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                  <text>Eixo III - Ensino
POLÍTICA DE INDEXAÇÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS DAS
REGIÕES NORTE E NORDESTE: UM ESTUDO DIAGNÓSTICO
POLICY OF INDEXING IN FEDERAL UNIVERSITY LIBRARIES OF THE NORTH AND
NORTHEAST REGIONS: A DIAGNOSTIC STUDY

Resumo: A política de indexação padroniza os serviços realizados pelos bibliotecários na
indexação. O objetivo geral deste estudo é discutir a importância da atividade de indexação e da
utilização de políticas de indexação em bibliotecas universitárias federais, mais especificamente
nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tendo como objetivos específicos identificar a existência de
manuais e/ou políticas de indexação nessas bibliotecas e verificar se a indexação é discutida e
avaliada. Utilizou-se como instrumento de pesquisa um questionário eletrônico semiaberto através
da ferramenta Google Drive, o qual foi encaminhado às bibliotecas universitárias federais através
de e-mail captado nos sites das próprias bibliotecas. Os dados foram analisados conforme a técnica
da Análise de Conteúdo. Como resultado, pôde-se considerar promissora a realidade de algumas
bibliotecas universitárias nas regiões Norte e Nordeste quanto à busca por mais qualidade na
realização da indexação, visto que 75% das bibliotecas pesquisadas já dispõem de políticas de
indexação para orientar e padronizar esse processo. Dessa forma, verificou-se que esforços estão
sendo direcionados ao aperfeiçoamento da indexação a fim de que as necessidades de pesquisa dos
usuários sejam supridas de forma eficiente.
Palavras-chave: Indexação. Política de Indexação. Bibliotecas Universitárias.
Abstract: The indexing policy standardizes the services performed by librarians in indexing. The
general objective of this study is to discuss the importance of the indexing activity and the use of
indexing policies in federal university libraries, specifically in the North and Northeast of Brazil,
with the specific objectives of identifying the existence of manuals and/or indexing policies
libraries and check if indexing is discussed and evaluated. A semi-open electronic questionnaire
through the Google Drive was used as a tool, which was sent to the federal university libraries
through the e-mail available on the websites of the libraries themselves. Data were analyzed
according to the Content Analysis technique. As a result, the reality of some university libraries in
the North and Northeast regions can be considered as promising for the search for better quality
indexing, since 75% of the researched libraries already have indexing policies to guide and
standardize this process. In this way, it has been verified that efforts are being directed to the
improvement of the indexation in order that the users' research needs are efficiently supplied.
Keywords: Indexing. Indexing Policy. University Libraries.

�1 INTRODUÇÃO
As universidades federais são instituições de ensino superior, tendo o dever de produzir
conhecimento e socializá-lo com a sociedade. Pertencem também a essa esfera as bibliotecas,
denominadas universitárias, que colaboram com os objetivos e missão das universidades ao
promover e disseminar informações técnico-científicas à comunidade universitária e ao público
externo.
Essas bibliotecas universitárias oferecem à comunidade interna e externa das universidades
os mais diversos serviços de informação nos suportes impresso e eletrônico. Seus acervos estão em
catálogos, na maioria das vezes, disponibilizados online. Portanto, as bibliotecas universitárias
assumem um papel estratégico na coparticipação com o ensino, pesquisa e extensão das
universidades. Desse modo, pode-se afirmar que tais bibliotecas têm sob sua responsabilidade,
além de outras atividades, a organização da informação, e, através da representação da informação,
a difusão da informação técnico-científica de maneira eficaz e com efetividade para sua
comunidade.
Entretanto, para que as informações acerca dos documentos possam ser acessadas e
recuperadas pelos usuários de forma eficaz no catálogo, alguns procedimentos são desenvolvidos
anteriormente, como a catalogação, classificação e indexação.
A indexação é um dos mecanismos utilizados para a organização e tratamento da
informação, que permite a identificação do conteúdo dos documentos para os dispor em bases de
dados ou catálogos para posterior recuperação da informação por assunto. Todo esse processo
envolve procedimentos, normas e utilização de instrumentos para orientar as atividades a fim de
disponibilizar com eficiência e qualidade os recursos informacionais para os usuários. Um dos
o trabalho do indexador para o aprimoramento da indexação e, por conseguinte, da recuperação da
16). Todavia, autores como Nunes (2004) e Rubi (2004), que
realizam estudos sobre políticas de indexação, evidenciam a necessidade de mais investigações
sobre esse assunto. Nunes (2004, p. 56) afirma
, segundo Rubi (2004, p. 12),
política de

. Em decorrência dessa carência de literatura, Fujita (2016) também ressalta

a importância e necessidade de mais pesquisas sobre o tema.
Devido a isso, esta comunicação procurou efetivar um estudo em bibliotecas universitárias
federais da região Norte e Nordeste do Brasil com o objetivo geral de discutir a importância da
atividade de indexação e da utilização de políticas de indexação em bibliotecas. Como objetivos

�específicos, buscou-se identificar a existência de manuais e/ou políticas de indexação nestas
bibliotecas e verificar se a indexação é discutida e avaliada.
2 INDEXAÇÃO NO CONTEXTO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
A indexação, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992, p. 2),
identificar e descrever o conteúdo de um documento com termos representativos dos seus assuntos
e que constituem uma l
obtenha, através da recuperação da informação no catálogo, o documento desejado na biblioteca.
Para Carneiro (1985), a finalidade principal de um serviço de indexação é fazer com que os
usuários tenham acesso aos documentos ou informações da melhor forma possível, com eficiência
e economia, no momento preciso. No entanto, a atividade de indexação é uma tarefa complexa
(FUJITA; RUBI, 2006), que envolve muitas variáveis (CARNEIRO, 1985), englobando desde o
profissional indexador até o usuário que recebe as informações na etapa final do processo.
Nunes (2004, p. 56) corrobora com esse pensamento ao afirmar que a indexação é uma
atividade subjetiva e que está

. Para que ela

possa ser executada com qualidade, alguns elementos devem ser levados em consideração, tais
como: missão da instituição; estrutura organizacional da unidade de informação; o perfil do
usuário; qualidade e quantidade de recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis; o
formato de apresentação das informações recuperadas; e quem será responsável pela formulação
das estratégias de busca (NUNES, 2004).
Diante de todos esses fatores que envolvem a indexação, o que fazer então para que essa
tarefa seja realizada com mais qualidade, havendo uma recuperação eficaz nos catálogos quando a
busca é feita por assunto? Talvez não se tenha uma resposta exata e precisa ou uma fórmula para
essa pergunta, contudo cabe a cada biblioteca, conforme suas necessidades, público alvo, missão e
objetivos, procurar meios de aprimorar seus serviços de tratamento temático da informação,
realizando estudos para melhorar e aperfeiçoar o processo de indexação, formulando manuais,
instrumentos e políticas que padronizem, orientem e direcionem a atividade, visando a uma
recuperação da informação adequada para seus usuários.
Verifica-se com isso que a indexação é uma tarefa essencial realizada nas bibliotecas pelo
bibliotecário para a organização e tratamento temático da informação, em que o êxito no acesso aos
documentos pelos usuários de forma eficiente depende diretamente da execução eficaz dessa
tarefa.

�Dessa forma, é imprescindível que as bibliotecas deem valor ao processo de indexação,
direcionando atenção e esforços a essa atividade para verificar se todas as etapas do processo estão
sendo realizadas com eficácia, investigar e eliminar os fatores de interferência em sua qualidade e
averiguar os meios necessários para seu aperfeiçoamento, afim de que possam aprimorar seus
serviços e cumprir seus objetivos ao atender com precisão as necessidades e exigências
informacionais de sua comunidade.
2.1 A importância da política de indexação para bibliotecas universitárias
Como observado no tópico anterior, a indexação é um ato subjetivo em que o indexador, ao
realizá-la, pode escolher determinados assuntos no lugar de outros devido a variados fatores que
podem estar relacionados a conhecimento de mundo, aspectos pessoais, éticos, conhecimento do
assunto tratado no documento, experiência, coerência, entre outros. Contudo se faz necessário um
instrumento, como uma política, que, contendo orientações para a execução da atividade de
indexação, possa minimizar gestos subjetivos do indexador em prol de um processo mais objetivo,
mostrando o caminho a ser percorrido desde a etapa inicial até a final do processo de indexação.
Na literatura encontramos definições para política de indexação. Para Lancaster (1968 apud
CARNEIRO, 1985, p. 221),

. Nunes (2004, p. 55) a define como
. Já
. Sob o ponto de

vista de Fujita (2012a, p. 22), a
normas e técnicas orientadas por decisões que refletem a prática e princípios teóricos da cultura
O que se espera dessa política como guia, diretriz e filosofia de orientação para o processo
de indexação dentro dos ambientes das unidades de informação? O seu desenvolvimento vem,
primeiramente, pela necessidade de padronização e qualidade dos serviços de indexação e,
consequentemente, pela satisfação das demandas dos usuários por mais eficiência na recuperação
da informação na busca por assunto nos catálogos. No entanto, tal política é mais que um manual
para orientar somente procedimentos técnicos, é um instrumento reflexivo das decisões que serão
tomadas, a fim de que o tratamento temático da informação, no caso a indexação, não seja
visualizado como uma atividade mecanizada.
Fujita (2016, p. 17) afirma, com base nos estudos de Lancaster (2004), que a política de

�do processo de indexação e da precisão e revocação na rec
política de indexação, ao conduzir o trabalho do indexar através de inúmeros elementos,
proporciona aprimoramento e qualidade do processo de indexação, e, por conseguinte, gera
melhores resultados na recuperação ao fornecer informações relevantes e uteis aos usuários, visto
que seu
do catalogador e aprimorar a representação e recuperação temática de assuntos no catálogo online
(FUJITA, 2012b, p. 64).
Assim, verifica-se que a elaboração e a implantação de uma política de indexação estão
diretamente ligadas às decisões administrativas, de modo que vão refletir em sua composição a
cultura e a filosofia da unidade de informação. Nunes (2004), ao tecer algumas reflexões a respeito
da inexistência de políticas de indexação em bibliotecas brasileiras, afirma que
O que não é esperado é a ausência completa de políticas formalmente enunciadas, mesmo
em bibliotecas ou serviços de informação inserida em instituições razoavelmente
aquinhoadas de recursos, e que abrigam bibliotecas ou acervos documentais de dimensões
consideráveis. Mesmo uma pequena biblioteca pode e deve formular sua política de
indexação é óbvio que adequada aos recursos de que dispõem ou que consegue mobilizar
(NUNES, 2004, p. 57).

Dessa forma, os gestores das bibliotecas devem visualizar a política de indexação como
uma importante ferramenta capaz de solucionar as questões e problemas relacionados com a
atividade de indexação, pois esta sanará as falhas na recuperação da informação por assunto nos
catálogos ao sistematizar os processos de indexação, padronizar os serviços realizados pelos
bibliotecários e nortear as tomadas de decisões, sendo assim necessária a sua adoção nas
bibliotecas.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta pesquisa caracterizou-se como descritiva com abordagem análise qualitativa, pois
pretendeu discutir a importância da atividade de indexação e da utilização de políticas de
indexação em bibliotecas universitárias federais nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
O instrumento utilizado para coletar as informações que subsidiam esta pesquisa foi um
questionário eletrônico semiaberto, contendo 16 questões divididas em duas categorias: a primeira
referente a política de indexação, com 10 perguntas (03 fechadas e 07 abertas), e a segunda
referente a processo de indexação, com 6 perguntas (01 fechada e 06 abertas).
Para envio do questionário, primeiramente foi realizado um levantamento de quantas e
quais são as universidades federais das regiões Norte e Nordeste do Brasil (MINITÉRIO DA

�EDUCAÇÃO, 2017) (ver quadro 1). Foi escolhida somente uma biblioteca de cada universidade,
aquela denominada Biblioteca Central ou a biblioteca responsável pelo sistema de bibliotecas. No
quadro 1 é possível observar o universo desta pesquisa:
Quadro 1: Universidades Federais das regiões Norte e Nordeste
Região Nordeste
(Quantidade)
18
AL (01), BA (04), CE (03), MA (01), PB
Universidades
(02), PE (03), PI (01), RN (02), SE (01).
Federais
Fonte: Elaborado pelas autoras (2017)

Região Norte
(Quantidade)
10
AC (01), AP (01), AM (01), PA
(04), RO (01), RR (01), TO (01).

Total
28

Os questionários foram enviados através dos e-mails de contato do setor responsável pelo
tratamento dos materiais informacionais.
A partir da obtenção dos questionários respondidos, foi elaborada planilha no Excel. A
partir disso, os dados quantitativos foram tratados estatisticamente e as respostas discursivas
referentes às perguntas abertas foram analisadas utilizando-se o método da Análise de Conteúdo.
4 RESULTADOS E ANÁLISE
Foram enviados 28 questionários às bibliotecas universitárias federais, sendo 18 da região
Nordeste e 10 da região Norte. Dos 28 questionários enviados, obtivemos participação de oito
bibliotecas (BU1, BU2, BU3, BU4, BU5, BU6, BU7 e BU8168), correspondendo aproximadamente
a 29% do universo total da amostra. As respostas das oito bibliotecas participantes estão dispostas
em categorias do questionário: a primeira referente a política de indexação com 10 perguntas e a
segunda referente a processo de indexação com seis perguntas.
1° Categoria: Existência de uma política de indexação na instituição (questão 1):
Os bibliotecários foram questionados quanto à existência de política de indexação na
instituição. Seis bibliotecas (BU1, BU2, BU3, BU6, BU7 e BU8) responderam positivamente
(75%) e duas (BU4 e BU5) afirmam não possuir uma política (25%), sendo que das seis bibliotecas
que possuem, quatro instituições (67%) estão na região Nordeste e duas (33%) na região Norte,
conforme observado no Gráfico 1.

168

As Bib
numeral de ordem sequencial conforme as bibliotecas foram respondendo o questionário, ficando representadas da
seguinte forma: BU1, BU2, BU3, BU4, BU5, BU6, BU7 e BU8.

�Gráfico 1: Existência de política de indexação nas instituições participantes da pesquisa
Possuem PI

NORTE (33%)

Não possuem PI

NORDESTE (67%)
Regiões Nordeste e Norte do Brasil

Fonte: Elaborada pelas autoras (2017)

Essa ausência de políticas de indexação em algumas bibliotecas universitárias pesquisadas
confirma uma realidade já presente desde os anos 1980, visualizada por Carneiro (1985, p. 239)
diversos serviç
Observa-se que, mesmo depois de quase 35 anos, a realidade não mudou e algumas bibliotecas,
mesmo que minoria (duas), ainda não formalizam suas decisões em políticas para facilitar o
prosseguimento das atividades e tomadas de decisões futuras, principalmente as relacionadas ao
tratamento temático da informação, como a indexação.
a ausência completa de políticas formalmente enunciadas, mesmo em bibliotecas ou serviços de
informação inseridos em instituições razoavelmente aquinhoadas de recursos, e que abrigam
ntos que
justifiquem a não criação e implantação de políticas de indexação. Ainda para Nunes (2004) a
adoção de política de indexação não deve estar associada somente àquelas bibliotecas que possuem
um número grande de recursos humanos e materiais, pois

perfeitamente possível ao

bibliotecário definir-se por uma política de indexação que se circunscreva a alguns princípios e
(NUNES, 2004, p. 60).
1° Categoria: A política de indexação foi elaborada pela equipe de bibliotecários da
instituição (questão 2) e é utilizada para orientar a indexação (questão 3):
Das seis bibliotecas que possuem política de indexação, todas (100%) afirmaram que a
política foi elaborada pela equipe de bibliotecários da própria instituição e que ela é utilizada para
regulamentar e orientar os procedimentos de indexação na unidade de informação.

�Pode-se dizer, diante disso, que a atividade de indexação, de certa forma, está ganhando
mais importância dentro das bibliotecas, pois, ao demandaram tempo e pessoal para elaboração de
suas políticas de indexação, essas unidades estão mais atentas ao ato de indexar, verificando que,
se a indexação for desempenhada com maior qualidade e padrão através da política de indexação, a
biblioteca e os usuários ganharão muitos benefícios. Isso ocorre pois, através de uma boa
indexação, pode-se obter uma recuperação eficiente da informação, isto é, quando a indexação é
realizada com qualidade, os usuários conseguem recuperá-la de forma rápida e precisa, poupando o
tempo do usuário.
1° Categoria: Avaliação da política de indexação (questão 4) e participação dos bibliotecários
nesse processo de avaliação (questão 5):
As seis bibliotecas afirmaram, também, que a política de indexação de suas unidades passa
por avaliação, sendo realizada em conjunto pela equipe de bibliotecários que compõe o setor de
Tratamento da Informação. A frequência com que é avaliada varia de uma biblioteca para outra, de
seis em seis meses para uma delas (BU1), de dois em dois anos para a maioria (BU3, BU6, BU7,
BU8). Uma (BU2) não determinou tempo para a avaliação, afirmando apenas que a política é
avaliada sempre que necessário.
A avaliação da política de indexação realizada pelas bibliotecas em questão é fato
importante a ser destacado, visto que a política não é um instrumento finalizado e de tempo em
tempo deve ser revisada para verificar se ainda retrata a cultura, os valores e a missão da unidade
de informação no que concerne ao tratamento temático da informação. Nesse sentido, Galvino,
Santos e Santos (2014, p. 97) corroboram conosco ao afirmar que
nunca está pronta, ela sofre interferência da dinâmica do tempo que muda tudo. Por isso ela deve
ser avaliada periodicamente
Verifica-se que a revisão da política de indexação se faz necessária principalmente quando
há mudanças na unidade de informação, pois, segundo Nunes (2004, p. 58), a política de indexação
alterem as condições institucionais e conforme

responsável pela política de indexação deve atentar-se às revisões e alterações necessárias nesse
instrumento conforme as mudanças vão ocorrendo na instituição.
Já a respeito da participação da equipe de bibliotecários na avaliação da política de
indexação, é lícito afirmar que ela contribui de forma positiva para o aperfeiçoamento desse
instrumento nas bibliotecas pesquisadas, visto que permite uma integração de diferentes visões do

�processo de indexação, deixando de concentrar em uma única pessoa as decisões sobre as revisões,
alterações e mudanças na política.
1° Categoria: Na ausência de política de indexação, o tema é discutido entre os bibliotecários
da instituição (questão 6):
Em relação às duas bibliotecas universitárias que afirmaram não possuir política de
indexação (BU4 e BU5), quando questionadas sobre a existência de discussões a respeito do tema
com os bibliotecários da seção/setor de Tratamento da Informação, ambas afirmaram que o tema é
discutido entre a equipe de bibliotecários que executam a atividade de indexação, contudo somente
uma (BU4) afirmou que estão organizando a política de indexação a partir de debates e encontros
com a equipe de bibliotecários da instituição.
Verifica-se, com base nisso, o quão essencial são os estudos e discussões informais e
formais sobre a temática política de indexação para as bibliotecas que ainda não as possuem a fim
de orientar suas atividades de indexação. A partir desses debates, as bibliotecas podem iniciar suas
pesquisas para verificar quais serão os componentes de suas políticas de indexação, conforme
realizado pela BU4, pois cada política possui elementos específicos que retratam a singularidade de
cada biblioteca.
1° Categoria: Na ausência da política de indexação, existe outro manual de procedimentos ou
rotinas para a indexação (questão 7), esse manual é avaliado (questão 8) e os bibliotecários
participam do processo de avaliação (questão 9):
Quanto a esses questionamentos, as bibliotecas que não possuem políticas de indexação
declararam:
diferentemente desta,

(BU4) e,
ão existe um manual apenas algumas recomendações de pesquisar os

termos autorizados da bases de dados de outras instituições (BN, Bibliodata, etc.) (BU5).
Desse modo, verifica-se que, devido a inexistência de política de indexação, as bibliotecas
criaram outros mecanismos para dar suporte à indexação, porém não tão exclusivo e específico
como a política de indexação, que permite uma maior eficácia na atividade de indexação, uma vez
que esses manuais, muitas vezes, como observado no caso da biblioteca BU4, englobam também
outras orientações para outra atividade efetuada no setor de Tratamento da Informação. As
recomendações, no caso da BU5, referem-se apenas a procedimentos de controle de vocabulário,
deixando de lado outros aspectos da indexação. Ambas as bibliotecas não fazem avaliação dos seus
manuais (orientações), não permitindo que estas pequenas instruções sejam revisadas pela equipe
de bibliotecários.

�1° Categoria: Visão do setor de Tratamento da Informação sobre política de indexação
(questão 10):
Quadro 2: Visão do setor de Tratamento da Informação sobre política de indexação
Respostas
Bibliotecas
BU1
BU2
BU3
De modo geral, entende que os documentos são importantes para esclarecimentos de dúvidas
e estabelecimento de diretrizes que proporcionam a busca pela padronização pretendida no que
BU4

ação por meio da padronização das entradas de assuntos e

BU5
BU6
BU7

BU8

relacionados foram estudados, exemplificados e determinados orientando a imparcialidade,
fidelidade e coerência ao conteúdo documental. Assim, orienta os bibliotecários às
temática dos documentos de forma racional e consistente para que o usuário recupere as

Fonte: Elaborada pelas autoras (2017)

De modo geral, observou-se, conforme quadro 2, que a visão dos profissionais está de
acordo com o que versa a literatura sobre política de indexação, considerando-a um instrumento
para a padronização e orientação da atividade de indexação visando a uma execução de qualidade
da representação temática da informação. Todavia somente dois profissionais mencionaram a
recuperação da informação nas suas falas, considerando a recuperação eficaz da informação como
consequência do processo de indexação.
Com isso, verifica-se a necessidade de mais estudos sobre políticas de indexação por parte
dos profissionais que atuam nas bibliotecas com a finalidade de ampliar seus conhecimentos para
então poder vislumbrar os diversos benefícios trazidos pela política tanto para a indexação quanto,
e principalmente, para os usuários, que poderão acessar a informação por meio de uma recuperação
influenciará
.
2 ° Categoria: Tem bibliotecário exclusivo para a atividade de indexação (questão 11), e
quantos são responsável unicamente por essa atividade (questão 12):
Pode-se observar, a partir do quadro 3, que, das oito bibliotecas pesquisadas, apenas três
(37%) dispõem de profissional bibliotecário exclusivo para o desenvolvimento da indexação (BU6,
BU7 e BU8), sendo que BU6 e BU8 possuem um profissional cada e a BU7 conta com três
profissionais. Apesar do resultado ser da minoria, essa realidade nas bibliotecas é favorável para a

�indexação e traduz uma nova percepção desses ambientes, que retrata uma preocupação maior com
a execução da atividade, dando-lhe mais importância.
Entretanto, foi observado (quadro 3) que, apesar das outras bibliotecas disporem de um
número razoável de bibliotecários no setor de Tratamento da Informação (BU1 com 4, BU2 e BU3
com 10 cada, BU4 com 2 e BU5 com 5), elas não direcionam um profissional para a exercer
unicamente a indexação. Os motivos para tal fato podem ser diversos, contudo a não realização da
indexação por um único profissional ou o caso de quando um mesmo profissional realiza várias
tarefas ao mesmo tempo são situações que se traduzem muitas vezes em uma atividade executada
de modo superficial, não obtendo o aprofundamento adequado e exigido para uma indexação com
qualidade.
Quadro 3: Bibliotecas que possuem bibliotecário exclusivo para a indexação
Bibliotecas
BU1
BU2
BU3
BU4
BU5
BU6
BU7
BU8

Tem bibliotecário exclusivo
para indexação
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim

Bibliotecários responsáveis
unicamente pela indexação
0
0
0
0
0
1
3
1

Bibliotecários que realizam
indexação e outras atividades
4
10
10
2
5
0
0
0

Fonte: Elaborada pelas autoras (2017)

2 ° Categoria: Treinamentos e cursos de capacitação continuada para os indexadores
(questões 13 e 14):
Verificou-se que seis bibliotecas realizam treinamento com os bibliotecários antes de
iniciarem a atividade de indexação, no entanto apenas quatro delas informaram os tipos de
(BU1);

treinamento:
catalogação no Pergamum
Informativos

(BU3);
(BU7) e

(BU8).
Observa-se que os treinamentos não são exclusivamente para a atividade de indexação, mas
englobam instruções de forma geral das atividades relacionadas ao Tratamento da Informação,
como, por exemplo, a catalogação, manuseio de cabeçalhos de assuntos e software de
gerenciamento de bibliotecas, assim como o próprio repasse de informações através da
comunicação informal. Esses fatores vivenciados pelas bibliotecas de certa forma contrapõem e
divergem do que seria esperado, já que as quatro possuem políticas de indexação, o que nos faz

�pensar e questionar: os componentes das políticas de indexação estão de fato direcionados para
aperfeiçoar a indexação, traçando adequadamente todos os elementos necessários para subsidiar o
ato de indexar tanto para os profissionais que já estão na ativa quanto para aqueles que iniciam na
atividade?
Os resultados sobre a capacitação continuada desses profissionais foram inversos aos cursos
de treinamentos, visto que apenas duas bibliotecas (BU2 e BU7) afirmaram que dispõem de
capacitação para os bibliotecários, sendo que apenas uma citou a capacitação:
utilização do sistema Pergamum Módulo Autoridade e MARC 21

(BU7). Algumas

justificaram a ausência de capacitação principalmente por falta de recursos financeiros:
(BU1);

ituição para
(BU5); e

(BU8).
Por mais que possa haver escassez financeira, as unidades de informação devem buscar
alternativas para oferecer qualificação aos seus profissionais, tanto para a indexação quanto para
outros serviços análogos a essa atividade.
2 ° Categoria: O processo de indexação é discutido e avaliado pelos bibliotecários do setor de
Tratamento da Informação (questões 15 e 16):
Por último, foi verificado se o processo de indexação é discutido e avaliado pelos
bibliotecários. Nesse sentido, todas as bibliotecas responderam positivamente ao primeiro
questionamento (ver quadro 4), afirmando que a indexação realizada passa por debates entre a
equipe. A BU7 declarou ainda que essas discussões ocorrem
No entanto, apesar de haver discussões sobre o processo de indexação em todas as
bibliotecas, somente cinco (63%) delas (BU1, BU2, BU6, BU7 e BU8) avaliam o ato de indexar,
porém com frequências variadas. A BU1 faz uma avaliação de seis em seis meses pela equipe de
bibliotecários; na BU7 a avaliação é realiza mensalmente pela diretora da divisão e, em casos de
interferências mais rigorosas, pela diretora do sistema de bibliotecas; já a BU6 não informou de
quanto em quanto tempo é feita a avaliação, mas, quando é executada, há uma comissão de
bibliotecários que se encarrega dessa tarefa; as bibliotecas BU2 e BU8 não especificaram o tempo
de avaliação, porém a BU8 declarou que é concretizada pela equipe do setor de Tratamento da
Informação. Nas outras unidades (BU3, BU4 e BU5) não ocorre avaliação (Quadro 4).

�Quadro 4: Bibliotecas que discutem e avaliam o processo de indexação
Bibliotecas
BU1
BU2
BU3
BU4
BU5
BU6
BU7
BU8

Processo de indexação é
discutido?
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim

Processo de indexação é
avaliado?
Sim
Sim
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim

Frequência da
avaliação
Seis em seis meses
Não informou
------------Não informou
Mensalmente
Não informou

Fonte: Elaborada pelas autoras (2017)

Desse modo, constata-se que nas bibliotecas há preocupação com a atividade de indexação
por ser destinado tempo para discussão entre os profissionais que a executam. Esse posicionamento
é importante, pois, a partir dessas iniciativas, as bibliotecas criam ambientes propícios para a
revisão e atualização de suas políticas de indexação e, quando não há políticas, para a própria
elaboração destas.
Verifica-se ainda que esforços maiores devem ser dirigidos à indexação, principalmente em
respeito a sua avaliação, visto que em três bibliotecas isso não ocorre. Considera-se que somente
discutir não é o suficiente, o processo também tem que ser avaliado para verificar eventuais falhas
e consequentemente lapidar a indexação, sempre em busca da qualidade.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A indexação realizada pelos bibliotecários, apesar de ser uma grande ferramenta de suporte
para o aperfeiçoamento da recuperação de documentos por assunto, consoante os interesses e
necessidades informacionais dos usuários, apresenta alguns entraves, principalmente pela
inexistência de política de indexação em duas (25%) das oito bibliotecas pesquisadas.
Embora as bibliotecas estejam caminhando a passos estreitos em direção à elaboração de
suas políticas de indexação, podemos considerar promissora a realidade de algumas bibliotecas
universitárias principalmente nas regiões Norte e Nordeste no que concerne à busca por mais
qualidade na realização da indexação, visto que 75% das bibliotecas pesquisas já dispõem de
políticas para orientar e padronizar o processo.
Esta pesquisa procurou retratar um panorama da realidade de algumas bibliotecas
universitárias das regiões Norte e Nordeste do Brasil em relação a Tratamento Temático da
Informação, mais precisamente a indexação, destacando que esforços estão sendo direcionados ao
aperfeiçoamento dessa atividade, pois, mesmo naquelas bibliotecas em que não há políticas de

�indexação, o assunto é discutido e existem outros manuais para orientar a indexação, bem como
aproximadamente 63% das bibliotecas avaliam o ato de indexar e 37% dispõem de profissional
bibliotecário exclusivo para o desenvolvimento da indexação.
Contudo, torna-se imprescindível que as bibliotecas universitárias planejem e implantem
no caso daquelas que ainda não têm, como visto nesta pesquisa (duas bibliotecas, 25%) , revisem
e atualizem

no caso das que já possuem (seis bibliotecas, 75%)

suas políticas de indexação com

a finalidade de conduzir o adequado processo de indexação, permitindo disponibilizar com
qualidade, presteza e praticidade as informações sobre os seus documentos nos catálogos,
aprimorando a recuperação da informação e, consequentemente, suprindo, dessa forma, as
expectativas e necessidades de pesquisa de seus usuários.

REFERÊNCIAS
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documentos - determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação. Rio de Janeiro,
1992. Disponível em: &lt;https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id= 248003&gt; Acesso
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S. L. (Org.). Política de indexação para bibliotecas: elaboração, avaliação e implantação.
Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2016. Disponível em:
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16 nov. 2016.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Tema: O Futuro da Biblioteca Universitária na Perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão.</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>A política de indexação padroniza os serviços realizados pelos bibliotecários na indexação. O objetivo geral deste estudo é discutir a importância da atividade de indexação e da utilização de políticas de indexação em bibliotecas universitárias federais, mais especificamente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tendo como objetivos específicos identificar a existência de manuais e/ou políticas de indexaçãonessas bibliotecas e verificar se a indexação é discutida e avaliada. Utilizou-se como instrumento de pesquisa um questionário eletrônico semiaberto através da ferramenta Google Drive, o qual foi encaminhado às bibliotecas universitárias federais através de e-mail captado nos sites das próprias bibliotecas. Os dados foram analisados conforme a técnica da Análise de Conteúdo. Como resultado, pôde-se considerar promissora a realidade de algumas bibliotecas universitárias nas regiões Norte e Nordeste quanto à busca por mais qualidade na realização da indexação, visto que 75% das bibliotecas pesquisadas já dispõem de políticas de indexação para orientar e padronizar esse processo. Dessa forma, verificou-se que esforços estão sendo direcionados ao aperfeiçoamento da indexação a fim de que as necessidades de pesquisa dos usuários sejam supridas de forma eficiente.</text>
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