,
possibilitando tornar mais efetiva a satisfação do usuário, é relevante analisarmos
os fatores que levam gestores e desenvolvedores a desconsiderarem o ponto de
vista dos usuários durante o planejamento de websites de bibliotecas
universitárias.
A preferência pelas bibliotecas universitárias por estudos de uso apenas
quantitativos

contribuem

para

a

falta

de

informação

dos

gestores

e

desenvolvedores sobre os pontos de vista dos usuários. Segundo Ramos et al.
(1999, p.159), em trabalho sobre o comportamento do usuário na busca de
informação automatizada em linha e em cd-rom, os estudos de usuários
realizados em bibliotecas universitárias “avaliam somente o lado quantitativo da
informação recebida, relegando a um segundo plano o lado qualitativo, que diz
respeito ao uso que foi feito da informação recebida”. Com apenas dados
quantitativos, torna-se difícil para gestores e desenvolvedores planejar websites
que possam suprir, satisfatoriamente, a demanda por informação da forma como
os usuários desejam.
Gestores e desenvolvedores também tendem a ignorar o ponto de vista de
usuários, porque desenvolver aplicações para bibliotecas universitárias, que lidam
com grande volume de conteúdo informacional, é uma tarefa complexa. Além
disso, outros fatores como a necessidade de requisitos especiais relacionados a
padrões de documentação e desempenho dos serviços de informação de
bibliotecas contribuem para que a grande preocupação do projetista seja a

�implantação desses requisitos, sobrando pouco tempo para que usuários sejam
selecionados para a avaliação das soluções a serem implementadas.
Outro fator que os leva a desconsiderarem o ponto de vista dos usuários é
a visão que esses profissionais possuem das tecnologias de informação como
parceiras dos usuários no desenvolvimento de suas atividades, ao utilizarem
websites de bibliotecas. Myers (1993), em trabalho sobre as dificuldades de se
projetar e implantar interfaces homem-máquina, observou que isto ocorre porque
gestores e desenvolvedores não se imaginam efetivamente na condição de
usuários comuns. Desta forma, nem sempre conhecendo as especificidades dos
serviços bibliotecários, optam por soluções disponíveis no mercado, ou
desenvolvem soluções de difícil acesso, que geram desperdício de tempo na
realização de tarefas pelos usuários e aumentam a necessidade de treinamento
por parte da equipe do sistema.
Cooper (1999) salienta que gestores e desenvolvedores ao ignorarem a
usabilidade acabam por subverter o desenvolvimento de um produto fácil de usar,
pela simples razão que os seus objetivos e os objetivos dos usuários são
consideravelmente diferentes. Enquanto gestores e desenvolvedores querem um
processo de construção e manutenção de um website fácil e tranqüilo, os usuários
querem que o sistema seja eficaz. Além disso, os gestores, ao liderarem projetos
tecnológicos,

acabam

conseguindo

o

design

de

um

website

de

seus

desenvolvedores e, como a preocupação com a usabilidade, geralmente ocorre no
ciclo final do design, poucas modificações são realizadas em função do alto custo
para alterar partes significativas do sistema (MORAES &amp; MONT`ALVAO, 2000).
A preocupação tardia com a usabilidade de websites de bibliotecas
universitárias torna-se mais complexa quando aliada à falta de investimento em
equipes multidisciplinares. Soma-se a este fato, a rápida difusão da Internet para
as mais diversas finalidades, haja vista o número expressivo de 30.000 novos
websites que nascem na Internet brasileira por mês (CALDAS, 2002). Isto acaba

�por influenciar a própria usabilidade da rede, gerando dificuldades de navegação,
acionamentos inadvertidos, acesso a telas que não interessam ao usuário,
desorientação e conseqüente subaproveitamento dos recursos de informação
disponíveis.
3. Avaliações de usabilidade em websites de bibliotecas universitárias
A usabilidade tem garantido às bibliotecas universitárias desenvolverem e
aprimorarem interfaces em consonância com a demanda informacional na web.
Como o acesso a fontes de informação se tornou corriqueiro, essas instituições
encontram-se conscientizadas da necessidade de reformulação constante de
leiaute, conteúdo e navegação dos seus websites, fato comprovado pelas
inúmeras experiências, relatos e estudos de caso que são encontradas na
literatura sobre o tema.
A oferta de inúmeros conteúdos transformou o website da Roger Williams
University num verdadeiro gigante, levando os desenvolvedores da instituição a
desenvolver uma ordem hipertextual mais sólida para as suas páginas, que foram
agrupadas em três classes: fontes de informação, serviços e pesquisa. A iniciativa,
apesar da intenção em simplificar o uso, tornou-se ineficaz, confundindo usuários
que se perdiam entre o excesso dos menus pop-up que dificultavam o caminho
até a informação desejada. “A interface falhou porque designers não conheciam o
perfil dos usuários mais freqüentes” (MCMULLEN, 2001, p. 7). Tomada pela
frustração, a Diretoria da Biblioteca da Roger Williams University resolveu adotar a
metodologia do design centrado no usuário para finalmente obter o resultado
desejado. A principio, realizou-se uma pesquisa de satisfação com os estudantes
da universidade, que além dos problemas já conhecidos, revelou a poluição visual
das páginas e a inadequação da terminologia dos links. De posse destes
resultados, bibliotecários utilizaram heurísticas para determinar o que era
realmente essencial e concluíram que o acúmulo organizacional deveria ser
reduzido. Lançado em 2001, o novo website da biblioteca provou que um dos

�maiores desafios das avaliações de usabilidade reside em compreender como
usuários interpretam categorias de conteúdo.
A City University of New York (CUNY) é um complexo educacional
composto de 150 mil estudantes e sua base de dados CUNY PLUS + utilizada
para diversos fins acadêmicos. Com o intuito de melhorar a sua usabilidade, os
pesquisadores Alexei Oulanov e Edmund F.Y. Pajarillo utilizaram o Software
Usability Measurement Inventory (SUMI) para determinar o que deveria ser
aprimorado. Entre outras conclusões, o estudo verificou que a CUNY PLUS + é
eficaz em relação à capacidade de aprendizado que propicia e as atualizações
deveriam privilegiar o constante reexame do serviço de referencia virtual à luz dos
valores da Ciência da Informação para alcançar o uso ponderado e racional das
suas potencialidades. Os autores também verificaram que os resultados gerados
pelo SUMI “parecem plausíveis para prover a pesquisadores, avaliadores,
designers e gestores a usabilidade de sistemas em uso” (OULANOV &amp;
PAJARILLO, 2001, p. 90). Entretanto, ressaltaram que os dados obtidos com este
método devem ser analisados tanto sob a ótica quantitativa quanto qualitativa.
Peng et al. (2003) utilizaram critérios heurísticos para comparar o portal e o
OPAC da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura. Os autores
descobriram que usuários preferem utilizar o portal pela possibilidade de acessar
diversos serviços ininterruptamente, funcionalidade que OPACS não permitem. “O
continuo sucesso e aceitação do portal reside na percepção e atitudes dos
usuários acerca do sistema em sua habilidade de distribuir esses serviços através
de uma interface dinâmica” (PENG et al., 2003, p. 55).
Brower (2004) avaliou as estruturas de navegação de 41 websites de
bibliotecas universitárias americanas da área de Ciências da Saúde, de acordo
com parâmetros definidos em uma lista de verificação, como: tecnologia, leiaute,
links e métricas de navegação. Para aplicá-los, as páginas foram copiadas para
um servidor local, através da ferramenta Teleport Proversion 2001, que conservou

�os formatos HTML e a linearidade dos objetos de interação. Constatou-se que
links para base de dados são comumente disponibilizados pelo nome ou ordem
alfabética em detrimento do assunto, normas de utilização e mapas do site, mais
freqüentemente encontrados no interior das páginas e alguns serviços ofertados
isoladamente, levando a crer que pela interdisciplinariedade das Ciências
Médicas, bibliotecários são levados a organizar a informação desta maneira
(BROWER, 2004, p. 418). Como o estudo foi realizado originalmente em 2001, foi
necessário rever alguns resultados para a sua publicação, em 2004. Neste
momento, observou-se um aumento considerável no numero de links que os
websites de bibliotecas disponibilizavam e o uso exacerbado de menus pop-up e
imagens. Entretanto, as recomendações elaboradas à época da pesquisa
continuam válidas para garantir a usabilidade de websites de bibliotecas
universitárias da área de saúde, haja vista os elementos navegacionais
obrigatórios identificados pelo autor e a disposição de bases de dados
bibliográficas por titulo, e-books, periódicos on-line entre outros.
A ausência de terminologias adequadas à área médica e as disposições
confusas de elementos de interação levaram a comissão de reestruturação do
website da Biblioteca de Ciências da Saúde e Serviços Sociais da Universidade de
Maryland a desenvolver três protótipos, que foram avaliados por bibliotecários,
estudantes e professores por meio de análise da tarefa e pesquisa de satisfação.
O protótipo escolhido revelou que menus de salto são adequados à organização
dos links e os dados coletados identificaram que uma estrutura lógica de
navegação só pode ser conseguida com o reconhecimento das necessidades do
campus universitário, mesmo que “pesquisas de satisfação retornem baixas taxas
de resposta dos participantes envolvidos” (FULLER &amp; HINEGARDNER, 2001, p.
337). Em suma, princípios de web design quando associados ao modelo mental
dos

usuários

produzem

melhorias

efetivas

em

websites de

bibliotecas

universitárias.
Em recente número da OCLC Systems and Services, renomadas
instituições norte-americanas publicaram suas experiências na reformulação dos

�seus websites, como a Biblioteca do Georgia Institute of Technology (KING &amp;
JANIK, 2005), a Biblioteca da University of Califórnia, Los Angeles (UCLA)
(TURNBOW et al., 2005), a Biblioteca de Artes, Arquitetura e Engenharia

da

Universidade de Michigan (TOLLIVER et al., 2005), a Biblioteca da Carnegie
Melon (GEORGE, 2005) e a Biblioteca da Universidade do extremo norte de
Illinois (VANDECREEK, 2005).
Nesses estudos, verificou-se uma grande evolução da usabilidade em
bibliotecas universitárias, pois se antes eram realizadas avaliações para apenas
uma reformulação, as experiências demonstraram que existe consenso que à
medida que são disponibilizados novos serviços e conteúdos, a sua usabilidade
também deve ser testada. Além disso, a relevância das bibliotecas universitárias
nos Estados Unidos neste segmento reflete o interesse de designers e
bibliotecários norte-americanos dessas bibliotecas em testarem e adaptarem
métodos e técnicas de avaliação para alcançarem a satisfação da comunidade
acadêmica, pois nenhuma modificação é realizada sem o devido reconhecimento
das necessidades dos usuários.
Essa preocupação com os usuários pôde ser verificada na literatura
brasileira nos trabalhos de Bohmerwahld (2005), que analisou o comportamento
do usuário na busca da informação na Biblioteca Digital da PUC Minas, e em
Kafure (2004), que estudou a usabilidade da imagem na recuperação da
informação no catálogo público de acesso em linha em três bibliotecas
universitárias. Essas duas iniciativas demonstram que a observação do usuário
durante a análise da tarefa e o reconhecimento do seu modelo mental tem
propiciado resultados satisfatórios, pois “quanto mais se observa o usuário, melhor
será a capacidade de o profissional prever problemas de usabilidade e,
conseqüentemente,

desenvolver

(BOHMERWAHLD, 2005, p.99).

sistemas

fáceis

de

serem

usados”

�Em contrapartida, também se encontram trabalhos de usabilidade na área
de bibliotecas universitárias brasileiras que utilizam a análise de funções e
heurísticas, como o estudo realizado por Prado et al. (2005), que apresentou um
panorama dos websites das bibliotecas universitárias do estado de Santa
Catarina. A diferença deste estudo para o de Kafure (2004) e Bohmerwahld (2005)
está na ausência da participação dos usuários, ficando a cargo de especialistas
verificar a eficácia das interfaces. Entretanto, mesmo sem a utilização de
metodologias de design centrado no usuário, o trabalho referenciou a importância
da usabilidade em todas as fases de planejamento de um website.
As pesquisas em relação à acessibilidade também se encontram em
estágio avançado no Brasil, conforme demonstram os estudos de Mazonni et al
(2001) e Pupo &amp; Vicentini (2002). No entanto, os autores afirmam que as
iniciativas neste sentido ainda são tímidas, haja vista o grande número de
websites de bibliotecas universitárias brasileiras que são inacessíveis a pessoas
com deficiência, não atendendo a recomendações internacionais elaboradas pelo
W3C.
Outro ponto observado foi a presença de comissões de reestruturação na
reformulação de websites, que possibilitam uma visão interdisciplinar do produto
avaliado, já que são formadas por profissionais que atuam em diversas áreas de
uma biblioteca. Constatou-se, no entanto, que nas experiências norte-americanas
as comissões são permanentes, ao contrário das pesquisas brasileiras, que são
iniciativas de estudantes de mestrado e doutorado, realizadas com o devido
consentimento dos gestores das bibliotecas.
4. Procedimentos metodológicos
Na seleção dos métodos e técnicas, partiu-se da premissa que, para obter
resultados satisfatórios em avaliações de usabilidade, deveriam ser combinados
métodos objetivos e subjetivos, que possibilitassem a obtenção de dados
quantitativos e qualitativos.

�Para analisar o contexto de uso do website através de análise documental,
foram consultados documentos internos sobre a BCE da UnB. Nesta fase, foram
coletados dados sobre a história da instituição, sua missão, suas diretrizes e o
planejamento do seu website.
Em seguida, foi realizada a observação do website da Biblioteca Central,
com ficha de observação preenchida pelo pesquisador, que registrou as
especificações técnicas, os produtos e serviços oferecidos, os requisitos de
segurança para navegação e estratégias de segurança utilizadas no website.
Logo

após,

foram

realizadas

entrevistas

com

os

gestores

e

desenvolvedores sobre o processo de desenvolvimento do website da Biblioteca
Central da Universidade de Brasília, seus usuários, produtos e serviços,
dificuldades gerenciais, desenvolvimento e gerenciamento de conteúdo e
usabilidade. Durante a realização das entrevistas, foi aplicada a técnica de
verbalização estimulada, que permitiu estimular o entrevistado a expressar suas
opiniões através de perguntas diretas.
Na avaliação ergonômica com especialistas, a lista de verificação ficou
composta por 109 questões. Participaram desta etapa da avaliação ergonômica
dois especialistas em engenharia de usabilidade, conforme sugerido por Dias
(2001, p. 224). O objetivo desta avaliação foi verificar a conformidade das
interfaces do website da Biblioteca Central e seus objetos de interação com os
itens dispostos na lista de verificação.
Para identificar o modelo mental dos usuários relativo à arvore semântica
do website foi realizado ensaio de interação para verificar a organização e o
agrupamento da informação no website da Biblioteca Central da Universidade de
Brasília.

�Como esta pesquisa avaliou um sistema em uso, escolheu-se para o
primeiro ensaio de interacão a técnica card sorting, que permite verificar o
conjunto das categorias nas quais as informações do website são armazenadas.
Optou-se por um método híbrido das técnicas de card sorting aberta e fechada,
posto que os usuários receberam os cartões previamente marcados, mas com a
possibilidade de criar outros ou corrigir os cartões existentes. A aplicação da
técnica obedeceu a seguinte seqüência de ações: mapeamento de conteúdo,
criação dos cartões para a aplicação da técnica, teste de validação dos cartões e
respectivas nomenclaturas, recrutamento e seleção dos usuários, treinamento dos
usuários e análise quantitativa e qualitativa.
Durante a aplicação do card sorting, a técnica de verbalização simultânea
foi empregada para que os usuários expressassem suas opiniões a respeito do
ensaio e dos problemas relativos aos agrupamentos de informações do website.
O segundo ensaio de interação teve como objetivo identificar os erros
cometidos pelos usuários durante a realização de uma ação no website. A técnica
escolhida para este propósito foi a análise da tarefa. Para a análise da tarefa,
foram selecionados 21 participantes, uma vez que o número de vinte participantes
é o mínimo recomendado por Dias (2001, p. 224).
Durante a dinâmica, os participantes realizaram as tarefas em um
computador com configuração compatível às especificidades da técnica. Esta
medida de precaução foi tomada com o intuito de diminuir ao máximo as
possibilidades de interferências que poderiam prejudicar a avaliação. Para
maximizar a obtenção dos resultados, foi utilizada técnica de verbalização
simultânea e sistema de monitoramento para registros em áudio, vídeo e software
de captura de telas Screen Movie Studio para análise das tarefas realizadas.
5 Conclusão

�Verificou-se que na concepção e planejamento do website da BCE,
gestores e desenvolvedores desconsideram a participação do usuário, inclusive
durante a reestruturação do sistema, não porque têm dificuldade em se imaginar
na condição de usuários comuns, mas devido ao desconhecimento dos benefícios
que a usabilidade pode trazer, assim como dificuldades gerenciais e tecnológicas
que enfrentam, exceção feita aos especialistas que participaram da avaliação
ergonômica que não foram entrevistados.
Atestou-se no website da BCE que a tímida participação do usuário, apenas
respondendo questionários, é justificada pelos gestores e desenvolvedores como
conseqüência da restrição de custos que descartaram por completo a
possibilidade da utilização de estudos ergonômicos durante a reformulação do
website.

Esta

restrição

foi minimizada

pela

atuação

da

Comissão

de

Reestruturação interdisciplinar, que direcionou as funcionalidades do website às
necessidades dos usuários, apesar do caráter estritamente técnico voltado para o
desempenho tecnológico do sistema.
Nesta pesquisa, constatou-se que os gestores e desenvolvedores do
website da BCE devem fazer da usabilidade uma aliada que os auxiliem a
conceber conteúdos, leiautes e estruturas de navegação com recursos adequados
à demanda informacional, o que lhes permitirá desenvolver serviços para um
campus universitário composto de perfis tão díspares.
Para alcançar a excelência do website da BCE, gestores e desenvolvedores
também devem se conscientizar da importância do design participativo, que
permite o conhecimento antecipado de problemas, que podem ser eliminados
antes de se tornarem insolúveis.
Neste contexto, a aplicação dos métodos e técnicas escolhidos se mostrou
bastante efetiva, pois revelaram pontos que certamente só poderiam ser
identificados através da contratação de consultorias de usabilidade.

�Notou-se também que os procedimentos metodológicos adotados foram
satisfatórios porque todos possibilitaram um estudo abrangente do website da
BCE. Como foram escolhidos em consonância com os objetivos específicos,
peculiaridades do sistema foram observadas em todas as etapas, o que permitiu
agregar valores ao diagnóstico da usabilidade.
A participação de especialistas, gestores, desenvolvedores e usuários foi
essencial para garantir uma visão diferenciada de cada aspecto e, particularmente
o card sorting e a análise da tarefa se mostraram profícuos, já que são técnicas de
baixo custo que identificam pontos a serem modificados, que não podem ser
revelados de outra maneira. Entretanto, mesmo permitindo conceber o modelo
mental dos usuários e verificar os problemas mais constantes, a reestruturação do
website só pode ser realizada quando os resultados obtidos com estas técnicas
forem

confrontados

com

aqueles

obtidos

em

etapas

anteriores,

que

complementam os resultados no contexto da realidade em que o website se
insere.
Nesta pesquisa, também se constatou a eficácia das heurísticas, guia de
recomendações e lista de verificação para avaliar as interfaces de websites. No
entanto, essa eficácia diz respeito somente aos objetos de interação, já que não
revelam impressões pessoais dos usuários, que foram demonstradas no card
sorting e na análise da tarefa.
Concluiu-se ao analisar todos os dados obtidos que a atual estrutura
disponibilizada não propicia aos usuários realizarem tarefas em tempo hábil, haja
vista o excesso e duplicidade de links, a não relação da biblioteca virtual com o
website e o equívoco de alguns mecanismos de busca. Desta forma, a
reformulação deve privilegiar a criação de hipertextos e leiautes fluidos, que
possibilitarão modificações constantes sem necessariamente alterar a linearidade
da navegação.

�Diferentemente dos resultados de estudos de usabilidade realizados por
empresas especializadas, esta pesquisa partiu da definição do problema,
buscando estudar a usabilidade do website da BCE na ótica de gestores,
desenvolvedores

e

usuários.

A

perspectiva

do

estudo

contemporâneo,

contemplando aspectos e visões distintas desses três segmentos envolvidos foi
inovadora e demonstrou que não seria possível detalhar em minúcias todos os
pontos do website da BCE, se os métodos e técnicas aplicados não tivessem sido
estudados em profundidade.
Portanto, outras pesquisas poderão ser desenvolvidas futuramente para
responder aos seguintes questionamentos: Se a literatura afirma que as interfaces
geradas somente sob o ponto de vista de gestores e desenvolvedores são
estritamente tecnológicas, como os usuários continuam a utilizá-las, haja vista o
crescente número de acessos que websites recebem? Como a web continua a ser
tão utilizada quando se sabe que a maioria dos websites não avaliam suas
interfaces de acordo com a usabilidade?
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Usabilidade no contexto de gestores, desenvolvedores e usuários do website da Biblioteca Central da Universidade de Brasília.</text>
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              <text>O trabalho permitiu verificar  que na concepção e planejamento do website da BCE, gestores e desenvolvedores desconsideram a participação do usuário, inclusive durante a reestruturação do sistema, não porque têm dificuldade em se imaginar na condição de usuários comuns, mas devido ao desconhecimento dos benefícios que a usabilidade pode trazer, assim como dificuldades gerenciais e tecnológicas que enfrentam, exceção feita aos especialistas que participaram da avaliação ergonômica que não foram entrevistados. </text>
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