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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A ENTREVISTA DE REFERÊNCIA COMO ATIVIDADE HUMANA, TÉCNICA E
TECNOLOGIA

Fabiana Pereira Santos
Lucilia Regina de Souza Machado

RESUMO
O artigo discorre sobre a atividade "entrevista de referência". Ela é,realizada por
bibliotecários de referência para descobrir as reais necessidades de usuários. O artigo está
dividido em cinco partes. A "Introdução" discute a atividade humana como elemento
propulsor do desenvolvimento das técnicas e utensílios do homem. Aborda a questão do
utensílio mais importante para produção das técnicas: o corpo. Fala ainda sobre tecnologia e
trabalho. A segunda parte, "Linguagem de especialidade", fala sobre trabalho e necessidade
de desenvolvimento de linguagens específicas para este meio. A terceira parte aborda a área
da biblioteconomia, mais especificamente o campo do "serviço de referência" e alguns termos
específicos do mesmo. A quarta parte discorre sobre a técnica "entrevista de referência", suas
potencialidades e desafios. Na quinta parte estão as considerações finais, que enfatizam a
questão do corpo como o mais importante utensílio para a "entrevista de referência", bem
como para todas as técnicas.

PALAVRAS-CHAVE: Atividade humana, técnica, tecnologia, trabalho, entrevista de
referência
ABSTRACT
The article discusses the activity " reference interview " . It is performed by reference
librarians to discover the real needs of users. The article is divided into five parts . The "
Introduction " discusses human activity as part of the propellant development of techniques
and tools of man . Addresses the question of the most important techniques for the production
of utensil : the body . Also talks about technology and work. The second part , " Language
expertise " , talks about work and need to develop specific language for this medium . The
third part covers the area of librarianship , specifically the field of " referral service " and
some specific terms thereof. The fourth part discusses the technique " reference interview " ,
their strengths and challenges . In the fifth part are the final considerations that emphasize the
issue of the body as the most important means for the " reference interview " as well as for all
techniques .

KEYWORDS : Human activity , technique, technology , work, reference interview

1897

�1 INTRODUÇÃO
Desde os primórdios os animais satisfazem suas necessidades mais primitivas por
meio da busca incessante por calor, abrigo e alimento. O homem se diferencia de todos os
outros animais da terra, pois além de buscar por satisfação de suas necessidades ainda
modifica a natureza para seu usufru. Engels (1876, p. 13) afirma que

[...] só o que podem fazer os animais é utilizar a natureza e modificá-la pelo
mero fato de sua presença nela. O homem, ao contrário, modifica a natureza e
a obriga a servir-lhe, domina-a. E aí está, em última análise, a diferença
essencial entre o homem e os demais animais, diferença que, mais uma vez,
resulta do trabalho.
O homem para ser um animal social precisou do desenvolvimento de certas
habilidades e capacidades para comunicação. A procura por um maior conforto, a busca pelo
progresso ou simples vontade de ganhar dinheiro, faz com que o ser humano realoque os
recursos naturais e transforme as configurações do ambiente em que vive. O desenvolvimento
das atividades foi o que transformou o homem em ser humano.
A atividade humana é impelida pela necessidade do homem de ser e estar naquele
ambiente. Campos (2000, p. 26) afirma que

O termo atividade no seu sentido habitual refere-se à situação de uma pessoa
que exerce uma função, um trabalho. Designa também o conjunto de atos
coordenados e de trabalhos do ser humano e o conjunto de fenômenos
psíquicos e fisiológicos correspondentes aos atos. É a atividade que possibilita
a existência do ser humano. Dela decorrem sua formação e seu
desenvolvimento, a constituição de sua individualidade e de sua
personalidade. A atividade humana ocorre no contexto das relações sociais e
da produção social.
Para o desenvolvimento das atividades humanas, o homem aprimorou técnicas,
instrumentos e objetos para melhor desempenhar funções. O que por algum tempo passou
despercebido foi o instrumento mais importante e fundamental para o sucesso das técnicas: o
corpo. Mauss (2003, p. 407) afirma "Todos cometemos, e cometi durante muitos anos, o erro
fundamental de só considerar técnica quando há instrumento." Para ele, antes das técnicas dos
instrumentos existem as técnicas do corpo (corpo como primeiro passo para entender a
complexidade). O corpo é um meio técnico, é o primeiro e mais natural instrumento do
homem.
Além do corpo, a cultura também exerce grande influência nas técnicas e nos
utensílios, mesmo porque, de acordo com Mauss (2003), o meio transforma o corpo. O estar

1898

�inserido na sociedade faz a construção do sujeito. Mauss (2003, p. 404) ainda afirma que "A
posição dos braços e das mãos enquanto se anda é uma idiossincrasia social, e não
simplesmente um produto de não sei que arranjos e mecanismos puramente individuais, quase
inteiramente psíquicos".
Os utensílios são mais que meras ferramentas, eles fazem parte e decorrem da cultura
e dos modos temporais nos quais estão inseridos. Para Cresswell (1989, p. 4)
podemos então definir utensílio, de uma vez por todas, como um instrumento
que permite realizar uma acção (a transformação de uma matéria) que o
homem não quer ou não pode executar utilizando apenas a sua própria força
ou o seu próprio corpo.
Não é possível falar do utensílio e técnica sem contextualizá-los com determinado
meio social, pois a evolução, desenvolvimento e utilização dos mesmos se processam neste
contexto. Para Couto (2007, p. 7)
A evolução técnica de um objeto não diz respeito apenas ao funcionamento do
próprio objeto, mas aos diversos modos como ele se insere e se naturaliza na
cultura. Por conseqüência, a evolução técnica não diz respeito apenas ao
aperfeiçoamento dos objetos, mas ao modo como humanamente nos
relacionamos e nos modificamos a partir dele.
Esse processo é uma via de mão dupla. A cultura e o meio em que vive o homem
alteram suas formas de ver e pensar o utensílio e a técnica. Ao mesmo tempo, a técnica e a
utilização dos utensílios também modificam e influenciam os modos de viver e pensar do
homem. Segundo Couto (2007, p. 2),
A evolução social do homem se confunde com as tecnologias desenvolvidas e
empregadas em cada época. Isto quer dizer que a história do homem coincide
com a história da técnica e que sem as ferramentas e os saberes que as
tornaram possíveis não existimos. Nesse sentido, pode-se dizer que a técnica
não se opõe ao homem, é a própria essência do homem.
Para evolução e desenvolvimento os homens têm se utilizado das tecnologias para sua
sobrevivência e aumento de conforto no mundo. A tecnologia é vista como ciência das
atividades humanas. Para Sadala; Machado (2000, p. 322) tecnologia

[...] é descrita como meio pelo qual se realizam as atividades humanas.
Enquanto meio, pode-se registrar sua ocorrência nos primórdios da
humanidade, desde o uso da pedra como instrumento de trabalho na préhistória e o emprego de diversos metais na antiguidade. Para
HAUDRICOURT (1964) ela é mais que meio, é entendida como ato humano,
ou melhor, como o estudo do conjunto de atos tradicionalmente eficazes.

1899

�Dessa forma, com as técnicas, os utensílios, a tecnologia e a necessidade do homem no
seu contexto cultural vem à tona a necessidade de se falar sobre o trabalho e evolução
tecnológica. O trabalho, inicialmente com objetivo de subsistência tornou-se fundamental
para o desenvolvimento do homem. Para Engels (1876, p. 1.)

trabalho é a fonte de toda riqueza, afirmam os economistas Assim é, com
efeito, ao lado da natureza, encarregada de fornecer os materiais que ele
converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que isso. É a
condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até
certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem.
Por meio do trabalho e intervenções humanas ocorreu o desenvolvimento tecnológico
e o homem começou a subjugar o outro e explorar sua força de trabalho. Para Engels (1876, p.
18)
Todas as formas mais elevadas de produção que vieram depois conduziram à
divisão da população em classes diferentes e, portanto, no antagonismo entre
as classes dominantes e as classes oprimidas. Em conseqüência, os interesses
das classes dominantes converteram-se no elemento propulsor da produção,
enquanto esta não se limitava a manter, bem ou mal, a mísera existência dos
oprimidos.
O trabalho e o desenvolvimento científico e tecnológico propiciaram também novas
formas de comunicação e linguagem.

2 LINGUAGEM DE ESPECIALIDADE
O desenvolvimento do homem enquanto ser social foi influenciado pela possibilidade
e capacidade de comunicação. A necessidade de comunicação fez com que o homem
desenvolvesse a mais complexa de todas as ferramentas: a linguagem. A linguagem foi o
meio encontrado para transmitir ideias, comportamento, sentimentos etc. Para Engels (1876,
p. 5)
Em resumo, os homens em formação chegaram a um ponto em que tiveram
necessidade de dizer 'algo’ uns aos outros. A necessidade criou o órgão: a
laringe pouco desenvolvida do macaco foi-se transformando, lenta mas
firmemente, mediante modulações que produziam por sua vez modulações
mais perfeitas, enquanto os órgãos da boca aprendiam pouco a pouco a
pronunciar um som articulado após outro.
Com o desenvolver das relações entre os homens e o avanço da necessidade de
expressão a linguagem também foi se desenvolvendo, assim pode-se dizer que existem
diversos tipos de linguagem: corporal, falada, escrita etc. Nesse contexto, conforme cita Gil

1900

�(2003, p. 113) "efetivamente, com as novas técnicas e o avanço da(s) Ciência(s) surgem
novos vocábulos e diversificam-se as chamadas línguas de especialidade'".
A criação e descobrimento de novas teorias e produtos demandam a criação de novos
termos e conceitos. Assim, as línguas de especialidades se tornam fundamentais para explicálos, bem como para tornar possível a comunicação entre os teóricos da área. Para Gil (2003,
p. 115)
o conceito de ‘línguas de especialidade' é ainda associado a ‘domínios de
experiência' uma designação de caráter genérico que se refere aos laços que
indivíduos de uma mesma comunidade lingüística estabelecem com o mundo
que os rodeia e a sociedade em que estão integrados.
[...] Os campos da experiência referem-se às profissões e são estranhos aos
indivíduos que não exercem a mesma profissão ou que não estejam de algum
modo ligados a ela.
A biblioteconomia, campo do conhecimento que trabalha com o tratamento e
disseminação da informação, possui vários vocábulos específicos utilizados em contextos
profissionais. Muitas vezes, somente profissionais da área entendem as especificidades desses
vocábulos.
A "entrevista de referência", dentro do campo do serviço de referência, é a atividade
de conseguir que o usuário fale e que o bibliotecário entenda suas necessidades
informacionais. Trata-se de descobrir o que o indivíduo busca e mostrar o melhor caminho
para que ele encontre a informação.
É perceptível a necessidade de conhecimento do campo para se entender alguns
processos e vocábulos, bem como são imprescindíveis esses jargões para delimitar e definir
determinadas técnicas feitas na área. Para melhor explicar é fundamental falar sobre o campo
do "serviço de referência" e suas especificidades para entender a real necessidade e
importância da "entrevista de referência" para o usuário de uma unidade de informação.

3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA
De acordo com Figueiredo (1992), historicamente, pode-se afirmar que a primeira
alusão aos serviços de referência ou auxílio ao leitor ocorreu durante a célebre primeira
conferência da American Library Association em 1876, quando Samuel Sweet Green
mencionou a relevância do auxílio aos leitores em relação ao uso de coleções, a função
educativa da biblioteca e a emancipação do profissional da informação inserido nos novos
padrões do conhecimento.

1901

�Vários foram os esforços e tentativas para definir o trabalho de referência de uma
biblioteca, porém muitas definições são vastas ou específicas demais. De acordo com
Hutchins (1973, p. 3),

[...] todos os esforços para definir trabalho de referência têm-se constituído
antes em determinações do principal objetivo do que verdadeiramente em
definições de conteúdo e finalidade das atividades de referência.
De acordo com Litton (1975, p. 3), o serviço de referência foi definido
tradicionalmente
[...] como a parte da biblioteca que trata do uso dos livros na sala de leitura,
em oposição ao empréstimo domiciliar. Pode-se defini-lo também como ajuda
que se presta a quem realiza estudos, qualquer que seja o assunto ou a natureza
dos mesmos. Outros tem-no interpretado como o serviço que o bibliotecário
presta para ajudar ou facilitar toda espécie de estudos ou pesquisas. Outra
definição diz que é a parte da administração que se encarrega de facilitar aos
leitores o exame das fontes de informação.
Porém, o próprio autor não acredita na veracidade de todas, afirmando que nem todas
as definições são hoje totalmente adequadas. Acreditando que o serviço de referência engloba
muito mais funções do que as descritas, Litton (1975, p. 4) ainda cita que selecionar e
organizar as fontes de informação constitui uma fase tão importante do trabalho do
bibliotecário como o seu relacionamento direto com o leitor.
Para Maciel; Mendonça e Huguenin (2000, p. 33) apud Mendonça (2006, p. 230),
serviço de referência
[...] compreende todas as atividades voltadas, direta e indiretamente, à
prestação de serviços ao usuário. Inclui a divulgação de informações gerais
sobre a biblioteca [...] assim como as específicas voltadas para um segmento
específico. Promove o uso dos sistemas e de seus recursos e, para isso
desenvolve atividades de treinamento pessoal de clientes na utilização do
acervo, catálogos, bases e o acesso às bibliotecas virtuais.
O trabalho de referência inclui a assistência direta e pessoal dentro da biblioteca às
pessoas que buscam informações para qualquer finalidade, e também as diversas atividades
biblioteconômicas destinadas a tornar a informação tão acessível quanto seja possível.
O serviço de referência não é apenas constituído de atendimento ao usuário, essa é
apenas uma das etapas do trabalho de um bibliotecário que atua no setor de referência de uma
biblioteca. O atendimento ao usuário é a etapa final, pois para que ele aconteça é necessário
que haja seleção, aquisição e organização dos materiais informacionais. De acordo com
Hutchins (1973, p. 4),

1902

�A seleção e organização de materiais com este fim em vista é uma parte tão
importante do trabalho de referência quanto sua interpretação para o leitor
individual. É a força motriz sem o qual o alvo não pode ser atingido. Para
obter um serviço de referência eficiente, a administração da biblioteca precisa
supri-lo tanto com os necessários livros e instalações quanto com uma equipe
treinada em seu manuseio.
Um dos grandes desafios para as bibliotecas de todo mundo é o serviço de referência,
visto como uma das atividades principais do fazer bibliotecário. O conhecimento de
instrumentos bibliográficos, as habilidades interpessoais com o usuário, a seleção e avaliação,
a condução da "entrevista de referência" e o oferecimento e criação de guias de leitura são
práticas desse fazer profissional tão importante para o dia a dia de pesquisadores, docentes e
estudantes.
Pode-se dizer que o serviço de referência compõe-se principalmente de duas variáveis:
atitude do profissional no instante da entrevista e o produto derivado da necessidade
apresentada pelo usuário. É daí que se originam todos os outros produtos e serviços
relacionados ao serviço de referência.
É muito comum também se referir à função principal do serviço de referência como a
de dar acesso à informação. Isso pode ser interpretado da seguinte forma: fazer com que o
usuário encontre a informação desejada, ou seja, satisfazer as necessidades do usuário.
Para se ter conhecimento sobre as reais necessidades dos usuários em unidades de
informação é fundamental que ocorra a "entrevista de referência". Durante esse processo é
possível que aconteça a orientação sobre a recuperação e uso das fontes de informação.

4 ENTREVISTA DE REFERÊNCIA
A "entrevista de referência" é uma técnica de fundamental importância para o
desenvolvimento das atividades dos bibliotecários, bem como para o encontro de soluções
dentro do universo de informações disponíveis atualmente. Ela é uma técnica do serviço de
referência que para Grogan (1995, p. 22) "trata-se de uma atividade essencialmente humana,
que atende a uma das necessidades mais profundamente arraigada da espécie que é o desejo
de conhecer e compreender".
A "entrevista de referência" é uma técnica humana realizada por bibliotecários de
referência, esta técnica envolve instrumentos, porém o que mais se percebe importante é o
corpo, seu movimento e sua apresentação. Mauss (2003, p. 407) ao falar sobre o corpo e as
técnicas afirma que

1903

�Nessas condições, cabe dizer simplesmente: estamos lidando com técnicas do
corpo. O corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem. Ou, mais
exatamente, sem falar de instrumento: o primeiro e mais natural objeto
técnico, e ao mesmo tempo meio técnico, do homem é o seu corpo.
A "entrevista de referência" é uma técnica utilizada desde os primeiros ditos
intermediadores de informação ou mesmo guardadores dos documentos, até os modernos
profissionais da informação, incluídos os bibliotecários. É uma técnica de grande importância
para todos os utilizadores de unidades de informação e usuários que necessitam de alguma
fonte ou informação específica, bem como para os consulentes que precisam de informações
gerais. Mauss (2003, p. 407) considera
[...] técnica como um ato tradicional e eficaz. [...] Não há técnica e não há
transmissão se não houver tradição. Eis em quê o homem se distingue antes de
tudo dos animais: pela transmissão de suas técnicas e muito provavelmente
por sua transmissão oral.
Há várias atitudes desses profissionais durante a "entrevista de referência" que podem
ser citadas, mas as mais importantes são a postura receptiva, a disposição de atender o
usuário, a boa educação, a boa comunicação, a cortesia, a atualização constante, domínio de
técnicas biblioteconômicas, além do entendimento de uso e funcionamento de ferramentas de
informática. Segundo Hutchins (1973, p. 18)
o mínimo de cortesia exige que o bibliotecário trate o consulente com o
devido respeito, olhando-o de frente, ouvindo tudo o que ele tem a dizer, e
certificando-se de que a sua própria resposta seja compreensível e satisfatória.
Vale salientar que, existe uma grande demanda para a produção de produtos e o
oferecimento de serviços para usuários e esses devem ser criados e oferecidos no setor de
referência.
Há grandes preocupações com esse serviço na atualidade com relação à ética,
qualidade, desenvolvimento científico, avaliação e eficiência da referência e das fontes
apresentadas ao usuário. Para Hutchins (1973, p. 26)
O bibliotecário de referência, baseado no que houver depreendido dos
propósitos do leitor, deve manter um senso de medidas e usar de critério
equilibrado na determinação da soma de tempo e esforço a serem gastos em
cada consulta, e na escolha das fontes a serem usadas.
É interessante acrescentar que deve ser enfatizado o processo de orientação com relação ao
porquê e ao como fazer o uso de fontes de informação como catálogos, bases de dados, pois
orientar o usuário no modo de como utilizar essas ferramentas é uma forma de torná-lo

1904

�independente e ativo nesse processo. Assim, o bibliotecário de referência se vê obrigado a
descobrir novas formas de mediação, tanto na obtenção como na disseminação de informação.
O tempo de realização da entrevista dependerá de diversos fatores como a
disponibilidade do usuário, os recursos e fontes de informações, bem como a confirmação de
atendimento e satisfação à necessidade do mesmo. Se o usuário se mostrar interessado e com
tempo disponível é fundamental que o profissional seja o mais abrangente possível ao
apresentar as fontes de informações e seus principais objetos e objetivo. Já para usuários com
pouco tempo é importante que o profissional seja bem objetivo e direto, tentando sempre não
perder a qualidade do atendimento. O profissional deve ser o mais cordial e atento possível,
para Hutchins (1973, p. 20)
... a falha por parte do bibliotecário em conceder tempo conveniente à consulta
é motivo de humilhação para o leitor, que sentirá menosprezado e tratado com
pouco caso - e nenhum ser normal se submete mais de uma vez a uma
humilhação se puder obter o que precisa em outro lugar, ou se puder
prescindir de tal informação. Consequentemente, quando um assistente de
referência responde de maneira superficial ou arrogante a uma pergunta,
poderá não ter mais oportunidade de se retratar ou, que é pior, de reabilitar seu
departamento ou a biblioteca aos olhos daquele leitor.
O importante é que a atitude do bibliotecário, mostrando-se disposto por prestar
qualquer serviço, crie prontamente uma atmosfera amistosa na qual o leitor se sinta à vontade.
É fundamental que se estabeleça uma comunicação efetiva entre profissional e leitor. O
bibliotecário deve estar ciente das necessidades do usuário. Existem alguns exemplos como
citados por Hutchins (1973, p. 22) que ocorrem em unidades de informação, mas com uma
boa conversa é possível que sejam desfeitos os desentendimentos.
Às vezes o consulente aparece tão preocupado com seus próprios problemas
que não se apercebe da imprecisão ou ambigüidade de sua consulta, como foi
o caso do leitor que pediu livros sobre "carving",221 e teve a surpresa de ouvir
o bibliotecário perguntar-lhe se estava interessado em escultura, entalhe em
madeira, ou em como trinchar carne. Provavelmente assumira recentemente as
responsabilidades de chefe de família, e enfrentava novos encargos, pois o que
lhe interessava era o último caso. Essa maneira foi muito mais eficiente em
lidar com a questão do que a relatada por uma biblioteca onde se gastou um
tempo enorme trazendo livros e artigos sobre porcelana para um leitor que,
descobriu-se afinal, saber como é que se faz dentes postiços.

221 To carve em inglês significa esculpir, entalhar e trinchar.

1905

�A postura do profissional durante a "entrevista de referência" é também de extrema
importância para o bom resultado da mesma. O profissional deve estar aberto ao consulente.
Para Hutchins (1973, p. 24)
Se durante a entrevista o bibliotecário souber manter um interesse amistoso,
procurar falar a linguagem do leitor, ouvir atentamente e de vez em quando
colocar-se no lugar do interlocutor, poderá ficar sabendo de muita coisa sobre
o consulente pelas respostas dadas a perguntas sobre como se manifestou seu
interesse pelo assunto, quais seus conhecimentos já adquiridos a respeito, se
sabe lidar com certos instrumentos de referência, e qual o uso que pretende
fazer com a informação procurada.
Existem várias ferramentas que poderão ser utilizadas para agilizar, facilitar e até dar
acesso às fontes de informação. No decorrer da entrevista, o bibliotecário deve ir alinhando
mentalmente as fontes, ou pelo menos as ferramentas que possam auxiliar e conter
informações necessárias, para que no final da entrevista já exista um planejamento do início
da pesquisa pelo consulente. Após esse planejamento será viável a consulta às ferramentas
bibliográficas como catálogos, índices, bibliografias, cardex etc.
O espaço físico também pode influenciar positiva ou negativamente na "entrevista de
referência". Em determinados locais em Unidades de Informação são exigidos silêncio
absoluto, assim o balcão de referência deve ser posicionado longe destes locais, mas também
deve ficar em local visível e acessível. Quando não for possível esse distanciamento é
necessário que exista sala de referência onde consulente e bibliotecário possam conversar sem
atrapalhar os demais usuários e ter privacidade para falar sobre o assunto buscado.
Estas condições devem ser avaliadas pelos profissionais bibliotecários na hora da
construção do layout da Unidade de Informação. Bem mais que layout Hutchins (1973, p. 18)
se preocupa também com outro acesso com relação à abertura do profissional e afirma que "a
primeira qualidade de um bom bibliotecário de referência diz respeito à sua acessibilidade: ele
deve não só estar num ponto de fácil acesso físico ao leitor, como deve ser muito acessível
intelectual e espiritualmente."

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
São as atividades humanas que promovem o desenvolvimento das técnicas e dos
utensílios, porém as técnicas e os utensílios também influenciam a atividade humana. Vale
sempre ter em mente que o instrumento mais importante e fundamental para todas as técnicas
é o corpo.

1906

�O trabalho é visto como mola propulsora para o desenvolvimento humano, bem como
também meio de subjugar o próprio homem.
O avanço nas ciências e das técnicas exigiu o desenvolvimento de linguagens
específicas para as atividades desenvolvidas nesse meio, as linguagens de especialidade. Na
área da biblioteconomia não foi diferente e, neste artigo, deu-se ênfase à questão como ocorre
no campo do "serviço de referência" e na técnica "entrevista de referência".
A técnica de "entrevista de referência" é de extrema importância para usuários de uma
Unidade de Informação, pois é por meio dela que o profissional bibliotecário descobre as
reais necessidades desse sujeito.
A "entrevista de referência" é técnica humana que requer utensílios, sendo que o mais
importante deles é o corpo. A postura e atitudes do profissional durante a entrevista é
fundamental para o sucesso da mesma.
Além do corpo, existem vários instrumentos que irão auxiliar esta atividade, são eles:
catálogos, bibliografias, índices, cardex etc.
Como em todas as atividades humanas são muitos os fatores que influenciam na
"entrevista de referência". Nesse caso, podem-se ressaltar a cultura, o ambiente, o espaço
físico e temporal.
Vale ressaltar a importância de estudos sobre a atividade humana, técnica e tecnologia
como fonte de novas percepções sobre a temática e entendimento sobre o desenvolvimento do
homem, assim se justifica a necessidade de mais estudos nesta área.

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&lt;http://www.scielo.org.pe/pdf/arete/v19n2/a01v19n2.pdf&gt;. Acesso em 25 out. 2013.
SADALA, Paula; MACHADO, Lucília. Tecnologia. In: FIDALGO, Fernando; MACHADO,
Lucília (ed.) Dicionário da educação profissional. Belo Horizonte: Núcleo de Estudos sobre
Trabalho e Educação, 2000. p. 322.

1908

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O artigo discorre sobre a atividade "entrevista de referência". Ela é,realizada por bibliotecários de referência para descobrir as reais necessidades de usuários. O artigo está dividido em cinco partes. A "Introdução" discute a atividade humana como elemento propulsor do desenvolvimento das técnicas e utensílios do homem. Aborda a questão do utensílio mais importante para produção das técnicas: o corpo. Fala ainda sobre tecnologia e trabalho. A segunda parte, "Linguagem de especialidade", fala sobre trabalho e necessidade de desenvolvimento de linguagens específicas para este meio. A terceira parte aborda a área da biblioteconomia, mais especificamente o campo do "serviço de referência" e alguns termos específicos do mesmo. A quarta parte discorre sobre a técnica "entrevista de referência", suas potencialidades e desafios. Na quinta parte estão as considerações finais, que enfatizam a questão do corpo como o mais importante utensílio para a "entrevista de referência", bem como para todas as técnicas. </text>
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