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                  <text>Educação de usuários e competências informacionais
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OS BIBLIOTECÁRIOS DO SISTEMA INTEGRADO DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
FACE À EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS
Sandra Maria Neri Santiago 1
1 Mestre em Ciência da Informação, Especialista em Gestão em Unidades de Informação

pela UFPB. Bibliotecária da UFPE, Recife, PE .

Resumo
Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo, com abordagem
quali-quantitativa que delineou como objetivo geral analisar as práticas de educação
de usuários existentes nas Bibliotecas que compõem o SIB/UFPE. A população
pesquisada foi composta por 12 bibliotecários com cargo de direção e coordenação
das Bibliotecas do SIB/UFPE. Os resultados demonstraram que a representatividade
de atividades de educação de usuários nas Bibliotecas do SIB/UFPE está voltada
para a informalidade, carecendo de ajustes para alcançar os desejos informacionais
dos seus usuários bem como ratifica a necessidade de implantar uma política de
educação de usuários, para direcionar o serviço.
Palavras-Chave:
Biblioteca universitária; Estudo de usuários; Educação de usuários.;Programas de
educação de usuários.
Abstract
This work is an exploratory, descriptive, quali-quantitative case study whose aim was
to analyze the user education practices existing in the Libraries of the SIB/UFPE. The
research population was composed of 12 librarians in charge of direction and
coordination of the SIB/UFPB Libraries. The results of the study showed that the
representativeness of user education activities in the SIB/UFPE Libraries is geared
towards informality, requiring adjustments in order to reach the users' informational
desires. The results also confirmed the need to implement a user education policy to
direct the service.
Keywords:
University library; User study; User education ; User education program o
1 Introdução
O usuário é considerado um elemento essencial e fundamental na concepção,
avaliação, enriquecimento, adaptação, estímulo e funcionamento de qualquer
unidade de informação, no caso específico a biblioteca universitária . Esse indivíduo
tem se constituído na razão de ser da unidade. Nos dias atuais, os usuários
possuem diferentes necessidades e adotam novos comportamentos frente aos
modernos recursos para obtenção da informação. Destarte, é primordial que a
biblioteca organize, planeje e desenvolva ações que visem à interação e a

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capacitação de seus usuários para o devido uso das ferramentas e/ou recursos
disponibilizados.
Educação de usuários de bibliotecas deve ser compreendida de um modo
geral, como um conjunto de atividades que proporcionam ao usuário um novo
modelo de comportamento frente ao uso da biblioteca e que revela aptidões para
interagir continuamente com o sistema de informação. Assim, entendemos que cabe
aos bibliotecários a responsabilidade de desenvolver atividades no âmbito da
educação de usuário, tendo em vista que estas são consideradas elementos
essenciais na atuação desses profissionais conscientes do papel de agente social
que lhes é atribuído na atual era da informação.
Atuando como profissional da informação, em uma das Bibliotecas do
Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal de Pernambuco
(SIB/UFPE), a Biblioteca Central (BC) , sentimos a importância de realizar uma
pesquisa (SANTIAGO, 2010) que traçou como objetivo analisar as práticas de
educação de usuários existentes nas Bibliotecas que compõem o SIB/UFPE.

2 Educação de usuários
No Brasil, a temática educação de usuanos é abordada sob diferentes
expressões ou terminologias, a saber: educação de usuários, orientação de
usuários, orientação bibliográfica , pesquisa bibliográfica, instrução e/ou treinamento
de usuários (BELLUZZO, 1989; CÓRDOBA GOZÃLEZ, 1998; DIAS; PIRES, 2004;
MENDES; PEREIRA, 2008; SILVA, 1996).
Dias e Pires (2004, p. 38) conceituam a educação de usuários como o ''[. .. ]
processo pelo qual o usuário interioriza comportamentos adequados em relação ao
uso da biblioteca e desenvolve habilidades de interação permanente com sistemas
de informação". Esse processo de educação pode ser visto como algo permanente,
amplo e duradouro, onde nós o traduzimos como uma significante autonomia do
usuário em relação a qualquer tipo de unidade de informação, em questão, a
biblioteca universitária. Desta forma, a educação de usuários propicia uma relação
de interação entre a biblioteca e os usuários, com a finalidade de projetar esforços
para possivelmente atingir um número considerável de indivíduos que possam
utilizar de forma efetiva e eficaz os serviços e produtos oferecidos pela biblioteca .
Na perspectiva de Belluzzo (1989), a educação de usuário consiste numa das
funções em evidência da moderna biblioteca universitária. Independente da forma de
educação que é realizada seja de modo direto ou indireto, formal ou informal; o
importante nesse processo é atentar para os cuidados especiais que devem ser
direcionados a cada caso, tendo em vista o nível e propósitos dos usuários
envolvidos.
Para Mello (2010), a sensibilização e a educação formal e informal no âmbito
de uma biblioteca, bem como em outros segmentos que lidam com a informação,
têm sido apontada, como uma linha de atuação cada vez mais necessária no
atendimento ao usuário. Para o autor, este segmento, realizado na maioria das
vezes de maneira informal e não institucional, tem procurado levar ao usuário a
importância da biblioteca, do seu espaço, acervo e uso, o acesso à informação,
formas de obtenção dos documentos, normalização de referências, diretrizes para
elaboração de trabalhos científicos e tantos outros tópicos que variam de acordo
com as características da instituição, serviços e/ou produtos oferecidos pelas
bibliotecas à comunidade de usuários. Diante desse contexto, o bibliotecário assume

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um novo papel , o de educador, não aquele que tradicionalmente cumpre o seu
legado, ensinando nos cursos de graduação ou pós-graduação, mas conforme
Cuenca, Noronha e Alvarez (2008 , p. 46) , "aquele que capacita os usuários a se
tornarem permanentemente autônomos para fazer suas buscas nos sistemas de
informação de forma eficiente e, sobretudo, eficaz".
Segundo Oliveira (2010), a formação de usuários trata de processos
educativos que propiciam um melhor conhecimento e desenvolvimento de atitudes e
habilidades na utilização dos recursos, dos serviços e das fontes informacionais
constantes nas bibliotecas e centros de informação, integrando-os para empregá-los
tanto no desenvolvimento pessoal como na vida profissional desses. No momento
em que os usuários desenvolvem suas habilidades de uso dos instrumentos de
referência, conhecem os recursos, serviços e fontes informacionais constantes nas
bibliotecas e centro de informação, podem usufruí-los de forma mais eficaz.
Conseqüentemente, eles serão os grandes beneficiados, pois estarão melhor
preparados para tomar decisões, solucionar problemas e, até mesmo alocar
recursos de forma mais vantajosa.
Conforme os ensinamentos de Naranjo Vélez (2005), a educação ou formação
de usuários compreende um processo em que os indivíduos permanecem em
constante desenvolvimento e que sua formação ocorre tanto no campo intelectual,
como no espiritual e afetivo. Essa formação se manifesta desde o interior do sujeito ,
que se mostra como um ser autônomo e livre, cultivando a razão e sensibilidade,
influenciado pela cultura , aprendizagem e sociedade. Assim , entendemos a
educação de usuários como uma atividade de suma importância nas unidades de
informação, no caso específico a biblioteca universitária, bem como também relatam
os trabalhos de Almeida (2000) , Bidart Escobar, Gamarra Castro e Cortellezzi
(2005), Canchota e García (2010), Carvalho (2008), Costa (2000), Silva (1996),
Souto (2004) entre outros.
Na ótica de Monfasani e Cruzei (2006, p. 35), a formação de usuário se
constitui em : "todo esforço para orientar o leitor, individual ou coletivamente, para
que use de maneira eficaz os recurso e serviços que oferece a biblioteca e utilize de
forma adequada a informação". Esse esforço se efetiva em ações nas quais a
biblioteca desempenha um papel educacional e o bibliotecário atua como educador,
preparando e capacitando os usuários para um processo qualificado de busca ,
acesso e uso da informação.
Naranjo Vélez (2005, p. 48) afirma que: "quando o usuário recebe uma
formação que tem significado para ele, é mais factível obter na unidade de
informação, um uso ótimo dos serviços e recursos como também da informação em
geral". No processo de formação de usuários, é de suma importância capacitar os
indivíduos para que melhorem suas habilidades básicas e tenham uso proveitoso
das ferramentas de busca da informação, de maneira que possam através desse
reconhecer suas necessidades, e realizarem uma busca completa, definindo o tema
e formulando devidamente a demanda informativa.
A literatura nos aponta que é oportuno lembrar sempre da necessidade de se
oferecer ao usuário algum tipo de treinamento, tendo em vista a subutilização das
bibliotecas e de seus recursos que é motivada pelo despreparo e pouca experiência
quanto ao uso da informação, pela falta de hábito em freqüentá-Ia e pelo
desconhecimento dos serviços que ela oferece. Nesse contexto, Dias e Pires (2004)
e Oliveira (2010) mencionam treinamento de usuários como um elemento integrante
do processo de educação , abrange ações e/ou estratégias para o desenvolvimento

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de determinadas habilidades dos usuários que, por desconhecimento de situações
específicas ou recursos informacionais de uso da biblioteca, necessitam ser
envolvidos no conjunto de meios necessários. Assim , reconhecemos ser de
fundamental importância, que as bibliotecas devam se organizar e planejar
programas com a finalidade de educar e treinar os seus usuários para o
desenvolvimento do processo de acesso e uso dos diferentes tipos de suportes
informacionais disponibilizados. Esses programas devem proporcionar ao usuário
alcançar liberdade no uso dos recursos e serviços, utilizando-os sempre de maneira
eficiente, satisfatória e acima de tudo com autoconfiança .
2.1 Programas de educação de usuários
A fim de que o usuário possa conhecer ou buscar a biblioteca universitária, com
o intuito de resolver suas necessidades de informação, independente de quais
forem , o mesmo precisa ser conquistado e estimulado para tal. As bibliotecas devem
através da promoção de seus serviços e produtos chamar a atenção de seus
usuários sobre as inúmeras possibilidades que oferecem com o objetivo de
solucionar seus problemas informacionais. Nessa perspectiva, é imprescindível
planejar um programa de usuários, buscando que esses usufruam de todos os
benefícios que a biblioteca apresenta . As ações voltadas para promoção e/ou
incentivo devem ser sucedidas de oportunidades de aprendizado no processo de
busca e uso da informação disponibilizada.
De acordo com Belluzzo (1989), os programas de educação de usuários
correspondem ao conjunto de ações, planejadas e desenvolvidas continuamente de
acordo com as características e necessidades do usuário, para que a biblioteca seja
um instrumento educativo, facilitador da interiorização de comportamentos
adequados ao uso eficiente de seus recursos informacionais e da interação
permanente com os sistemas de informação.
Corroboramos com Souto (2004) que a implantação de programas de
educação de usuários no ambiente acadêmico é uma necessidade e não uma
sugestão; em virtude dos benefícios que tal iniciativa proporciona aos diferentes
grupos de usuários (discentes, docentes, pesquisadores e funcionários) . Convém
ressaltar que, como os novos suportes e recursos passaram a ser utilizados como
meio para a disseminação/divulgação de informações e muitos usuários ainda não
dominam os mesmos, é urgente a necessidade de investir esforços no sentido de
educar e capacitar o leitor universitário quanto ao uso das várias ferramentas
informacionais disponíveis no ambiente acadêmico, de modo a permitir sua
compreensão teórica/conceitual e prática .
Os programas de educação de usuários baseiam-se no pressuposto de que, as
pessoas necessitam de informações armazenadas e organizadas em bibliotecas
segundo técnicas complexas e até sofisticadas, o que dificulta e muitas vezes
chegam a impedir que o usuário obtenha êxito em suas tentativas de localizar o
material que necessita. Em nossa concepção é no ambiente da biblioteca
universitária que esses programas se desenvolvem com mais solidez e efetividade,
certamente pelo fato de que os discentes são os seus freqüentadores de maior
assiduidade e regularidade , permanecendo no recinto da biblioteca por um período
de tempo bastante extenso.
No âmbito da biblioteca universitária, quando o bibliotecário se dispõe a realizar
uma atividade, ou seja, um programa de educação de usuários, o mesmo busca

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racionalizá-Ia através de uma metodologia que permita alcançar o desejado pelo
indivíduo. Através dessa metodologia, busca-se a formação dos usuários com vistas
à sua autonomia no uso eficiente dos sistemas de informação.
Segundo Dias e Pires (2004) e Silva (1996), os programas de educação de
usuários podem ser classificados em formais e informais. Os formais dizem respeito
às atividades que são organizadas de forma sistemática e integradas ao processo
ensino aprendizagem, podendo ser incluída ou não no currículo . Já os informais,
tratam das orientações oferecidas que surgem das situações de dificuldades
emergentes dos usuários.
Concluímos então que, independente do tipo e característica da atividade de
educação de usuário adotada, cabe à biblioteca realizar de forma consciente e
responsável, possibilitando dotar os indivíduos de conhecimentos para obterem êxito
no processo de busca e uso da informação e, sobretudo efetivar a interação com o
sistema de informação.

3 Materiais e Métodos
A pesquisa compreende um estudo de caso, de cunho exploratório e
descritivo realizada nas bibliotecas caracterizadas como universitárias que compõem
o SIB/UFPE, onde foi traçado como objetivo geral analisar as práticas de educação
de usuários existentes nas Bibliotecas que compõem o SIB/UFPE.
A população da pesquisa foi composta por 12 bibliotecários, sendo 1 com
cargo de direção e 11 com cargo de coordenação das respectivas bibliotecas que
integram o SIB/UFPE. A escolha por esse universo se justifica em virtude da
inexistência de um profissional bibliotecário responsável pelo setor de referência nas
bibliotecas.
A amostra caracterizou-se como aleatória , e foi formada pelo número de
questionários devolvidos/respondidos de cada categoria pesquisada. Na categoria
bibliotecários, ou seja, o primeiro universo da pesquisa, não houve amostra uma vez
que, todos os informantes responderam ao questionário.
Escolhemos o questionário, contendo perguntas abertas e fechadas, como
instrumento de coleta de dados. Segundo Barros e Lehfeld (2008, p. 109), "o
questionário permite ao pesquisador abranger um maior número de pessoas e de
informações em espaço de tempo mais curto do que outras técnicas de pesquisa" e
de perceber que "o pesquisado tem tempo suficiente para refletir sobre as questões
e respondê-Ias mais adequadamente".
Para a coleta de dados, os questionários foram aplicados pela
pesquisadora tanto nas bibliotecas que fazem parte do Campus de Recife,
como nos demais Campus (Vitória de Santo Antão e Caruaru), bem como
enviados pelo correio eletrônico (e-mail) para os respectivos pesquisados. Em
se tratando dos programas e relatórios, esses foram anexados aos
questionários pelos pesquisados, conforme solicitação contida no questionário
específico.
Os questionários foram estruturados com perguntas abertas e fechadas .
Objetivando a validação dos instrumentos de coleta de dados escolhidos, foi
aplicado um pré-teste no dia 30/03/2010, com 5 bibliotecários, escolhidos
aleatoriamente, do Sistema de Bibliotecas (Sistemoteca) da Universidade Federal da

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Paraíba (UFPB). Após a aplicação do pré-teste, realizamos modificação em apenas
uma questão.
Estabelecemos o período de 1 a 26/04/2010, nos turnos da manhã e tarde para
a coleta de dados.
Na pesquisa desenvolvida, utilizamos também a observação simples, onde a
pesquisadora permaneceu alheia aos grupos em estudo, observando e examinando
de maneira espontânea os fatos que ali ocorriam e que se desejavam estudar.
Após coletar os dados, iniciamos a pré-análise, codificando os questionários
respondidos da seguinte forma : os questionários receberam o código (B) acrescido
de uma numeração seqüencial que abrangeu de 1 a 12. Essa codificação foi
realizada com a intenção de observarmos a existência de algumas diferenças de
comportamento dos pesquisados.
Depois de codificados os questionários, os dados foram tabulados e os
resultados obtidos originaram gráficos e tabelas, visando dar uma maior visibilidade
aos resultados da pesquisa . À medida que os resultados foram apresentados,
realizamos correlações entre algumas questões, sendo criadas categorias que foram
analisadas e confrontadas com o referencial teórico .
Para a realização da análise, optamos por uma abordagem que inclui os
métodos quantitativo e qualitativo. O primeiro, objetiva destacar dados quantificáveis,
que podem ser demonstrados através de tabelas e gráficos; e o segundo, com base
em Minayo (2009), pela possibilidade que o método qualitativo permite de analisar
atitudes como: pensamentos, ações, opiniões e informações livres dos pesquisados.
Utilizamos também para o processo de análise dos dados, alguns elementos
da técnica de análise de conteúdo, que se constitui em uma técnica de tratamento
de informações, e que, segundo Bardin (2009, p. 16), "é uma técnica de investigação
que tem por finalidade a descrição objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo
manifesto da comunicação".
Ainda como metodologia para análise dos dados, adotamos o procedimento de
analisar a documentação (programas e relatórios) relativa às atividades de educação
de usuários, de acordo com alguns critérios previamente estabelecidos como :
objetivos do programa e/ou plano, público a que se destina, conteúdo programático,
métodos de ensino, material de apoio (instrucional) , carga horária, número de vagas,
período/época de realização, freqüência das ações, formas de avaliação entre
outros. Após a avaliação dos documentos (programas e relatórios), também foi
realizado uma apreciação seguida de comentários que a pesquisadora julgou
pertinentes, quanto à adequação entre os resultados das ações e as propostas dos
programas. Esse processo foi prejudicado em virtude de apenas 2 dos pesquisados
disponibilizarem documentos que tratavam como plano ou programas, mas que ao
analisarmos observamos que nessa documentação não constavam se quer os
elementos mínimos, como objetivos ou estratégias a serem alcançadas para serem
classificadas como tal.

4 Resultados Finais
O processo de análise dos resultados da pesquisa se refere aos dados obtidos
através do questionário aplicado aos bibliotecários que exercem cargo de direção e
coordenação das Bibliotecas do SIB/UFPE.
Inicialmente, optamos por caracterizar as Bibliotecas que integram o
SIB/UFPE. Para tanto, elaboramos questões em torno das variáveis: nome, centro,

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data de criação, alunos cadastrados e quadro de funcionários .
Os dados demonstraram que 12 bibliotecas universitárias integram o
SIB/UFPE: Biblioteca Central (BC), Biblioteca do Centro Acadêmico de Vitória (CAV) ,
Biblioteca do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), Biblioteca do Centro de Ciências
Biológicas (CCB), Biblioteca do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) ,
Biblioteca do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) , Biblioteca do Centro de Ciências
da Saúde (CCS), Biblioteca do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG) ,
Biblioteca Joaquim Cardoso do Centro de Artes e Comunicação (CAC) , Biblioteca
Professor Roberto Amorim do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH),
Biblioteca Reitor Edinaldo Bastos do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA)
e a Biblioteca Yves Marie Gilles de Maupeou do Centro de Educação (CE) . Dentre
as quais, 11 estão localizadas em centros acadêmicos e subordinadas
administrativamente a sua direção, com exceção da BC , que não possui vínculo com
centro algum e administra tecnicamente todas as bibliotecas setoriais. Foram criadas
em diferentes épocas, a mais antiga inicia suas atividades no ano de 1830, as
demais perpassam os anos de 1968, 1974, 1976, 1983, 1986, 1988, 1992, 1997,
1994 e 2006. Os números de usuários cadastrados revelados são da Biblioteca do
CAV com um total de 1.084, do CCJ 1.707, do CTG 2.963, da Biblioteca Reitor
Ednaldo Bastos 4.446, e da Biblioteca Yves Marie Gilles de Maupeou 2.499
perfazendo um total de 12.699 usuários cadastrados nas respectivas bibliotecas
mencionadas; total esse que não corresponde ao número real de usuários
cadastrados nessas bibliotecas, em virtude da inconsistência de dados do relatório
gerado pelo Sistema Pergamum. O quadro de funcionários é composto por um
número de 257 , sendo 72 bibliotecários, 80 assistentes administrativos e 105
bolsistas que se distribuem nas 12 Bibliotecas Universitárias do SIB/UFPE nos
diferentes horários de funcionamento ; acrescentando-se a esse um número de 10
outros funcionários, dentre eles: servente, serviços gerais, provisórios, servente com
desvio de função .
Em se tratando de ações e práticas de educação de usuário, identificamos
através dos dados da Tabela 1, que as Bibliotecas do SIB/UFPE realizam atividades
de educação de usuários tanto do tipo formal como informal. É pertinente afirmar
que a maior incidência foi para as atividades informais, especificamente à orientação
bibliográfica e a orientação sobre normalização de trabalhos acadêmicos (20%) ;
evidenciando assim a prática dessas atividades de forma eventual, ou seja,
mediante as necessidades emergenciais dos usuários. Constatamos que, as
atividades do tipo formal estão direcionadas para o treinamento (18%), que por sua
vez, se restringe ao Portal de Periódicos da Capes.

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Tabela 1- Atividades desenvolvidas
Atividade

Orientaçãobibliográfica
Orientação sobre normalização de
trabalhos acadêmicos
Treinamento
Visita diri~da
Outras
Palestra
Tutorial na Intemet
Oficina
Curso
Tolal

Número
12

Percentual (%)
20%

12
11
8
6

20%
18%
13%
10%
7%
7%
3%
2%
100%

4

±
.2

1
60*

Fonte: Dados da pesquisa, abril de 2010
·Os pesquisados responderama mais de uma opção

Quanto à avaliação das atividades desenvolvidas nas bibliotecas, os dados do
Gráfico 1 nos revelaram a sua existência (92%) e que o instrumento utilizado com
ênfase é o questionário, sendo este direcionado apenas para o treinamento do Portal
de Periódicos da Capes.
Gráfico I - Existência de avaliação

8%

IO
Slm l
. Não
92%

Fonte: Dados da pesquisa, ablil de 20 10

No que se trata das dificuldades das bibliotecas quanto à realização das
atividades de educação de usuários, a maior significação foi para a barreira
institucional (50%), que se constitui na ausência de infra-estrutura, ou seja, espaço e
equipamentos inadequados para que as atividades sejam realizadas a contento. Os
resultados nos evidenciaram que a presença da barreira institucional está voltada
para o treinamento do Portal de Periódicos da Capes, quando ao nosso entender, os
outros tipos de atividades citadas pelos pesquisados, como : orientação bibliográfica ,
orientação sobre normalização de trabalhos acadêmicos, visita dirigida, palestra,
tutorial na Internet, oficina e curso, não dependem unicamente de infra-estrutura
para serem realizadas.
Quanto às possibilidades das bibliotecas realizarem atividades de educação de
usuários, foram entendidas na pesquisa como propostas de melhorias, em virtude de
nenhum dos pesquisados informarem não realizar tais atividades. Destarte, os

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pesquisados revelaram ter consciência da importância de buscar melhorias na
qualidade e efetividade das atividades desenvolvidas em prol de seus usuários.
Diante desse contexto, inferimos que em linhas gerais, os coordenadores e/ou
diretor das bibliotecas reconheceram como sendo fundamental desenvolver
atividades de educação de usuários no âmbito das bibliotecas universitárias bem
como os benefícios que proporcionam aos usuários, porém nas Bibliotecas do
SIB/UFPE, a prática de atividades nesse segmento é considerada de forma discreta ,
quase que imperceptível. As atividades estão voltadas efetivamente apenas para o
treinamento do Portal de Periódicos da Capes, caracterizando assim, uma ruptura do
discurso com a prática desses profissionais.

5 Considerações Finais
Nos dias atuais, as Bibliotecas do SIB/UFPE devem adotar uma postura próativa em relação à comunidade acadêmica , não ficar à espera da mesma, buscar e
atrair aqueles usuários que por algum motivo ainda desconhecem e não utilizam os
serviços e/ou produtos oferecidos, estabelecendo desta maneira , um canal de
interação permanente e, sobretudo eficaz entre o usuário e a biblioteca .
O bibliotecário deve utilizar metodologias adequadas para instruir e capacitar
os indivíduos no uso dos diferentes recursos informacionais disponibilizados.
Destarte, o profissional aqui mencionado promove o seu duplo papel de bibliotecário
educador, contribuindo para o desenvolvimento e reconhecimento da classe
bibliotecária , assim como para o contentamento da comunidade à qual está inserida.
Silva (1996) corrobora com esse pensamento ao considerar como essencial ,
desenvolver no usuário, habilidades para o uso e satisfação de suas necessidades
informacionais, conseqüentemente ampliando os seus conhecimentos e
proporcionando o desenvolvimento pessoal do mesmo.
As orientações apresentadas nesse trabalho representam um passo inicial para
a sistematização de um programa de educação de usuários. Para nós, a inclusão da
opinião dos usuários na elaboração das diretrizes da política de atividades de
educação de usuários é de suma importância, tendo em vista que, para um serviço
de informação possa colaborar com o desenvolvimento de uma sociedade, carece
ser planejado com vistas às características, atitudes, necessidades e pretensões
daqueles que o utilizam.
É indiscutível a importância de considerar os elementos citados para que o
planejamento e implementação de um programa de atividades de educação de
usuários obtenha êxito, pois através do mesmo será obtido mudança de atitudes dos
usuários frente aos serviços oferecidos e recursos informacionais disponibilizados
pelas Bibliotecas do SIB/UFPE.
O presente estudo que se refere ao diagnóstico das práticas de educação de
usuários existentes nas Bibliotecas que compõem o SIB/UFPE possui característica
avaliativa e preliminar, viabilizando , assim , a abertura de um leque de possibilidades
para dar origem a outros estudos, uma vez que, para funcionar a contento, as
Bibliotecas do SIB/UFPE devem realizar avaliações periódicas, principalmente no
segmento voltado para os usuários.

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Referências
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Paraíba , João Pessoa , 2000.
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BELLUZZO, R. C. B. Educação de usuários de bibliotecas universitárias: da
conceituação e sistematização ao estabelecimento de diretrizes. 1989. 210 f.
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�Educação de usuários e competências informacionais
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Trabalho completo

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              <text>Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo, com abordagem quali-quantitativa que delineou como objetivo geral analisar as práticas de educação de usuários existentes nas Bibliotecas que compõem o SIB/UFPE. A população pesquisada foi composta por 12 bibliotecários com cargo de direção e coordenação das Bibliotecas do SIB/UFPE. Os resultados demonstraram que a representatividade de atividades de educação de usuários nas Bibliotecas do SIB/UFPE está voltada para a informalidade, carecendo de ajustes para alcançar os desejos informacionais dos seus usuários bem como ratifica a necessidade de implantar uma política de educação de usuários, para direcionar o serviço.</text>
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