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Trabalho completo

FONTES DE INFORMAÇÃO NA WEB: APROPRIAÇÃO, USO E
DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO ÉTNICO-RACIAL NO
MOVIMENTO NEGRO DA PARAíBA
Leyde Klebia Rodrigues da Silva', Mirian de Albuquerque Aquino2
1Mestranda em Ciência da Informação, UFPB, João Pessoa, Paraíba
20outora em Educação, UFPB, João Pessoa , Paraíba

Resumo
Investigar como o Movimento Negro do Estado da Paraíba se apropria das
fontes de informação na web e usa-as, na perspectiva de disseminação da étnicoracial é o objetivo que norteia este estudo . Entende-se que essas fontes de
informação podem ser utilizadas como um canal de disseminação da informação
étnico-racial para auxiliar os grupos socialmente invisibilizados, na atual sociedade
da informação, do conhecimento e da aprendizagem , onde o preconceito, a
discriminação e o racismo fazem parte do cotidiano dos sujeitos. O universo da
pesquisa foi o Movimento Negro Organizado da Paraíba (MNOPB) , e os
sujeitos/participantes foram quatro ativistas vinculados a duas entidades desse
movimento: o Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UFPB (NENN/UFPB) e a
Organização de Mulheres Negras na Paraíba, a BAMIDELÊ. OS resultados
mostraram que a ferramenta mais utilizada pelo MNOPB, para veicular a informação,
é o e-mail , e o uso do blog está associado à disseminação da informação apropriada
pelo grupo. Nas considerações finais, é proposto para a entidade que se aproprie
das fontes de informação na Web já utilizadas por ela , a fim de que sirvam como um
espaço virtual que armazene a informação produzida e apropriada pelo MNOPB.

Palavras-Chave:
Fontes de informação na Web, Uso e Apropriação, Movimento Negro da
Paraíba . Informação étnico-racial , Disseminação da informação.

Abstract
To investigate how the Black Movement of Paraiba State appropriates of
information sources on the web and use them with a view to disseminating
information is the guiding objective of this study, It is understood that these sources
of information can be used as a channel for dissemination of information to help
ethnic-racial socially invisible, in today's information society, knowledge and learning,
where prejudice, discrimination and racism are part of everyday life subjects. The
research was Organized Black Movement of Paraiba (MNOPB) , and the subjects /
participants were linked to four members of this movement two entities: The Center
for Black Students of UFPB (NENN/UFPB) and the Organization of Black Women in
Paraiba - BAMIDELE, The results showed that the most used tool by MNOPB, to
convey the information , e-mail , and use the blog is associated with the dissemination
of appropriate information by the group, In the final considerations, is proposed for
the entity to appropriate sources of information on the Web already used by it in order
to serve as a virtual space that stores the information produced and appropriated by

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MNOPB.

Keywords:
Sources of information on the Web, Usage and Ownership, Black Movement
of Paraiba , Information ethno racial , Dissemination of Information.

1 Introdução
A informação sempre foi escassa e difícil de ser acessada. Sua apropriação
era feita apenas por um pequeno grupo de privilegiados, Em razão disso, no século
XIX os índices de analfabetismo eram bastante elevados em todos os lugares. Com
o advento da imprensa deu-se uma grande revolução e a escrita registrada em
textos começou a ser reproduzido com mais facilidade . Entretanto, a massificação
da informação registrada nesses textos ocorreu só recentemente.
A internet tornou a informação disponível e acessível e, independentemente
das ferramentas, suportes e canais de informação, essa ferramenta aumentou o
interesse dos estudiosos de diferentes campos do saber pela informação. A internet
é hoje considerada uma ferramenta importante para apropriação, uso e
disseminação da informação etnicorracial, em diferentes formatos e campos. Essa
ferramenta vem aumentando a produção de diferentes artefatos culturais e
oferecendo a possibilidade de sua utilização dessa informação para fins
educacionais, sociais e culturais.
A literatura da área de Biblioteconomia/Ciência da Informação pouco discute
sobre a importância, o valor e o uso da informação para grupos sociais etnicamente
vulneráveis (negros, indígenas, deficientes, homossexuais, mulheres dentre outros) .
Em geral, as pesquisas e os estudos abordam a informação para o público como um
todo, mas raramente especifica quais são os grupos a que se destina essa
informação. Daí a necessidade de os pesquisadores da área da Ciência da
Informação preocupar-se com essa informação, principalmente nesse momento em
que se percebe que a informação digital agrega, de forma sutil ou velada ,
determinados estereótipos aos grupos socialmente vulneráveis, sobretudo, que é
duplamente discriminada pela cor e pobreza . Entretanto, a Ciência da Informação
cujo objeto de estudo é a informação ainda não se deu conta da riqueza que a
apropriação dos saberes não é privilégio apenas de um grupo dominante, que
continua detendo o poder na atual sociedade, mas pertencem à humanidade (LEVY,
1998).
Em nossas primeiras vivências acadêmicas, a compreensão sobre a
necessidade de disseminação da informação étnico-racial era, quase imperceptível,
e pouco ajudava a perceber a sólida contribuição de grupos sociais etnicamente
vulneráveis e, sobretudo, dos africanos e afrodescendentes na formação da
sociedade brasileira durante os períodos do colonialismo, imperialismo e
republicano, Foram mais de três séculos de "escravismo criminoso", E, o pósabolição mergulhou negros/negras cada vez mais na pobreza e no abandono, sem
chances de obter informação e educação .
O déficit histórico do escravismo não foi totalmente reconhecido e reparado
pelos diversos setores do nosso país porque permanece ainda o discurso da
cordialidade e das relações harmoniosas, sustentado pelo mito da democracia racial ,
afetando a invisibilidade de negros/negras na sociedade da informação-

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conhecimento-aprendizagem-comunicação. Portanto, o estudo sobre o uso e a
apropriação das ferramentas da web, na perspectiva da disseminação da étnicoracial e memória do Movimento Negro Organizado do Estado da Paraíba - MNOPB
deve partir do princípio de que as Ciências Sociais (e Aplicadas) precisam
desenvolver práticas de pesquisas, efetivas e específicas que possam evidenciar a
invisibilidade de negros/negras (CUNHA JÚNIOR, 2005) .

2 Fontes de Informação: passado e presente
A história da humanidade sempre sobreviveu na dependência das fontes de
informação. Sua existência é datada desde épocas remotas. Elas vão desde as
"paredes das cavernas" que serviram para carregar e armazenar a informação sobre
a civilização primitiva e também para ajudar o patriarca Moisés a construir as "tábuas
da lei" para disseminar os mandamentos de Deus ao seu povo . Na Antiguidade, o
livro sofreu muitas mudanças até alcançar o formato e o modelo conhecido e
utilizado nos dias atuais.
Elas se transformaram , foram se renovando , reatualizando , adquirindo novas
formas e moldando-se em novos espaços. Também são responsáveis por carregar e
armazenar a informação e esta age como formadora e transformadora de opiniões.
Por fonte de informação, entendemos qualquer recurso que responda a uma
demanda de informação por parte dos usuários-aprendentes, e que gere ou veicule
informação, influenciem na geração do conhecimento e do aprendizado . Inclui
produtos e serviços de informação, pessoas ou rede de pessoas, programas de
computador etc.
Vivemos hoje numa sociedade da informação-conhecimento-aprendizagemcomunicação, onde as fontes de informação foram afetadas pelos momentos
significativos do progresso da ciência e da técnica . Essa sociedade é denominada
"sociedade da informação" por alguns estudiosos porque a revolução das
tecnologias intelectuais impactou o mundo com seu volume incontornável de
informação que se tornou objeto de consumo, mercadoria.
A informação é "um instrumento modificador da consciência do indivíduo e de
seu grupo social [que produz conhecimento e] "modifica o estoque mental de saber
do indivíduo e traz benefícios para seu desenvolvimento e para o bem-estar da
sociedade em que ele vive" (BARRETO, 2002, p. 49). Essa "informação deve ser
ordenada, estruturada ou contida de alguma forma , senão permanecerá amorfa e
inutilizável [ ... ]para nós de alguma forma , e transmitida por algum tipo de canal"
(MCGARRY, 1999, p. 11).
Quanto mais informação mais conhecimento. Informação é conhecimento e
conhecimento é poder que se exerce sobre o outro. Burke (2003) afirma que alguns
sociólogos defendem a tese de que estamos numa "sociedade do conhecimento",
por estar havendo uma expansão de ocupações que produzem e disseminam o
conhecimento. Ele afirma que o conhecimento é também uma questão política ,
"centrada no caráter público ou privado de informação, e de sua natureza mercantil e
social (e que) a mercantilização da informação é tão velha quanto o capitalismo"
(BURKE, 2003, p. 11)." O conhecimento não existe se não houver uma fonte de
informação que forneça subsídios para a construção do conhecimento.
É uma sociedade da aprendizagem porque somos pressionados
cotidianamente a aprender e reaprender a usar as ferramentas digitais como "um

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processo fundante para vida inteira" (AQUINO, 2005). Todas as pessoas são
convocadas para transmitir cada vez mais saberes evolutivos e adaptados
(DELORS , 1999). Viver o contexto em que eclodem essas tecnologias é estar
constantemente em "estado de aprendência". Caracteriza-se também como uma
sociedade em que a comunicação
As tecnologias intelectuais potencializaram o surgimento rápido e mutável de
fontes de informação, sobretudo no que se refere à rede web (SALES ; ALMEIDA,
2007). Os modelos ou parâmetros adotados pelas fontes de informação disponíveis
vêm se modificando, ampliando e diversificando, Cada vez estão mais "eficientes,
rápidas e abrangentes, vencendo barreiras geográficas, hierárquicas e financeiras"
(CAMPELLO ; CENDÓN ; KREMER, 2000, p. 23).
Em sua análise sobre a relação tecnologia e profissionais, autores como
Tomaél et ai (2000 , p. 5) afirmam que "nenhuma tecnologia da informação teve
impacto tão forte nos profissionais da informação como a Internet".
Dentre as inúmeras fontes de informação da web, é possível destacar pelo
menos nove mais conhecidas e utilizadas:
a) Sites e websites - são um conjunto de páginas web, isto é, de
hipertextos acessíveis geralmente pelo protocolo de transferência da
internet (GONÇALVES, 2006);
b) Portais - um tipo de sites que congrega conteúdos de diversos tipos
(áudio, vídeo, imagem, texto e etc.). Fornece acesso versátil, baseado
no interesse e preferências de cada indivíduo (GOUVÉIA; OLIVEIRA;
VARAJÃO, 2007) ;
c) Blogs - espécie de diário web que apresenta características como a
personalização. Podem ser desenvolvidos para serem utilizados por
uma única pessoa ou entre diversas pessoas (BARROS, 2006);
d) Microblogs - considerados ferramentas de blogs em formato mais
simples e servem para postagens com limitações de tamanho, na
maioria das vezes, associadas à ideia de mobilidade (Zago, 2008);
e) Youtube - permite que os usuários-aprendentes carreguem e
compartilhem vídeos em formato digital;
f) Redes sociais (Orkut, Facebook, Ning, Linkedin , entre outras) é uma
forma de representar as relações humanas. O crescimento das redes
sociais perpassa as relações pessoais e atinge também os âmbitos
organizacional , social , político e científico;
g) Grupos de Discussão ou Comunidades Virtuais - configura-se
como uma rede eletrônica de comunicação interativa auto-definida ,
organizada em torno de um interesse ou finalidade compartilhadas
(Castells, 1999);
h) Buscadores e Metabuscadores - são motores de busca , programas
feitos para auxiliar a busca de informação armazenada na rede
mundial (WVWJ) ou a Internet.
O potencial de aplicação das ferramentas de busca online é necessário no
contexto dinâmico da sociedade da informação-conhecimento-aprendizagemcomunicação, tendo como função orientar o usuário- aprendente até a fonte
desejada,

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3 Apropriação, Uso e Disseminação das Fontes de Informação
Para Chartier (1999, p. 77) "apropriar-se é transformar o que se recebe em
algo próprio, é produzir um ato de diferenciação que se contrapõe a qualquer
tentativa rígida imposta (... ), é atividade de invenção, produção de significados".
Perrotti e Pierrucini (2007), recuperando a noção de apropriação em Serfaty-Garzon
(2003) expõem:
[... ] veicula duas ideias dominantes. De uma parte a de adaptação de
alguma coisa a um uso definido ou a uma destinação precisa; de outra,
decorrente da primeira , a de ação visando a tornar alguma coisa sua. Nesse
sentido, a apropriação não é possível senão em relação a qualquer coisa
que pode ser atribuída e, enquanto tal pode, ao mesmo tempo , servir de
suporte à intervenção humana e ser possuída . Todavia, a propriedade aqui
é [também] de ordem moral psicológica, afetiva . [ ... ] A apropriação é, desse
modo, ao mesmo tempo, uma tomada do objeto e uma dinâmica de ação
sobre o mundo material e social com uma intenção de construção do
sujeito.

A noção de apropriação, quando utilizada como instrumento de conhecimento,
pode também reintroduzir uma nova ilusão que pressupõe compreender a cultura . O
conceito de cultura, em Chartier, não é apenas um domínio particular de produções e
de práticas supostamente distinto de outros níveis, como o econômico e o social. A
cultura também faz parte também dessas esferas, pois "[ ... ] não existe prática que
não se articule sobre as representações pelas quais os indivíduos constroem o
sentido de sua existência" (CHARTIER, 2003, p. 18).
Na visão de Chartier, a cultura apresenta dois aspectos: 1) os mecanismos da
dominação simbólica , cujo objetivo é tornar aceitável, pelos próprios dominados, as
representações e os modos de consumo que, precisamente, qualificam (ou antes,
desqualificam) sua cultura como inferior e ilegítima e; 2) as lógicas específicas em
funcionamento nos usos e nos modos de se apropriar o que é imposto.
A apropriação remete-se à forma como lemos e interpretamos as fontes de
informação tanto nas fontes escritas como nas fontes digitais. Essa do uso das
fontes de informação se dá a partir do momento em que o usuário-aprendente toma
para si a informação, ler, interpreta e modifica suas estruturas do pensamento,
produz atribuindo novos significados.
Em relação ao uso das fontes de informação na web, que é um dos pontoschave deste estudo, alguns autores estabelecem considerações sobre os espaços
de informação e os usuários - aprendentes:
A tecnologia [ ... ], que objetiva possibilitar o maior e melhor acesso à
informação disponível, e o critério da Ciência da Informação, que intervém
para qualificar este acesso em termos das competências que o receptor da
informação deve ter para assimilar a informação, ou seja , para elaborar a
informação para seu uso, seu desenvolvimento pessoal e dos seus espaços
de convivência. Não é suficiente que a mensagem esteja disponível , ela
deve também poder ser apropriada pelo receptor (SMIT; BARRETO, 2002 ,
p. 15, grifo nosso).

Com base nesse argumento, reafirmamos a importância da apropriação das
fontes de informação pelo usuário-aprendente. Elas não podem ser apenas

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utilizadas porque a cultura , hoje, passa pelo conhecimento teórico-prático, pelo uso
de novos instrumentos de produção e pela comunicação entre os homens.
A disseminação da informação no uso da Internet pode contribuir para uma
sociedade mais informada, mas não garante isso. Além do acesso às tecnologias, a
população necessita de acesso à educação, para que possa utilizar-se dessas
tecnologias de forma eficiente e efetiva . Portanto, o uso efetivo dos estoques
informacionais só será possível se os indivíduos tiverem competência para assimilar
essa informação. Concordamos com Bastos (2005 , p. 20), ao afirmar que,
apesar de toda evolução do acesso à informação, proporcionado pelas
tecnologias de informação e comunicação , continua sendo primordial um
estudo sobre as necessidades de informação do indivíduo na sociedade ,
pois a maioria não possui repertório suficiente e adequado para receptar e
processar o excesso de informações, e atuar como cidadãos na sociedade.

Essa disseminação, segundo Bastos, deve ir além da socialização do
conhecimento, chegar até a produção de conhecimento com base na informação
acumulada . Ao assumir novos papéis (interatividade, agilidade, diminuição de
espaço na armazenagem de informação) frente às fontes tradicionais que
armazenam e disseminam a informação. As fontes de informação da web podem se
tornar um espaço onde o usuário-aprendente também deve explorar as
possibilidades de armazenar e preservar a informação, tanto meio físico para o
virtual (digitalização) quanto pensar e criar estratégias e mecanismos para a
preservação da informação existente apenas no meio virtual.

4 Mapa Metodológico
A abordagem qualitativa é apropriada neste trabalho porque tende a
responder questões particulares nas Ciências Sociais (Aplicadas) e dar ''[. .. ] um novo
sentido aos problemas; ela substitui a pesquisa dos fatores e determinantes pela
compreensão dos significados". Trata-se de uma abordagem que nos incita "a
repensar o estudo das necessidades socioculturais dos meios de vida" (GROULX,
2008, p. 98) e permite ressaltar "a natureza socialmente construída da realidade, a
íntima relação entre o pesquisador e o que é estudado e as limitações situacionais
que influenciam a investigação" (DENZIN ; LlNCOLN , 2006, p. 23). Esses autores
entendem que os pesquisadores qualitativos "buscam soluções para resolver as
questões que realçam o modo como a experiência social é criada e adquire
significados" (DENZIN ; LlNCOLN, 2006, p. 23).
O universo de pesquisa escolhido é o Movimento Negro Organizado da
Paraíba - MNOPB, que é formado por um conjunto de diversas organizações
negras, a saber: a) comunidades descendentes de antigos Quilombos (Caiana dos
Crioulos, Zumbi, etc); b) grupos artísticos (Banda Ylê Odara , Bateria Show da Escola
de Samba Malandros do Morro, Grupo de danças Afroprimitivas, Grupos de Hiphop); c) grupos de formação (alfabetização, reflexão, professores, intelectuais
negros e outros); d) grupos de arte marcial (Badauê dos Palmares, Afronagô e
outros); e) entidades de articulação e luta em defesa dos direitos da etnia negra
(Movimento da Ação Negra e Agentes de Pastoral Negros); f) grupos de gênero
(Mulheres Negras, BAMIDELÊ , etc.); g) comunidade de Religião dos Orixás
(terreiros) ; dentre outras formas de organização (MNOPB , 2010). Escolhemos o

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MNOPB por entender que os grupos ativistas desse movimento se posicionam como
porta-vozes dos(as) afrodescendentes, que obtêm a valorização da identidade de
membros socialmente marginalizados que "construíam suas significações e
manifestavam seu pertencimento" (FERNANDES , 2009) .
Os participantes desta pesquisa são quatro ativistas negros, vinculados ao
Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UFPB - NENN/UFPB e a Organização de
Mulheres Negras na Paraíba - BAMIDELÊ. Na escolha dos sujeitos, selecionamos,
principalmente, os líderes dessas organizações, por supor que estariam mais
familiarizados e atualizados acerca dos processos de uso e apropriação das fontes
de informação na web, tendo como finalidade de disseminar a étnico-racial
produzida e apropriada pelo MNOPB.
Para saber como os participantes da pesquisa se apropriam das fontes de
informação na web e fazem uso delas, adotamos a entrevista semiestruturada como
instrumento de coleta de dados. Segundo Minayo (2005) , o sujeito tem uma
participação ativa e o pesquisador pode fazer perguntas adicionais para esclarecer
questões que visem compreender bem mais o contexto.
A transcrição das entrevistas com base na Análise da Conversação
(MARCUSCHI, 1986) foi realizada após o término de cada uma delas, visando
facilitar a identificação dos diálogos, a compreensão do conteúdo e a seleção das
partes mais relevantes para a composição da análise.
4 ,1 DSC : Um modo de ler discursos de ativistas do MNOPB
Para analisar como o MNOPB se apropria , utiliza e dissemina as fontes de
informação na web recorremos ao Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) que
pressupõe a apropriação de um conjunto de princípios e conceitos operacionais,
emprestado pela Semiótica de Pierce e pela Teoria das Representações Sociais,
representadas pelo pensador romeno Serge Moscovici (2003) e a pensadora
francesa Denise Jodelet (2001) . Eles consideram os fenômenos sociais como "a
fonte principal da produção de discursos e estes são assimilados como um
fragmento do pensamento social" (ALMEIDA, 2005, p. 61) . As realidades, segundo
Moscovici, são medidas pelas representações, e ''[ ... ] uma de suas funções
principais é de dar significados de aspectos dessa realidade" (ALMEIDA, 2005, p.
71). Essa teoria orienta as ações das pessoas, ligando "sujeito e objeto do
conhecimento" ,
Essa técnica propõe três conceitos operacionais básicos para análise dos
discursos dos sujeitos coletivos, a saber: as expressões-chave (ECH), a ideia central
(IC) e a ancoragem (AC). As ECH são fragmentos extraídos da transcrição literal do
discurso do sujeito na entrevista. A IC é "a descrição, precisa e direta, dos
significados do conjunto dos discursos que foram analisados e destacados nas
expressões-chave [... ] descreve o sentido de cada um dos discursos analisados e de
cada conjunto homogêneo" (ALMEIDA, 2005 , p. 71). E a AC é a "figura metodológica
que indica a teoria, o pressuposto, a corrente de pensamento e o fundo do
conhecimento que o sujeito aceita e compartilha de uma maneira natural para
representar um dado fenômeno da realidade" (ALMEIDA, 2005 , p, 71).
Nesta análise, o sujeito coletivo é a voz dos ativistas do Movimento Negro do
Estado da Paraíba, que se manifesta na primeira pessoa do singular. O entrevistado
(sujeito individual) é aquele que fala em nome do grupo (sujeito coletivo) ao qual

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pertence , O resultado das SUposlçoes, considerações e análises representam o
sujeito individual e o sujeito coletivo, entendidos como "um ser ou entidade empírica
coletiva , opinante na forma de um sujeito de discurso emitido na primeira pessoa do
singular" (LEFEVRE ; LEFEVRE, 2006, p. 518).
O primeiro passo da análise consistiu na leitura dos discursos de cada um dos
sujeitos individuais. Em seguida , recortamos os discursos observando os conceitos
operacionais e legenda mos (Sujeito A, Sujeito B, Sujeito C e Sujeito D). O segundo
passo consistiu em destacarmos, em negrito, as expressões-chave expressas nas
ideias centrais. No terceiro passo, identificamos e escrevemos as ideias centrais. No
quarto passo, estabelecemos as categorias do DSC a partir das ideias centrais.
Finalmente, o quinto passo consistiu no agrupamento das categorias, formadas a
partir de fragmentos dos discursos dos sujeitos. Com a finalidade de construirmos o
DSC de cada um dos discursos.
A primeira interlocução com os sujeitos individuais teve como finalidade
preocupou identificar se o Movimento Negro de João Pessoa utilizava alguma fonte
de informação da web. Se caso utilizava, como se dava o processo de apropriação .
Após essa identificação das ideias centrais (IC) retiramos as ECH e delas extraímos
as categorias "uso de blog e e-mail" e "apropriar para divulgar, disseminar",
referentes ao uso e processo de apropriação das fontes de informação na Web.
Dessa operacionalização, obtivemos o DSC a seguir.
o próprio movimento negro organizado da Paraíba tem um blog , tem um
blog e tem um e-mail , então faz sim [ ... ] Mas, é um grupo de discussão
também que assim como o blog não tá funcionando [ .. .] essas coisas assim ,
usa pra publicar para divulgar, [ ... ] a gente tem feito o uso dessa ferramenta
para se apropriar e para divulgar [ ... ] (DSC1)

Interpretando o DSC com base no discurso dos "sujeitos coletivos", é possível
constatar que o blog e o e-mail são as fontes de informação mais empregadas pelo
MNOPB na web. Na maioria das vezes, o processo de apropriação dessas
ferramentas tem como finalidade disseminar a informação de interesse do grupo. A
apropriação das ferramentas está associada ao uso postagens acerca das questões
levantadas por um grupo de discussão. Essas postagens são coletivas e
espontâneas, e a apropriação das ferramentas efetiva-se por meio delas. Notamos,
entretanto, que, em razão da desorganização do MNOPB, as postagens não têm
sido atualizadas.
Os discursos mostram que o grupo usa o blog como ferramenta de
disseminação da informação mais adequada . Essa ferramenta, segundo eles, serve
para noticiar visões de mundo individuais ou de pequenas coletividades sobre temas
variados. No campo da Ciência da Informação, o blog é visto como mais um
complemento para disseminar a informação e disponibilizar o conhecimento para
usuários - aprendentes que navegam na web.
Hoje, existe um número de empresas consolidadas no mercado que recorrem
a essa ferramenta para construir identidades, aumentar sua credibilidade e divulgar
seus produtos. Há também indivíduos que usam essas ferramentas no formato de
diário e outros, com fins jornalísticos. É uma ferramenta de fácil publicação que o
usuário-aprendente não depende do conhecimento da linguagem de programação e
a maioria delas é gratuita. Por sua vez, o e-mail é a ferramenta de comunicação que
mais evoluiu nas últimas décadas e vem se popularizando à medida que as

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tecnologias intelectuais também se popularizam .
O DSC indica que, mesmo o MNOPB empregando essas ferramentas , elas
não funcionem . Esse distanciamento pode ser atribuído à não funcionalidade da
própria organização. A apropriação do blog e grupo de discussão servem para a
divulgação e disseminação da informação recuperada pelo MNOPB. Porém, não há
uma periodicidade nessa disseminação, perdendo-se, assim, um requisito básico
para que a ferramenta seja utilizada constantemente, que é a atualização da
informação disponibilizada.
A segunda interlocução com os entrevistados referiu-se ao uso do e-mail
como fonte de informação para a apropriação da informação disseminada pelos
ativistas do MNOPB e os tipos que utilizam. Nesse sentido, os posicionamentos
sujeitos individuais e das ideias centrais (IC's), retiradas do segundo bloco de dados
discursivos, serviram para extrair a categoria .. e-mail : veículo de apropriação da
informação no MNOPB", com vistas a disseminação e a memória do MNOPB,
resultando no discurso do sujeito coletivo a seguir.
Utilizo sim , a fonte de informação mais eficaz, ainda é o e-mail , não é o email do Grupo, é o e-mail pessoal (DSC2) .

Os discursos dos sujeitos apontam possibilidades que potencializariam o
poder de comunicação dessas ferramentas, tendo em vista o uso que lhes é
atribuído, mas não são devidamente empregadas. Eles informaram que as questões
de uso restrito dessas ferramentas estão relacionadas a algumas características que
estão agregadas ao manuseio dessas delas, tais como a pouca familiaridade com
essas ferramentas, a falta de articulação dos ativistas, a ausência de mobilização de
pessoas que poderiam orientar os ativistas a usá-Ias.
Essa inabilidade desses ativistas no que concerne ao uso das ferramentas
contrasta com a literatura e as pesquisas, pois tem sido mostrado que as fontes de
informação da Web demandam uma praticidade , que é reconhecida como uma das
características das ferramentas digitais contemporâneas. A demanda pela
usabilidade é tão simples quanto o uso que se faz dela.
No discurso do sujeito coletivo, constatamos que a apropriação da informação
disseminada pelo MNOPB é feita apenas por meio da troca de e-mails pessoais e
não entre os membros. Essa ferramenta é considerada mais acessível ao grupo e
mais fácil de ser operacionalizada . O e-mail é utilizado para disseminar a informação
que os ativistas do MNPB apropriam nas entidades e ativistas ligados ao movimento,
em âmbito local, estadual e federal.
Ao que parece, a apropriação das ferramentas na web pode muito contribuir
para fortalecer o MNPB, vez que esse movimento caracteriza-se como unidade
agregadora de interesses comuns, cujo objetivo maior de suas lutas está voltado
para a visibilidade de suas ações que visem a reversão dos preconceitos,
discriminações e racismos que afetam historicamente o potencial humano e cultural
da população negra, relegando negros e negras a exclusão. Entretanto, a
desarticulação e os conflitos internos inerentes ao MNPB interferem nos efeitos
positivos que o uso dessas ferramentas poderiam trazer.
A voz dos ativistas expressa que o MNPB está preocupado em veicular
informação étnico-racial para fortalecer essa organização. Embora se auto afirme
como "apático", seus ativistas mantêm-se atualizados e atualizando-se, no que
concerne à informação étnico-racial, e continuam disseminando essa informação

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entre si, instigando as discussões e reflexões, principalmente quando se trata de
temas relacionados aos racismos.
À luz das ideias de Correia (1999, p, 114), "o acesso/uso da informação vai
possibilitar a mudança de mentalidade dentro do contexto social do movimento
negro, pois, conhecendo sua condição social, ele buscará ser reconhecido enquanto
indivíduo, sem afastar-se de sua etnicidade e cultura",
Com essa atuação, os ativistas do MNOPB fazem com que a informação
passe a ser "um elemento organizador do processo de comunicação e de apoio da
elaboração do conhecimento do indivíduo" (CORREIA, 1999, p. 114). Isso conduz
esse indivíduo a desenvolver um papel social pautado na liberdade de expressão e
exponha sobre a sua cultura , sem que se sinta reprimido ou até mesmo
discriminado.
Prosseguindo a interlocução com os ativistas entrevistados, perguntamos se
achavam que as fontes de informação na web facilitavam a disseminação da
informação e solicitamos que justificassem suas respostas, Dos discursos de cada
um deles, extraímos as categorias "agilidade e rapidez" e "diminui as fronteiras", as
quais originaram os discursos dos sujeitos coletivos a seguir
Facilita sim , porque encurta as fronteiras. Tanto ampliam a possibilidade de
você se comunicar, quanto elas ampliam a possibilidade de você organizar
a comunicação. Acho que é a rapidez é a agilidade e praticidade. Ela é
importante, ela dissemina a informação, mas, ai gente tem que repassar de
outra forma porque agente não pode entender que a gente vai divulgar uma
ação e que todas as pessoas vão ter acesso, e não vão ter acesso, então
agente faz essa reflexão, porque no acesso a gente tá a traz da população
branca (DSC3) .

Eles disseram que no MNPB a disseminação da informação é agilizada pelas
fontes de informação. Nessa questão, os ativistas entrevistados parecem reconhecer
a importância dessas fontes , considerando que a comunicação é simultânea , produz
agilidade e rapidez e encurtam as fronteiras. Concordando com a facilidade na
disseminação da informação, eles atribuíram sentido ao uso dessas ferramentas . A
eficácia da disseminação perpassa a mecânica da simultaneidade no recebimento
de informação para alcançar resultados no uso que se faz dela.
O DSC explicita que as ferramentas intensificam a capacidade de organizar a
informação e comunicá-Ia , mas cabe ao usuário-aprendente apropriar-se dessas
características para atingir o propósito que intenciona. Caso esses propósitos
inexistam, as possibilidades da democratização informacional podem ser reduzidas.
O uso das ferramentas deve ser perpetuado para a inclusão étnico-racial, a
neutralização das ações direcionadas a preconceitos discriminações e racismos.
Essa iniciativa não é responsabilidade dos meios digitais, mas de questionamentos e
críticas dos sujeitos. Aqueles que dominam essas fontes são responsáveis por
repassar a informação para a população que não tem acesso a ela . Os meios são
apenas suportes facilitadores para que esse fim seja alcançado.
Os ativistas do MNPB como agentes da informação étnico-racial deve
reafirmar seu compromisso de "conscientizar a raça negra para que seja feita uma
releitura dos acontecimentos a partir da compreensão do seu papel na história"
(MNPB , 2010), disseminado a informação étnico-racial para desconstruir o discurso
que a exclui.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pesquisar temas sobre as relações étnico-raciais e sua relação com a
disseminação de fontes de informação na web implica construir e juntar os
fragmentos da memória coletiva da história da população negra, a fim de possibilitar
uma concepção de um conhecimento que sirva para erradicar as discriminações, os
racismos e os preconceitos que submetem os negros a humilhações e os excluem
dos diversos âmbitos da sociedade (AQUINO, 2009).
É possível constatar que, desde o processamento passando pelo tratamento
da étnico-racial e chegando a sua disseminação e memória, o profissional da
informação deve abandonar o preconceito em relação a qualquer suporte
informacional, sejam eles físicos, digitais e virtuais, e fazer com que o uso das fontes
de étnico-racial da Web possam inovar as práticas de mediação na disseminação da
étnico-racial para os diferentes usuários-aprendentes da grande rede.
Os profissionais da informação, conjuntamente com pesquisadores,
professores e alunos, devem construir uma rede social sobre as fontes de
informação da Web, aliadas às práticas culturais desenvolvidas pelos movimentos
sociais que sirvam para desvelar a realidade e as contradições. Como profissional
da informação, preocupada com o uso e a apropriação dessa informação
disponibilizada na Web pelos grupos socialmente invisibilizados, entendemos que
caberia ao Estado e Conselhos de Educação elaborar políticas de reparações por
meio de programas de ações afirmativas e políticas de informação que orientem a
sociedade, seus representantes e a comunidade científica para corrigir as
desvantagens e a exclusão nessa sociedade excludente e discriminatória , que
invisibiliza seus atores sociais, por meio de preconceitos e diferentes formas de
negação de sua cultura de origem , impondo uma cultura dominante, que impera, dita
normas e valores, exclui e fecha as portas aos menos favorecidos socialmente.
A disseminação da étnico-racial , por meio da Web, faz com que os sujeitos
tenham condições de modificar suas ações e, consequentemente, passem a ter
maior controle e integração com as instituições sociais de forma mais democrática.
Neste estudo, encontramos fontes de informação da Web que servem de
instrumentos para as entidades ligadas ao MNOPB como um canal de disseminação
da informação étnico-racial, e visam o uso e à apropriação da étnico-racial , para dar
possibilidade ao indivíduo de se tornar mais consciente do espaço em que vive e
interagir com ele através de sua cultura e de seus direitos e deveres. Percebemos
que o MNOPB é uma entidade que utiliza as fontes de informação da Web para se
apropriar da informação étnico-racial preservar a memória histórico-cultural desse
grupo.
Essas ferramentas podem contribuir para ajudar os grupos sociais que lutam
por direitos, democracia e justiça. É necessário entender também que a tecnologia ,
por si só, não atende aos propósitos e às demandas da sociedade. Ela é relevante
se resolver e/ou buscar soluções para atender aos problemas que atingem a nossa
sociedade.

6 Referências
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"social". In: VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Org .). Métodos qualitativos de

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              <text>Investigar como o Movimento Negro do Estado da Paraíba se apropria das fontes de informação na web e usa-as, na perspectiva de disseminação da étnico- racial é o objetivo que norteia este estudo. Entende-se que essas fontes de informação podem ser utilizadas como um canal de disseminação da informação étnico-racial para auxiliar os grupos socialmente invisibilizados, na atual sociedade da informação, do conhecimento e da aprendizagem, onde o preconceito, a discriminação e o racismo fazem parte do cotidiano dos sujeitos. O universo da pesquisa foi o Movimento Negro Organizado da Paraíba (MNOPB), e os sujeitos/participantes foram quatro ativistas vinculados a duas entidades desse movimento: o Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UFPB (NENN/UFPB) e a Organização de Mulheres Negras na Paraíba, a BAMIDELÊ. Os resultados mostraram que a ferramenta mais utilizada pelo MNOPB, para veicular a informação, é o e-mail, e o uso do blog está associado à disseminação da informação apropriada pelo grupo. Nas considerações finais, é proposto para a entidade que se aproprie as fontes de informação na Web já utilizadas por ela, a fim de que sirvam como um espaço virtual que armazene a informação produzida e apropriada pelo MNOPB.</text>
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