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                  <text>C OMISSÃO B RASILEIRA DE
B IBLIOTECAS P RISIONAIS
Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais - CBBP

Nesta edição

Introdução

Introdução
Informativo Covid nas Prisões 2
Mapeamento de atuação nas Bibliotecas Prisionais 5

2020, o ano em que o mundo parou.

CBBP Conversa 6

Um vírus mortal tomou conta do planeta terra

Projeto Mães no Cárcere 7

sem que nada pudéssemos fazer senão nos

GT CNJ para a construção do Plano Nacional de Fomento à

isolarmos socialmente em nossas casas. Assim foi

Leitura nos Ambientes de Privação de Liberdade 8

o começo do ano que se passou. Com as

Inclusão da CBBP no GT de Bibliotecas Prisionais da

Bibliotecas Prisionais não foi diferente. Tivemos
de nos adaptar, reinventar e, deste modo, seguir
trabalhando no nosso propósito que é garantir o
direito de acesso à leitura e apoiar a educação no
cárcere. Mesmo distantes das prisões, as quais
nem visitas de familiares passaram a receber,
montamos estratégias para que nossas ações
pudessem seguir.

“Mapeamento

dos

profissionais

que

atuam com a leitura nas unidades prisionais
brasileiras”; “CBBP Conversa” e “Projeto Mães no
Cárcere”. Conseguimos assento para estar no “GT
CNJ para a construção do Plano Nacional de
Fomento à Leitura nos Ambientes de Privação de
Liberdade”, recebemos o convite para integrar o
Comitê da IFLA “Library Services to People

with

Special

Needs

https://www.ifla.org/lsn

Section”

-

e ainda conseguimos

fazer uma ação de “Interlocução com as Escolas
de Biblioteconomia brasileiras” e compilar os
“Dados Estatísticos das Bibliotecas Prisionais no
Brasil”.
Entramos em 2021 com o alento de saber que a
Ciência nos trouxe a vacina e com ela esperamos
que

em

atividades.

breve

Diálogo com as Escolas de Biblioteconomia 10
CBBP no Repositório FEBAB 11
Dados Estatísticos das Bibliotecas Prisionais no Brasil 12
Bibliotecas Prisionais: conceito 13
As Bibliotecas Prisionais e a Agenda 2030 da ONU 14

demorado, afinal, nunca antes na história a Ciência
buscou um antídoto em tão pouco tempo e uma
vacinação em massa não acontece do dia para a

Assim, nasceu nosso “Informativo Covid nas
Prisões”;

IFLA/UNESCO 9

possamos

Sabemos

que

voltar
será

às

um

nossas
processo

noite.
Os principais eventos da FEBAB precisaram ser
adiados e remanejados, pela segurança e proteção
de todos.

Esperamos que possamos voltar às

atividades e, assim, poder apoiar as famílias que
tiveram perdas em decorrência da COVID 19.
Apresentamos “Boletim Informativo 2020” e nele
você terá as informações sobre nossas ações e as
estatísticas das Bibliotecas Prisionais Brasileiras.
Catia Lindemann
Presidente da CBBP

�Informativo Covid nas Prisões

2

COVID-19 NO CÁRCERE, O COMEÇO
No dia 17 de março, o Departamento Penitenciário Nacional
propôs que detentos contaminados ou em grupo de risco
passassem a ficar isolados em contêineres fechados com o
número máximo de 10 detentos por unidade, porém sabemos da
ineficácia diante da execução da legislação penal, em confronto
com a realidade prisional. Uma medida essencialmente desumana
ganharia novas camadas de opressão dada às circunstâncias do
sistema.
Em 17 de abril, o Conselho Nacional de Justiça aprovou e “A pandemia e o desgoverno que
divulgou a Resolução nº 62 com recomendações para a redução enfrentamos proporcionaram que
da população carcerária a fim de conter a disseminação do novo

a covid-19 fosse usada como

coronavírus no sistema prisional. O ministro do STF, Marco instrumento de tortura dentro do
Aurélio
Mello,
também
sugeriu
uma
política
de cárcere. Quando Bolsonaro vetou
desencarceramento emergencial, com liberdade condicional para

o uso obrigatório de máscara
dentro das prisões, com uma
risco. No dia 18 do mesmo mês, o STF recusou a proposta,
canetada, ele evidenciou a política
achando necessário apenas as recomendações de higiene dentro
de extermínio que segue em
das prisões.
curso.”
presos acima dos 60 anos e regime domiciliar para grupos de

O sistema prisional brasileiro já vem sofrendo muito com
doenças

infecciosas,

e

que

se

dissipam

rapidamente

em

ambientes fechados, são os casos da escabiose (sarna), da
hanseníase e das hepatites A e B, além da principal doença:
tuberculose. Um estudo do Grupo de Pesquisa Saúde nas Prisões,
da Fiocruz, revela que a taxa de mortalidade entre presos no RJ é
5 vezes maior que a média nacional. Dessa taxa, 83% ocorrem
devido a fatores não ligados à violência, ou seja, decorrem de
doenças que poderiam ser revertidas diante um diagnóstico
rápido e um atendimento clínico íntegro. A tuberculose, por
exemplo, responsável por uma epidemia dentro dos presídios, é
uma doença absolutamente reversível. Portanto, a Covid-19 é
uma lupa para todos os problemas sociais, ela expõe o debate
urgente

acerca

de

reformas

do

sistema

carcerário.

Em

contrapartida, há um crescente nas respostas repressivas e
punitivas, não só atreladas ao setor criminal, mas também em
conflitos sociais gerais.
Muito se debate sobre o mundo pós-pandemia, mas o certo é
que o governo vem exacerbando sua agenda criminal e penal,
disseminando uma visão vingativa e dicotômica da existência de
“bandidos” e “cidadãos de bem” com políticas públicas aderentes
a esses princípios.

Mayra Balan,setor jurídico
da Pastoral Carcerária

�Informativo Covid nas Prisões

A PANDEMIA ATRÁS DAS GRADES
O Brasil possui uma população aproximada de 211 milhões de pessoas, dentre as quais, 1.145.906[1]
foram infectadas até 24/06/2020, o que corresponde a 0,55% da população geral. Já quando são
analisados os dados referentes à população prisional, nota-se que os 3.735 presos infectados
correspondem a 0,50% da população prisional, isto significa que a infecção estaria, aproximadamente, 10%
menor na população prisional. A taxa de mortalidade a cada 1000 habitantes, na população prisional
(0,08) estaria quase 3,2 vezes menor em relação a população brasileira em geral (0,25).
No site do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) constam as informações, atualizadas em 23 de
junho, sobre o impacto da Covid-19 no Brasil e nos 48 países que foram pesquisados [2]. Ao serem
analisados os dados sobre a taxa de infecção da população prisional — que é a relação de presos
contaminados x população prisional, o país estaria 16º lugar. A taxa de mortalidade por Covid-19 no
sistema prisional brasileiro é 0,08 por 1000 presos, taxa menor que os seguintes países: Canadá (0,33),
Estados Unidos (0,29), Argentina (0,12) e a Bolívia (1,46). Entretanto, não se pode afirmar que os dados
levantados demonstram a situação real dos outros países pesquisados, pois os dados coletados nem
sempre se revelam de fontes oficiais. Dentre os países pesquisados, o Brasil é um dos poucos que mantém
disponíveis, pelo site do DEPEN, as informações com atualizações diárias.
Ao analisar o grupo de risco considerando os dados do Sistema de Informações do Departamento
Penitenciário Nacional - SISDEPEN (até dezembro de 2019) nota-se que há, aproximadamente, 10 mil
idosos e 31.742 casos de comorbidades no sistema prisional, entretanto, pode haver menos presos do que
casos dessa natureza, haja vista que um mesmo preso pode ter mais de uma comorbidade ou até mesmo
acumulá-la com o fator idade. Somando os idosos (10 mil) e 31.742 casos de comorbidades (se fosse 1
por preso, o que é pouquíssimo provável e considerando que nenhum idoso a tenha), ter-se-ia, no
máximo, 41.742 presos em grupo de risco.
Durante o período da pandemia já foram colocados 39.375 presos em regime domiciliar o que
corresponde a 94,33% do grupo de risco.

A Pandemia da Tortura no cárcere
A Pastoral Carcerária lançou o relatório “A
Pandemia da Tortura no cárcere”. O
relatório é fruto da análise de casos e
denúncias relacionadas à pandemia do
coronavírus recebidas pela Pastoral
Carcerária Nacional ao longo do ano de
2020.
Leia na íntegra:
https://carceraria.org.br/wpcontent/uploads/2021/01/Relatorio_202
0_web.pdf

�Prevenção à COVID-19 no Sistema Prisional
Informações sobre medidas preventivas adotadas para a redução do impacto da Covid-19 estão
disponíveis em: http://depen.gov.br/DEPEN/coronavirus-no-sistema-prisional-1. As quais são:
-

Prevenção à COVID-19 no Sistema Prisional - Informações Complementares;

-

Sistema Prisional produz insumos para o combate à COVID-19;

-

Medidas concessivas adotadas pelas Unidades Federativas.

Aquisições emergenciais para combate à Covid-19
Foram adquiridos/doados materiais médico-hospitalares para subsidiar as ações e medidas de controle
e prevenção do novo coronavírus no sistema prisional. Está disponível no site uma planilha detalhada
contendo a consolidação dos insumos doados pelo Ministério da Saúde ou adquiridos pelo Ministério da
Economia e pelo Departamento Penitenciário Nacional. Nela é possível verificar diversas informações, tais
como: quais itens foram adquiridos ou doados, suas quantidades e para quais estados ou unidades entre
as Penitenciárias Federais foram destinados, entre outras informações.
Também foi disponibilizada uma planilha de aquisição emergencial de materiais e insumos para
subsidiar as ações e as medidas de controle e de prevenção do novo coronavírus no Sistema
Penitenciário Federal e nos Sistemas Estaduais de todo o país, com entregas parceladas e
descentralizadas. No início de junho, o DEPEN começou a distribuir 87 mil testes rápidos para a detecção
da Covid-19 para o Sistema Penitenciário Brasileiro.
Doações de máscaras
O Departamento Penitenciário Nacional tem se empenhado no desenvolvimento de ações planejadas e
integradas com unidades federativas, Instituições Públicas e Sociedade Civil Organizada para o
enfrentamento da pandemia. Por meio da iniciativa Todos pela Saúde serão doadas aproximadamente
2,5 milhões de máscaras reutilizáveis, cuja doação será suficiente para distribuir três unidades para cada
preso e cinco para os trabalhadores do sistema prisional.
Doação do Ministério da Economia
O Ministério doou 220 tablets e 50 notebooks que foram repassados aos estados com o intuito de
diminuir o impacto da suspensão das visitas presenciais, durante a pandemia e viabilizar visitas virtuais,
bem como atendimentos jurídicos.
Vacinação de servidores
Os servidores do sistema prisional foram vacinados contra a influenza visando evitar o surgimento de
doenças com sintomas semelhantes aos da Covid-19 e para ajudar a evitar a sobrecarga de
internamentos na rede pública de saúde.

“Eu aprendi a gostar dos livros depois da biblioteca, fico lendo
até meu olho fechar e isso vicia. Já não sei mais dormir sem ler
uma página que seja”. (A.S - Apenado).

�Mapeamento de atuação nas Bibliotecas Prisionais

5

Página 5
Entre os meses de agosto a setembro de 2020 foi disponibilizado pela CBBP um questionário online com
o intuito de mapear os profissionais que atuam com a leitura nas unidades prisionais brasileiras. O
formulário foi divulgado pelos membros da CBBP nas redes sociais. Foram obtidas 44 respostas, e com
base neste instrumento compilamos as seguintes informações.
Quanto ao nível de formação acadêmica dos respondentes temos a seguinte
configuração:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
No qual, constata-se que 56,8% desses profissionais possuem pós-graduação completa. Ainda quanto à
formação profissional, destacamos a interdisciplinaridade das áreas na atuação com a leitura no
ambiente prisional brasileiro, como apresentado a seguir:
Fonte: Mapeamento CBBP, 2020

�O gráfico revela que diversas áreas do conhecimento estão atuando com a leitura no ambiente prisional.
Esses profissionais atuam nas diversas regiões do Brasil, conforme mostra o gráfico a seguir:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
A região Sudeste apresenta a maior porcentagem de profissionais e no Centro-Oeste temos a menor
percentagem. No entanto, percebemos que todas as regiões estão contempladas no gráfico.
Para retratar melhor o perfil desses profissionais, na sua identificação por gênero, os participantes
responderam o seguinte:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
O que demonstra uma superioridade no número de pessoas do gênero feminino atuando com leitura nos
estabelecimentos penais brasileiros.
Quando indagados sobre o tipo de atuação que esses profissionais desempenhavam nas unidades
prisionais, obtivemos o seguinte cenário:

�Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
Esse cenário se deve principalmente pela atuação dos professores, agentes penitenciários, assistentes
sociais e demais profissionais que fazem parte do sistema prisional e passam a atuar com a leitura
nesse ambiente. Cabe destacar que entre os profissionais de Biblioteconomia, dois são concursados do
Estado do Rio de Janeiro e atuam no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE), uma é
concursada do sistema de bibliotecas do seu estado e foi remanejada para trabalhar na Secretaria de
Justiça do Estado.
Sobre as ações desenvolvidas por esses profissionais nas unidades prisionais será apresentado um
recorte dessas ações conforme o tipo de atuação, tais como: atuação profissional, atuação voluntária e
atuação para pesquisa.
No âmbito da atuação profissional temos o seguinte panorama de ações de leitura no ambiente
prisional:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
Destacamos que dentre os participantes que formaram o quadro de atuação profissional e que estão
promovendo a leitura no ambiente prisional, temos: professores, bibliotecários, assistentes sociais,
agentes penitenciários, dentre outros.

�Quanto a ação destacada pelos participantes como de forma voluntária no ambiente prisional temos o
seguinte:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
Observamos que algumas ações voluntárias destacadas pelos participantes estão contempladas nas
ações desenvolvidas pela atuação profissional.
Apresentamos a seguir o panorama retratado pelos participantes com atuação de pesquisa no ambiente
prisional:

Fonte: Mapeamento CBBP, 2020
Conforme observado, temos diversas ações de pesquisa com múltiplos olhares para a leitura no
ambiente prisional.

�Atuação profissional
Sou Professor da rede estadual de ensino e atuo no sistema prisional desde 2011 na
oferta e execução da educação básica modalidade EJA. atualmente estou a frente do
projeto de remição de pena pela leitura.
Já atuo no estabelecimento penitencial a aproximadamente cinco anos, gosto muito do
meu trabalho e sempre que possível também sou voluntária. Acredito que a educação é
primordial para a ressocialização dos apenados e é através dela que podemos mudar o
pensamento dos alunos, estimulando o conhecimento e abrindo leques para que novos
horizontes sejam vistos.
Trabalho como secretária escolar da unidade de ensino Educador Paulo Jorge que faz a
escolarização nas unidades de medida socioeducativa de internação e do complexo
prisional de Maceió- ALse
Atuo no Setor de Educação do Departamento Penitenciário do Paraná, trabalho com
Programas de Leitura no Sistema Penitenciário, desde 1.998 e desde 2012 com o
Programa de Remição pela Leitura - Lei 17.329/12
Desenvolvimento atividade de incentivo a leitura em uma unidade de semiliberdade
socioeducativa, para adolescentes e jovens em privação de liberdade.
Atua há seis anos como bibliotecária do Departamento Geral de Ações Socioeducativas do
Estado do RJ. Atualmente trabalho na biblioteca central, especializada em socioeducação,
e realizo atividades de leitura em algumas unidades socioeducativas com os adolescentes
que cumprem medida de internação. As atividades desenvolvidas são empréstimos de
livros e mediação de leitura.
Sou orientador de leitura no projeto Desperta pela Leitura. Uma ótima experiência e o que
se promove nesse ambiente de trabalho vai muito além do profissional, há toda uma
parte social.
É uma experiência única. Aprendo na mesma medida que ensino. Sou respeitada como
mulher e como professora. Meus alunos são comprometidos e esforçados. É um projeto
que merece ser mantido e ampliado, pois para muitos é a única oportunidade de aprender
para realmente mudar de vida. Vidas encarcerados importam e a sociedade deveria apoiar
luta dos professores, porque através da educação esses indivíduos sairão transformados
para viver uma vida digna.
Estou no sistema carcerário de Santa Catarina há 22 anos. Atualmente, sou mediadora de
Leitura Subjetiva e Coordenadora Geral da Biblioteca Prisional Farol do Saber - PISCS.
Sou agente penitenciário e coordeno a educação
Atuo há 3 anos como Gestora Escolar na Escola Estadual São José localizada dentro do
Instituto Penitenciário do Amapá, onde tenho observado e aprendido sobre o universo da
Educação Prisional, percebo as dificuldades da realização de atividades no tangente a
Educação por diversos fatores, entre eles a liberação dos alunos regularmente
matriculados na escola, pontuo esse fator por considerá-lo o mais agravante no processo
do trabalho.
Sou Assistente social formada em 1996, concursada na AGEPEN desde 2003, lotada no
Instituto Penal de Campo Grande onde atuei até 2011 em, praticamente, todos os setores
se assistência, com exceção da educação. Implantamos eu e a psicóloga Mônica
Leimgruber, o projeto Renascer dependência química no IPCG. Após, fui para o Patronato
Penitenciário fiscalizar o cumprimento de sentença do preso e a partir de dezembro de

�2015 assumi a Chefia da DAE/AGEPEN/MS
Sou Agente Penitenciário de carreira, também responsável pelo setor de Educação da
unidade. Além de ter concluído uma especialização em Gestão Estratégica de Pessoas
estou cursando outra especialização em Inovação na Educação
Atendimento presos provisórios e condenados
Sou coordenadora de ensino em todas as unidades Prisionais. Tenho atuação em
desenvolver projetos, acompanhar educação básica através da EJA, fiscalizar as
metodológicas e execução das atividades, dos professores, dos rendimentos das pessoas
privadas de liberdade, os reeducandos, bem como coordenado todos os exames nacionais
- enceja e Enem PPL, e faço ponte com vara de execução penal para envio de dados, como
computos das remições de pena dos reeducandos.
Trabalhei por 10 anos com educação na prisão. Reorganizei uma biblioteca (Penitenciária
II de Serra Azul), sem o conhecimento técnico para isso, na época busquei apoio da USP Ribeirão Preto, mas infelizmente não foi possível fazer a parceria.
A leitura é de extrema importância para o homem preso, é o momento que ele abstrai de
todo cotidiano perverso para um momento individual, momento de paz. Por anos
organizei clubes de leitura com os reeducandos, a maioria deles desenvolveram o hábito
de ler na prisão. O clube de leitura chegava a ser terapêutico, pois no momento que
discutiam sobre o livro lido, falavam das suas vidas, podiam expor sua opinião de
verdade, sem ter que obedecer a ordem e a disciplina rigidamente imposta, podiam ser
eles mesmos, se expressando com suas palavras simples, com algumas gírias,
gesticulando, coisas que não se pode fazer fora da cela.
Meu total apoio para o bibliotecário na prisão, pois assim garantimos um trabalho técnico
e efetivo, contribuindo, minimamente, para a humanização da prisão, se é que podemos
pensar em humanização e dignidade no encarceramento
Policial penal, para auxiliar no entendimento de algumas leituras e também para não
excluir as que não sabem ler, ou que tenham alguma dificuldade em interpretação de
texto, nós, os agentes prisionais da unidade, pagamos um combo de internet e instalamos
na unidade, assim foi possível conectar um aparelho de TV ao YouTube que eu, garimpo
filmes baseados na leitura que as internas fazem e exibo em sala para todas. No final de
cada leitura a leitora conta da sua experiência com o livro e interpreta conforme seu
entendimento diante das demais. Depois de um longo debate entre todas exibo um filme
atrelado ou baseado na obra lida. Faço uma breve explanação sobre o autor, situo a obra
no tempo e no espaço, e exibo a película. No final de cada exibição debatemos pontos
específicos no livro e contrastamos com o filme. Dessa forma, creio, há uma melhor
compreensão e todas podem participar independente da capacidade intelectual de cada
uma.
Em 2014, trabalhei como instrutora pelo Sest Senat/ES onde ministrei o curso de auxiliar
de biblioteca nas unidades I e II da Penitenciária Estadual de Vila Velha/ES. Neste período
além de dar aula, observei que a biblioteca era bem equipada, mas que não tinha nenhum
bibliotecário e também nenhuma atividade que utilizasse a biblioteca como espaço
ressocializador. Então, nas primeiras horas de aula, passava o conteúdo da apostila e
depois apresentava filmes baseados em livros. Realizei um levantamento dos livros e
comecei a fazer a atividade e discutir os assuntos que cada livro abordava (questões
familiares, religião, história, entre outros). Naquele momento deu certo, pois os internos
procuravam os livros depois para ler, muito gratificante. Infelizmente, o curso acabou e
agora não tenho informação se esta atividade ainda é realizada, mas creio que não.
E assim, pensei na oportunidade de voltar ao sistema carcerário com projetos e mostrar
para a sociedade que existe um ser humano ali dentro, mas que não teve a chance de
mudar aqui fora. Por isso, este ano tentei o mestrado do PPGCI-UFES, e agora mestranda,
tenho o ensejo de pesquisar sobre a biblioteca prisional e seus serviços

�Vejo a biblioteca e o projeto Despertar pela Leitura como imprescindíveis para a
ressocialização dos apenados. Além de ocuparem a mente, eles criam contato com a
educação, e para muitos essa é a única oportunidade, visto que as aulas regulares não
podem atender a todos os reeducandos, por conta do grande número de busca.
Trabalho com implantação de Bibliotecas Prisionais nós presídios da capital e oito
interiores do Amazonas, coordenando as atividades de biblioteca itinerante e Programa
Remição pela Leitura. As atividades de empréstimo de livros nas Bibliotecas Prisionais são
executadas pelos auxiliares internos e acompanhados pela equipe multidisciplinar de cada
unidade prisional, com visitas técnicas periódicas realizadas por está profissional.
Implantação e dinamização de bibliotecas
Trabalho há sete anos na educação prisional, durante esse tempo vivenciei muitas
experiências trabalhando na biblioteca da escola. Observei o quanto os alunos avançam
no conhecimento através da leitura. Ouvi muitos depoimentos dos alunos se referindo a
importância de se ter biblioteca na escola, pois conseguiam sair do mundo das grades e
viajar pelo mundo através das leituras que faziam
O comportamento dos detentos durante as aulas é exemplar, sou muito respeitada os
alunos nos vêm como pessoas que tornam a pena deles um pouco mais suportável.
A educação dentro das penitenciárias exerce várias funções:
de melhorar a qualidade de vida do indivíduo preso, fazer com que os detentos utilizem o
tempo de forma proveitosa, propiciar a esses indivíduos oportunidade de acesso a
conhecimentos, atitudes sociais, princípios éticos e morais, contribuindo dessa forma
para sua ressocialização e cidadania.
Quase ao final de sua vida, Paulo Freire já reconhecia que embora a educação fosse
libertadora ela sozinha não dava conta de resolver todos os males da sociedade. As
escolas prisionais acompanhem o modelo da escola regular em muitos aspectos, sendo
imprescindíveis pauta, presença, carga horária e notas.
Muitas vezes se surpreendi com os argumentos apresentados por eles os argumentos
apresentados por eles durante a exposição de algumas matérias, que muitos apresentam
raciocínio rápido, principalmente em relação a cálculos.
Amo o trabalho que desenvolvo dentro da sala de aula com os reeducandos.
Atualmente estou aposentada, mas na época que eu atuava era uma educadora de
alfabetização, desenvolvia um trabalho de ensino e aprendizagem com pequenos textos,
alguns livros e revistas de nome conhecidos como "o catador de papel", "porta do meu
coração" e filmes de histórias reais que relatassem a realidade da vida.
Na época não existia biblioteca no CENAN, apenas alguns livros didáticos que não supriam
a demanda para todos os alunos. Por esse motivo eu buscava levar de casa livros como
romances, contos, poesias para despertar o interesse dos estudantes pela leitura
Trabalho como Orientadora de Leitura nos espaços de privação de liberdade, ou seja,
Penitenciária Agrícola e Penitenciária Industrial de Chapecó. Já é o terceiro ano que
trabalho nesse espaço, sinto-me feliz em poder partilhar daquilo que aprendi com os
reeducandos. Durante este tempo observei a importância e o valor que eles dão para os
estudos, bem como o desenvolvimento na leitura, através das produções textuais. Sempre
quis fazer biblioteconomia, mas não tive a oportunidade, porém, além do trabalho com os
reeducandos, também ajudei a organizar a biblioteca, pois o projeto iniciou em 2018, na
Penitenciária Industrial, na qual tenho carga horária maior. Acredito que a educação pode
mudar o mundo e devemos começar pelas pequenas coisas, dando a oportunidade da
reinserção dos reeducandos na sociedade. Sou muito feliz realizando o meu trabalho
como professora nos espaços de privação de liberdade.

�Atuação de pesquisa
Tratou de um projeto de contrapor o discurso midiático sobre quem são essas pessoas.
Em oficinas de leitura e reflexão construirão seus olhares.
Trabalho com formação de professores que atuam no cárcere. Tenho dedicado minha
pesquisa de doutorado para a mediação da informação no contexto das prisões
Atuei como pesquisadora a partir do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação
Científica da FESPSP e voluntária. Participei do projeto Leitura Liberta que visa levar a
leitura democrática ao cárcere. O projeto atua dentro da Penitenciária Feminina do Butantã
em contato direto com as detentas. São realizadas contação de histórias, leituras de
fotografias, letras de músicas, desenhos, cartas de tarot, entre outros tipos de leitura. Há
também o momento “mão na massa” onde as detentas produzem atividades baseando-se
nos assuntos propostos em cada encontro.
Pesquiso a Mediação da Leitura Literária no processo de ressocialização. Em 2014/2015,
trabalhei na implantação de salas de leitura em todas as unidades do IASES, em 2019,
ingressei no mestrado pra estudar como essas salas de leitura, ajudaram nas trocas com
os adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas
Sou Servidor da Execução Penal Estadual - Agente da Custódia, na Agência de
Administração do Sistema Prisional de MS - AGEPEN/MS. Atuo Instituto Penal de Campo
Grande - IPCG, colaborador na execução do Projeto de Extensão Universitária Remição da
pena pela Leitura, através da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Hoje projeto
encontra-se com suas atividades suspensas por força da pandemia denominada Covid-19.
Além do projeto de remição da pena de privação da liberdade por leitura sou coordenador
e estimulador no empréstimo de livros aos reclusos cumpridores da pena privativa de
liberdade neste IPCG
Atuei em 2016 como voluntária do Programa Novos Horizontes: a Universidade nos
espaços de privação de liberdade, projeto vinculado a Universidade do Estado de Santa
Catarina e coordenado pela Professora Daniella Câmara Pizarro. O programa possuía
quatro ações, uma delas é vinculada a biblioteca nos espaços de privação de liberdade,
especificamente a Biblioteca da Penitenciária Masculina de Florianópolis. Realizei em
2017, meu Estágio Curricular Obrigatório na Biblioteca da mesma Penitenciária. Além de
pesquisar em meu TCC qual era a importância da biblioteca prisional para os funcionários
do Complexo Penitenciário de Florianópolis. Em 2018, dando continuidade nos estudos
sobre bibliotecas prisionais, desenvolvi minha pesquisa pensando em diretrizes para
política de desenvolvimento de coleção para bibliotecas em ambiências prisionais, neste
sentido, realizei um estudo de caso na Biblioteca da Penitenciária de Florianópolis.
Atualmente, 2020, minha pesquisa de doutorado não está vinculada, diretamente, as
bibliotecas prisionais. A pesquisa está voltada para uma perspectiva relacionada a
linguagem carcerária, pensando seus significados e conceitos na organização do
conhecimento
Como disse anteriormente não estou atuando diretamente em uma instituição penal.
Estou desenvolvendo um PIBIC acerca da mediação da Informação em bibliotecas
prisionais em penitenciárias femininas e meu TCC é uma revisão de literatura sobre o
assunto. Para o Artigo entrevistei algumas pessoas que estiveram dentro do cárcere, pois
pelo curto espaço de tempo para o desenvolvimento e as burocracias que nesse caso só
atrapalharam mima pesquisa não pude adentrar no ambiente prisional como desejava
inicialmente.
Atuação voluntária
Mediação e Parte Jurídica.

�Nos montamos espaços de leitura em unidades prisionais em todo território da Bahia.
Orientei os reeducando do NÚCLEO DE RESSOLIAZIÇÃO DA CAPITAL (NRC) a organizar a
Biblioteca, foi um ano como voluntária e no outro virou projeto de extensão
Desde 2017, atuo como voluntária junto a Pastoral Carcerária de São Paulo, realizando
visitas de cunho humanitário nos 4 Centros de Detenção Provisória de Pinheiros.
Especificamente no CDP IV, passamos a desenvolver um projeto de remição de pena por
leitura no segundo semestre de 2017, mas, por determinações externas, as atividades
foram paralisadas e retomadas apenas em 2019, quando, além do projeto de remição,
passamos a organizar a biblioteca da unidade.
Como atividades exclusivamente de pesquisa, no primeiro semestre de 2017, a despeito
da minha pesquisa de Iniciação Científica, realizamos atividades de mediação de leitura,
dinâmicas lúdicas e educativas na biblioteca da Penitenciária Feminina de Sant'ana,
também na cidade de São Paulo.
Já âmbito da Pós-graduação, estão em andamento os trâmites burocráticos para a
realização de uma oficina de leitura e escrita na biblioteca da Penitenciária "Nilton Silva"
Franco da Rocha II, na cidade Franco da Rocha – SP
Ajudei a implantar o projeto de remição pela leitura na Penitenciária Feminina Ana Maria
do Couto May, em Cuiabá, que iniciou em outubro de 2017. A experiência criou o carrinho
móvel literário com 200 títulos (com doações) catalogados. Atualmente existe um espaço
para a biblioteca que foi criado no final de 2019 e se chama Biblioteca Bernardina Rich.
DOCENTE DE EDUCAÇÃO EM PRISÕES NA UNIVERSIDADE, PROJETOS DE PESQUISAS EM
UNIDADES SOCIOEDUCATIVAS, PRESÍDIO E ABRIGO
Achei de grande valia pois havia incentivo de leitura na biblioteca
Um grupo de bibliotecários e estudantes de Biblioteconomia realizaram ações entre
agosto de 2018 e fevereiro de 2020 para a instalação de um software de gestão e
catalogação do acervo. Processo acabou sendo interrompido pela pandemia.
Iniciamos a organização e catalogação das obras da biblioteca do regime fechado, bem
como campanha para receber doações de obras literárias.
Os recuperandos em sua maioria se mostram com bastante interessados no trabalho da
biblioteca, o que torna a atuação dos voluntários ser com mais expectativas, por muitos
procurarem a biblioteca de forma espontânea e não obrigatória, apenas para receber o
benefício.
faço parto do grupo cristão mãos de luz (@gc_maosdeluz) uma ONG que busca auxiliar
pessoas em estado de vulnerabilidade. Em um dos nossos projetos temos uma caravana
solidária educação e harmonia social, na qual arrecadados livros para o projeto livro
aberto da sap do Ceará. Já doamos mais de 15 mil livros nas 3 edições realizadas. Nesse
ano estamos arrecadando mais 2 mil. Além disso, estamos realizando visitas levando
alunos universitários, professores universitários e outros profissionais para conhecer o
sistema prisional e desmistificar a prisão. Incentivando a ressocialização dos presos e
reduzindo o preconceito

�CBBP Conversa

6

CBBP conversa e o mundo digital: novos olhares frente à Pandemia da COVID-19.
O CBBP conversa foi uma ação pensada em vista do cenário pandêmico mundial, da COVID-19, onde
inúmeras pessoas tiveram que fazer e manter o isolamento social, se afastando dos convívios físicos.
Além disso, esta ação levou em consideração que os membros da Comissão são de diferentes regiões
do país, como: Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Sergipe, Ceará e que buscamos atender a
maior quantidade de pessoas possível, com nossas ações. Desta forma, para conseguir alcançar o
máximo de pessoas, optamos pelo contato virtual, por meio de lives no canal do Youtube da FEBAB e
simultaneamente nas redes sociais da CBBP.
Assim, trouxemos a bibliotecária Raquel Fernandes, que contou um pouco de suas ações dentro do
presídio feminino de Sergipe quando desenvolvia seu mestrado no PPGCI-UFS (a convidada recebeu o
prêmio ANCIB de melhor dissertação). O segundo encontro foi com o bibliotecário Ciro Monteiro, autor
da primeira tese sobre bibliotecas prisionais no Brasil que contou um pouco da sua experiência frente a
uma biblioteca prisional e como sua pesquisa se desenvolveu. No terceiro encontro tivemos o prazer de
receber as professoras Telma de Carvalho (UFS) e Cristina Palhares, que dialogaram sobre a inserção
dessa temática nas escolas de formação. No último encontro promovido contamos com a presença da
bibliotecária Andrea Alessandra, que nos contou sobre sua atuação frente ao sistema de bibliotecas
prisionais do Amazonas. CBBP conversa proporcionou quatro conversas virtuais de julho a agosto de
2020, que reuniram pessoas de diferentes realidades e temáticas instigadoras para a área, com um
total de 3003 visualizações (Youtube e Facebook) até fevereiro de 2021 e muitas trocas entre os
participantes e o público que assistiu. Além do CBBP conversa, a CBBP marcou presença no mundo
virtual por meio de outras lives, como: “Bibliotecas Prisionais: a realidade do livro e da leitura nas
prisões de Portugal”, com a bibliotecária portuguesa Maria José Vitorino e a live “Do cárcere ao Direito
Penal: a transformação pelos livros”, com a ex-interna e hoje advogada Adriana Barros, todas
disponíveis no canal do Youtube da FEBAB.
Acreditamos que essas ações nos trouxeram para mais perto das realidades múltiplas do cárcere
brasileiro, bem como proporcionamos momentos de reflexão que ecoa por diversos caminhos práticos
e acadêmicos. Em um mundo onde as relações sociais foram forçadas a se transformarem, o contato
virtual hoje é essencial e a CBBP busca marcar presença nesse espaço.

�“Mães no cárcere: ninguém ficará para trás”

7

A FEBAB lançou o “Programa Emergencial de
Fomento” para ações de apoio alinhadas com a
Agenda 2030. Deste modo, todos os GTs e
Comissões poderiam enviar seus projetos e
concorrer ao edital, almejando ajudar, de algum
modo,
um
determinado
público-alvo
em
vulnerabilidade, principalmente, em tempos de
pandemia.
A CBBB foi contemplada com seu projeto: “Mães
no cárcere: ninguém ficará para trás”, com o apoio
do GT de Bibliotecas pela Diversidade e Enfoque
de Gênero, no objetivo comum de beneficiar
gestantes em situação de cárcere, com kits de
higiene.
Alinhados ao que preconiza a Agenda 2030 ““não
deixar ninguém para trás”, nos preocupamos com
as mulheres gestantes do cárcere, muitas vezes
invisibilizadas. O projeto atendeu 25 gestantes
encarceradas em três estados brasileiros: Sergipe,
Ceará e Minas Gerais.

GT Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

8

CBBP faz parte do Grupo de
Trabalho para a construção do
Plano Nacional de Fomento à
Leitura nos Ambientes de Privação
de Liberdade.
Como falar de promoção ao livro e a
leitura no cárcere, sem citar as
Bibliotecas Prisionais ou mesmo os
bibliotecários que trabalham na
rotina intramuros das prisões? Esse
foi o nosso questionamento quando
foi divulgada a portaria 204/07 de
outubro de 2020. Deste então, a
CBBP/FEBAB, articulou e dialogou
com o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), em defesa do papel do
bibliotecário
e
das
bibliotecas
prisionais nesse grupo de trabalho.
Assim, conseguimos a participação
de dois membros, um da CBBP e
outro da Diretoria da FEBAB para
integrar o grupo de trabalho
organizado pelo CNJ. Essa conquista
é de todos nós, que trabalhamos em
defesa da profissão e da garantia ao
acesso ao livro e a leitura gratuita a
todos.
Link para acesso à portaria: https://bit.ly/2TpClvf

�CBBP no GT Prison Libraries da IFLA/UNESCO

9

Desde a criação da Comissão pela FEBAB onde
foi possível dar representatividade às Bibliotecas
Prisionais, além de tirá-las do negligenciamento
da área, ela também passou a ser a referência
da pauta no Brasil. A luta não é fácil, tudo vai
além do livro e da leitura. A CBBP realiza
articulações políticas, ações dentro e fora do
sistema, além de seguir trabalhando pelas
unidades de informação, intramuros prisionais,
mesmo cientes de que a profissão de
bibliotecário sequer existe dentro do quadro
funcional
do
Departamento
Penitenciário
Nacional. Receber da IFLA, em parceria com a
UNESCO, o convite para participar do GT
Internacional de Bibliotecas Prisionais, só nos
mostra que estamos no caminho certo e, diante
disso, agora somos também referência na
América Latina e Caribe. Avante que o nosso
trabalho continua, a responsabilidade aumenta
e o prazer redobra. Não deixaremos ninguém
para trás, seja em qual for a prisão, que ela
tenha uma Biblioteca.

Diálogo com as Escolas de Biblioteconomia

CBBP e as Escolas de Biblioteconomia no Brasil

10

Em agosto de 2020 demos início a uma pauta de sua importância, dentro dos objetivos e propósitos da
CBBP, que é a de promover interlocução com as Escolas de Biblioteconomia de todo o Brasil, para uma
aproximação da temática sobre as Bibliotecas Prisionais dentro das escolas de formação (graduação e
pós-graduação) em Biblioteconomia. A partir do website da Associação Brasileira de Educação em Ciência
da Informação (ABECIN) foi possível encontrar as coordenações dos cursos em várias regiões do Brasil. Ao
todo foram enviados 37 e-mails de apresentação da CBBP e convidando para a 1ª live dentro do CBBP
Conversa (no YouTube da FEBAB e no Facebook da CBBP) com a pauta em questão, disponível em:
https://youtu.be/2O6KeNuh7dk. Nessa live contamos com a participação da Profa. Dra. Telma de
Carvalho, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Profa. Dra. Maria Cristina Palhares, do Centro
Universitário Assunção (UNIFAI).
Com essa ação e o envio de mensagem as Escolas de Biblioteconomia, conseguimos o retorno de apenas
11 instituições, mas apenas 06 conversaram com a CBBP por videoconferência ou telefone e apresentaram
interesse, engajamento e apreço pela temática das Bibliotecas Prisionais, tais como: UNIFAI, UFS, UDESC,
PUC-CAMPINAS, USP-ECA, FESPSP com os representantes dessas escolas tivemos o prazer de escutar suas
iniciativas, projetos e a inserção dessa tipologia de bibliotecas nos planos e programas de ensino dos
respectivos cursos, resultando em trabalhos de Iniciação Científica, TCCs, dissertações de Mestrado e
teses de Doutorado.
Continuamos na escuta e na luta por mais
escolas de Biblioteconomia estreitando os
laços com a CBBP e levantando a bandeira
dessa temática em seus cursos. Avante!
Entrem em contato conosco, queremos
conhecer o trabalho de vocês com as
Bibliotecas Prisionais, juntos somos mais
fortes!

�CBBP no Repositório FEBAB

11

Os documentos e outros materiais produzidos estão disponíveis no Repositório da Federação Brasileira de
Associação de Bibliotecários (FEBAB). A CBBP tem uma coleção que está sendo sempre alimentada.
Acesse: http://repositorio.febab.org.br/collections/show/36

Estatísticas das Bibliotecas Prisionais no Brasil
Unidade Federativa
AC
AL
AM
AP
BA
CE
DF
ES
GO
MA
MG
MS
MT
PA
PB
PE
PI
PR
RJ
RN
RO
RR
RS
SC
SE
SP
TO
TOTAL

PRESENÇA DE BIBLIOTECA
SIM
8
4
12
5
12
22
7
27
39
28
131
27
23
24
21
14
14
22
43
14
20
5
56
41
10
165
15
809

12
NÃO
7
7
9
3
13
10
1
8
65
25
98
15
26
27
52
59
4
47
8
3
29
1
56
11
0
23
10
617

Fonte: https://www.gov.br/depen

O Governo
brasileiras
Bibliotecas
repassadas

Federal via Ministério da Justiça, disponibilizou os dados estatísticos referentes às prisões
apenas do primeiro semestre de 2020. Diante disso, estamos colocando o mapa das
Prisionais também dentro deste contexto, uma vez que trabalhamos com as informações
pelo Departamento Penitenciário Nacional.

Os dados mostram que existem bibliotecas na maioria das unidades prisionais, porém, a realidade
percebida pela CBBP, por meio de suas ações e contatos com as pessoas que trabalham nos ambientes
intramuros, mostra o contrário. Ainda temos um grande número de estabelecimentos sem a existência de
uma biblioteca prisional. E para agravar a situação, muitas unidades prisionais já estão adotando a
terminologia “espaços de leitura” como acontece quando nos deparamos com os dados do Censo Escolar
quando se trata de bibliotecas escolares.
Temos, de acordo com os dados governamentais, 1.426 instituições prisionais no Brasil, destas, 809
alegam ter a biblioteca em seus espaços e 617 não possuem.

�GRÁFICO DAS BIBLIOTECAS PRISIONAIS BRASILEIRAS EM NÚMEROS
180
160
140
120
100

SIM

80

NÃO

60
40
20
0
AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

Bibliotecas Prisionais: conceito

13

“Bibliotecas Prisionais: da prática bibliotecária à jurisprudência do livro e da leitura atrás das grades”
Encerrando 2020, apresentamos por meio da nossa presidente CBBP, o conceito inédito no Brasil sobre a
temática “Biblioteca Prisonal” e tudo que circunda, juridicamente, o livro e a leitura no cárcere. Da
diferença de “remissão” para “remição”, além da técnica bibliotecária dentro de uma unidade de
informação intramuros da prisão e toda a sua legalidade.

RESUMO
As bibliotecas prisionais estão previstas em lei desde 1984. Entretanto, o tema é pouco conhecido da
sociedade e na área da Biblioteconomia há desinformações e ausência de abordagens sobre a prática
bibliotecária nas unidades de informação intramuros da prisão e o seu conceito. Nesse sentido, as ações
no contexto das Bibliotecas Prisionais envolvem o livro e a leitura, fomentando a Educação prisional e as
remições de pena por meio dos estudos e da leitura. A metodologia desta pesquisa envolve pesquisa
documental e apontamentos de técnica bibliotecária oriundos de uma experimentação empírica,
pesquisa-ação, decorrente de dez anos de atuação profissional e voluntária no cárcere, operando
diretamente com apenados, da idealização, execução e gestão de Biblioteca Prisional na maior
penitenciária do interior do Estado do Rio Grande do Sul (PERG), e o auxílio na implantação de Bibliotecas
Prisionais em outras instituições penais do Brasil. Conclui-se que parte do negligenciamento sobre a
biblioteca prisional se deve à ausência de informações sobre a mesma no que se refere a conceitos,
jurisprudência, regras, métodos e aplicabilidade, o que foi elucidado neste estudo, tanto no aspecto
conceitual quanto nas elucidações sobre a temática do livro no cárcere.

“O que torna essas bibliotecas diferentes, de certa forma, de outras bibliotecas, é que as
unidades informacionais da prisão estão sob o crivo de um sistema que já nasceu fadado ao
fracasso, conforme exposto aqui, ponderando-se de que o Sistema penitenciário brasileiro tem
o viés do “punir” e pouco, ou quase nada, faz no sentido de “reeducar” o individuo. Não há
como galgar a temática sem perpassar por âmbitos jurídicos e para tal, é preciso, ao menos,
uma noção da jurisprudência que envolve a Biblioteca Prisional.” LINDEMANN, 2020
Leia o artigo na íntegra: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1485

�As Bibliotecas Prisionais e a Agenda 2030 da ONU

14

Desde sua criação, a CBBP vem buscando dar visibilidade às bibliotecas prisionais e aos
profissionais que atuam nestes espaços. Assim, as ações estão voltadas para o mapeamento,
identificação de práticas e, claro, pelo advocacy pelas bibliotecas prisionais. Esse conjunto de
atividades tem ganhado força ano e ano no cenário nacional.
Ficamos muito honrados em ter recebido o convite da IFLA, em parceria com a UNESCO, para
participar do GT Internacional de Bibliotecas Prisionais. Esperamos que nossa participação
contribua com as discussões na América Latina e Caribe e que possamos aprender mais com as
experiências desses países. Conseideramos essa participação mais um passo para que
possamos apoiar o cumprimento da Agenda 2030.
A FEBAB trabalha no advocacy para a Agenda 2030, atendendo chamado da IFLA para que as
bibliotecas possam ser parceiras dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Como
relatado neste boletim, as ações estão sempre alinhadas e esse compromisso, mostrando que
bibliotecas e bibliotecários são ou devem ser parceiros da Agenda 2030. E ainda, as bibliotecas
precisam trabalhar como agentes de uma rede de proteção de direitos, uma vez que, cada dia
vimos que as poucas conquistas estão sendo desrespeitadas pelos Governos de todas as
esferas.
A pandemia da COVID 19 escancarou a desigualdade existente na sociedade brasileira e a
população carcerária, que já não tinha seus direitos assegurados, foi ainda mais afetada. Por
essa razão, a FEBAB por meio de suas associações filiadas, Grupos de Trabalho e Comissões,
estão trabalhando dentro da perspectiva de apoiar os 17 ODS da Agenda 2030. É diretiva da
FEBAB que os Grupos e Comissões possam trabalhar conjuntamente, pois há pautas transversais
como a questão étnico-racial, gênero, entre outros.
A participação no GT do CNJ demonstra que a FEBAB está conseguindo dialogar para além
Biblioteconomia e Ciência da Informação e isso é fundamental para reafirmar a importância das
bibliotecas como elemento central da sociedade. As bibliotecas como espaços democráticos e
livres para estabelecermos quaisquer diálogos e juntos possamos contribuir com uma sociedade
mais humana, justa e sustentável onde “ninguém fica para trás”.

Adriana Ferrari
Vice-Presidente da FEBAB
Coordenadora do Ações Febab

�Comissão Brasileira de Bibliotecas
Prisionais – CBBP
E-mail:
cbbp@febab.org.br

AÇÕES FEBAB
Site:
http://acoes.febab.org.br/

Acompanhe-nos nas mídias sociais:
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              <text>Boletim Informativo  da CBBP - Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais referente ao ano de 2020:  “Informativo Covid nas Prisões”; “Mapeamento dos profissionais que atuam com a leitura nas unidades prisionais brasileiras”; “CBBP Conversa” e “Projeto Mães no Cárcere”. Conseguimos assento para estar no “GT CNJ para a construção do Plano Nacional de Fomento à Leitura nos Ambientes de Privação de Liberdade”, recebemos o convite para integrar o Comitê da IFLA “Library Services to People with Special Needs Section” e compilação dos “Dados Estatísticos das Bibliotecas Prisionais no Brasil”.</text>
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