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                  <text>Eixo III - Ensino
DE BIBLIOTECA A CENTRO DE APRENDIZAGEM: RELATO DE EXPERIÊNCIA A
PARTIR DA NECESSIDADE DE INOVAÇÃO DA REDE DE BIBLIOTECAS DA UNESP
DE ACORDO COM AS TENDÊNCIAS DE METODOLOGIAS ATIVAS DE ENSINO

Resumo: Apresenta breves conceitos sobre metodologias ativas de ensino e a nova função da
biblioteca dentro deste contexto. Relata a trajetória de ações da rede de bibliotecas da Unesp para
diagnosticar a situação atual e identificar ações no sentido de promover as mudanças culturais
necessárias para transformação das bibliotecas em centros de aprendizagem. A partir da aplicação
de questionário foi elaborado ranking das bibliotecas para a escolha de uma unidade a ser
desenvolvida como unidade piloto.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias; Metodologias ativas de ensino; Diagnóstico; Centro de
aprendizagem; Mudança de cultura; Rede de bibliotecas; Unesp
Abstract: It presents brief concepts about active teaching methodologies and the new function of
the library within this context. It reports the trajectory of actions of the Unesp libraries network to
diagnose a current situation and identify meaningless actions to promote as cultural changes
necessary for the transformation of libraries into learning centers. From the application of a
questionnaire, a ranking of the libraries was elaborated to select a unit to be developed as a pilot
unit.
Keywords: University libraries; Active teaching methodologies; Diagnostic; Learning Center;
Change of culture; Library network; Unesp
1 INTRODUÇÃO
Ao pensarmos a atuação das bibliotecas integrada ao desenvolvimento da universidade,
partimos da análise minuciosa do plano de gestão em exercício e de estudos realizados nas áreas

�correlatas a Ciência da Informação e ensino. A partir deste estudo preliminar, evidenciamos a
necessidade de uma mudança conceitual nas bibliotecas que acompanhem as tendências de
mudanças no ensino superior. Alinhados nessa empreitada, a equipe da Coordenadoria Geral de
Bibliotecas, da Rede de Bibliotecas da Unesp-CGB passou a desenvolver estudos sobre novos
conceitos de biblioteca de acordo com as atuais tendências mundiais em bibliotecas universitárias.
Como resultado prévio desses estudos, identificamos que a mudança que almejamos esteja mais
próxima de uma visão de biblioteca ativa em que as bibliotecas são transformadas em centros de
aprendizagem.
Ao compartilhar estas expectativas de mudança junto às unidades da rede de bibliotecas,
deparamo-nos com constantes críticas com relação a atual situação emergente das bibliotecas. As
bibliotecas apontaram recursos materiais e principalmente humanos serem desproporcionais ao
volume de usuários atendidos e serviços prestados. Nesse sentido, surge a necessidade de realizar
um diagnóstico da rede de bibliotecas, pois para saber os passos e os recursos necessários para as
mudanças que pretendemos, precisamos saber onde estamos.
Desta forma, o diagnóstico surgiu como uma demanda da rede de bibliotecas e foi
planejado no sentido de identificarmos o estado da arte das bibliotecas, considerando os recursos
humanos e materiais atualmente disponíveis, serviços prestados, analisados com relação à
população atendida.
A criação do diagnóstico foi concomitante a aplicação de uma série de ações no sentido de
sensibilizar a rede de bibliotecas para a nova empreitada. Dessas ações combinadas à aplicação de
questionário exploratório criou-se um ranking das bibliotecas da rede no sentido de identificar qual
biblioteca poderia ser eleita para a implantação de um projeto piloto.
A seguir fazemos uma análise dos resultados e dos caminhos planejados para a continuação
do processo a partir dos resultados previamente obtidos, da bagagem apreendida e da situação
contextual. O objetivo que pretendemos chegar em longo prazo é um documento com requisitos
mínimos para um centro de aprendizagem e o estabelecimento das ações necessárias para nivelar
todas as bibliotecas da rede dentro desses requisitos mínimos. O presente trabalho apresenta um
relato atual deste processo.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Surge um novo ensino: Metodologias ativas
A tendência do ensino inovador, se considerarmos a história do conceito de universidade,
remonta ao principio do conhecimento universalizado, ideal dos primórdios do conceito de

�universidade. É interessante que se formos analisar, o desenvolvimento da sociedade e das
instituições se dá de forma espiral, onde sempre retomamos conceitos e formas do passado na
construção do futuro.
Muito se evoluiu em teorias da aprendizagem. Porém as instituições de ensino,
principalmente as universitárias são dotadas de relações culturais complexas onde são envolvidos
aspectos como poder, comodismo e conservadorismo. Nesse sentido, trazer para a prática
profissional as metodologias ativas mexe em aspectos culturais e coloca o docente, o discente e o
bibliotecário em uma posição mais ativa com relação às competências que devem adquirir
continuamente para atender as expectativas do novo cenário no ensino.
Dentro das tendências de metodologias ativas de aprendizado que emergem atualmente,
temos o reconhecimento do papel ativo da biblioteca no processo de se alimentar e instigar o
espírito investigativo da comunidade acadêmica, incentivando a busca de conhecimento de forma
ativa, autônoma e criativa e não a absorção passiva de conceitos pré-determinados.

Conhecimento é dinâmico, está em constante mudança, e é vivo. Ele nos leva a questionar o
mundo, questionar os outros, questionar Deus, questionar a realidade. Conhecimento é uma força
que move a economia, as artes e deveria mover os bibliotecários em seu trabalho.
p. 70)

Nesse sentido, surgem no mundo iniciativas no sentido de adequar as bibliotecas
universitárias a esses novos conceitos de ensino. A seguir explicitamos alguns dos conceitos mais
frequentes na literatura atual da área.
2.2 CRAI e learning centers
Segundo Pinto, sales &amp; Osório (2008, p. 243) o Centro de Recursos para Aprendizagem e
Investigação-CRAI é baseado nos ILC (Integrated Learning Centers) anglo-saxónicos. O CRAI é
um passo em frente no que diz respeito à fisionomia das atuais bibliotecas universitárias, uma vez
que ele se refere não apenas a salas de estudo e consulta, mas sobretudo a eficazes sistemas de
informação para localizar qualquer tipo de dado ou recurso de informação, a instalações e meios
para a edição eletrônica, a potentes repositórios de informação científica ou a serviços de apoio
qualificado para a localização e acesso à informação necessária.
A implementação deste modelo, explicam Pinto, Sales e Osório (2008, p. 63), depende de
numerosos fatores, como contexto e características das organizações, as razões estratégicas e
organizativas, a disponibilidade de recursos, a atitude perante a gestão de mudanças, entre outros.
São objetivos do CRAI segundo Pinto, Sales &amp; Osório (2008, p.63) :

�a) Prestar atenção personalizada e responder às necessidades dos utilizadores, sejam eles
docentes, investigadores ou alunos;
b) Coordenar e otimizar todo o conjunto de recursos e serviços que têm dispersas as
instituições ou escolas, e potencialmente pertinentes ou relevantes para o desenvolvimento
das tarefas de docência, de aprendizagem e de investigação;
c) Utilizar as tecnologias da informação e comunicação como instrumentos para a
acessibilidade e organização da informação.
Os termos CRAI e Learning Center aparecem frequentemente na literatura. Trazem
elementos bem semelhantes.

biblioteca, o responsável pelo serviço de informática e o responsável pelo serviço de informação,
com todos os serviços de informação utilizando Tecnologia de Informação e Comunicação,
ocupando o mesmo espaço físico. Com o novo modelo educativo, o estudante deve ser o centro
do sistema educativo. Uma universidade centrada no que o professor ensina deve passar para uma
universidade organizada para que o estudante aprenda. Essa mudança fomentará novas práticas

Esta nova perspectiva origina que se faça uma maior utilização da Biblioteca, exigindo um
trabalho de cooperação de uma grande diversidade de profissionais: bibliotecários, informáticos,
técnicos de outras áreas, assessores pedagógicos, etc. É desejável que um CRAI, ou Learning
Center consiga associar todo o conjunto de serviços e unidades da universidade que servem de
apoio à docência, à aprendizagem e à investigação, como por exemplo: serviços de informática,
serviços de informação e biblioteca, serviços multimídia, serviços de idiomas e tradução, serviços
de apoio à edição e elaboração de materiais docentes, entre outros.
2.3 Redescobrindo a função da biblioteca
Lankes, R. D. (2016, p. 56-57) desmistifica a visão comum de que as bibliotecas na
antiguidade eram depósitos e somente hoje em dia tomam essa nova função de agregadora de
ideias e compartilhamentos.
vários edifícios no local. [...] O prédio principal serviu tanto como dormitório quanto como
depósito. Estudiosos do mundo conhecido foram reunidos e estimulados a conversar e criar. Foi,
de fato, uma das primeiras usinas de ideias e um dos primeiros centros de inovação da história. O
bibliotecário era um dos conselheiros mais próximos dos dirigentes da cidade-

Pensamos que estamos trazendo novos conceitos para biblioteca quando na verdade são
conceitos que surgiram com a origem da biblioteca como instituição. O autor ainda faz uma

�analogia à função da biblioteca e a construção de uma sociedade democrática. Dentro desta
perspectiva, uma sociedade só pode ser democrática se tem acesso a informação e conhecimento.
Observados esses aspectos que envolvem a visão holística da função da biblioteca junto ao
planejamento diante a estrutura organizacional, deve-se adaptar o espaço da biblioteca segundo as
novas tendências no campo educacional. A tendência de uma nova visão construtiva e holística da
educação prescinde da mudança substancial de foco da biblioteca, agora prestando atenção a sua
função social.
Segundo Montgomery(2014, p. 70), a mudança no acesso a informação trouxe a discussão
sobre o propósito da existência das bibliotecas. Nesse sentido, a importância do espaço físico das
bibliotecas está se deslocando das prateleiras para como os estudantes usam o espaço para
Bibliotecas são agora vistas como lugares de identidade e de enraizamento, lugares de
cultura e socialização onde passam a se tornar espaços de representação coletiva, criadoras de
identidade da comunidade que atendem.
A função social da biblioteca pede uma relação entre os suportes informacionais e o público
NA, 2016, p. 240)

Nesse sentido, a biblioteca prescinde de espaço aberto de incentivo ao diálogo e a interação,
alinhados a liberdade, espaço de troca e aprendizado, de lazer e descobertas. A biblioteca deve ser
agregadora das atividades coletivas da unidade. Acolhendo em seu espaço todas as atividades de
socialização já existentes.
3 METODOLOGIA: Trajetória de inovação na rede de bibliotecas da Unesp
3.1 Visitas técnicas
Como forma de melhor compreender os conceitos de inovações em bibliotecas, para assim
conhecer exemplos reais de inovação e absorver boas práticas de atuação, a equipe da
Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) realizou visitas guiadas em algumas instituições da
cidade de São Paulo. Os locais visitados foram: Biblioteca de Odontologia da Universidade de São
Paulo (Cidade Universitária); Biblioteca do Parque Villa Lobos (Bairro de Alto dos Pinheiros);

�Kroton Educational (cidade de Valinhos); Itaú Cultural (Avenida Paulista); Biblioteca de Medicina
da Universidade de São Paulo (Bairro Clínicas).
Inúmeros pontos foram verificados como ações possíveis de serem implantadas na rede de
bibliotecas da UNESP. Trata-se de ações que podem ou não envolver recursos financeiros, algumas
ações de alto custo financeiro e outras de baixo custo, contudo, o que mais se fez perceptível, foi a
alta necessidade de possuir uma equipe motivada, empática e criativa para atingir os objetivos
propostos de inovação.
3.2 Esquenta Biblioteca
Com o intuito de convidar a rede de bibliotecas para a reflexão e estudo sobre os novos
conceitos que estivemos buscando, const
palestras sobre assuntos que envolvem o tema. Abaixo segue endereço com os links para acessar
integralmente

as

palestras

pelo

site

da

CGB:

http://www.unesp.br/portal#!/cgb/para-

bibliotecarios/espaco-para-informacao/
Todos os funcionários das bibliotecas foram convidados a participar, não se limitando aos
diretores. A participação da rede foi bastante positiva e obtivemos bons feedbacks e participação
ativa e contribuições de boa parte da rede nas discussões e atividades propostas.
3.3 Edital
Na última reunião, de encerramento das palestras do Esquenta Biblioteca, a coordenadoria
da CGB anunciou que, devido à demanda das bibliotecas de recurso para que pudessem
implementar o conceito de centro de aprendizagem, seria disponibilizado um edital com recursos
financeiros para as bibliotecas enviarem projetos de inovação. O edital exigia que se planejassem
ações conjuntas entre biblioteca e ensino, envolvendo necessariamente professores junto à equipe
do projeto. Link acessar o edital na integra: http://www.unesp.br/portal#!/cgb/editais/inovacao-darede-de-bibliotecas-da-unesp/
3.4 Reuniões de Diretores e Bibliotecários: pensar livre e estruturar as ideias
Ao final das palestras foi realizada uma reunião na qual a coordenadora sintetizou alguns
pensamentos provenientes das palestras, e também para que a rede se manifestasse e fornecesse um
feedback sobre as apresentações. Depois, foi definido que o próximo passo seria estruturar tais
ideias provenientes das palestras, aproveitando que os bibliotecários estariam em contato fresco
com o novo conceito e as ideias viriam à tona. Assim, foram propostas 3 etapas de construção para

�culminar na elaboração do planejamento para o ano posterior em prol das questões de inovação,
divididas em três reuniões específicas a fazer.
Assim, cada biblioteca deveria discutir entre os membros da equipe os elementos/atitudes
que devem compor um Centro de Aprendizagem. Tais elementos podiam ser relacionados à
mudança de espaço físico, produtos, serviços oferecidos, habilidades dos profissionais e outros
aspectos que julgarem interessantes. Deveriam elencar quais elementos (ideias) devem compor um
Centro de Aprendizagem. As etapas foram definidas da seguinte forma:
1 Etapa - pensar livre: Apresentar lista de ideias para um Centro de Aprendizagem
2 Etapa - estruturar ideias: Encaixar as ideias nos conceitos e estruturas identificados
na literatura
3 Etapa - plano de gestão: Objetivos/Justificativa/Desafios,
Ações/Metas/Formas de Implementação, Horizonte temporal
Utilizamos esta ação como parte de construção de objetivos estratégicos um trabalho com a
rede de bibliotecas semelhante ao grupo tutorial. Utilizamos de brainstorm seguido de formulação
das ideias. Apresentamos posteriormente as ideias para todos de forma estruturada, excluindo as
ideias repetidas, dando foco no compartilhamento somente das ideias inovadoras. O resultado
desse trabalho integrou a construção do questionário aplicado posteriormente às bibliotecas (parte
de um grande diagnóstico ainda em processo), nas questões referentes a ações de inovação.
3.5 DIAGNÓSTICO
3.5.1 Elaboração do diagnóstico
3.5.1.1 Problema de pesquisa e objetivos
A elaboração do diagnóstico baseou-se preliminarmente na elaboração do problema de
pesquisa onde foram elaboradas perguntas a serem respondidas pela coleta de dados, norteados por
algumas hipóteses e expectativas.
Nesse sentido, procuramos responder se os recursos materiais e humanos necessários para o
andamento dos serviços atuais oferecidos pelas bibliotecas, são suficientes e qual a necessidade de
investimento necessário em cada unidade para projetarmos as ações de inovação pretendidas.
Nesse sentido elegemos metodologicamente os seguintes objetivos:
Objetivo Geral: Apresentar a situação atual das bibliotecas da Rede.

�Objetivos específicos: Apontar problemas-chave que estejam afetando o desempenho da
biblioteca/unidade da informação em geral, e que comprometam ações futuras.
3.5.1.2 Hipóteses e expectativas
Acreditamos que o mapeamento desses recursos em relação ao público atendido nos
permitirá analisar no futuro qual o grau de mudança possível nesses serviços e ou produtos.
Nesse sentido, com base neste documento norteador, construímos as metas constantes no
programa de planejamento anual para a rede de bibliotecas para os próximos anos. As ações foram
divididas em ações de curto, médio e longo prazo, construídas dentro da perspectiva de mudança
de paradigma necessária para a revitalização que almejamos. Levamos durante todo o processo o
esforço de centrar o desenvolvimento dessas ações na função fundamental da biblioteca
transformada em centro de aprendizagem, que é sua função social.
3.5.2 A construção do questionário
O questionário criado para a coleta de dados foi esboçado inicialmente, tomando como
referência, questionários aplicados em diagnósticos de bibliotecas de outras instituições
universitárias brasileiras que encontramos na literatura. A partir desta reflexão e análise das
referências consultadas, construímos uma prévia do que seria o questionário aplicado a rede de
bibliotecas da Unesp com perguntas organizadas inicialmente em 4 eixos principais: recursos;
serviços; público alvo e cultura organizacional. Após esta categorização, trabalhamos no esboço
com a inclusão de questões relacionadas a centro de aprendizagem, oriundas do levantamento
bibliográfico e das sugestões e colaborações da rede de bibliotecas nas etapas do esquenta
biblioteca e reunião de diretores.
Após essa estruturação preliminar, realizamos contratação de estatístico especialista, Prof.
Rogério Mugnaini, para orientar-nos no processo da tabulação e análise dos dados. Ele nos
orientou quanto à organização das questões em dois grandes blocos, um questionário com
perguntas sobre o contexto atual e outro com questões voltadas ao centro de aprendizagem, ou
questões do futuro. Desta forma, o questionário foi dividido em dois grandes blocos, um

serviços voltados ao conceito de centro de aprendizagem, para que resultasse em dados que nos
permitissem projetar as ações futuras. Desta forma, as perguntas ficaram divididas de acordo com a
estrutura apresentada a seguir.

�Centro de aprendizagem - 1 Equipamento
Centro de aprendizagem - 2 Instalações físicas
Centro de aprendizagem - 3 Acervo
Centro de aprendizagem - 4 Serviços
Centro de aprendizagem - 5 Assuntos transversais
Centro de aprendizagem - 6 Cultura organizacional
Retrato atual - 1 Informações gerais
Retrato atual - 2 Público alvo
Retrato atual - 3 Recursos humanos
Retrato atual - 4 Recursos materiais
Retrato atual - 5 Instalações físicas
Retrato atual - 6 Acessibilidade
Retrato atual - 7 Acervo
Retrato atual - 8 Recursos financeiros
Retrato atual - 9 Serviços
Retrato atual - 10 Cultura organizacional
Em seguida a definição das perguntas, foi realizada a criação de um ambiente digitalizado
para o questionário, seguida da categorização da natureza das respostas. Nesta categorização
estruturamos previamente o formato das respostas, tomando como norte a futura tabulação desses
dados. Ex: campo de texto, dado quantitativo, múltipla escolha, sim ou não. Depois a equipe da
CGB elaborou um texto introdutório explicando a finalidade do documento com pequeno glossário
e dois vídeos ilustrativos sobre o que seria um centro de aprendizagem.
Após essa estruturação, o questionário foi enviado a diretores da rede de bibliotecas para
que pudessem analisá-lo previamente e apontar melhorias ou propor alterações. Recebidas e
realizadas as devidas revisões, seguimos para a preparação para o envio definitivo do instrumento
para a rede de bibliotecas.
3.5.3 Aplicação do questionário
O diagnóstico foi enviado para a rede de bibliotecas oficialmente no dia 31 de agosto de
2017, por e-mails endereçados aos diretores de biblioteca. O e-mail continha instruções de
preenchimento. Foram realizadas ligações às unidades que não haviam acessado o questionário,
para confirmar o recebimento do e-mail, e certificar que nenhuma deixou de tomar conhecimento
da aplicação do questionário.

�Infelizmente, apesar de divulgarmos amplamente e contatarmos cada diretor de unidade
sobre a importância do preenchimento, nem todos os diretores responderam o questionário
completamente.
A tabulação e análise dos dados coletados foram limitadas, neste primeiro momento, aos
dados necessários para a escolha de uma biblioteca para aplicarmos o projeto piloto do centro de
aprendizagem na rede de bibliotecas da Unesp. Este recorte foi feito preliminarmente à finalização
do diagnóstico pela necessidade e urgência de se construir o planejamento orçamentário para o ano
seguinte.
3.6 Tabulação dos dados: escolha da unidade para projeto piloto
Com vistas à determinação de ordem prioritária para implantação de um centro de
aprendizagem, buscou-se determinar um ranking das bibliotecas. Para tanto, um conjunto de seis
indicadores foi determinado, a partir das questões do questionário, e cuja forma de cálculo se
apresenta respectivamente:
1. Descontando os funcionários com previsão de aposentadoria, qual biblioteca tem maior
quantidade de funcionários por usuário potencial?
Subtraiu-se do total de funcionários, aqueles com previsão de aposentadoria, e então
dividiu-se pela quantidade de usuários potenciais.
2.

Quais bibliotecas possuem mais parcerias?

Este indicador consistiu da contagem de resposta positiva a quatro questões, quais sejam:
(a) Possui alinhamento (abertura de diálogo) com os gestores da universidade, faculdade,
institutos ou departamentos?
(b) Possui colaboradores com formação ou conhecimento nas áreas dos cursos oferecidos
pelo campus?
(c) Possui ações de capacitação colaborativa com outras bibliotecas da rede?
(d) Recebe recurso financeiro de outras fontes?
3. Quais bibliotecas possuem maior área física (em metros quadrados) destinada aos
usuários?
Considerou-se a metragem informada pelas bibliotecas, sem qualquer cálculo adicional.
4.

Quais bibliotecas possuem o maior horário de funcionamento?

Calculou-se o período de atendimento da biblioteca, subtraindo-se o horário de abertura do
horário de fechamento, e descontando ainda horários sem atendimento ao longo do dia (quando
havia).

�6.

Qual biblioteca com maior quantidade de sim nas questões do questionário

relacionadas ao futuro?
Este indicador consistiu da contagem de resposta positiva às 93 questões da segunda parte
do questionário.
Cada um dos seis indicadores acima permitiu a criação de um ranking das bibliotecas. Em
casos de empate, as bibliotecas tiveram seus respectivos postos (ordem no ranking) substituídos
pela média dos mesmos. Ou seja, se quatro bibliotecas empatadas ocupavam os postos 2 a 5, cada
uma das quatro ficou como posição 3,5. Tal medida visou manter o empate das mesmas, sem
diminuir a amplitude do ranqueamento, que dessa forma se mantém igual ao total de bibliotecas
(35).
Então, determinados os postos que cada biblioteca ocupou nos seis rankings, calculou-se a
média ponderada dos postos, compondo assim um ranking único final. A média foi ponderada
segundo diferentes pesos atribuídos a cada um dos indicadores, sendo respectivamente: 1-0,9; 20,5; 3-1,2; 4-0,9; 5-1,0; 6-0,5.
4 RESULTADOS
4.1 Apresentação da proposta e feedback
Depois de estabelecido o presente ranking, a biblioteca eleita de acordo com os critérios
estabelecidos foi comunicada em reunião com dirigentes de apresentação das propostas
orçamentárias para 2018. O recebimento da notícia, porém, sobre a escolha da biblioteca piloto não
foi positivo pelos dirigentes presentes. O argumento era de que a comunidade naquele campus
talvez não estivesse preparada para uma biblioteca piloto e as inovações propostas.
As críticas foram bem recebidas e analisadas. Observamos que realmente nossa análise
havia se dado somente sobre as condições materiais, gerenciais e culturais das bibliotecas, mas em
momento algum consideramos as características da comunidade local. Ora, se as inovações
propostas prescindem de mudança de cultura, a comunidade local é extremamente importante.
Após a apresentação da proposta e do ranking aos diretores de unidades, recebemos retorno
de algumas bibliotecas que ficaram com nota muito baixa no ranking e seus diretores as cobraram
o porquê. Esclarecemos que algumas notas baixas foram resultado do não preenchimento do
questionário pela biblioteca correspondente, este foi especificamente o caso de 3 bibliotecas. Desta
forma, o questionário foi reaplicado às 3 bibliotecas. Diante deste contexto, o ordenamento foi
reconstruído, assim como o ranking.

�5 DISCUSSÃO
As reivindicações dos bibliotecários no atual contexto de crise financeira mundial é vista
junto a contextualização da sua imagem institucional, resultando na falta de comprometimento da
comunidade e gestores com a biblioteca. A biblioteca passa a perder espaço e investimentos, na
medida em que é vista como secundária. Ora, a biblioteca não angaria recursos para si mesma.
Considerando seu caráter e função, seus investimentos são direcionados a serviço da comunidade.
E porque a comunidade não a enxerga como algo importante e imprescindível?
A noção de integração com a comunidade possibilita um esforço no sentido de criar esse
vínculo. É o que faz com que os usuários reivindiquem melhorias na biblioteca. Mas esse esforço é
característico de tempos atuais?

usar e pelo qual pode pagar, mas que também pode ignorar ou desca
biblioteca faz, e os bibliotecários são membros de pleno direito da comunidade. Bibliotecários
fazem seu trabalho não porque são servidores ou porque precisam criar um produto para ser
consumido pela comunidade, mas essencialmente pelo fato de tornar a comunidade melhor. Os
membros da comunidade não apoiam a biblioteca porque são clientes satisfeitos, mas porque a
biblioteca é parte integrante daquilo que eles são. Esse conceito de biblioteca é análogo ao governo
democrático. [...] Bibliotecas devem ser do povo, não para o povo. Quando um membro da
comunidade entra em uma biblioteca (ou clica nela), deve vislumbrar uma oportunidade de
contribuir, ter
Em concordância com o que vimos na literatura e nas visitas técnicas, obtivemos
consciência de que um dos maiores desafios dentro da implantação de ações como as que
pretendemos _criar um centro de aprendizagem_ é a resistência cultural a mudanças. Para isso
criamos o Esquenta Biblioteca.
Nesse sentido, propusemos em seguida o edital no sentido de viabilizar ações conjuntas
entre docentes e as bibliotecas. A adesão da rede ao edital foi significativa, porém as ideias de
projetos não pareceram muito inovadoras de uma forma geral. Ficou evidente também, pelo
conteúdo dos projetos, que a questão das parcerias também ainda precisa ser incentivada e
desenvolvida dentro de um trabalho específico, voltado a mudança de cultura organizacional.
Pensar um conhecimento universalizado prescinde de mudar a direção de como acreditamos
que o conhecimento é construído e este processo não é rápido ou os resultados das ações

�implantadas é instantâneo. Isso pode ser analisado dentro dos acertos e erros que cometemos até o
momento, o que causa certo retrabalho.
O ranking apresenta as bibliotecas em melhores condições para servirem de projeto piloto.
Os dados, porém, são limitados aos recursos materiais, humanos e organizacionais das bibliotecas
especificamente, faltando no caso, dados sobre a comunidade local para eleger a biblioteca
considerando a totalidade das condições necessárias para esta empreitada.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dentro das tendências de metodologias ativas de aprendizado, surge o reconhecimento da
necessidade de se alimentar e incentivar o espírito investigativo, a busca de conhecimento e não a
absorção de conceitos pré-determinados.
O caminho percorrido para a construção da proposta nos trouxe bagagem teórica sobre as
inovações propostas, assim como reflexões e rearranjos. Os pontos principais que conseguimos
destacar para o desenvolvimento e investigação são: Desafios na mudança de cultura; Criação de
uma biblioteca piloto e orçamento limitado.
Esses pontos nos trazem as demandas da criação de um estudo de usuário, já previsto como
necessário para a construção do diagnóstico, e a investigação de ações e atividades inovadoras a
serem implantadas em uma biblioteca piloto, que sejam efetivas no sentido de mudança de cultura
e viáveis no sentido da realidade de baixo orçamento da universidade.
Ressaltamos que o presente trabalho não é conclusivo, pois o objetivo de transformar a rede
de bibliotecas em centro de aprendizagem é um processo lento e complexo. Esperamos continuar
avançando nesse sentido a ponto de podermos relatar futuramente a totalidade do caminho traçado
junto ao aprendizado com os nossos acertos e erros.
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>SNBU - Edição: 20 - Ano: 2018 (UFBA - Salvador/BA)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: O Futuro da Biblioteca Universitária na Perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão.</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>De biblioteca a centro de aprendizagem: relato de experiência a partir da necessidade de inovação da rede de bibliotecas da UNESP de acordo com as tendências de metodologias ativas de ensino.</text>
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              <text>Apresenta breves conceitos sobre metodologias ativas de ensino e a nova função da biblioteca dentro deste contexto. Relata a trajetória de ações da rede de bibliotecas da Unesp para diagnosticar a situação atual e identificar ações no sentido de promover as mudanças culturais necessárias para transformação das bibliotecas em centros de aprendizagem. A partir da aplicação de questionário foi elaborado ranking das bibliotecas para a escolha de uma unidade a ser desenvolvida como unidade piloto</text>
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