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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SIBI) DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ (UFPR) E A INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

Eliane Maria Stropar

RESUMO
O artigo traz um recorte da dissertação de mestrado defendida no curso de Pós-Graduação em
Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e se propõe a identificar as condições
de acessibilidade e políticas públicas de inclusão implementadas no Sistema de Bibliotecas
(SiBi) da UFPR, para garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados da pesquisa
foram coletados por meio de observações em 10 bibliotecas, entrevistas semiestruturadas com
os respectivos gestores de bibliotecas e com 17 alunos com deficiência matriculados na
UFPR. Foram analisados, contextualizados e interpretados com base em fundamentos da
análise de conteúdo, resultando nas categorias: acessibilidade física, informacional, atitudinal
e de serviços, destacando-se a importância e urgência na implantação de política institucional
inclusiva para todo SiBi/UFPR focado na garantia da informação e educação para todos. A
biblioteca universitária é apresentada como um caminho para que a democratização da
informação se efetive.

Palavras-chave: Políticas inclusivas. Biblioteca universitária. Acessibilidade.

ABSTRACT
The article brings a snippet of the master dissertation which was defended in the post­
graduation course of the Universidade Federal do Paraná and it proposes to identify the
accessibility’s conditions and public policies of inclusion implemented in the Sistema de
Bibliotecas (SiBi) of UFPR, in order to guarantee the inclusion of people with disabilities.
The data of the research were collected by way of observations in 10 libraries, semistructured
interviews with the libraries managers and with 17 students which have disabilities and which
are registered at UFPR. The data were analyzed, contextualized and interpreted based in
basics of content’s analysis, resulting on these categories: physical accessibility, informational
accessibility, attitudinal accessibility and accessibility of services, highlighting the importance
and urgency of the inclusive institutional policy’s implantation for all SiBi/UFPR focused on
the guarantee of the information and education for all. The university library is presented as a
path so that democratization of the information becomes effective.
Keywords: Inclusive policies. College library. Acessibility.

743

�1 INTRODUÇÃO
Este artigo apresenta recortes da dissertação “Políticas inclusivas e acessibilidade em
bibliotecas universitárias: uma análise do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade
Federal do Paraná (UFPR) concluída em março de 2014 e desenvolvida no curso de PósGraduação em Educação na UFPR.
O trabalho analisa ações de acessibilidade e a prática da inclusão como um dos
maiores desafios da educação, não perdendo de vista que o direito à educação é para todos os
cidadãos, e que garantir o cumprimento desse direito implica no reconhecimento de que as
diferenças dos alunos exigem atendimentos específicos.
O aumento do número de matrículas de alunos com deficiência no ensino superior nos
últimos anos, evidenciados nos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa
Educacionais Anísio Teixeira (INEP) (2001), mostra que embora em 9 anos esse número
tenha aumentado aproximadamente 458%, a entrada desse segmento de população ainda é
pequena, visto que em 2003 representavam 0,13% do total de alunos com acesso à educação
no ensino superior em nosso país, e em 2011 passaram a representar 0,34% do total de
matriculados. Mesmo sendo irrisórios esses números já demonstram uma mudança no ensino
superior, esse crescimento evidencia a implementação e efetivação de políticas públicas de
inclusão e programas de ações afirmativas que tentam erradicar dificuldades visando garantir
o direito à igualdade não somente de acesso, mas de sucesso no ensino superior e o respeito às
diferenças. Contudo o grande desafio é o alcance de dados qualitativos, pois são poucos os
registros e as pesquisas que reflitam como esse processo de inclusão ocorre dentro das
Instituições de Ensino Superior.
Alunos com deficiência física, deficiência visual, surdez e deficiência múltipla são
delimitados nessa pesquisa de acordo com a Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva. (BRASIL, 2008).
Para o acesso e a permanência desses alunos no ensino superior é fundamental os
esforços das

universidades no desenvolvimento de condições facilitadoras: instalação de

bancas especiais nos concursos vestibulares, sistema de cotas, núcleo de apoio e o provimento
de

adequações de bibliotecas, pois estas desempenham papel fundamental no processo

educativo do aluno. As bibliotecas universitárias são chamadas a novos serviços para atender
as exigências da universidade, a discussão de ações e encaminhamentos para a remoção de
barreiras a fim de que todos os alunos inclusive os alunos com deficiência possam ser
atendidos e possam usufruir do conhecimento. Essas mudanças apresentam a necessidade de

744

�acessibilidade não apenas arquitetônica, mas sobretudo atitudinais e informacionais
facilitando o acesso a informação a todos os alunos.
Nesse contexto a definição de acessibilidade esta contida no Decreto n. 5296, de 2 de
dezembro de 2004:

Como sendo a condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou
assistida, aos espaços mobiliários e equipamentos urbanos, às edificações,
aos serviços de transporte, aos sistemas e meio de comunicação e
informação, por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. (BRASIL,
2004).
E no seu artigo 10°., determina que:

A concepção e implantação dos projetos arquitetônicos e urbanísticos devem
atender aos princípios do desenho universal, tendo como referências básicas
as normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a legislação específica e as
regras contidas neste decreto. (BRASIL, 2004).
Com o advento da inclusão, entende-se que a acessibilidade não é apenas
arquitetônica, pois existem barreiras em outros contextos, de acordo com Pupo, Melo e Ferres
(2008, p. 36)

É bastante comum associá-la primeiramente ao compromisso de melhorar a
qualidade de vida dos idosos e de pessoas com deficiência como ex.
(perceptual, cognitiva, motora e múltipla), uma vez que essas pessoas são as
mais sofrem impacto da existência de barreiras nos vários ambientes,
produtos e serviços que utilizam. No entanto, acessibilidade ou
simplesmente a possibilidade de alcance aos espaços físicos, à informação,
aos instrumentos de trabalho, estudo, aos produtos e serviços diz respeito a
qualidade de vida de todas as pessoas.
Mediante a constatação de carência de estudos a respeito das condições de
acessibilidade física, informacional, atitudinal e serviços para com os alunos com deficiência,
pretende-se nesse estudo focar a análise na acessibilidade e inclusão no SiBi/UFPR. Desta
forma, este estudo visa identificar, descrever e verificar as condições de acessibilidade, ações,
programas e políticas de inclusão implementadas no SiBi/UFPR, para a

garantia de

acessibilidade e inclusão dos alunos com deficiência.
No período em que foram efetivadas as observações in loco no SiBI/UFPR a
composição era de quinze biblioteca: uma sede administrativa (Biblioteca Central), treze
bibliotecas universitárias e uma de ensino profissionalizante. Atualmente o SiBI/UFPR é

745

�formado por dezoito bibliotecas distribuídas em diferentes áreas geográficas no estado do
Paraná:

Biblioteca Central (BC)
Biblioteca de Ciências e Tecnologias (CT)
Biblioteca de Ciências Agrárias (AG)
Biblioteca de Ciências Biológicas (BL)
Biblioteca de Ciências da Saúde - Sede (SD)
Biblioteca de Ciências da Saúde - Sede Botânico (SB)
Biblioteca de Ciências Florestais e da Madeira (CF)
Biblioteca de Ciências Humanas e da Educação (HE)
Biblioteca de Ciências Jurídicas (JU)
Biblioteca de Ciências Sociais e Aplicadas (SA)
Biblioteca de Educação Física (EF)
Biblioteca de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT)
Biblioteca do Campus Cabral (CA)
Biblioteca do Campus Rebouças (RB)
Biblioteca do Campus Jandaia do Sul (JS)
Biblioteca do Campus de Palotina (PA)
Biblioteca do Centro de Estudos do M ar (CEM)
Biblioteca da UFPR Litoral (LIT)

O SiBi/UFPR, visa oferecer à comunidade universitária controle e acesso adequados à
informações em ciência e tecnologia essenciais para as atividades universitárias de cunho
acadêmico e administrativo e para o pleno exercício da cidadania, mediante o fortalecimento
do compromisso dos servidores com o SiBi/UFPR e os usuários. (UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ, 2012).
O papel da universidade está associado à produção e à disseminação do conhecimento,
sendo a informação a matéria-prima para a construção desse conhecimento, e à biblioteca
universitária compete disponibilizá-la, desempenhando uma influência decisiva no processo
educacional no ensino superior possibilitando o acesso à informação, garantindo a
acessibilidade, por meio da oferta de produtos e serviços compatíveis com as diferentes
necessidades. (PELA, 2006).

746

�Às universidades são estendidas as transformações que a sociedade enfrenta, visto que
a universidade é constituída do social, e o social é constituído da universidade. (CHAUÍ,
2001). A universidade é vista como agência social para atender a sociedade em geral,
considerando as diferentes necessidades, em prol do desenvolvimento da educação, da ciência
e da cultura.
Na sociedade da informação, a acessibilidade ao conhecimento representa para as
pessoas com deficiência um suporte para a melhoria na sua independência servindo como
instrumento de inclusão social (TORRES, 2002). Para a aplicabilidade da acessibilidade e
inclusão na sociedade do conhecimento são necessárias mudanças, sobretudo a partir do
respeito às diferenças, garantindo o direito e a igualdade, os quais deverão ultrapassar os
discursos e se efetivar nas bibliotecas universitárias. A efetividade das legislações e políticas
públicas direcionadas não somente ao ingresso, mas também a permanência e à conclusão do
ensino superior destacam o papel da biblioteca universitária inserida nesse contexto.

2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de natureza mista, qualitativa/quantitativa e exploratória
com enfoque descritivo e documental.
Fazem parte da pesquisa os alunos com deficiência matriculados na UFPR, as
bibliotecas do SiBi/ UFPR e os gestores das respectivas bibliotecas.
A técnica de amostragem foi utilizada para efeito de cálculo na escolha dos
participantes: dos 79 alunos com deficiência matriculados na UFPR foram recrutados 51
alunos com deficiência física, visual, surdez e múltipla, calculando-se o tamanho da amostra
em 17 alunos de graduação com deficiência que representam 33% da população. Para as
bibliotecas a serem visitadas para a observação in loco e para os respectivos chefes,
denominados nessa pesquisa de gestores, a serem entrevistados o número de amostra foi
fixado em 10.
As etapas da pesquisa para a coleta e análise de dados apresentam-se na seguinte
ordem: inicialmente foi efetuada a pesquisa documental através de resoluções, leis, decretos e
programas institucionais relacionados a inclusão de alunos com deficiência no ensino
superior, utilizados como apoio para análise de acessibilidade e inclusão no SiBi/UFPR .
A elaboração de roteiro para observação in loco nas bibliotecas, foi elaborado visando
compreender a realidade prática das bibliotecas. O roteiro para entrevistas semi estruturadas
com

gestores

das bibliotecas,

foi

elaborado visando identificar políticas

e ações

implementadas e com alunos com deficiência visando identificar barreiras e facilitadores.

747

�O passo seguinte foi o envio do projeto de dissertação ao Comitê de Ética e Pesquisa
do Hospital do Trabalhador da UFPR, para análise e parecer atendendo a resolução da CNS n.
466/2012. (BRASIL, 2012). O recebimento do Parecer n. 386.428 de 06/09/2013, emitido por
este Comitê, mostrou-se favorável ao desenvolvimento da pesquisa.
Em seguida houve o agendamento das visitas às bibliotecas para observação in loco, e
das entrevistas semiestruturadas com os participantes, as quais foram efetivadas na sequência.
A organização e análise de dados ocorreu de acordo com as categorias tomadas na elaboração
do roteiro para observação, visto que não foi evidenciado (por meio da fala dos entrevistados)
novas

categorias

de

análise,

ou

seja:

acessibilidade

física,

acessibilidade

informacional,acessibilidade atitudinal, nos serviços oferecidos e política institucional
inclusiva.

3 DESENVOLVIMENTO
Apresentam-se os dados mapeados na análise e a discussão da realidade.
A primeira categoria a ser analisada, foi a “caracterização dos participantes”a qual foi
identificada por meio de sites, documentos, observação in loco nas bibliotecas e entrevistas
com os participantes. Evidenciando-se que as entrevistas foram transcritas na íntegra com
alguns ajustes da língua portuguesa. Em observância ao compromisso firmado com o Comitê
de Ética e Pesquisa foram resguardados os nomes dos participantes. Para a identificação nesta
pesquisa, usou-se de letras, assim os alunos foram referenciados pela letra A, as bibliotecas
pela letra B, e os bibliotecários pelas letras Bib, acompanhadas de números sequenciais
aleatórios, não obedecendo a nenhuma ordem de identificação.
A análise da segunda categoria “acessibilidade física” baseou-se em parâmetros
estabelecidos pela NBR 9050 (ABNT, 2004). Os elementos componentes desta categoria:
acesso as dependências, mobiliário, mobilidade e sinalização receberam valores de zero a
quatro, sendo que zero não se aplica, um não existe, dois não atende, três atende parcialmente
e quatro atende totalmente. Foram também analisadas as 10 bibliotecas, as quais receberam
valores, sendo que acima de 90% são consideradas adequadas, de 89 a 60% parcialmente
adequadas e abaixo de 60% inadequadas.
Na categoria “acessibilidade informacional” foram analisados os acervos em
diferentes formatos; braile, áudio e outros, presentes e/ou ausentes no SiBi/UFPR assim como
as tecnologias de informação e comunicação (TIC): computadores com sintetizadores de voz,
leitor automático, leitores de tela, linha braile, fones de ouvido, lupas entre outros.

748

�Na categoria “acessibilidade atitudinal”, evidencia-se o elemento invisibilidade do
aluno com deficiência, que embora não tenha sido contemplado no roteiro de entrevistas,
destaca-se nos depoimentos dos gestores com uma postura de reconhecimento ou não.
Também nessa categoria foram analisados os atendimentos prestados pelos servidores, a
capacitação profissional e as mudanças de atitudes.
Na

categoria

“acessibilidade

de

serviços”

foram

estudados

os

serviços

tradicionalmente oferecidos como: empréstimo, renovação, reserva on-line, utilização de
livros digitais, solicitação de cópia de artigos e partes de livros entre outros, e também
serviços exclusivos ofertados para atender as diferentes necessidades, presentes e/ou ausentes
no SiBi/UFPR.
Na categoria “política institucional” inclusiva foram considerados fatores a serem
definidos para o desenvolvimento de política institucional inclusiva, destacando-se a oferta de
serviços exclusivos para atender as diferentes necessidades, a obtenção de recursos
financeiros específicos para adequação das bibliotecas às normas de acessibilidade e a
capacitação profissional.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Destaca-se que as legislações relativas à temática são relevantes e esclarecedoras para
efetivação

da

inclusão

no

ensino

superior,

contudo

permanecem

dificuldades

na

implementação das leis no SiBi/UFPR.
Apresentam-se os valores escalonados na pesquisa.
Acessibilidade física: apenas uma biblioteca mostra-se adequada, cuja preocupação
com a temática ocorre desde 2007; quatro bibliotecas apresentam-se parcialmente adequadas,
observando-se a necessidade de redimensionamento de layout, balcão de empréstimo
incompatível com as medidas estabelecidas pelas normativas, inexistência de banheiros
adequados e bebedouros acessíveis; cinco bibliotecas mostram-se inadequadas, merecendo
atenção a remoção de catraca, escadas, instalação de elevador ou rampa de acesso para as
bibliotecas com mais de um pavimento. Elemento também evidenciado nessa categoria pelos
participantes é a sinalização, considerada precária, exceção apenas em uma biblioteca, que
viabilizou projeto de comunicação visual, o qual será estendido às demais unidades, com
necessidade de adaptações de acessibilidade. Devendo-se atender: para os alunos cadeirantes,
a observância na altura das guias sinalizadoras; para os alunos com surdez, a utilização de
imagens; para os alunos com baixa visão, a utilização de tipos e fontes de tamanhos maiores;
para os alunos cegos, o uso de sinalização em braile, tátil e sonora.

749

�Acessibilidade informational: evidencia-se o predomínio de serviços relacionados ao
acesso a informações impressas, disponíveis fisicamente nas bibliotecas e também por meio
do Portal da Informação , não há duplicação do acervo em formato braile e áudio. Os
serviços são ofertados conforme a demanda. Supre-se a carência de acervo em outros
formatos, disponibilizando equipamentos e recursos tecnológicos capazes de transformar o
conteúdo impresso em falado, presente em uma biblioteca que atua como unidade piloto em
todo SiBi/UFPR.
Acessibilidade atitudinal: destaca-se nos depoimentos dos alunos com deficiência o
atendimento dos servidores marcados pela boa vontade, atenção e prontidão

Me sinto no mínimo igualitário, quando não com atendimento privilegiado,
os atendentes sempre se pronunciam para me ajudar. O atendimento prestado
me surpreende. (A6, entrevistado pela pesquisadora em 25/10/2013).
Nos depoimentos dos gestores constata-se o não saber lidar com a diferença.
Muitas vezes não se fazem coisas determinadas porque se desconhece. Uma
das coisas que falta para as pessoas com relação a acessibilidade é o
conhecimento.Temos ainda muito que aprender, para fazer, para conhecer.
Eu acho que o grande ponto é a falta de conhecimento de como ajudar.
(Bib8, entrevistado pela pesquisadora em 17/09/2013).
Observa-se a necessidade de capacitação para atender as diferentes necessidades, e o
uso de recursos específicos e mudanças de atitudes que são fundamentais para o término da
exclusão.
Acessibilidade de serviços: evidencia-se o reconhecimento dos serviços tradicionais
como satisfatórios para as atividades acadêmicas dos alunos com deficiência, a inexistência de
recursos informacionais específicos em nove bibliotecas, apenas uma biblioteca, oferece esses
recursos porém são desconhecidos pelos alunos com deficiência.

A biblioteca auxilia sim, pois posso completar meus conhecimentos, meus
trabalhos. Isso é positivo, no entanto algumas palavras não conheço, vou
precisar ler muito para realizar meu TCC, então seria interessante uma
pessoa para auxiliar. Traduzir o que está escrito é importantíssimo. (A16,
entrevistado pela pesquisadora em 31/10/2013).
Salientando-se que para os alunos com deficiência física há necessidade de ambientes
físicos acessíveis; para os alunos cegos, computadores com programas específicos para suas
70www.portal.ufpr.br

750

�leituras e profissionais capacitados para orientar o uso desses recursos; para os alunos surdos,
os que mais apresentam dificuldades e os que menos freqüentam as bibliotecas, a presença de
intérprete de libras é fundamental.

Insisto que é imprescindível um servidor de prontidão para ajudar e que seja
familiarizado com a linguagem de sinais. Uma pessoa logo na entrada da
biblioteca perguntando se precisamos de ajuda iria deixar o espaço mais
acessível. (A16, entrevistado pela pesquisadora em 31/10/2013).
Política institucional inclusiva: destaca-se que das normas, regulamentos que regem
ações voltadas à adequação das bibliotecas foram analisadas: a alteração no regulamento de
empréstimo, ampliando o prazo de entrega dos livros para os alunos com deficiência;
presença da Comissão de Acessibilidade que visa discutir ações sobre a temática em todas as
unidades do SiBi/UFPR; inexistência de recursos financeiros exclusivos para as bibliotecas
adequarem-se às normas de acessibilidade; importância e urgência do estabelecimento de
política institucional inclusiva para fazer cumprir o direito aos alunos com deficiência,
transformar as condições adversas e favorecer a permanência dos alunos com deficiência no
ensino superior.

5 CONCLUSÃO
As bibliotecas universitárias ainda são frágeis em relação à regulamentação, faltam
políticas institucionais inclusivas efetivas, investimentos político-educacionais para aquisição
de tecnologias adequadas, acervo especial e programas mais efetivos para instalações e
adaptações em condições de acessibilidade.
Evidencia-se também a necessidade de capacitação dos profissionais, para melhorar o
desenvolvimento de produtos e serviços demandados pelos alunos com deficiência. É dever
do profissional promover a legitimação de mudanças de postura, atitudes, mediante políticas
de não exclusão e implementação de legislações.
Como desafio é colocado às bibliotecas universitárias fazer com que os direitos sejam
efetivados, responder às necessidades dos alunos, ampliar o debate sobre políticas públicas de
atendimento aos alunos com deficiência e posicionar a biblioteca no plano de implantação de
políticas de educação inclusiva na universidade.
Cabe a biblioteca universitária apresentar-se como um caminho para que a
democratização da informação, da cidadania e do direito à educação para todos se efetivem,
garantindo integralmente a inclusão dos alunos com deficiência por meio da ampliação do

751

�espaço informational com o uso de tecnologias de informação e comunicação adequadas,
presença de interpretes em libras, promovendo acesso aos conteúdos com qualidade.
A biblioteca universitária deve repensar, entender e criar um espaço acessível aos
alunos com deficiência onde a inclusão esteja pautada na efetivação de seus direitos e no
respeito a sua dignidade.

6 REFERÊNCIAS

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edificações, equipamento e mobiliário urbano à pessoa portadora de deficiência. Rio Janeiro,
2004.
BRASIL. Decreto n. 5.296, de 22 de dezembro de 2004. Regulamenta as leis n. 10.048, de 8
de novembro de 2000, que da prioridade de atendimento as pessoas que especifica, e 10.098,
de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e da
outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Braslia, DF, 3 dez.
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Acesso em: 10/01/2013.
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Perspectiva

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Educação

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Brasília,

2008.

Disponível

em:

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INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
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PELA, M. A. P. A biblioteca universitária, espaços formativos e inclusão : a perspectiva de
graduandos com deficiência visual. 2006. Dissertação (Mestrado) - Universidade Cidade de
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PUPO, D. T.; MELO, A. M.; FERRES,S. P. Acessibilidade: discurso e prática no cotidiano
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STROPARO, E. M.

Políticas inclusivas e acessibilidade em bibliotecas universitárias:

uma análise do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná(UFPR).

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�258f. Dissertação(Mestrado em Educação)-Setor de Educação, Universidade Federal do
Paraná, 2014
TORRES, E. F. As apresentações de acesso ao ensino superior de jovens e adultos na

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Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
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2012.

753

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Acessibilidade no Sistema de Bibliotecas (SIBI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a inclusão de alunos com deficiência.</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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              <text>O artigo traz um recorte da dissertação de mestrado defendida no curso de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e se propõe a identificar as condições de acessibilidade e políticas públicas de inclusão implementadas no Sistema de Bibliotecas (SiBi) da UFPR, para garantir a inclusão de pessoas com deficiência. Os dados da pesquisa foram coletados por meio de observações em 10 bibliotecas, entrevistas semiestruturadas com os respectivos gestores de bibliotecas e com 17 alunos com deficiência matriculados na UFPR. Foram analisados, contextualizados e interpretados com base em fundamentos da análise de conteúdo, resultando nas categorias: acessibilidade física, informacional, atitudinal e de serviços, destacando-se a importância e urgência na implantação de política institucional inclusiva para todo SiBi/UFPR focado na garantia da informação e educação para todos. A biblioteca universitária é apresentada como um caminho para que a democratização da informação se efetive.</text>
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