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                  <text>226
Título do artigo aqui

�Para além dos muros da universidade:
prática docente na extensão universitária
Beyond the walls of the university: teaching practice in the university extension

Jorge Santa Anna
Mestre e doutorando em Gestão e Organização do Conhecimento
Escola de Ciência da Informação - Universidade Federal de Minas Gerais
professorjorgeufes@gmail.com

RESUMO
O presente trabalho relata atividades docentes desenvolvidas em um projeto de extensão universitária, de modo
a demonstrar a contribuição da prática docente nas atividades extensionistas. Parte-se do pressuposto de que os
docentes constituem personagens essenciais para o sucesso dos projetos e dos cursos de extensão, sobretudo
se utilizados métodos e procedimentos estimuladores e adequados ao perfil dos cursistas. Metodologicamente, o
estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, permeado por pesquisa bibliográfica
e relato de experiência vivenciado pelo docente no curso de Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica. Constatouse a participação docente no planejamento do referido curso, distribuindo os conteúdos temáticos em módulos,
conduzindo as aulas expositivas e contextualizadas, bem como elaborando e socializando os temas dos projetos de
pesquisa. Com efeito, a atuação docente no curso de metodologia proporcionou a integração da extensão com a
pesquisa e o ensino, permitindo uma maior aproximação da universidade com o contexto social, tendo a ciência um
papel preponderante nesse processo, haja vista o rompimento de desigualdades e a busca pelo desenvolvimento da
sociedade.
Palavras-chave: Prática docente. Extensão universitária. Cursos de extensão. Metodologia científica.

ABSTRACT
It reports on teaching activities developed within the scope of a university extension project, in order to demonstrate
the contribution of teaching practice to extension activities. It is assumed that teachers are essential characters for the
success of projects and extension courses, especially if they use methods and procedures that stimulate and suit the
profile of the trainees. Methodologically, the study is characterized as a descriptive research, of a qualitative nature,
permeated by bibliographic research and report of an experience lived by the teacher in the Course Methods and
Techniques in Scientific Research. It was verified the teaching participation in the planning of the course, distributing
the thematic contents in modules, as well as in the conduction of the classes, through the use of expository classes,
contextualized and the elaboration and socialization of the themes of the research projects by the students. In fact, the
teaching performance in this methodology course provided the integration of extension with research and teaching,
allowing a closer approximation of the university with the social context, with science having a preponderant role in this
process, the breaking of inequalities and the search for the development of society.
Keywords: Teaching practice. University extension. Extension courses. Scientific methodology.

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Interfaces - Revista de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, v. 8, n. 1 - Edição extra, p.1-282, maio/2020

�INTRODUÇÃO
As atividades extensionistas têm exercido – por meio do vínculo que tenta
estabelecer entre ambiente universitário e sociedade – inúmeras contribuições
para o desenvolvimento das universidades. Além de beneficiar a instituição,
em conjunto com as atividades de pesquisa e ensino, é possível promover a
ampliação e a aplicação do conhecimento, pretendendo estabelecer melhores
condições de vida para os cidadãos. Portanto, a extensão estabelece uma relação recíproca entre a universidade e a sociedade, visto que, ao mesmo tempo
que esta recebe o conhecimento produzido e o utiliza para o bem-estar dos
indivíduos, aquela é influenciada pelas mudanças oriundas a partir da aplicação
desse conhecimento.
A importância atribuída à extensão universitária precisa estar em patamar
de igualdade com o ensino e a pesquisa, de modo que esses três elementos sejam vistos como dependentes uns dos outros e, concomitantemente,
complementares entre si. Esse discurso alimenta o chamado princípio da indissociabilidade, garantindo às instituições a possibilidade de unir esforços em
prol de objetivos semelhantes, mesmo realizando atividades com diferentes
enfoques e em diversos contextos.
Muitos estudos discorrem acerca da associação entre o ensino, a pesquisa e a extensão que são considerados como a tríade ou tripé que sustenta as
universidades. Pivetta et al. (2010) consideram que as universidades somente
assumirão uma atitude inovadora, no intuito de provocar uma transformação
social, à medida que fortalecerem e ampliarem as atividades relacionadas a
essa tríade. Para Gonçalves (2015), o princípio da indissociabilidade é complexo,
sobretudo por contemplar questões filosóficas, políticas, pedagógicas e metodológicas, haja vista a formação e o conhecimento desenvolvidos na e pela
instituição.
A complexidade inerente à integração das atividades de ensino, pesquisa
e extensão manifesta-se como um desafio para muitas instituições. Somado a
isso, tem-se, também, a forma diferenciada com que esses elementos têm sido
tratados, em muitos casos, não sendo considerados sob o mesmo patamar de
igualdade. A esse respeito, Fernandes et al. (2012) esclarecem que as atividades
extensionistas, em muitos casos, não são muito aproveitadas, como deveriam,
estando elas limitadas ou restritas a atividades assistenciais e manifestando-se
como campo de estágio das aulas teóricas.
Semelhante aos resultados alcançados com o estudo de Fernandes et al.
(2012), Viviurka e Porto Alegre (2013) também discorreram sobre os impasses
enfrentados pela extensão. Os resultados desse estudo apontam que a extensão não é considerada uma atividade menor em relação ao ensino e à pesquisa
na instituição, mas “o problema situa-se na falta de registro e de divulgação”.
Assim, para que a extensão seja conduzida de forma efetiva, e atinja os diversos fins a que se destina, faz-se necessário o envolvimento de profissionais
de diferentes áreas do conhecimento, como também das equipes de trabalho

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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�que atuam na universidade, tais como servidores e docentes. De acordo com
Monteiro et al. (2009), a prática docente muito pode contribuir nas atividades
extensionistas, embora, ainda seja pouco explorada. Na visão de Nozaki, Ferreira e Hunge (2015), além de contribuir com o aprendizado dos alunos em cursos
de extensão, a participação do docente garante um enriquecimento da própria
atuação pedagógica desse profissional, o qual tende a ampliar suas estratégias
em ensinar e aprender.
Portanto, o trabalho está ancorado no pressuposto de que os docentes
constituem personagens essenciais para o sucesso das atividades extensionistas, atuando na condução dos cursos de extensão, especialmente se utilizados
métodos e procedimentos estimuladores e adequados ao perfil dos cursistas.
E este texto objetiva discorrer acerca das principais atividades docentes desenvolvidas no âmbito de um projeto de extensão universitária, de modo a
demonstrar a contribuição da prática docente nesse processo.
Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, permeado por pesquisa bibliográfica e relato
de experiência vivenciado por docente no Curso de Métodos e Técnicas em
Pesquisa Científica, realizado na Escola de Ciência da Informação (ECI), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA E
PRÁTICA DOCENTE: ALGUMAS
ARTICULÇÕES
A extensão universitária corresponde a um conjunto de práticas realizadas
pelas universidades, que extravasa o ambiente acadêmico, permitindo maior
aproximação dos estudantes com a vivência social. Essa aproximação tem uma
dupla e recíproca finalidade, pois, ao mesmo tempo em que possibilita a fusão
entre teoria e prática, também viabiliza contribuições para os indivíduos e as
organizações da sociedade (RAMOS; VIEIRA, 2012).
Essas práticas realizadas na instituição de ensino superior, normalmente,
são conectadas a projetos e programas, podendo se apresentar na forma de
cursos, eventos, palestras, produções científicas, pesquisa e desenvolvimento,
entre outras (FACULDADE MACKENZIE, 2018). Em linhas gerais, servidores, professores e alunos vinculam-se a essas atividades, as quais almejam, essencialmente, o alcance de um conhecimento mais efetivo e sólido (RAMOS; VIEIRA,
2012).
Para que esse conhecimento seja alcançado, como descrito por Ramos e
Vieira (2012), faz-se necessário que as atividades extensionistas sejam articuladas às atividades de pesquisa e de ensino. Desse modo, a formação profissional
demandada pelas universidades permitirá ao futuro profissional realizar “inter-

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Interfaces - Revista de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, v. 8, n. 1 - Edição extra, p.1-282, maio/2020

�venções na e sobre a realidade, construídas com autonomia e competência
para um fazer vinculado à prática social, geradora de novos saberes e novos
fazeres” (PIVETTA et al., 2010, p. 377).
Dentre as diversas formas de atividades ou projetos extensionistas, destacam-se os cursos de extensão, conceituados como o “conjunto articulado de
ações pedagógicas, de caráter teórico e/ou prático, presencial, planejadas e
organizadas de maneira sistemática” (FACULDADE MACKENZIE, 2018, p. 3). Em
linhas gerais, esses cursos representam um exemplo visível da necessidade de
articular o ensino e a pesquisa, para que as atividades pedagógicas presentes
nesses eventos sejam efetivamente consolidadas e atendam às necessidades
dos aprendizes, melhorando continuamente a proposta da extensão (ROSA,
2012).
Esses cursos não podem ser compreendidos como a extensão universitária propriamente dita, visto que essa é conduzida por atividades diferenciadas,
com propósitos mais amplos, embasadas em programas e projetos devidamente oficializados e gerenciados por órgãos ou colaboradores da instituição
(SILVA, 2018). Com efeito,
as atividades de extensão bem planejadas, bem estruturadas e bem executadas permitem à universidade socializar e democratizar os conhecimentos dos
diversos cursos e áreas, e também preparar seus profissionais, não somente
com a estratégia do ensino-transmissão, mas complementando a formação
com a estratégia do ensino-aplicação (SILVA, 2018, não paginado).

Os cursos de extensão precisam ser conduzidos por práticas que caracterizam a inovação pedagógica no campo acadêmico. Práticas em que a
ação formativa seja realizada de forma colaborativa – com vários profissionais
envolvidos no desenvolvimento das atividades – e que possa viabilizar uma
relação dialógica, entre alunos e professores, haja vista permitir amplas formas
de compartilhar conhecimentos e, além disso, aperfeiçoar continuamente as
estratégias, metodologias e procedimentos que permeiam o processo educativo nas instituições de ensino (ROSA, 2012).
No âmago das atividades desenvolvidas em sala de aula, no contexto
dos cursos de extensão, é preciso enfatizar a importância da interação entre
professorado e alunado. Essa interação precisa ser conduzida pelo respeito,
acolhimento e diálogo, assim como apontou Freire (1996). Também se reforça
a importância da postura do docente, que precisa, primeiramente, conhecer as
realidades, necessidades, hábitos e expectativas da comunidade participante
dos cursos, para, a partir disso, elaborar métodos e estratégias pedagógicas
adequadas ao perfil dos cursistas, como relatou Silva (2002) acerca da relação
pedagógica em curso de extensão direcionado à terceira idade.
Além de atender as necessidades dos alunos, o docente tem o papel
de garantir a sua própria formação, ou seja, o seu aprimoramento, sobretudo
quando se considera a reciprocidade inerente ao processo de ensino-apren-

230
Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�dizagem, permeado pelo ato de ensinar-aprendendo (FREIRE, 1996). Nesse
contexto, o docente que atua em cursos extensionistas, em que os cursistas
são provenientes de diferentes culturas, contextos e instâncias da sociedade,
há de se considerar que,
nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinando,
ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar
realmente de saber ensinando, em que o objeto ensinado é apreendido na sua
razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos (FREIRE, 1996, p. 14).

O docente que atua em cursos extensionistas tem a missão primordial
de elaborar uma prática formativa e pedagógica a qual estimule a atenção, o
empenho e o engajamento dos alunos. Ademais, o docente precisa “refletir sobre a prática desenvolvida, afim de que seja possível redirecionar as atividades
de acordo com os objetivos propostos” (CORRÊA-SILVA; PENHA; GONÇALVES,
2017). Além disso, como nos projetos de extensão, o docente poderá elaborar
os planos dos cursos, supervisionar as atividades da equipe envolvida, dentre
outras atividades que promovam melhorias, seja no processo de gestão, seja
no ensino-aprendizagem (FACULDADE MACKENZIE, 2018).
A literatura até então publicada é exaustiva ao abordar a contribuição do
docente em cursos de extensão com foco na formação inicial ao exercício da
docência. Como destacam Dall’Acqua, Vitaliano e Carneiro (2013), esses cursos
e demais atividades extensionistas necessitam ser mais e intensamente valorizados, em virtude do papel articulador que podem exercer entre as atividades
investigativas e didáticas, algo de significativo valor para a formação inicial daqueles que querem se dedicar ao exercício educativo.
Também se faz necessário considerar a atuação docente em outras atividades demandadas para execução de um curso de extensão. Assim, o docente
poderá articular as atividades de ensino desenvolvidas em sala de aula com as
atividades de pesquisa, sobretudo ao preparar as aulas, estimular os alunos ao
ato da investigação, além de melhorar sua capacidade de interação com alunos e membros da equipe executora, de modo que sejam trabalhados, simultaneamente, não apenas habilidades técnicas exigidas para o ato de ensinar, mas
também habilidades direcionadas à ética, sensibilidade e humanização (ROSA,
2012).

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�O CURSO DE EXTENSÃO MÉTODOS
E TÉCNICAS EM PESQUISA
CIENTÍFICA
O curso de extensão intitulado Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica: preparação para ingresso na Pós-Graduação representa uma das ações
desenvolvidas por um projeto de extensão de mesmo nome, coordenado por
servidor vinculado à ECI/UFMG, e gerenciado pelo Centro de Extensão (CENEX)
dessa escola e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP).
O projeto de extensão foi instituído no ano de 2017, com o intuito de
oferecer um curso especializado em metodologia de pesquisa científica, direcionado à capacitação da comunidade para ingresso na Pós-Graduação. Com
previsão de término para o final de 2018, ao longo de sua execução, tem-se
a pretensão de formar diversas turmas, com o mínimo de 10 e máximo de 40
alunos. Até o momento de elaboração deste relato (meados de 2018), o projeto
conseguiu formar três turmas, sendo que o relator desta experiência (docente)
foi convidado a participar do projeto em conjunto com o coordenador (servidor
da ECI), no sentido de permitir uma melhor gestão e também contribuir com a
prática docente em sala de aula.
Ressalta-se que o docente possui graduação em Biblioteconomia e atua
no ramo da prestação de serviços informacionais, de forma independente, com
foco na consultoria acadêmica, ministrando aulas, oferecendo treinamentos e
orientações a diferentes públicos, a fim de capacitá-los ao exercício da escrita
e da pesquisa científica.

Principais atividades gerenciais
desenvolvidas pelo docente
A priori, docente e coordenador elaboraram a proposta do curso, a qual
possui os seguintes objetivos: preparar o aluno e/ou profissional para a pós-graduação; introduzir os fundamentos do método científico; instruir sobre a
preparação de projeto de pesquisa; e orientar sobre a elaboração de artigos
científicos.
Com base nesses objetivos, definiu-se a carga horária (40 h, distribuídas
em dez encontros presenciais). Para execução desses encontros, estabeleceu-se a divisão por módulos, considerando diferentes conteúdos temáticos a
serem abordados nas aulas. Os módulos e seus respectivos conteúdos são os
seguintes:
•

Módulo I – Fundamentos (dois encontros): contextualização da
origem da ciência; tipos de conhecimento; introdução ao método
científico; a formação e divisão das áreas científicas; principais meto-

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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�dologias de pesquisa nas diferentes áreas do conhecimento;
•

Módulo II – Artigo científico (três encontros): reflexões sobre a estrutura do texto científico; o artigo científico e demais tipos e gêneros
textuais; apresentação das partes de um artigo; publicação de artigos
científicos;

•

Módulo III – Projeto de pesquisa (cinco encontros): conceitos de
metodologia científica; classificação das pesquisas; instrumentos de
coleta e análise de dados; a estrutura do texto científico; a escrita e
normalização do texto; as partes de um projeto de pesquisa.

Após elaboração do plano do curso, partiu-se para contratação de docentes conhecedores dos assuntos de cada módulo. Assim, conseguiu-se a
contribuição de três professores vinculados ao quadro efetivo da ECI, a maioria
atuante no curso de Biblioteconomia dessa escola.Em seguida, procedeu-se
à divulgação do curso por meio de posts publicados nos sites do CENEX, da
ECI e da FUNDEP. Até o momento de escrita deste relato (meados de 2018),
o projeto conseguiu formar três turmas, as quais obtiveram, sequencialmente,
15, 12 e 18 alunos, contendo perfis dos mais diversificados, desde servidores
e alunos (graduação e pós-graduação) vinculados à UFMG, até indivíduos de
outras instituições públicas e privadas pertencentes a diferentes áreas de conhecimento, como: Biblioteconomia, Arquitetura, Psicologia, Direito, Biologia,
Teatro, Administração, entre outras.
A atuação do docente auxiliar nas atividades desenvolvidas pelo projeto
Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica, no decorrer da aulas ministradas as
turmas I e II, restringiu-se a questões de cunho administrativo, tais como: elaboração do plano do curso, sobretudo no que tange à distribuição dos conteúdos
nos módulos; monitoria nas aulas; e auxílio a professores e alunos. Porém, na
terceira turma, com a ausência do professor responsável pelo Módulo III, o docente auxiliar responsabilizou-se pelo conteúdo a ser ministrado aos alunos
no módulo. A apresentação deste, as bibliografias utilizadas e os métodos e
procedimentos de ensino empregados na condução das aulas pelo docente
estão descritos na seção seguinte.

Principais atividades docentes realizadas em
sala de aula
O docente auxiliar conduziu as aulas do Módulo III, da terceira turma,
pela impossibilidade de o docente responsável assumi-las. Desde a formação
da primeira turma, ainda na oficialização do plano do curso, essa ocorrência
havia sido esclarecida, ficando assim esse módulo reservado ao docente auxiliar do projeto. Essa decisão foi tomada em virtude de o próprio docente estar
familiarizado com os conteúdos de Metodologia Científica, sobretudo, em se

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�tratando da estruturação e da elaboração de projetos de pesquisa. O docente
atua, de forma autônoma, há mais de dez anos em consultoria acadêmica, seja
no ensino para grupos individuais, seja para empresas particulares e públicas
contratantes dos serviços.
A princípio, com base no plano geral do curso, o docente conduziu as
aulas por meio de conteúdos retirados de bibliografias clássicas as quais contemplam os assuntos pertinentes ao módulo. O Quadro 1 demonstra a correspondência entre os conteúdos temáticos do módulo e as principais bibliografias
que embasaram as reflexões em sala de aula.
Quadro 1 – Correspondência entre os conteúdos abordados em sala e principais
bibliografias

CONTEÚDOS TEMÁTICOS
Conceitos de metodologia científica

PRINCIPAIS BIBLIOGRAFIAS UTILIZADAS
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marília.
Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São
Paulo: Atlas 2003.

Classificação das pesquisas

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa
social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

Instrumentos de coleta e análise de dados

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do
Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2007.

A estrutura do texto científico

MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: a prática
de fichamentos, resenhas e resumos. 12. ed. São
Paulo: Atlas, 2010.

A escrita e normalização do texto

LUBISCO, Nídia Maria Lienert. Manual de estilo
acadêmico: trabalhos de conclusão de curso,
dissertações e teses. 5. ed. Salvador: EDUFBA, 2013.

As partes de um projeto de pesquisa.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de
pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

Fonte: dados da pesquisa (2018).

As obras expostas no Quadro 1 serviram de base para fomentar o discurso
do docente. Na aula inicial de apresentação do módulo, foi entregue aos alunos
o plano de estudos contendo os assuntos que seriam apresentados ao longo
das cinco aulas, as bibliografias correspondentes e as principais atividades e
procedimentos de ensino a serem aplicados.
Assim, as cinco aulas desenvolveram-se com conteúdos e procedimentos de ensino diversificados com o intuito de tornar as aulas menos monótonas,
estimulando, dessa forma, a participação e o engajamento dos cursistas nas
atividades realizadas. O Quadro 2 resume o plano do módulo, expõe o tema da
aula, os procedimentos de ensino e os recursos utilizados.

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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�Quadro 2 – Plano geral do módulo III adotado pelo docente
AULA
I

TEMA GERAL
ABORDADO

PROCEDIMENTOS
DE ENSINO

RECURSOS DIDÁTICOS UTILIZADOS

A metodologia e o

- Aula expositiva e

Projetor multimídia, lousa, pincel, materiais

texto científicos

exemplificativa.

impressos, como livros, periódicos, teses,

Assunto, temática,

- Aula expositiva e

Projetor multimídia, lousa, pincel, materiais

problema, objetivos,

contextualizada;

impressos, como livros, periódicos, teses,

justificativa de

- Elaboração inicial

relatórios, projetos etc.

pesquisas

do texto do projeto.

Socialização dos

- Roda de conversas.

Lousa, pincel e materiais impressos.

Referencial teórico,

- Aula expositiva e

Projetor multimídia, lousa, pincel, materiais

metodologia,

contextualizada;

impressos, como livros, periódicos, teses,

relatórios, projetos etc.
II

III

temas de pesquisa
IV

cronograma e

relatórios, projetos etc.

referências
V

Apresentação das
pesquisas

- Seminário.

Projetor multimídia, lousa, pincel e projeto
impresso.

Fonte: dados da pesquisa (2018).

Por meio do quadro anterior é possível perceber que o Módulo III, em
comunhão com os módulos anteriores, contemplou aulas teóricas e práticas,
dinâmicas e flexíveis sobre metodologia do trabalho científico e assuntos correlatos, como normalização bibliográfica e projetos de pesquisas científicas.
Considerando um dos objetivos principais do curso aqui relatado, qual
seja: “preparar o aluno e/ou profissional para a pós-graduação”, presume-se
que as aulas ministradas abarcariam os assuntos relacionados à metodologia
de pesquisa. É importante considerar que, no meio acadêmico/universitário,
“fazer ciência é importante para todos porque é por meio dela que se descobre
e se inventa, e o método representa, portanto, uma forma de pensar para se
chegar à natureza de um determinado problema, quer seja para estudá-lo, quer
seja para explicá-lo” (MOURA et al., 2018, p. 4).
Com efeito, ao longo das aulas, o docente enfatizou a necessidade de os
alunos adaptarem-se ao estilo científico, assumindo uma postura de pesquisador, em que os temas precisam ser delimitados, a fim de poderem explicitar
claramente a natureza das pesquisas, os métodos de investigação e as possibilidades de se alcançar resultados que gerem contribuições e inovações para
a ciência e para a sociedade.
Em todo o percurso do módulo, reforçou-se a necessidade de adaptação
dos cursistas, a fim de que esses pudessem ser inseridos no universo da pesquisa científica, realizando estudos de alto rigor metodológico, inéditos, com
ética, e que atendam aos “modismos” científicos e aos anseios da comunidade

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Interfaces - Revista de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, v. 8, n. 1 - Edição extra, p.1-282, maio/2020

�científica. Assim, o ensino de metodologia científica “vai dar as condições iniciais para que o aluno perceba e compreenda de que forma os saberes espontâneos e os científicos se relacionam com a vida em sociedade” (MOURA et al.,
2018, p. 5).
Para tanto, o docente estabeleceu, inicialmente, aulas teóricas e expositivas, para, posteriormente, exigir atividades práticas, como elaboração das
partes de um projeto de pesquisa. Assim, na Aula I, foram apresentados conceitos, divisão das áreas do conhecimento e os estilos específicos de cada uma
delas. Ademais, ao serem apresentadas as características do método científico
e as especificidades de cada área do conhecimento, eram demonstrados aos
alunos diversos materiais científicos publicados no formato impresso, como
livros, artigos de periódicos, teses e dissertações, relatórios técnicos e científicos, entre outros.
Ao longo desse discurso contextualizado e exemplificativo, foram explanadas a necessidade e importância de se adquirir um perfil de cientista, destacando a necessidade de os participantes adquirirem conhecimento suficiente
que os permita se adequar aos estilos científicos, no intuito de se inserir no
universo da ciência (Figura 1).
Quadro 1 – Correspondência entre os conteúdos abordados em sala e principais
bibliografias

Fonte: dados da pesquisa (2018).

Na aula II, após a contextualização sobre metodologia científica, apresentada na aula I, iniciaram-se as discussões acerca da necessidade de se
delimitar os temas das pesquisas – primeira parte a ser desenvolvida nos projetos de pesquisa. Semelhante à primeira aula, recorreu-se à aula expositiva e
contextualizada, na qual foram demonstradas características e estratégias para
se delimitar o tema de pesquisa e também outras partes decorrentes do tema,
como problema, objetivos e justificativas.
Uma das estratégias apontadas pelo docente teve como subsídio o método dedutivo de pesquisa, no qual os temas vão sendo recortados a partir de
enfoques mais abrangentes e depois reduzidos em enfoques mais específicos.
Foi ensinada a técnica ou estratégia chamada pelo docente de “métodos das
caixinhas”, na qual, a partir de cinco retângulos em branco, são preenchidos,
em cada um, sequencialmente, os seguintes tópicos: área do conhecimento –
campo de investigação – assunto – tema – objeto – título da pesquisa (Figura 2).

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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�Figura 2 – Slides demonstrando o método dedutivo e a estratégia das caixinhas

Fonte: dados da pesquisa (2018).

O exemplo apresentado na Figura 2 demonstra uma forma de melhor
clarificar o objeto que será investigado em uma pesquisa científica, de modo
que o pesquisador não se perca, e tenha dados suficientes para traçar objetivos
e tentar atingi-los, gerando resultados. Especificamente, no quadro à direita
da Figura 2, a partir do preenchimento das caixinhas em amarelo, é possível
deduzir que a pesquisa é da área de Filosofia, cujo foco de análise é a Teoria do
Habitus do filósofo Pierre Bourdieu nos trabalhos de conclusão de graduação
em Filosofia da UFMG.
Embora essa estratégia seja um tanto simplista para delimitar temas de
pesquisa, essa foi utilizada pelo docente considerando o perfil dos cursistas,
visto que, em cursos de extensão, dada a diversidade de perfis presentes, faz-se necessário adotar estratégias que sejam adequadas ao entendimento dos
participantes, como o exposto no estudo de Corrêa-Silva, Penha e Gonçalves
(2017).
Ao final da aula II, os alunos foram motivados a iniciar a delimitação dos
temas de suas pesquisas, considerando o que pretendiam investigar quando
estivessem na pós-graduação. Assim, foi dado o exercício do preenchimento
das caixinhas, o qual foi comentado na aula seguinte, mediante roda de conversas.
A partir das aulas iniciais, contendo discussões, exemplificações e exercício prático inicial, acredita-se que os alunos foram estimulados a desenvolver
as habilidades para desenhar uma pesquisa científica, aplicar um método e,
concomitantemente a esses processos, elaborar a escrita do texto científico.
Essas atividades foram se desenrolando nas aulas seguintes. Logo,
o papel da metodologia científica é servir de guia de orientação para o pesquisador, em qualquer nível em que ele se encontre. Nesse sentido, é sempre
prudente que, somente após a compreensão de alguns dos seus requisitos
essenciais (métodos, técnicas etc.), aconteça, então, a elaboração e execução
de uma pesquisa científica. Logo, o pesquisador deve apropriar-se dos seus
requisitos metodológicos a fim de conduzir a pesquisa nos moldes da exigência
da academia (MOURA et al., 2018, p. 5).

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�Na Aula III, por meio da atividade denominada pelo docente de “roda de
conversas”, discorreram-se os procedimentos práticos. Nessa atividade, os
assentos da sala foram dispostos no formato circular, e cada aluno teve cinco minutos para expor as partes de seu projeto – a partir do preenchimento
demandado na estratégia das caixinhas. Após a exposição de cada cursista,
a turma pôde debater o tema, elucidando críticas, fazendo considerações e
apontamentos que propusessem uma melhoria ou uma melhor delimitação do
tema ou do objeto de investigação explicitado. Nesse processo, o professor
portou-se como um mediador dos debates, realizando a avaliação crítica dos
temas e contextualizando-os, de modo a demonstrar que, mesmo existindo
especificidades entre as áreas de conhecimento, a forma de se arquitetar um
projeto de pesquisa, praticamente, é a mesma, considerando a sistematização,
a objetividade e a conexão que deve existir nas partes que vão sendo desenvolvidas ao longo da pesquisa.
Na aula IV, novamente, volta-se às discussões relacionadas a conceitos, procedimentos, técnicas, coletas e análises de dados, com o intuito de
demonstrar ao alunado as características e a forma de como desenvolver as
seguintes partes de um projeto: referencial teórico, metodologia, cronograma
e referências. Para isso, na primeira parte da aula, utilizou-se aula expositiva
como procedimento de ensino, sendo demonstradas as diferentes formas de
se estruturar o texto do referencial teórico. Nessa ocasião, por meio de demonstrações de textos nos slides, o docente aproveitou para discorrer também
sobre a estrutura do texto acadêmico, considerando a adequação às normas
bibliográficas e às regras estabelecidas pela Gramática Normativa da Língua
Portuguesa (Figura 3).
Figura 3 – Slide demonstrando a construção do referencial teórico e as classificações
para a metodologia.

Fonte: dados da pesquisa (2018).

Também nessa aula, a contextualização realizada acerca das diferentes
formas de se elaborar uma pesquisa, por conseguinte, construir novos conhecimentos, provocou um debate profundo e adequado ao curso ministrado,
sobretudo ao considerar a proposta da extensão. Assim, ao perceber que há
diferenciados métodos para se classificar uma pesquisa (conforme quadro à
direita da Figura 3), os participantes, oriundos de contextos variados, foram
instigados a reconhecer que o conhecimento prévio que possuem, ao ser

238
Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�contextualizado e sistematizado sob uma abordagem metodológica, poderá
contribuir para gerar descobertas e, de alguma forma, contribuir com inovações
para a ciência e para a sociedade.
A respeito das múltiplas possibilidades de se produzir conhecimento,
desde que seja cumprido um percurso sistemático e metodológico, dialogamos com Tozoni-Reis (2018, p. 3, grifo nosso), para quem, o conhecimento
torna-se “a compreensão teórica do mundo e das coisas, ou seja, há uma elaboração no pensamento em busca de significado”. Aliado a esse fato, é preciso
considerar, também, “que há uma ação prática, pois a definição elaborada no
pensamento conduz à ação, ao modo de agir sobre o mundo compreendido,
ou seja, significado”.
Com o intuito de elucidar estratégias para tornar o projeto de pesquisa
mais sistematizado e metodologicamente capaz de atingir resultados, o docente demonstrou a necessidade de se estabelecer a conexão entre os procedimentos de pesquisa adotados na metodologia em correspondência com
os objetivos, além de outras questões relativas ao ambiente que se propõe
investigar, tal como os conceitos de universo, amostra, sujeitos e ambiente de
pesquisa (Figura 4).
Figura 4 – Slides demonstrando a correspondência entre métodos e objetivos, bem como
outras questões para delimitação do que será analisado e onde ocorrerá a pesquisa.

Fonte: dados da pesquisa (2018).

Conforme apresentado na Figura 4, à medida que os conceitos eram
explicitados, os exemplos eram apresentados de modo que os participantes
assimilassem com maior facilidade a forma de como elaborar a escrita dos
objetivos e os aspectos inerentes à metodologia. Destaca-se que os exemplos
das pesquisas apresentadas pelo professor, nos slides, foram descritos conforme diferentes realidades e contextos – clínicas odontológicas, universidades
federais, centros urbanos, cursos de graduação etc.–, de modo a reforçar que
a pesquisa científica pode permear todo e qualquer realidade social presente
nas manifestações cotidianas e com múltiplas interpretações, como apontado
no artigo de Francelin (2004).
Finalizada a aula expositiva, ainda na aula IV, iniciaram-se os procedimentos práticos em que os alunos teriam que desenvolver um pré-projeto de

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�pesquisa, contendo as partes ensinadas ao longo do Módulo III. Essa atividade
iniciou-se em sala, com a orientação do professor a cada aluno, individualmente e, na posterior e última aula– quatro dias após a aula IV–, os projetos foram
apresentados, sendo avaliados pelo docente e pelo coordenador do curso de
extensão, o qual foi convidado a participar na última aula.
A fim de facilitar a escrita do projeto de pesquisa, o docente disponibilizou um documento (template), já devidamente normalizado, no editor de texto
Word, contendo o passo a passo e as explicações sobre como elaborar as partes do trabalho (Figura 5).
Figura 5 – Modelo instrutivo para elaboração do projeto de pesquisa

Modelo de texto
normalizado

Instruções para
desenvolvimento
da escrita textual

Fonte: dados da pesquisa (2018).

Na Aula V, ocorreu a apresentação dos projetos na forma de seminário, no
qual cada aluno apresentou seu projeto para toda a turma, além de entregar
o texto impresso para os avaliadores (docente e coordenador). Constatou-se
a variedade de temas abordados nos projetos, considerando a realidade em
que os cursistas estavam inseridos. Citam-se como alguns principais temas
contemplados: arquitetura urbana em patrimônio histórico, violência doméstica
do ponto de vista do agressor, desenvolvimento de coleções em bibliotecas,
gestão de pessoas em bibliotecas, acesso à informação pela Polícia Judiciária,
comportamentos sociais por membros de religiões protestantes, dentre outros.
A diversidade dos temas permite inferir a conexão ou aproximação da
universidade com o contexto social, de modo a demonstrar o papel do curso
na extensão universitária. Portanto, um curso dessa natureza contempla os objetivos da extensão sem necessariamente perder a relação indissociável com a
pesquisa e com o ensino. Logo, um trabalho como esse permite “desenvolver
práticas educativas que valorizem as diversidades construídas pelos diferentes
sujeitos, e ao mesmo tempo [cria] espaços de diálogo e problematização dessas diferenças” (SANTOS, 2015, p. 24).
Com base na apresentação e na escrita do texto impresso, os avaliadores
estabeleceram uma nota, considerando entre zero a dois pontos para cada um
dos quesitos: estrutura formal e normativa do trabalho, temática, problema,
hipótese, objetivos, justificativa, referencial teórico, metodologia, cronograma,
oratória e segurança na apresentação– nota máxima de 10,0 pontos. Mesmo

240
Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�havendo insegurança e ansiedade por parte dos participantes, em linhas gerais,
foi possível perceber a motivação e o empenho na construção dos projetos, os
quais as notas obtidas variaram em torno de 6,5 a 9,7 pontos.
Além da nota e das correções no texto impresso, os avaliadores e demais
colegas tinham a possibilidade de realizar comentários e intervenções no sentido de qualificar o trabalho apresentado. Ao final, as atividades foram encerradas por meio de uma confraternização, como forma de estimular possíveis
interações e ampliar a convivência e a socialização entre os diversos participantes do projeto.

POSSÍVEIS RESULTADOS
ALCANÇADOS COM A EXPERIÊNCIA
A elaboração e condução do curso de Métodos e Técnicas em Pesquisa
Científica representa uma oportunidade de ampliar as ações desenvolvidas
pela extensão universitária, visto que muitos benefícios foram proporcionados,
seja aos próprios organizadores e envolvidos com o curso, seja aos participantes, sobretudo aos indivíduos oriundos de diversas comunidades externas à
universidade.
Além da contribuição com a “abertura dos muros” da universidade – tornando-a um espaço democrático de socialização que cria oportunidades, rompendo barreiras e desigualdades – o curso apresentado neste relato reforça
o quanto os cursos de metodologia potencializam os indivíduos provenientes
de quaisquer contextos da sociedade, no sentido de inseri-los no universo da
ciência e da pesquisa.
Com efeito, ao romper as barreiras e abrir as portas para capacitação de
indivíduos pesquisadores, a universidade, por meio da extensão, está contribuindo não apenas para a mudança social, mas também, e principalmente,
para o desenvolvimento da ciência. Considera-se que, nesse aspecto, “a ciência progride porque o homem de ciência, insatisfeito, lança-se a procura de
novas verdades. Assim empenhado, o pesquisador primeiro suscita e propõe
questões num determinado território do saber”, para, posteriormente, traçar um
plano que viabilize soluções aos problemas existentes (SALOMON, 1994 apud
MOTTA; LEONEL, 2011, p. 115).
Além de estimular o senso e a vontade de investigar um contexto ou um
objeto, os cursistas tiveram a oportunidade de desenvolver habilidades para
realizar investigações mais profundas e metódicas. Assim, tornaram-se mais
capacitados para concorrer aos processos seletivos de pós-graduação, e também desmistificaram a ideia de que ciência/pesquisa é algo inerente a classes
elitizadas, e que somente pode ser realizada em ambientes com alto nível de
desenvolvimento.
Portanto, percebe-se o quanto um curso de extensão voltado para me-

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�todologia científica, considerado como uma atividade incluída em um projeto
maior, poderá estimular o início de um debate mais profundo sobre a aproximação entre universidade, comunidade, ensino e pesquisa, sendo essa integração
fundamental para viabilizar a mudança social. Logo, “o papel transformador da
extensão universitária somente poderá se firmar como práxis de uma universidade pública quando professores, alunos, pessoal técnico-administrativo e
gestores assumirem o compromisso com a transformação da realidade educacional brasileira” (SILVA; VASCONCELOS, 2006, p. 134).
Essas constatações são fruto dos benefícios que estão sendo percebidos
ao longo do projeto de extensão Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica.
No entanto, é a partir da experiência relatada neste texto que se reforçam o
valor dos cursos extensionistas voltados ao ensino de metodologia científica,
com destaque à importância e à necessidade da participação de um docente
para o sucesso das atividades desenvolvidas em sala de aula. A participação
do docente, inicialmente, como auxiliar do coordenador, no que tange às atividades gerenciais, foi fundamental para permitir que o curso se desenvolvesse
de forma sistemática, com conteúdos divididos em módulos que permitiram ao
alunado entrar em contato com a pesquisa, treinar e desenvolver habilidades
de escrita científicas. Além disso, a participação do docente na condução da
Turma III, do Módulo III, na qual foram utilizados procedimentos inovadores e
adequados ao perfil dos cursistas, muito enriqueceu o conhecimento desses
sujeitos e também despertou a motivação e o engajamento com as atividades
de pesquisa, incentivando a possível vinculação em cursos de pós-graduação.
A respeito da adequação do curso às necessidades, desejos, anseios e expectativas dos cursistas, evidencia-se a contribuição dessa estratégia docente
para o sucesso das atividades extensionistas, pois é, por meio da integração,
do acolhimento e da adequação que a universidade tornar-se um espaço que
possibilita a agregação de saberes heterogêneos. Com efeito, ao criar essas
possibilidades de integração e oportunidades para as comunidades, a instituição também estende os limites do conhecimento, intensificando a criatividade
e moldando a identidade de uma nação (FERNANDES et al., 2012).
No que se refere, especificamente, à prática docente que permeia os cursos de extensão, a partir das contribuições oriundas da presença do docente
na gestão do projeto aqui descrito, e também a participação na condução de
aulas, é possível inferir que essa atuação não pode ser vista apenas sob a ótica da formação/capacitação do docente, mas, como descrito ao longo desta
experiência, a presença de um docente pode contribuir muito com o sucesso
das atividades extensionistas, sobretudo se adotar estratégias inovadoras que
promovam o incentivo e a aproximação entre os conteúdos ensinados e a realidade dos aprendizes.
A partir dos resultados alcançados com a experiência, percebe-se que
houve uma contribuição mútua entre docente e o curso de extensão, visto que,
ao mesmo tempo em que o docente aperfeiçoou suas estratégias de ensino
para públicos com múltiplos perfis, a própria turma foi beneficiada, considerando a capacidade de adequação do que foi ensinado às necessidades específi-

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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

�cas dos cursistas.
Em suma, semelhante à prática educativa que precisa ser libertadora,
como proferido por Freire (2001), nos cursos extensionistas, essa mesma filosofia precisa transparecer, para que o aprendizado do docente se consolide à
medida que ele, com atitude humilde, democrática e reflexiva, procure estimular a curiosidade e a participação dos alunos, a partir do contexto de vida e das
percepções de cada um. Logo, os cursos de extensão voltados para o ensino
de metodologia científica, ao revestirem-se desse pensamento, possibilitam,
cada vez mais, a aproximação entre universidade e realidade social, tendo a
ciência como um possível caminho para o rompimento de desigualdades e
garantia do desenvolvimento da sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da experiência relatada e dos possíveis resultados alcançados, é
possível concluir que a atuação docente pode contribuir para o desenvolvimento dos projetos de extensão, com destaque aos cursos extensionistas, em que o
docente pode exercer tanto atividades gerenciais quanto atividades de ensino.
Quanto às atividades gerenciais, constatou-se, como principal, a participação docente na elaboração do plano do curso, sobretudo ao distribuir sistematicamente os conteúdos temáticos em módulos. No que tange às atividades
em sala de aula, percebeu-se que as aulas expositivas e contextualizadas,
bem como as práticas de elaboração e socialização dos temas dos projetos
de pesquisa constituíram procedimentos de ensino adequados e satisfatórios
para despertar o interesse pelo universo da pesquisa e pela escrita acadêmica,
o que confirma a importância docente para o sucesso da extensão universitária.
Além disso, reforça-se o fato de que os cursos extensionistas voltados
para o ensino da metodologia científica possuem um potencial para proporcionar a integração da extensão com a pesquisa e o ensino, permitindo uma maior
aproximação da universidade com o contexto social, tendo a ciência um papel
preponderante nesse processo, haja vista o rompimento de desigualdades e a
busca pelo desenvolvimento da sociedade.
Por fim, os resultados aqui debatidos também confirmam as contribuições mútuas promovidas tanto ao docente, o qual teve a oportunidade de ampliar sua formação ao exercício da docência, quanto aos cursistas, que foram
beneficiados com procedimentos de ensino adequados e condizentes com a
realidade de cada participante.
Os resultados oriundos deste relato de experiência não permitem a finalização do debate, mas provocam novos questionamentos, os quais viabilizam
a realização de futuros trabalhos, com outras abordagens, tais como: a percepção dos cursistas sobre os procedimentos de ensino adotados no curso de
extensão, e o impacto agregado à formação do docente a partir da experiência
vivenciada.

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Interfaces - Revista de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, v. 8, n. 1 - Edição extra, p.1-282, maio/2020

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Data de submissão: 13/09/2018
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Para além dos muros da universidade: prática docente na extensão universitária

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              <text>2020</text>
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          <name>Language</name>
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          <name>Identifier</name>
          <description>An unambiguous reference to the resource within a given context</description>
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              <text>2318-2326</text>
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          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <text>Artigo de Periódico</text>
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          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
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              <text>Cursos de Capacitação </text>
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              <text> Metodologia Científica </text>
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              <text> Prática Docente</text>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Relata atividades docentes desenvolvidas no âmbito de um projeto de extensão universitária, de modo a demonstrar a contribuição da prática docente nas atividades extensionistas. Parte-se do pressuposto de que os docentes constituem personagens essenciais para o sucesso dos projetos e dos cursos de extensão, sobretudo se utilizados métodos e procedimentos estimuladores e adequados ao perfil dos cursistas. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, permeado por pesquisa bibliográfica e relato de uma experiência vivenciado por docente no Curso Métodos e Técnicas em Pesquisa Científica. Constatou-se a participação docente no planejamento do curso, distribuindo os conteúdos temáticos em módulos, como também na condução das aulas, mediante o uso de aulas expositivas, contextualizadas e a elaboração e socialização dos temas dos projetos de pesquisa pelos cursistas. Com efeito, a atuação docente nesse curso de metodologia proporcionou a integração da extensão com a pesquisa e o ensino, permitindo uma maior aproximação da universidade com o contexto social, tendo a ciência um papel preponderante nesse processo, haja vista o rompimento de desigualdades e a busca pelo desenvolvimento da sociedade.</text>
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          <name>Source</name>
          <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
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              <text>Interfaces - Revista de Extensão da UFMG, Belo Horizonte, v. 8, n. 1 - Edição extra, p.1-282, maio/2020.</text>
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