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                  <text>NOVOS PARADIGMAS PARA REPENSAR A BIBLIOTECA
TRADICIONAL E A VIRTUAL
Wagner Chacon
Professor do Departamento de Comunicação Social e
Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará;
Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Ceará;
Especialista em Automação de Bibliotecas e Centros de Informação
Documentárias pela Universidade Federal de Pernambuco;
Mestre em Planejamento, Organização e Administração de
Centros de Informação pela Universidade de Brasília.

RESUMO

Trata sobre a ontologia da interatividade, desde o período primitivo até o advento da
virtualidade contemporânea. Baseando-se na Teoria da Cognição de Santiago,
aftrma que o aumento artiftcialidade das diferenças sociais, políticas, econômicas e
culturais foram acentuadas, após a geração de excedentes da produção,
determinando a exploração econômica do homem pelo homem. Nesse sentido a
sonegação da interação, da vulgarização da informação e da educação, sempre foi
objeto de controle e dominação das populações. Aborda a virtualidade resultante da
evolução da interatividade como algo forçado pelos avanços das tecnologias da
comunicação e da necessidade de seus escoamentos para gerar mercados novos e
renováveis. Conclui indicando novas orientações estratégicas e táticas a serem
seguidas pelas bibliotecas para que se insiram no novo contexto como agentes de
transformação social.
1 INTRODUÇÃO

Independente da discussão sobre a atualidade se constituir dos resquícios da
modernidade (Giddens, 1991) ou de já estar vigendo a pós-modernidade (Lyotard,
1985), o advento da virtualidade consolida um marco divisor entre épocas históricas.
Analisando a História da humanidade desde os seus primórdios pode-se
identiftcar uma ontologia das bibliotecas e das práticas bibliotecárias totalmente
atreladas à ontologia da informação que, também, sempre foi parte essencial das
discussões ftlosóftcas sobre a cognição humana.

226

�Nas discussões filosóficas dessa natureza se observam abordagens constantes
de questões relacionadas à biologia e à semi ótica, que freqüentemente influenciaram
os pensamentos e geralmente orientaram as práticas sociais, políticas, econômicas e
culturais, inerentes a cada uma das suas respectivas épocas, sempre deixando-se
perceber as suas relações com o exercício do poder condicionado (Galbraith, 1984)
ou simbólico (Bourdieu, 1998).
O relacionamento das bibliotecas ao exercício do poder condicionado ou
simbólico é histórico. Para o acesso a essas memórias coletivas da humanidade
sempre foi necessário, como em outras ações sociais, o domínio de linguagens que
se tomam "protocolos de acesso" . Contudo, a vulgarização desses "protocolos de
acesso", que deve ser exercida através da democratização da educação, até hoje é
sonegada a grande parte das populações do mundo, aumentando as diferenças de
acesso a níveis de informação e conhecimentos, concentrando, conseqüentemente, o
poder decisório envolvido na construção quotidiana do social.
Embora séculos tenham se passado, atualmente a situação parece ter se
modificado mais em relação à sua complexidade do que à sua essência.
Atualmente, a quantidade de tipos de memórias coletivas (bases de dados de
todo tipo), com seus respectivos "protocolos de acesso", cujos domínios estão agora
cada vez mais atrelados aos sabores das relações capitalistas, tendem a aumentar a
complexidade dos conhecimentos necessários ao homem para impedir a sua
exclusão social.

É nesse contexto que a virtualidade vem se consolidando através de um
processo recorrente de desenvolvimento e vulgarização de novas tecnologias da
comunicação, implementadas de acordo com os interesses políticos e econômicos de
grupos ou empresas transnacionais (Dreifuss, 1997), que determinam os rumos da
crescente ampliação geográfica do raio de ação da comunicação e da distribuição de
produtos, serviços e, logicamente, dos discursos que os legitimam, criando e
transformando regiões distantes em mercados econômicos homogêneos (Santos,

227

�1997), como forma de garantir e manter o aumento dos níveis de desenvolvimento,
principalmente de quem os produz.
Essa prática econômica, baseada em trocas implementadas em lugares
distintos do lugar de produção, separados no tempo e no espaço, geram tendências
acumulativas a favor dos produtores dessas tecnologias, decorrentes das
transferências de valores resultantes da mais-valia sobre a mão-de-obra utilizada nas
suas produções e do lucro obtido pelas suas trocas, em sua maioria, em mercados
consumidores compostos por indivíduos não envolvidos diretamente nos seus
processos produtivos, incorrendo, tal prática, em tendências concentradoras da
riqueza (Dobb, 1983) e do poder (Marx apud Hunt, 1981).
Dessa forma, o aumento dos níveis de eficiência e eficácia das comunicações,
a custos cada vez menores, possibilitou a globalização através da interligação de
diversas partes do mundo, propiciando o aumento das interações à distância (online), provocando crescentes deslocamentos no tempo e no espaço das ações sóciopolítico-econômicas e culturais (Giddens, 1991 ; Santos, 1997), bem como a
aceleração das mudanças contextuais dessas mesmas ordens, mas ainda mantendo a
polarização extrema das diferenças sociais.
Assim, é nesse contexto comandado pelo capitalismo, caracterizado por
deslocamentos das ações humanas no tempo e no espaço, onde as diferenças sociais
são acentuadas, que a virtualidade se consolida como um dos principais meios do
desenvolvimento social, político, econômico e cultural, influenciando em mudanças
radicais no pensamento e no comportamento humano, a partir do momento em que
desvincula o fazer quotidiano (Certeau, 1994) exclusivamente das culturas de
comunidades geograficamente delimitadas e o toma alvo de múltiplas influências
externas.
Nesse contexto, pensar o fazer da biblioteca, de forma que ela continue a
cumprir a sua função social de prover a memória coletiva, promovendo o
desenvolvimento social através do estímulo ao pensamento criativo, requer, como
em épocas de mudanças anteriores, uma abordagem teórico-metodológica maIS
228

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moderna, que permita reflexões coerentes com a multiplicidade inerente a um
mundo dinâmico, em constante construção da sua complexidade.
Portanto, para basear as análises relativas à inserção das bibliotecas
tradicionais e das bibliotecas virtuais no contexto atual, escolheu-se utilizar a Teoria
da Cognição de Santiago, desenvolvida por Humberto Maturana (1998) a partir de
estudos biológicos sobre as redes neurais.
2 A TEORIA DA COGNIÇÃO DE SANTIAGO
A Teoria de Santiago defende a tese de que a cognição "é uma atividade
envolvida na auto geração e autoperpetuação de redes autopoiéticas" (Capra, 1996:
210).
Para essa teoria todo e qualquer sistema, natural ou artificial, é considerado
como uma unidade autônoma relativa, formada por componentes internos que se
interrelacionam de acordo com uma estrutura determinada por um padrão de
organização próprio.
Os sistemas, considerados como unidades autônomas, assumem a condição
de participantes da natureza pelo simples fato de exercerem a própria vida, pois para
desempenharem suas funções vitais internas necessitam interagir, acoplando-se de
diversas formas, e movidos por objetivos diversos, com outros sistemas também
considerados como unidades delimitadas em seu espaço.
Assim, no exercício da vida, os sistemas mais organizados, por motivos e
intenções próprias, tendem a gerar perturbações operadas

através

desses

acoplamentos estruturais, que podem causar mudanças de estado nos relativamente
menos organizados e, mesmo sem especificá-las ou dirigí-Ias, no próprio meio
ambiente, porque todos são seus componentes e participantes.
O nível de organização de cada sistema é adquirido através da acumulação de
acoplamentos qualitativos experimentados com outros sistemas ao longo da sua
vida, consubstanciando-se isto no próprio processo cognitivo. Assim, conforme
Maturana e Varela (1987), "viver é conhecer", implicando a vida e o conhecimento
229

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numa recorrência mútua que permite, numa inversão simples e não menos correta,
concluir-se que a cognição é uma atividade constante de criação de um mundo por
meio do próprio processo de viver (Capra, 1997).
Para a teoria em questão, assim como os demais sistemas naturais ou
artificiais, o homem é considerado como uma unidade autônoma que produz os
elementos dos quais sua estrutura material é construída, formando seus próprios
limites (Foerster, Maturana e VareI a apud Brier, 1995) fisicos ou virtuais.
Dessa forma, a construção do mundo pelo homem se dá através de
acoplamentos, operados entre ele e outros sistemas semelhantes ou não, iniciando-se
através da percepção que, para ser operada, exige uma ação voluntária de
reconhecimento que vai do ato de perceber até a decifração necessária ao julgamento
mental (al-Haytham apud MangueI, 1997).
Assim, melhor esclarecendo, a construção do mundo é operada pelo homem
através da sua percepção, que se constitui em um ação voluntária ou intencional
individual, ativada por alguma perturbação externa que o incita a ativar sua memória
para, através de comparações entre dados associados a experiências passadas, em
contextos que guardem alguma ou nenhuma semelhança com o da experiência em
vigor, possam, respectivamente, produzir ou não um julgamento mental específico.
Logo, o mundo construído pelo homem é um mundo artificial (Santos, 1997),
metáfora da natureza mundo (Ianni, 1994), baseada em representações simbólicas
destinadas a estabelecer uma ordem gnoseológica que lhe dá sentido (Bourdieu,
1998), assimiladas através da percepção de objetos e de fatos contextualizados que
lhes estimulam os processos cognitivos racionais, cujas cargas emocionais
relacionadas formam-lhes memórias diferenciadas que podem ter durações que vão
do efêmero ao permanente (Goleman, 1995; Stickgold, 1997).
Diante disso e aceitando essa teoria, a informação passa a ter uma novo
conceito. Informação é, então, uma representação que depende da habilidade de um
observador para tirar conclusões próprias acerca do observado, que também se
encontra no ambiente. "O ambiente não contém nenhuma informação; o ambiente é
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como é" (Foerster, 1984: 263) e, portanto, a infonnação é fonnada pelo próprio
receptor, a partir da sua própria ontologia cognitiva (Brier, 1995, Maturana, 1998).
Como decorrência, o conceito de inteligência também é modificado. Para
essa teoria não seria coerente aceitar um conceito "lugar-comum" de que
inteligência é, simplesmente, uma capacidade inata para solucionar problemas
externos.
Para essa teoria, a inteligência, tanto para o homem, como para qualquer
outro tipo de sistema, é considerada como a capacidade inicialmente natural e depois
adquirida de selecionar os acoplamentos a serem por ele efetivados, sendo tal
capacidade, então exercida através da percepção, mais facilmente implementada
pela recorrência à memória, reveladora de dados contextualizados resultantes de
acoplamentos passados, que tendem a dotar suas representações simbólicas e seus
discursos de maior organização e, portanto, de maior poder de provocar mudanças
estruturais nos outros homens ou sistemas, podendo até alterar-lhes a organização e
levar-lhes à desintegração fisica ou gnoseológica.
3 BREVE ONTOLOGIA CRÍTICA DA INTERATIVIDADE

Baseando-se na Teoria da Cognição de Santiago é fácil concluir que as
diferenças humanas cognoscitivas e sociais são naturais porque dependem das
ontologias perceptivas dos contextos em que cada um dos homens, em momentos
diferentes, estiveram inseridos. Mesmo que vivenciem experiências ao mesmo
tempo, dois homens não terão, no mínimo, a mesma percepção de um objeto ou ação
porque, segundo Isaac Newton, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço em
um só tempo e, caso venham a ocupar o mesmo espaço, isso somente poderá ser
feito em um outro tempo, quando, então, o contexto já será outro, devido à própria
dinâmica da natureza, gerando diferenças entre as duas percepções e, por
conseguinte, nas duas representações do observado.
Contudo, apesar dessas diferenças naturais serem necessárias e suficientes
para a promoção do desenvolvimento sócio-político-econômico e cultural da
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�humanidade de forma organizada, dotando-o de maior grau de justiça social, isto não
tem se constituído numa realidade histórica.
A associação das diferenças ontológicas das percepções humanas, formadoras
das diferenças, também ontológicas, de conhecimentos individuais à preponderância
pela busca da sobrevivência, geraram transformações sociais, principalmente as
guiadas pela criação de novos instrumentos que conduziram às mudanças das
relações de trabalho, substituindo a cooperação simples, ainda na sociedade
primitiva, pela especialização de atividades, geradoras de excedentes, que
determinaram o nascimento das relações econômicas de troca como forma de
acumulação e, por conseguinte, fizeram surgir a propriedade privada e a exploração
do homem pelo homem (Ostrovitianov et. aI., 1972).
Dessa forma começou a ampliação artificial das diferenças cognoscitivas
naturais do homem, acentuando e perpetuando, até a atualidade, as injustiças sociais
através do exercício, por vezes conjunto, dos poderes condigno, compensatório, mas
principalmente do poder condicionado (Galbraith, 1984).
Dessa forma, durante séculos a ignorância das massas foi incentivada através
da construção de discursos dogmáticos ou compostos por meias verdades,
empreendida por poucos e veiculados a muitos dos homens, estabelecendo ordens
gnoseológica que lhes dessem sentido (Bourdieu, 1998), forçando-os a uma
reprodução social controlada pela persuasão e pela censura à participação popular
nas discussões filosóficas acerca do passado, do quotidiano e do futuro e na
construção do social, político, econômico e cultural.
Como decorrência disso, foram-se formando, quotidianamente, duas
instâncias de produção de informações e de conhecimento: uma científica e outra
popular que, em alguns momentos, até hoje se acoplam na tentativa de gerar novos
discursos que subsidiem novos modos de vida e adaptações tecnológicas, visando a
melhoria da qualidade de vida de alguns ou de todos.
Assím, atrelando, mais uma vez, o conceito de informação às mudanças no
sistema produtivo, numa Inglaterra que passava do catolicismo ao anglicanismo e do
232

�início da industrialização, Francis Bacon, que acreditava na "aplicação da ciência à
indústria, à serviço do progresso", entre a metade do século XVI e a metade do
século XVII, afirmou que "saber é poder" (Pereira, 1996: 193).
Desde essa época, até hoje, a idéia de que quem detém a informação detém o
poder, derivada da afirmação de Bacon, veio se solidificando e influenciando os
objetivos da educação do homem, que, na modernidade, "tradicionalmente, ( ... ) seria
um instrumento destinado a adequar o futuro profissional ao mundo do trabalho,
disciplinando-o, e municiando-o de certa maneira com conhecimentos técnicos, para
que possa 'vencer na vida', inserindo-se de forma vantajosa no mundo como existe.
Esta inserção vantajosa, por sua vez, asseguraria reconhecimento e remuneração, ou
seja, 'sucesso'" (Dowbor, 1998: 258).
Nota-se, portanto, desde essa época, que o "sucesso" almejado pelo homem,
como abordado por Dowbor (1998), seria obtido através da sua inteligência,
considerada como uma capacidade inata para solucionar problemas, a partir da sua
percepção, que o capacita a identificar, coletar e processar informações, como se
estas fossem insumos tangíveis encontrados livres ou escondidos num ambiente
externo.
Essa idéia traz consigo a essência da acentuação artificializada das relações
de dominação e poder, sendo realmente correto, neste sentido, afirmar que "saber é
poder" (Bacon apud Pereira, 1996: 193).
Essa realidade se consubstancia, principalmente, a partir da "aplicação da
ciência à indústria, à serviço do progresso" (Bacon apud Pereira, 1996) associada à
ontológica exploração do homem pelo homem na busca da acumulação
(Ostrovitianov, 1972), gerando a privação de muitos deles da vivência de
experiências cognoscitivas, exercida por poucos.
Tais experiências humanas, iniciadas a partir da percepção, necessária ao
exercício do pensamento e capacitadora da construção de discursos e práticas mais
coerentes com os seus hábitats ou locus sociais, cria e fortifica a organização da
inteligência do homem e, por conseguinte, da inteligência coletiva do grupo social
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do qual faz parte, tomando-se, assim, mais facilitado o seu exercício de poder sobre
outros homens, grupos menos experientes e, portanto, menos organizados, com
baixos níveis de identidade cultmal.
Dessa forma,

quotidianamente, as duas instâncias de produção de

informações e de conhecimento: a científica e a popular, seguem, até hoje, formando
tipos e níveis distintos de "inteligências coletivas" que, elaboradas pelas suas
respectivas comunidades de usuários, ao se acloparem em alguns momentos,
reorganizam, a todo instante e interativamente, as massas de informação disponíveis
off-line e on-line, por meio de conexões transversais e simultâneas (Lévy, 1996).
As comunidades que conseguem realizar maiores números de acoplamentos
qualitativos nessas rodadas cognoscitivas tendem a aumentar os seus níveis de
"inteligência coletiva" e de organização, aumentando, proporcionalmente, as suas
capacidades de gerar maiores pertmbações externas a outros indivíduos ou grupos,
transformando suas estrutmas internas ou até desintegrando suas organizações e, por
conseguinte, suas identidades cultmais, pela utilização do poder adquirido através da
experiência de melhor estrutmar seus discmsos e ações.
Assim, assiste-se a um embate, quotidiano, entre tradições, traduções (Robins
apud Paula, 1998) e pseudo-traduções das inteligências coletivas, formadoras das
suas respectivas identidades cultmais, - onde as primeiras são, em boa parte
combalidas pelas terceiras -, desencadeado pelos grandes oligopólios transnacionais
(Moraes, 1997) que, apoiados pela mídia, constróem discmsos destinados a facilitar
a venda dos objetos que produzem e dos serviços que realizam (Santos, 1997).
N esse contexto capitalista, a produção de informações e de conhecimentos
científicos se desenvolve fmanciada direta ou indiretamente pelo setor econômico ou
diretamente produtivo, onde este exerce, de alguma forma, um controle sobre os
acoplamentos necessários para tal produção, seja ela destinada à transformação
dessas informações e conhecimentos em bens e serviços para troca em mercados ou
para disponibilizá-las em forma de bens ou serviços sociais, direitos mínimos das
populações.
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Assim, apoiados pelas ciências, os poderosos oligopólios transnacionais se
sustentam e se desenvolvem incentivando uma interatividade, de forma capciosa,
aproveitando-se de níveis de desinformação das comunidades locais ou globais,
obtidos pela sonegação das condições ideais ou plenas para a realização das suas
próprias construções informacionais, exercidas, de acordo com os objetivos que
tenham para com a comunidade em questão, pelo desinsentivo ou pelo incentivo
excessivo à comunicação (realização de acoplamentos).

4 A INTERATIVIDADE FABRICADA

Apoiando-se na teoria da cognição de Santiago, especificamente porque os
acoplamentos entre os homens permitem que, cada um, de acordo com as suas
respectivas ontologias perceptivas e cognoscitivas crie sua própria informação ou
juízo de um objeto ou representação comunicada por outrem, acredita-se que os
desenvolvimentos locais e globais sempre se deram e se dão a partir dos
movimentos de tradução. Culturas de lugares distintos, quando postas em contato,
geralmente se deixaram interpenetrar, transformando-se e adaptando-se ao novo
contexto, de acordo com seus níveis de organização. Um exemplo clássico foram as
influências culturais sofridas pelos romanos quando invadiram a Grécia. A forte
tradição grega, caracterizada pela organização das suas identidades culturais,
interferiu na cultura dos invasores romanos. Os romanos dominaram pela força e se
deixaram dominar pela cultura.
Atualmente, os deslocamentos das ações humanas no tempo e no espaço,
provocados pelos desenvolvimentos das tecnologias da comunicação em direção à
unificação dos artefatos que compõem os sistemas técnicos de transmissão (satélite,
computador, fax, modem, telefonia comum e celular, pagers, videofones etc.)
(Moraes, 1997: 34), propiciam o aumento da velocidade das mudanças ao servirem
de canais para o empreendimento de um Marketing agressivo pelas grandes
empresas transnacionais, baseado numa interatividade lúdica, reduzindo os períodos
23 5

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de estabilidade quotidianos ao ser utilizado como recurso para massificar as
populações e conduzí-Ias de forma homogênea e facilitada para a sustentação de
wna cultura consumista, que passa a ditar mais pseudo-traduções do que
propriamente traduções.
4.1 Mecânica das Pseudo-Traduções

O que aqui se chama de pseudo-tradução é a possível reprodução resultante
da aceleração do movimento de tradução, incentivada pelos conglomerados
mediáticos, contratados por empresas transnacionais que produzem bens e serviços,
através do planejamento e veiculação de campanhas de Marketing agressivo.
Essas campanhas de Marketing, principalmente as baseadas na promoção de
wn tipo de interatividade recorrente, geralmente lúdica, e que funciona como um
refinado instrumento de controle mercadológico e social, implementa uma pseudoliberdade, ou liberdade consentida, onde, dependendo do consumidor ou usuário,
somente lhe é dada a chance de opinar/consultar/comprar em função de premissas
que lhes são apresentadas através da mídia, como forma de garantir as suas
fidelidades (Moraes, 1997).
Assim, o tipo de reprodução social implementado nas comunidades maIS
pobres tendem a ser efetivadas através do incentivo

à desinformação:

desinsentivando o acesso à participação na construção de informações de ponta e
incentivando o acesso à participação na construção de informações de massa.
Nas comunidades gradativamente mais abastadas, que têm acesso a diversas
média eletrônicas, a comunicação é incentivada pelos conglomerados mediáticos
como forma de obter dados, não somente sobre variáveis como: suas faixas de
renda, classes ou escolaridade e outras congêneres, mas, principalmente, sobre seus
estilos de vida, para vertê-los em conhecimentos sobre seus comportamentos
(Buehler apud Moraes, 1997), próximo ou em tempo real, formando autênticos
catálogos virtuais, de extrema valia para análises estratégicas, que lhes podem dar
condições de destinar, a comunidades específicas, mundializadas, desvinculadas de
236

�laços geográficos, lingüísticos, raCIaIS, religiosos e classistas, "informações
personalizadas e especializadas, campanhas promocionais, pesquisas, produtos
segmentados e interativos" (Moraes, 1997:34) para vender seus produtos ou serviços
e garantir-lhes a fidelidade do público e do mercado.
Segundo David Rokeby (1997: 67), "uma tecnologia é interativa na medida
em que reflete as conseqüências de nossas ações ou decisões, devolvendo-as para
nós. Desta forma, uma tecnologia interativa é um meio através do qual nos
comunicamos com nós mesmos, isto é como um espelho. O meio não apenas reflete,
mas também refrata aquilo que lhe é dado; o que retoma somos nós mesmos,
transformados e processados" por outros a quem disponibilizamos nossos dados
descritivos e nossos perfis psicológicos.
Contudo, é dessa forma, com base nas peculiaridades individuais e locais,
físicas ou virtuais, que as parcelas de interatividade e de reprodução elaborativa da
informação vão se alargando a comunidades menos desenvolvidas, permitindo-lhes
o domínio de "protocolos de acesso", proporcionalmente aos objetivos das
organizações transnacionais e das conveniências e atratividades econômicas que as
comunidades lhes ofereçam.
Dessa forma, as comunidades menos abastadas não são elevadas pelas
organizações transnacionais por dó ou piedade, mas por necessidade de qualificar
melhor a mão-de-obra, quando necessária, ou, através da implantação de planos
emergenciais e, até mesmo de médio e longo prazo, porém em sua maioria
insustentáveis, para diminuir ameaças delas advindas, acalmando-lhes os ânimos.

É com base nesses tipos de interatividade que os meios de comunicação
passam a construir uma simulação do mundo para melhor reespacializá-Io e
administrá-lo. A interligação do mundo através de redes de comunicação geraram os
deslocamentos das ações humanas no tempo e no espaço, descentralizando os
esquemas de poder ao permitir maior quantidade de mediações com o público
utilizando-se da persuasão, sedução e convencimento, viabilizando práticas de
controle social obtidas por meios mais fluidos e móveis, agora de curto prazo,
237

�rotação rápida, contínuas e ilimitadas, ao contrário das antigas, que eram de longa
duração, infinitas e descontínuas (Moraes, 1997).
Assim, o incentivo à liberdade de comunicação dada a ambas as categorias de
comunidades, principalmente às que possuem acesso às média eletrônicas, acabam
por promover um crescimento em progressão geométrica da quantidade de
informações produzidas pelos homens, incapacitando-os, proporcionalmente, de
selecionar, dentre as muitas resultantes do dinamismo comunicacional, aquelas que
lhes são precisamente relevantes para guiar a construção do seu quotidiano e manter
suas tradições ou capacitá-los a realizar traduções, através de interações plásticas,
impedindo-os de perder as suas organizações, o que, conseqüentemente, os
conduziria à desintegração virtual (do sonho, enquanto devir, ou do pensamento,
enquanto representação) e social (expressão realizada do sonho ou do pensamento)
ongmrus.
5 A GESTÃO DO CONHECIMENTO

Uma educação, somente formal, escolástica, enciclopedista e veiculada
através

de

métodos

apenas

expositivos, baseados em representações

de

representações, não serve para competir com a pedagogia da alienação veiculada por
esse tipo de interatividade que guia o mundo apoiada na lei do gozo (Kehl, 1995),
reduzindo-o a quantidades limitadas de alternativas que são apresentadas aos
homens, porque não tem o poder de capacitá-los a realmente influir, de forma mais
contundente e diferenciada, na construção cotidiana do social, fornecendo-lhes
condições de, conscientemente, manter suas tradições ou efetivar traduções, sem a
perda das suas organizações.
Contudo, isso não significa que esse tipo de interatividade, embora bastante
poderosa, tenha condições de se consolidar como a única, conduzindo todos para seu
centro de forma determinística.
Embora as tecnologias sejam veiculadas gradativamente a comunidades mais
pobres, de acordo com os interesses socIals, políticos, econômicos e culturais
238

�dominantes, é inegável que esse movimento vai democratizando os espaços
mediáticos e, como é o receptor que gera sua própria representação do mundo ou
informação, a ele cabe decidir utilizações outras para essas tecnologias que não as
esperadas por quem lhes franquiou o acesso. Tomar contato e interagir com culturas
diferentes no próprio processo do viver quotidiano, experimentar novos
acoplamentos cognitivos, tende a libertar as populações do poder condicionado,
mais facilmente imposto em casos de comunidades cujos domínios virtuais eram
limitados ao espaço geográfico. Segundo Rokeby (1997), os espelhos não só
refletem, também refratam.
Dowbor (1998:44) acredita que "a mesma dinâmica que nos levou aos
espaços globais nos fornece as tecnologias para a reconstituição de uma humanidade
organizada em tomo de comunidades que se reconhecem internamente, mas também
interagem, comunicam com o resto do mundo, participam de forma organizada de
espaços mais amplos."
As tecnologias que propiciaram a globalização, acentuando os deslocamentos
das ações humanas no tempo e no espaço com maior fluidez dos movimentos de
tradução, expondo, de forma mais acelerada, os indivíduos e as comunidades às
transformações, embora instituindo o individualismo através da unificação (Santos,
1997) e a diminuição dos períodos de estabilidade (Gideens, 1991), tendem a se
consolidar, gradativamente, como meios democratizadores.
Apesar da sociedade ter sido estruturada de forma estratificada a partir de
escrituras criadas por uma elite de "produtores" de bens, de serviços e de discursos
legitimadores, com a pretensão de "informar" ou, mais precisamente, de "dar forma"
às práticas sociais (Certeau, 1996), de modo a facilitar a exploração do homem pelo
homem, a evolução das tecnologias da comunicação, mesmo que inseridas nesse
contexto, a partir da tendência natural de se expandir por outros mercados, destitui a
escrita e o domínio da sua decifração como única forma de transferir informações
legítimas, dignas de autoridade, confiança e com poder de transformação social.

239

�Desse modo, as tecnologias passam a reordenar os espaços urbanos, abrindo
"possibilidades para a organização de redes culturais interativas que colocam novos
desafios ao próprio conceito de educação" ao propiciar uma sinergia tríplice entre a
comunicação, a infonnação e a fonnação, conduzindo a realidade para os "espaços
do conhecimento", que refletem os primeiros passos do homo culturalis, em
contraposição ao homo economicus e indicando um papel para o ensino muito mais
organizador de espaços culturais e científicos do que propriamente "lecionador" no
sentido tradicional (Dowbor, 1998: 260-261).

6 AS BmLIOTECAS FRENTE AOS NOVOS PARADIGMAS SOCIAIS

As bibliotecas são memórias coletivas da humanidade. Assim como o
homem, cada uma delas possui uma ontologia da fonnação da sua memória ou
acervo. Cada material bibliográfico ou especial que compõe o seu acervo constituise em uma representação simbólica elaborada a partir da ontologia cognitiva de uma
ou mais pessoas, pennitindo ao usuário, de acordo com a sua ontologia cognitiva,
construir sua própria infonnação através dos acoplamentos ou experiências que
vivencia através da leitura dos materiais escolhidos.
Contudo a ontologia das bibliotecas tradicionais revela que seus acervos
fonnam a memória coletiva das suas comunidades, incluindo partes da memória
coletiva de outras comunidades, já perfazendo a idéia da seleção de acoplamentos ou
interações guiadas pelos seus selecionadores, os limites de experiências impostos
aos usuários restritos aos seus respectivos espaços geográficos de distribuição.
Os avanços das tecnologias da comunicação quase, senão, já burlam algumas
das leis de Newton, pois através da virtualidade propiciada, o homem agora pode
viver várias experiências, até mesmo antagônicas, quase que ao mesmo tempo,
senão ao mesmo tempo, através de representações emanadas de várias e diferentes
pessoas, pertencentes a locais e culturas também diferentes, registradas em meios
diversos que estimulam não somente um, mas vários sentidos.
240

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-

Vivendo-se a era da multiplicidade, a escrita e sua decifração deixam de ser
os únicos meios de transferência da informação mais efetivos, deslocando-a de
tempo e espaço determinados, referências da lentidão e da reprodução social
baseado na alienação pela sonegação desse "protocolo de acesso" às massas
empobrecidas, sinalizando para outros estímulos que prescindem de uma
alfabetização fonética ou gramatical, como a visão a audição, o tato e o olfato, que
remetem a uma sub-reptícia (Certeau, 1996).
As empresas que produzem os avanços tecnológicos, aos poucos vem
encontrando, nas maneiras cognitivas dessas culturas paralelas, nichos de expansão
mercadológica, promovendo uma maior democratização do acesso à informação. As
bibliotecas, no entanto, parecem resistir a essa tendência de expansão, mais por
rigidez ou ausência de orientação estratégica do que por falta de recursos.
Acredita-se que a carência de recursos para fmanciar a automação dos
serviços, necessária à liberação de recursos humanos para atividades estratégicas e
táticas advém de uma incompatibilidade entre as funções e os objetivos das suas
atuais configurações em relação às demandas diversificadas e dinâmicas.
Enquanto os conglomerados mediáticos recorrem à maioria dos sentidos
humanos para estimular-lhes uma resposta positiva, baseando-se em campanhas de
Marketing, como forma de obter dados, não somente sobre variáveis como suas
faixas de renda, classes ou escolaridade e outras congêneres, mas, principalmente,
sobre seus estilos de vida, para vertê-los em conhecimentos sobre seus
comportamentos (Buehler apud Moraes, 1997), próximo ou em tempo real,
formando autênticos catálogos virtuais, de extrema valia para análises estratégicas, a
maior parte das bibliotecas das Universidades Federais brasileiras não realizam
atividades de monitoração ambiental externa, para embasar decisões estratégicas e
táticas, detendo-se, quando muito, em sua maioria, à monitoração ambiental interna,
para subsidiar tomadas de decisões operacionais (Chacon, 1994).

241

�Dessa forma, tais bibliotecas universitárias continuam a constituir castelos
elitizados, não expandindo seus mercados através do virtual, do potencial, que
somente pode ser implementado através de uma abordagem ou visão pró-ativa.
A ausência de monitoração ambiental, subsidiadora de uma visão pró-ativa,
conduziram Tarapanoff (1997) a identificar que a realidade das bibliotecas
brasileiras ainda não atingiu nem sequer o marco da biblioteca eletrônica, mas
apenas um incipiente processo de automação, estando longe da biblioteca virtual.
Estrategicamente, a expressão virtual da biblioteca deve resultar de uma
recorrência midiática entre as ontologias dos acoplamentos realizados entre os
membros da comunidade a que serve, com seus próprios membros (realização de
movimentos de tradição) e com membros de outras comunidades (realização de
traduções em potencial), através de contato direto ou através do mercado de
informações. Portanto, o seu acervo, memória coletiva de uma comunidade, deve ser
formado pelo próprio ato de viver ou de conhecer dessa comunidade que, desde
tempos atrás, tem passado por fora desses canais.
Visto que a biblioteca ou memória coletiva virtual deve ser resultante da sua
construção pela própria interação entre membros da comunidade a que serve e de
seus membros com os de outras comunidades, observa-se que ela passa a ser uma
organização dinâmica, em constante mudança,

implicando em constantes

movimentos de tradução, o que toma incompatível a imposição normativa das
linguagens que a biblioteca tradicional utiliza de forma ortodoxa.
A função tática nesse contexto virtual passa a assumir um papel de tradução,
de adequação da sistematização do conhecimento armazenado, e de seus métodos de
recuperação, adaptando-se de forma flexível à própria linguagem ou linguageamento
da comunidade a que serve.
Somente dessa forma, as bibliotecas cumprirão suas funções SOCIaIS,
fortificando as identidades culturais das comunidades, reordenando seus espaços
urbanos, abrindo "possibilidades para a organização de redes culturais interativas
que colocam novos desafios ao próprio conceito de educação" ao propICIar uma
242

�sinergia tríplice entre a comunicação, a informação e a formação, conduzindo a
realidade para os "espaços do conhecimento", que refletem os primeiros passos do
homo culturalis, (Dowbor, 1998: 260-261), competindo com a interatividade
limitante que busca uma fidelidade do consumo, promotora de uma alienação
massificante.

ABSTRACT

The text approaches the ontology of the interative relations, from the primitive
period to the coming of the virtuality contemporary. Basing on the Theory of
Santiago's Cognition, it affinns that the artificial increase of the social, politic,
economic and cultural differences they were accentuated, afier the generation of
surpluses of the production, detennining the human exploration by human being. In
that sense the defraudment of the interaction, of the vulgarization of the information
and of the education, it was always control and dominance object of the populations.
It approaches the virtuality resulting of the evolution of the interative relations

forced by the progresses of the technologies of the communication and of the need
of its flowin off to generate markets renewed. lt concludes indicating new strategic
and tactical orientations they be followed for the libraries so that they interfere in the
new context as agents of organized social transformation.

243

�--

-

- ~--

-

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

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05. Chacon, Wagner. Dados e fatores que subsidiam o processo decisório na
captação de recursos financeiros para a atividade de desenvolvimento de
coleções em bibliotecas universitárias federais brasileiras. Dissertação
apresentada ao Departamento de Ciência da Informação e Documentação da
Universidade de Brasília, como parte dos requisitos para a obtenção do Título
de Mestre em Biblioteconomia e Documentação. Orientadora: Profa. Dra.
Kira Tarapanoff. Brasília: Universidade de Brasília, 1994.
06. Dobb, Maurice. A evolução do capitalismo. 9.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
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veiculado no Brasil pela GNT em junho de 1997.
28. Tarapanoff, Kira. Perfil do profissional de informação no Brasil. Brasília:
IELIDF, 1997.

246

�1- Segundo Galbraith (1984: 5-6), existem três instâncias de poder: o condigno, o
compensatório e o condicionado. Entende-se por: a) poder condigno, aquele que é
exercido de forma a conseguir a submissão inflingindo ou ameaçando conseqüências
adequadamente adversas; b) poder compensatório, aquele que é exercido de forma a
conseguir conquistar a submissão oferecendo uma recompensa positiva; e c)
podercondicionado, aquele que é exercido através da persuasão, objetivando a
mudança de uma convicção ou de uma crença.
2- Segundo Bourdieu (1998: 7-8), "o poder simbólico é, com efeito, esse poder
invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem
saber que lhes estão sujeitos ou mesmo que os exercem. "
3- Segundo Humberto Maturana (1998: 200) sistema autopoiético é um sistema
constituído como unidade, como uma rede de produção de componentes que em
suas interações geram a mesma rede que os produz, e constituem seus limites como
parte dele em seu espaço de existência. Os seres vivos são sistemas autopoiéticos
moleculares, e como tais existem no espaço molecular. Em princípio, pode haver
sistemas autopoiéticos em qualquer espaço em que se possa realizar a organização
autopoiética.
4- Por volta do ano de 1004, al-Hassan ibn al-Haytham, estudioso de Basra, concluiu
que há uma distinção entre sensação pura e a percepção, onde a primeira é
inconsciente ou involuntária e a segunda exige um ato voluntário de reconhecimento
que vai do ato de ver até a decifração, necessária ao julgamento mental (Manguel,
1997: 47).
5- No documentário Pedaços da mente, da Scientific American Magazine,
apresentado pela Connecticut Public Television e veiculado no Brasil pela GNT,
vários neurocientistas explicam que os estímulos recebidos através da percepção de
objetos e ações em um mesmo contexto é efetivada pelos órgãos sensoriais humanos
e armazenados no córtex cerebral em áreas específicas, mas distintas. Quando o
mesmo homem é exposto a outros objetos e ações em outros contextos diferentes,
mas que guardem alguma semelhança com o da experiência anterior, o hipocampo
247

�recupera e ordena as memórias componentes da experiência anterior e propicia a
comparação com as percepções atuais, promovendo julgamentos mentais.
6- Segundo Ostrovitianov et al.(1972: 31), "chama-se cooperação simples à
aplicação simultânea de uma quantidade meis ou menos grande de força de trabalho
para a execução de trabalhos homogêneos", sendo, posteriormente a produção
resultante desse trabalho distribuída de fOlma igualitária.
7- Segundo Hall, citado por Paula (1998), "o movimento da Tradição acredita que a
identidade está destinada a retomar às suas raízes ou desaparecer através da
assimilação e homogeneização. Tradução, por outro lado, relaciona a formação das
identidades a grupos distantes de sua terra natal, com uma forte ligação com o lugar
de origem e suas tradições, porém, sem nenhuma chance de retomo ao passado. Eles
pertencem a culturas híbridas, i.e. ' são produto de diversas histórias e culturas
entrelaçadas, fazendo parte, ao mesmo tempo, de diversas pátrias' (e nenhuma em
particular)."
8- Segundo Maturana (1998: 18), interações plásticas são realizadas através de
mudanças nas estruturas internas do sistema para que ele próprio continue o seu
viver (autopoiése) no meio perturbador com uma estrutura diferente, com um âmbito
de mudanças de estado diferente e com um domínio de perturbações diferente.
9- Virtual significa aquilo "que existe como faculdade, porém sem exercício ou
efeito atual; suscetível de se realizar; potencial; diz-se do que está predeterminado e
contém todas as condições essenciais à sua realização. Significado extraído do
Dicionário Aurélio escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1988.
10- Segundo Kehl (1995: 177) "é a partir do fracasso do princípio do prazer que o
sujeito renuncia (pelo menos parcialmente) ao modelo da realização alucinatória de
desejos e passa a desenvolver outros recursos de relação com a realidade externa. O
pensamento requer a aceitação de uma demora, de um adiamento da satisfação do
desejo, o que implica, inclusive, uma mudança de qualidade em relação ao que
consiste o modo dessa satisfação."
248

�11- Entenda-se por leitura qualquer atividade mental que envolva a percepção, por
qualquer dos sentidos, a sequencial recorrência à memória e a conseguinte atribuição
de significado e opinião.
12- Segundo Certeau (1996) o sentido literal é produto de uma elite social que
ordena o pensamento para que outros o sigam, a virtualidade, através de meios de
comunicação que prescindem da escrita e sua decodificação permitem leituras outras
e a atribuição de sentidos livres da literalidade.
13- Segundo Capra (1996: 227) citando Maturana e Varei a, "a unicidade do ser
humano reside na nossa capacidade para tecer continuamente a rede lingüística na
qual estamos embutidos. Ser humano é existir na linguagem. Na linguagem,
coordenamos nosso comportamento, e juntos, na linguagem, criamos o nosso
mundo. 'o mundo que todos vêem', escrevem Maturana e Varei a, 'não é o mundo,
mas um mundo, que nós criamos com os outros'. Esse mundo humano inclui
fundamentalmente o nosso mundo interior de pensamentos abstratos, de conceitos,
de símbolos, de representações mentais e de autopercepção. Ser humano é ser
dotado de consciência reflexiva: 'Na medida em que sabemos como sabemos,
criamos a nós mesmos'.

249

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              <text>Novos paradigmas para repensar a Biblioteca Tradicional e a virtual.</text>
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              <text>Chacon, Wagner</text>
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              <text>Trata da ontologia da interatividade, desde o período primitivo até o advento da virtualidade contemporânea. Baseando-se na Teoria da Cognição de Santiago, afirma que o aumento da artificialidade das diferenças sociais, políticas, econômicas e culturais foram acentuadas após a geração de excedentes da produção, determinando a exploração econômica do homem pelo homem. Nesse sentido a sonegação da interação, da vulgarização da informação e da educação, sempre foi objeto de controle e dominação das populações. Aborda a virtualidade resultante da evolução da interatividade como algo forçado pelos avanços das tecnologias da comunicação e da necessidade de seus escoamentos para gerar mercados novos e renováveis. Conclui indicando novas orientações estratégicas e táticas a serem seguidas pelas bibliotecas para que se insiram no novo contexto como agentes de transformação social.</text>
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