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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LEITURA NO ENSINO SUPERIOR: O OLHAR DO BIBLIOTECÁRIO PARA A
COMPREENSÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS DOS DISCENTES NO CURSO DE
NUTRIÇÃO DO IFCE - CAMPUS FORTALEZA
Tatiana Apolinário Camurça

RESUMO
A pesquisa foi um estudo exploratório que identificou quais as principais dificuldades em
Leitura e qual a influência e nível de compreensão em leitura acadêmica dos discentes do
curso de Nutrição do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - Campus
Limoeiro do Norte. A abordagem que prevaleceu nesta pesquisa foi do tipo qualitativa, com
características de pesquisa participante, o que possibilitou não apenas a observação dos
comportamentos dos sujeitos pesquisas, mas também a participação em algumas aulas para
reflexão sobre o pensar de uma dada coletividade sobre determinado assunto, ao mesmo
tempo em que proporcionou uma leitura individual da opinião de cada participante da
pesquisa. Os instrumentos utilizados consistiram em aplicação de questionários e a realização
de entrevistas com os alunos participantes e o professor. O estudo constatou o predomínio de
uma compreensão textual insuficiente ao nível exigido para aprendizagem acadêmica, e
apontou a interferência limitante, mas não determinante de fatores socioculturais acusados de
proporcionar o afastamento dos discentes de ambientes de leitura e aprendizagem em suas
trajetórias escolares, fragilizando a aprendizagem no ensino superior.
Palavras-chaves: Leitura. Compreensão de texto. Aprendizagem. Discentes de Nutrição.
Interferências na aprendizagem. Fator sociocultural.

ABSTRACT
The research is an exploratory study that identify the main difficulties in reading, the
influences and compreension level in academic reading of the students of Nutrition at IFCE
campus Limoeiro do Norte. It was used qualitative methodology, participative research which
allowed the observation of the students' behavior and the participation in some classes to
reflect about their thoughts, while it provided an individual opinion of each research
participant.The instruments used were questionnaires and interviews among teachers and
students. The research found the prevalence of a poor reading comprehension level, that is
required for academic learning, and suggest the interference of sociocultural factores that
made the acess of students to reading and learning environments in their school history
difficult, weakening the learning in higher education.
Keywords: Reading. Understanding. Text. Learning. Nutrition students. Interference in
learning. Cultural factors.

347

�1 INTRODUÇÃO
1.1 LEITURA: TEMÁTICA POLISSÊMICA
No transcorrer do meu curso de graduação, a leitura dos textos acadêmicos sempre me
causou certo temor, dada a dificuldade que tinha na compreensão dos conteúdos abordados.
Quando se tratavam de textos de Filosofia, ou de matérias afins, e o professor exigia dos
alunos um posicionamento crítico, sentia-me ainda mais desolada, fato que passou a
prejudicar o meu desempenho acadêmico.
No início, eu acreditava que a responsabilidade de não desenvolver a habilidade e
competência em leitura era toda minha, pois não estudava o suficiente. As cobranças e as
tarefas foram causando um sentimento de dúvida quanto às minhas reais possibilidades de
êxito na academia. Como entender, compreender, criticar, analisar textos que requeriam
outras leituras, sem ter uma orientação de como realizar tais atividades, e sempre tendo que
dividir o tempo de estudo com o trabalho, com as novas exigências.
Diante do exposto, minha questão de pesquisa, especificamente, passou a ser
delineada da seguinte forma: como graduandos de cursos tecnológicos, mais especificamente
do curso de Nutrição, lidam com a leitura de textos acadêmicos, e como os professores
trabalham os textos em sala de aula? Diante destas indagações, tracei três objetivos principais:

1. Investigar quais são as dificuldades de leituras enfrentadas pelos acadêmicos do
segundo semestre do curso de Nutrição da disciplina Antropologia do Alimento
do IFCE □ Campus Limoeiro do Norte Ceará;
2. Descrever como o docente trabalha com os textos de cunho científico na sala de
aula;
3. Apontar as estratégias de leitura utilizadas pelos acadêmicos, discentes e docentes
em sala de aula;

1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Ceará (IFCE), situado na cidade de Limoeiro do Norte que fica a 194 km de Fortaleza.
Atualmente, o IFCE oferece cursos de nível técnico: Meio Ambiente, Mecânica, Panificação,
Fruticultura; e de nível superior: Tecnologia em Alimentos, Nutrição e Mecatrônica.
Para facilitar as percepções do comportamento de leitura dos sujeitos investigados,
optei pela observação direta que possibilitou analisar como se dá o trabalho dos professores
em sala de aula, de que forma eles lidam com as dificuldades de leituras dos alunos e quais as

348

�metodologias desenvolvidas no processo de ensino-aprendizagem através da leitura. As aulas
foram observadas ao longo do semestre 2012.1.
O segundo instrumento utilizado para a construção do estudo foi a entrevista
semiestruturada com perguntas que abordaram questões sobre leitura e a trajetória escolar
feitas com cinco alunos e um professor. A entrevista é uma técnica muito utilizada em
pesquisas de vários ramos das Ciências Sociais: Sociologia, Antropologia, Política, Serviço
Social, entre outros.
O terceiro instrumento utilizado foi um questionário com 24 questões abertas e
fechadas aplicado em sala com 34 alunos. A aplicação do questionário teve como objetivo
criar um perfil da condição socioeconômica dos estudantes e conhecer um pouco a trajetória
escolar dos sujeitos pesquisados.
O quarto instrumento que complementou a análise da pesquisa foi a leitura de resenhas
feitas pelos alunos. Esse instrumento colaborou para averiguar a escrita dos alunos
pesquisados, como resultado de uma leitura sistematizada e crítica. A proposta de se trabalhar
com a seleção de alguns textos também foi levada em conta para se avaliar o processo de
compreensão dos alunos.

2 CONTEXTUALIZANDO AS DIFICULDADES DE LEITURA NA FORMAÇÃO
SUPERIOR
A estudiosa sobre leitura Yunes (2003) descreve o processo de ler como uma ação
capaz de mudar de horizonte, interagir com o real, interpretá-lo, compreendê-lo e decidir
sobre ele. Ler é, pois, interrogar as palavras, ampliá-las e duvidar delas. Deste contato, desta
troca nasce o prazer de conhecer, de imaginar ou de inventar a vida. O ato de ler é um ato de
sensibilidade e inteligência e de compreensão e comunhão com o mundo.
Kleiman (1989) concebe a leitura interacionista como um processo em que a leitura
transita em duplo sentido, ou seja, do texto para o leitor e deste para o texto. Assim, durante o
processo de compreensão, tanto as informações contidas no material lido quanto os
conhecimentos do leitor são fatores considerados para a construção dos sentidos.
É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento
linguístico, o textual, o conhecimento de mundo, que o leitor consegue construir o sentido do
texto. E porque o leitor utiliza justamente diversos níveis de conhecimento que interagem
entre si, é que a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança
que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão.

349

�Koch (2002) entende que cabe ao leitor dar a resignificação convergente daquilo que o
texto diz e que o mesmo só existe a partir do momento em que alguém o processa como tal.
Borba (2004) entende que a compreensão de texto, acontece a partir do leitor que é o centro
organizador de toda enunciação, expressão oral, textual, a este que será influenciado pelo
meio social que o envolve.
Ao entender leitura como um processo compreensivo, Façanha (2009) explica que a
preocupação com a leitura compreensiva é relativamente recente. Essa concepção surgiu em
decorrência das transformações nos usos e funções da leitura ocorridas no curso da história da
humanidade. Para a autora, nos novos estudos sobre concepções de leitura, o leitor tem
ganhado um destaque especial, uma vez que é em sua mente que os conhecimentos
linguísticos e de um conjunto de operações cognitivas se formam.
Ao fazer um levantamento bibliográfico sobre essa problemática, Costa (2007)
também percebeu a escassez de publicações cujo assunto principal seja leitura adulta, quando
declara que a “[...] maioria das pesquisas em compreensão textual é realizada com crianças
em processo de alfabetização.”
Da mesma forma, não se encontram pesquisas que explorem a leitura em fases
intermediárias como, por exemplo, no ensino médio. São estudos que revelam como se
processa a compreensão do texto escrito com adolescentes que já passaram da fase de
alfabetização, mas não conseguem compreender ao ler um texto escrito.
Oliveira e Santos (2008) pesquisam leitura na universidade, defendendo que os
estudantes universitários que apresentam limitações na compreensão em leitura são aqueles
que por diversos motivos internos e ou externos a eles não tiveram oportunidade de
experimentar de forma positiva e bem-sucedida, atividades ligadas à linguagem escrita.
Sampaio e Santos (2005) revela que os alunos despreparados são justamente aqueles que
tiveram pouca ou nenhuma experiência agradável nas atividades de leitura e redação,
encarando-as, então, de modo relutante.
Spinillo apud Marcuschi (2008), analisa as atividades de compreensão de textos
presentes em livros didáticos amplamente adotados no ensino fundamental de escolas
públicas e particulares da cidade do Recife-PE, verificou que a maior parte dos exercícios
requeria do aluno apenas a cópia de passagens literais do texto a ser interpretado, e que apenas
a inexpressiva porcentagem de 5% das perguntas sobre o texto endereçadas aos alunos
requeriam o estabelecimento de inferências. Será uma exceção ou é a regra, o fato de uma
escola mostrar uma didática de ensino que não garante compreensão e aprendizagem para o
aluno?

350

�Dessa forma, as dificuldades em compreensão de textos das crianças vão sendo
levadas até a universidade □ momento em que o problema toma proporções maiores. Estará a
universidade preparada para sanar as dificuldades em leitura de seus discentes? Qual é o papel
da universidade na formação do leitor? A literatura tem focado seus estudos para o fato de
universitários não saberem compreender textos? São questionamentos complexos que revelam
problemas igualmente complexos e com soluções ausentes, mas não impossíveis.
Na prática, é difícil acreditar que todos aqueles que fazem parte de uma instituição de
educação superior desenvolvam suas práticas de ensino e aprendizagem voltadas para alunos
deficientes em leitura. É um erro pensar que muitos anos de educação formal desenvolvem
estudantes plenamente habilitados a lerem e compreenderem todos os tipos de leituras.
[...] uma boa parte desses alunos mostra um fraco desempenho nas
atividades de interpretação e produção de textos, sobretudo os acadêmicos,
cujas exigências se apresentam como elemento completamente estranho
àqueles que não se familiarizaram anteriormente com esses gêneros textuais.
Os alunos se esforçam e não se pode dizer que todo esse quadro se apresenta
dessa forma por vontade deles. (BORBA, 2004, p. 16).
Não é fácil reverter um processo de educação que tem suas raízes na educação infantil
até o ensino superior.Todos reclamam pelo insucesso da educação: pais, professores e aqueles
que são em maior número e os maiores prejudicados, os alunos.Não se sabe ao certo onde e
como começar a consertar o erro do ensino-aprendizagem. Uma vez somados todos esses
problemas o que existe é um verdadeiro caos educacional.

2.1 LEITURA NA REALIDADE DOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Ao ingressar na universidade os estudantes devem ler e produzir discursos acadêmicocientíficos, com os quais não estão familiarizados pelo escasso contato mantido com estes
durante a escolaridade pré-universitária, ou seja, chegam ao ensino superior sem uma base
leitora plenamente desenvolvida (CARVALHO, 2002).
O discurso científico caracteriza-se por ser uma produção feita por cientistas para seus
pares, que procura garantir, por meio de recursos linguísticos (controle das marcas de
subjetividades, seleção de léxico e adjetivos mais descritivos e objetivos, controle dos
processos de modalização, recurso às citações, precisão, neutralidade e a objetividade.
As dificuldades linguísticas aparecem quando os estudantes lidam com textos
complexos, a exemplo da escrita acadêmica do ponto de vista do conteúdo e da forma.

351

�Conteúdo e forma estão inter-relacionados, e diante dos textos difíceis, o simples
conhecimento de itens lexicais e gramaticais isolados, ou a consulta ao dicionário, não são
suficientes para dar conta da tarefa de leitura (CARVALHO e SILVA, 1996).
Na formação superior novas exigências são cobradas para os calouros que trazem
pouca ou nenhuma experiência com textos do gênero acadêmico.
Kleiman (1989) entende que o uso de conhecimentos ortográficos, sintáticosemânticos, pragmáticos, enciclopédicos, e outros conhecimentos prévios é uma condição
preponderante para se ter acesso ao entendimento do texto escrito. Mas, como proceder em
cenários cujos fatores de aprendizagem não são favoráveis ao estudo? O que fazer diante de
indivíduos que não tiveram a oportunidade de consolidar as bases principais que sustentarão o
conhecimento acadêmico? O que fazer e como fazer em uma situação que ao longo de 11
anos de educação formal os conhecimentos previstos não aconteceram de maneira a
proporcionar uma continuidade na universidade?
Uma suspeita levantada a respeito do insucesso na leitura, é que a questão
socioeconômica seja influente na vida dos alunos, no que se refere à aprendizagem da leitura,
interferindo, assim, no seu pleno desenvolvimento acadêmico. Andréa Pavão (2004) defendeu
em sua tese de mestrado um estudo que tem como título O papel da leitura e da escrita das
camadas populares na universidade. A autora observa que ler não é um dom inato, é uma
prática social exterior ao indivíduo que vai ser interiorizada e viabilizada por ações públicas,
pela família, e pela escola ao longo da vida.
A condição de vida do estudante fala muito mais alto em seu aprendizado do que se
supõem. Witter (1997) defende que é necessário levar em conta a trajetória de vida do
estudante. Conhecer seu ingresso na universidade, essa aproximação com o mundo real que
vive o leitor pode indicar fatores interferentes na aprendizagem e como diminuir seus
impactos.
Muito embora atitudes de querer conhecer, entender e intervir no mundo do leitor
ainda não sejam comuns em muitos mestres e doutores da educação, é preciso inserir
programas, projetos e direcionar práticas pedagógico-metodológicas para alcançar alunos com
problemas em leitura no ensino superior, pois assim se começará a colocar esses sujeitos no
papel de atores e não de coadjuvantes em seu aprendizado.
Alves (2003) revela que muitos estudantes, tanto do ensino médio quanto do ensino
superior, não conseguem sequer resumir um texto, compreendê-lo de forma crítica,
representando um déficit no domínio da habilidade de leitura, comprometendo além da

352

�aprendizagem individual de cada estudante, a função da universidade dentro desse contexto:
formar pensadores e construtores de conhecimento científico.
O estudante não pode ser o único responsável pela sua aprendizagem, pois muitos
fatores têm o potencial para dificultar, ou até mesmo impedir, que ele siga em seus estudos. A
construção da aprendizagem de muitos estudantes deficientes em sua formação dependerá da
participação efetiva da universidade, escola e sociedade. A ação do estudante de se motivar,
acreditar e consolidar seus estudos, talvez seja posterior à participação das instituições de
educação em que ele está inserido.
Ao concordar em criar um espaço cortejo entre o texto e o aluno-leitor Carelli (1999)
esclarece que esse encontro deverá ser mediado pelo professor, cuja função é vital para o
sucesso dessa relação. São elencados aspectos primordiais para a indicação de textos: 1°) que
sejam significativos para o aluno; 2°) que sejam suficientemente preparados pelo professor,
explicando que tipo de texto se trata; 3°) que sejam estabelecidos objetivos claros para sua
leitura; 4°) que seja fornecida ao aluno uma metodologia para se apropriar das ideias do texto.
Estabelecer estratégias de leitura e objetivos, reconhecendo todas as dimensões da
leitura significa aceitar que não é apenas o esforço pessoal do estudante que garantirá a
aprendizagem através do ato de ler. A orientação do professor é fundamental para estabelecer
relações entre o texto e a vida do leitor, assumindo assim o verdadeiro papel de interlocutor.
Se não houver mudança na maneira de como se cobra a leitura dos discentes, corre-se o risco
de reproduzir o que Façanha (2009, p. 183), deduziu: “[...] transformamos o ato de ler no
ensino superior num conjunto de recomendações e normas de procedimentos específicos,
como se fosse isso o essencial [...].”

3.4 QUESTÕES SOBRE LEITURA
Para se obter o perfil de leitor e cultural dos estudantes pesquisados as perguntas
foram abertas e fechadas para que a análise fosse o mais fiel possível. Assim, selecionei
apenas as perguntas mais contundentes e que fornecessem pistas para seguir as trajetórias
escolares dos pesquisados, e se existiu uma relação significativa destes com a leitura.
Os 16 sujeitos cujas respostas afirmaram que o conhecimento escolar (tanto do ensino
básico como o médio) foi suficiente para assumir uma postura correspondente ao ensino
superior, no que se refere à aprendizagem, se consideraram aptos a resolver as questões dos
exercícios solicitados pelos professores, que as escolas foram boas e lhes forneceram uma
base sólida para entender o mundo atual.

353

�Já as 18 respostas afirmando que os conhecimentos adquiridos ao longo de toda
formação escolar não correspondem às exigências acadêmicas no ensino superior, tiveram
como justificativa o ensino ser bastante precário, insuficiente por serem escolas públicas,
além de os conhecimentos adquiridos não serem vinculados à realidade da universidade.
Quanto às estratégias utilizadas na compreensão da leitura, mais da metade dos
respondentes marcaram a opção “ler novamente” como uma estratégia a ser utilizada quando
sente dificuldades na compreensão do texto. Apenas 5 alunos procuram a ajuda de professores
para diminuir as dificuldades na leitura.
A justificativa para a falta de hábito no que se refere a comprar livros, foi a falta de
dinheiro. Apenas 2 alunos justificaram que não compram livros por falta de interesse e por
não gostar de ler. Realmente os livros da área de saúde são caros.
A facilidade de se encontrar gratuitamente livros na internet, capítulos, artigos ou um
resumo da matéria necessários para os estudos, na internet, somando a outro fator como a
falta de livrarias e bibliotecas especializadas. O estudante que não trabalha, não possui renda
financeira para adotar o hábito de comprar livros para seus estudos na universidade.

3.5 PROFESSOR , VERSUS ALUNOS: AVALIANDO O PERFIL LEITOR
Antes de iniciar a observação das aulas em sala, a professora procurou conversar sobre
como seriam essas observações, e manifestou interesse em entender os objetivos da pesquisa
que seria feita em sua disciplina. Em uma dessas conversas, ao explicar os propósitos iniciais
do estudo que seria feito com a colaboração dos alunos e da professora, percebi que ela se
mostrou muito franca ao declarar que sentia receio em ministrar uma disciplina de cunho
humanístico pela primeira vez, pois sempre ensinou matérias ligadas à saúde. Todavia, ela
compreendeu que o que seria observado era uma situação real e não uma situação ideal, pois
assim é a pesquisa.
O roteiro (apêndice 4) das perguntas da entrevista com a professora não foi seguido na
mesma ordem, pois a partir da fala da professora novas questões foram surgindo e mudando a
ordem preestabelecida. A seguir, se encontra a compilação da entrevista feita com a
professora:
A professora explicou que por a turma ser muito grande e heterogênea, fica mais
difícil de caracterizá-la. Ela disse sentir que uma parte significativa da turma capta o
conhecimento transmitido em sala e parte deles não conseguem .
Ao falar que uma das estratégias de estudo mais citadas pelos alunos, quando
responderam ao questionário, foi a de ler várias vezes o texto cuja compreensão fica difícil,

354

�ela concordou que essa atitude é válida.Ela explicou que através de sua experiência dentro da
sala de aula, não é difícil encontrar aquele aluno nota 10, que tira boas notas, escreve bem, lê
muito, mas na hora de interagir, ele não sabe como proceder; a interação não deve acontecer
apenas com o livro, mas, sobretudo com pessoas.
Outro ponto abordado foi a questão socioeconômica dos alunos de Nutrição. Ela
percebe um padrão de vida um pouco melhor, se comparado com os alunos do curso de
Irrigação e Tecnologia do Alimento; fez uma comparação com os demais alunos e percebeu
um posicionamento mais firme, mais fundamentado, o que faz parecer que receberam uma
educação básica melhor. De acordo com a professora, eles são mais questionadores, percebem
claramente uma sutil diferença nos posicionamentos críticos, se comparado aos alunos dos
cursos noturnos, que são estudantes trabalhadores.
Quando questionada sobre as práticas de leitura, a professora disse que esperava um
envolvimento maior, mais atitude de alunos universitários, e explicou que os alunos gostam
de receber tudo pronto: Ela reconheceu a própria dificuldade de ensinar uma disciplina da
área das ciências humanas por ser da área da saúde, e confessou que foi a primeira vez que
ministrou uma disciplina que não fosse ligada à saúde.
Por fim, perguntei se a escassez de livros foi uma dificuldade para ministrar a
disciplina, uma vez que esse fator foi apontado pela maioria dos alunos como um empecilho
para a aprendizagem. Ela explicou que talvez esse fator não seja o principal obstáculo para a
aprendizagem, uma vez que muitos livros estão disponíveis na internet gratuitamente, e
muitos professores e alunos baixam livros da rede. A professora considera as cópias uma
ferramenta imprescindível para dar andamento às aulas.

3.6 REGISTROS DAS AULAS OBSERVADAS
Conforme já explicitado, as observações foram realizadas de forma que em todas as
aulas foram feitos os registros, as anotações sobre como os alunos interagiam com os textos, a
forma como recebiam a metodologia desenvolvida para a aula, o comportamento da
professora e dos alunos com relação à compreensão de leitura.
As aulas aconteciam todas as terças-feiras às 18h30, e depois passaram para as
quartas-feiras no mesmo horário. Nos dias em que não havia aula, era colocado um
comunicado através no quadro de avisos do instituto. Um mês antes de iniciar as aulas
conversei com a professora que imaginei ser o responsável da disciplina, mas ela havia
desistido da disciplina diante da sobrecarga de trabalho e não daria conta de mais uma
disciplina que requeria muitas leituras e tempo.

355

�4.2 ANALISANDO O DOCENTE EM AÇÃO
Para analisar o comportamento de leitura e as estratégias desenvolvidas em sala pela
professora, mesclei dois instrumentos de pesquisa: a observação □ registrando todos os
aspectos e comportamentos de leitura da educadora □ , e em um segundo momento foi feita
uma entrevista com a professora □

o que enriqueceu muito a pesquisa realizada,

possibilitando fundamentar melhor o que foi observado. Seis alunos foram sorteados para
participarem de uma entrevista (as perguntas-roteiro estão em anexo (apêndice 2) com o
intuito de se conhecer um pouco a trajetória escolar, a família, enfim, os fatores de influência
ou condicionantes na formação escolar, mais precisamente no contato com as práticas leitoras.
Conforme foi possível observar, as aulas aconteciam da seguinte maneira: a
metodologia usada pela professora era basicamente escolher um texto com antecedência, ou
quando não, trazia as cópias prontas para cada aluno. Esse texto geralmente era um artigo
científico disponível em sites de pesquisa, ou capítulos de livros que eram reproduzidos e
deixados na xerox para que os alunos providenciassem a cópia. De início, ela solicitava a
leitura do texto em casa, mas percebeu que isso não acontecia e, por isso, a aula não seguia
em frente.
A leitura dos textos em sala tornou-se natural. O que se pode deduzir que a reserva da
primeira hora da aula para a leitura dos textos acontecia por dois motivos: não haver as
discussões das leituras, limitando-se aos poucos comentários de alguns alunos. As duas horas
de aula permitia a leitura do texto ou outra atividade como por exemplo, a confecção de um
resumo cobrado aos alunos esporadicamente.
Por sua vez, o aluno fazia a leitura em um ambiente de extremo barulho, ficando a
leitura comprometida pelas constantes interrupções, celular tocando, conversas paralelas,
notebooks ligados, além de alunos que saíam e entravam da sala durante a aula. A professora
analisou essa “desordem” como um comportamento inerente à juventude, que pouco
compromete a aprendizagem. Ela reconheceu que não era fácil chamar atenção dos alunos
para uma aula que não é prática e que dispõe de poucos recursos para ministrar uma disciplina
que merece um preparo e um planejamento melhor, mas com tantas atribuições e
responsabilidades, essa qualidade nas aulas ainda não era realidade.
A outra parte da metodologia em sala consistia em debater o texto que deveria ser a
respeito das ideias defendidas pelo autor do texto, sobre as concepções teóricas do assunto,
enfim, uma postura crítica e ativa a respeito do que era apresentado. Mas como observei em
quase todas as aulas, esse debate não acontecia de forma que todos participassem. Após esse
tempo dedicado à leitura coletiva, a professora organizava a sala em um grande círculo e

356

�pedia para que os alunos falassem sobre o texto. Quando a professora não monopolizava a
fala, explicando e falando o conteúdo do texto para uma plateia pouco participante, o que
notei foi uma discussão desvinculada do texto, em que prevalecia posicionamentos pessoais e
particulares a respeito de determinada parte do texto.
A professora aceitava esse comportamento não os corrigindo, pois ambas as partes
pareciam não saber como proceder com a discussão dos textos teóricos. Como a participação
era voluntária e o tempo não possibilitava a inclusão de todos no debate, a aula se encerrava
com a participação apenas dos representantes dos grupos que, formados para ler e discutir o
texto, nunca ultrapassando dez alunos, os mesmos que sempre participavam em todas as aulas
e que eram os mais falantes da sala. A respeito dessa falta de socialização, Façanha (2009, p.
81) adverte:
[...] aceitar a linguagem acadêmica como representante de um gênero
linguístico e, em assim ocorrendo restaria analisar o ato de socialização dos
alunos nas regras acadêmicas... Enfim, intenta-se conhecer qual a natureza
das dificuldades de leitura dos alunos, como são ou não abordadas, de que
forma são contextualizadas e quais as possibilidades destas serem
trabalhadas ainda que parcialmente, no contexto universitário.
Se o professor mostra dúvidas em como proceder com a leitura de um texto científico,
a compreensão dos alunos será quase impossível, uma vez que o professor se responsabiliza
em fazer uma explicação desvinculada da participação dos alunos e individualizada. Tal
procedimento é defendido por Souza (2001) como uma experiência superficial, pois, não entra
em profundidade em nenhum texto:
Diante das dificuldades surgem duas formas de proceder. Há momentos em
que o professor toma pra si a tarefa de interpretar os textos para os alunos,
sendo ele o processador de textos, uma espécie de tradutor, facilitador de
textos científicos. [...] essa prática torna os alunos dependentes das ideias do
autor e professor [...] em momentos raros, alguns professores ampliam o
contato com os textos, gerando familiaridade e segurança ao aluno-leitor.
(SOUZA, 2001, p. 8).
As estratégias de leitura que os alunos usam são típicas da educação básica em que se
comenta qualquer coisa a respeito do texto. Na universidade tanto a leitura, como o modo de
ler é mais complexo. Exige-se uma orientação pedagógica planejada, adequada para que a
compreensão não seja vista como uma simples interpretação individual sem uma
fundamentação teórica.

357

�Como afirma Demo (1993), o professor constitui-se na pedra de toque da qualidade
educativa, e que infelizmente não se encontra preparado em termos de procedimentos
pedagógicos e metodológicos para desenvolver a competência crítica e criativa de leitura nos
alunos.

4.3 COMO LEEM OS ESTUDANTES?
Durante as observações das aulas, percebi que a leitura não era vista como uma
ferramenta de aprendizagem, não era o foco de atenção dos alunos e nem da professora; ficou
explícito que o conteúdo era o mais importante a ser trabalhado, independente da forma e dos
recursos utilizados para esse fim.
Muitos textos e resumos foram solicitados mas a compreensão dos textos pelos alunos
não foi averiguada, pois não existia momento para isso, uma vez que os alunos não debatiam
o texto, sua estrutura, o posicionamento do autor e ideias que trazia. Façanha (2009) alerta
para a forma de como muitos professores conduzem a leitura dos alunos aceitando um parecer
crítico como algo que pode ser articulado em função das vivências pessoais ou de leituras
bem antes realizadas, e que porventura, manifestem alguma ligação com o conteúdo abordado
no texto.
Nas escolas, o ensino parece não levar em conta uma leitura mais próxima dos temas
científicos com suas características, para amenizar o impacto dessa transição entre escola e
universidade. Os professores universitários parecem não se dar conta das deficiências de
leitura dos estudantes. Ao concluir que essa dificuldade existe no aluno, Santos (2006) explica
que não adianta fechar os olhos e camuflar esse fato, agindo como se não estivesse vendo ou
apenas reclamar, atribuindo a culpa aos professores do ensino básico, esperando que a
dificuldade desapareça como num passe de mágica, mesmo prosseguindo com a aula em um
faz de conta em que não se ensina e não se aprende.
Ao demonstrar dificuldades para leitura e para escrita, somando-se à falta de discussão
sobre as ideias apresentadas pelo autor, limitando-se apenas à exposição daquilo que se
considera importante, fragmentos isolados dos textos, o que se observa são experiências de
ensino-aprendizagem com pouca ou nenhuma representação para aprendizagem dos alunos.

4.4 REFLEXÃO A PARTIR DAS FALAS DOS DISCENTES
Os entrevistados falaram com bastante ternura e alegria ao se reportarem às
lembranças das escolas em que estudaram, dos professores, quando declararam que eles foram
bons professores. Assim, percebi que eles não relacionam as dificuldades de compreensão em

358

�leitura acadêmica com o tipo de ensino que receberam na escola. Os discentes tomam para si
toda responsabilidade do fracasso ou êxito na aprendizagem.
A maioria dos entrevistados declarou um sentimento de surpresa com a aprovação no
vestibular, pois não se sentiam preparados para passar no exame de seleção.
Ao conversar com os entrevistados sobre leitura na educação fundamental e básica,
eles não se referem a essa prática como algo ruim ou dificultoso. Mas o mesmo não acontece
quando se referem à leitura na universidade.
Quando expressam como procedem nos estudos, confessam a dificuldade de se
concentrarem na compreensão do que leem, e apontam ser a linguagem dos textos diferente de
tudo que liam antes, difícil, compreendendo apenas quando leem mais de uma vez.
Parece que o ensino da educação básica, para muitos estudantes, não foi suficiente a
ponto de eles não conseguirem cumprir as principais atividades acadêmicas, como escrever e
compreender coerentemente. Através das entrevistas também percebi uma dependência
bastante acentuada dos alunos para com os professores, no que diz respeito ao material de
estudo, uma vez que, segundo eles, a biblioteca ainda não possui um acervo significativo e
condizente com o curso.
Essa prática, a de prover textos ou fragmentos de para o aluno por não haver livros na
biblioteca, não deve se tornar um hábito, uma vez que essa infeliz situação propicia um
comportamento típico de educação infantil, em que os alunos ficam à mercê dos esforços de
seus professores.

5 CONSIDERAÇÕES E SUGESTÕES PRELIMINARES
A pesquisa teve como ponto de partida a minha própria dificuldade de leitura na
universidade. A não compreensão dos textos acadêmicos, a inabilidade em atender as
exigências acadêmicas, como a construção de resumos, resenhas ou mesmo a apresentação de
uma análise oral com os rigores científicos, pareciam barreiras instransponíveis que causaram
sentimentos negativos em relação a minha aprendizagem.
O que frequentemente eu conseguia fazer, era a citação de passagens do texto
analisado, e a prática consistia em copiar partes do texto que mais chamavam a atenção,
seguindo a mesma ordem apresentada pelo texto original do autor.
Pode-se dizer que aquela experiência negativa e solitária de 7 anos atrás é comum nos
dias atuais, pois ainda há muitos calouros perdidos quando se refere aos textos acadêmicos.
Em decorrência da ausência do ensino da leitura na universidade, esse problema ainda não é

359

�alvo da atenção dos pesquisadores, quando essa merece ser um aspecto de maior destaque,
pois é o principal caminho para a construção do conhecimento.
No que tange a este estudo, especificamente por ser um curso que foi implantado
apenas há 2 semestres, não se pode negar que ele ainda carece de muitas decisões para que a
qualidade seja alcançada e a aprendizagem não seja apenas uma meta longe de ser realizada.
A preocupação com a leitura em todas suas dimensões sequer chegou a ser vislumbrada como
um obstáculo para o ensino.
A infraestrutura do curso ainda não foi concluída, impossibilitando as aulas práticas.
Faltam professores capacitados, e os poucos que lá estão ainda pensam em voltar para
Fortaleza e dar prosseguimento aos seus estudos de pós-graduação. Os livros ainda não estão
na biblioteca, talvez o atraso na entrega dos livros pelas editoras não foi prevista quando da
realização do vestibular. Em meio a tantas necessidades, a leitura não é uma prioridade pelo
que pode se perceber.
As entrevistas feitas com os alunos foram mais objetivas do que eu esperava. Os
alunos falavam pouco e isso não permitiu maiores detalhes sobre as histórias de leitura e das
dificuldades de compreensão dos textos. Talvez por ainda cursarem o segundo semestre não
se deram conta das próprias dificuldades, e ainda estão descobrindo-as.
A respeito dos questionários, na pergunta: Você gosta de ler? - percebi um paradoxo:
dos 34 respondentes, 30 afirmaram gostar de ler, mas não os textos acadêmicos, científicos,
principalmente da área da saúde. O que os alunos lêem são textos literários. Daí, pude
concluir que existiam dificuldades nas leituras de textos típicos do ensino superior.
A metodologia desenvolvida no processo de ensino-aprendizagem deve ser flexível
uma vez ela não causando resultados satisfatórios deveria ter sido adaptada ou mesmo
transformada. As dificuldades do início do semestre não poderiam ser as mesmas do final,
mas como sabê-la ao certo se não houve uma avaliação para detectar as possíveis falhas, para
que não se repitam os mesmos erros. Assim como pensa Kleiman (1998), ser o ensino da
leitura um empreendimento de risco se não estiver fundamentado numa concepção teórica
firme sobre os aspectos cognitivos envolvidos na compreensão de texto. Tal ensino pode
facilmente desembocar na exigência de mera reprodução das vozes de outros leitores, mais
experientes ou mais poderosos do que o aluno.
A falta de intimidade com a leitura, dificuldade de realização das atividades de leituras
acadêmicas, cansaço pelo acúmulo de atividades extra-faculdade, a falta de tempo, falta de
conhecimento de termos científicos, dispersão, ausência de material, são deficiências
apresentadas pelos próprios alunos e não foram os fatores mais negativos e prejudiciais à

360

�aprendizagem. A indiferença a esses fatores negativos para a formação superior não pode ser
mais uma prática por partes daqueles que são educadores.
No entanto, a indignação isoladamente não é eficaz. O ato de compreensão
inegavelmente é complexo e deve ser visto como um fator aceitável por parte dos alunos e
que merece atenção especial.
A universidade deve viabilizar através de programas e projetos de extensão em que a
temática leitura seja alvo de suas ações e que os primeiros beneficiados sejam os próprios
alunos da universidade que venham ter essas deficiências de leitura acarretadas pela sua
pregressa vida escolar atenuadas. A ausência de conduta e procedimentos sistemáticos de
cunho institucional não contribui para o sucesso acadêmico dos alunos, principalmente para
aqueles que não tiveram oportunidades de aprendizagem na educação básica.

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formação

do

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              <text>Leitura no ensino superior: o olhar do bibliotecário para a compreensão de textos científicos dos discentes  no Curso de Nutrição do IFCE - Campus Fortaleza.</text>
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              <text>A pesquisa foi um estudo exploratório que identificou quais as principais dificuldades em Leitura e qual a influência e nível de compreensão em leitura acadêmica dos discentes do curso de Nutrição do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Limoeiro do Norte. A abordagem que prevaleceu nesta pesquisa foi do tipo qualitativa, com características de pesquisa participante, o que possibilitou não apenas a observação dos comportamentos dos sujeitos pesquisas, mas também a participação em algumas aulas para reflexão sobre o pensar de uma dada coletividade sobre determinado assunto, ao mesmo tempo em que proporcionou uma leitura individual da opinião de cada participante da pesquisa. Os instrumentos utilizados consistiram em aplicação de questionários e a realização de entrevistas com os alunos participantes e o professor. O estudo constatou o predomínio de uma compreensão textual insuficiente ao nível exigido para aprendizagem acadêmica, e apontou a interferência limitante, mas não determinante de fatores socioculturais acusados de proporcionar o afastamento dos discentes de ambientes de leitura e aprendizagem em suas trajetórias escolares, fragilizando a aprendizagem no ensino superior.</text>
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