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                  <text>Eixo III - Ensino
ACESSIBILIDADE INFORMACIOAL PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL:
UM ESTUDO NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
INFORMATION ACCESSIBILITY FOR VISUALLY IMPAIRED STUDENTS: A STUDY AT THE
CENTRAL LIBRARY OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF GOIÁS

Resumo: A pesquisa possui o objetivo de apresentar os recursos especializados de acessibilidade
informacional existentes para alunos com deficiência visual na Biblioteca Central da Universidade
Federal de Goiás, Campus Goiânia e abordar a utilização dos mesmos no processo de ensino do
curso de Biblioteconomia. Pretende-se também relatar a participação do Sistema de Bibliotecas na
gestão de acessibilidade e comentar sobre a percepção dos alunos quanto ao atendimento de suas
necessidades informacionais. O referencial teórico é fundamentado em educação inclusiva,
acessibilidade e tecnologia assistiva. A abordagem metodológica utilizada é qualitativa e quanto
aos objetivos classifica-se como descritiva-exploratória. Configura-se em pesquisa de campo, cujos
instrumentos de coleta de dados utilizados são entrevistas semiestruturadas, questionários e
pesquisa documental que favoreceu o entendimento do contexto geral da política de acessibilidade.
Também foi observado o Projeto Pedagógico do curso de Biblioteconomia e a disciplina que insere
a temática sobre acessibilidade em bibliotecas e outras unidades de informação. Os dados
apresentam que o Sistema de Bibliotecas atua em parceria com o Núcleo de Acessibilidade da
Universidade quanto as diretrizes para ações inclusivas. A Biblioteca Central dispõe de um
Laboratório de Acessibilidade Informacional, onde são disponibilizados recursos necessários aos
alunos com deficiência visual. Este laboratório é utilizado como campo prático para o ensino e
conhecimento de tecnologias assitivas no curso de biblioteconomia. Identifica-se a presença de
alunos com deficiência visual em quantidade significativa no espaço universitário e algumas
problemáticas quanto ao atendimento de suas necessidades informacionais.
Palavras-chave: Universidade Federal de Goiás. Acessibilidade. Deficiência visual. Laboratório
de acessibilidade informacional. Biblioteca universitária.
Abstract: The research has the objective to present the special resources for information
accessibility offered to visually impaired students at the Central Library of the Federal University
of Goiás, at the Goiânia Campus, and to refer to the use of these facilities in the teaching of the
Library Science course. It also intends to report the participation of the Library System in the
rceptions on the facilities in terms of
meeting their accessibility demands. The theoretical reference is fundamented in inclusive

�education, accessibillity and assistive technology. The methodological approach is qualitative, and
as for the objectives, it is classified as descriptive-exploratory. It is a field research, whose data
collecting tools are semi-structured interviews, questionnaires and documental research, which has
favoured the understanding of the general context of the accessibility policy. The Pedagogical
Project of the Library Science course was also observed, as well as the discipline which brings in
the theme of accessibility in libraries and other information units. The data show that the Library
System acts in a partnership with the Accessibility Unit of the University in relation to the
guidelines for inclusive actions. The Central Library has an Information Accessibility Lab, which
offers the resources needed by visually impaired students. This lab is used as a practical field for
the teaching and knowledge of assistive technologies in the Library Science course. A significantly
large presence of visually impaired students is identified in the University area, as well as a
number of problems in the assistance to their information needs.
Keywords: Federal University of Goiás. Acessibility. Visual Impairment. Information
Accessibility Lab. University Library.
1 INTRODUÇÃO
A discussão sobre o tema inclusão educacional e acessibilidade representa grande desafio.
Observa-se que o assunto restringe-se, em muitos momentos, somente ao cumprimento das Leis.
Pouco têm sido as reflexões e atenção sobre as reais necessidades de grupos minoritários, como o
caso de estudantes com deficiência visual. São diversas as dificuldades que cercam seu dia a dia no
ensino superior, como comunicação e interação, acesso informacional, arquitetônico, entre outros.
Alguns estudos evidenciam que o acesso da pessoa com deficiência ao ensino superior no
país aumentou e que, apesar de superar o baixo quantitativo no ingresso relacionado a anos
anteriores, umas das grandes preocupações das Instituições têm sido em garantir a permanência
destes alunos no âmbito acadêmico. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, 2017a).
A agenda 2030 da Organização das Nações Unidas do Brasil (2015, p. 23) orienta que para
o desenvolvimento sustentável é necessário educação de qualidade, garantias para a promoção de
igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profissional para os mais
vulneráveis, incluindo as pessoas com deficiência. Ainda orienta que é necessário construir e
melhorar instalações físicas e proporcionar ambientes de aprendizagem seguros, não violentos,
inclusivos e eficazes para todos.
A Universidade, enquanto espaço indissociável de ensino, pesquisa e extensão para
produção de conhecimento, possui a obrigação de realizar este papel democrático junto à sociedade
(CHAUÍ, 2003) e oportunizar condições igualitárias de acesso e permanência de alunos com
deficiência visual ao ambiente acadêmico. As bibliotecas, nesse cenário, devem estar alinhadas a
esta realidade e oferecerem produtos e serviços de informação que estimulem a produção do
conhecimento.

�É nesse contexto que esta pesquisa possui como objetivo apresentar os recursos
especializados de acessibilidade informacional existentes para alunos com deficiência visual na
Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiás, Campus Goiânia e abordar a utilização dos
mesmos no processo de ensino do curso de Biblioteconomia. Pretende-se também relatar a
participação do Sistema de Bibliotecas na gestão de acessibilidade e comentar sobre a percepção
dos alunos quanto ao atendimento de suas necessidades informacionais.
A pesquisa dedica-se a questões de acessibilidade informacional, mas compreende que são
diversas as dificuldades de acesso do aluno à informação, como, acessibilidade comunicacional,
arquitetônica e aspectos relacionados ao entorno da Biblioteca Central. Apesar de importantes,
esses aspectos não serão abordados neste estudo.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E ACESSIBILIDADE
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa Com Deficiência 13.146, de 6 de julho de 2015 é
em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das
liberdades fundamentais por pessoa com de
Considerafísica, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais
(BRASIL, 2015).
No capítulo IV, Art. 27, a Lei apresenta que a educação, enquanto direito da pessoa com
deficiência, é assegurada pelo sistema educacional inclusivo para que estes alcancem
desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais,
segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem. Portanto, no sistema
educacional inclusivo, a educação especial se efetiva através de ações que promovem acesso, a
permanência, a participação e a aprendizagem de alunos, em todos os níveis e modalidades, desde
a educação básica ao ensino superior. (Ibid., 2015).
O tripé formado pelo Ensino, Pesquisa e Extensão constitui o eixo fundamental das
Universidades Brasileiras e não pode ser compartimentado. Devem, portanto, obedecer ao
princípio da indissociabilidade. Moita e Andrade (2009) afirmam que a indissociabilidade é um
princípio orientador da qualidade da produção universitária, porque afirma como necessária a
tridimensionalidade do fazer universitário autônomo, competente e ético. Apresentam-se, então,

�como espaço dinâmico de produção de conhecimento e o cumprimento de suas missões
evidenciam a necessidade em dar acesso e condições de permanência para pessoas com deficiência.
A biblioteca Universitária como parte da Instituição de Ensino Superior (IES) possui grande
responsabilidade tanto no âmbito institucional como dos usuários (alunos, professores e
pesquisadores) que a procuram. Pode ser vista, portanto, como mediadora no processo de ensino,
pesquisa e extensão. É ponto de apoio para a busca da informação necessária para produção de
conhecimento e desenvolvimento intelectual e profissional da comunidade atendida. Logo, a
biblioteca acessível incorpora em seu cotidiano condições sobre as especificidades e necessidade
de seus diferentes públicos, como o caso dos alunos com deficiência visual.
A deficiência visual refere-se a uma limitação sensorial que mesmo com a utilização de
correções (óculos, cirurgias, etc.) anula ou reduz a capacidade de ver, abrangendo vários graus de
campo e acuidade visual, podendo ser: cegueira - a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no
melhor olho, com a melhor correção óptica; baixa visão - que significa acuidade visual entre 0,3 e
0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; casos específicos - os casos nos quais a
somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60. (BRASIL,
1999).
São diversas as dificuldades que alunos com deficiência visual enfrentam ao serem
inseridos no ensino superior. Estas podem surgir na rotina dos estudos, na aquisição de referencial
teórico sugerido durante as aulas, na localização de bibliografias nas bibliotecas, entre outros.
Situações como estas, se não superadas, podem desestimular o aluno pela impossibilidade de
acompanhar a turma ocasionando desistência ou comprometimento na conclusão do curso com
qualidade. Em muitos casos, o aluno prefere o anonimato a falar sobre suas dificuldades.
Portanto, a acessibilidade, enquanto possibilidade e condição de alcance para utilização,
com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações,
transportes, informação e comunicação é fundamental para a garantia da inclusão das pessoas com
deficiência. (BRASIL, 2015). Além do mais, abrange diferentes ações que devem ser incorporados
ao cotidiano das bibliotecas, como a estruturação de tecnologias apropriadas para oferecer serviços
de acesso a informação.

2.2 TECNOLOGIA ASSISTIVA
O conceito de Tecnologia Assistiva tem evoluído ao longo dos anos e acompanhado as
mudanças de suas concepções em relação às pessoas com deficiência e suas necessidades.

�No Brasil a Lei nº 10.098 de 19 de dezembro de 2000,

a necessidade de

A mesma é regulamentada pelo Poder Executivo que determina em sequência a criação do Comitê
de Ajudas Técnicas (CAT) tendo uma de suas finalidades principais propor políticas aos órgãos
competentes relacionadas com o desenvolvimento e uso de tecnologia assistiva e dar transparência
e legitimidade ao seu desenvolvimento.
Segundo O Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) Tecnologia Assistiva é considerada uma
estratégias, práticas e serviços que objetiva promover a funcionalidade relacionada à atividade e
participação de pessoas com deficiência, incapacidade ou m

(BRASIL, 2009,

p. 9). Portanto, são tecnologias que ajudam na locomoção, no acesso à informação e na
comunicação, no controle de ambiente e atividades do dia a dia de pessoas com deficiência,
aumentando suas capacidades funcionais. Visa autonomia, independência, qualidade de vida e
inclusão social.
Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 9050/2015, os recursos de
tecnologia assistiva estão na concepção de desenho universal, onde os produtos, ambientes e
serviços são usados pelas pessoas sem sofrer nenhuma adaptação. Apresentam como exemplo
mobiliário (balcões de atendimento, mesas e estantes) acessível e orienta quanto a circulação para
as pessoas em cadeiras de rodas e demais pessoas no ambiente da biblioteca. Quanto a pessoas com
deficiência visual, as normas são dadas de forma mais generalizada. Embora os princípios do
desenho universal apresentem programas como produtos e serviços e ambientes usados por todas
as pessoas, as normas gerais também incluem as pessoas com deficiência visual no ambiente da
biblioteca com possibilidades para circulação e uso de recursos especializados disponíveis.
Melo (2006, p. 33) entende que os princípios do Design Universal servem para nortear o
desenvolvimento e a avaliação de lugares, serviços e produtos, tornando os mais adequados às
diferenças. Conforme o autor, promover soluções de acessibilidade numa perspectiva de Design
Universal pode potencializar a convivência e a participação da sociedade na igualdade de direitos e
deveres.
3 METODOLOGIA
A pesquisa é de natureza básica e sua abordagem de caráter qualitativo. Quanto aos
objetivos, classifica-se como descritiva

exploratória. Gil (2010) argumenta que muitas pesquisas

�possuem semelhanças nos métodos utilizados. Embora definidas como descritivas, pela
proximidade com o problema classificam-se também como exploratórias.
A pesquisa está delimitada ao âmbito da Universidade Federal de Goiás na cidade de
Goiânia, Campus II, especificamente na Biblioteca Central (BC). O público alvo da pesquisa é:
direção do Sistema de Bibliotecas (Sibi); Coordenação do Núcleo de Acessibilidade e estudantes
com deficiência visual matriculados na universidade no segundo semestre do ano de 2017. Foram
utilizados os seguintes instrumentos de coleta:
Entrevistas semiestruturadas: Aplicadas a gestora do sistema de Bibliotecas e Gestora do
Núcleo de acessibilidade. Categorias da entrevista: Gestão atual de acessibilidade no âmbito UFG;
recursos especializados disponíveis para acesso informacional de usuários com deficiência visual.
Questionário: Enviado através do Núcleo de Acessibilidade por questões éticas para trinta e
seis (36) alunos com deficiência visual da instituição tendo o retorno somente de três (3) respostas.
Tinha-se a estimativa do retorno de mais alunos, contudo devido a difícil localização dos mesmos e
algumas restrições de segurança do Núcleo não foi possível. Categorias do questionário:
Atendimento as necessidades informacionais.
Documentos: A pesquisa documental favoreceu o entendimento do contexto geral da
política de acessibilidade da Universidade e a atuação do Núcleo. Guiou a observação do Projeto
Pedagógico do curso de Biblioteconomia e a disciplina que insere a temática sobre acessibilidade
em bibliotecas e outras unidades de informação. Segundo Moreira (2008), a análise documental
compreende a identificação, verificação e apreciação de documentos e pode ser utilizada como
método, ou como técnica, pois complementa outras formas de obtenção de dados, como a
entrevista e o questionário.
Observação: Realizou-se a observação nas dependências da Biblioteca Central e
Laboratório de Acessibilidade informacional.
4 RESULTADOS
A realização da pesquisa oportunizou compreender que as ações de acessibilidade
informacional para alunos com deficiência visual são realizadas em conformidade com o Núcleo
SINAce e as Políticas de Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás.
Consciente de seu importante papel em promover o acesso a serviços e produtos em
informação, o Sistema de Bibliotecas (Sibi) da UFG atua em parceria com o Núcleo e a ProReitoria da Graduação (PROGRAD). Possui uma comissão de bibliotecários formada pela unidade
central e demais unidades. Segundo a direção, essa comissão promove ações de acessibilidade e é

�responsável pelas decisões quanto à inclusão nas bibliotecas do sistema. Portanto existe um
processo interativo e de articulações que requerem atividades integradas pelas diversas áreas
envolvidas para que as ações sejam implantadas. Como resultado de diversas ações realizadas entre
os órgãos, esta a criação do Laboratório de Acessibilidade Informacional (LAI), que é integrado e
gerido pelo Sibi, mas que também está sob a responsabilidade dos órgãos mencionados acima.

4.1 SINACE: NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE
O Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Goiás teve início em 2008
objetivando a educação inclusiva para eliminar as barreiras e favorecer a entrada e permanência de
alunos universitários. É um órgão vinculado a PROGRAD, responsável pelas ações de
acessibilidade na Universidade e que interage com todas as unidades e demais órgãos que
demandam inclusão. Apresenta-se como grande centralizador, pois é através dele que é possível a
busca de recursos junto ao Governo Federal. Portanto, é um local que organiza ações e se articula
com os diferentes órgãos da instituição para implementação da política de acessibilidade e
efetivação das relações de ensino, pesquisa e extensão na área.
Dentre suas ações, encontram-se diversos eixos da Política de Acessibilidade, sendo: Eixo 1
- Acessibilidade: Inclusão e permanência; Eixo 2- A infraestrutura acessível; Eixo 3 Acessibilidade Pedagógica e curricular; Eixo 4 - A acessibilidade comunicacional e informacional;
Eixo 5 - A Catalogação das Informações sobre Acessibilidade; Eixo 6 - O Ensino, a Pesquisa e a
Inovação em Acessibilidade; Eixo 7- A extensão sobre/com acessibilidade; Eixo 8 - Recursos
Humanos e Financiamento da Política de acessibilidade. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE
GOIÁS, 2017b).
Oferece três serviços aos alunos: Apoio pedagógico, que possui o objetivo de acompanhar
os estudantes de cursos de graduação com alguma deficiência. É um trabalho realizado em parceria
com a coordenação de cursos, estudantes, docentes e quando necessário, a família, mas oferecido
somente a graduação; Intérpretes de Libras, realizado para atender as atividades previstas; e o
Laboratório de Acessibilidade Informacional (LAI).
Conforme a gestora do Núcleo, uma das maiores dificuldades para promover acessibilidade
na universidade é a limitação na contratação de pessoal para atendimento educacional
especializado e a pouca interação ou procura do professor, ou coordenador de curso no núcleo para
apoio pedagógico ao aluno. O núcleo é quem cobra o material acadêmico das disciplinas para que
o aluno não seja prejudicado.

�4.2 LAI: LABORATÓRIO DE ACESSIBILIDADE INFORMACIONAL
Conforme identificado na Política de Acessibilidade, por meio do SINAce, o Eixo 4 propõe
aos alunos com deficiência visual a acessibilidade comunicacional e informacional em situações
diversas, como pedagógicas e formativas, assegurando-lhes igualdade e oportunidade por meio de
um laboratório de recursos de tecnologia assistiva e adequação de material pedagógico. A primeira
unidade deste laboratório de acessibilidade está localizada na Biblioteca Central (BC), Campus
Samambaia.
Os recursos oferecidos são: Ampliação de materiais bibliográficos impressos e digitais para
alunos da UFG; Digitalização e conversão de material para alunos cegos; Computadores adaptados
com softwares leitores e ampliadores de tela; Impressão em braile; Acesso à lupa digital portátil
(para quem tem baixa visão); Scanner leitor de livros; Scanner digitalizador de imagens; Leitor de
livros digitais; Folheador de páginas; Assinadores para auxílio no preenchimento de assinatura;
Regletes; Linha braile; Máquina fusora (faz relevo em desenhos); Mesa tátil que lê e identifica
figura como mapas, partes do corpo humano, partes de uma planta, entre outros.
Segundo a gestora, todos estes recursos foram adquiridos por meio do Programa do
Governo Federal denominado INCLUIR e estão centralizados no LAI. Somente há repasse às
demais bibliotecas quando existe constatação de demanda e espaço físico adequado e seguro, no
caso dos aparelhos de tecnologias assistivas de alto custo. Já existem planos para implantação do
LAI em outras duas unidades, a de Catalão e a da cidade de Goiás.
As bibliotecas da Universidade do Campus Goiânia não dispõem de acervo em braile ou em
áudio em suas dependências, exceto uma única obra localizada na Biblioteca da faculdade de
Letras. Este serviço é oferecido pelo Laboratório, já que este possui a estrutura adequada para
adaptações e softwares especializados. O usuário que necessita desta adaptação toma emprestado
da biblioteca o material impresso e o leva ao laboratório. A adaptação é feita conforme demanda, e
dependendo do material. Existe um prazo para entrega. Seguem fotos do LAI e de alguns recursos
disponíveis:
Figura 1 - Máquina fusora.

Figura 2

Ambiente interno para estudo no LAI

�Fonte: As autoras (2017).
*Faz relevo em desenhos.
Figura 3

Digitalização e conversão de material
para alunos cegos

Fonte: As autoras (2017).

Figura 4 - Mesa tátil lê e identifica figuras

Fonte: As autoras (2017).

Fonte: As autoras (2017).

Figura 5- Computadores adaptados com softwares
leitores e ampliadores de tela

Figura 6 - Scanner digitalizador de imagens e
textos

Fonte: As autoras (2017).

Fonte: As autoras (2017).

4.2.1 A utilização o LAI no processo de ensino
É perceptível que o mundo vem sendo modificado com o advento das tecnologias de
informação e comunicação (TIC) e o ambiente de ensino sendo inovado por novas alternativas e
concepções pedagógicas que configuram novos ambientes de construção e produção de
conhecimento.
Neste contexto, muito tem sido os esforços do curso de Biblioteconomia da Universidade
Federal de Goiás para contribuir com a formação profissional do aluno por meio de bases
fundamentais teóricas que reorientam os instrumentais técnicos, metodológicos, tecnológicos e
administrativos, necessários para a concepção e atuação do profissional na Biblioteca e nas
diferentes unidades informacionais. Entende-se que a articulação entre teoria e prática garante o
entendimento dos diferentes elementos constitutivos da Biblioteca e outras Unidades de
Informação em cada domínio, ora enfatizado na formação do egresso (Social, Cultural e

�Educacional). Um dos objetivos gerais propostos pelo curso é de compreender a biblioteca e suas
diferentes estruturas na realidade social brasileira. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS,
2016).
É desta forma que o LAI tem sido utilizado pela disciplina de Administração de bibliotecas
e outras unidades de informação enquanto apoio de aprendizagem e campo de estudo. Os módulos
da disciplina são formados por: Contexto histórico da administração; Funções administrativas;
Planejamento: tipos de planejamento; Planejamento Estratégico; Diagnóstico; Avaliação em
unidades de informação; Acessibilidade. O tópico acessibilidade é norteado conforme os seguintes
assuntos:
1. Bibliotecas inclusivas e cidadã: perspectivas internacionais e da lei brasileira sobre
acessibilidade;
2. Tecnologias assistidas: conceitos, tipos e levantamento de tecnologias que podem ser
adotadas pela biblioteca para promover a acessibilidade de usuários que demandam
atenção e serviços/produtos de informação diferenciados;
3. Acessibilidade espacial: orientações gerais sobre acessibilidade espacial em unidades de
informação conforme ABNT;
4.

Mobiliário e equipamentos adaptados: orientações gerais sobre mobiliário e
equipamentos adaptados para a acessibilidade conforme ABNT;

O LAI funciona como eixo fundamental para abordagens práticas, experimentais e
reflexivas dos alunos durante o trabalho pedagógico da disciplina. Seu contato com as tecnologias
assistivas e com espaço suscita questões, investigações, modificações. É ir além de simples ação e
provocar reflexões antes, durante e após a exposição às condições de acessibilidades em
bibliotecas, objetivando aproveitar a experiência vivenciada e progredir em sua capacidade de
explorar o ambiente e propor soluções. Portanto, passa a agir sobre seu objeto de estudo e
compreendê-lo para possível atuação profissional. Isto é, pensar a criação de serviços específicos
com base nas necessidades do usuário e a disseminação de ferramentas de apoio à aprendizagem e
inclusão acadêmica e social.
4.3 ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
Apesar da baixa quantidade de respostas obtidas, os dados apresentam informações curiosas
sobre os alunos, como atuação na área de ciências exatas e humanas, predominância do sexo

�feminino e faixa etária. Não há um estudo sistemático afirmando em que idade esses alunos tem
ingressado no curso superior, mas acredita-se que o acesso dos jovens tem aumentado.
Conforme Relatório de ações de acessibilidade da UFG de julho de 2015 somava-se total de
33 discentes. No mesmo ano em dezembro, este número subiu para 36 deficientes visual e 2 cegos
total. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, 2015a, 2015b, 2017a). No relatório de 2017,
soma-se o total de 63 deficientes visual e 2 alunos com cegueira total. Estes dados evidenciam
aumento significativo da inserção de alunos no ensino superior nos mais variados cursos. Além
disso, todos os que responderam os questionários apresentam-se avançados em seus cursos e
mesmo com muitas dificuldades e desafios, não desistiram.
Sobre o atendimento as necessidades informacionais, alguns alunos relatam que
dificilmente encontram nas bibliotecas o que precisam, o que os levam a não frequentá-las.
Percebeu-se também o desconhecimento sobre o LAI como parte da biblioteca e os recursos e
no LAI, mas nas bibliotecas setoriais e centr
basta apenas equipamentos, precisamos de recursos humanos com pessoas bem adaptadas,
de comunicação entre os locais responsáveis - LAI, Núcleo de Acessibilidade e SIBI

e também

estranheza do papel de cada uma delas. Cabe ressaltar que este laboratório implantado em 2016,
ainda não foi inaugurado devido falta de recursos financeiros.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entende-se que a educação e o acesso à informação é um direito concedido na Legislação
brasileira a todo cidadão. Principalmente a mais recente de nº 13.146/15 que se destina a assegurar
e promover condições de igualdade de exercício dos direitos e das liberdades fundamentais das
pessoas com deficiência, bem com as normas da Associação de Normas Técnicas Brasileiras
(ABNT) que apresentam padrões e critérios em cumprimento da Lei. Além disso, compreende-se a
biblioteca universitária como espaço contribuinte no processo formativo do aluno e que precisa
oportunizar condições básicas de acesso à informação.
Em conformidade com o objetivo da pesquisa, procurou-se apresentar os recursos
especializados de acessibilidade informacional existentes para alunos com deficiência visual na
Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiás, Campus Goiânia e abordar a utilização dos
mesmos no processo de ensino do curso de Biblioteconomia. Também, relatar a participação do

�Sistema de Bibliotecas na gestão de acessibilidade e comentar sobre a percepção dos alunos quanto
ao atendimento de suas necessidades informacionais.
De forma geral, observou-se que há esforços para implementação e alcance das metas
propostas na política de acessibilidade no que tange as bibliotecas do Campus Goiânia e a criação
de dois Laboratórios de acessibilidade informacional em outros campus, mas as dificuldades
financeiras são entrave nesse processo, ainda mais com a extinção do Programa Incluir. Este
programa, sob o decreto n° 5.296/2004/5626/2005, possui o objetivo de adequação em aspectos
arquitetônico, mobiliário e aquisição de materiais didáticos, uso das tecnologias assistivas, e de
recursos humanos nos ambientes federais universitários.
Compreendeu-se que cabe ao núcleo a maior responsabilidade de administração quanto à
demanda e a busca de recursos para a acessibilidade. Mas a coordenação das atividades e a
preparação de materiais e tecnologia assistivas no LAI são de responsabilidade do Sibi.
Constatou-se que o Sibi apresenta algumas dificuldades em relação à quantidade
funcionários e demanda de trabalho; falta de entendimento para lidar com público;
desconhecimento do público total com deficiência visual e atribui essa responsabilidade ao núcleo.
Outro aspecto conflitante é a dificuldade em repassar os recursos de tecnologia assistiva para
outras bibliotecas do sistema onde o ambiente não oferece condições para instalação e segurança e,
por se tratar de equipamentos de alto custo, adotam-se critérios básicos.
Além disso, identificou-se no decorrer da pesquisa com os alunos que o LAI, recémconstruído em 2016, não é como um espaço pertencente à biblioteca central. O usuário ainda não o
vincula ao Sibi e sim ao núcleo de acessibilidade. A falta do conhecimento do laboratório e da
vinculação do mesmo à Biblioteca Central desqualifica as bibliotecas do campus Goiânia de serem
reconhecidas como espaço de acessibilidade informacional. A gestora justifica que o mesmo não
foi inaugurado por questões de adaptações físicas (que já estão sendo realizadas) e falta de recurso
financeiro. Mas, fica claro que existem falhas comunicacionais entre os órgãos e isso reflete nas
unidades e, principalmente, no usuário.
Observou-se que este laboratório funciona como eixo fundamental utilizado como campo
de ensino para a disciplina de Administração de bibliotecas e outras unidades de informação do
curso de biblioteconomia da universidade para o ensino.
De modo geral, percebe-se que a universidade tem se mobilizado para discutir
acessibilidade e inclusão como primordial. Existe, em parceria com o MediaLab e o Núcleo de
os sites e páginas da UFG, o que já resolveria parte da problemática do acesso as notícias e
informativos importantes. Também existe curso de formação docente on line para inclusão e

�acessibilidade no meio educacional. Trata-se de uma parceria de quatro instituições públicas de
ensino de Goiás, sendo elas: Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de
Goiás (UEG), Instituto Federal de Goiás (IFG) e Instituto Federal Goiano (IF Goiano).
Conclui-se que o objetivo da pesquisa foi alcançado e sugere-se para novas pesquisas o
estudo dos núcleos de acessibilidade das Universidades Federais do Brasil.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2 ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Dispõe sobre a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
com Deficiência. Planalto [on line], Brasília, 6 jul. 2015. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm&gt;. Acesso em: 20 jan.
2018.
______. Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de
outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Planalto [on line],
Brasília, 20 dez. 1999. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm&gt;.
Acesso em: 10 jan. 2018.
______. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos
para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida, e dá outras providências. Planalto [on line], Brasília, 19 dez. 2000. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10098.htm&gt;. Acesso em: 20 jan. 2018.
______. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Subsecretaria Nacional de Promoção dos
Direitos da Pessoa com Deficiência. Comitê de Ajudas Técnicas. Tecnologia Assistiva. Brasília:
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              <text>A pesquisa possui o objetivo de apresentar os recursos especializados de acessibilidade informacional existentes para alunos com deficiência visual na Biblioteca Central da Universidade Federal de Goiás, Campus Goiânia e abordar a utilização dos mesmos no processo de ensino do curso de Biblioteconomia. Pretende-se também relatar a participação do Sistema de Bibliotecas na gestão de acessibilidade e comentar sobre a percepção dos alunos quanto ao atendimento de suas necessidades informacionais. O referencial teórico é fundamentado em educação inclusiva, acessibilidade e tecnologia assistiva. A abordagem metodológica utilizada é qualitativa e quanto aos objetivos classifica-se como descritiva-exploratória. Configura-se em pesquisa de campo, cujos instrumentos de coleta de dados utilizados são entrevistas semiestruturadas, questionários e pesquisa documental que favoreceu o entendimento do contexto geral da política de acessibilidade. Também foi observado o Projeto Pedagógico do curso de Biblioteconomia e a disciplina que insere a temática sobre acessibilidade em bibliotecas e outras unidades de informação. Os dados apresentam que o Sistema de Bibliotecas atua em parceria com o Núcleo de Acessibilidade da Universidade quanto as diretrizes para ações inclusivas. A Biblioteca Central dispõe de um Laboratório de Acessibilidade Informacional, onde são disponibilizados recursos necessários aos alunos com deficiência visual. Este laboratório é utilizado como campo prático para o ensino e conhecimento de tecnologias assitivas no curso de biblioteconomia. Identifica-se a presença de alunos com deficiência visual em quantidade significativa no espaço universitário e algumas problemáticas quanto ao atendimento de suas necessidades informacionais.</text>
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