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PADRÃO MARC 21 E CATALOGAÇÃO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS DE SÃO LUIS/MA
Silvana Maria de Jesus Vetter 1, Leonardo Pinto Araujo 2
lMestre, Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão
2Graduado, Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão

Resumo
Estudo sobre o padrão MARC 21 e a catalogação em Bibliotecas
Universitárias de São Luís/MA. Possui característica descritiva e explicativa e se
desenvolve a partir de: pesquisa bibliográfica para a fundamentação teórica e
pesquisa de campo, na qual utiliza como instrumento a entrevista estruturada
realizada com os bibliotecários das cinco Bibliotecas Universitárias envolvidas,
sendo três de instituições públicas e duas de instituições privadas. Apresenta como
objetivo : refletir sobre o padrão MARC 21 enquanto ferramenta de auxílio no
processo de catalogação de diversos registros do conhecimento e verificar a relação
das Bibliotecas Universitárias de São Luis com esse padrão, a partir do ponto de
vista dos bibliotecários que nelas atuam . Discorre a respeito do padrão MARC,
abordando desde sua origem (Projeto MARC pela LC) nos Estados Unidos ao
MARC 21 utilizado internacionalmente. Constata que nem todas as Bibliotecas
Universitárias integrantes da pesquisa utilizam softwares baseados no padrão
MARC 21 para a catalogação de suas obras e que os bibliotecários que nelas atuam
procuram formas de atualizar seus programas, mas, demonstraram ter pouco
conhecimento a respeito do padrão MARC. Conclui que é necessária uma
capacitação efetiva dos bibliotecários das Bibliotecas pesquisadas, para o uso desse
padrão , que é utilizado por muitas instituições, principalmente porque facilitam o
compartilhamento de dados bibliográficos, permitindo, desse modo, a agilidade nos
serviços e evitando a duplicação de trabalho.

Palavras-Chave:
Catalogação; Padrão MARC 21 ; Bibliotecas Universitárias de São Luis/MA.

Abstract
Study on the standard MARC 21 cataloging and University Libraries in São.
Luis/MA. It has characteristic descriptive and explanatory and develops from:
bibliographical research for the theoretical and field research , which uses as an
instrument structured interview conducted with the librarians of the five university
libraries involved, and three public institutions and two institutions private. Its
objective : to reflect on the MARC 21 standard as a tool to aid in the process of
cataloging records of several of knowledge and the relation of the University Libraries
in São Luis with this standard, from the standpoint of librarians who work in them . It
talks about the MARC standard, addressing since its inception (Project MARC by LC)
in the United States to the MARC 21 used internationally. Notes that not ali members
of the research university libraries use software based on standard MARC 21 for
cataloging of his works and that the librarians who serve them are seeking ways to

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upgrade their programs, but have demonstrated little knowledge about the MARC
standard . Concludes that effective training is required of librarians of libraries
surveyed , for the use of this standard , which is used by many institutions, especially
in facilitating the sharing of bibliographic data, allowing thereby the agility in services
and avoiding duplication of work.

Keywords:
Cataloging ; MARC 21 Standard; University Libraries of São Luis/MA.

1 Introdução
A catalogação - processo que descreve o documento para identificá-lo entre
tantos outros, mantendo suas características individuais e ao mesmo tempo
possibilitando sua relação com outros documentos - tem como objetivo atender às
necessidades do usuário no que se refere à recuperação da informação disponível
em diversos registros do conhecimento, independente do tipo, forma, meio ou
suporte em que se encontra . Tal objetivo mostra os novos caminhos que a
catalogação vem trilhando, passando pela descoberta dos primeiros catálogos em
tabletes de argila a 4000 a.C. aos padrões automatizados utilizados neste século
XXI.
Partindo desse pressuposto, e, com a propagação das tecnologias de
informação e comunicação é exigido das bibliotecas, em especial as Universitárias,
a adoção de padrões - como o Machine Readable Cataloging (MA RC), por exemplo
- para a representação descritiva de suas coleções. Uma vez que as práticas
biblioteconômicas mais tradicionais, centradas na organização e tratamento técnico
de registros em meio impresso, não estão conseguindo atender às necessidades
dos usuários que passaram a demandar serviços e produtos praticamente no
momento em que são produzidos.
Nessa perspectiva, estudos que explorem a temática catalogação em
bibliotecas e padrões de descrição como o MARC 21 , no Brasil, são necessários por
contribuírem com reflexões em torno das vantagens e benefícios que o uso desses
padrões pode trazer às bibliotecas e demais unidades de informação. A pesquisa
pauta-se nas seguintes indagações: Qual a origem do padrão MARC, como ele
funciona e de que forma ele pode auxiliar no processo de catalogação de diversos
registros do conhecimento? As Bibliotecas Universitárias de São Luis utilizam o
padrão MARC 21 para a catalogação de suas coleções? Em caso negativo, que
padrões, softwares etc. utilizam para esse fim? Os bibliotecários conhecem o MARC
21 e estão preparados para o seu uso?
Considerando que o MARC 21 é um dos padrões mais utilizados no mundo
para o compartilhamento de recursos bibliográficos entre bibliotecas, este artigo
fundamenta-se em obras de autores como Zafalon, (2010); Mey e Silveira (2009) ;
Modesto (2007); Furrie, (2000) entre outros estudiosos desta temática . Tem por
objetivo geral: refletir sobre o padrão MARC 21 enquanto ferramenta de auxílio no
processo de catalogação de diversos registros do conhecimento e verificar a relação
das Bibliotecas Universitárias de São Luis/MA com esse padrão, a partir do ponto de
vista dos bibliotecários que nelas atuam . E, como objetivos específicos: enfatizar as
contribuições e influências do MARC 21 para o desenvolvimento de novas
ferramentas de descrição, tendo em vista a recuperação da informação em

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bibliotecas; verificar se as Bibliotecas Universitárias envolvidas na pesquisa utilizam
o padrão MARC 21, e, em caso de resposta negativa, que outros tipos de padrões,
softwares etc. utilizam na descrição das obras de seu acervo, tendo por base as
respostas obtidas em entrevista com os bibliotecários dessas instituições.
Inicia-se por apresentar a origem do MARC, bem como o seu
aperfeiçoamento ao longo dos tempos. Prossegue-se com os materiais e métodos
adotados, seguidos dos resultados obtidos a partir da pesquisa de campo e das
considerações finais do estudo.

2 Revisão de Literatura
A origem do padrão Machine Readable Cataloging (MARC) - no Brasil,
conhecido como registro bibliográfico legível por computador, como informa Zafalon
(2010) - se deu nos Estados Unidos por volta dos anos 1960, quando a Library of
Congress (LC) - que comercializava fichas catalográficas para várias bibliotecas desenvolveu o Projeto MARC com o objetivo de armazenar, em computadores,
informações bibliográficas referentes a diversos tipos de registros do conhecimento,
no intuito de automatizar o processamento técnico . Tal fato representa a transição
da catalogação manual, feita em fichas, para a catalogação realizada por meio de
computador (MEY; SILVEIRA, 2009 ; FURRIE, 2000).
Esse período é marcado pelo desenvolvimento de recursos computacionais,
que exercem influência em vários setores, principalmente no que se refere à
produção e disseminação de informação, onde mudam-se as formas e os suportes
para registros do conhecimento, que passam a envolver o impresso, o vídeo e o
sonoro, contribuindo, dessa forma, para o aumento da demanda dos usuários. Por
isso, as bibliotecas, em especial as universitárias, devido ao público que atende ter
necessidades informacionais em diversas áreas, procuram agregá-los ao seu
acervo .
Tal situação criou a necessidade de discussões em torno do processamento
técnico desses registros, com o objetivo de facilitar a recuperação das informações
neles disponíveis e dar mais autonomia aos usuários de bibliotecas e demais
unidades de informação no momento da busca. Assim , em 1961, em Paris, foi
realizada a Conference on Cataloguing PrincipIes (Conferência Internacional sobre
Princípios de Catalogação), mais conhecida como Conferência de Paris, onde a LC
apresentou um sistema que utilizava números curtos, letras e símbolos dentro do
registro bibliográfico, que ficou conhecido como formato LC MARC, o qual evoluiu
para o formato bibliográfico USMARC (SANTOS ; CORRÊA, 2009 ; MEY; SILVEIRA,
2009; FURRIE , 2000).
Considerado um acrônimo de MAchine-Readable Cataloging, o MARC,
conforme descreve a Library of Congress (apud ALVES; SOUZA, 2007, p. 25), tratase de "[. .. ] um conjunto de padrões para identificar, armazenar e comunicar
informações bibliográficas em formato legível por máquina [ ...]" isso, no intuito de
que computadores e programas diversos reconheçam , processem e criem pontos de
acesso dos elementos que compõem a descrição bibliográfica.
A partir daí, outras reuniões foram realizadas, mas a Conferência de Paris,
conforme explicitam Santos e Corrêa (2009 , p. 22), ''[. .. ] é considerada a precursora
da padronização das entradas, mais tarde denominadas pontos de acesso, e dos
cabeçalhos das obras existentes passíveis de serem catalogadas." Paralelamente
ao estudo do MARC, um grupo de escolas e universidades de Ohio foi formado para

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estudar a informática no âmbito da cooperação entre bibliotecas, o que deu origem,
em 1967, ao Ohio College Library Center, que mais tarde foi denominado Online
Computer Library Center (OClC).
Na realização da 43 Conferência sobre Catálogos Mecanizados foi discutido o
formato MARC 11 , onde foram apresentados caracteres gráficos para dados
bibliográficos e uma estrutura para um sistema MARC operacional. Em 1968, a lC
publicou um relatório sobre sua experiência , que mais tarde passou a ser
operacionalizada em todas as monografias em língua inglesa, que ela mesma
catalogou . Essa experiência acabou se estendendo e foi implantada para testes em
outras instituições, fazendo com que as fichas impressas fossem substituídas pela
descrição feita em fitas magnéticas. Com isso, o MARC 11 passou a ser considerado
como uma linguagem padrão para o intercâmbio de informações bibliográficas, e,
diversos países começaram a desenvolver seus próprios formatos, baseados nele, a
exemplo do ANNMARC (Itália); AUSMARC (Austrália) ; CANMARC (Canadá);
CATMARC (Espanha/Barcelona , Catalunha) ; FINMARC (Finlândia); HUNMARC
(Hungria) ; IBERMARC (Espanha); INDIMARC (índia); INTERMARC (França) ;
JPNMARC (Japão); LibrisMARC (Suécia); MAB (Alemanha); RUSMARC (Rússia) ;
UKMARC (Reino Unido), entre outros que possibilitaram agilidade e otimização no
processo de descrição bibliográfica.
No Brasil, na década de 1970, desenvolveram-se estudos relacionados ao
projeto Catalogação legível por Computador (CALCO) , baseados no MARC 11 ,
merecendo destaque a dissertação defendida por Alice Príncipe Barbosa que tinha
como objetivo a transformação do Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC) em
uma central de catalogação automatizada (MEY; SilVEIRA, 2009). Esses estudos
evoluíram para o Formato de Intercâmbio Bibliográfico e Catalográfico, conhecido
como Formato IBICT, por ter sido criado pelo Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT), antes denominado Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentação (IBBD) . Isso se constituiu em mais um passo na conscientização da
comunidade para a necessidade de padronização e do trabalho cooperativo
(MODESTO, 2007)
De acordo com Mey e Silveira (2009), em 1980, inúmeras bibliotecas já
estavam aderindo aos formatos, gerando uma rede que foi coordenada pelo IBICT e
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), chamada Bibliodata/CAlCO, a qual, após ter
deixado o formato CALCO e passado a utilizar o formato USMARC, mudou seu
nome para Rede Bibliodata (entre 1994 e 1996), abrangendo, hoje,
aproximadamente 1 milhão e 800 mil registros e congregando 34 instituições
cooperantes. Esta Rede tornou-se compatível com sistemas internacionais de
intercâmbio de registros bibliográficos, a partir do momento em que adotou como
padrões as AACR2R e o formato MARC 21 .
Dessa forma , a Rede Bibliodata vem contribuindo cada vez mais para a
padronização da catalogação no Brasil , respeitando às normas internacionais e os
meios de difusão. Outra iniciativa brasileira que merece destaque nessa área é o
Sistema de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBI/USP), o qual tem se
demonstrado de grande relevância no trabalho em prol de padronização na
descrição bibliográfica, com um considerável número de registros e bibliotecas
cooperantes.
Apesar das diversas iniciativas desses países, em prol de uma catalogação
mais organizada voltada para as suas realidades, a necessidade de um padrão
internacional se intensificou, pois a variedade de formatos fez com que divergências

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fossem surgindo e dificultassem a comunicação entre as bibliotecas. Algo que pode
ser comprovado nas palavras de Almeida (2010) a qual enfatiza que assim como o
CALCO tornou-se obsoleto para a rede Bibliodata , o USMARC, utilizado pela Library
of Congress, passou também por transformações, resultando na sua junção com o
CANMARC utilizado pela National Library of Canada, no final da década de 1990,
formando o MARC 21.
Isso não impediu que outras derivações baseadas no MARC, que obtiveram
um nível expressivo no âmbito do intercâmbio de registros bibliográficos,
continuassem existindo, pois também serviram de base para a criação dos padrões
existentes hoje, a exemplo do Resource Description and Access (Recursos
Descrição e Acesso) (ROA) apresentado no Joint Steering Committee for Revision of
Anglo-American Cataloguing Rules, em 2005 (SANTOS ; CORRÊA, 2009).
No MARC 21 são definidos padrões para cinco tipos de dados: Bibliográfico,
Autoridade, Coleção , Classificação e Informação à Comunidade, onde os mais
usados pelos catalogadores são os registros relacionados aos dados Bibliográficos e
de Autoridades. O formato para dados Bibliográficos inclui informações sobre :
materiais impressos, materiais manuscritos, arquivos de computador, mapas,
músicas, periódicos, materiais visuais, materiais diversos, entre outros. Estas
informações bibliográficas podem incluir, por exemplo : títulos, nomes, assuntos,
notas, dados de publicação, e informação sobre a descrição física de um item , entre
outros (FERREIRA, 2005) .
Entre os benefícios do uso de padrões nas bibliotecas para a descrição de
registros do conhecimento, Rosenberg (2001 apud VOSGRAU , 2002) destaca: a
possibilidade de transferência da base de dados de sistema para sistema; a
aquisição, por meio de compra, de registros prontos ao invés da criação de novos
registros; o barateamento dos custos e a presença de elementos de dados corretos,
o que otimiza a capacidade de importar ou exportar dado e de migrar de um sistema
para outro.
O padrão MARC 21 oferece todas essas vantagens porque possui inúmeras
finalidades , funções e características que o particularizam . Atualmente é utilizado em
várias bibliotecas nacionais e internacionais e considerado essencial para a
representação e troca de informações bibliográficas. Sua é composição envolve três
elementos: estrutura do registro, indicação do conteúdo e conteúdo propriamente
dito (ZAFALON, 2010) .
A estrutura do registro é uma implementação dos padrões internacionais
ANSI Z39 .2 e ISO 2709. As indicações de conteúdo são códigos e convenções
estabelecidos para identificar dados dentro do registro. Os conteúdos dos dados que
compõem um registro MARC geralmente são definidos por padrões externos ao
formato , como: Intemational Standard Bibliographic Description (ISBO), AngloAmerican Cataloguing Rules (AACR) , Library of Congress Subject Headings (LCSH)
entre outros. Os arquivos MARC no formato de comunicação ISO 2709 são
destinados para serem lidos por computador que, por estarem codificados, não
podem ser legíveis por um simples editor de texto (Quadro 1).

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Quadro 1 - Registro Marc
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Fonte: ALMEIDA, Maria do Socorro. Marc 21 . 2010. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16. SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS
DIGITAIS, 2., 2010. Rio de Janeiro/RJ. Informação Verbal.

Quanto ao registro bibliográfico no MARC 21 , o Quadro 2 apresenta os três
elementos principais de sua estrutura: o Líder, o Diretório e os Campos Variáveis:
Quadro 2 - Registro Marc 21 em ISO 2709
11 0 ~1 ~a!!! #22 I . #.ill4~Q, (Lider)
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00 a GV943.25$ b.B74 I 990"00$a 796.334/2$220" J OSaBremer, Rich.rd J ., Sd 194 1. 10 aMake the team . SpSoecer : $ba heods up guide to super occer! /ScRichard J.
Brenncr." ## S8 1St ed."## SaBoston : SbLittle, Brown, $cc 1990."## a 127 p. : SbiL . Scl 9
cm." ## Sa"Ulll livro ilustrado de esportes para crianças."" ##S8 JnstlUções para apri";"orar
habi lidades no futebol. Discute drible, cabeçada, jogada, defesa, condicionamcnto fi ico,
condicionamento p icológico, como lidar com problemas com técnico, pai , c outros
Jogadores, e a história do futeboL " #OSaF utebo l$vLiteratlll'a in fanto-juveni l_"# 1$aFlItebol.
" 30SaHeads up gu ide to s uper soccer." -

Fonte: MESSINA-RAMOS, Maria Angélica Ferraz. Manual para entrada de dados
bibliográficos em formato MARC 21: ênfase em obras raras e especiais. Belo Horizonte:
Ed . UFMG , 2011 .

o Líder contém informações que possibilitam o processamento do registro,
apresenta números e códigos que são identificáveis pela sua posição e
compreende as 24 primeiras posições de um registro. O Diretório apresenta uma
série de entradas de tamanho fixo, uma para cada campo variável do registro .
Cada entrada possui 12 posições e apresenta três partes: a tag ou etiqueta do
campo, o tamanho do campo e a posição inicial do campo. O Diretório vem em
seguida ao Líder e está localizado na posição 24 do registro, sendo gerado
automaticamente.
Nos Campos Variáveis, as informações do registro estão organizadas em
campos variáveis, cada um identificado por uma tag composta por três caracteres
numéricos. Esses campos se dividem em dois: campos de controle, que são os
campos OOX, os quais não contêm indicadores nem subcampos; campos de dados
que são agrupados em blocos, de acordo com o primeiro caractere da tag, onde o

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tipo de informação no campo é identificado pelos caracteres restantes da tag.
Esse campo apresenta dois tipos de designação de conteúdo : indicadores, que
correspondem às duas primeiras posições no campo de dados variáveis e são
representados por um caractere numérico ou alfabético minúsculo; códigos de
subcampos que são representados por dois caracteres que distinguem as
informações dentro do campo e apresenta um delimitador ($) e um identificador de
dados, que pode ser um caractere numérico ou alfabético minúsculo.
Em um domínio de registros MARC há uma sequência de tags, indicadores
e subcampos. Nas tags, cada domínio (campo) é associado a um número de 3
dígitos. Uma etiqueta identifica o campo e o tipo de dado que se segue. As tags
são dividas em centenas e no MARC 21 a notação XX é usada para fazer
referência a um grupo de etiquetas relacionadas. Assim, a divisão básica de uma
descrição em MARC 21 , segundo Zafalon (2010) informa, é: OXX - Informações de
controle, números e códigos; 1XX - Entrada principal ; 2XX - Título, edição ,
impressão; 3XX - Descrição física etc.; 4XX - Designação de série; 5XX - Notas;
6XX - Entradas adicionais de assunto ; 7XX - Entradas adicionais; 8XX - Entrada
adicional de série.
Quanto ao grupo 9XX, este tem sido utilizado pelas unidades de informação
conforme suas necessidades, por exemplo, como número de código de barras
para empréstimo. "A lista das etiquetas mais comuns mostra como cada etiqueta
se encaixa em uma destas divisões: 100 é uma entrada principal de autor, 520 é
uma nota de resumo, e assim por diante." (FURRIE, 2000, p. 27). Desse modo, as
etiquetas identificam os campos variáveis e são agrupadas numericamente por
função e, na lista acima, XX indica um valor numérico entre 00 e 99 . As tags ou
etiquetas mais utilizadas são : 020 - International Standard Book Number (ISBN);
100 - Entrada principal pelo nome pessoal (autor) ; 245 - Informação de título; 250
- Edição; 260 - Publicação e distribuição; 300 - Descrição física ; 440 - Título da
Série; 500 - Notas Gerais; 650 - Cabeçalho de assunto; 700 - Entrada secundária
para nome pessoal (ZAFALON, 2010 ; RIBEIRO, 2006) .
No que se refere aos pontos de acesso, Furrie (2000) explica que a maioria
deles está presente nos campos: 1XX (entrada principal) ; 4XX (série); 6XX
(cabeçalhos de assunto); 7XX (entradas secundárias, exceto assunto e série) e
8XX (entrada secundária de série).Tais campos são sujeitos ao controle de
autoridade, isto é, os dados que os compõem não são elaborados aleatoriamente,
pois são retirados de listas de cabeçalhos oficiais. Exemplificando a entrada
principal para um nome pessoal, tem-se a etiqueta 100, sendo que o primeiro
dígito 1 representa o agrupamento principal e o segundo e terceiro dígitos O,
representam o agrupamento de nome pessoal. Caso o ponto de acesso principal
fosse uma entidade a etiqueta seria 110 e assim por diante.
Quanto aos indicadores, estes são representados por duas posições após
cada tag. Em alguns domínios, só a primeira ou a segunda posição é usada.
Quando a posição de um indicador não é utilizada, o mesmo é referido como
"indefinido", por convenção, representado com um indicador branco, ou com o
caractere "#". O primeiro indicador de valor 1 no campo título indica que deve
haver uma entrada de título separada para inscrição no catálogo. O segundo
indicador mostra o número de caracteres no início do campo (incluindo espaços) a
serem ignorados pelo computador no processo de triagem e depósito.
Exemplificando, tem-se, no Quadro 3 um registro representado em ficha
catalográfica tradicional e, em seguida, o mesmo registro em padrão MARC 21 :

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padrões e protocolos (Z39.5, XML, etc.) e demais temas relacionados
Trabalho completo

Quadro 3 - Descrição em ficha catalográfica tradicional
Receitas Caseiras 11 / Regina Elena Beltrão e Irmã Bernadette
(orgs.). - 5. ed . - Petrópolis, RJ : Vozes, 1995.
207 p.: il.
Inclui glossário e índice .
ISBN 85-326-0768-3
1. ASSUNTO . I. Fonseca, Regina Elena Beltrão, coord.. 11.
Bernadette, irmã, coord.
Fonte : Adaptação de Mey (2003)

Exemplo de registro representado em MARC 21 a partir da obra de Mey
(2003) :
020 [##) $a 8532607683 (broch .)
041 [0#) $a por
245 [00) $a Receitas caseiras II1
$c Regina Elena Beltrão e Irmã Bernadette (orgs.)
250 [##) $a 5. ed .
260 [##) $a Petrópolis, RJ :
$b Vozes ,
$c 1995.
300 [##) $a 207 p. :
$b il.
500 [##) $a Inclui glossário e índice
650 [#4) $a ASSUNTO .
700 [1#) $a Fonseca, Regina Elena Beltrão, $e coord .
700 [0#) $a Bernadette,
$c Irmã , $e coord .

Observando-se este exemplo, percebe-se que o MARC 21 apresenta um
número relevante de etiquetas, indicadores e subcampos que podem variar de
uma descrição para outra, dependendo dos dados referentes a cada obra. Desse
modo, a indicação de um campo e subcampo poderá se analisada quanto a sua
indicação na ficha de registro, variando de obrigatório representado pela letra 'M'
(mandatory) ; obrigatório, se aplicável - 'A' (applicable) e não obrigatório, mas
aplicável - 'O' (optional) . (MODESTO, 2007) . É por meio destas informações que
demonstra-se a viabilidade do MARC21 para a descrição de registros do
conhecimento, em especial em Bibliotecas Universitárias, que devem agregar em
seus acervos informações registradas em diversos tipos de formato , suportes e
meios, para várias áreas do conhecimento, com o objetivo de atender às
necessidades da comunidade acadêmica .

3 Materiais e Métodos
Esta pesquisa é caracterizada como descritiva porque dá lugar à descrição
das características de determinada população ou fenômeno (GIL, 2009) e explicativa
porque imprime explicações a respeito dos "[ .. .] 'porquês' que fundamentarão o
conhecimento científico." (GONÇALVES, 2005 , p. 99 , grifo do autor). As etapas que
permeiam o seu desdobramento incluem pesquisa bibliográfica em livros, textos etc.,

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OS quais foram estudados e utilizados na sua fundamentação teórica e estudo de
campo em Bibliotecas Universitárias de São Luís/MA, sendo três originárias de
instituições públicas e duas de instituições privadas, totalizando cinco unidades de
informação, as quais autorizaram a realização da pesquisa junto aos seus
funcionários . Sendo assim, o campo de pesquisa compreende as Bibliotecas
Universitárias que seguem, cujas informações foram obtidas a partir de consulta em
seus sites oficiais e durante a entrevista com os bibliotecários que aceitaram
responder aos questionamentos a partir do termo de consentimento livre e
esclarecido:
a) Biblioteca Central da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) - foi
instalada em 1978, no Campus Universitário Paulo VI. Incorporou
gradativamente as coleções das Unidades Isoladas das Escolas de
Engenharia, Agronomia, Administração e Medicina Veterinária da "Federal
das Escolas Superiores do Maranhão." Seu acervo é formado por livros,
periódicos, folhetos e recursos audiovisuais nas mais variadas áreas do
conhecimento humano. Seu Sistema é composto pelas bibliotecas dos
Polos de Bacabal, Caxias, Santa Inês, Balsas e Imperatriz. Oferece
serviços de empréstimo, elaboração de ficha catalográfica para
acadêmicos, com base na Classificação Decimal Universal (CDU),
comutação bibliográfica , levantamento bibliográfico e visitas orientadas,
que tem por objetivo, proporcionar aos alunos da UEMA, orientação sobre
recursos e serviços oferecidos pela Biblioteca Central, mediante
agendamento.
b) Biblioteca da Faculdade Santa Terezinha (CEST) - funciona nas
instalações do prédio da Faculdade . Possui, em sua estrutura, sala de
leitura externa , com capacidade para atender a 133 usuários por turno,
sala de leitura interna, seção de periódicos, área do acervo de livros,
multimídia e videoteca, além de salas de estudos em grupo e individual.
As informações constantes do acervo são recuperadas por meio do
sistema de gerenciamento que permite ao usuário acessar as bases locais
por autor, título e assunto, recuperando a informação on-line, através de
telas de computadores e identificando o documento no acervo, verificando
inclusive sua disponibilidade. Os sistemas têm como produtos: relatórios
por autor, título e assunto, também por tipo de material disponível na
Biblioteca, a qual também dispõe de uma rede de comunicação científica
através da Internet, permitindo o acesso remoto ás redes locais, nacionais
e internacionais, destacando-se ainda, a disponibilidade de acesso às
bases locais, através da homepage da Faculdade, além de realizar
empréstimo domiciliar.
c) Biblioteca Presidente José Sarney (UNICEUMA) - é integrante da própria
história da instituição. Foi implantada em 1990, juntamente com as
Faculdades Integradas do Centro de Ensino Unificado do Maranhão
(FICEUMA), que foram incorporando, gradativamente as coleções das
Faculdades de Filosofia, Letras, Ciências Contábeis, Econômicas,
Ciências Jurídicas e Administrativas. Amplia o seu acesso à informação
em seus mais variados suportes, com produtos e serviços que promovam
e disponibilizem informação aos discentes, docentes e funcionários do
UNICEUMA. Os principais serviços oferecidos pela biblioteca são:
empréstimo domiciliar; levantamentos bibliográficos, orientação de

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normalização de trabalhos acadêmicos, elaboração de fichas
catalográficas, orientação ao usuário, internet grátis, entre outros. O
acervo é formado por livros e materiais especiais (com acesso restrito aos
discentes e livre aos docentes e técnicos) e periódicos especializados nas
diversas áreas de atuação (acesso livre à comunidade acadêmica), que
estão relacionados nas bibliografias básicas e complementares dos cursos
de graduação e pós-graduação do UNICEUMA.
d) Biblioteca Tebyreça de Oliveira (IFMA) - presta apoio ao processo de
ensino e aprendizagem do Instituto Federal de Educação Tecnológica do
Maranhão, pois está diretamente subordinada ao Departamento de Apoio
ao Ensino. Também atua como depositária legal de todo o material
informacional produzido na instituição. Tem como usuários os discentes,
docentes e funcionários do IFMA, além de pesquisadores e técnicos. Entre
os principais serviços que oferece está o Serviço de Referência , por meio
do qual presta auxilio á comunidade usuária.
e) Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) - nasceu
entre as décadas de 1950 e 1960. Possui um projeto para o resgate de
sua história por meio de pesquisa documental e história oral, objetivando
coletar informações sobre o ano e condições em que o Núcleo iniciou suas
atividades junto à UFMA. Tem por missão: apoiar a universidade nas
funções de ensino , pesquisa e extensão, bem como preservar a
informação, possibilitando a sua recuperação e difusão, através de
serviços e produtos ofertados á comunidade acadêmica . Oferece como
serviços: atendimento aos usuanos (levantamento bibliográfico,
elaboração de ficha catalográfica e normalização), circulação; entre outros,
que visam atender às necessidades dos usuários.
O instrumento utilizado na coleta de informações foi a entrevista estruturada
com bibliotecários atuantes nessas Bibliotecas Universitárias, os quais foram
entrevistados em seus próprios ambientes de trabalho, isto é, nas bibliotecas onde
atuam e tiveram suas vozes gravadas e transcritas para a análise. A utilização da
técnica de entrevista possibilita a interação humana, pois "[ .. .] quem entrevista tem
informações e procura outras, assim como aquele que é entrevistado também
processa um conjunto de conhecimentos e pré-conceitos sobre o entrevistador,
organizando suas respostas para aquela situação [ .. .]" (SZYMANSKI et aI., 2002, p.
11 ).
Optou-se por entrevistar somente um bibliotecário de cada instituição,
considerando que nem todos se dispuseram a responder às questões, ficando o
quadro de pesquisados composto por cinco entrevistados, aos quais foram feitas as
seguintes questões: Você conhece o padrão MARC? Você o utiliza? Caso o utilize,
quais atividades você executa com ele? Na sua opinião, o padrão MARC causa
impactos significativos nas atividades desenvolvidas na biblioteca? Quais?
(Justifique sua resposta) Quais os tipos de dados que o MARC descreve em uma
instituição? O software utilizado nessa instituição passa por atualizações periódicas?
Como é feita essa atualização? Qual versão do padrão MARC é utilizada em sua
instituição? Caso não utilize o padrão MARC, que tipo de formato , padrão, programa
etc. você utiliza em sua biblioteca? Explique? Quais atividades você realiza com
esse padrão, formato , programa etc. em sua biblioteca? Que impactos o padrão,
formato , programa etc. causa nos serviços da biblioteca?

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Após coleta de informações junto aos bibliotecários, estes receberam
pseudônimos (Bibliotecário A, Bibliotecário B etc.) a fim de que não fossem
identificados, em cumprimento ao que foi explicitado no termo de consentimento livre
e esclarecido, e, as respostas foram analisadas, discutidas e comparadas com a
literatura sobre a temática, a fim de mostrar a realidade das Bibliotecas
Universitárias maranhenses em relação ao uso ou não uso do padrão MARC 21 em
seus processos técnicos.

4 Resultados Finais
Os resultados da pesquisa foram organizados a partir das indagações feitas
durante a entrevista, priorizando-se a interpretação das respostas do grupo de
bibliotecários entrevistado.
Somente dois, dos cinco bibliotecários entrevistados, informaram ter
conhecimento e utilizarem o padrão MARC, por ser "Um formato que permite a
padronização dos campos da catalogação através de números. " (Bibliotecário A) .
Informaram, também , que os softwares das instituições atendem aos padrões
presentes no MARC através dos campos para descrição de dados bibliográficos e
possibilitam que os registros sejam disponibilizados em interfaces na Web . Por meio
dessas descrições, as bibliotecas começaram a avaliar o uso do padrão para
importação e exportação de registros bibliográficos de coleções, autoridades,
classificação e informações à comunidade. Dois outros entrevistados relataram que
conhecem o padrão, mas não o utilizam porque os sistemas usados pelas
bibliotecas não são baseados no MARC e somente um entrevistado informou não ter
nenhum conhecimento acerca deste formato.
Questionou-se aos bibliotecários, que declararam utilizar o MARC como
padrão, sobre a versão adotada na biblioteca, sendo que os mesmos não souberam
dar essa informação. Vale ressaltar que, o conhecimento da versão MARC que se
utiliza é de responsabilidade do profissional e que várias tecnologias estão sendo
desenvolvidas e, com elas, padrões e linguagens de programação que servem para
complementar ou corrigir falhas nos programas já existentes. Portanto, cabe ao
profissional bibliotecário uma capacitação periódica , com relação às atualizações
disponíveis em seus sistemas, possibilitando, assim , uma melhor compreensão de
todo o seu funcionamento , inclusive dos padrões, formatos e normas que utilizam.
Considerando que o MARC 21 dá às bibliotecas a possibilidade de ''[ ... ]
adicionar informações, definir campos para uso local, atualizar informações
existentes, atribuir pontos de acesso recuperáveis [ ... ]" (DZIEKANIAK et aI. , 2008, p.
2) tendo em vista a catalogação cooperativa e sua flexibilização , é válido indagar
aqui, por que somente duas Bibliotecas Universitárias, a partir das informações de
seus bibliotecários, adotam o padrão MARC como base para softwares que utilizam?
Acredita-se que fatores como o desconhecimento do padrão, a falta de treinamento
dos profissionais que trabalham nas bibliotecas pesquisadas, bem como o pouco
interesse pelo uso do MARC contribuam para isso. Também há que se considerar o
custo da manutenção desse padrão nas bibliotecas, pois além de pessoal
capacitado, é necessária a manutenção dos computadores e a constante
alimentação do sistema .
Quando questionados a respeito das atividades executadas em softwares que
têm por base o MARC, os entrevistados responderam que realizam exportação e
importação de registros bibliográficos, de coleções, autoridades, classificação e

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informações à comunidade, porém, não foi relatado com quais bibliotecas
interoperam para a efetuação desses serviços. Tais atividades são frequentemente
realizadas por catalogadores que utilizam a versão MARC 21 , as quais garantem
melhoria na qualidade dos serviços executados pela instituição. É por esses motivos
que o MARC é definido como um padrão com múltiplas finalidades e funções , que
possibilita o intercâmbio de registros e o compartilhamento de informações entre
sistemas de gerenciamento de bibliotecas.
Ao serem indagados a respeito dos impactos significativos que o MARC
causa nas bibliotecas, três entrevistados responderam que há impactos
principalmente na padronização, na importação de dados e na catalogação,
contribuindo dessa forma para facilitar a troca de informações entre as Bibliotecas
Universitárias, em especial, àquelas que possuem uma política clara para uso do
padrão, visto que o MARC diminui o tempo que se leva na catalogação de obras e
evita a repetição de tarefas. Os outros dois bibliotecários relataram que o MARC não
causa nenhum tipo de impacto significativo na biblioteca . Isso, porque não utilizam
softwares baseados no MARC e, por acreditarem que mesmo não sendo baseados
nesse padrão esses softwares suprem as necessidades da instituição, embora não
tenham relatado se foram eles mesmos que escolheram esses programas.
A esse respeito Levacov (1997) comenta que os bibliotecários devem
participar do desenvolvimento de metaferramentas que irão possibilitar aos usuários,
com variadas habilidades computacionais, recuperarem as informações de que
necessitam, em um ambiente informacional complexo. Logo, é válido destacar que a
participação do bibliotecário na escolha do software para a instituição deve se dar de
forma efetiva, tendo em vista a melhoria na qualidade dos serviços oferecidos, e o
compartilhamento de recursos, que viabilize parcerias com outras instituições, com o
objetivo de racionalizar as operações e aumentar o acesso à informação aos
usuários. Vale ressaltar que, ao utilizar o MARC 21 a biblioteca não se torna isolada,
porque ele pode facilitar o intercâmbio com outras instituições, o que não se pode
dizer daquelas bibliotecas que utilizam outros métodos não padronizados,
aumentando, assim, o seu fluxo de trabalho.
Quanto aos tipos de dados que os padrões baseados no MARC 21 usados
nas bibliotecas descrevem, os bibliotecários informaram que eles descrevem dados
bibliográficos. E, ao serem questionados se os softwares utilizados pelas instituições
passam por atualizações periódicas, três bibliotecários responderam que sim ,
justificando que "Essas atualizações servem para reparar algumas falhas, sem falar
de sugestões de alterações que são encaminhadas ao setor responsável pelas
atualizações." (Bibliotecário B) . Também informaram que ao adquirirem o software
para a biblioteca, o fizeram por um contrato de manutenção, no qual o fornecedor do
programa se comprometeu em fornecer e informar sobre as atualizações
disponíveis. Enquanto isso, dois entrevistados declararam que os softwares das
bibliotecas onde trabalham "[.. .] não são atualizados há um bom tempo"
(Bibliotecários C e E) , porém, não revelaram o porquê dessa desatualização,
embora tenham sido indagados sobre isso. Tal fato que pode acarretar, nas
bibliotecas, vários problemas relacionados aos serviços e às atividades que
oferecem aos usuários.
Corroborando com o assunto, Rowley (2002) afirma que a política de
comercialização de softwares inclui venda de licença de uso e o contrato de
manutenção que garante a sua atualização com as novas versões. De posse dessas
licenças e contratos, as instituições não correm o risco de defasagem dos seus

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programas, pois as atualizações permitem um pleno funcionamento da biblioteca de
modo geral. Dessa maneira, pode-se inferir que os profissionais das instituições
cujos programas estão desatualizados, ou não participaram diretamente da compra
dos softwares ou desconhecem seus direitos e deveres enquanto consumidores de
produtos dessa natureza, pois, como afirma Dziekaniak et aI. (2008, p. 9), ''[. .. ] há
sistemas comerciais que [ .. .] oferecem nada mais é do que uma máscara [ ... ]",
portanto o bibliotecário deve interessar-se por obter o máximo de informações a
respeito do fornecedor e do software que está adquirindo para a sua biblioteca.
Foi perguntado aos bibliotecários a respeito do tipo de formato, padrão,
programa etc., usado pelas bibliotecas que não utilizam o MARC. Os entrevistados
responderam que os softwares são todos customizados, atendendo às necessidades
das mesmas. Como exemplos citaram o Sistema CIAAB, criado pela própria
instituição, o SCB - Sistema de Controle da Biblioteca e o TOTVS - uma empresa
de softwares na área da educação. Complementando a essa pergunta, questionouse sobre as atividades realizadas por estes padrões, formatos e programas
utilizados nas bibliotecas, sendo que os entrevistados responderam que tais
atividades correspondem a: cadastro de livros e usuários, indexação de materiais
bibliográficos, serviços de circulação, relatórios , confecção de etiquetas, consultas
ao acervo, dentre outros. O uso desses tipos de softwares vem aumentando,
conforme comprova Lima (1999, p. 318), quando afirma que a tendência inicial de se
utilizar programas comerciais adaptados à biblioteca tem dado lugar ''[. .. ] ao
desenvolvimento e aperfeiçoamento de novos softwares que correspondem às
expectativas dos profissionais e usuários, contribuindo para o aumento do número
de bibliotecas e centros de informação automatizados."
Ao serem indagados sobre quais impactos esses padrões, formatos ou
programas causam nos serviços da biblioteca, os entrevistados responderam que "O
software supre as necessidades relacionadas aos serviços básicos, facilitando a
operacionalização de todo o sistema." (Bibliotecário O) . A ideia de que os sistemas,
não baseados no MARC, existentes nas bibliotecas suprem perfeitamente suas
necessidades mostra que não há interesse imediato por parte das instituições e dos
profissionais que nelas atuam, em aderir ao MARC 21 , que hoje têm como objetivo a
padronização e interoperabilidade, talvez até por desconhecerem essa principal
função do padrão.
As informações aqui apresentadas levam à reflexão de que, apesar do padrão
MARC 21 ser uma ferramenta muito utilizada em diversas bibliotecas brasileiras e
também mundiais, no estado do Maranhão, especificamente em São Luis, poucas
bibliotecas fazem uso dele, seja pelo desconhecimento do mesmo, pelo custo ou
pela falta de treinamento dos profissionais em relação a esses aparatos
tecnológicos.

5 Considerações Finais
Por meio da entrevista realizada com os bibliotecários, observou-se que o
MARC 21, mesmo sendo reconhecido pela literatura científica como uma ferramenta
de grande auxílio para a catalogação, não é usado em todas as instituições
pesquisadas. Algo que também não pode deixar de ser retomado é o fato de haver
bibliotecários - atuando em Bibliotecas Universitárias - que desconhecem o padrão
MARC, pois sendo essas unidades de informação as maiores usuárias do padrão ,
torna-se difícil entender tal constatação. O fato de alguns softwares usados por

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algumas bibliotecas pesquisadas não passarem por atualização, também é um
ponto que merece ser revisto, pois isso não se justifica, considerando-se que uma
biblioteca não deve investir na criação e/ou utilização de sistemas, softwares que
não sigam as tendências atuais e padrões para a descrição de dados existentes em
diversos registros do conhecimento. Além disso, há que se considerar, que o
mercado oferece softwares já testados, elaborados a partir do padrão MARC,
bastando a instituição escolher o mais adequado para as suas necessidades.
Detectou-se, também, que apesar das diversas ações em prol de uma
catalogação cooperativa , em São Luis, algumas das Bibliotecas Universitárias
pesquisadas ainda utilizam softwares individuais, o que dificulta a interoperabilidade
com outras bibliotecas, e as mantêm isoladas, aumentando seu fluxo de trabalho e,
de certa forma , os custos com a catalogação. Embora os custos com o MARC ainda
sejam elevados, em relação a outros padrões, formatos, softwares, sistemas etc ele
é o que mais oferece vantagem, principalmente em relação à troca de registros
(importação e exportação) entre bibliotecas, o que diminui a duplicidade de trabalho.
Quanto ao desconhecimento dos profissionais a respeito do formato MARC,
sugere-se que as Bibliotecas Universitárias de São Luis providenciem ou facilitem
aos seus funcionários a participação em cursos de reciclagem, inclusive, na
modalidade a distância, o que diminuiria os gastos com deslocamentos e, também
propiciaria ao bibliotecário formação continuada sem se afastar do trabalho. Em
suma, apesar dos resultados terem demonstrado alguns pontos negativos, o ponto
positivo é que de certa forma, as Bibliotecas Pesquisadas estão em busca de
melhoria da qualidade dos serviços e produtos que oferecerem , tendo em vista a
plena satisfação das necessidades informacionais de seus usuários. Um exemplo
disso são as atualizações que ocorrem nos sistemas de algumas delas.
6 Referências
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BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16. SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE
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computador. Brasília: Thesaurus, 2000.

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GONÇALVES, Hortência. Manual de metodologia da pesquisa científica. São
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MEY, Eliane Serrão Alves. Não brigue com a catalogação. Brasília: Briquet de
Lemos/Livros, 2003.
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MODESTO, Fernando. Panorama da catalogação no Brasil: da década de 1930 aos
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BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 22 ., 2007,
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <elementText elementTextId="51397">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="51398">
                <text>Tema: A biblioteca universitária como laboratório na sociedade da informação.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Estudo sobre o padrão MARC 21 e a catalogação em Bibliotecas Universitárias de São Luís/MA. Possui característica descritiva e explicativa e se desenvolve a partir de: pesquisa bibliográfica para a fundamentação teórica e pesquisa de campo, na qual utiliza como instrumento a entrevista estruturada realizada com os bibliotecários das cinco Bibliotecas Universitárias envolvidas, sendo três de instituições públicas e duas de instituições privadas. Apresenta como objetivo: refletir sobre o padrão MARC 21 enquanto ferramenta de auxílio no processo de catalogação de diversos registros do conhecimento e verificar a relação das Bibliotecas Universitárias de São Luis com esse padrão, a partir do ponto de vista dos bibliotecários que nelas atuam. Discorre a respeito do padrão MARC, abordando desde sua origem (Projeto MARC pela LC) nos Estados Unidos ao MARC 21 utilizado internacionalmente. Constata que nem todas as Bibliotecas Universitárias integrantes da pesquisa utilizam softwares baseados no padrão MARC 21 para a catalogação de suas obras e que os bibliotecários que nelas atuam procuram formas de atualizar seus programas, mas, demonstraram ter pouco conhecimento a respeito do padrão MARC. Conclui que é necessária uma capacitação efetiva dos bibliotecários das Bibliotecas pesquisadas, para o uso desse padrão, que é utilizado por muitas instituições, principalmente porque facilitam o compartilhamento de dados bibliográficos, permitindo, desse modo, a agilidade nos serviços e evitando a duplicação de trabalho.</text>
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