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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
TRANS-FORMAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÃO E INCLUSÃO DE GÊNERO:
ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE NEGÓCIO PARA CRIAÇÃO DE UMA
BIBLIOTECA PARA ATENDER TRAVESTIS, TRANSEXUAIS E TRANSGÊNEROS
EM SITUAÇÃO DE RISCO EM BELO HORIZONTE: UM RELATO DE
EXPERIÊNCIA
TRANS-FORMATION. INFORMATION ACCESS AND GENDER EQUALITY: A BUSINESS
PLAN TO IMPLEMENT A LIBRARY TO ATTEND TRANSVESTITES, TRANSSEXUALS AND
TRANSGENDERS AT RISK IN BELO HORIZONTE: AN EXPERIENCE REPORT.

Resumo: A Fundação Dom Cabral tem como missão contribuir para o desenvolvimento
sustentável da sociedade por meio da educação. Enquanto signatária do Pacto Global e do
PRME, apoia 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) entre eles a
igualdade de gênero. A questão da igualdade de gênero e da diversidade fazem parte do
planejamento estratégico da FDC. O presente artigo trás o relato de experiência do Sistema de
Bibliotecas da FDC na elaboração de um plano de negócio para a criação de uma biblioteca
voltada a atender, dar suporte e acesso a informação a transexuais, travestis e transgêneros
que vivem em situação de risco em Belo Horizonte, que são atendidos pela ONG Transvest,
com sede na cidade de Belo Horizonte. Relata o papel da biblioteca e do bibliotecário na
inclusão dessa minoria, promovendo acesso de forma democrática a informação, e como esse
acesso pode ter um impacto na formação do ser ético, político e social de transexuais, travestis
e transgêneros assistidos pela ONG.
Palavras-chave: igualdade de gênero; acesso a informação; bibliotecas; trabalho social
Abstract: Fundação Dom Cabral´s mission is to contribute to sustainable development of
society through education. As signatory of Global Pact and PRME, it support 17 sustainable
development goals, including gender iquality. The issue of gender iquality and diversity are
part of FDC strategic planning. It reports on the experience of the Library System of the FDC
in the elaboration of the business plan for the creation of a library to support and access
information to transsexuals, transvestites and transgenders in risk situation in Belo Horizonte.
It reports on the role of the library and librarian in the inclusion of this minority, promoting
democratic access to information and how this access can have an impact on the ethical,
political and social being of transsexuals, transvestites and transgender people assisted by
Transvest.
Keywords: gender equality; information access; libraries; social work

849

�Introdução
Fundada em 1976 como uma instituição autônoma de direito privado e sem fins
lucrativos, a FDC (Fundação Dom Cabral) é uma escola de negócios brasileira com padrão e
atuação internacionais de desenvolvimento e capacitação de executivos, empresários e
gestores públicos.
Em 1978 inaugurou sua primeira sede em Belo Horizonte. Em 2001, foi inaugurado
em Nova Lima-MG o campus Aloysio Faria em homenagem ao criador do Banco Alfa. A
FDC começou trabalhando com empresas da região de Minas Gerais mas expandiu sua
atuação com a instalação de campi nos estados de São Paulo (2008) e Rio de Janeiro (2013).
Em 2015, já estava presente em quase todos os estados brasileiros por meio de associados,
permitindo assim, levar o desenvolvimento de executivos para todas as regiões do país.
Em 2017, a instituição comemorou a permanência por 12 anos como a melhor escola
de negócios da América Latina de acordo com o ranking de Educação Executiva do jornal
inglês Financial Times. Conta com cursos de Especialização em Gestão, MBA, Mestrado
Acadêmico, programas customizados entre outros.
As bibliotecas da FDC têm papel importante e de grande responsabilidade: selecionar,
organizar, manter e divulgar todo o acervo bibliográfico, colocando-o disponível para a
comunidade. Ser um espaço de disseminação da informação e também um local onde se possa
aprofundar a prática da pesquisa, da leitura, da investigação e da cultura são os objetivos do
Sistema de Bibliotecas da FDC.
A FDC tem como missão contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade
por meio da educação, da capacitação e do desenvolvimento de executivos, empresários e
gestores públicos. Disseminar o saber, distribuir oportunidades e contribuir para a capacitação
e crescimento de negócios, projetos e empreendedores sociais faz parte da crença da FDC, por
isso apoia e mantem diversas iniciativas com foco em gestão, educação e inclusão social,
incluindo aí a igualdade de gênero. A FDC, como signatária do Pacto Global e do PRIME,
apoia 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) entre eles a igualdade de
gênero.
O Brasil, de acordo com relatório da ONG Internacional Transgender Europe, é o país
que mais mata travestis e transexuais do mundo. O número de assassinatos chega a ser quatro
vezes maior que no México, segundo país com mais casos registrados. O relatório é baseado
no número de casos reportados, o que indica que os números podem ser ainda maiores. Por se
tratar de um país violento para a população LGBT, em Belo Horizonte foi criada a ONG
Transvest. A ONG tem como objetivo combater a transfobia e incluir travestis, transexuais e

�transgêneros na sociedade. Um espaço educativo onde ocorrem palestras sobre as culturas
lgbt, oficinas artísticas, pré-vestibular, supletivo, curso de libras e cursos de línguas (inglês,
francês, espanhol e italiano) para a população trans da cidade.
A ONG não quer só transmitir conceitos, mas principalmente executar atividades que
promovam uma atmosfera de segurança, respeito e confiança para que haja desenvolvimento
da autoestima dos sujeitos.
Transexuais são identificados como um grupo social vulnerável, pois existe em nossa
sociedade uma discriminação e preconceito sofridos por estes indivíduos que são deixados à
margem dos vários segmentos sociais, como mercado de trabalho, cultura, saúde, ensino
etc. Transvest, sensível à essa realidade, procura ser um mecanismo compensatório e de
igualdade, possibilitando a chance de acesso à educação. Pretende, assim, minimizar o
estigma e suas consequências causadas nos transexuais, procurado corrigir o desequilíbrio
existente, buscando uma igualdade material e não meramente formal.
A FDC também acredita no poder transformador da educação, a partir desses objetivos
concomitantes surgiu a ideia de criar uma biblioteca para dar acesso a informação, suporte e
conhecimento para todas transexuais, travestis e transgêneros atendidas pela ONG.
Revisão de literatura
Diferentes grupos sociais, apresentam condições econômicas, sociais e educacionais
distintas, nas sociedades.

Essas condições influenciam na participação desses grupos,

consequentemente de seus integrantes, no ciclo de desenvolvimento, produção e fruição de
conhecimento, bens e serviços.
Assim, os indivíduos que integram os diferentes grupos sociais segundo suas
respectivas condições, se encontram mais ou menos inseridos neste ciclo e consequentemente,
na sociedade como um todo. Nesse sentido grupos em condições menos favorecidas, possuem
menor oportunidade de participação na sociedade, sendo conduzidos a possíveis situações de
exclusão social.
Segundo Rezende (2005), o desenvolvimento social e econômico de uma nação está
fortemente vinculado ao progresso científico e tecnológico e à situação da educação da
população. O conhecimento em ciência e tecnologia é, hoje, um dos principais instrumentos
de superação das desigualdades.
São diversas as formas e as causas da exclusão social, porquanto sem todas as
sociedades, sempre haverá indivíduos que nela não se integrem, por uma variedade de razões,
até pela incapacidade de aceitação de normas (FERNANDEZ, 2010).
851

�No entanto, o autor destaca que a persistência de desigualdades exageradas, as quais
apresentam efeitos sociais que não podem ser contornados e superados pelo esforço próprio
do indivíduo são prejudiciais a sociedade.
Ainda segundo Fernandez (2010) é necessário eliminar obstáculos que dificultam a
participação da pessoa nos benefícios que pode oferecer à sociedade em que vive, e também
podem tolher a sua contribuição individual para o bem-estar geral

em suma, o dar e receber

que define a plena participação do indivíduo na sua comunidade.
Para Calixto et al. (2012) a exclusão social se relaciona com uma série de problemas
sociais, dentre eles a fome, a pobreza, o desemprego e a educação díspar, que resultam na
negação da possibilidade de igualdade de oportunidades para os indivíduos. Para os autores os
baixos índices de escolaridade e analfabetismo são por vezes os principais obstáculos ao
aperfeiçoamento profissional e por isso, um motor do desemprego e da pobreza.
Encontram-se excluídos socialmente os indivíduos que sobrevivem em condições
indesejáveis, de miséria, desemprego, analfabetismo dentre outras condições que
impossibilitem a participação na sociedade. (ALMEIDA e GONÇALVES, 2013). Entre esses
indivíduos encontram-se travestis, transexuais e transgêneros. E no Brasil, situação ainda é
mais grave.
Segundo dados da ONG Transgender Europe, a expectativa de vida de travestis no
Brasil é de 35 anos; enquanto a média dos demais brasileiros é de 74,9 (IBGE, 2013).
Pesquisa realizada em Belo Horizonte pelo NUH (Núcleo de direitos humanos e cidadania
LGBT da UFMG) destaca que 91 % das travestis da capital mineira não concluíram o ensino
médio. E quase um terço das travestis abandonaram a escola devido às violências física e
simbólica recebida no ambiente escolar. Segundo a Associação de Travestis e Transexuais do
Triângulo Mineiro, 95% das travestis de Uberlândia estão na prostituição. Situação
semelhante

e

não

menos

alarmante

é

apresentada

por

pesquisa

realizada

pela ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), a qual mostra que 90% das
travestis do Brasil encontram-se na prostituição. Tais números revelam uma discriminação
execrável em nossa sociedade que impossibilita a inclusão de travestis no trabalho formal
assim como na sociedade.
Existem 3 grandes grupos que excluem travestis, transexuais e transgêneros. A família
é o primeiro deles. A escola como lócus de reprodução do preconceito e discriminação vem
como o segundo grupo, e dados estáticos compravam isso: mais de 80% nem chega a
completar o segundo grau. A rua que acolhe e vulnerabiliza, surge como o terceiro grupo de
exclusão. Estas categorias giram em torno dos principais contextos de vida (família, escola,

852

�rua) afetados pela condição transgênero e que marcam as trajetórias de vida de boa parte das
travestis, transexuais e transgêneros no Brasil. Elas não se sentem pertencentes a sociedade.
Sofrem preconceitos na família, nas escolas, em locais públicos, incluindo aí inclusive as
bibliotecas. (SILVA; BERZERRA; QUEIROZ, 2015). O que podemos fazer para mudar isso?
Qual o papel da biblioteca na inclusão dessas minorias?
Compete ao bibliotecário exercer o papel de despertar uma consciência inclusiva
contribuindo para a percepção e transformação do espaço, promovendo acesso democrático à
informação, sem distinção de classe social, raça, religião, orientação sexual e gênero.
(FERREIRA; CHAGAS, 2016)
Lourenço Filho (1946) destaca que a biblioteca deve ser espaço de diálogo e
cidadania.
A biblioteca tem papel essencial não só no acesso e disseminação da informação, mas
também no processo de educação. Segundo Costa (2013) a biblioteca precisa ser reconhecida
como recurso essencial no processo educacional, participando e facilitando o processo de
ensino-aprendizagem, aproximando ensino e biblioteca.
Segundo Castrillón (2011), as bibliotecas devem ir além do plano mínimo de trabalho.
Bibliotecas que se convertam em meios contra a exclusão social, isto é, que se constituam em
espaços para o encontro, para o debate sobre temas que dizem respeito a maiorias e minorias.
Para Nunes (2007) o principal objetivo das bibliotecas seria a prestação de serviços de
acesso, não apenas à informação, mas, mais exatamente, ao conhecimento.
Completando, Rosa (2016), afirma que a atuação da biblioteca deve ser sempre em
favor da transformação social. A biblioteca por meio da promoção do acesso à informação
proporciona ao indivíduo as fontes necessárias para sua formação enquanto ser social, político
e cultural. Por essa razão, a necessidade de criar uma biblioteca, em parceria com o Sistema
de Bibliotecas da FDC, para dar acesso a essas informações tão necessárias para a formação
das travestis, transexuais e transgêneros atendidas pela ONG Tranvest.
Metodologia
O primeiro passo para a implementação da biblioteca foi a elaboração de um plano de
negócio para a criação da mesma. Segundo Salim (2001) plano de negócio pode ser definido
por um documento que contem a caracterização do negócio, sua forma de operar, suas
estratégias, seu plano para conquistar uma fatia do mercado e as projeções de despesas,
receitas, fornecedores e resultados financeiros.
853

�Começamos pelo levantamento das ONGs existentes em Belo Horizonte que estavam
envolvidas com projetos voltados para educação e inclusão com travestis, transexuais e
transgêneros. Segundo a Fonte Autônoma LGBT (organização política que conecta ativistas e
movimentos LGBT) duas ONGs fazem este tipo de trabalho: Transvest e o Transenem.
Existem trabalhos similares em outros Estados brasileiros, como por exemplo o
Transpassando no Ceará e o próprio Transenem no Rio Grande do Sul.
O segundo passo é a análise do público que irá frequentar e fazer uso dos serviços da
biblioteca. Será proposto a elaboração de um questionário que será aplicado para as travestis
e transexuais atendidas pela ONG com o objetivo de alinhar suas as necessidades, desejos e
expectativas.
É importante fazer também uma análise das oportunidades e ameaças do ambiente
(denominada análise FOFA, como resultado da abreviação de forças, oportunidades,
fraquezas, ameaças). Ao fazer a análise FOFA, é importante escolher alguma organização
bem-sucedida na área de atuação (benchmark) ou qualquer organização que se possa ter como
referência. A análise FOFA é efetiva quando feita em comparação com um ponto de
referência, e não simplesmente analisando a organização por si mesma. No nosso caso, não
encontramos, pelo menos aqui em Belo Horizonte, nenhuma biblioteca voltada única e
exclusivamente para atender travestis e transexuais em situação de risco, que é o público-alvo
do nosso projeto.
No que tange aos fornecedores, optaremos por um software gratuito, o BibLivre que já
é usado em outro projeto social desenvolvido pelo Sistema de Bibliotecas da FDC.
Em relações aos livros, foi elaborado pela biblioteca uma política de seleção e doação
de livros para os projetos sociais que apoiamos. O Sistema de Bibliotecas da FDC desenvolve
um projeto social junto ao bairro Jardim Canadá em Nova Lima (uma biblioteca comunitária).
Para o plano de negócio aqui proposto, usaremos os livros que recebemos, ao longo do ano,
de doações. Farão parte do acervo livros didáticos, obras de referência, literatura, filosofia,
sociologia entre outras áreas.
Além da análise do ambiente interno, é extremamente importante fazer uma análise do
ambiente externo para identificar possíveis barreiras de entrada e saída. Entre as barreiras de
entrada, podemos destacar: dificuldade de acesso e aceitação por parte do público-alvo;
necessidade alta de recursos; necessidade de conhecimentos especializados; custos de
mudança por parte do público-alvo, restrições governamentais, retaliação prevista por conta
de determinado grupo social. Entre as barreiras de saída, destacamos os custos financeiros, o
impacto gerado nos clientes, restrições de ordem governamental ou social.

854

�A Transvest hoje tem um grande problema de espaço. Funciona numa sala no Edifício
Maleta em Belo Horizonte. Como adaptar a criação da biblioteca a essa realidade? Buscar um
espaço alternativo? Adaptar a biblioteca a sala de aula? Faz parte do planejamento da ONG
Transvest uma nova sede, maior, que funcionaria inclusive como uma casa de acolhimento as
travestis e transexuais atendidas. Poderíamos então pensar numa sala para a biblioteca. Os
custos seriam para o mobiliário (mesas, cadeiras e estantes). O trabalho dos bibliotecários
para o registro do material seria voluntário.
Buscar parcerias também está dentro do plano de negócio de criação da biblioteca, seja
dentro da própria FDC (em outros setores) como também fora da empresa. Junto a área de
comunicação da FDC será desenvolvido um projeto de marketing para auxiliar na divulgação,
parcerias e prospecção de voluntários.
Resultados esperados
A ideia do projeto da biblioteca surgiu em outubro de 2017, quando começamos a
pensar no plano de negócio para sua criação. Até o momento, O Sistema de Bibliotecas da
FDC desenvolveu uma política de seleção e doação de livros e de desenvolvimento de
coleções para montar a biblioteca. Os livros doados também farão parte de um programa da
ONG Transvest que consiste em levar livros para os presídios na região metropolitana de Belo
Horizonte que possuem alas LGBTs. A cada resenha desenvolvida pelas detentas, elas têm 3
dias abatidos em suas penas.
Pretende-se usar o software (gratuito) BibLivre, que já é utilizado em outro projeto
social da FDC, e toda parte técnica de catalogação do material ficará sob a responsabilidade
dos bibliotecários da FDC.
No primeiro semestre de 2018 será aplicado um questionário entre as travestis e
transexuais atendidas pela ONG para que as necessidades, desejos e expectativas sejam
alinhadas, e também fazer parcerias com outras instituições para ajudar na instalação da
biblioteca.
Caso a ONG não consiga se instalar numa nova sede, como já mencionamos
anteriormente, a ideia será a instalação de prateleiras na sala de aula já utilizada, onde ficarão
os livros que serão catalogados pela equipe de bibliotecários da FDC.
No futuro, a ideia seria capacitar uma das travestis ou transexuais atendidas pela ONG
para trabalhar na biblioteca, como auxiliar de biblioteca. Hoje, por exemplo, uma estagiária de
biblioteconomia trabalha, sob a supervisão da equipe de bibliotecários da FDC, em uma das
bibliotecas atendidas pelos projetos sociais da FDC no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima.

855

�Seria um avanço ter no quadro de funcionários da FDC uma colaborada (ou colaborador)
trans.
Também faz parte do plano de negócio, criar junto a área de Marketing da FDC
campanhas para apoiar a manutenção da biblioteca e também divulgá-la junto a sociedade.
Esperamos que até o final de 2018, as travestis, transexuais e transgêneros que frequentam a
ONG Transvest já possam acessar a nova biblioteca.
Gostaríamos de poder incluir os responsáveis pela ONG Transvest possam fazer parte
do POS da FDC, como alunos bolsistas. A Parceria com Organizações Sociais (POS) é um
programa da FDC que ajuda Organizações da Sociedade Civil a incorporar ferramentas de
gestão em seu dia a dia com objetivo de se tornar autossustentáveis e mais atrativas para
investimentos.
Considerações finais
O papel do bibliotecário é primordial para fazer da biblioteca um espaço e instrumento
de acolhimento dessas minorias marginalizadas por outros segmentos da sociedade, que
encontram na biblioteca um local com serviços capazes de combater as deficiências sociais e
ali terem acesso a informação e conhecimento. A biblioteca deve ser um elo articulador entre
ensino e aprendizagem, atuando sempre em favor da transformação social e proporcionar a
todas as travestis, transgêneros e transexuais que vivem em situação de risco social as fontes
necessárias para a sua formação enquanto ser político, social e cultural.
Há que se somar a todos os atributos à biblioteca como um espaço do saber dedicado
não somente às buscas intelectuais, culturais e de lazer, mas também um lugar de práticas
reflexivas, pessoais e compartilhadas, visando o desenvolvimento do indivíduo e da
coletividade. Enquanto lugar de geração e compartilhamento de conhecimento, a biblioteca é
um bem coletivo, inclusivo e promotor da cidadania.
O papel de mediador do bibliotecário no acesso a informação, torna-se cada vez mais
relevante quando pensamos numa sociedade mais inclusiva, uma vez que ter acesso a
informação e conhecimento pode acarretar em desenvolvimento cultural, econômico e/ou
social para as pessoas, inclusive para as travestis, transexuais e transgêneros que vivem em
situação de risco.
O silêncio em torno das discussões sobre o acesso a informação por parte da
população T (Travestis, Transexuais e Transgêneros) teria por objetivo eliminá-las do espaço
da biblioteca?
856

�A Biblioteca não pode e não deve reproduzir o preconceito e discriminação que existe
na sociedade brasileira em relação a população T. A biblioteca deve ser um espaço de
cidadania, respeito, inclusão, acolhimento, igualdade, direito universal, democracia, acesso a
informação e ao conhecimento, um espaço que prima pela universalidade de valores.
É de responsabilidade de todos nós bibliotecários contribuir para o desenvolvimento
de uma sociedade capaz de tomar a decisão consciente de funcionar em comum acordo com o
valor social da igualdade de direitos e deveres para todas as pessoas, sem distinção de sexo,
raça, orientação sexual ou de gênero.

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858

�</text>
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Ciência da Informação&#13;
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Trans-formação acesso a informação e inclusão de gênero: elaboração de um plano de negócio para criação de uma biblioteca para atender travestis, transexuais e transgêneros em situação de risco em Belo Horizonte: um relato de experiência.</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>A Fundação Dom Cabral tem como missão contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade por meio da educação. Enquanto signatária do Pacto Global e do PRME, apoia 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) entre eles a igualdade de gênero. A questão da igualdade de gênero e da diversidade fazem parte do planejamento estratégico da FDC. O presente artigo trás o relato de experiência do Sistema de Bibliotecas da FDC na elaboração de um plano de negócio para a criação de uma biblioteca voltada a atender, dar suporte e acesso a informação a transexuais, travestis e transgêneros que vivem em situação de risco em Belo Horizonte, que são atendidos pela ONG Transvest, com sede na cidade de Belo Horizonte. Relata o papel da biblioteca e do bibliotecário na inclusão dessa minoria, promovendo acesso de forma democrática a informação, e como esse acesso pode ter um impacto na formação do ser ético, político e social de transexuais, travestis e transgêneros assistidos pela ONG.</text>
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