<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="6465" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/6465?output=omeka-xml" accessDate="2026-06-04T19:28:31-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="5528">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/61/6465/SNBU2000_083.pdf</src>
      <authentication>a265cd323711f572de1dfb096ef58781</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="73211">
                  <text>A UNIDADE REFERENCIAL NELSON PEREIRA DOS SANTOS COMO CAMPO DE
VIVÊNCIA
ROSA INÊS DE NOVAIS CORDEIRO
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
IACS/ DEPARTAMENTO DE DOCUMENTAÇÃO
RUA PROF. LARA VILELA, 126 – NITERÓI/RJ
igneznovais@uol.com.br
VERA LÚCIA ALVES BREGLIA
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
IACS/ DEPARTAMENTO DE DOCUMENTAÇÃO
RUA PROF. LARA VILELA, 126 – NITERÓI/RJ
vbreglia@domain.com.br

A aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser lúcido.
Chesterton
Resumo: Questões no contexto da sociedade moderna afetam o sistema de ensino como um
todo. A universidade um dos componentes desse sistema recebe os ecos das mudanças e tem
que repensar uma das suas principais funções: a formação de pessoal. O ensino de terceiro
grau tem sido alvo de críticas e a graduação vem buscando um ponto de equilíbrio entre as
demandas do mercado e uma formação mais sólida. O que vem se procurando são meios,
métodos e uma reflexão em torno das metodologias tradicionais de ensino que tenham como
resultado uma formação mais flexível capaz de gerar um profissional capacitado com perfil
multifacetado. Nesse horizonte uma das possibilidades mais valorizadas tem sido a da aliança
entre ensino de graduação e pesquisa. A suposição é de que por esse caminho vai se dar ao
aluno de graduação uma formação que o leve a se individualizar, a pensar criticamente, a
gerar novos conhecimentos sob novas formas de trabalho em ambiente que se diferencia da
sala de aula. Nesta perspectiva a Unidade Referencial Nelson Pereira dos Santos,
provisoriamente instalada na Biblioteca Central do Campus do Gragoatá, da Universidade
Federal Fluminense emerge como espaço privilegiado de produção do conhecimento através
de trabalho multi e interdisciplinar. Tenta-se melhor conhecer e organizar a obra
cinematográfica do cineasta através de sua representação documentária tendo em vista sua
disponibilização para a sociedade. A documentação objeto de análise é constituída pelas
diversas espécies de documentos gerados para produção dos filmes do cineasta que é também,
o resultado de um processo de produção do cinema brasileiro, sendo a Universidade um
agente de articulação e de transferência desse processo para a sociedade.

EIXO TEMÁTICO: RECURSOS HUMANOS DA BU

1

�1

MÚLTIPLAS IDÉIAS, CAMINHOS CRUZADOS
O exercício da docência muitas vezes traveste-se de aventura tantos são os obstáculos,

as dificuldades, as dúvidas, as angústias que se impõem aos professores/aventureiros. Não
raro o enfrentamento do cotidiano faz mergulhar no tempo e conduz a um universo mítico
onde se alternam Esfinges que formulam enigmas, Medusas cujos cabelos ganham forma de
interrogações e Antígonas propondo rupturas na tradição.
A realidade é recuperada através da volta à modernidade e da lucidez da fala dos
mestres que pensam, refletem sobre o seu ofício e externam preocupações semelhantes. De
um lado Picasso (Soto, 1999) que alia o declínio da arte moderna à inexistência de uma arte
acadêmica forte e afirma que é “necessário haver uma regra mesmo que seja má”. De outro
lado Matisse (1948) que teme que o olhar superficial dos jovens pintores sobre sua obra
exerça neles uma influência nefasta e que “ao verem apenas a aparente facilidade do desenho,
se sirvam disso como uma desculpa para fugir a certos esforços que considero necessários”.
Diz que receia “que os jovens evitem a lenta e penosa preparação necessária a qualquer
pintor contemporâneo” (...) e que “este trabalho lento e penoso é indispensável”. A lição está
dada: o caminho da excelência passa pelo trabalho responsável, crítica sempre presente,
humildade e busca de fundamentos.
A saída pode ser a adoção de um fazer docente revestido de um caráter reflexivo.
Admite-se que “o professor bem-sucedido é o que reflete sobre sua ação, (re)pensa seus
fundamentos, seus sucessos e fracassos e toma isso como base para alterar o seu ensino”
(Silva, 1994, p.40). A partir daí pode-se pensar que experiência e vivência constituem um
binômio, guardam uma relação de complementariedade e que fertilizadas resultam em um
professor que inova, cria e rejeita tecnicismos. Contudo, essa possibilidade de se transformar
e operar transformações vai ficar atrelada à disponibilidade do professor alterar o seu fazer

2

�através “de uma nova leitura de seus fundamentos, de seu saber” (p.46), o que vai ser possível
através da pesquisa.
Essa foi a opção das autoras do trabalho, que a partir de múltiplas idéias - Breglia
(1990, 1998) e Cordeiro ( 1990, 1998 ) - inspiradas no fazer, nas suas práticas, procuraram
saber, transformaram-se, transformando inquietações em conhecimento, com base nas
pesquisas realizadas. Temáticas diferentes tiveram seus caminhos cruzados através de uma
preocupação comum: a formação dos alunos de graduação.
Qualquer discussão sobre formação deve passar necessariamente pela busca de um
conceito (de que estamos falando?) e pela observação de um dos componentes do sistema de
ensino – a universidade.
Em relação a formação, a identificação de suas raízes etimológicas (Machado, 1967,
Cunha, 1982, Bueno, 1965, Heckler, 1984) deixa perceber sua origem no latim formatione –
confecção, formação, forma, configuração. Também foi encontrada a origem no latim forma –
molde, figura ou aspecto exterior, maneira, modelo, com o significado de notas
individualizantes que distinguem um corpo do outro, um objeto do outro.
Em termos do seu significado entende-se por formação “a constituição de um objeto,
de uma sociedade, maneira pela qual se constitui uma personalidade, um caráter, uma
mentalidade” (Bueno, 1965), ou “ato ou efeito ou modo de formar; constituição, caráter,
maneira por que se constituiu uma mentalidade, um caráter, ou um conhecimento profissional
(Ferreira, 1975, p. 645). Se vistas em conjunto, a origem etimológica e a explicitação do
significado deixam transparecer uma conotação de construção, mas percebe-se que formação
também está vinculada a molde, modelo. A interseção dessas duas facetas do conceito de
formação podem ser matizadas com uma breve consulta à literatura.
Em relação à literatura, o recorte feito vai contemplar as idéias geradas por dois
autores integrantes da Escola de Frankfurt – Adorno e Benjamim – além de Habermas.

3

�Os conceitos formuladas por esses autores em torno da formação estão impregnados
de ceticismo. Sem deixar de levar em conta a ideologia dos autores, as condições de produção
desse pensamento, e a época em que foram produzidos, as idéias trabalhadas guardam um quê
de atualidade, uma vez que para os autores citados, o conceito de formação está vinculado à
organização social do trabalho.
A questão trabalhada por Kant em “O que é esclarecimento?” (1974, p. 100-114)
também se põe para esses autores, ainda que com sentido meramente retórico, vazia de
compromissos. Se para Kant o homem autônomo se definia pela sua capacidade de legislar
sobre si próprio, se reger pela razão e não pela autoridade externa, no mundo contemporâneo
o esclarecimento é posto em questão “em face da pressão inimaginável exercida sobre as
pessoas, seja simplesmente pela própria organização do mundo, seja num sentido mais amplo,
pelo controle planificado até mesmo de toda a realidade interior pela indústria cultural”
(Adorno,1995, p.181).
A centralidade da discussão vai privilegiar a organização social do trabalho no
capitalismo tardio, com a conversão progressiva da ciência e tecnologia em forças produtivas.
Essa reordenação de forças, altera os referenciais, privilegia uma racionalidade produtivista, e
o sentido ético dos processos formativos e educacionais transforma-se em instrumento da
economia. Pode-se dizer que “a crise da formação é a expressão mais desenvolvida da crise
social da sociedade moderna”( Maar, p.16,1995)
A justificativa para as dificuldades que Adorno vê em torno da emancipação estão
vinculadas a sua própria concepção inicial de educação. Para ele a educação não se traduz em
modelagem de pessoas, nem na mera transmissão de conhecimentos, mas na produção de
consciência verdadeira. Ele vê nisso mais do que uma importância política, uma exigência
política; “a democracia para operar conforme seu conceito, demanda pessoas emancipadas.

4

�Uma democracia só pode ser imaginada enquanto uma sociedade de quem é emancipado”
(Adorno, 1995, p.141-142).
As visões de Benjamin (1984) e Habermas (1975) têm um grau de semelhança com a
de Adorno. Situam a questão da formação no contexto de uma sociedade industrializada em
que as demandas do setor produtivo interferem de maneira negativa, no setor formativo.
Mesmo com diferenças de enfoque, ambos observam um saber que se instrumentaliza, que se
fragmenta, com reflexos na sua produção e na informação, que assim deixariam de dar um
retorno à sociedade. Dessa forma, avaliam que a universidade teria falhado no compromisso e
na responsabilidade de fazer trocas com a sociedade.
Mesmo assim, de forma aparentemente contraditória, Benjamin visualiza a universidade
como um lugar de possibilidades e deixa a cargo dos estudantes torná-las viáveis. Os
pressupostos seriam o de mantê-la como um lugar de permanente revolução intelectual e local
de novos questionamentos. Desta maneira, entende que “o estudantado seria considerado em
sua função criativa, como grande transformador, cuja missão seria converter em questões
científicas, através de um posicionamento filosófico, as idéias que costumam despertar antes
na arte e na vida social, que na ciência” (1984, p.37).
Para Habermas (1975, p.145) a tarefa da formação universitária deve se pautar por uma
ciência capaz de refletir sobre si mesma. A questão da auto-reflexão tão enfatizada por ele
implica em dizer que a ciência que não se pensa, que não de questiona, fragmenta-se e produz
um saber instrumental. A formação que advém daí estaria muito longe do preconizado ou
seja, que se revista de uma feição crítica, consciente, libertadora. A formação sólida, flexível
seria o seu contrário e propiciaria a adaptação ao mercado, sem se submeter a ele.
Os três autores citados mesmo que se posicionem de maneira pessimista com relação
ao processo formativo no contexto das sociedades industrializadas, sob a égide do capitalismo
tardio, deixam entrever na formação uma possibilidade de transformação, de emancipação.

5

�Mesmo submetido ao sistema, o homem pode escapar às limitações que lhe são impostas e
transformar, transformando-se.
Conforme proposto, o entrelaçamento das raízes etimológicas e da fala dos autores
citados levam a considerar o processo formativo como individualizante, construindo
mentalidades

emancipatórias,

configurando

distinções,

abrindo

possibilidades

de

posicionamento autônomo, livre de influências externas.
Hoje pretende-se que a formação se faça sob o primado dos valores e de princípios
éticos. Em uma linguagem atual, a formação deveria se revestir de um caráter ecológico, ou
seja, possibilitar ao homem a análise e interpretação do meio ambiente, do seu entorno,
levando à independência na tomada de decisões e consciente participação comunitária. Mas o
processo formativo ainda se vê atropelado por influências externas, sob novas práticas que
orientadas pelo pensamento neoliberal, repercutem na universidade, algumas vezes
produzindo alterações significativas nas práticas acadêmicas
Assim, pensa-se que a observação de algumas normas que se impõem ao exercício
acadêmico, poderão ser de utilidade para orientar ou reorientar a formação na graduação. É
importante destacar que mesmo que não explicitamente nomeados, tem-se presente que a
formação de recursos humanos para as Bibliotecas Universitárias também tem na
universidade seu “locus” de formação, estando portanto seus profissionais, incluídos na
discussão.

2

NORMAS E RUPTURAS
O redesenho da cartografia mundial deixa entrever um mundo revirado, pautado pela

anomia, onde transparece uma Nova Ordem Mundial em que a moral e a ética cederam lugar
à competitividade. A crise do Estado-nação traz em seu bojo uma outra crise - a das
instituições que pressionadas pelas novas demandas buscam novos parâmetros de ação.
6

�Nesse contexto, a Universidade não aparece diferenciada e sob tensões, deixa emergir
contradições que a afastam de suas propostas originais. Tradicionalmente a Universidade
sempre foi reconhecida como local onde se pensa de forma crítica. A consequência natural é
o estabelecimento de trocas: produz-se conhecimento, dissemina-se informação sem esquecer
a realimentação dessas trocas ou seja, a indispensável interação com a sociedade.
É a ameaça ao estabelecimento das trocas que faz emergir alguns posicionamentos. Um
deles parte de Santos (1996, p.25) que a exemplo do meio ambiente, vê a universidade
dividida, fragmentada. A universidade reparte-se em atender aos projetos que demandam
soluções práticas, técnicas e imediatistas, mas que rendem divisas e redundam em gestões
técnicas e racionalizadoras, e manter-se como espaço de reflexão. A universidade atacada
pelo cientificismo, corre o risco de sofrer duas perdas irreparáveis: a criatividade e a
originalidade; a pesquisa torna-se espasmódica e rentável. Essa é sem dúvida uma ameaça que
ao pairar sobre a universidade, também compromete o pensamento aí gerado - a produção do
próprio conhecimento.
Ainda nessa perspectiva, Chauí (1999) aponta a Reforma do Estado brasileiro como
responsável pela modernização e racionalização das atividades estatais e transformação de
direitos sociais (saúde, educação e cultura) em setores de serviços definidos pelo mercado.
Com relação à universidade, aponta uma mudança de condição: de instituição social (ação
social, prática social) à organização social (prestação de serviços).
A partir daí passa a trabalhar com duas categorias: a universidade funcional e a
universidade operacional. A primeira voltada para a formação rápida de profissionais
requisitados como mão-de-obra altamente qualificada para o mercado de trabalho. A segunda
voltada para si mesma enquanto estrutura de gestão e de arbitragem de contratos. Para a
autora “essa universidade não forma e não cria pensamento, despoja a linguagem de sentido,

7

�densidade e mistério, destrói a curiosidade e a admiração que levam à descoberta do novo
(...)” (p.3).
Esse novo papel imposto à universidade subverte seu ritmo interno, em nada a
identifica com a universidade clássica., voltada para o conhecimento. A origem das
modificações está localizada nas pressões e transformações a que vem sendo submetida a
universidade. Os modelos são forjados mais em torno das funções que se atribuem à
universidade, do que na explicitação de uma idéia, de um conceito. Talvez por isso a
universidade venha atravessando um período de crise endêmica. Chega-se a propor que a
saída da crise se faça por um mergulho nela mesma, porque se acredita que “em vez de temer
a crise, a universidade precisa aproveitar-se dela. Na crise, terá a justificativa de seu papel”
(Buarque, 1994, p.32). O aproveitamento da crise pressupõe que a universidade se invente a
partir das transgressões que no texto de Buarque adquirem uma conotação de mudança com
base em compromissos sólidos e permanentes. É necessário que a universidade se eduque,
saia do seu isolamento e busque maior interação com o seu meio ambiente, com os interesses
nacionais.
Na realidade a crise tantas vezes mencionada não é localizada, mas mundializada e
sobretudo institucional. A solução não vai estar na ocorrência, nem na dependência de
procedimentos normatizados. A saída da crise pode estar nas possibilidades que se oferecerem
à universidade-instituição

de conseguir compatibilizar tradição e adaptação às novas

configurações e demandas sociais, e liberar-se das tensões que têm origem nessa contradição.
Imagina-se que uma das maneiras de viabilizar à adaptação aos novos contextos vai
se dar via definição de modelos que possam dar novos contornos ao ensino de graduação.
Essa proposta teria seu ponto inicial em uma mudança de concepção que vê a graduação
como instância de consumo de conhecimento e a pós-graduação como produtora de
conhecimento.

8

�A atribuição do mesmo grau de importância ao ensino e à pesquisa, passa por uma
revisão didática, pela investigação de novas formas de transmitir e produzir conhecimento no
processo de formação na graduação, o que seria dizer que também faz-se necessário
identificar de que instrumentos metodológicos que a universidade dispõe e pode colocar em
prática.
A associação do ensino com pesquisa na graduação pode ser pensada pela via da
construção do conhecimento que se faça de forma conjunta por professores e alunos, a partir
dos conhecimentos que possuam, com respeito às suas experiências como sujeitos da história
dentro e fora da escola (...) (Kramer apud André, 1994, p.73). O investimentos nos saberes de
que são portadores faz de ambos sujeitos do diálogo, dispostos à interlocução, o que conduz a
ver, fazer e agir diferente. Também possibilita uma ausência da “hierarquização” presente na
relação professor aluno; dá nova forma ao espaço/tempo. Essa modalidade de relação produz
“auditórios” de falantes/ouvintes e de ouvintes/falantes, espaço privilegiado de fluição (e por
que não fruição?) de idéias, reunião de diferenças, resemantização de repertórios, clima ideal
para viver e “com – viver”.

3

0 ESPAÇO DE VIVÊNCIA
O projeto de extensão Unidade Referencial Nelson Pereira dos Santos (URNPS) surgiu da

iniciativa de um grupo de professores do Laboratório de Investigação Audiovisual (LIA), do
Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da Universidade Federal Fluminense (UFF),
envolvidos com as áreas de Ciência da Informação, Cinema, Propaganda e Comunicação Visual.
Além do grupo de profs integraram a equipe e participaram da pesquisa, alunos bolsistas de
graduação das áreas de Cinema e Biblioteconomia
9

�De forma resumida, os programas desenvolvidos pelo LIA objetivam estudos inter e
polidisciplinares nas áreas citadas, para o desenvolvimento e aplicação de metodologias de
análise de informações textuais e audiovisuais, além da gestão de projetos multimídia que visem
a adequação do discurso visual à comunicação interativa. Tais metodologias são pensadas tendo
em vista a elaboração de produtos didático-pedagógicos informatizados sobre cinema com as
possibilidades das novas tecnologias da informação. Todo o processo desenvolvido nos
programas do LIA visam a integração entre alunos, professores e sociedade através de
atividades de pesquisa e/ou da extensão.
Tradicionalmente no âmbito das universidades, as atividades de pesquisa e de extensão são
formuladas separadamente, porém muitas vezes no campo empírico esta ruptura não ocorre de
forma tão dissociada. A concepção e a implantação da URNPS, só foi possível porque era
fundamentada em pesquisa desenvolvida por Cordeiro (1999, p.62) na qual se discutiu o
princípio da “árvore genealógica do filme”. Por outro lado, o surgimento e o desenvolvimento
de um trabalho integrado por professores e alunos de diversas áreas do saber, só foi possível
mediante um espaço em que cabia a interlocução de conhecimentos e o aprender de vivências e
de convivências.
Entretanto, esta experiência do investigar, do aplicar, do extensionar e da interlocução não
é uma prática comum, vivida em muitos espaços da universidade, na qual vigora, pelas razões
mais diversas, a “sociedade do espetáculo” (Debord, 1998), embora o discurso dominante seja o
da inter e a polidisciplinaridade e da integração das forças de poder.
O paradoxo entre a riqueza de discurso e a pobreza da prática talvez deva-se ao fato de
que o exercício interdisciplinar guarda uma certa complexidade. A interdisciplinaridade se
constitui de ações complexas e muito criativas. Tem-se a interdisciplinaridade como princípio
mediador de comunicação entre diferentes disciplinas, não cabendo jamais ser elemento de
redução a denominador comum, mas elemento teórico-metodológico da diferença e da
10

�criatividade. A interdisciplinaridade é o princípio da máxima exploração das potencialidades
de cada ciência, da compreensão e exploração de seus limites, mas acima de tudo é o
princípio da diversidade e da criatividade.
Além de forjar esse conceito, Etges (1995) vê uma forma de exercício interdisciplinar
que nomeia de estranhamento ou deslocamento. Esclarece que nessa modalidade o
pesquisador põe seu sistema de proposições em um contexto que lhe é estranho; fora de seu
contexto ele começa a ser capaz de colocar novas questões, que jamais lhe viriam à cabeça e
agora passam a sacudir o seu pequeno mundo.
Em uma outra concepção, o processo de construção interdisciplinar tem um duplo
movimento: em um primeiro momento o diálogo da aproximação e da possibilidade que leva
a uma busca de aprofundamento das disciplinas no que tange aos conceitos mais
fundamentais. Depois, é o momento da busca de síntese que se apropria de “fragmentos
convergentes”, conseguidos sobretudo na transitividade e complementaridade dos conceitos.
Desta forma, há uma busca de encontros através de questões comuns e a construção de um
saber que se supera e se amplia em relação à disciplina original (Minayo, 1995, p.75).
Levando em conta os profissionais envolvidos, suas áreas de interesse e os objetos em
estudo, a URNPS vem se constituindo em espaço privilegiado da prática interdisciplinar pois
reflete a experiência “em que a colocação do objeto na fronteira de duas ou mais ciências as
obriga a somarem seus esforços para, redefinindo o objeto, criarem uma nova perspectiva
científica (Amaral, 1992, p.104).
O projeto teve como objetivo inicial desenvolver uma base de dados referencial sobre
a obra do cineasta, contendo a representação descritiva e temática dos diversos tipos de
documentos (textuais, visuais e audiovisuais) que pudessem ser coletadas nas diversas
Unidades de Informação e Empresas Jornalísticas, localizadas no Rio de Janeiro. As etapas
previstas na coleta teriam que viabilizar o levantamento, a localização e a representação

11

�documentária dos materiais bibliográficos e audiovisuais produzidos sobre a obra do cineasta,
e também os materiais que fossem localizados e resultantes do seu processo de produção de
filmes, tais como: cartazes, stills e outros. Assim, seria possível no contexto filmográfico as
noções de sobrecidade (tematicidade/abouteness) desenvolvidas na literatura no contexto da
informação científica.
Também seriam testadas questões referentes a critérios para elaboração de resumos
com estruturas e conteúdos diversos. O instrumento de coleta-representação desenvolvido,
deveria permitir que a heterogeneidade dos documentos levantados fosse representada de
forma descritiva, temática e integrada em um único instrumento, sem entretanto, o conteúdo
informativo ser prejudicado. Outro aspecto considerado na coleta-representação, foi a
possibilidade de inclusão de diferentes pontos de acesso para recuperação da informação.
Trabalhou-se com a suposição de um perfil de usuário (uso potencial) agregado a variável
potencial informativo dos documentos.
Itens referentes a localização e condições de acesso ao documento fonte foram incluídos
no instrumento.
Como consequência ao trabalho que se desenvolvia e pelo grande interesse que
filmografia do cineasta desperta, começou a germinar no espaço onde a equipe de pesquisa
estava desenvolvendo a URNPS, a possibilidade de criação de um núcleo de interessados em
refletir e pesquisar a obra cinematográfica do cineasta, devido também ao curso de Graduação
em Cinema e Vídeo da UFF, no qual por muitos anos o cineasta lecionou.
Durante o desenvolvimento do projeto, houve a possibilidade da transferência provisória
para a UFF da documentação gerada pelo cineasta na produção de seus filmes que é também, o
resultado de um processo de produção do cinema brasileiro. Fazem parte dessa documentação os
argumentos, sinopses, roteiros, análises técnicas de roteiros, planos de filmagem, fotografias de
cenas,

slides

e

outros

documentos
12

gerados

durante

a

atividade

de

�pré-produção/produção/pós-produção/comercialização-distribuição-exibição do filme (Cordeiro,
1988, p.101).
De uma forma geral, tem sido uma preocupação constante alertar sobre o não
recolhimento de acervos dessa natureza e da dispersão da documentação que é gerada no
processo de produção dos filmes brasileiros. A preservação, organização e disponibilização de
arquivos

particulares, não se constitui entre nós uma prática comum. Quase sempre, sua

organização é feita de maneira intuitiva, excluídos os princípios arquivísticos. Esse
procedimento dificulta o acesso dos arquivos para a pesquisa.
O tratamento técnico da documentação (família de documentos gerados para o filme) tem
sido de importância fundamental para o aprimoramento do conhecimento das áreas envolvidas.
Embora este trabalho não tenha como objetivo detalhar as considerações técnicas a que se
chegou, ora confirmando ora alterando algumas questões analisadas de forma diferente em
outras áreas e contextos do conhecimento, é importante ressaltar as singularidades observadas
nos seguintes aspectos: quanto a forma de produção de um filme e como consequência a
natureza dos documentos/informações geradas; a sistemática de arranjo dos documentos
(organicidade dos conjuntos documentais); ao processo de análise e tradução das informações
para uma linguagem documentária em cinema; a dinâmica das necessidades de uso da
informação; as condições de preservação e restauração dos documentos de diferentes suportes e
tamanhos.
Entretanto, o desenvolvimento desta atividade só foi possível nas circunstâncias
descritas, devido a Universidade ser um agente de articulação de diferenças, na qual é possível
promover a circularidade entre o ensino, pesquisa e extensão, e a circularidade entre as áreas do
conhecimento envolvidas, e a circularidade dos níveis do saber dos envolvidos.

13

�É importante destacar que a inter e polidisciplinaridade também foram possibilitadas
devido a natureza temática da filmografia do cineasta. A extensa obra de Nelson Pereira dos
Santos é inegavelmente polidisciplinar o que possibilita sua relação com a literatura através
importantes adaptações para o cinema (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), com as
manifestações populares (Amuleto de Ogum, Na Estrada da Vida), com a etnografia e a história
(Como Era Gostoso Meu Francês), com questões étnicas (Tenda dos Milagres), com a tradição
melodramática latino-americana (O Cinema de Lágrimas).
Através da análise e tratamento dos documentos do acervo outras perspectivas de estudos
se apresentaram: evolução gráfica das fotos de cena e dos cartazes, a ressonância dos filmes em
momentos-chave da história contemporânea brasileira, a evolução das idéias cinematográficas
no país. A obra e a atuação do cineasta são uma página importante da modernidade brasileira.
Seus filmes não deixam de retratar o homem brasileiro e seus conflitos políticos, sociais e
econômicos.
Resultaram deste projeto três grandes ações polidisciplinares: a exposição na UFF
intitulada “Nelson Pereira dos Santos, Cinema de Papel: Documentos e Imagens”; mostra de
filmes e vídeos no Centro Cultural Banco do Brasil denominada “Plano Geral: Nelson Pereira
dos Santos”; demonstração da home-page da URNPS e do CD-ROM “Rio Quarenta Graus”.
Seria impossível fechar o relato da “aventura” sem mencionar sua inspiração: a
formação da graduação. Ficaria sem nexo, deixar de mencionar a vivência dos
alunos-bolsistas na Unidade.
À experiência do desenvolvimento de um trabalho articulado pela vivência
participativa entre alunos e professores nas atividades de pesquisa e de extensão, somaram-se
vivências singulares na formação dos alunos e no repertório dos professores. Entre essas,
pode-se destacar que os alunos bolsistas passaram a entender de forma mais consistente a

14

�estrutura e a dinâmica que regem as ações realizadas na Universidade, quanto aos seus
aspectos administrativos, técnicos e éticos.
Vivenciaram, ainda, a importância da reelaboração do saber social e técnico. Puderam
entender o compromisso da Universidade e em particular, de um projeto de âmbito social e
cultural, com o acesso e uso da informação, possível somente através da criação de
mecanismos que disponibilizem as fontes de informação. Questões que levam a ver
informação como possibilidade de modificar comportamentos e modos de pensar.
Talvez seja prematuro fazer afirmações contundentes sobre os reflexos da experiência
vivida na formação dos alunos. No entanto, não há nenhum cuidado em afirmar que
experimentou-se a transgressão, tentou-se viver a mudança. Quem sabe, uma ruptura dentro
da norma.

15

�REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADORNO, Theodor W. Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.p.139-184:
Educação - para que?
AMARAL, M. T. Esboço inicial de uma “Genealogia da Transdisciplinaridade”. Revista
TB, Rio de Janeiro, v.108, n.5/8, jan./mar. 1992.
ANDRÉ, Marli E. D. A de Formação de profesores em serviço: um diálogo com vários
textos. Cad. Pesq., São Paulo, n..89, p.72-75, maio, 1994.
BENJAMIN, W. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1984. p.
31-41. A vida dos estudantes.
BREGLIA, Vera Lucia A . A comunicação da informação na Residência Médica. Rio
de Janeiro. 1990. Dissertação (Mestrado em Comunicação: área Ciência da
Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro ,
IBICT, CNPq.
____ . A formação acadêmica na graduação- contribuição do PIBIC para a relação
ensino x pesquisa. Rio de Janeiro, 1998. Projeto de Qualificação aprovado em Exame
de Qualificação ao Programa de Pós-Graduação do Departamento de Educação, da
PUC-RJ.
BUARQUE, Cristovam. A aventura da universidade. São Paulo: UNESP,Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1994.
BUENO, Francisco da S. Grande dicionário etimológico prosódico da Língua Portuguesa.
São Paulo: Saraiva. 1965.
CHAUÍ, Marilena. A universidade operacional. Folha de São Paulo, São Paulo, 9 maio 1999.
Mais, p.3.
CORDEIRO, Rosa Inês de Novais. Descrição e representação de fotografias de cenas de
filmes: esquema facetado e em níveis. 1990. 191p. Dissertação (Mestrado em
Comunicação: área Ciência da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade
Federal do Rio de Janeiro, IBICT, CNPq.
____ . Representação integrada da documentação fílmica, critérios e princípios de
análise da informação. 1998. 238p. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura) –
Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
CUNHA, Antonio C. da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
DEBORD. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998.
ETGES, Norberto J. Ciência, interdisciplinaridade e educação. In: JANTSCH, Ari P.,
BIANCHETTI, Lucídio (Orgs.) .Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito.
Petrópolis: Vozes, 1995. p. 51-84.
16

�FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
HABERMAS, J. .Théorie et pratique. Paris: Payot. 1975. p. 153-163: La démocratisation de
université: une politisation de la science
HECKLER,E., BACK, S., MASSING, E.K. Dicionário morfológico da Língua
Portu-guesa. São Leopoldo: Unisinos, 1984
KANT, E. Resposta à pergunta: Que é esclarecimento? (“Aufklärung). In: LEÃO, Emmanuel
Carneiro (Org.). Textos seletos. Petrópolis: Vozes, 1974. p. 100-114.
MAAR, W. L. A guisa de introdução: Adorno e a experiência formativa. In: ADORNO,
Theodor W. Educação e emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. p. 11-28.
MACHADO, José Pedro. Dicionário etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa:
Confluência; São Paulo: Horizonte, 1967.
MATISSE, Henri. Carta. Vence, 1948.
MINAYO, M. C. Interdisciplinaridade: uma questão que atravessa o saber, o poder e o
mundo vivido. Medicina, Ribeirão Preto, v. 24, n. 2, p. 70-77, abr./jun. 1991.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. Globalização e Meio Técnico-Científico
Informacional. São Paulo: Hucitec,1996.
SILVA, Maria Helena G.F. Dias. Sabedoria docente: repensando a prática pedagógica.
Cad. Pesq., São Paulo, n.89, p.39-47, maio, 1994.
SOTO, Ernesto. O gênio que tinha força. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 25 jul. 1999,
Caderno B. p.2

17

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="61">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71360">
                <text>SNBU - Edição: 11 - Ano: 2000 (UFSC - Florianópolis/SC)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71361">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71362">
                <text>Tema: A Biblioteca Universitária do Século XXI</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71363">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71364">
                <text>UFSC</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71365">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71366">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71367">
                <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73203">
              <text>A Unidade referencial Nelson Pereira dos Santos como campo de vivência. </text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73204">
              <text>Cordeiro, Rosa Inês de Novais, Breglia, Vera Lúcia Alves</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73205">
              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73206">
              <text>UFSC</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73207">
              <text>2000</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73208">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73209">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73210">
              <text>Questões no contexto da sociedade moderna afetam o sistema de ensino como um todo. A universidade um dos componentes desse sistema recebe os ecos das mudanças e tem que repensar uma das suas principais funções: a formação de pessoal. O ensino de terceiro grau tem sido alvo de críticas e a graduação vem buscando um ponto de equilíbrio entre as demandas do mercado e uma formação mais sólida. O que vem se procurando são meios, métodos e uma reflexão em torno das metodologias tradicionais de ensino que tenham como resultado uma formação mais flexível capaz de gerar um profissional capacitado com perfil multifacetado. Nesse horizonte uma das possibilidades mais valorizadas tem sido a da aliança entre ensino de graduação e pesquisa. A suposição é de que por esse caminho vai se dar ao aluno de graduação uma formação que o leve a se individualizar, a pensar criticamente, a gerar novos conhecimentos sob novas formas de trabalho em ambiente que se diferencia da sala de aula. Nesta perspectiva a Unidade Referencial Nelson Pereira dos Santos, provisoriamente instalada na Biblioteca Central do Campus do Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense emerge como espaço privilegiado de produção do conhecimento através de trabalho multi e interdisciplinar. Tenta-se melhor conhecer e organizar a obra cinematográfica do cineasta através de sua representação documentária tendo em vista sua isponibilização para a sociedade. A documentação objeto de análise é constituída pelas diversas espécies de documentos gerados para produção dos filmes do cineasta que é também, o resultado de um processo de produção do cinema brasileiro, sendo a Universidade um agente de articulação e de transferência desse processo para a sociedade.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
