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                  <text>II Encontro de RDA no Brasil – Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

Catalogação descritiva: breves reflexões sobre o seu
ensino e a aplicação da linguagem simples
Descriptive catalog: brief reflection on its teaching and the
application of plain language

Fernando Modesto
Professor na Universidade de São Paulo (USP). Graduação e Mestrado em Biblioteconomia e
Documentação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Doutorado em Ciências da
Comunicação pela USP. Pós-Doutorado pela Universidade Carlos III de Madrid, Espanha.
Experiência acadêmica na área da Ciência da Informação – Biblioteconomia.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1070631453914536
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0535-5471
E-mail: fmodesto@usp.br
Resumo
Testemunha-se uma grande revolução na tecnologia da informação e comunicações. Revolução que se
reflete na publicação e no acesso a recursos de informação. Neste aspecto, a intenção deste texto, ao
comentar o ensino da catalogação, é o de demonstrar como a boa instrução e/ou orientação que
contribua com conhecimentos e habilidades pode contribuir para uma atividade catalográfica inovadora.
Ressaltar a importância de um ensino mediado pelo aporte teórico, sustentado em uma aplicação
técnica. Em termos metodológicos, trata-se de uma reflexão descritiva, baseada em levantamento
bibliográfico. Considera-se que uma boa formação no ensino da catalogação deve habilitar o futuro
bibliotecário a exercer a atividade catalográfica de forma produtiva e inovadora.
Palavras-chave: Catalogação Descritiva. Ensino Catalográfico. Linguagem Simples. Formação
Profissional. Bibliotecário de Catalogação.
Abstract
We are witnessing a great revolution in information and communications technology. Revolution that is
reflected in publication and access to information resources. In this aspect, the intention of this text,
when commenting on the teaching of cataloging, is to demonstrate how good instruction and/or
guidance that contributes with knowledge and skills can contribute to an innovative cataloging activity.
Emphasize the importance of teaching mediated by theoretical support, supported by a technical
application. In methodological terms, it is a descriptive reflection, based on a bibliographic survey. It is
considered that a good training in the teaching of cataloging should enable the future librarian to
exercise the cataloging activity in a productive and innovative way.
Keywords: Descriptive Cataloging. Cataloging Teaching. Plain Language. Professional qualification.
Cataloging Librarian.

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1 Introdução
Nas últimas duas décadas, testemunha-se uma revolução na tecnologia da informação
e comunicações. Cenário de desafios aos bibliotecários que se encontram operando em
ambiente híbrido (tradicional e eletrônico), onde devem exercer suas funções com diferentes
ferramentas tecnológicas e novos processos de controle bibliográfico. Além das regras
tradicionais de catalogação anglo-americanas, das ferramentas de classificação e dos
cabeçalhos de assuntos utilizados há muito tempo, surgiram novas estruturas bibliográficas.
Na vanguarda tem-se a normativa Recursos: descrição e acesso – RDA, e esquemas de
metadados como Dublin Core e BIBFRAME, que exigem habilidades para gerenciar a
informação. Assim, ressalta-se a importância de um ensino mediado pelo aporte teórico e
técnico, em procedimento que auxilie a transformar e aprimorar os processos catalográficos,
em benefício do usuário. Em termos metodológicos, trata-se de reflexão descritiva, baseada em
levantamento bibliográfico, com abordagem na atuação de personalidades históricas do
campo. Destaca-se aspecto da comunicação social nos serviços e produtos catalográficos, por
meio de uma linguagem simples.

2 O Ensino da Catalogação: entre a prática e a teoria
Mateoré e Lencinas (2020) comentam que o lançamento da RDA gerou desafios de
implementação para as bibliotecas. Um destes desafios está relacionado ao ensino em cursos
de Biblioteconomia. Alertam para o escasso interesse pela normativa, seus aspectos básicos e
exemplos de aplicação. O próprio Comitê de Teste RDA publicou recomendações para que os
programas de biblioteconomia garantissem aos estudantes familiaridade com os conceitos e
terminologias dos requisitos funcionais e os princípios catalográficos; além do potencial dos
dados vinculados. As autoras destacam que os programas de formação, nos Estados Unidos,
enfatizam o ensino teórico. Entretanto, se o objetivo é formar catalogadores coerentes em criar
registros, como não considerar a necessidade de saber como encontrar e localizar materiais,
como e porque estruturar registros e procedimentos de sua recuperação. Segundo Hixson
(2005), a ALCTS (Association for Library Collections &amp; Technical Services), por meio de seu
Grupo de Trabalho desenvolveu pesquisa onde mostra que os conhecimentos e habilidades em
torno dos padrões catalográficos e de classificação tradicionais continuam sendo relevantes, no
atual entorno digital.
No Brasil, as bibliotecas seguem lentas na adesão para a RDA, mantendo dominante a
catalogação tradicional. O ensino da catalogação amplia a carga de conteúdo entre temas

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antigos e novos. Na atualidade, o ensino utiliza de modelos pedagógicos; recursos visuais;
jogos; visitas didáticas; análise de catálogos e ferramentas de descoberta; palestras;
laboratórios; softwares livres ou comerciais. Alternativas necessárias, não eliminatórias na
busca por metodologias que contribuam para além das habilidades catalográficas operacionais.
A formação ajuda no desempenho profissional, embora um perfil vocacionado e inovador
influencie. A história da catalogação apresenta exemplos de desempenho inovador.
2.1 Zenódoto de Éfeso (323 ou 333 - 260 a.C.) e Calímaco de Cirene (310 - 240 a.C.)
Zenódoto, era intelectual, tutor dos filhos do rei e chefe da biblioteca de Alexandria.
Estabeleceu sistema de armazenamento para obras, ordenadas de acordo com a natureza do
seu conteúdo (verso, prosa, literário, científico). Inova ao implementar a ordem alfabética
como um modo de organização da coleção bibliográfica. Recruta e treina uma equipe
composta de classificadores, inspetores, atendentes, pajens, copistas, restauradores, entre
outros. Calímaco sucedeu a Zenódoto e foi o responsável pela catalogação. Contribuiu com as
Pinakes – “Tábuas das pessoas eminentes em todos os ramos da aprendizagem, junto com uma
lista de seus escritos”. Uma compilação bibliográfica de textos gregos, composto de 120 livros.
Dividia-se por categorias, ordenadas pelo nome de autores e títulos. Cada autor possuía uma
breve biografia. (CASSON, 2018, p. 50). As tábuas forneciam aos usuários facilidade para
encontrar os documentos. Personagens dominantes na fase inicial da erudição alexandrina,
eram focados em literatura e pensaram modelos biblioteconômicos inovadores. Ambos
identificaram problemas e aplicaram soluções.
Certamente, há outros exemplos na história da catalogação bibliográfica, mas
seleciona-se os três gênios da catalogação: Panizzi, Cutter e Lubetzky. Assim considerados por
Gorman (1968), porque depois deles nada mais foi feito a favor de regras mais intuitivas, e que
se tornassem compatíveis com o conhecimento dos usuários do catálogo.
2.2 Antony Panizzi (1797 – 1879)
Panizzi ao aceitar o cargo de bibliotecário no Museu Britânico, depara-se com o
desafio de reorganizar a coleção e o catálogo. Redefine procedimentos, grupo de trabalho e
mudanças dos processos. Inovando a catalogação e o catálogo, inclusive nos valores sociais da
finalidade catalográfica. Entende que o catálogo deve servir para democratizar o acesso à
informação a todos igualitariamente. Escreveu, em 1836, no relatório aos curadores do museu,
que o seu trabalho “é facilitar o acesso às obras que fazem parte da coleção” (BATTLES, 2003,

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p. 132-133). Panizzi era impulsionado por suas raízes progressistas. Impulsos estes que ele
deixa claro ao escrever no relatório:
Eu quero que o estudante pobre tenha os mesmos recursos que o homem
mais rico deste reino para satisfazer sua vontade de aprender, desenvolver
atividades racionais, consultar autoridades nos diversos assuntos e
aprofundar-se nas investigações mais intricadas. Acho que o governo tem a
obrigação de dar a esse estudante a assistência mais generosa e desprendida
possível. (BATTLES, 2003, p. 132-133).

Indica que o catálogo deve ser mais que uma listagem de obras, um instrumento de
colaboração à transformação social. Sob este contexto social, ensinar RDA deve servir para
aperfeiçoar a função dos catálogos na promoção das liberdades intelectuais e justiça social.
2.3 Charles Ammi Cutter (1837-1903)
A personalidade que fixou a estrutura básica do registro catalográfico, dentre outras
contribuições para a catalogação. Trouxe um senso de respeito e liderança para a profissão, ao
exercer papel ativo na gestão de bibliotecas, atividades acadêmicas, ensino e ativismo
equilibrado no âmbito profissional. Deu um toque de inteligência e humor no relacionamento
com as pessoas. De origem humilde, o seu prenome “Ammi” tem significado bíblico “meu
povo”. Órfão, foi criado pelas tias paternas. A escolha pela biblioteconomia, ocorreu com a
nomeação como assistente na biblioteca de Harvard. Certamente, contribuíram para sua
decisão, o ambiente da catalogação, a sua natureza tranquila, a paixão pela literatura e a
influência da tia bibliotecária ou de algum bibliotecário-chefe. Seja qual for a razão, sua opção
beneficiou bibliotecas, a profissão e os usuários. Resultado de um trabalho dedicado à
eficiência do acesso à informação por meio do desenvolvimento de um sistema de catalogação.
Ao começar a trabalhar no Harvard College, em 1860, auxilia na compilação de um fichário
com mais de 100.000 volumes, que incluía autores e índice de categorias em ordem alfabética.
Simultaneamente, desenvolve um catálogo para a Biblioteca Pública de Boston. A experiência
com a catalogação, obtido nas bibliotecas, o prepara para aceitar a nomeação como
bibliotecário do Boston Athenaeum, em 1869. Onde efetua mudanças na política bibliográfica
com uma abordagem proativa na gestão da biblioteca e a comunidade usuária. Na posição de
autoridade, ele implementa inovações no sistema de classificação em uma das bibliotecas mais
importantes do país, por abrigar a maior coleção de livros clássicos. Ao revisar o catálogo do
Athenaeum, ele desenvolve um novo, com 3.402 páginas. Além dos elogios pelo trabalho
realizado, a sua credibilidade cresce entre os mantenedores da instituição. Isso favorece a
publicação das suas regras para um Catálogo Dicionário, em 1875. (CUTTER, 1931). Cutter se

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construiu como bibliotecário, influenciado por mentores e desenvolvendo trabalhos
significativos

em

instituições

importantes.

Forjado

no

enfrentamento

da

gestão,

desenvolvimento de coleções e construção de catálogos. Entre os seus princípios de
catalogação, a orientação à conveniência do público. (GORMAN, 1968).
2.4 Seymour Lubetzky (1898-2003)
É considerado o maior teórico de catalogação descritiva. Nascido na Bielo-Rússia,
estudou literatura e línguas, antes de imigrar para os Estados Unidos onde diplomou-se em
línguas, na UCLA (1931). Em 1932, a University of California concedeu-lhe o título de mestre
em línguas alemãs e em biblioteconomia. Começa a trabalhar como catalogador na UCLA, e a
publicar artigos sobre sistema e princípios de catalogação. Os textos influenciam a área. A
sínteses de sua percepção da catalogação era a da “catalogação racional e funcional”. Para
Campbell e Fost (2004), Lubetzky utilizava a distinção entre obras e edições para esclarecer o
propósito do catálogo. Ser uma ferramenta bibliográfica, em oposição a uma lista de inventário
ou uma ferramenta de referência. O catálogo, especialmente aquele que segue
escrupulosamente as regras de entrada principal, funciona muito mais do que uma lista de
inventário, pois orienta o usuário em uma estrutura bibliográfica coerente, preenchida por
obras e edições, todas ligadas por relações intrincadas.
[...] a função da biblioteca é fornecer aos seus usuários não apenas os
materiais de que precisam, mas também a orientação "bibliográfica"
necessária para os ajudar a fazer o uso ideal dos materiais, então o catálogo
terá de ser feito para informar a um pesquisador em busca de um livro não
apenas se a biblioteca tem esse livro, mas também quais outras edições e
traduções da obra que a biblioteca tem […] Mas há ainda outra relação
“bibliográfica” de interesse direto e indireto para muitos usuários do
catálogo: é a inter-relação entre as obras de um autor. Mostrar quais obras a
biblioteca possui de um determinado autor é de interesse direto para muitos
usuários envolvidos, não com qualquer livro ou obra em particular, mas sim
com um autor específico que pode ser representado por suas obras na
biblioteca. (LUBETZKY [1969, p. 271], citado por CAMPBELL; FOST, 2004, p.
29).

A criação de uma ferramenta bibliográfica como a que Lubetzky descreve requer
tempo, experiência, treinamento e recursos. Na análise dos seus princípios, descobre-se que a
comunidade dos usuários está no cerne da catalogação convencional de duas maneiras
diferentes, mas igualmente importantes. Em primeiro lugar, a sua defesa pela entrada principal
sob a qual são agrupadas e ordenadas em torno dos autores como entidades definidoras. O
catálogo deve fornecer representações de autores, da mesma forma que as representações de
documentos, edições e obras. Esses “autores”, representados por registros de autoridade de

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pessoais e entidades coletivas, formam uma parte essencial do catálogo enquanto ferramenta
bibliográfica. Em segundo lugar, a ênfase na edição que representa um dispositivo para
fomentar a comunidade. Nos catálogos modernos, a edição é a entidade fundamental que
desencadeia a criação de novos registros bibliográficos: é a coleção de todas as cópias de um
item que vêm de uma única cópia master e, portanto, podem ser consideradas idênticas.
Elizabeth Eisenstein (citada por CAMPBELL; FROST, 2004), comenta que o surgimento
da imprensa revolucionou o aprendizado na Europa. Em especial, pela criação de cópias
idênticas de textos, o que possibilitou uma colaboração frutífera e a construção de
conhecimento através do tempo e da distância entre as pessoas, algo que era, até então, quase
impossíveis. “[As primeiras edições impressas] eram suficientemente uniformes para que
estudiosos em diferentes regiões correspondessem uns aos outros sobre a mesma citação”.
(CAMPBELL; FROST, 2004, p. 35, tradução nossa). Neste sentido, o usuário do catálogo usa
uma ferramenta que foi projetada para a colaboração intelectual, e no qual ao identificar
textos idênticos e diferenciar textos diferentes, torna possível um intercâmbio significativo.
Lubetzky era crítico da tendência de as normativas catalográficas conterem regras específicas
destituídas de coerência ou princípios elucidativos. Combatia os movimentos interessados em
simplificar o máximo as regras, para pagar baixos salários. Enquanto outros grupos defendiam
que os catalogadores contassem com recursos baseados em uma catalogação rica em regras e
pobre em princípios e que pudessem ser executadas sem o julgamento do catalogador. Um
ponto a salientar sobre as personalidades narradas, é as instituições nas quais atuaram e que
tiveram influência nas contribuições e desenvolvimento de um perfil inovador.
2.5 Melvil Dewey (1851 – 1931)
Na tradição da biblioteconomia, a aprendizagem ocorria com cada profissional
treinando os seus sucessores nos conceitos e práticas da área. Antes de 1850, para trabalhar em
biblioteca não era necessário capacitação formal. Após a criação de legislação estabelecendo
bibliotecas públicas como serviço gratuito, há aumento na demanda por pessoal. De 1850 a
1900, o ensino superior norte-americano caracteriza-se por uma proliferação e evolução de
universidades e faculdades, como instituição de ensino e pesquisa. A situação demanda a
necessidade de coleções suplementares de pesquisa e exacerbam a busca por bibliotecários
capacitados em organizar e administrar os materiais. A concepção popular do profissional era
a de um estudioso, dedicado ao cuidado dos livros. Embora Dewey tenha estabelecido a
primeira escola de Biblioteconomia na Columbia College, em 1887, a instituição não era
favorável a uma educação técnica e evitava essa ênfase para os estudos profissionais. Dewey

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estava preocupado com a desorganização dos livros, e esquematizou procedimentos
operacionais para biblioteca. Pensou maneiras de capacitar o pessoal de forma superior à
prática recorrente de treinamento em serviço. Ele propôs um curso de biblioteconomia com
ênfase "em um aprendizado sistemático em Ciência das Bibliotecas”. Complementar ao ensino
ministrado, fundou empresa, a Library Bureau para venda de mobiliários e suprimentos para
bibliotecas. Obcecado com a eficiência, a autoridade e a hierarquia, defendia que as bibliotecas
deveriam privilegiar menos as obras e mais a maneira de organizá-las e disponibilizá-las. Para
isto, se adotasse a padronização generalizada da atividade: “não apenas os esquemas de
catalogação, como também o tamanho das fichas e da sala de fichários deveriam ser os
mesmos em todas as bibliotecas”. Ele escreveu, na primeira edição do American Library
Journal que – “catalogar, indexar e tudo aquilo que envolve essas atividades são coisas que
devem ser feitas de uma vez só para todas as bibliotecas, com enorme economia para cada
instituição [...]”. Desse modo, uma porcentagem bem maior do orçamento poderia ser gasta
em livros. Ele pesava em regras que servissem para qualquer biblioteca. (HALL-ELLIS, 2011, p.
126; BATTLES, 2003, p. 143).
Quando a Universidade de Chicago abriu seu programa de pós-graduação em
Biblioteconomia, em 1926, a teoria tornou-se parte integrante dos currículos. Dewey advertiu
que tais escolas tinham valor pedagógico duvidoso por não seguirem padrões. Mas, desde
1923, tornou-se consenso entre a American Library Association (ALA) e os principais
empregadores em bibliotecas de que a educação bibliotecária deveria ocorrer dentro do
contexto da pós-graduação universitária. (Hall-Ellis, 2011).
Apesar de inovador em vários aspectos, Dewey contribuiu para um processo de
capacitação que restringia a liberdade criativa do bibliotecário. Valorizava procedimentos
operacionais na execução das atividades e na quantificação dos resultados. Na atualidade, as
atividades de tratamento da informação tornam-se mais diversificadas. Segundo Hill (2011), as
pessoas que antes podiam aplicar um único conjunto de regras aos recursos informacionais
para construir um catálogo bibliográfico, agora fazem uso de vários padrões em formatos
diversos de recursos, para construir ferramentas distintas de descoberta. Catalogadores se
tornaram agora especialistas em metadados. O problema é a sua invisibilidade e
desconhecimento. A atividade catalográfica é desconhecida para a maioria dos usuários.
Na questão do ensino da RDA, a normativa delibera a representação dos dados legíveis
pelo usuário, para favorecer as tarefas destes na comunicação com a coleção da biblioteca. Este
é um ponto de valores humanos já comentados.

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3 A Linguagem Simples
Com novos conceitos envolvidos na transformação da catalogação descritiva, salientase que os dados precisam ser mais claros à compreensão humana. Assim, têm-se o conceito da
“linguagem simples”, como um recurso aplicável aos registros bibliográficos, emoldurados na
interface pública do catálogo. A informação precisa ser compreendida pelo público em suas
diversas faixas etárias e níveis instrucionais. (MOTA; WAECHTER, 2015).
Para Silva e Vitorano (2021, p. 304), a linguagem deve servir ao leitor para melhorar a
compreensão precisa da mensagem bibliográfica. Para que possa de maneira rápida e fácil
encontrar e decidir sobre a informação que deseja. Neste aspecto, a essência da linguagem
simples é realçada ao se destacar que “linguagens burocráticas, institucionalizadas,
especializadas, com termos nebulosos, frases evasivas, parágrafos tortuosos, com escritas ruins
ou complexa, podem e devem ser combatidas usando uma linguagem com estilo claro e
simples”. Aspectos que é encontrado em registros bibliográficos, decorrente de regras
marcadas por expressões, como: “Belfasf [i. e. Dublin s. n], 1982”; “[S.l]; [18–?]”; “[ca. 1960]”;
“1 diaf. (70 fotogr.) : color.; 35 mm + 1 v. (39 p. ; 22 cm)”. Situação em que se pode aplicar
conceitos de “linguagem simples” para apoiar formas melhores de comunicação social.
A “Linguagem Simples” (Plain Language), pode ser considerada uma linguagem
desburocratizada por servir a uma filosofia ou tendência em favor do uso de escrita
compreensiva. Objetiva tornar o texto apreensível para o público, sendo uma alternativa para
fazer do trabalho bibliotecário algo assimilável socialmente. Ressalte-se que a RDA prega a
clareza dos registros bibliográficos, entretanto, a escrita catalográfica clara deve estar na
cultura da catalogação brasileira, independente das normativas utilizadas. A biblioteca lida
com todos os extratos sociais, no qual se inclui o nativo digital e a realidade do analfabeto
funcional (AF). Em termos de país, de cada dez brasileiros, três são considerados AF,
conforme dados do IBGE. Do total estimado de 213.464499 milhões de brasileiros, 12%
possuem um nível de “proficiente”, indicador mais alto da escala. O Indicador de Alfabetismo
Funcional (Inaf) que avalia o grau de analfabetismo da população, entre a faixa de 15 a 64
anos, em pesquisa de 2018, apontou que 96% dos alunos que ingressaram ou concluíram o
ensino superior foram considerados alfabetizados funcionais. Porém, apenas 34% deste público
atingiram o nível de proficiência, sendo que 38% não dominam habilidades básicas de leitura e
escrita. (SUFFAIR, 2021).

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4 Considerações finais
Uma boa formação no ensino da catalogação deve habilitar o futuro bibliotecário da
catalogação a exercer a atividade catalográfica de forma produtiva e inovadora. Uma profissão
que seja impulsionada pelo medo da obsolescência, teme até mesmo olhar dentro de si para se
aprimorar. Devemos seguir construindo uma catalogação melhor, com valores sociais e
orientada a servir inovadoramente ao público brasileiro.

Referências
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      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Catalogação descritiva: breves reflexões sobre o seu ensino e a aplicação da linguagem simples</text>
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          <name>Creator</name>
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              <text>Fernando Modesto</text>
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          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <text>GT-CAT/FEBAB</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <text>2022</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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              <text>pt</text>
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          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <text>texto</text>
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          <name>Subject</name>
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              <text>Catalogação Descritiva</text>
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              <text>Ensino Catalográfico</text>
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              <text>Linguagem Simples</text>
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              <text>Formação Profissional</text>
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              <text>Bibliotecário de Catalogação</text>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Testemunha-se uma grande revolução na tecnologia da informação e comunicações. Revolução que se reflete na publicação e no acesso a recursos de informação. Neste aspecto, a intenção deste texto, ao comentar o ensino da catalogação, é o de demonstrar como a boa instrução e/ou orientação que contribua com conhecimentos e habilidades pode contribuir para uma atividade catalográfica inovadora. Ressaltar a importância de um ensino mediado pelo aporte teórico, sustentado em uma aplicação técnica. Em termos metodológicos, trata-se de uma reflexão descritiva, baseada em levantamento bibliográfico. Considera-se que uma boa formação no ensino da catalogação deve habilitar o futuro bibliotecário a exercer a atividade catalográfica de forma produtiva e inovadora.</text>
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          <name>Source</name>
          <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
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              <text>Anais do II Encontro de RDA no Brasil, 1 a 12 de novembro de 2021</text>
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      <name>AnaisRDAnoBrasil2021</name>
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      <name>GT-Cat</name>
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      <name>RDA</name>
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      <name>RDAnoBrasil2021</name>
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      <name>Resource Description and Access (RDA)</name>
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